29 maio 2013

Fonte Luminosa, 1993

Meio que eu não tenho palavras para descrever o vídeo abaixo, outro desses achados com os quais nos deparamos na internet de tempos em tempos. Este post não um motivo específico; é saudosismo puro.




Tínhamos um grande time, Edmundo era moleque de tudo, a cancha de Araraquara ainda era apenas a Fonte Luminosa (notem a altura da arquibancada), jogar no interior contra os pequenos era complicado, nenhum otário de merda ousava colocar as palavras "estádio" e "conforto" em uma mesma sentença, a imprensa ainda cumpria o seu papel de imprensa, chamar alguém de Animal não poderia render acusações idiotas - como aconteceria hoje.

Sequer havíamos saído da fila, mas já se insinuava tudo o que estaria por vir. Bons tempos, bons tempos...

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Ferroviária/SP 0-1 Palmeiras
3ª rodada do 1º turno da 2ª fase
22 de maio de 1993, sábado, 16h
Fonte Luminosa, Araraquara/SP
Renda: Cr$ 1.837.675.000
Público: 18.051 pagantes
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG)
O nosso time: Sérgio; Mazinho, Antonio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; Sampaio, Amaral, Edílson (Daniel) e Zinho; Edmundo e Maurílio (Soares).
Gol: Edmundo, 37 minutos do 2º tempo

Para contextualizar:

Campeonato Paulista/1993, 2ª fase (quadrangular final)

Palmeiras 6-1 Rio Branco – 21.377
Guarani 0-2 Palmeiras – 16.890
Ferroviária 0-1 Palmeias – 18.051
Palmeiras 1-0 Guarani – 20.602
Rio Branco 0-1 Palmeiras – 15.567
Palmeiras 4-1 Ferroviária – 15.003

*Do outro lado, se mataram todos os nossos rivais (SCCP, SPFW e Santos) e o pobre Novorizontino.

28 maio 2013

Política excludente

"Nenhum relacionamento sobrevive à imposição".

Retomo o raciocínio do post anterior apenas para fazer o registro de que serão desmontadas quaisquer justificativas lançadas ao vento pela dupla presidente/CEO para explicar o crime cometido contra o palmeirense no último sábado.

Basicamente porque a postura por eles adotada é não apenas impopular, mas burra, à medida que faz o clube perder dinheiro, deixa o estádio vazio, irrita o torcedor e não traz absolutamente nenhum benefício para a consolidação do Avanti - pelo contrário, uma vez que elimina a vantagem que teria o detentor do plano de R$ 20.

O crescimento da base de qualquer programa de sócio-torcedor passa por outros fatores, eles todos vinculados à reciprocidade. Vejam, por exemplo, os méritos dos programas mais bem-sucedidos até o momento (Inter, Grêmio e gambás): direito a voto para os dois primeiros e, no último caso, reconhecimento aos torcedores que se fizerem mais presentes.

Há ainda uma série de outros elementos (o Néspoli vem tomando a dianteira com boas análises), mas o que presidente e CEO precisam entender é que o Palmeiras só vai perder enquanto sua diretoria explorar o torcedor.

Eu tenho o plano de R$ 70 e, portanto, direito assegurado a todos os ingressos para os jogos em casa. Mas não posso aceitar a estratégia predatória porque isso afasta do estádio o povo, e é tudo o que não podemos fazer. Além disso, não vejo atendidas ainda nenhuma das outras pretensões dos sócios-torcedores mais assíduos. Exemplos: o tal "plano de milhagem" que reconheça quem vai a todos os jogos e alguma condição (qualquer que seja, seus putos!) para adquirir os ingressos para partidas fora de casa.

O que se tem no momento é uma política excludente, que deixa fora do estádio muita gente da região de Itu, impede a viagem de outros tantos aqui de SP (que, por um motivo ou outro, não são Avanti) e acaba por não incluir ninguém.

Um plano de sócio-torcedor deve funcionar como um elemento de inclusão, de tal forma que o torcedor se sinta instado a se associar para usufruir de seus benefícios e ajudar o clube. Do jeito como está sendo conduzido o Avanti, no entanto, ele funciona como um agente de exclusão de parte da torcida: ou você é e pode ir aos jogos, ou você não é e então está fora dos estádios.

26 maio 2013

O assalto em números

O que leva alguém a deixar sua casa no sábado à tarde, largar mão de assistir à final da Champions League e encarar a estrada para, a um custo bem substancial extorsivo, ver em campo um jogo da Série B com dois times horríveis?

Em uma palavra: amor.

Só isso explica. Pode até ser de mão única, mas é amor. Tal sacrifício só se justifica pelo sentimento do torcedor pelo clube, quase nunca correspondido - ao menos quando se trata de Palmeiras.

Mas...

... a dupla presidente/CEO resolveu que era o caso de se aproveitar disso e forçar a adesão do torcedor palmeirense ao Avanti. Fez uso da mesma estratégia adotada na final da Copa do Brasil/2012 e nas oitavas da Libertadores/2013, mas agora de maneira ainda mais tacanha e grotesca e sem qualquer compensação de fundo psicológico.

Não se impulsiona um plano de fidelização na base da pressão. Ou, para fazer uso de uma citação categórica do Néspoli, "nenhum relacionamento sobrevive à imposição, seja ele no âmbito profissional, pessoal, amoroso ou comercial". É exatamente isso, sem tirar nem por. Aliás, recomendo a todos os palmeirenses de bem, igualmente inconformados com o assalto praticado pela dupla Nobre/Brunoro, que confiram dois posts do Néspoli sobre o tema:

Assaltando o torcedor

O assalto, as justificativas e as oportunidades

As duas análises são muito bem fundamentadas e, de certo modo, resolvem a questão. O segundo texto é particularmente inspirado ao evidenciar a fragilidade da argumentação do CEO.

O que eu tenho a acrescentar:

Nobre e Brunoro estão completamente descolados da realidade - talvez porque medindo tudo por seus respectivos padrões de vida e não pela situação do "brasileiro médio".

Cobrar R$ 60 para o torcedor que precisa viajar até Itu para ver um Palmeiras (ainda sem time) x CAG/GO pela primeira rodada da Série B é um despropósito. É criminoso. É extorsivo. É desonesto mesmo.

Pois então, senhores, gostaria de voltar 10 anos no tempo (não é uma escolha aleatória) para compartilhar com os senhores algumas imagens. Começando por esta:

























Palmeiras 1-0 Londrina/PR, jogo da fase classificatória, sábado à tarde, 20.720 pagantes. Arquibancada a R$ 10. Estudantes (à época eu ainda era um) pagavam R$ 5.

Alguém mais "bem intencionado" pode pensar o seguinte: mas o preço certamente aumentou nas fases finais. Será?

Pois vejam o bilhete de Palmeiras 4-1 Botafogo/RJ, último duelo do ano, já com o registro do título da Série B em destaque:

























Mas era assim com os outros clubes que disputavam a Série B?

