31 janeiro 2012

São Marcos, biografia comentada



Tive o prazer de conhecer o Celso de Campos Jr., autor de "São Marcos de Palestra Itália", há não muito tempo, mas ainda antes de ler o livro que ele acaba de entregar aos palmeirenses. Seu nome já havia sido bem referendado pelo Fernando Galuppo, de tal forma que eu já tinha dele boa impressão. Fiquei um tanto mais confiante ao saber que o Celso era também o autor de "Adoniran, uma biografia", tida e havida como uma obra quase definitiva sobre "este gênio, ídolo de todas as torcidas" - foi esta a definição do autor, em dedicatória.

Isso posto, informo que devorei o livro em pouco mais de dois dias (úteis, que fique claro). A leitura é rápida, flui com naturalidade e captura o palmeirense porque capaz de retratar, ao longo de pouco mais de 20 anos de história, nossas maiores emoções. Você começa a ler e não consegue parar, porque o livro te segura ao sabor da narrativa de grandes vitórias e de desastres épicos.

(Por sinal, é curioso notar como os fracassos retumbantes são, ao longo dos anos, mais representativos que as conquistas, seja em termos numéricos, seja em termos do impacto causado.)

Eu leio biografias o tempo todo, em especial de grandes personagens históricos. E admito que meu interesse maior não está tanto nos detalhes pessoais, mas na relevância histórica e no contexto em que o sujeito está envolvido. Pois a biografia recém-lançada acaba, por efeito da impossibilidade de contato do autor com o biografado, tendo exatamente este mérito. Claro que Marcos deve ter histórias engraçadíssimas de bastidores ou da esfera pessoal, mas eu me interesso mais pelos feitos do mito do que pelas ações do homem.

A biografia de São Marcos tem o mérito de registrar tudo o que vivemos dentro do estádio nos últimos 20 anos. As maiores conquistas, as tragédias, as expectativas, a desesperança. Não é bem a história do nosso camisa 12; é a história das últimas duas décadas da Sociedade Esportiva Palmeiras; é a nossa história como torcedores. É um pouco daquilo que eu escrevi no post em homenagem ao santo:

"Marcos é o símbolo de tudo o que eu já vivi dentro de um estádio - para o bem e para o mal. É responsável direto por quase todos os momentos mais felizes da minha vida. (...) Leva uma fase importante da minha vida, leva minhas melhores e mais intensas lembranças, leva minhas lágrimas também. Com ele, vai muito da pessoa que eu me tornei. Com ele, vai um pouco da minha alma. Com ele, vai muito do Palmeiras."

É digna de registro também a admirável capacidade de contextualização histórica levada a cabo pelo Celso. Com o necessário rigor jornalístico (eu encontrei apenas uma menção que pode ser contestada) e com enorme precisão histórica, o livro elenca ano após ano todas as campanhas do clube, detalhando umas mais do que outras e dando o devido peso à ascensão de Marcos e ao cenário que vivíamos a cada ano.

Celso se formou na mesma faculdade e no mesmo curso que eu, jornalismo na Cásper Líbero. Da mesma maneira que eu, deve ter ouvido de um ou mais professores que jornalista deve evitar os adjetivos, de modo a ser o mais objetivo possível. Balela. Adjetivos, quando bem usados, garantem um texto melhor do que qualquer tentativa de mostrar distanciamento da situação. Celso usa-os muito bem, e quem ganha com isso é o leitor.

Aliás, o trecho a seguir mostra que nossa visão sobre os colegas da imprensa esportiva é bem parecida: "Aos berros, o gaúcho exigia sangue nos olhos de seus comandados: "Onde é que tá a malandragem de vocês? Não aprendeu nada na vida? Eu tenho um time já rodado, experiente, mas que na hora do bem-bom não sabe dar um pontapé. Não sabe dar um cascudo, não sabe irritar o cara. Vocês têm que ter na cabeça isso tudo que estou falando para vocês. Raiva... raiva dessa porra de Corinthians", exclamou. (...) Com a tradicional dose de hipocrisia, boa parte do mundo do futebol caiu de pau em cima de Luiz Felipe Scolari. Os paladinos da imprensa esportiva horrorizaram-se com as palavras deselegantes do sargentão, como se os diálogos no esporte viessem todos com perfume de lavanda e jasmim". (páginas 128 e 129)

O texto, como eu já disse, é passional. Celso é palmeirense, é evidente, e faz questão de explicitar isso por meio de referências bastante particulares - até porque distanciamento aqui seria impossível. A palestrinidade do autor aparece em incontáveis momentos, e eu enumero alguns:

"Na volta a São Paulo, o elenco de juniores perfilou-se, orgulhoso, no gramado do estádio Palestra Itália para a foto oficial de campeão - com Marcos já envergando a nova camisa de goleiro, azul com detalhes em branco, criada pela adidas depois que alguma alma sã finalmente percebeu que o rosa e o amarelo não combinavam muito com o clube". (página 35)

"Mordidos, os palmeirenses, no dia da graça de 12 de junho de 1993, fizeram o Corinthians chafurdar no verde do estádio do Morumbi, emplacando uma sonora e humilhante goleada de 4 a 0, 3 a 0 no tempo normal e 1 a 0 na prorrogação. A carnificina foi liderada pelo matador Evair, que completava sua vendetta contra Nelsinho - ele, de novo, técnico do Corinthians". (páginas 43 e 44)

