30 julho 2012

Só o extremismo resolve



















Eu sinceramente já não tenho mais forças para falar sobre arbitragem. É uma situação que se arrasta por muitos anos e que só vai se resolver com medidas drásticas, chocantes mesmo. Tipo um dirigente invadindo o gramado (Volta, Eurico!), um jogador se fazendo de mártir em nome de uma causa maior, uma invasão de campo em massa, coisas desse tipo. Enquanto nada disso acontecer, o Palmeiras seguirá sendo prejudicado pela arbitragem de maneira reiterada e descarada, e haveremos de conviver com reações protocolares e protestos formais de efeito nulo. Ah, tem um efeito sim: a mídia vai insistir com o discurso de que "erros acontecem para todos os lados bla bla bla". E o que acontece na realidade é que todos os erros acontecem contra o Palmeiras. Seguimos em frente. Até o próximo roubo, senhores.

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Arena Independência, BH



















Estádio 53. Uma cancha bem interessante, pressão considerável para o time da casa, acústica privilegiada (o barulho era muito forte com apenas 12 mil torcedores). E é uma arena que, a despeito de todo o discurso de modernidade, conserva ainda a alma que tinha antes da reconstrução e do prenome.

Encravado em um bairro residencial da zona leste, com ladeiras e becos para todos os lados, é um daqueles estádios que tornam a vida do visitante um tanto mais complicada. Não há uma via exclusiva para a torcida de fora; grades de trânsito estabelecem a fronteira, mas o espaço é estreito e de difícil acesso. Não foi um problema ontem, mas pode ser em um jogo de maior apelo.

A bilheteria fica em um container com dois guichês - mais um fator a ser revisto para jogos grandes. Cheguei bem cedo ao estádio e a compra foi tranquila. Ingresso da malfadada BWA, R$ 40.

Uma vez lá dentro, o estádio surpreende na altura e guarda características de muitas canchas. O setor que fica atrás do gol, por exemplo, lembra muito o do Luigi Ferraris, de Genova - e também o de muitos campos da Inglaterra, pela separação da 'curva' por meio de duas grandes torres. O vazio atrás do outro gol lembra o próprio Independência, mas também o Palestra, com a cidade se mostrando ao fundo. E, por fim, os setores superiores lembram muito a solução adotada para o Engenhão, que eu vejo como equivocada.

Por sinal, foi em um destes setores que ficamos os pouco mais de mil palmeirenses em BH. Por uma questão estrutural, o time da casa (Atlético ou Cruzeiro) vai sempre ceder para o visitante todo o anel superior central (em torno de 2,2 mil lugares). Bom para quem vai ver os jogos lá, com visão panorâmica (bem do alto) e com a possibilidade de acompanhar de perto qualquer um dos dois ataques - o espaço se estende de uma área à outra.

O ingresso daquele setor (e, imagino eu, também dos outros iguais) vem com uma advertência: "assento com visibilidade prejudicada". Pois bem, aí você pensa: pra que cazzo o aviso se aquela é a única opção? Ao final, o recado se justifica em partes. Vou explicar:

A verdade, senhores, é que o "assento" tem visão não apenas prejudicada, mas sim comprometida a depender do seu comportamento. Se você quiser ver o jogo sentado, vai perder até metade da visão do campo, não conseguindo enxergar a lateral imediatamente abaixo. Por quê? Porque a grade à frente impede a visão. A exemplo do que acontece no Engenhão, colocaram grades para separar um degrau do outro e a coisa se deu de maneira ainda mais invasiva, porque elas simplesmente vão de um lado a outro dos setores superiores, deixando cada lance da arquibancada separado dos demais. A inclinação é enorme, com cada degrau ficando um metro acima do outro - e a grade tem essa mesma altura.

Conclusão: fizeram um setor com cadeiras e separações para supostamente dar mais conforto, mas a verdade é que você só consegue ver o jogo se ficar em pé - e apoiado no obstáculo. No caso das organizadas, a distância entre as fileiras acaba sendo um problema ainda maior, porque desmobiliza o público.

Há boas opções de alimentação, sem muita frescura (salgadinhos, pizza, lanches etc.), mas com variedade e preços aceitáveis. De resto, tudo muito novo, os banheiros funcionam bem (essa é para os aficionados que vivem reclamando de banheiros sujos e alagados) e o ambiente em si é bastante agradável: se a acústica é favorável, é assim não apenas para a torcida da casa, mas também para a visitante, de tal forma que não há muito o que temer, a não ser do lado de fora.

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_Nunca é demais republicar este post aqui, sobre o prejuízo, mais um, acarretado ao palmeirense por este câncer chamado Rede Globo. Tive de cancelar minha passagem de avião (que sairia de CNF às 20h38), pagar multa e encarar oito horas de ônibus na volta para SP. Não posso deixar de agradecer a Marcelo Campos Pinto e à corja de canalhas.

_No maior jogo que eu tive o prazer de ver em BH (Cruzeiro 2(3)-2(4) Palmeiras, pela Libertadores/2001), Celso Roth era o nosso técnico e Felipão, o dos marias. Ao olhar para baixo, os dois à beira do gramado, foi impossível não lembrar daquela noite.