Sim, era. O próprio Botafogo/RJ, com estádio muito menor (para nem 10 mil pagantes) cobrava R$ 10 pela arquibancada. O reajuste só veio mesmo na última fase, conforme imagem abaixo:

























Daí então que pode surgir algum deslumbrado com aquele papinho de que "os tempos são outros", que "o futebol mudou", que "é preciso se adaptar" e o escambau. Bom, eu dou um passa-moleque no vagabundo, e já trago alguns elementos de comparação:

-Inflação (maio/2003 a maio/2013): 77,37% (IGP-M)
(todos os outros índices, caso do IPCA Geral, trazem uma taxa de inflação ainda menor que esta)
Portanto, tomando por base essa projeção, o que custava R$ 10 em 2003 não deveria ser vendido por mais do que R$ 18 agora.

Aí vai aparecer algum desses tantos alienados para dizer que o cálculo deveria levar em conta não necessariamente a inflação acumulada no período, mas sim o poder de compra do brasileiro. Ok, então vamos considerar uma variável que permita fazer essa comparação:

-Salário mínimo
2003: R$ 240 (o ingresso representava 4,1%)
2013: R$ 678 (o ingresso equivale a 8,8%)
Se tomássemos como base a alta no salário mínimo em 10 anos (182,5%), o preço aceitável para ir a um jogo na Série B/2013 seria de R$ 28,25 (a inteira, e não a meia, façam-me o favor!).

Querem mais? Pois vamos desconsiderar inflação e salário mínimo para trabalhar com uma outra variável importante e que afeta igualmente o bolso desse tal "brasileiro médio" - que certamente não tem o padrão financeiro de que usufruem o presidente, o CEO e todos os outros envolvidos e cúmplices neste crime contra a torcida e contra a Sociedade Esportiva Palmeiras:

-Transporte público
Vejamos, a partir de infográfico providencialmente publicado ainda esta semana pela Folha de S.Paulo, a evolução das tarifas de ônibus e Metrô em SP nesse mesmo período:





O ônibus custava R$ 1,70 em 2003 e está chegando agora a R$ 3,20. Um pouco acima da inflação do período, mas bem aceitável se comparado à extorsão de que somos vítimas quando se trata do direito de frequentar a arquibancada. O Metrô, por sua vez, subiu de R$ 1,90 para os mesmos R$ 3,20.

Ou seja: o dinheiro do ingresso em 2003 permitia comprar 5 bilhetes unitários do Metrô e ainda restavam R$ 0,50. Uma década depois, paga-se por uma arquibancada o equivalente a 18 passes de Metrô - com R$ 2,40 de troco.

(...)

Há ainda uma série de elementos que podem e devem ser levados em conta nesse debate, e a alguns deles pretendo me dedicar nos próximos dias - simplesmente porque esse tema é de fundamental importância para a nossa realidade e para o nosso futuro. Por ora, no entanto, isso é o que importa. E então, como andei lendo por aí um monte de besteiras na linha do que disse o CEO, eis aqui o desfecho necessário:

Paulo Nobre e José Carlos Brunoro cometeram um crime contra a Sociedade Esportiva Palmeiras, contra o seu maior patrimônio, a torcida, e contra o futebol. Quem compactua com isso é cúmplice.

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_Não há muito o que dizer sobre o que vimos em Itu - a não ser que o público presente (4.480) ficou bem acima do esperado. Eu bem gostaria de poder falar sobre o jogo, mas o assalto praticado pela dupla presidente/CEO pede passagem.

_Se tomarmos como base o desempenho contra o CAG/GO nos últimos três anos, eis que essa vitória na estreia ganha uma força maior do que a que teria por si só.

_É válido o protesto feito pela Mancha e pelas demais organizadas.

23 maio 2013

Série B/2003

(Vocês me conhecem e sabem o que eu penso dos tais R$ 60 pelo ingresso para a Série B. Portanto, vos digo o seguinte: não vou escrever sobre isso já agora, à luz do crime consumado – até porque muita gente tem produzido ótimas análises sobre. Deixarei minha análise para o texto do jogo de sábado. Nos vemos em Itu. Por ora, fiquem com um post de abertura para o inferno que está por vir.)


Série B/2003, campanha comentada


Vai começar a nossa participação na Série B e então, se é que serve de alento (acho que não...), vale reconstituir a campanha alviverde na edição de 2003, aquela que pensávamos ser a primeira e última. Não foi, infelizmente. Mas foi, dentro do possível, uma trajetória notável. Um pouco pelos números, outro tanto pelo cenário que enfrentamos, mas essencialmente pela quebra de paradigma.

Até aquele 2003, os rebaixamentos de clubes grandes não eram levados a sério. Se prevalecia nas décadas de 1970 e 1980 um roteiro de promiscuidade, com sistemas de disputa que, não raro, inviabilizavam uma distinção clara entre as divisões (o Brasileirão de 1979 chegou a ser disputado por 94 times), os anos 1990 e 2000 ficaram marcados pelas seguidas viradas de mesa, com os descensos de grandes clubes não tendo efeito prático. Foi assim que o Grêmio retornou para a elite em 1993, foi assim que o Fluminense subiu da terceira divisão para a primeira em 1998, foi assim que o Botafogo escapou do descenso em 1999...

Rebaixados em 2002, Palmeiras e Botafogo quebraram esse ciclo, disputando a Série B do início ao fim e subindo finalmente dentro de campo, sem quaisquer interferências externas. Escrevo isso não com um viés moralista – lembro que o Palmeiras vivia ainda a era Mustafá –, mas a título de informação mesmo. Não há juízo de valor; estamos trabalhando no terreno dos fatos.

Antes de partir para a Série B, é necessário estabelecer o cenário que nos levou até lá: depois de consumada a queda, ainda em novembro de 2002, o Palmeiras entrou em um período de depressão absoluta, trocou de técnico, enfrentou um necessário desmanche no elenco e, claro, trouxe alguns refugos para reforçar (?) o elenco.

O Paulista daquele ano foi uma verdadeira aberração. Depois de um 2002 sem os grandes (por causa do Rio-SP), 21 times entraram na disputa. 21! Foram divididos em três grupos de sete equipes (!), ficando o Verdão junto com Guarani, Ituano, Mogi Mirim, Ponte Preta, Rio Branco e União Barbarense. Com três vitórias, dois empates e uma derrota (um vexatório 2-4 para a Barbarense no Palestra), o Palmeiras se classificou na bacia das almas, atrás do Guarani e da própria Barbarense, como o segundo melhor terceiro colocado. Nas quartas-de-final, vitória em São Caetano, a primeira na história: 2 a 0 sobre o Azulinho, com dois tentos de Thiago Gentil. Na semifinal, contra os gambás, vexame. Depois de um 2-2 no jogo de ida (após abrir vantagem de 2-0), o Palmeiras sucumbiu na volta: 2-4 (com um 0-3 parcial em 20 minutos de jogo).

Mas o turning point veio na Copa do Brasil. Depois de passar por Operário/MT (1-0 em Cuiabá e 5-1 aqui) e Criciúma (1-1 no Sul e 2-1 em casa), o Palmeiras recebeu o Vitória/BA pela partida de ida das oitavas. A goleada histórica (2-7) em seus domínios representou a ruptura do modelo escolhido para a temporada: medalhões foram dispensados e a molecada ganhou espaço (o time júnior daquele ano, com Diego Souza, Edmílson e Vágner Love, fora vice-campeão da Copinha). Na volta, em Salvador, a vitória por 3-1 serviu de alento.

