11 julho 2013

Copa do Brasil/2012












Sei que faz muito pouco tempo, mas é que hoje faz sentido reviver a campanha que nos levou ao título da Copa do Brasil de 2012. Olhando para o passado com os referenciais de hoje, pode até bater um questionamento: será que o Palmeiras só caiu no Brasileiro por causa desse título? Difícil responder. Como é difícil responder também se trocaríamos uma coisa pela outra. Fato é que hoje completamos um ano de um título que é tão improvável quanto boa parte dos fracassos recentes do alviverde imponente.

Como se trata de algo bem recente na memória do torcedor, não vou aqui entrar nos pormenores. Vamos basicamente com a campanha:

1ª fase
Coruripe/AL 0-1 Palmeiras [Barcos]
Palmeiras 3-0 Coruripe/AL [Assunção, Barcos e Juninho]
O 1-0 da ida teve gosto amargo (não conseguimos evitar o jogo de volta), mas fez algum sentido depois da segunda partida. Afinal, a conquista de 1998 começou do mesmo jeito: confronto contra um time de Alagoas (o CSA) e vitórias por 1-0 (fora) e 3-0 (em casa). 

2ª fase
Horizonte/CE 1-3 Palmeiras [Leandro Amaro (2) e Maikon Leite]
Mais uma boa coincidência: em 1998, enfrentamos outro time cearense (o Ceará) na segunda fase.

Oitavas-de-final
Paraná/PR 1-2 Palmeiras [Assunção e Henrique]
Palmeiras 4-0 Paraná/PR [Mazinho (2), Valdivia e Maikon Leite]
Tranquilidade absoluta, com vitórias em casa e fora.

Quartas-de-final
Atlético/PR 2-2 Palmeiras [Barcos e Maikon Leite]
Palmeiras 2-0 Atlético/PR [Luan e Henrique]
Em Curitiba, o Palmeiras foi muito prejudicado pela arbitragem. Ainda assim, buscou um bom empate com gols. Na volta, em Barueri, jogo duro e vitória bastante consciente, na medida certa: 2-0 e a vaga na semifinal garantida. 

Semifinal
Grêmio/RS 0-2 Palmeiras [Mazinho e Barcos]
Palmeiras 1-1 Grêmio/RS [Valdivia]
O ponto alto da trajetória foi, sem dúvida, a vitória em Porto Alegre. Porque o time do Grêmio era superior e, mesmo diante da enorme pressão do estádio Olímpico, o Palmeiras de Felipão foi taticamente perfeito, para então buscar a vantagem com dois gols nos minutos finais. Na volta, noite de caos entre São Paulo e Barueri – no auge da demonstração de como a opção pelo estádio-sem-time não poderia nunca receber esse tipo de partida. A torcida sofreu como nunca, muitos não puderam entrar no estádio, choveu até não mais poder e o Palmeiras, com o regulamento debaixo do braço, arrancou a classificação com um empate suado: 1-1. Antes do gol de Valdivia, no entanto, o palmeirense viveu minutos de pânico na Arena Barueri: “será que vamos entregar de novo?”. Não, dessa vez não.

Final
Palmeiras 2-0 Coritiba/PR [Valdivia e Thiago Heleno]
Coritiba/PR 1-1 Palmeiras [Betinho]
O time do Palmeiras, que já era ruim, foi se esfacelando e perdendo peças importantes. O camisa 9 28 teve uma crise de apendicite no dia da final e se somou aos tantos desfalques do time para a decisão. Em campo, com casa cheia, o Verdão se superou, teve doses elevadas de sorte a alcançou um 2-0 que o deixava em condição muito favorável para o jogo de Curitiba. No dia da glória de 11 de julho de 2012, diante de um Couto Pereira repleto (com direito a quase 8 mil palmeirenses), o Campeão do Século XX mostrou sua força: com um time fraquíssimo, ainda mais desfalcado do que na primeira partida, cozinhou o Coritiba, jogou como gente grande e, após um deslize que o fez sair atrás no marcador, foi buscar o empate salvador em um cabeceio de um herói improvável: Betinho. Pronto. Título conquistado, fantasma de 2011 (maldito 0-6) exorcizado e vaga garantida na Libertadores do ano seguinte.

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-Fica até difícil escalar o Palmeiras/2012 de "1" a "11". Porque, além de fraco, era um time que não parava em pé, com seguidas contusões, chegadas e saídas que o desfiguravam por completo. Felipão teve ali um lampejo de Felipão, conduzindo ao título (invicto!) um elenco dos mais frágeis e azarados. A sorte que nos faltava veio exatamente na final, diante de um Coritiba que era superior e que fez por merecer um resultado melhor no jogo de ida. O que aconteceu no jogo de volta foi apenas consequência.