_Passei pelo finado Mineirão antes do jogo. Parece um cenário de guerra. Não sou especialista em grandes obras, mas não dá pra entender aquilo. A verdade mesmo é que vão matar o espaço de convivência que existia do lado de fora. Maldita Copa do Mundo!

_Inter (BB), Botafogo (F), Fluminense (F), Flamengo (BB), Atlético/GO (F) e Santos (BB). Os seis jogos restantes no turno evidenciam que o Palmeiras não soube aproveitar os duelos mais fáceis. Teremos uma sequência complicada, e, para piorar, Tirone, Frizzo e demais cúmplices implodem o nosso mando de campo. Até que isso tenha solução e até que a tabela volte a apresentar jogos mais fáceis (no returno), é bom nos acostumarmos à zona do descenso.

_Parabéns aos responsáveis que insistem em fazer o Palmeiras entrar em campo com a camisa mais feia da sua história. Eu sinto vergonha quando o time entra em campo com aquela aberração.

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MAIS FOTOS

A configuração do setor visitante é idêntica ao que se vê na parte alta da 'curva': grades entre um e outro lance da arquibancada, escadas de acesso como única maneira de subir ou descer e inclinação elevada:
















Detalhe da passagem de serviço da Arena Independência. Lembra muito o Engenhão na parte estrutural:

Vestiário dos jogadores e setor administrativo. Ao fundo, BH:

















Detalhe das grades e do grande espaço entre uma fileira e outra:
























Detalhe de uma das torres que deixam a 'curva' isolada, a exemplo do que ocorre no Luigi Ferraris (Genova) e em estádios da Inglaterra:
















Visto da Pampulha, o assassinato do Mineirão:














Pra fechar:

27 julho 2012

Prejuízo e vergonha em números

Vamos estabelecer mais alguns parâmetros razoavelmente objetivos para jogar luz sobre uma questão tratada por Tirone, Frizzo e demais cúmplices à base de superstições idiotas (e que sequer fazem sentido) e de uma inversão de valores que coloca a vontade de uma meia dúzia de vagabundos muito bem pagos acima dos interesses da massa que faz ser o Palmeiras o que ele é:

Vejam que existem três clubes de fora de SP que, via de regra e em situações normais, colocam mais torcida que a Portuguesa nos jogos disputados no Canindé: Flamengo, Vasco e Bahia. A torcida do Bahia é enorme em SP e quase sempre ocupa todo o espaço a ela destinado nos estádios paulistanos: no Palestra, no Pacaembu, no Jd. Leonor, no Canindé, onde for possível chegar. Aparecem 1.500 torcedores sem grande esforço.

Acontece que o Bahia foi jogar pela primeira vez no Buraco de Barueri nesta noite de quinta-feira e a torcida tricolor foi representada por não mais do que 60 pessoas. 60 torcedores! Não fosse pelas faixas das organizadas e eu poderia muito bem pensar que estávamos enfrentando um Mirassol/SP da vida...

















O público total, 7.515 pagantes, acaba ratificando a média do Buraco de Barueri. É basicamente este o nosso limite enquanto insistirem em mandar os jogos lá. É vergonhoso! E dá prejuízo!

Nada mais a declarar.

Aliás, tenho sim. Porque é o caso de estabelecer aqui outro parâmetro de comparação, este igualmente irrefutável e por demais vergonhoso:

SCCP/SP 1-1 Portuguesa/SP (rodada 11, sábado às 21h) +
SCCP/SP 2-0 Cruzeiro/MG (rodada 12, quarta às 21h50) =
59.865 pagantes e R$ 1.883.348

Palmeiras 3-0 Náutico/PE (rodada 11, domingo às 16h) +
Palmeiras 0-2 Bahia/BA (rodada 12, quinta às 21h) =
14.922 pagantes e R$ 545.420

Se Tirone, Frizzo e demais cúmplices não sentem vergonha, nós sentimos. E é bom que eles saibam que estão dando prejuízo para o clube e matando a torcida do Palmeiras.

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O vagabundo que apitou hoje fez o possível e o impossível para derrubar o Palmeiras. Conseguiu. Aliás, apenas a título de registro histórico e para derrubar aquele discurso-padrão de jornalistas pilantras ("os erros acontecem para todos os lados"), vale lembrar o que aconteceu na última vez que recebemos o Bahia, então no Canindé. Atenção para a posição em completo impedimento no gol que deu o empate ao nosso adversário:



Ou seja: já são dois anos seguidos com o Palmeiras sendo roubado de maneira descarada em casa contra o Bahia/BA. Mas podem ficar tranquilos: a imprensa esportiva vai tentar fazer acreditar que os erros acontecem para todos os lados.

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Até domingo em BH. Dia de conhecer mais um estádio novo.

25 julho 2012

O risco Barueri

Ainda que possa me tornar repetitivo (prefiro isso à inércia), resumo em um único post algumas das conclusões necessárias sobre os riscos assumidos pela direção da S.E. Palmeiras ao decidir mudar a sede do clube de São Paulo para Barueri, distante 30km desta capital:

-A não ser que haja alguma mudança, o Palmeiras, atual campeão da Copa do Brasil, vai completar mais de dois meses sem jogar em casa: de 24 de junho (visitante contra o SCCP) a 30 de agosto (visitante contra a Portuguesa). Ou seja: o paulistano Palmeiras, aqui fundado e muito responsável pela formação cultural da metrópole, vai se tornar visitante na sua própria cidade. É vergonhoso.