Partimos então para a Série B.

Os números (35 jogos, 23 vitórias, 9 empates e 3 derrotas, 80 gols pró e 36 gols contra) não traduzem a dificuldade para retornar à elite. Porque, ao contrário do que acontece hoje, com os modorrentos pontos corridos, precisou o Palmeiras disputar três fases distintas, duas delas bem complicadas, para garantir o acesso.

Comecemos pelo básico: em vez das atuais quatro vagas, tínhamos apenas duas. E, ao contrário do que aconteceu para os que caíram em anos seguintes (Grêmio, Atlético, Vasco, gambás etc.), havia dois grandes na disputa: o outro era o Botafogo. Os 24 clubes jogaram em turno único, de abril a outubro. Foi isso aqui:

Brasiliense/DF 1-1 Palmeiras
Palmeiras 1-1 América/RN - 8.118
Náutico/PE 2-1 Palmeiras - 13.830
Palmeiras 4-0 São Raimundo/AM - 14.445
Caxias/RS 1-4 Palmeiras
Palmeiras 1-1 CRB/RN - 24.132
Santa Cruz/PE 2-2 Palmeiras - 14.360
Palmeiras 5-0 Mogi Mirim/SP - 15.493
Palmeiras 0-0 Botafogo/RJ - 27.721
América/MG 0-3 Palmeiras - 3.523
Palmeiras 2-1 Joinville/SC - 21.192
Anapolina/GO 1-2 Palmeiras
Palmeiras 1-0 Londrina/PR - 20.720
Remo/PA 2-1 Palmeiras - 27.703
Paulista/SP 1-2 Palmeiras
Palmeiras 4-3 Portuguesa/SP - 16.269
Ceará/CE 1-1 Palmeiras - 4.693
Palmeiras 5-1 União São João/SP - 17.198
Palmeiras 2-2 Ixpót/PE - 16.010
Marília/SP 1-2 Palmeiras - 12.250
Palmeiras 2-2 Gama/DF - 7.869
Avaí/SC 1-6 Palmeiras - 11.457
Palmeiras 2-1 Vila Nova/GO - 4.839

Depois de um começo titubeante (com 2 empates e 1 derrota nos primeiros 3 jogos), o Palmeiras deslanchou com uma sequência de 10 jogos sem perder. Houve tropeços aqui e ali, mas, de modo geral, o time passou bem pela fase classificatória, com 13 vitórias, 8 empates e 2 derrotas.

Ao todo, avançaram oito clubes: Palmeiras (47), Botafogo (41), Remo (39), Ixpót (37), Brasiliense (37), Marília (36), Náutico (35) e Santa Cruz (35). Foram rebaixados para a Série C o Gama (19) e o União São João (10).

Essas oito equipes foram divididas em dois quadrangulares, que tinham a função de classificar quatro desses clubes para a etapa final.

O alviverde cumpriu a seguinte campanha:

Santa Cruz/PE 1-3 Palmeiras
Palmeiras 3-2 Brasiliense/DF - 25.522
Ixpót/PE 1-2 Palmeiras - 25.477
Palmeiras 2-3 Ixpót/PE - 27.225
Brasiliense/DF 1-2 Palmeiras
Palmeiras 2-0 Santa Cruz/PE - 7.401

Exceção feita ao tropeço em casa diante do Ixpót, foi uma trajetória exemplar. Com 15 pontos, o Palmeiras fez quase o dobro da pontuação do vice-líder, o Ixpót (8).

Do outro grupo, vieram Botafogo e Marília.

Depois de liderar toda a fase classificatória e de passear pelo primeiro quadrangular, o Verdão precisaria enfrentar mais seis jogos decisivos para enfim sacramentar o retorno à elite. Ou seja: todos os resultados obtidos até então poderiam esvair em caso de tropeço neste último estágio da Série B. A molecada, no entanto, não decepcionou e garantiu uma campanha ainda mais impecável:

Botafogo/RJ 1-1 Palmeiras - 9.700
Palmeiras 1-0 Ixpót/PE - 24.868
Marília/SP 0-2 Palmeiras - 12.232
Palmeiras 2-0 Marília/SP - 28.618
Ixpót/PE 1-2 Palmeiras
Palmeiras 4-1 Botafogo/RJ - 27.629

De cara, a tabela já colocava frente a frente os dois grandes, logo os que detinham a melhor campanha até então. O primeiro jogo aconteceu em Niterói, no saudoso Caio Martins, com uma estrutura modular atrás do gol de fundo fazendo as vezes de arquibancada. Com menos de 10 mil ingressos à venda, seguimos para o Rio mil palestrinos, em uma caravana inesquecível. Era um sábado à noite, e choveu como quase nunca. O estádio virou um pântano - mais fora do que dentro. E foi assim, com os pés repletos de barro, com a alma lavada e com enorme esforço para que ninguém caísse por entre as frestas da arquibancada improvisada, que empurramos o Palmeiras rumo a um empate providencial. Gol de Love. Boa estreia.

Na sequência, um 1-0 contra o Ixpót em casa e uma vitória em Marília deixaram o Palmeiras muito próximo do acesso. Que praticamente foi assegurado em outra noite de sábado, em um Palestra Italia absolutamente abarrotado. As imagens são poucas, senhores, mas é fato que o bom e velho Palestra viveu uma de suas grandes noites, com uma torcida inflamada a empurrar o clube de volta ao seu lugar. O nome daquela partida? Lúcio, o vagabundo. Tá aqui o que ele fez:



Daí então garantimos a vaga no sertão de Pernambuco, em Garanhuns, e sacramentamos a campanha exemplar (10 vitórias nos 12 jogos decisivos) com um 4-1 diante do Botafogo, em um jogo quase amistoso - os dois clubes já haviam garantido o acesso.

Que sirva essa campanha de exemplo.

22 maio 2013

Verde e branco

Direto ao que interessa:

Depois de errar vergonhosamente nos três uniformes da temporada 2012, eis que a adidas acertou agora. Em grande estilo. Bastou fazer o simples e seguir a história: a primeira camisa é verde, e a segunda é branca. Sem detalhes rebuscados, sem invencionices na gola, sem violentar a tradição. Apenas e tão somente verde e branco, com o símbolo no tamanho que deveria ser sempre. Fica ainda mais bonito sem patrocínio, e as listras da adidas ficam ainda mais destacadas com esse desenho retrô.

Parabéns à adidas e aos responsáveis (dentro do Palmeiras) pelo mais do que necessário retorno às origens!

20 maio 2013

Turiassu, 1840 (17)




















“Chiicoo Laaang viiaaado/ Chiicoo Laaang viiaaado” 

Eu não me surpreenderia se alguém dissesse que Chico Lang (que fim levou?) nunca antes pisou no bom, velho e eterno Palestra Italia. Sabem como é, Lang pertence à categoria dos jornalistas de estúdio, aqueles que não vão a campo. Mas, não se sabe quando, como ou porquê, um belo dia a torcida começou a “perseguir” o pobre homem.

