26 julho 2013

Brasileiro/1993















1993, junho, 12. Chegou ao fim o tabu de 17 anos sem título, mas o Palmeiras amargava ainda um outro jejum, o de 20 anos sem uma conquista nacional. Ela viria ainda naquele ano, com outra mais em 1994, mas é curioso observar, decorridos 20 anos mais, que o Brasileiro de 1993 está agora no meio do caminho entre o de 1973 e este de 2013 - que sequer conta com a participação do alviverde.

Lembro ainda agora do peso daqueles 20 anos sem vencer um Brasileiro. Pode ser reflexo da (pouca) idade até, mas certo mesmo é que outras duas décadas se passaram e o Palmeiras vai completar no ano do seu centenário igual período desde seu último título nacional.

Sim, conquistamos a Libertadores, duas Copas do Brasil e mais a Copa dos Campeões, entre outros títulos menores, mas é sintomático constatar o quanto ficamos ausentes do rol de campeões brasileiros. Tanto é verdade que nosso principal rival levou a taça quatro vezes nesse intervalo. Aliás, os outros três grandes paulistas foram campeões nove vezes em 18 edições.

Em sendo assim, e como o Brasileiro/1994 já foi devidamente dissecado, é chegado o momento de narrar a trajetória alviverde rumo ao título nacional de duas décadas atrás:


Campeonato Brasileiro/1993 

De início, vale registrar que a CBF criou um monstro de 1992 para 1993: para resgatar o Grêmio da Série B (o clube gaúcho não conseguiu subir dentro de campo), a entidade elevou de 20 para 32 os participantes de um ano para o outro, dizimando a segunda divisão. Os 32 clubes foram divididos em quatro grupos de oito, seguindo os critérios abaixo:

-Os grupos A e B concentraram os fundadores do extinto Clube dos 13 mais Guarani, Bragantino e Ixpót (pela boa campanha em 1992).

-Os grupos C e D traziam os 16 clubes restantes, alguns que já estavam na Primeira Divisão e outros que nem sonhavam com isso.

Com oito clubes por grupo e confrontos em turno e returno dentro de cada chave, cada time faria um total de 14 jogos nessa fase. Os três primeiros dos grupos A e B se classificariam para a fase final. Os grupos C e D contribuiriam com os outros dois finalistas, com um playoff intermediário entre os dois melhores de cada um.

O rebaixamento atingiria apenas os quatro piores clubes dos Grupos C e D, livrando todos os grandes do risco de descenso.

Foi uma das edições mais curtas do Brasileirão, com alguns times, os eliminados na primeira fase, jogando apenas 14 vezes. Campeão e vice chegaram ao limite de 22 jogos. Pudera: a disputa teve início apenas em 4 de setembro. Como a final foi disputada em 19 de dezembro, tivemos, ao todo, pouco mais de três meses e meio - para efeito de comparação, o Paulista daquele mesmo ano se prolongou por quase cinco meses, com 38 jogos para o campeão.

O Palmeiras manteve praticamente o mesmo elenco que fora campeão paulista (em junho) e do Rio-SP (em agosto). Como principal reforço, chegou o zagueiro Cléber (deixando Tonhão, Edinho Baiano e Alexandre Rosa definitivamente na reserva) para formar com Antonio Carlos uma dupla inesquecível. Gil Baiano chegou para a reserva de Mazinho na lateral-direita. Não era um time que precisasse assim de grandes reforços.

1ª fase/ 1º turno - Grupo B

Guarani/SP 1-1 Palmeiras - Brinco de Ouro, 11.365 
Palmeiras 3-0 Ixpót/PE - Palestra, 10.441 - vídeo
Grêmio/RS 1-1 Palmeiras - Olímpico, 19.102 - vídeo
Santos/SP 3-1 Palmeiras - Vila Belmiro, 11.703 - vídeo
Palmeiras 1-0 Atlético/MG - Palestra, 12.531
Fluminense/RJ 2-4 Palmeiras - Laranjeiras - 3.590 - vídeo
Palmeiras 2-0 Vasco/RJ - Palestra, 23.199

Depois de largar de maneira um tanto titubeante (dois empates e uma derrota nos primeiros quatro duelos), o Palmeiras foi se encontrar com três vitórias seguidas contra Atlético/MG (1-0, Edílson), Fluminense nas Laranjeiras (4-2, com um parcial 4-0, Edílson duas vezes e mais Evair e Zinho) e Vasco (2-0, Edílson e Zinho). Este último, inesquecível, me traz à mente uma curiosidade: a preocupação que existia em SP naquele domingo, uma vez que o SCCP enfrentou o Internacional/RS no Pacaembu às 16h, com o nosso jogo tendo início às 18h a três quilômetros de distância.