-O último jogo como mandante em SP aconteceu em uma tenebrosa noite de sábado, 9 de junho, derrota para o hoje líder Atlético/MG. A julgar pelo modus operandi dos senhores Tirone, Frizzo e demais cúmplices, as partidas do segundo turno, ainda sem local confirmado, deverão também ser disputadas no Buraco de Barueri. O Palmeiras parece disposto a assumir esta inacessível cancha como sua casa provisória, colocando à margem a parte mais expressiva da torcida, aquela que depende de transporte público.

-Em decorrência disso, o "risco Barueri" tem três vertentes:

1. Saiu recentemente um estudo sobre as médias de públicos dos principais times neste Brasileirão. O Palmeiras, com cerca de 6 mil pagantes por jogo, virou motivo de piada. Tivemos de ler muita besteira por aí, inclusive de babacas que nunca antes devem ter pisado em um estádio de futebol. Levando em conta que a média histórica do clube no Buraco de Barueri não vai além dos 7 mil torcedores por partida – e que não há assim grande interesse no decorrer do campeonato – é mais do que justo esperar que a média de público até o fim do ano seja baixíssima. Ou seja: o Palmeiras, dono de uma das quatro maiores torcidas do país, deve terminar o BR/2012 entre os lanternas no quesito arrecadação – porque, não custa lembrar, a renda da bilheteria é proporcional ao público presente.

2. O clube acabou de relançar o Avanti de maneira oportunista (foi quase venda casada) e agora, passada a euforia do título, o momento é de consolidação da plataforma, de modo a ampliar a base de associados e a receita fixa e tornar o plano uma referência para a torcida. Acontece que para trazer a torcida para perto do clube, você precisa necessariamente facilitar o acesso do torcedor ao estádio. Se, no entanto, decidem mandar os jogos em um estádio inacessível e caro (porque há uma série de custos adicionais para o torcedor), o que acontece é exatamente o contrário: tem-se o desestímulo à presença da torcida. Em curto prazo, pode-se chegar a um cenário de desmantelamento do programa. Mais uma vez.

3. Há ainda um fator mais grave, de longo prazo, relacionado à perda de identidade entre clube e torcedor. Porque vejam, senhores, que um clube de massa como o Palmeiras só pode ser assim chamado se tiver uma grande torcida entre as camadas mais populares. E, a rigor, essa identidade só se fortalece mesmo quando você tem esse torcedor na arquibancada – quem aí não se lembra da primeira vez no estádio e do sentimento ali despertado? Pois bem, ao impedir a ida ao estádio do palmeirense que mora na periferia de SP, o Palmeiras está quebrando a identidade entre o clube e a sua torcida. Ao excluir do estádio o torcedor que depende de transporte público, o Palmeiras está colocando em risco a sua condição de time de massa. E, para exemplificar tudo, eu peço que os senhores pensem em cada pai de família que gostaria de levar o moleque de cinco anos para ver o time no estádio e para garantir que ele siga o mesmo caminho. Muitos desses pais estão sendo impedidos de fazer isso por decisão única e exclusiva de Arnaldo Tirone, Roberto Frizzo e cúmplices. Eles estão matando a torcida do Palmeiras!

24 julho 2012

Quando o futebol era futebol

1994, ano do mais espetacular Brasileirão de todos os tempos (ainda honesto, com mata-mata definindo o campeão). A campanha toda está aqui, mas eu queria mesmo é relembrar uma grande noite daquele time, a vitória por 2 a 1 sobre o Bahia/BA em Salvador pelas quartas-de-final. Fonte Nova ainda de pé, casa cheia, o “povão” tomando conta de tudo... e um Palmeiras com Velloso, Claudio, Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio, Amaral, Flavio Conceição e Zinho; Rivaldo e Evair.

O futebol ainda era futebol, senhores. Acompanhem no vídeo abaixo, não sem antes observar o seguinte:

-O gol de Maurílio é espetacular. Um dos gols que eu mais lamento não ter visto no estádio.

-Atenção para o pênalti ‘pedido’ pelo repórter por volta de 1min40seg. É simplesmente genial. “Você confere no lance”. E tá lá o jogador do Bahia caindo antes da meia-lua, tornando a sua fala um tanto quanto insólita. Até a imprensa era melhor naquela época. Participação épica do repórter.

23 julho 2012

O desrespeito em números

Há quem enalteça a campanha do Palmeiras no buraco de Barueri como um fator que justificaria a opção por mandar os jogos naquela cancha perdida. São 13 vitórias, 7 empates e 2 derrotas em 22 jogos. Eu entendo que nem é uma campanha assim tão boa, já que o retrospecto histórico no Palestra sempre foi bastante mais favorável - o índice de vitórias em Barueri, 59%, é apenas razoável e fica muito abaixo do que tínhamos no nosso estádio, perto dos 68%. E então, uma vez que apenas os números dentro em campo têm espaço na mídia, deixo-os com a média de público do Palmeiras no (para boa parte da torcida) inacessível estádio de Barueri:

Público total (desde 2008): 207.346
Jogos: 22
Média: 9.424

É um número irrisório por si só e fica ainda mais vexatório se comparada à média histórica alcançada no Palestra, na casa dos 15,5 mil pagantes por duelo.

