29 março 2013

Libertadores/2009

Libertadores/2013, fase de grupos, turno 
Palmeiras 2-1 Sporting Cristal/PER
Libertad/PAR 2-0 Palmeiras
Tigre/ARG 1-0 Palmeiras

Libertadores/2009, fase de grupos, turno 
LDU Quito/EQU 3-2 Palmeiras
Palmeiras 1-3 Colo-Colo/CHI
Ixpót/PE 0-2 Palmeiras

Como se vê, o Palmeiras encerrou a primeira metade de sua participação na fase de grupos desta Libertadores em situação similar à de quatro anos antes: uma vitória e duas derrotas em três jogos, com a perspectiva de fazer duas partidas como mandante na sequência para então finalizar a campanha fora de casa – em Santiago lá atrás e em Lima agora. As diferenças residem no fato de que tínhamos em 2009 um time muito superior, talvez na mesma proporção da qualidade dos adversários (LDU, Ixpót e Colo-Colo eram infinitamente melhores que Sporting Cristal, Tigre e Libertad). Ou seja: a chance que tínhamos de conquistar a vaga em 2009 se aproxima da que temos de ficar com a classificação agora. Mesmo sem time, sem técnico e sem estádio.

Mais ainda: considerando que tivemos em 2009 um empate logo na quarta rodada (o equivalente ao duelo vindouro contra o Tigre/ARG), é de se esperar que duas vitórias em casa nos permitam viajar para Lima dependendo de um empate para ficar com a vaga.

Isso posto, e dando sequência à esporádica série de campanhas comentadas, é o caso agora de relembrar a trajetória do Palmeiras na inusitada e, em certos aspectos, heroica Copa Libertadores da América de 2009. Vejamos, pois:

Copa Libertadores/2009

O Palmeiras se classificou graças ao quarto lugar obtido no Campeonato Brasileiro/2008 (65-38-19-8-11-55-45), atrás de SPFW, Grêmio e Cruzeiro. Teve, portanto, de disputar a pré-Libertadores.

Time-base: Marcos; Wendel, Maurício Ramos, Danilo e Armero; Marcão, Pierre, Cleiton Xavier e Diego Souza; Willians e Keirrison. Técnico: Wanderley Luxemburgo. Os reservas que mais entravam eram Souza, Obina e Ortigoza. Edmílson, Marquinhos e até Fabinho Capixaba (!) tiveram lá seus momentos de titularidade na fase de grupos.

Fase preliminar
Palmeiras 5-1 Real Potosí/BOL - 23.646
Real Potosí/BOL 0-2 Palmeiras - 3.055

Fácil, fácil... Na ida, no Palestra, Keirrison marcou duas vezes logo no início e facilitou a tarefa. Diego Souza, Cleiton Xavier e Edmílson completaram. Na volta, em partida disputada na altitude de Potosí (cidade que eu visitei dois anos depois para comprovar o sufoco que é), Keirrison e Cleiton Xavier fizeram os dois gols que garantiram a passagem para a fase de grupos. 

Fase de grupos
LDU Quito/EQU 3-2 Palmeiras
Palmeiras 1-3 Colo-Colo/CHI - 23.285
Ixpót/PE 0-2 Palmeiras - 19.386
Palmeiras 1-1 Ixpót/PE - 22.372
Palmeiras 2-0 LDU Quito/EQU - 17.305
Colo-Colo/CHI 0-1 Palmeiras - 31.038

Na estreia, em Quito, contra o então campeão sul-americano, a defesa viveu uma noite terrível, com falhas sucessivas. O Palmeiras foi buscar o empate duas vezes, mas isso não bastou para evitar a derrota. Nada absurda, diga-se, uma vez que se tratava de um adversário qualificado e jogando na altitude. O problema começou contra o Colo-Colo em SP. Com atuação abaixo da crítica (a defesa conseguiu ser ainda pior do que já fora em Quito), o Palmeiras levou dois gols, descontou, mas sofreu o terceiro no contra-ataque.