Insultá-lo depois de cada jogo, na travessia da arquibancada à Turiassu, fazia parte de um ritual quase religioso. Não era um canto a esmo, em qualquer parte do trajeto; o coro era entoado bem abaixo das cabines de TV, ali quando se cruzava a fronteira entre as numeradas descoberta (cujos bancos nunca tiveram números) e coberta. “Chicoo Laaang viaaaado/ Chicoo Laaang viaaaado”.

Não bastava gritar. Era preciso erguer o olhar, em direção às cabines, como se possível fosse a presença do jornalista da TV Gazeta por lá. Se a coisa para alguns era tida como uma ofensa mesmo, daquelas que você brada do fundo do peito, com ódio indisfarçado, imagino que a maior parte fazia isso por puro deboche, conferindo ao pobre Lang a condição de palhaço que lhe era de direito.

Porque Chico Lang, sejamos honestos com ele, nunca passou de um palhaço. Fazia lá suas graças na Mesa Redonda (bons tempos aqueles de Avallone, Lang, Solera, Marcio Bernardes etc.), não falava coisa com coisa, era um personagem. Ruim, é verdade, mas um personagem. E, provavelmente por ficar inventando palpites sem propósito e por sempre defender o SCCP (algo que fazia de maneira tão despudorada que nem se podia levar a sério), ficou marcado na história do nosso estádio como a pessoa mais insultada de todos os tempos – ainda que o cântico fosse quase inofensivo. Posso garantir que havia, lá no gramado suspenso ou mesmo nas cabines, gente muito mais nefasta - inclusive o sujeitinho que hoje comanda o Mesa Redonda e que mereceria coisa bem pior.

Fato é que, em meio àquele mar de gente se deslocando por entre as sagradas alamedas do Palestra, Chico Lang era também um personagem. Alguém que talvez nunca tenha dado as caras por lá, mas que era lembrado como se fosse um de nós. Era uma razão a mais para sorrir depois das vitórias, com uma entonação de sarcasmo mais evidente, ou para desanuviar depois das derrotas, com o grito saindo um pouco mais baixinho, mas estranhamente mais prolongado.

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_A foto que abre o post é do palestrino George Barros.

_Já tivemos boas colaborações de alguns amigos para esta série e eu gostaria de reiterar que o blog está aberto para receber novos textos. Se estiverem dentro do padrão da série e do blog, serão publicados.

17 maio 2013

O gol fora de casa

Eu tinha pensado em abrir este post com o título "O gol fora de casa deu errado", mas esta é apenas a minha opinião e eu prefiro abrir espaço para o debate. Em sendo assim, vou expor minha teoria sobre o tal "gol qualificado" e os eventuais argumentos em contrário podem ser publicados na sequência. Vamos lá:

O advento do gol fora de casa como critério de desempate em mata-mata foi introduzido no futebol com a melhor das intenções: reduzir o número de decisões por pênaltis. Em paralelo, em um discurso apregoado pelos que defendiam sua inclusão no regulamento de todas as competições, serviria para inibir as retrancas, uma vez que os visitantes se sentiriam instados a partir para o ataque.

A teoria é bonita.

Na prática, a coisa degringolou.

O gol fora de casa, que os mais desinformados insistem em dizer que "vale por dois" (poucas coisas me irritam tanto quanto ouvir isso), teve efeito contrário ao esperado: com o decorrer dos anos, os mandantes passaram a ter medo de atacar, procurando jogar com o máximo de cautela, sem deixar espaço para o visitante e, não raro, se contentando com um empate sem gols. Prevalece a lógica de só atacar depois de garantir a segurança defensiva.

Daí então que se criou uma distorção preocupante, segundo a qual um 0 a 0 em casa no jogo de ida não é visto como mau resultado. Afinal, dizem, "é só fazer um gol no jogo de volta e tá tudo resolvido". Não é bem assim, mas faz certo sentido, uma vez que, do ponto de vista estritamente matemático, o visitante passa a ter mais chances de classificação na volta (pois joga pela vitória e por quase todos os resultados de igualdade, enquanto o mandante só avança se vencer).

Ok, na matemática pura e simples, o critério do “gol qualificado” cumpre apenas e tão somente a função de desempatar uma eventual igualdade nos gols marcados, servindo como última instância para evitar os pênaltis. O problema é que o futebol não entende a frieza dos números e aí entra o grande peso do gol fora de casa: o psicológico. Esse efeito, por exemplo, dita que um 1 a 0 pareça melhor que um 3 a 1. Façam aí o exercício.

O "gol fora de casa" virou quase um palavrão para quem recebe outro time em mata-mata. É algo proibitivo, como se sofrer este único tento tivesse quase o impacto de uma eliminação sumária. Isso traz como consequência imediata a definição de esquemas táticos mais cautelosos, que priorizam não a busca pelo ataque diante da sua torcida, mas sim a meta de fazer o time chegar inexpugnável ao final de 90 minutos. É uma tremenda distorção.

Distorção esta que colocou em xeque a vantagem de decidir em casa. Porque, numa boa, com o gol fora de casa envolvido, é muito mais negócio resolver o confronto como visitante. Puro pragmatismo: a maior vantagem que pode existir é ter o seu gol com peso adicional na partida definitiva – e sem correr o risco supremo na retaguarda.

Afinal, que time, depois de um 1 a 0 em casa, não fica com a certeza de que basta mais um gol como visitante para minar toda e qualquer estratégia do rival dentro de sua casa? É a isso que eu me refiro: ao lado psicológico. Ele cria uma dinâmica que altera o equilíbrio de um confronto eliminatório e, via de regra, se volta exatamente contra quem deveria ter a vantagem de decidir diante dos seus.

Por fim, há as aberrações decorrentes de brechas do regulamento. Cito um exemplo clássico:

Ida: TIME A 1-0 TIME B
Volta: TIME B 1-0 TIME A
Se o regulamento previr prorrogação antes dos pênaltis, aí o TIME A terá direito a mais 30 minutos com o seu gol valendo mais que o do adversário. Qual é o sentido disso?

É por isso tudo que eu digo: o gol fora de casa deu errado.

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Para atestar boa parte das minhas argumentações (aquelas que são empíricas, sem dados estatísticos que as comprovem por ora), algum leitor com tempo sobrando poderia empreender um levantamento que desse conta de mostrar o quanto o gol fora de casa pode ter impactado nas médias de gols em confrontos eliminatórios e, mais do que isso, no desempenho dos mandantes (em especial na primeira partida). É simples: basta levantar a média de gols de mandantes e visitantes nos jogos de ida e de volta nos mata-matas antes e depois da adoção desse critério. A mudança na Libertadores se deu em 2005. Aí o estudo poderia se debruçar sobre os números de 1997 a 2004 e depois de 2005 a 2012.