Aí vai aparecer alguém e dizer: mas o Palestra não pode ser usado agora e só temos o Pacaembu disponível em SP. Só? Só o Pacaembu, o estádio onde conquistamos a mais expressiva parcela dos nossos títulos? O Pacaembu em que registramos média recente na casa dos 15 mil pagantes e provavelmente próxima dos 20 mil no cenário histórico? O Pacaembu da Arrancada Heróica? Aquele estádio municipal que fica praticamente encravado no centro da metrópole, perto de tudo, com duas linhas de Metrô por perto e centenas de opções de ônibus que vão para todas as regiões da cidade?

Só isso, né?

Ressalto que a média do Palmeiras no Buraco de Barueri é inflada pelos três únicos jogos - em 22 - que tiveram público superior a 13 mil pagantes: foram exatamente os duelos mais agudos que tivemos pela Copa do Brasil, contra Atlético/PR, Grêmio/RS e Coritiba/PR. Se excluirmos os públicos destas partidas (que teriam casa cheia em qualquer estádio e em qualquer horário!), chegaremos a uma média de 7.103 pagantes por jogo.

Não à toa, tivemos 7.407 na tarde deste domingo.

7.407 pagantes em um domingo ensolarado às 16h!

Enquanto os senhores Tirone e Frizzo insistirem com os jogos em Barueri, é melhor nos acostumarmos com este cenário aí. O Palmeiras vai continuar sendo um dos times com pior média de público do Brasileirão e nós é que vamos ouvir merda por causa disso. Teremos o apoio dos mesmos de sempre (aqueles que vamos a todos os jogos e em quaisquer estádios), viveremos sem saber o que é encher uma cancha e, pior, teremos boa parte da torcida alijada do estádio. Por decisão do próprio Palmeiras, o que é pior.

Parece que todo mundo percebe isso. Menos quem deveria perceber.

A torcida não quer Barueri, e a média de público torna isso muito evidente. Os que lá estamos em todos os jogos (e eu sinto que somos sempre os mesmos) fazemos isso por mera obrigação. Mas o pior é a voz silenciosa dos que gostariam de ver o Palmeiras em campo, mas não podem simplesmente porque a nossa direção entende que é o caso de dificultar a ida do palmeirense ao estádio.

Voltamos a campo na próxima quinta-feira contra o Bahia. Seria um jogo para 15 mil no Pacaembu. Mudaram para Barueri? Bom, aí é o caso de nos contentarmos com algo próximo dos 5 mil torcedores. Mais um vexame.

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Recados para Tirone, Frizzo e demais cúmplices:

_Paguei mais uns R$ 15 de combustível, outros R$ 6,60 de pedágio e R$ 20 para estacionar o carro. São mais de R$ 40 que eu não teria despendido se o jogo acontecesse onde deveria acontecer, ou seja, na cidade em que a Sociedade Esportiva Palmeiras tem sede. São R$ 40 que eu vou pagar sempre, simplesmente porque não consigo deixar de ir atrás do meu time, sejam lá quais foram as dificuldades que vocês resolverem criar. Mas situação financeira, disposição e paciência de boa parte da torcida não são como as minhas, e estas são as pessoas que simplesmente deixam de incentivar o Palmeiras (e pagar ingresso) por decisão de vocês.

_Eu realmente preferia gastar esses R$ 40 em, sei lá, um boné do Palmeiras. Preferia mesmo. Mas vocês me obrigaram a dar esse dinheiro para a ViaOeste, para os Postos Ipiranga e para o moleque cuja garagem tem abrigado o meu carro toda semana. Parabéns a vocês pela inteligência!

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_Quando o camisa 21 chegou ao Palestra em 2009, eu pensei se tratar de uma piada. Eis que ele veio, honrou a camisa, fez belos e importantes gols e calou a minha boca. Aconteceu aquilo tudo no final do ano e ele ficou longe do time por um tempo. Voltou agora, novamente sob desconfiança de parte da torcida, mas parece igualmente disposto a honrar a camisa. Que seja assim mesmo.

_Grande atuação de todo o time hoje. Segurança na defesa, leveza do meio para a frente, belas tabelas, objetividade nos ataques e um camisa 23 inspirado. Saímos da zona do rebaixamento antes até do esperado. Agora é só manter o ritmo para poder tirar o pé lá no final e aí priorizar só os jogos decisivos da Sul-Americana.

_Se existir realmente a tal oferta de 4 milhões de euros pelo chileno, é o caso de fechar logo essa venda.

19 julho 2012

Joguem a tabela no lixo

















Sabem a tabela "atualizada" que eu publiquei no último post? Pois joguem-na no lixo. Aliás, joguem no lixo qualquer tabela de campeonato que vier a ser divulgada no Brasil, pois vivemos em um país em que um câncer como a Rede Globo detém um poder para além do aceitável. Eis aqui a notícia mais recente:

Com Olimpíada na Record, Globo troca Palmeiras por Corinthians

No primeiro domingo com a Olimpíada na concorrência, a TV Globo trocou a transmissão do jogo do Campeonato Brasileiro e vai passar o jogo do Corinthians ao invés do Palmeiras. Inicialmente estava previsto ser transmitido para TV aberta o confronto Cruzeiro x Palmeiras, direto do estádio Independência, em Belo Horizonte. Agora, porém, no dia 29 de julho, a emissora irá mostrar Bahia x Corinthians, no estádio de Pituaçu, em Salvador. A CBF confirmou a troca dos horários das partidas nesta quarta-feira. Assim, Cruzeiro x Palmeiras será às 18h30 e Bahia x Corinthians, às 16h.