Mais de um mês depois, o time foi a Recife para uma batalha campal. Com os espíritos armados pelo pobre diabo Guilherme Beltrão, um imbecil diretor do Ixpót, fomos ao Nordeste como inimigos. Como estrangeiros até, uma vez que, para os cretinos torcedores locais, era uma guerra do Nordeste contra o Sudeste. Quem foi à Ilha do Retiro naquela noite de abril (com ingresso a R$ 100) sabe bem o sufoco que foi. Em campo, um time aguerrido e bem montado segurou a pressão do Ixpót (um time à època inexplicavelmente incensado pela mídia esportiva). Keirrison abriu o placar na metade do primeiro tempo, calando a Ilha do Retiro. A certeza da vitória, no entanto, só viria na final da segunda etapa, com um gol antológico de Diego Souza, que jogou como nunca naquela noite. O Palmeiras tinha renascido.

Na abertura do returno, novo tropeço em casa. Keirrison abriu o placar de pênalti contra o mesmo Ixpót, mas um gol no encerramento da etapa inicial deu números finais à partida: 1 a 1. A frustração foi um pouco compensada com a vitória na partida seguinte, 2 a 0 (Marcão e Diego Souza) sobre a LDU no Palestra. Faltando um jogo para o fim da fase, o Palmeiras ocupava a terceira posição, com sete pontos. Precisaria, portanto, devolver a vitória fora de casa contra o Colo-Colo. E aí, senhores, ouso dizer que todo palmeirense vivo se lembra do que fez Cleiton Xavier no Monumental de Santiago.

Oitavas
Palmeiras 1-0 Ixpót/PE - 23.991
Ixpót/PE 1(1)-0(3) Palmeiras - 28.487

De novo as cachorras de peruca no nosso caminho. E, claro, o imbecil Guilherme Beltrão fez o possível e o impossível para acirrar os ânimos. Clima de guerra, a imprensa sendo mobilizada, acusações prévias de que o seu time seria prejudicado pela arbitragem, o escambau. De nada adiantou. De novo. Questão, entre outras coisas, de camisa.

No Palestra, jogo duríssimo, resolvido apenas aos 30 minutos da etapa final. Depois de perder algumas boas chances, o alviverde chegou à vitória com um gol de Ortigoza, que entrara alguns minutos antes, após cruzamento de Cleiton Xavier. Na volta, em Recife, na indecisão entre segurar o empate sem gols e buscar um tento definitivo, o Palmeiras foi dominado pela equipe da casa: Marcos pegou quase tudo, menos um chute cruzado já nos minutos finais. Com a repetição do placar da ida, a decisão foi para os pênaltis. E aí, senhores, nós tínhamos São Marcos.

(Enquanto sofríamos desde o início para avançar, cabe lembrar que teve um certo time desta capital passando de fase sem entrar em campo,
 às custas de uma certa gripe.)

Quartas
Palmeiras 1-1 Nacional/URU - 24.700
Nacional/URU 0-0 Palmeiras - 46.269

Uma eliminação sofrida, ela toda podendo devendo ser creditada ao Madureira. Porque, naquele que foi provavelmente o pior ano de sua carreira, ele já vinha complicando a trajetória do alviverde desde o início, com sucessivas falhas de escalação e, principalmente, nas substituições. Apesar disso, fomos avançando. Depois de muitos erros em sequência, o estopim veio no jogo de ida contra o Nacional, o Palestra: o Palmeiras abriu o placar com um gol de Diego Souza (à base de muita vontade). Ao time da casa, bastava manter o ritmo e, se possível, encontrar um segundo gol no contra-ataque. Mas o técnico resolveu retrancar o time, inventou Jumar e chamou o Nacional para o seu campo. O empate, trágico, não tardou a vir. 1-1.