-Barueri, um lugar cujas deficiências se fizeram evidentes em todos os duelos mais decisivos desta Copa do Brasil, teve seu nome inscrito na história alviverde graças a essa Copa do Brasil. Afinal, à exceção do primeiro jogo (em Jundiaí), o Palmeiras mandou todos os seus jogos na Arena Barueri. A campanha como mandante é digna de registro: 5 jogos, 4 vitórias e 1 empate; 12 gols pró e 1 gol contra.

13 comentários:

Henrique "Véio" disse...

O 2º gol do primeiro jogo, foi do Thiago Heleno, naquele maldito buraco de Barueri..

acreano disse...

Só quem foi ao 2º jogo da semifinal sabe o quanto sofremos naquele buraco!

espero nunca mais voltar lá...

@anakan

acreano disse...

só para complementar: o seu texto pós jogo no olímpico no 1º jogo da semifinal foi um dos mais espetaculares relatos de arquibancada!

Vinicius Soler disse...

Esse título, apesar de tudo, teve e tem uma importância enorme para mim. E é simples explicar o motivo: Com meus 22 anos, na época, foi o primeiro título que pude comemorar como gente grande, como torcedor de verdade(antes disso, teve o Paulista de 2008, em que tinha 18 anos, título de menor expressão e em uma época em que quase não frequentava estádio. Os da década de 90 eu era apenas uma criança.). O sentimento foi novo e indescritível, que só me fez perceber o quanto estava me acostumando a frustrações, a ponto de, em certos momentos, ela parecer o caminho natural das coisas. Como nos momentos dos gols do Grêmio e Coritiba, nos jogos de volta (e que rendeu o momento mais emocionante dentro de um estádio, para mim: o gol do Valdívia, no empate contra o Grêmio). Não trocaria a permanência na Serie A por esse título, nunca.

Vitor Forcellini disse...

Primeira vez que eu vi o Palmeiras ser campeão dentro do estádio. O jogo contra o grêmio foi um dos mais espetaculares que eu já vi na vida, foi vitória de campeão, conquistamos o título ali!

Rodrigo Gregorio disse...

Aquele 2º jogo contra o Gremio foi marcante... Dificuldade incrível para chegar em Barueri... muita chuva, entrei no final do 1º tempo... jogo duro... mas valeu muito! Sexta-feira todo mundo no Pacaembu!

Enrico disse...

Aí Barneschi, viu essa? http://extra.globo.com/esporte/maracana-consorcio-colocara-grades-para-separar-torcida-veta-bambus-de-bandeiras-torcedor-em-pe-sem-camisa-8996011.html
É o começo do fim do mundo, a morte anunciada!

Anônimo disse...

obrigado por mais essa lembrança!!!!

Anônimo disse...

Boa noite a todos, hoje após um ano desta conquista que muitos não acreditavam , estamos em plena segunda divisão, sendo administrados, pelo marionete de Nobre casta inútil, mas há um porem nenhum time do Brasil tem todos os títulos possíveis a serem conquistados, desta forma mesmo com uma equipe horrível, um técnico canastrão, e uma administração circense , o titulo veio a eternizar mais uma vez o que é sempre uma constante, PALMEIRAS CAMPEÃO mesmo quando tudo e todos, torcem contra!
Claudio Longo!

André / Americana disse...

Como passa rápido! Parece que foi ontem que quase fui preso naquele precário estádio de Jundiaí, acusado de vender cerveja (quando na verdade a gente tava com um cooler no carro, bebendo enquanto esperava a hora do jogo) e de tantas idas pro buraco de Barueri!

Pra mim, o jogo contra o grêmio foi o que sinalizou que seríamos campeões! Debaixo de chuva, um trânsito dos infernos...voltamos pra Americana convictos de que seria nosso!

Grande texto Barneschi, pra variar!!

Vinícius Andrade disse...

Barneschi:

Tenho 35 anos, este foi o título mais milagroso que já ví na minha vida. Sem time, sem diretoria, sem estádio, sem quase-tudo. Mais mesmo assim, foi um título muito saboroso. Fui a todos os jogos em Barueri (terrível chegar naquele lugar); na finalíssima em Curitiba, assisti o jogo em um bar em Marília junto com meus amigos palmeirenses, no fim do jogo, foi uma grande emoção e comemoração; ao contrário de São Paulo, em Marilia, nossa torcida e festa são maiores que os gambás, impressionante!

Palmeiras, nossa vida é você!

FC disse...

Outra sensacao boa deste titulo eh que foi poucos dias depois da gambazada perder a virgindade na America. Aguamos a deles e fizemos uma festa lindissima.

Dos titulos de mais peso, esta CopaBR-12, foi o UNICO em que o Palmeiras ganhou sem ter o melhor time da competicao.

O unico !! Em todos os outros precisamos ser melhores do que os adversarios para levarmos.

Nessa toada, tanto o Rio-SP 93 como a Copa dos Campeoes 200, ganhamos com o time reserva, mas nenhum deles tem o tamanho\peso da Copa do Brasil.

Infelizmente nossa cota de milagres se esgotou no 2o semestre do ano.

Abraco,
FC

Anônimo disse...
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