13 junho 2013

"Fim do jejum, Início da lenda!"














O que escrevo a seguir não tem necessariamente relação com o fato de ser o Galuppo meu grande amigo, irmão e padrinho. Nem com a boa relação que tenho com o Mauro Beting. Tampouco por ser Evair quem ele é. Porque, ainda que isso tudo seja verdade, ainda mais verdade é que os três se juntaram para entregar uma obra-prima para a biblioteca de todo e qualquer palestrino.

“Fim do jejum, Início da lenda!” é daqueles livros que você devora em curto espaço de tempo, porque capturado pelas histórias ali contadas, que nos remetem a momentos inesquecíveis. Foi assim comigo: estive ontem no lançamento oficial, sai com meu exemplar autografado e, na primeira oportunidade que tive, madrugada adentro, li tudo, do início ao fim.

Ao contrário do que eu pensava antes de tê-lo em mãos, o livro tem o mérito de resgatar histórias de cada um dos 38 jogos que nos conduziram ao 12 de junho de 1993. Mais que isso até: estão lá, entremeados, os jogos da Copa do Brasil daquele ano e mais alguns necessários relatos sobre a chegada de Evair ao Palestra Italia (como moeda de troca em negociação com a Atalanta) e sobre o absurdo afastamento em 1992. Tudo, claro, sob a ótica do "Matador que nos deu a vida" (essa é do Beting).

Além da belíssima e inspirada capa, o livro é de um apuro visual raras vezes visto. Seja pela diagramação, pela divisão dos temas, pelas fontes escolhidos, pela identidade que se faz presente do início ao fim, pelos mínimos detalhes. Coisa fina.

A leitura flui por nos transportar para momentos felizes de nossas vidas (da adolescência para mim, da infância para alguns, de fases mais maduras para outros). Ouso dizer que 1993 é tão maior que tudo que faz sentido mesmo para os que nem eram nascidos à época.

De minha parte, digo que há um pouco de frustração porque não vivi aquela época exatamente do jeito a que me acostumei pelas duas décadas seguintes. Porque era ainda muito novo, 12 anos, e o gosto pelo futebol e pela arquibancada não foi exatamente algo que eu herdei do meu pai. Portanto, as idas ao estádio naqueles primeiros anos da adolescência eram eventuais. De toda a campanha de 1993, por exemplo, estive em apenas um jogo (o 2-1 contra a Portuguesa); todos os demais eu senti de casa, pelo rádio, tendo a companhia de José Silvério, Milton Neves e outros mais.

Não estive no Jd. Leonor, no 12 de junho de 1993. Sim, é uma frustração da qual eu nunca vou me livrar, mas, vendo hoje as crianças de 12 anos, entendo que não seria possível ir ao estádio sozinho. Mas, isso passado e quase 800 jogos no estádio depois, é como se tivesse vivido nas arquibancadas de todo o estado cada minuto daquele ano inesquecível.

Lendo o que escreveram Beting, Evair e Galuppo (e da forma como escreveram), fica muito fácil me sentir no Palestra, no Pacaembu, no Jd. Leonor, no Brinco de Ouro, no Moisés Lucarelli, em Bauru, em Araras, em qualquer das canchas do interior que eu tão bem conheço.

Consigo ouvir o barulho de cada gol, os gritos de incentivo que vinham de todos os lados, mesmo as ofensas da torcida ao Otacilio naquela noite em que perdemos para o Mogi Mirim o jogo, o técnico e o centroavante - talvez porque os protestos tenham se tornado tão comuns desde então, é como se eu conseguisse ouvir os sons e sentir o clima daquela noite como se fosse ontem.

É como se, ao tomar contato com a narrativa em primeira pessoa de Evair, eu conseguisse reproduzir cada um de seus 18 gols - e todos os outros que nos levaram ao título. É como se tivesse visto cada um a partir da arquibancada, é como se tivesse tomado o Pompéia 478P todas as vezes em que o Palestra lotou para ver aquele time mágico ir a campo, é como se tivesse pegado a estrada (numa época em que ainda nem sonhava em dirigir) para viajar a cada uma das cidades que tiveram o privilégio de ver o Palmeiras de 1993 em campo.

