06 fevereiro 2015

Morreu o futebol

























2015, fevereiro, 5. Morreu o futebol.

Por ora, vou passar ao largo de qualquer análise sobre o estado falimentar de nossas autoridades constituídas. Tampouco vou abordar o recorrente abuso de poder que vem pautando as ações do senhor Paulo Castilho. Nem mesmo mencionarei o papel da mídia esportiva nessa história. De imediato, vou me dedicar à vergonhosa participação do senhor Paulo Nobre, presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, neste crime contra o futebol.

Nobre é o menino mimado que vê o estádio Palestra Italia como seu brinquedinho e, como tal, quer decidir quem com ele pode ou não brincar. Nobre é aquele que, em só enxergando dinheiro à sua frente, age com todas as armas disponíveis para assegurar o que ele julga ser um bom negócio - ainda que isso signifique um atentado contra o esporte outrora popular.

Precificar, precificar, precificar!

Extorquir, extorquir, extorquir!


Elitizar, elitizar, elitizar!

O domingo que vem pela frente deveria ser um dia histórico. Deveria ser o dia em que voltaríamos a receber o maior rival em nossa casa depois de longos 39 anos. Deveria ser um capítulo marcante em meio aos quase 400 confrontos entre os dois maiores clubes da maior metrópole do hemisfério. Deveria ser um dia de festa por toda a cidade. De expectativa, de apreensão, de euforia.

Deveria ser tudo isso, e mais ainda. Mas Nobre não quis. Em sendo dele o brinquedinho, só ele pode brincar.

Isolado em seu mundinho apartado da realidade, Nobre segue cometendo desmandos à frente do Campeão do Século XX. Se há dinheiro em jogo, vale tudo - absolutamente tudo. Vale criar discursos fantasiosos, vale manipular a mídia (mas, afinal, o assessor gambá poderá ir ao jogo domingo?), vale até se associar ao inimigo número do nosso estádio, o promotor sobre o qual tanto já se falou por aqui.

Nobre, que arruinou nosso centenário, quer agora acabar também com o pouco que ainda resta deste futebol tão vilipendiado nos últimos anos. Extorquir o torcedor do clube que comanda parece ser pouco para o mandatário reeleito por 2.420 cúmplices, e então ele foi direto na alma do futebol. Foi o artífice de uma operação que, há anos arquitetada por uma corja maldita, encontrou no menino mimado a peça que faltava.

Morreu o futebol. E Nobre só soube falar - em vexatória entrevista coletiva - em mais e mais cifrões. Ele não é do ramo, e disso sabemos todos. Mas é necessário apontar que são culpados por essa situação todos os 2.420 cúmplices que nele votaram. Todos os que nele votaram são responsáveis pelo crime ora cometido. Todos foram coniventes com os mandos e desmandos deste sujeito, com os preceitos elitistas, com os seguidos ataques à nossa torcida.

Domingo seria o dia de um grande Palmeiras x SCCP. O primeiro em nossa casa em 39 anos. Seria. Mas vai passar para a história como o dia de um atentado criminoso contra o maior de todos os clássicos. Um dia para envergonhar todos aqueles que vivemos o futebol. Um dia para envergonhar especialmente a coletividade alviverde, porque partiu de seu mandatário - e de seus 2.420 cúmplices - o tiro de misericórdia contra os que vivemos a arquibancada.

Mataram o futebol.

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_O jogo de ontem foi, possivelmente até o domingo próximo, o mais triste entre mais de 800 em pouco mais de duas décadas. Não pela derrota em si, tampouco pelo sofrimento para cruzar os portões da Matarazzo, mas pela triste constatação de que o futebol está perdendo a guerra.

9 comentários:

Unknown disse...

Olá. É o Bruno, falei contigo ontem na arquibancada. Percebi, durante todo o jogo, o quanto estava triste. Foi realmente comovente. Até pensei em conversar mas resolvi não fazê-lo, pois sabia que as palavras seriam colocadas aqui no blog no momento seguido ao jogo.
Mas não desista, Rodrigo.
Venceremos a corja que quer acabar com toda uma tradição. Domingo, jogo 469...
Fique com Deus!

diego disse...

HA HA HA EU TO RINDO A TOA VOU ASSISTIR CONFORTAVELMENTE AO JOGO NO ESTADIO DO MEU TIME, SEM ENCHEÇAO DE SACO E SEM VIOLENCIA PAULO NOBRE SERÁ LEMBRADO AINDA COMO O MAIOR PRESIDENTE QUE TEMOS E PAULO CASTILHO É HERÓI NACIONAL SIMPLES ASSIM

Unknown disse...