15 maio 2013

Eliminação planejada

O Palmeiras deste (nem tão) novo e (muito) tortuoso século se tornou um especialista sem igual na arte das derrotas improváveis, absurdas e impossíveis. A eliminação sofrida diante do Tijuana, no entanto, é o oposto disso tudo: porque nunca uma queda foi assim tão provável, esperada e previsível. O Palmeiras que sucumbiu diante do adversário mexicano é o Palmeiras que foi preparado para tal: um clube de história gloriosa que mandou a campo um amontoado de camisas verdes numeradas à espera de um fracasso inevitável. Às custas da entrega de uns e outros e do aguante de sua torcida - que é tudo o que resta -, que durasse a Libertadores o tanto que fosse possível.

A dupla presidente/CEO nos condenou à eliminação ainda no começo do ano, antes mesmo de ir a campo este que é o pior time a já representar o alviverde imponente em gramados sul-americanos. Fizeram pouco caso de nossa vocação, se entregaram à resignação dos fracassados, desistiram antes da hora, sacramentaram a falta de ambição ao permitirem que o Palmeiras fosse a campo no mata-mata sem sequer um reforço. Deu no que deu.

Não me venham falar que caímos de pé. Porque não foi o caso - e daí decorre o total absurdo que reside nos poucos, mas vexatórios, aplausos que se fizeram ouvir ao final da noite.

Não sei dizer se fomos longe demais. Talvez sim, talvez não. Mas sei dizer que era óbvio que o time que foi a campo para decidir a vaga só teria uma chance de avançar para as quartas: achar um gol no começo e depois segurar o resultado. Não havia espaço para erros, senhores. Não havia. E então, ao colocar a bola no fundo do seu próprio gol, nosso goleiro decretou a tão planejada eliminação. Fim da linha.

O que veio depois não foi nada além de um espetáculo grotesco, patético e vergonhoso. Porque não havia mais a menor capacidade de reação - simplesmente por não termos um time. Havia apenas e tão somente desespero. Mas não um desespero que em outras tantas vezes resultou em gol nos minutos finais. O que tivemos foi um desespero acéfalo e constrangedor, de trombadas no árbitro, bolas alçadas para o vazio e traques de longe que sequer chegavam ao gol.

Esta noite chegaria, senhores. Cedo ou tarde, em casa ou fora, com dignidade ou não. O mais triste de tudo isso é que sabíamos todos que nada do que fizéssemos do lado fora seria o bastante para evitar a eliminação friamente planejada por Nobre e Brunoro - e, voltando um pouco no tempo, pela dupla de retardados da gestão anterior.

O que fizemos na arquibancada nesses quatro jogos não se apaga, é verdade. Mas é muito efêmero, é só voluntarioso e, que me perdoem, não resolve nada. Em não mudando o pensamento dos homens à frente do clube, as noites gloriosas em que a torcida pode (e deve) ir a campo para carregar o time (ou a falta dele) serão cada vez mais uma exceção.

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_Os aplausos depois do jogo (obra de poucos, é verdade) são tão lastimáveis quanto os gritos de incentivo para o goleiro na volta do intervalo. Sério, eu não consigo aceitar aquilo. Não que devêssemos xingar o cara pelo erro cometido (ao menos não durante os 90 minutos), mas o que se pedia ali era o mais puro silêncio. Que me perdoem, mas definitivamente não era o caso de passar a mão na cabeça depois de um falha tão bizarra.

14 maio 2013

Que a arquibancada vá a campo...

Os três jogos da fase de grupos que disputamos em casa representam bem o espírito que time e torcida devem ter na noite desta terça-feira, diante do Tijuana. É aquilo tudo que vivemos diante de Sporting Cristal, Tigre e Libertad e mais um pouco. Precisamos de níveis absurdos de concentração e respeito ao adversário e um aguante infernal a partir da arquibancada.

Não há espaço para erro dentro de campo.
E não há espaço para silêncio na arquibancada.

"Que a arquibancada vá a campo. E que as camisas numeradas que subirem para o gramado assimilem o espirito da arquibancada."

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Vieram me cobrar algum texto que servisse de aquecimento para o jogo. Faltou tempo para tanto, e não veio a inspiração necessária. Não por nada, senhores, mas apenas porque a concentração na missão de hoje à noite é total e absoluta.

Se servir para alguma coisa, republico aqui textos referentes aos três duelos da primeira fase. Fizemos a diferença três vezes. A quarta pode vir hoje à noite.

Alma de Libertadores(depois de Palmeiras 2-1 Sporting Cristal)

Aguante!
(antes de Palmeiras 2-0 Tigre)

Le hicimos el aguante
(depois de Palmeiras 2-0 Tigre)

Contra a escrita
(antes de Palmeiras 1-0 Libertad)

Quando a torcida vai a campo
(depois de Palmeiras 1-0 Libertad)

12 maio 2013

Acomodados F.C., parte 2

Não há nada que possa acrescentar algo de substancial ao que já foi dito no post original (aqui), mas acontece que hoje a Folha de S.Paulo, não contente com a aberração que ousou publicar na última semana, lançou na revista sãopaulo um pouco de como aquela falácia repercutiu entre seus leitores, essa massa acéfala que adora vomitar o mais barato senso comum. Vou reproduzir o que se disse a respeito, evitando comentários adicionais; eles se tornam até supérfluos diante da cretinice de alguns.

Para começar, temos a contribuição, via Twitter, do digníssimo Flavio Prado, o líder da corja de jornalistas de estúdio (aqueles que, um pouco por comodismo e outro tanto por cretinice, preferem comentar bem longe do campo). O que ele escreveu não difere muito das besteiras que costuma dizer na rádio ou na TV:





















Por meio do monitoramento que deve fazer nas redes sociais, a Folha capturou também uma opinião do grande Junior Cabreirão, o @aquiepalestra. Desprovido de contextualização, no entanto, o tweet não tem exatamente o efeito desejado:















Vamos agora às "cartas", começando por um publicitário que é outro desses acomodados hipócritas. Não pisa em um estádio há uma década, mas imagina ter alguma condição de opinar sobre. Para camuflar a sua inoperância, faz coro com a pretensa reportagem:





















Mas há gente que não se contenta com o senso comum rasteiro; é preciso ir além e se superar na arte da indigência intelectual. Daí resulta isso aqui:



















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E os tais "pesquisadores" da Pluri se calaram diante do último post. É bem sintomático.

10 maio 2013

"Invasão de campo"

























Este aqui não é necessariamente um livro sobre futebol - mas acaba sendo. É, em certa medida, uma obra de temática empresarial, mas as histórias contadas são tão intrinsecamente ligadas ao jogo que fica difícil dissociar uma coisa da outra. Tem-se a evolução (?) do(s) esporte(s) a partir do marketing e os avanços da indústria de artigos esportivos (primeiro os tênis e depois todo o restante) a partir das necessidades do futebol (e das atividades recreativas menores).

Li pela segunda vez já há alguns anos, e então peço desculpas por não fazer agora uma análise pormenorizada. Em vez disso, vou copiar descaradamente a sinopse do livro e indicar um link, disponibilizado pela própria editora Zahar, que traz ótimos trechos selecionados.

Além de conhecer a história de duas grandes marcas globais (adidas e Puma), você pode entender porque é que o futebol virou essa coisa que aí está...