Ao final do turno, o Palmeiras estava entre os classificados, com 10 pontos em 14 possíveis (4 vitórias, 2 empates e 1 derrota).

1ª fase/ 2º turno - Grupo B

Palmeiras 3-1 Guarani/SP - Palestra, 28.083
Ixpót/PE 1-2 Palmeiras - Ilha do Retiro, 12.029
Vasco/RJ 0-1 Palmeiras - Maracanã, 10.813 - vídeo
Palmeiras 3-1 Grêmio/RS - Palestra, 32.006 - vídeo
Atlético/MG 2-3 Palmeiras - Mineirão, 3.231
Palmeiras 0-1 Santos/SP - Palestra, 31.951 - vídeo
Palmeiras 2-1 Fluminense/RJ - Palestra, 12.536 - vídeo

Vejam que curioso: o Verdão emendou uma série de oito triunfos consecutivos (incluindo dois no Rio, um em BH e outro em Recife), sendo interrompido logo pelo clube para o qual havia perdido o jogo imediatamente anterior a esta sequência: o Santos. E foi isso: as duas únicas derrotas no Brasileiro aconteceram diante dos pés-com-areia (em casa, 0-1, e fora, 1-3). Se jogou muito mal no turno, merecendo a derrota na Vila, a partida do returno foi diferente: já classificado e embalado pela série de oito vitórias, o Palmeiras foi muito melhor, mas esbarrou em seguidas falhas no ataque e acabou levando um gol de cabeça de Guga (lembram dele?).

A liderança isolada da chave foi assegurada com uma campanha consistente: 10 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

1. Palmeiras 22 (c)
2. Santos 20 (c)
3. Guarani 19 (c)
4. Grêmio 15
5. Vasco 13
6. Ixpót 11
7. Fluminense 8
8. Atlético/MG 4

Dessa primeira fase ainda, cabe observar a expressiva média de público nos jogos em casa: 23.199 contra o Vasco, 28.083 contra o Guarani, 32.006 contra o Grêmio e 31.951 contra o Santos.

No Grupo A, a situação foi a seguinte:

1. SCCP 24 (c)
2. SPFW 17 (c)
3. Flamengo 16 (c)
4. Cruzeiro 14
5. Internacional 14
6. Bragantino 13
7. Bahia 8
8. Botafogo 6

Dos grupos C e D, depois de muitas idas e vindas, o importante a dizer é que avançaram Vitória/BA e Remo/PA.

E aí tivemos isso aqui:

2ª fase - Grupo F

Palmeiras 1-1 SPFW/SP - Jd. Leonor, 55.262 - vídeo
Guarani/SP 1-2 Palmeiras - Brinco de Ouro, 17.030
Remo/PA 1-2 Palmeiras - Mangueirão, 18.185 - vídeo

Palmeiras 3-0 Guarani - Palestra, 20.232
SPFW/SP 0-2 Palmeiras - Jd. Leonor, 60.322 - integra
Palmeiras 0-0 Remo/PA - Palestra, 7.285

Apesar da melhor campanha na primeira fase, tivemos uma tabela altamente arriscada no primeiro turno do quadrangular. Começamos com um irreal mando de campo contra os bichas (empate em 1-1, gol de Edílson) para depois viajarmos duas vezes para enfrentar rivais perigosíssimos: duas vitórias por 2-1 (em Campinas e em Belém) deixaram o Palmeiras bem cotado (mas ainda atrás dos bichas, que venceram os mesmos dois jogos, ambos como mandante). Ou seja: ao final do primeiro turno, o Palmeiras não tinha jogado nenhuma vez no seu estádio, e o SPFW, todas.

Daí então que veio o returno: o Palmeiras mandou um 3-0 no Guarani, mas o SPFW venceu o Remo por 1-0 no Mangueirão. De quebra, os bichas anteciparam a sua partida da última rodada - em virtude da viagem que fariam para o Japão. Assim, nosso inimigo chegou ao confronto decisivo com 9 pontos em 5 jogos; o Palmeiras tinha 7 pontos em 4 jogos. O vencedor do clássico passaria à final; em caso de empate, caberia ao alviverde bater o Remo na última rodada para assegurar a vaga.

Foi então que Edmundo e Sampaio fizeram isso aqui:



Destaques para a narração de Galvão Bueno (o cara é muito chato, mas é tecnicamente monstruoso), para o barulho da torcida alviverde batendo nas placas de publicidade acima das cabines de TV e, por fim, para as belas imagens da massa deixando o Jd. Leonor.