Diego, já foi a um jogo como visitante???? Possivelmente não, senão não faria um comentário desse. Ou vai adorar quando não ver o Palmeiras representado em outra cancha... Ah, e sobre a idolatria ao Paulo Nobre, coloque-se no lugar de um Professor assalariado que por amor e dedicação ao Palmeiras, desembolsa, apenas com Avanti, 180 mensais para ter ingresso para mim, esposa e filha de um ano e 6 dias (sabia que o Paulo Nobre cobra ingresso da minha filha?!?). E que o Avanti vai ter reajuste??? Pense!

Rafael B disse...

Torcida única: um atentado contra o torcedor e a maior prova da incompetência da Polícia Militar.

Polícia essa, digamos, que mesmo num jogo contra a Ponte Preta consegue tumultuar a entrada. Crianças ontem sendo esmagada para chegar ao portão de acesso ao estádio, por pura e simples INCOMPETÊNCIA (para não dizer má fé).

Abraços, Barneschi. Fiquei um tempo inativo dos comentários mas sempre lendo por aqui.

Daniel Portero disse...

Lenta e dolorosamente, enfim, morre o futebol.

Nessas novas arenas não há mais espaço para o concreto. Muito menos para os que aprenderam a viver o futebol a partir dele. Só há espaço para o wi-fi gratuito; o banheiro limpo e com espelhos brilhantes; o preço do ingresso abusivo; o locutor que quer aparecer mais do que o jogo.

Invejo os que tiveram a oportunidade de viver o futebol na década de 90.

Comprei ingresso, mas estou pensando em desistir de gastar meu tempo e dinheiro com os 800 km que eu pegaria de estrada de ida e volta. Não quero patrocinar esse tipo de merda.

Sabe o que é pior? Esse babaca aparece em toda entrevista dizendo que era de uma torcida organizada, que veio da arquibancada.

Gustavo disse...

O Palmeiras perdeu para a Ponte, na noite de ontem. Quiçá venceremos no domingo. Mas o grande derrotado foi para o Palmeirense. Explico porquê.
Enquanto a diretoria da Ponte Preta fazia esforço (e conseguiu!) baixar o preço dos ingressos, pela metade, para o seu torcedor, por outro lado, o torcedor do Palmeiras teve que pagar o valor dobrado. Claro que a categoria, a estirpe, do Avanti é isenta disso. Ontem fiz um comentário em uma publicação, no Facebook, sobre a necessidade da torcida se mobilizar sobre os abusivos preços dos ingressos, ao invés de ficar discutindo e ironizando o quanto, o sujeito pede em uma camisa antiga do clube, essas coisas que somente rede social proporciona e o meu comentário foi deletado, por alguém.
Não importa! Ah, tá, gente fina é outra coisa!
Mas somente para refrescar a memória dos incautos, TODOS, absolutamente, TODOS, os italianos que vieram para a América, o fizeram porquê eram pobres, absolutamente pobres e os oriundi decidiram criar um clube popular para representar a sua cultura e história de seus antepassados, sobre uma base popular.
O clássico sem visitante é apenas o começo do fim!
O Palmeiras/Palestra não nasceu aristocrático e espero que não seja assim, nunca! Lugar de consumidor é na outra faixa do terreno e não no ground centenário do Palestra.

victor tredenski disse...

UNKNOWN, NÃO É NEM POR VOCE MEU CARO, E SIM PELO DONO DESSE BLOG, PLAYBOYSINHO MAL EDUCADO E DITADOR, ELE TA TRISTINHO COITADINHO VAMOS DAR COLO A ELE

DESCULPE SE OFENDI VOCE UNKNOWN, MAS O MEU PROBLEMA É ESSE DONO DESSE BLOG

Fernando Marinho disse...

A última vez em que fui ao estádio, foi no jogo Palmeiras 2x1 Gremio no Brasileiro do ano passado no Pacaembú. Fui no tobogã, paguei R$15,00. Não me importei de sentar no concreto, nem de ficar atras do gol, muito menos por ter de assistir o jogo inteiro em pé. Hj em dia, p vc assistir ao jogo atras do gol, precisa ser sócio, pagar caro e ainda correr para adquirir ingresso antes que acabe na internet. Isso se vc for assíduo frequentador, senão...

Não quero luxo, mas sim poder assistir aos jogos por um preço justo e acessível, afinal aqui é Brasil, e futebol é um programa popular...era

Hj em dia, o preço dos ingressos é o mesmo para shows de bandas internacionais. As bandas vem uma vez por ano, jogo tem dois por semana...não tem como mais. O playboy acha que todo mundo é milionário como ele...

Raul Martins Dias disse...

E, para completar, hoje aqueles bravos, valorosos e destemidos homens fizeram o que fizeram. Ainda vi indivíduos dizendo que aquilo não teria acontecido se o jogo tivesse torcida única.