Algumas semanas depois, em Montevideo, em um Centenario tomado, o time até que se portou bem. Foi melhor que o anfitrião, criou boas chances, mas não conseguiu chegar ao gol que poderia garantir a vaga para a semifinal. Na memória do que lá estivemos, não vai sair a imagem do toque de cabeça de Obina, já nos minutos finais. O empate sem gols na noite fria de Montevideo decretou a eliminação de um time que, até então, havia superado obstáculos enormes. Mas, é fato, dava para ir muito mais longe. 
Pouco tempo depois, chegaria ao fim mais uma era Madureira à frente do Palestra; e o Brasileiro daquele ano não terminou até hoje: jogamos no lixo um título que parecia imperdível e sofremos os efeitos até hoje.

###

Não vou embedar os vídeos aqui no post, porque muita gente reclama que isso dificulta o acesso ao conteúdo do blog. Mas deixo a seguir toda a campanha linkada para os respectivos vídeos:

Palmeiras 5-1 Real Potosí/BOL
Real Potosí/BOL 0-2 Palmeiras

LDU Quito/EQU 3-2 Palmeiras
Palmeiras 1-3 Colo-Colo/CHI
Ixpót/PE 0-2 Palmeiras
Palmeiras 1-1 Ixpót/PE
Palmeiras 2-0 LDU Quito/EQU
Colo-Colo/CHI 0-1 Palmeiras

Palmeiras 1-0 Ixpót/PE
Ixpót/PE 1(1)-0(3) Palmeiras

Palmeiras 1-1 Nacional/URU
Nacional/URU 0-0 Palmeiras

15 comentários:

Unknown disse...

Não sei por que mas a Libertadores de 2009 me marcou muito também. Parecia batata que fariámos a final, seja lá com quem for. (aliás, quem foi o campeão da dita cuja? juro q não me lembro). Perdemos a vaga no jogo de ida com o decepcionante empate no Palestra. E aquele lance do Obina realmente foi marcante demais, assim como vc, até hoje está vívido na minha memória. Pois é, hoje a realidade é outra, e passar para a próxima fase é o grande objetivo. Isso não está de acordo com a história do Palmeiras. É inadmissível e o pior é que vai acostumando uma nova geração de palmeirenses a ver o seu time como "aquele que nada, nada e nunca chega". Repito: é inadmissível

Emerson Machado disse...

O campeão foi o Estudiantes, final contra o cruzeirinho.

Interessante que após o desastre contra o Mirassol, pensei: "Tudo isso é ressaca do Brasileiro/2009..."

Pedro Rigoldi disse...

Boa tarde,

Para o jogo diante dos argentinos fui obrigado a comprar cadeira laranja (descoberta). Gostaria de saber se é possível acessar as arquibancadas? Não quero assistir jogos nas cadeiras

Luiz Fernando Sanchez disse...

Essa campanha da libertadores foi curiosa,pois mostrou que algumas vezes técnico de futebol não tem importância porra nenhuma,tínhamos um bom time base mas um elenco fraquíssimo,Jumar,Marcão,Capixaba,Willians etc...,apesar desse time jovem e elenco fraco fomos avançando apesar dos inúmeros erros de avaliação do Luxapôquer.

Leonardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leonardo disse...

Pedro Rigoldi, já vi várias vezes palmeirenses pularem a grade de divisória entre a Arquibancada Amarela e a Laranja.

...

Texto muito bom!

A Libertadores de 2009 foi a primeira Libertadores que realmente vivi como torcedor. Depois de tantas vitórias memoráveis, pensei que seriamos campeões.

Leonardo Nakamura

Pedro Rigoldi disse...

Obrigado Leonardo Nakamura. Liberaram carga extra na arquibancada, cancelei as cadeiras.

Anônimo disse...

nao to conseguindo pegar as bancadas com meu avanti, se ja pegou barneschi?

César SEP disse...

Nunca pensei que ia sentir saudades de xingar Armero, Marcão, Cleiton Xavier, Diego Souza, Willians, Ortigoza, Wanderley Luxemburgo, Obina, Ortigoza, Edmílson, Marquinhos, Fabinho Capixaba e cia.

Caio Beraldo disse...

Uma Libertadores de belos gols e muitas frustrações. Passei mais de cinco horas na fila, numa sexta-feira, para comprar os ingressos para os três primeiros jogos em casa, aquele ingresso de plástico.