Sinopse
No início da década de 1920, os irmãos Adi e Rudolf Dassler inovaram ao criar uma fábrica de calçados destinados exclusivamente à prática de esportes. As dificuldades e traições mútuas vividas durante a Segunda Guerra na Alemanha acirraram a briga pelo controle da sociedade e levaram a uma separação drástica: nasciam a Adidas e a Puma, e o mundo dos esportes nunca mais seria o mesmo.
"Invasão de Campo" revela negociações escusas, casos surpreendentes (muitos dos quais apresentados pela primeira vez) e exemplos de lealdade e superação, bem como de tino empresarial.

O livro expõe os bastidores de uma rede que envolve grandes jogadas de marketing, concorrentes de peso como Nike e Reebok, tramas políticas, cifras multibilionárias, inovações técnicas e celebridades internacionais - no processo de globalização do esporte.
E mais:
-Descubra o que era o Pacto Pelé.
-Saiba como Havelange, Beckenbauer e Beckham entram nessa história. 

-Entenda a transformação das marcas esportivas em ícones da moda urbana. 
-Conheça os conceitos por trás de grandes campanhas publicitárias como "Just do it" e "Impossible is nothing". 
-Acompanhe grandes jogadas dos bastidores da Fifa, das Copas do Mundo e das Olimpíadas.

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Onde comprar: em qualquer uma das grandes redes. Fiz uma rápida pesquisa pelas lojas virtuais de Cultura, Saraiva e Fnac, e esta última tem o preço mais em conta: R$ 47,90.

09 maio 2013

Sobre preço de ingressos

Houve, aqui e ali, algumas contestações à alegação deste blog de que seria fora de propósito o valor de R$ 60 que se está cobrando para a arquibancada no Palmeiras x Tijuana. Eu não vou perder tempo com análises mais elaboradas. Vou apenas trazer um exemplo que resume boa parte do que eu penso. Confiram a tabela com os preços de ingressos para o Westfalenstadion*, casa do Borussia Dortmund, finalista da Uefa Champions League:

























Ingresso mais barato (para a arquibancada deles): € 15,30. Na cotação de hoje (R$ 2,62), equivale a R$ 40.

É o Borussia Dortmund, vejam só! E os preços valem para todos os jogos, à exceção de alguns poucos (caso da semifinal contra o Real Madrid), com majoração de 20% (para R$ 48, portanto).

Para quem vai a todos os jogos, a coisa fica ainda mais convidativa. Confiram abaixo a tabela de preços para os, digamos, carnês:
















O sujeito paga então € 225 (R$ 589) para ver 17 jogos (todos em casa) da Bundesliga e mais os três da fase de grupos da Champions League. Dividindo o valor investido pela quantidade de partidas, temos um custo médio de R$ 29,47.

...

Querem que eu faça aqui uma comparação entre o salário mínimo (ou médio) do brasileiro e do alemão? Ou  entre as rendas per capita? Ou querem que eu coloque em debate a qualidade dos times?

Melhor parar por aqui mesmo.

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*O Westfalenstadion foi inaugurado em 1974. Foi uma das sedes da Copa de 2006 e, mesmo assim, não perdeu sua alma - tanto é assim que a torcida entra com faixas, bandeiras, mosaicos e o que mais você puder imaginar. Ganhou o nome de Signal Iduna Park por ocasião da compra dos naming rights por uma empresa de seguros (concorrente da Allianz).

_O amigo Junior Cabreirão é o responsável pela descoberta desses números. Fica aqui o crédito.

08 maio 2013

Sobre Avanti, oportunismo e preço dos ingressos

O tempo é escasso, mas o assunto não pode passar em branco. Antes, no entanto, recomendo um texto do Néspoli, que vem lutando para fazer do Avanti um programa de sócio-torcedor à altura do que o palmeirense merece.

Este blog, os leitores mais antigos haverão de lembrar, já trouxe incontáveis posts sobre o Avanti, desde a época em que a turma do Dezembro criou aquela aberração de 2009 (aqui dá para encontrar algumas análises). Pois as melhorias recentes tornaram o plano um pouco mais aceitável, mas ainda longe do ideal.

Breves ponderações sobre isso:

-1. Esta terceira geração do Avanti foi lançada há pouco menos de um ano de maneira oportunista - pois se vinculou a aquisição dos ingressos para a final da Copa do Brasil à aquisição do plano. Foi um erro estratégico, porque tirou o peso do plano (que deveria ser algo sustentável em longo prazo) e levou a uma debandada nos meses seguintes. Agora, com a venda dos ingressos para o jogo contra o Tijuana, comete-se falha semelhante. Entendam, dirigentes, que um plano de sócio-torcedor deve privilegiar aquele que está sempre ao lado do clube, e o oportunista deve ser encarado apenas como mais uma possibilidade de receita em fases mais agudas. Não se pode esperar que os "torcedores" de ocasião sustentem o plano.

-2. Eu não vou tecer comentários mais complexos sobre o que poderia melhorar no Avanti (gente mais capacitada está cuidando disso), mas eu me sinto no dever de apontar o seguinte: a fidelização e a conquista de mais associados passa diretamente pelo reconhecimento dos torcedores que se fazem mais presentes. O nosso rival criou esse sistema faz muito tempo, e os resultados estão aí.

-3. O ingresso para Palmeiras x Tijuana custa R$ 60? É caro! Melhor dizendo: é muito caro! Chega a ser obsceno. Não muda nada para mim (por causa do plano do Avanti), mas provavelmente é empecilho para muita gente. E é, mais do que tudo, outra estratégia oportunista dos homens que estão à frente do Palmeiras. Mudam as gestões, mas o pensamento tacanho continua.

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Atualização de última hora:

Dos males, o menor. A decisão de mandar os quatro primeiros jogos da Série B em Itu afasta a aberração de Presidente Prudente/MS e todas as demais que já se esgotaram por insistência de gestões anteriores. Quanto ao estádio, é bem aceitável, comporta um bom público (depois da ampliação recente) e fica a uma distância curta de SP. Dá para ir aos quatro jogos sem esforço (à exceção daquele de terça às 19h30, mais complicado) e o time se preserva também.

06 maio 2013

Acomodados F.C.

A revista sãopaulo (aos domingos na Folha de S.Paulo) prestou nesta última edição um enorme desserviço ao futebol. Antes de partir para a análise do caso, deixo-os com a capa da publicação, que dá bem a dimensão do asqueroso conteúdo:

























A matéria em si é deplorável sob todos os pontos de vista. Mas ela fica um pouco menos execrável se desprovida das imagens que adornam as suas oito maltrapilhas páginas. Se coragem tiverem (porque eu não recomendo), a leitura se faz possível aqui.

Eu bem pensei em desmontar cada uma das estapafúrdias declarações dos personagens escolhidos. Mas elas não param em pé, a argumentação dos envolvidos é pífia e então eu me permito apenas e tão somente fazer um apanhado geral de tudo que aí está.

Começando pela premissa básica:

Ninguém é obrigado a ir a estádios de futebol. Ninguém é obrigado sequer a gostar de futebol. Como ninguém é obrigado a ir ao cinema, ao teatro, ao shopping ou a qualquer outro lugar. Ninguém é obrigado a praticar esportes, a frequentar eventos culturais ou mesmo a conviver com outros seres humanos. Ninguém é obrigado, enfim, a fazer qualquer coisa que não seja do seu gosto.