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Prometo ser breve:

Há uma série de abordagens necessárias em relação à notícia acima, mas eu vou me permitir fazer uma única. Sei que ela parece um tanto pautada na minha experiência pessoal - e é -, mas ela é extremamente necessária, até porque provavelmente afeta muito mais torcedores (e não apenas do Palmeiras). A pergunta é:

Como fica a situação de gente que, como eu, comprou as passagens de SP para BH há três meses e agora, a 10 dias do jogo, fica simplesmente impossibilitado de pegar o voo de volta, que sairia de CNF às 20h38? Quem paga esse prejuízo? O Marcelo Campos Pinto? O apresentador do programa da hora do almoço? Qualquer um dos lixos que apresentam programas alienantes desta emissora maldita? Ou o Marin? Ou o Teixeira, o maldito que segue recebendo um salário indecente sem nada fazer?

Respondo: fica por isso mesmo, e o prejuízo é todo meu.

Comprei as passagens com três meses de antecedência, e agora serei obrigado a cancelar a volta para retornar a SP de ônibus. E fica por isso mesmo. Como acontece com todo e qualquer torcedor neste país que tem a mania de ver seu time jogar fora e ousa confiar na tabela para fazer a programação das viagens.

18 julho 2012

BR/2012, tabela atualizada

Sabem a tabela que eu publiquei aqui no blog com os jogos do Palmeiras no BR/2012 – e que muitos dos senhores devem ter como referência para programar viagens e todo o calendário pessoal? Então, joguem-na fora e passem a considerar a versão abaixo. A CBF fez alterações em quatro rodadas (29 a 32) do Brasileirão na surdina, sem avisar ninguém, sem qualquer tipo de esclarecimento no site oficial. É dessas coisas que só acontecem mesmo com a entidade que dirige o futebol brasileiro – e o prejuízo fica todo para as pessoas que, como eu, fazem a programação pessoal, fecham viagens, resolvem férias etc. com base na tabela divulgada por esses gênios.

Fato é que as rodadas 29 a 32 (todas em outubro) foram antecipadas em uma data, do fim de semana para o meio de semana anterior ou o contrário. Considerem a versão abaixo, por favor. Os dois jogos em itálico/negrito são da Sul-Americana.

22.07 dom 16h Palmeiras x Náutico/PE – Arena Barueri
26.07 qui 21h Palmeiras x Bahia/BA – Arena Barueri
29.07 dom 16h Cruzeiro/MG x Palmeiras – Independência
01.08 qua 21h50 Palmeiras x Botafogo/RJ – Arena Barueri
04.08 sab 18h30 Palmeiras x Internacional/RS – Arena Barueri
08.08 qua 22h Botafogo/RJ x Palmeiras – Engenhão
12.08 dom 18h30 Fluminense/RJ x Palmeiras – Engenhão
15.08 qua 22h Palmeiras x Flamengo/RJ – Arena Barueri
19.08 dom 18h30 Atlético/GO x Palmeiras – Serra Dourada
22.08 qua 21h50 Botafogo/RJ x Palmeiras - Engenhão
25.08 sab 18h30 Palmeiras x Santos/SP – Arena Barueri

30.08 qui 21h Portuguesa/SP x Palmeiras – Canindé
02.09 dom 16h Palmeiras x Grêmio/RS – Arena Barueri
06.09 qui 21h Palmeiras x Ixpót/PE – Arena Barueri
09.09 dom 18h30 Atlético/MG x Palmeiras - Independência
12.09 qua 22h Vasco/RJ x Palmeiras – São Januário
16.09 dom 16h Palmeiras x SCCP/SP – Prudente/MS
23.09 dom 18h30 Figueirense/SC x Palmeiras – Orlando Scarpelli
30.09 dom 16h Palmeiras x Ponte Preta/SP – Arena Barueri
06.10 sab 16h SPFW/SP x Palmeiras – Jd. Leonor
10.10 qua 21h Palmeiras x Coritiba/PR – Arena Barueri
14.10 dom 18h30 Náutico/PE x Palmeiras – Aflitos
18.10 qui 21h Bahia/BA x Palmeiras – Pituaçu
21.10 dom 16h Palmeiras x Cruzeiro/MG – Arena Barueri
27.10 sab 16h Internacional/RS x Palmeiras – Beira-Rio
04.11 dom 16h Palmeiras x Botafogo/RJ – Arena Barueri
11.11 dom 16h Palmeiras x Fluminense/RJ – Arena Barueri
18.11 dom 16h Flamengo/RJ x Palmeiras – Engenhão
25.11 dom 16h Palmeiras x Atlético/GO – Arena Barueri
02.12 dom 16h Santos/SP x Palmeiras – Vila Belmiro

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Breve comparação para reforçar o heroísmo do nosso bicampeonato da Copa do Brasi, que completa hoje uma semana:

1998

Time-base: Velloso, Arce, Roque Jr., Cléber e Júnior; Rogério, Galeano, Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oséas. Felipão.