Com a vitória, o Palmeiras garantiu a vaga para a final com uma rodada de antecedência. Tanto que mandou a campo no seu último jogo um time reserva: empate sem gols contra o Remo no Palestra.

O Grupo F terminou assim:

1. Palmeiras 10 (c)
2. SPFW 9
3. Guarani 3
4. Remo 2

Do outro lado, no Grupo E, os gambás tropeçaram duas vezes no Vitória (1-2 em Salvador e 2-2 no Jd. Leonor), resultados que decretaram a passagem do time baiano para a final.

Assim ficou a classificação:

1. Vitória 8 (c)
2. SCCP 7
3. Santos 5
4. Flamengo 4

Final

Vitória/BA 0-1 Palmeiras - Fonte Nova, 77.772 - vídeo
Palmeiras 2-0 Vitória - Jd. Leonor, 88.644 - íntegra

A final, se me permitem fazer, foi quase uma formalidade. O Palmeiras venceu em Salvador com um gol de Edílson e depois, podendo até perder por um gol no Jd. Leonor, assegurou o título logo aos quatro minutos do jogo de volta, com Evair. Pouco depois, Sampaio encontrou Edmundo livre; o Animal fez um gol bem ao seu estilo. Fatura liquidada. No segundo tempo, o Verdão perdeu uma infinidade de gols e teve até pênaltis não assinalados pelo árbitro (o tétrico Márcio Rezende de Freitas); poderia ter goleado, mas nem foi preciso fazer tanto. O tricampeão brasileiro era nosso!



Campanha:
22 jogos
16 vitórias
4 empates
2 derrotas
40 gols pró
17 gols contra

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Não encontrei os vídeos de muitos dos jogos daquela trajetória. Se alguma boa alma localizar qualquer um deles, peço, por favor, que me avise aí no campo de comentários mesmo.

20 comentários:

VICTOR TREDENSKI disse...

BARNESCHI, MATE UMA CURIOSIDADE MINHA: POR QUE VOCES AI DE SAMPA APELIDARAM OS PMS DE ''COXINHAS''
VOCE ACHA QUE O PALMEIRAS TEM TIME PRA LEVAR O BI DA COPA DO BRASIL??

ABRAÇOS

VICTOR TREDENSKI disse...

E O TÃO PROPAGADO MARKETING ''PROFISSIONAL'' QUE FALARA NO COMEÇO DO ANO?? ATÉ AGORA NÃO VI NECAS DE PITIRITIBA NENHUMA DE AÇÕES DESSE MARKETING

Barneschi disse...

Simples: porque eles param nas padarias, bares e botecos para comer coxinha sem pagar.

Sobre o nosso time, não dá pra confiar não, mas já tivemos uma evolução considerável em relação ao time do primeiro semestre. Se as peças todas se ajustarem, se o camisa 10 milagrosamente não se contundir mais, se a torcida entrar naquele espírito que teve na Libertadores e se tivermos um pouco de sorte nos cruzamentos, podemos incomodar.

lucas disse...

Barneschi , com a reforma do palestra itália você acha que o estádio corre o de ficar muito "europeu"? Se sim com qual estádio ou clube europeu podemos nos espelhar para termos um estádio moderno e ao mesmo tempo vibrante ?

lucas disse...

Barneschi , com a reforma do palestra itália você acha que o estádio corre o risco de ficar muito "europeu"? Se sim com qual estádio ou clube europeu podemos nos espelhar para termos um estádio moderno e ao mesmo tempo vibrante ?

Anônimo disse...

Boa tarde a todos, Barneschi, temos uma evolução técnica com o time, mas na questão administrativa, estamos perdendo tempo e dinheiro com a letargia, da atual gestão, não é possível não termos um patrocinador máster, em pleno mês de Agosto, lembrando que ate a ausência do logo da ALLIANZ PARQUE no enxoval do clube , já é uma atitude falha, pois sendo uma elitizada , arena a proprietária do empreendimento é a Sociedade Esportiva Palmeiras, que deve ressaltar a todos os momentos , o melhor palco para espetáculos do Pais, mas como você e eu já sabemos, há muito engravatado sem noção na administração, fato lamentável, sendo que devemos ainda lutar pelo sistema Alemão que permite a retirada de cadeiras , permitindo que os torcedores fiquem mais a vontade , foco que deve ser mantido, pois ate Junior Gottardi, que hoje é diretor não remunerado, citou a possibilidade , em entrevista a Radio Web Verdão, um abraço a todos!
Claudio Longo!