Lembro do Palmeiras ter jogado muito bem no primeiro jogo. Só dava Verde em campo, e ainda assim levamos três num campo todo branco de papéis jogados pela torcida. Voei pra casa para ver o jogo, que começou às sete, mas não cheguei a tempo. Parei num boteco para ver o primeiro tempo.

Quase chorei ao levarmos o terceiro do Colo-Colo. Amargamos uma situação delicada durante um hiato de um mês até o jogo seguinte (situação também semelhante à de agora). Neste meio tempo eu tirava do canal sempre que passava a propaganda da Libertadores no FX. Ouvia piadas, que o Palmeiras já estava desclassificado.

O jogo na Ilha foi um desabafo, inclusive para Diego Souza, depois do gol.

O jogo de volta foi revoltante, principalmente ao final, quando Nelsinho Baptista desceu aos vestiários do Palestra fazendo sinal de 'acabou', com as mãos, após o empate.

Novamente veio a desconfiança, refletida no público relativamente baixo no 2x0 sobre a LDU.

Lembro ainda dos gritos, meus e do meu pai, da classificação no antológico gol de Cleiton Xavier depois de, confesso, achar que nos despediríamos da Taça após tantas bolas na trave e milagres de Marcos (além da expulsão de Marcão após falta em Figueroa, 'aquele').

Nas oitavas, já ganhávamos de um a zero quando vi de onde estava (por trás do gol, na ferradura de um Palestra lotado), um Diego Souza sozinho pronto para cabecear uma bola alçada na área. Lembro de gritar: "Vai Diego, CLASSIFICA!", para então ver a bola caprichosamente bater no pé da trave.

Na volta, outra batalha. Belluzo acompanhou os jogadores no ônibus, e todos teríam cantado o hino no caminho. Lembro da revolta ao ver os chiliques de um moleque de quem todos falavam tanto, um tal de Ciro, promessa, que pertenceria à Traffic e que talvez aparecesse no Palestra para o Brasileiro. Sumiu, assim como o time do presidente falastrão (entre tantos), que caiu nos milagres de São Marcos.

Finalmente, com um meio formado por Marcão e Pierre (Edmílson lesionado, e Souza saíra no primeiro tempo), levamos um gol perfeitamente evitável que decretou nossa eliminação.

2009 foi um ano de tantas promessas, tantas expectativas, e por isso mesmo tão doloroso e, portanto, inesquecível...

Caio Beraldo
http://seopalmeirasfoijogareufui.blogspot.com.br/

Bruno Bernardo disse...

Olhando agora quase 5 anos apos essa Libertadores, tinhamos um time pronto, tirando algumas bizarrices como Jumar e Capixaba, podemos dizer que era um TIME.

Mas a certeza é que todos os Palestrinos ainda choram o ano de 2009. Eu pelo menos...

Adoro demais o blog, meu favorito. Trabalho ótimo que o Barneschi faz, merece melhor reconhecimento.

Bruna disse...

"E aí, senhores, nós tínhamos São Marcos."
Uma frase tão simples e que causa uma sensação tão boa.. Incrível como os seus textos confortam. Parebéns.

Anônimo disse...

barneschi cade seu post pré jogo?

sempre venho aqui ler pra ficar no veneno..

vamo palmeiras caraleo..

abraços

Pedro Corradini

acreano disse...

Pelo que estou vendo, a nossa escalação prévia é de deixar qualquer palestrino do bem horrorizado!
Zaga com Mauricio Ramos e Marcos vinicios.
MEU DEUS!!
hoje a vitória é nossa e será por causa de nós torcedores!!!!

Avanti palestra

p.s: meus sinceros desprezos para aqueles torcedores que vão hoje,porém passaram longe do pacaembu no sábado.


@anakan

Anônimo disse...

Howdy excellent blog! Does running a blog like this require a great deal of work?
I have very little understanding of coding but I was hoping
to start my own blog in the near future. Anyways, should
you have any ideas or tips for new blog owners please share.
I know this is off topic nevertheless I just had to ask.
Cheers!

Here is my homepage - natural cellulite treatment