Campanha: 12-6-4-2-21-8

CSA/AL 0-1 Palmeiras
Palmeiras 3-0 CSA/AL
Ceará/CE 1-1 Palmeiras
Palmeiras 6-0 Ceará/CE
Botafogo/RJ 2-1 Palmeiras
Palmeiras 1-0 Botafogo/RJ
Ixpót/PE 0-2 Palmeiras
Palmeiras 1-1 Ixpót/PE
Palmeiras 1-1 Santos/SP
Santos/SP 2-2 Palmeiras
Cruzeiro/MG 1-0 Palmeiras
Palmeiras 2-0 Cruzeiro/MG

2012

Time-base: Bruno; Artur, Thiago Heleno, Mauricio Ramos e Juninho; Henrique, Marcos Assunção, João Vitor e Valdívia; Mazinho e Barcos. Felipão.

Campanha: 11-8-3-0-23-6

Coruripe/AL 0-1 Palmeiras
Palmeiras 3-0 Coruripe/AL
Horizonte/CE 1-3 Palmeiras
Paraná Clube/PR 1-2 Palmeiras
Palmeiras 4-0 Paraná Clube/PR
Atlético/PR 2-2 Palmeiras
Palmeiras 2-0 Atlético/PR
Grêmio/RS 0-2 Palmeiras
Palmeiras 1-1 Grêmio/RS
Palmeiras 2-0 Coritiba/PR
Coritiba/PR 1-1 Palmeiras

Observem a enorme diferença entre as campanhas de 1998 e 2012. Mesmo com um time bastante inferior neste ano (só Henrique e Marcos Assunção seriam titulares em 1998), chegamos ao título de maneira invicta - ante duas derrotas lá atrás -, com ataque muito melhor (2,09 x 1,75) e defesa idem (0,54 x 0,66). Ressalto ainda as coincidências, sobre as quais já havia falado lá na segunda fase: estreamos contra um time de Alagoas e vencemos lá por 1-0 e "aqui" por 3-0. Na sequência, veio um time do Ceará. E, ao final de tudo, decidimos sempre em casa, exceções feitas à semifinal de 1998 e à final de agora.

16 julho 2012

Diretoria x Torcida

Tirone, Frizzo e demais dirigentes da S.E. Palmeiras,

O palmeirense está feliz. Pela primeira vez em muitos anos. Mas não foi fácil. O palmeirense sofreu como nunca para ter agora uma rara alegria. Os senhores, palmeirenses que são, sabem bem o que passamos dentro de campo. Vou deixar isso de lado e falar sobre algo que passa bem longe do conhecimento de vocês: o martírio em que se transformou o simples ato de ir aos jogos do Palmeiras.

Estamos sem estádio e, por decisão dos senhores, tivemos de levantar a Copa do Brasil sem jogar uma vez sequer em nossa cidade. Começamos em Jundiaí, às 19h30 de uma quarta-feira, sacrificando parte do trabalho e encarando um trânsito terrível na saída de SP, na estrada e mesmo na cidade do interior. Depois nos instalamos no Buraco de Barueri, esta cancha que seria muito boa se tivesse as mínimas condições de acesso para o torcedor. Jogamos lá contra Paraná Clube/PR, Atlético/PR, Grêmio/RS e Coritiba/PR.

Sofremos - e muito! - nos dois últimos jogos. Estádio lotado, trânsito infernal, Castello parada do início ao fim, chuva, pânico, até quatro horas dentro de um carro, falta de lugar para estacionar, gente para fora do estádio até o segundo tempo, outros que não puderam entrar mesmo com ingresso na mão... um verdadeiro caos! E houve ainda quem, desejoso de ver o seu time em campo, apanhasse dos bravos, valorosos e destemidos homens da lei. A torto e a direito. Homens, mulheres, crianças, senhores de idade, o escambau.

E tivemos, claro, o grotesco episódio do Avanti, lançado de maneira oportunista para fazer o torcedor aderir ao plano na base da chantagem e ainda tendo de pagar um valor bastante mais elevado pelo direito de estar presente no jogo decisivo. Um desrespeito sem precedentes.

O Buraco de Barueri pode até ter sido decisivo dentro de campo, mas submeteu o palmeirense a um sacrifício nunca antes visto. O título compensou, é verdade, mas então preciso dizer aos senhores que somente jogos com apelo de decisão são capazes de fazer tanta gente encarar todo esse martírio para ver o time em campo.

Eis que agora, com a Copa do Brasil de novo nas nossas mãos, é preciso recuperar o tempo perdido. É preciso, antes de tudo, trazer o palmeirense de volta. É preciso reaproximar o palmeirense do time. É preciso recuperar muita gente boa que não pode ir ao estádio enquanto os senhores insistirem em tirar a Sociedade Esportiva Palmeiras da sua cidade, deslocando toda a torcida para um estádio que fica no meio de um buraco inacessível.

E é exatamente isso o que parece que não vai acontecer.

Tínhamos já confirmados para Barueri quase todos os jogos do clube neste primeiro turno. Havia duas exceções, os duelos contra Bahia/BA e Flamengo/RJ, ambos em dias de semana à noite. Por quê? Simplesmente porque é sabido, provado e comprovado que partidas noturnas em Barueri são impraticáveis na ida e na volta: primeiro porque o trânsito da Castello Branco transforma em inferno a vida dos que pretendem chegar ao estádio; depois porque não há transporte público para retornar à capital paulista - e vejam, caros, que o Palmeiras é um clube da cidade de São Paulo e tem aqui a parte mais representativa da massa que o sustenta.