Em sendo assim, não se exige de quem quer que seja o hábito de ir ao estádio. Por conseguinte, não se pede a quem quer que seja alguma explicação (plausível ou não) para a decisão de não ir a estádios. Sério: ninguém se importa, muito menos os que estamos no estádio o tempo todo e quaisquer que sejam as condições.

Daí que se torna insuportável conviver com o discurso hipócrita dos que optam por não ir a estádios. Porque o tipo (e aqui eu me refiro a todos os tipos) não é honesto o bastante para admitir seu comodismo e sua inoperância, fatores que o fazem escolher o sofá em detrimento da arquibancada - o que é plenamente aceitável, diga-se. Longe disso; o sujeito prefere mesmo apelar para o lugar comum, para o clichê, para o discurso vazio. “Porque a violência...”

Violência?

Ah, sim. Pois eu torno a repetir o que eu sempre digo: não há lugar mais seguro que um estádio de futebol. Sim, é isso mesmo! Procurem aí a relação de incidentes em estádios de futebol e façam a devida comparação com os índices de violência em condomínios residenciais de alto padrão, bares, restaurantes, ruas, avenidas, praças, parques e outros espaços públicos. Façam isso, por favor.

Também em função da repressão exacerbada (e acéfala) do 2º BP Choque e muito pela vigilância eletrônica e pela presença das emissoras de TV e de toda a parafernália midiática, não há lugar mais seguro nesta violenta metrópole do que um estádio de futebol.

Sobre isso, seria impossível organizar um simpósio e qualquer defensor da associação violência/estádio seria devidamente humilhado. Como não há tempo para tanto, registro esse breve contraponto e seguimos em frente.

Mas os "sofás" apontam mais supostos motivos, um mais capenga que o outro. É a falta de opções para comer, são os banheiros sujos, é o desconforto... uma bobeira maior que a outra. Claro, há aqueles argumentos que se fazem até razoáveis para a defesa dos acomodados (preço dos ingressos, flanelinhas, horários ruins), mas nenhum deles sobrevive à constatação de que são todos elementos inerentes à rotina de quem vive em uma cidade como São Paulo.

De modo geral, fica muito evidente no discurso dos sujeitos a acomodação que os leva a se classificarem como “torcedores de sofá”. É tipo isso aqui: “O sofázinho é mais negócio, né?”.

Será assim tão difícil para essa gente admitir que simplesmente não gosta de ir ao estádio? Ou que prefere ficar em casa ou ir ao bar para poder tomar cerveja com os amigos? Ou por preguiça mesmo?

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Devidamente dizimadas as pretensas desculpas dos acomodados, é hora de partir para uma outra análise, esta mais afeita ao jornalista do que propriamente ao torcedor:

Afinal, qual teria sido o ponto de partida para que tal reportagem fosse aprovada em uma reunião da pauta da revista sãopaulo? Tenho duas suspeitas, e nenhuma delas converge para uma ideia “brilhante” ou para algum levantamento feito pela própria redação.

A menos provável, que eu já descarto, diz respeito a alguma divulgação da ABTA, a associação das empresas de TV por assinatura. Sim, o setor teria todo o interesse de ver tal conteúdo em uma edição dominical da Folha e a ABTA até aparece como fonte, mas não me parece tanto o caso.

A mais provável diz respeito a uma cretinice divulgada com estardalhaço por uma certa Pluri Consultoria. Lembro-me de ter recebido o release dos caras e, após julgar de uma estupidez atroz tudo o que ali estava, resolvi que não era o caso de escrever nada – por falta de tempo e por um certo desprezo. Acontece que agora os tipos conseguiram quem comprasse o discurso todo e então este blog se sente no dever de colocar as coisas no devido lugar.

Vejamos, senhores, o que traz a página 25:

























Vou me abster de fazer comentários sobre a diagramação, sobre a pergunta lá do alto (vamos pouco quem, seus putos?) e sobre a ideia de inserir os distintivos dos clubes nessa história. É secundário diante do todo. Mas peço aos senhores, por favor, que voltem à imagem brevemente para contar o número de distintivos/motivos.

Quantos são?

17.

Ah, que beleza. Pois vejam só isso aqui, senhores:










Captaram a mensagem?

Pois acontece que essa tal Pluri Consultoria andou divulgando tempos atrás alguns pretensos estudos sobre futebol, um mais furado que o outro. Eu me refiro a eles como "pretensos estudos" porque simplesmente parece não haver nada de estudo por trás das conclusões peremptórias. Nada, absolutamente nada. Entre outras coisas, a tal consultoria divulgou tempos atrás esse troço repugnante intitulado “17 motivos para NÃO ir aos estádios” (ênfase no NÃO). À época, eu até entrei no site, fiz o download do tal relatório e me indignei com aquilo tudo. Mas resolvei relegá-lo ao esquecimento. Agora não dá mais.

Notem, senhores, que a tal Pluri Consultoria aponta “17 motivos”, exatamente o mesmo número destacado pela revista sãopaulo. São, vejam que enorme coincidência, os mesmos e raquíticos motivos.

Nenhum deles para em pé. Afinal, carecem de um mínimo de comprovação. Se ainda não o fizeram, recomendo de novo a leitura do tal relatório, que não passa de um amontoado de conclusões que emergem do senso comum. Não há aí qualquer justificativa para os "17 motivos", tampouco qualquer embasamento que nos permita aferir a validade ou não do que está sendo dito.

É mais do que precário; é quase desonesto.

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Ao final, senhores, a coisa toda se pode resumir assim:

-A simples disposição de alguém se expor assim tão abertamente como “torcedor de sofá” diz muito. Tanto que eu nem precisaria perder meu tempo livre para escrever esse post.

-Acomodados: tomem vergonha na cara e admitam que são preguiçosos e preferem ficar com a bunda no sofá. Não há problema algum nisso, ninguém vai cobrá-los por nada, vocês até que contribuem com o clube pagando o ppv e essa coisa toda. Mas deixem de hipocrisia e não encham o saco de quem é torcedor de verdade.

-Anotem aí: basta o time de qualquer desses "sofás" chegar a uma final para eles saírem desesperados atrás de ingresso. Eu conheço bem esse tipo de gente.

-Tem muito vagabundo querendo se aproveitar do futebol.

-A imprensa esportiva neste país é, sejamos benevolentes, capenga. Disso todos já sabemos. Mas é especialmente preocupante constatar que o maior jornal do país se dê ao trabalho de publicar uma matéria de capa assim tão tacanha, frágil e desconexa.

-Torcedor é aquele que gira a catraca.

04 maio 2013

"El Nacimiento de una pasión"

"Sandoval: Escribano, ¿qué es Racing para usted?
Escribano: Bueno, es una pasión, querido.
Sandoval: ¿Aunque hace nueve años que no sale campeón?
Escribano: Una pasión es una pasión.
Sandoval: ¿Te das cuenta Benjamín? El tipo puede cambiar de todo: de cara, de casa, de familia, de novia, de religión, de Dios... pero hay una cosa que no puede cambiar, Benjamín... no puede cambiar... de pasión."