Sandro - Salvador-BA disse...

Grande relato, Barneschi.
Desses jogos todos, por incrível que pareça o mais tenso, foi o jogo contra o, à época, perigoso Guarani em Campinas.
Após o empate com as bichas, fomos a Campinas e estávamos tomando 1 a 0 até mais de 30 do segundo tempo, quando Sorato (um monstro naquele jogo) e Zinho foram decisivos.
Aquele para mim foi o jogo chave, mais até do que o 2 a 0 nas bichas no returno. Se tivéssemos um revés em Campinas iriamos para Belém com apenas 1 ponto.

Abraço....Sandro

Anônimo disse...

Aquele bambi 0 vs 2 PALMEIRAS foi o jogo do titulo. eliminamos os bambis com um gol antologico do Sampaio. um dos melhores jogos que jah presenciei do PALMEIRAS. Meses atras assisti novamente na integra pelo youtube.

Rodrigo Regi

Douglas Muniz disse...

Me recordo dessa narração do Galvão do jogo contra os bichas, já vi e revi o jogo completo várias vezes no youtube, é como se lembrasse de cada coisa da minha infância, espetacular!!!

CASSELLl disse...

Não tem como esquecer-me deste título. Minha 1º vez que gritei campeão no estádio!!!

luiz disse...

Barneschi mais um jornalista querendo estragar o espírito da libertadores , concordei apenas em alguns pontos mas a maioria do texto foram coisas ridículas
http://br.esporteinterativo.yahoo.com/blogs/marketing-esporte/por-que-copa-libertadores-%C3%A9-assim-220513439.html

Anônimo disse...

Que diferença a transmissão de jogos da band nos anos 90 e hoje em dia.

Anônimo disse...

porra, peidei

Alexandre Campana disse...

A foto que ilustra o post traz o Daniel Frasson que, se não me engano, já tinha zarpado do clube no brasileiro de 1993. O Mazinho foi pro meio e contrataram o Claudio e depois o Gil Baiano para lateral direita

Alexandre Campana disse...

Errata do comentário: quem está na foto é o Gil Baiano,2º em pé, errei na identificação. De qualquer modo, foi ali naquele campeonato que o Mazinho foi pro meio campo.

BrunoBatera disse...

Barneschi, mais um post monstruoso. Cada linha lida é como se eu estivesse vivendo o momento de novo. Apesar de ter 9 anos na época, lembro de cada detalhe de 93 e da década de 90 em geral. Vou mandar mais um vídeo do meu canal no Youtube do jogo contra o Sport, na Ilha, que vencemos por 2-1. Abs. http://www.youtube.com/watch?v=V_dyjDkMT5g&hd=1

Felipe Teodoro da Silva disse...

O que venho escrever aqui não tem nada haver diretamente com título, mas acho que já passou da hora de nos unirmos diretamente contra todos que tentam nos derrubar e formar algum tipo de associação a favor do Palmeiras para investigarmos algumas cobranças que são feitas contra nosso Palmeiras.

Barneschi, como você e outros são palmeirense que tem uma influência grande conto contigo para nos informar se isso já existe ou como poderíamos fazer para nos organizar.


Obrigado.

Anônimo disse...

Boa noite a todos, Barneschi, no sábado em Guaratinguetá antes do apito inicial do jogo, na curva do estádio de várzea , alguns membros das torcidas organizadas Mancha Verde e TUP, iniciaram uma disputa com agressões mutuas , pelo espaço no alambrado, para instalar uma faixa que pertencia a Torcida Uniformizada do Palmeiras TUP, mas como é de conhecimento de muitos como eu e você, a relação não é amistosa , desta forma as imagens foram passadas ao pais todo pelas duas emissoras que transmitiriam o jogo, pois este fato além de lamentável, demonstra que deve ser efetuada uma reunião urgente entre as diretorias das duas torcidas, pois outro qualquer episodio semelhante, sera motivo para os idiotas do STJD, punirem o clube de forma a retirarem os mandos dos jogos, como ocorreu no ano passado após o problema em Araraquara, pois repetir o erro não justifica qualquer argumento em defesa de nenhuma das partes!
Claudio Longo!

Cristiano disse...
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Raul Martins Dias disse...

Cumpre registrar que, ao contrário do que acontece hoje em dia, o spfw não entrou em campo contra o Palmeiras com a cabeça no Mundial. Foram dois jogos dificílimos, eles jogaram a sério aquele campeonato e os jogos contra nós. Hoje em dia, se deixa o campeonato inteiro de lado para focar no Mundial.