Acontece, no entanto, que vem agora a confirmação de que os senhores resolveram tirar estes dois jogos do Pacaembu, transferindo-os novamente para o maldito Buraco de Barueri. Dois confrontos noturnos, um às 21h de quinta e outra às 21h50 de quarta. Um crime, um desrespeito, um atentado contra o torcedor do Palmeiras.

E um pecado, em especial este duelo contra o Flamengo. Seria um jogo para Pacaembu lotado (como foi no ano passado). Seria. Porque, tomada essa decisão estapafúrdia e imbecil, passa a ser um jogo para poucos, bons e corajosos. Pior: apenas para os que têm carro. Será um jogo para um público na casa das 10 mil pessoas, provavelmente o pior dos últimos anos contra o rubro-negro carioca.

Já que os senhores parecem preocupados apenas com números, vamos a eles: teríamos no Pacaembu algo na casa dos 25 mil pagantes. Com ingresso a R$ 40, daria para pensar em uma renda próxima de R$ 800 mil. Descontados aluguel do Pacaembu e demais encargos, sobrariam R$ 600 mil limpos para a SEP. Em Barueri, no entanto, teremos um público próximo de 10 mil. O aluguel é mais barato? É. Mas a renda bruta será inferior até mesmo à renda líquida de Barueri, algo perto de R$ 350 mil.

Será mais um crime contra o Palmeiras. Um crime também contra o Avanti, o tal programa de sócio-torcedor que vocês lançaram e parecem tão dispostos a boicotar.

Era hora de trazer o palmeirense de volta. Vocês, no entanto, parecem dispostos apenas a afastar o torcedor. E a má vontade com o estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, aquele que teve o Palmeiras no jogo estreia, onde conquistamos a maior parte de nossos títulos e onde vivemos a Arrancada Heroica, é absolutamente incompreensível.

O palmeirense tinha o direito de reencontrar na sua cidade o time campeão da Copa do Brasil. Mas vocês, Tirone, Frizzo e demais dirigentes da Sociedade Esportiva Palmeiras, parecem fazer questão de fazer tudo o que é possível fazer contra essa massa que insiste em fazer do Palmeiras o gigante que ele é. Apesar de vocês.

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_Caminhamos a passos largos para ultrapassar os 20 jogos no Buraco de Barueri apenas em 2012. Descontado o dinheiro do ingresso - que seria gasto no Pacaembu ou em qualquer outra cancha - o prejuízo individual de quem vai a todos os jogos se aproxima dos R$ 700 no ano (somando estacionamento, pedágio, combustível etc. - tudo aquilo que não precisaria ser gasto em SP). O prejuízo incalculável, aquele das horas perdidas no trânsito e na estrada, parece ser ainda maior. Eu bem que gostaria de investir esses R$ 700 no Palmeiras. Em camisas do clube, por exemplo. Mas Tirone, Frizzo e demais dirigentes não deixam; eles preferem que esse dinheiro vá parar nas contas do Governo do Estado, dos postos Ipiranga e de quem explora o palmeirense nas imediações da Arena Barueri com o estacionamento a R$ 40 (eu arrumei um esquema "honesto" na casa de um moleque, a R$ 20 por jogo - há quem tenha um prejuízo maior que o meu). Parabéns aos responsáveis.

_É oficial: ingresso de arquibancada a R$ 40. O plano de R$ 70 do Avanti (o meu) passa a valer ainda mais a pena. Mas só para quem vai a todos os jogos e tem carro para ir até Barueri.

_Gostaria de entender a lógica:
Setor B: aumento de R$ 30 para R$ 40 (33%)
Setor A1: aumento de R$ 40 para R$ 100 (150%)
Quem explica isso?

15 julho 2012

A confiança que faltava















Afinal, palestrino, o empate contra o SPFC teve sabor de vitória ou de derrota? Já ouvi as duas versões, e eu diria que, de tão atípico o jogo, dá para entender qualquer interpretação e qualquer sentimento.

Uma análise mais preguiçosa daria conta do seguinte: com muitos desfalques, ainda cansado e embriagado pelo título da Copa do Brasil, com mais uma contusão de um jogador importante, com um homem a menos durante quase um tempo inteiro e tendo saído atrás no placar, o Palmeiras alcançou o empate nos minutos finais e evitou a derrota para o rival "dentro de casa". Sabor de vitória, portanto.

Uma análise mais minuciosa, centrada no que efetivamente aconteceu ao longo dos 90 minutos, nos levaria ao seguinte: mesmo em desvantagem numérica durante boa parte do jogo, o Palmeiras finalizou 19 vezes contra seis do inimigo; o Palmeiras perdeu um pênalti; as melhores chances foram nossas; o goleiro dos caras teve uma atuação monstruosa; os bichas tiveram, se tanto, três míseras oportunidades, uma delas conduzindo ao gol em uma falha gritante da nossa zaga. Sabor de derrota, pois.