"Fim do jejum, Início da lenda!” é, enfim, uma obra primorosa. E, nesses tempos tão sombrios, carrancudos e de tanto desalento, faz todo palmeirense acreditar que os tempos gloriosos podem voltar.

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Onde comprar o livro: por se tratar de um lançamento, em qualquer livraria - ou pela internet. E possivelmente em mais algumas sessões de autógrafo com Evair, Beting e Galuppo. Não deixem de fazer isso.

8 comentários:

Luan disse...

Barneschi, em qual site confiável eu posso comprar esse livro pela internet? pois moro longe de sp e gostaria muito de comprá-lo.

obrigado

Anônimo disse...

Boa noite a todos, a festa feita pela torcida do Palmeiras em 1993, calou por muitos anos toda a arrogância midiática, que mantinha o clube em um estado anestesiado, pelos desmandos de diversas administrações incompetentes , mas o fato da gestão compartilhada entre Palmeiras e Parmalat, expos de forma clara o quanto é incomodo o Palmeiras aos mesmos idiotas que hoje se põe a criticar a Historia gloriosa alviverde, impondo os resultados mesquinhos dos clubes que são modismo sem um verdadeiro legado de conquistas.
O Palmeiras em 26 de Agosto deste ano, completa 99 anos de glorias e conquistas sem igual perante aos demais clubes, pois sua farda competência manteve sempre distante de êxito, os mesmos que sempre procuraram destruir o anseio alviverde determinado em resultados que mantem o Palmeiras , pioneiro em quase todas as expectativas positivas, em qualquer momento!
Claudio Longo Famiglia Palestra!

Anônimo disse...

Sou colorado, odeio Gaymio e Ladraointhians. Torci muito pelo Palmeiras naqueles duelos que tinha contra o Gaymio na decada de 90. Era um baita time, craques, a parmalat derrubava dinheiro no Palmeiras na mesma quantidade que vendia leites. Colorado comprava leites Parmalat pra fortalecer o Verdao e detonar com o Gaymio. Decada de 90 foi horrivel para o Inter. Decada de 2000 tudo virou e o Inter conquistou a America( Bi) e o Mundo, alem das Recopas e Sul Americana. Enfim, o mundo da voltas.

Justi disse...

"Ouso dizer que 1993 é tão maior que tudo que faz sentido mesmo para os que nem eram nascidos à época."
Nasci três dias após essa final, e cresci ouvindo meu irmão contar a historia desse jogo em que ele estava lá, mesmo não sendo nascido na época quando vejo os gols não tem como não se emocionar

Robson Deveza disse...

Tinha apenas 5 anos e todas que meu Pai, me conta sobre esse dia eu me emociono, como se fosse a primeira vez, por isso digo que a escolha do título foi excelente, FIM DO JEJUM INICIO DA LENDA.

Robson Deveza disse...

Tinha apenas 5 anos e todas que meu Pai, me conta sobre esse dia eu me emociono, como se fosse a primeira vez, por isso digo que a escolha do título foi excelente, FIM DO JEJUM INICIO DA LENDA.

Barneschi disse...

Luan
Você pode comprar no site da Livraria Cultura, por exemplo. Ou da Fnac ou da Saraiva. Imagino que Submarino, Americanas e outras lojas virtuais também tenham o livro no catálogo. Ou nesse link aqui (http://livraria.folha.com.br/catalogo/1204371/sociedade-esportiva-palmeiras-1993?tracking_number=1411), com preço até um pouco abaixo.
Abraços

Luan disse...

obrigado Barneschi! acabei de comprá-lo e agora é aguardar ansiosamente sua chegada para mim. valeu

abraços