Diálogo extraído da mais bela sequência do filme argentino "O Segredo dos seus olhos", de Juan Campanella, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010.



"Una pasión es una pasión".

Para seguir em frente com a série literária do blog, fiquem com a indicação de mais um livro em língua espanhola:

























Trata-se de uma obra convencional e o subtítulo evidencia bem tudo o que está por vir: "história dos clubes de futebol". É isso aí, com a advertência de que não se trata da trajetória completa, com as maiores conquistas ou a evolução até os dias de hoje; o objetivo, mais que tudo, é mostrar a origem das principais agremiações do país: a fundação (e os fundadores), as definições e alterações nas cores de camisa e mesmo nos nomes, os apelidos, as rivalidades, as idas e vindas que levaram à fixação em uma região específica ou a mudanças para outros locais. A paixão pelo fútbol vai se desnudando em meio a isso tudo, e é possível ainda conhecer um pouco da história das cidades argentinas, da capital com maior destaque.

São 98 clubes retratados, dos grandes do país, passando pelas forças regionais (de Rosario, Santa Fe, Córdoba, Mendoza...) aos pequenos da província de Buenos Aires: estamos falando de instituições como Almagro, Berazategui, Defensores de Cambaceres, El Porvenir (belíssimo nome), Los Andes, Temperley, Tristán Suárez etc. A divisão em 10 capítulos leva em conta a questão geográfica (River e Boca, juntos em um único capítulo, são a exceção).

O autor, Alejandro Fabri, é jornalista esportivo com passagem por alguns dos principais periódicos do país. Dele é possível encontrar uma série de obras sobre futebol argentino e sul-americano.

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Onde comprar: o livro não foi traduzido para a nossa língua (e provavelmente nunca será), e, até prova em contrário, só é possível mesmo comprá-lo no país vizinho. Em Buenos Aires, isso é possível em qualquer grande livraria - e também nas pequenas. Se você tiver interesse, recomendo que vá à El Ateneo da Santa Fe, que é, por si só, um ponto turístico.

02 maio 2013

Monopólio



Não faz muito, na década de 1990, não havia futebol na TV aberta no domingo à tarde. Os únicos jogos televisionados (quase nunca para a mesma praça) eram os de sábado à tarde (16h) e quarta à noite (21h30). Não havia, portanto, as aberrações que hoje são comuns (22h, fim de semana às 18h30, dia de semana às 19h15 etc.). E a distribuição dos jogos transmitidos por clube era equânime, ao menos entre o Trio de Ferro. Ponto.

Não tenho condições de fazer um levantamento sobre o que mudou na relação TV x futebol (é contra mesmo) nas últimas duas décadas. Para os propósitos deste post, basta expor o seguinte cenário:

Libertadores/2013. Considerando fase de grupos e oitavas, os três representantes paulistanos vão entrar em campo oito vezes (quatro em casa e quatro fora). O SCCP terá todos os seus oito jogos transmitidos ao vivo, para todo o país, em horário “nobre”. O SPFW terá apenas três, sempre confrontos diretos com outro clube brasileiro. O Palmeiras, por sua vez, não terá sequer uma partida na TV aberta.

O universo de análise é o da Libertadores, mas, de forma geral, isso se aplica a todas as competições recentes: instituiu-se um monopólio nas transmissões televisivas (e se antes os gambás clamavam pelo monopólio do sofrimento e por outros mais, agora ganharam um de verdade, este ainda mais maléfico do que as falácias de costume).

Aí virá algum imbecil (ou mais de um) dizer que os gambás têm mais torcida, dão mais audiência etc. e tal.

Muito perspicaz da parte do imbecil, não? Pois então é necessário dizer que o SCCP sempre teve mais torcida que os rivais e a propalada diferença não necessariamente se converte em audiência assim tão mais expressiva. Os números estão aí para provar, em especial porque mesmo torcedores de outros clubes acabam por assistir aos jogos – isso se aplica a todos, vale dizer. Portanto, o que está em jogo não é audiência. Definitivamente.

Ainda que fosse, o erro estratégico está em atender, valorizar e, digamos, fidelizar apenas uma parcela do público, marginalizando toda aquela parte que, vejam só, é a maioria. Na busca por uma suposta audiência elevada, a emissora câncer deste “país do futebol” (ah, que piada!) acaba por ignorar todos os demais. É de uma cretinice sem tamanho.

Porque se é verdade que os gambás têm mais torcida (e, potencialmente, gerariam mais audiência), é ainda mais correto dizer que uma emissora de TV (seja ela a maldita Rede Globo ou qualquer outra) tem muito mais a ganhar com a aposta em diversificação do público, que é o que acontece desde sempre.

Acontece que os últimos anos ficaram marcados por essa agenda diferenciada, em que somente um clube tem espaço.

De minha parte, eu quero mais é que a Globo se foda. Como vou ao estádio aqui e fora de casa, pouco me importa se vai rolar transmissão na TV aberta ou não; a questão toda é que essa divisão desigual na grade de programação tem desdobramentos muito mais sérios, sendo os principais aqueles relacionados à distribuição das cotas de TV e à obtenção de patrocinadores (porque é evidente que as empresas vão querer pagar mais para quem tem exposição maior e mais qualificada).

Pior até: como 95% do público não vai ao estádio (ou por opção ou por residir em outros estados), a TV é uma das poucas formas de interação com o clube. É a maneira de manter uma relação, fortalecer o sentimento e, no limiar, transmitir isso para outros.

Com um único clube na TV, é possível a repetição de um esquema que, em tempos idos, fez dos clubes cariocas tão fortes nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste: as então onipresentes rádios cariocas se encarregaram de difundir a "imagem" (relevem, por favor) dos clubes cariocas Brazil afora.

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Mas a coisa sempre pode piorar: porque agora, talvez na tentativa de reforçar ainda mais a concentração de público, a Rede Globo resolve lançar mão de sua arma mais midiática para uma divulgação gratuita daquelas falácias todas que já conhecemos. Vejam os senhores que a nova novela das 7 (acho que é isso) traz uma personagem gambá. Sim, é isso mesmo que os senhores estão lendo: uma personagem gambá. Atenção para a nota extraída do site da emissora: “Fulana de tal apresenta a corintiana Giane”.

Observem com atenção: o “corintiana” foi aplicado ao nome como um aposto mesmo. Onde normalmente deveria aparecer a profissão da criatura, mandaram ver um "corintiana". Notem que a cidadã não é professora, nem médica, nem advogada, nem puta, nem qualquer outra merda; é "corintiana".

E a escolha da personagem (e da atriz, enfim) atende bem aos propósitos recentes de higienização e domesticação da torcida gambá. O perfil do público lá do outro lado mudou. Não é à toa.

Se isso não é uma tentativa de estabelecer uma realidade que interessa às conveniências globais, eu não sei mais o que é. Se você concorda, apoia ou entende como normal o fato de um time ter oito jogos transmitidos enquanto o seu maior rival não tem nenhum, então você é mais um dos putos que estão matando o futebol. E se não vê mal algum nessa história da gambazinha da novela, ou é mal intencionado ou é um cretino mesmo.