"Zinho ajeita com carinho. Minutos antes, o camisa 11 havia cobrado uma infração quase certeira, acertando o travessão. Desta vez, o chute vai para o canto esquerdo baixo de Paulo César. O goleiro cai para encaixar, mas a bola não quer ser abraçada. Molhada e marota, consegue se desvencilhar do colo do veterano, que, desesperado, engatinha para recolhê-la de volta. É quando Oséas, vindo não se sabe de onde, acerta, não se sabe como, um chute impossível, completamente sem ângulo, e aninha a bola nas redes." (página 82)

"No jogo de Buenos Aires, é preciso registrar, o alviverde só não saiu com a vitória devido à escandalosa arbitragem do colombiano Ubaldo "Roubaldo" Aquino, que estabeleceu um novo padrão em pilhagem dentro da cancha" (página 140)

Boa amostra, não? Pois não perca tempo e vá atrás do seu exemplar. Outros livros virão, é bem verdade, mas este, além de ser o primeiro, tem o mérito de ser um livro de torcedor para outros torcedores.


São Marcos de Palestra Itália - ficha técnica
Autor: Celso de Campos Jr.
Editora: Realejo Edições
16x23 cm
304 páginas
ISBN 978-85-99905-48-7
R$ 49,90

Sobre o autor:
Celso de Campos Jr. nasceu em São Paulo em 1978. Formado em Jornalismo pela Cásper Líbero e em História pela Universidade de São Paulo, é autor de "Adoniran – uma biografia" (Editora Globo) e "Nada mais que a verdade: a extraordinária história do jornal Notícias Populares" (Summus Editorial).

Mais informações: www.realejolivros.com.br

16 comentários:

Luan disse...

Grande São Marcos de Palestra Itália! Acabei de comprar o meu pela net, já estou ansioso para ler.. obrigado Barneschi por nos indicar e nos mostrar que esta biografia ficou boa e foi feita por um palmeirense de verdade!

AVANTI PALESTRA

Binóculo Verde disse...

Além de palhaço, é um covarde que se esconde atrás de um perfil anônimo.

Vinícius Terra de Andrade disse...

Barneschi:

O meu livro chega na sexta, mal posso esperar!!!

Abraço e parabéns pelo blog!!!

Vinícius Terra de Andrade

Marcão disse...

Comprei o meu no final de semana. O livro é mto bom. Uma bela dica pro pessoal.

Geraldo Batista disse...

Ja li o meu livro 2 vezes e eh sensacional, ate o gamba do meu primo ja quis ler o livro e eu disse q nao daria a ele q er apra comprar se quiser, nd de sujar meu livro com as maos de gamba dele.
O livro e foda e a leitura e sensacional, vale muito a pena.

@batista_mv

FabioTremems disse...

Vc devia ganhar comissão!
no almoço, passei na livraria e comprei o bendito livro. agora é esperar as 18 horas chegar pra começar a leitura...

Anônimo disse...

Meu caro Barneschi,
Sensacional. Fiz como você. Comprei o livro em Dezembro e li em dois dias, nas vésperas do Natal. Deixei tudo pra lá e mergulhei nas deliciosas narrativas do Celso. Grande homenagem a São Marcos. E, imagine, que os conselheiros-múmias de sempre (não vale a pena citar os nomes) queriam embargar o livro e processar o autor, pois argumentavam que era uma biografia "não-autorizada" (pode???) e que "atropelou" o projeto que o clube, com suas brilhantes iniciativas de MKT, queria lançar!! O livro é leitura obrigatória para os 15 milhões de palestrinos desse País!
Saudações Palestrinas.
Forte abraço,

Celso de Campos Jr. disse...

Fico honrado com as palavras do Barneschi e o apoio dos leitores do blog. Grazie mille, e um abraço a todos!

Fernando Galuppo disse...

Grande Livro!!!

Belo texto, como sempre meu amigo Barneschi!!

O Celso é um grande jornalista, historiador e palestrino!! Já está entre os eternos esmeraldinos com sua bela obra...

Que outras mais surjam, meu caro Celso, evidenciando a cada dia mais essa paixão incondicional chamada Palmeiras!!

Falta agora o seu livro, Barneschi!! Quando sai?? 8-))

Abraços
Fernando Galuppo
FORZA VERDÃO

Ettore disse...

Parabéns ao autor, o livro é sensacional! Aliás, também gostei muito de todos os livros do Galuppo, espero que venha mais em breve. Acho que sou um pouco louco, mas a camisa sete do palmeiras, com a história dos mais importantes que a vestiram, não seria um tema interessante?

Anônimo disse...

ae mano apesar de eu ser torcedor do Santos,vc ta de parabens pelo blog.bate em tudo que eu penso sobre futebol.é uma pena que a alienaçâo e a mediocridade imperem.continua assim !

Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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ULTRAS LAZIO 1900 disse...

Zezinho da fiel?
AHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA
que nome ridiculo, acho que a tua mãe te achou na lata de lixo, seu verme, gambá imundo FDP, filho de posseiro, sem-terra e indigente. Lave a sua boca imunda e desdentada pra falar do Marcos, seu merda, eu tenho dó de vc, deve ser mais um maloqueiro suburbano analfabeto modinha.

Anônimo disse...
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Barneschi disse...

Ah, os gambás/bambis anônimos...