A verdade inconteste é que o Palmeiras, com praticamente meio time fora e mesmo com 10 em campo, engoliu o SPFC ao longo de quase todo o jogo. Descontados alguns poucos minutos de hesitação, entre as constantes trocas de posição no sistema defensivo, o domínio foi todo alviverde. Os bichas acharam um gol no início e a ele se apegaram. O Palmeiras, confiante e ousado, buscou o gol o tempo todo; seria por demais injusto se não chegasse ao menos à igualdade.

O que eu gostaria de destacar, mais até do que a entrega dos jogadores, é a confiança do time. A Copa do Brasil já faz efeito, porque um grupo que antes parecia se abalar com qualquer obstáculo agora se portou de maneira absolutamente exemplar, crescendo na adversidade e superando o rival mesmo com tudo contra.

Ao final, aplausos - mesmo com o time em 19º lugar. Porque agora entramos para disputar essa aberração de pontos corridos e, mesmo com os desfalques se multiplicando rodada após rodada, o grupo parece estar unido e disposto como há muito não acontecia.

Na arquibancada da Arena Barueri, o sentimento era de orgulho por ver Mazinhos, Betinhos, Juninhos e Fernandinhos honrarem a camisa alviverde como se fossem gente grande. E talvez sejam mesmo. Falta qualidade técnica, falta um pouco de inspiração, falta às vezes a calma para concluir a gol. Mas disposição não falta, engolimos um rival que se julgava superior e logo teremos um time em condições técnicas para brigar de igual para igual com qualquer um.

Marquem na agenda o dia 6 de outubro de 2012: buscaremos no Jd. Leonor os três pontos que não vieram hoje.

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Arena Barueri, 8.374

Nada me faz encarar como aceitável o público de 8.374 pagantes em um clássico entre Palmeiras e SPFW. Nem o tempo frio, tampouco as dificuldades para se chegar à cancha. Porque este seria um público compreensível se tivéssemos perdido a final desta semana, mas não se pode entender presença tão pequena da torcida depois de termos voltado de Curitiba com o título. Fico me perguntando: onde estavam todos os outros 20 mil que tanto fizeram para conseguir um ingresso para o primeiro jogo da final contra o Coritiba? O que fizeram neste domingo à noite? Onde gastaram o dinheiro que poderia ser investido no ingresso? São perguntas que ficam sem resposta, mas que fortalecem o meu pensamento habitual quando se trata de direitos adquiridos para quem vai a todos os jogos e quando se trata de avaliar os que merecem e os que não merecem ir a um jogo decisivo.

De qualquer forma, senhores, imagino eu que nossa diretoria esteja ciente que os públicos em Barueri serão sempre bastante inferiores ao que teríamos no Pacaembu. Porque, se não estiver em disputa algo realmente decisivo, as dificuldades de acesso ao estádio acabam se tornando intransponíveis para muitos. Aí só vão os de sempre mesmo, e quem perde com isso é o Palmeiras.

Volto ao tema depois, com uma argumentação numérica.

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_Se a nossa torcida decepcionou, o que dizer dos visitantes? Não havia nem 1.500 do outro lado. Ridículo.

_Em post publicado recentemente neste blog, o grande amigo Teo (Marco Bressan), aquele do Estatuto, enumerou aspectos favoráveis de jogos na Arena Barueri: "Barraca de pernil, maria mole, engasga gato e cerveja gelada a 10 metros do portão. (...) Enfim, tudo aquilo que não nos é permitido na São Paulo demotucana de Kassab e Serra ainda está ali, em Barueri, à nossa disposição." Pois é, Teo, acontece que a Arena Barueri também virou um cemitério. Como as autoridades não conseguem aceitar a confraternização do povo, resolveram proibir tudo: barraquinhas, bebidas etc. Vendedor de cerveja virou bandido perseguido pela polícia, não temos mais onde comer e as idas à cancha de Barueri perderam o que havia de mais interessante lá. Parabéns aos responsáveis.

_A foto que abre o post é do mito Gabriel Uchida (Foto Torcida). Vejam aqui outras fotos do clássico. Dá para dimensionar bem o tamanho da outra torcida.

13 julho 2012

Onde os fracos não têm vez

À íntegra da coluna de Xico Sá (FSP):

Caubóis da Pompéia
A saga verde na conquista da Copa do Brasil foi um autêntico 'Meu ódio será sua herança'

Amigo torcedor, amigo secador, se fosse um filme de faroeste, a conquista do Palmeiras, campeão invicto da Copa do Brasil, poderia se chamar "Os Renegados". Alvo de chacota da imprensa e de pedradas até de parte dos seus próprios fãs, os caubóis da Pompeia se vingaram com o título da nossa taça mais nacional, a única que vai do sertão ao cais, espécie de Coluna Prestes da bola.

Até o discurso da comemoração, você reparou, caro palmeirense, saiu mais para o desagravo, a legítima defesa da honra do grupo, do que para a desabrida alegria da vitória. Muito compreensível. Entendemos a voz empoeirada do velho oeste sem carecer de legenda.
Os caubóis renegados da Pompéia têm pleno direito ao desabafo. Quem acreditava neles? Quase ninguém. E ainda chegaram à decisão com um time em remendos, sem o mago e sem o pirata. Com homens machucados, porém destemidos.
A saga verde foi um autêntico "Meu ódio será sua herança", para citar o filme predileto do meu amigo palmeirense Marcelo Mendez, um cronista basco-nordestino nascido no ABC paulista.

A Copa do Brasil, assim como a vida, é mata-mata. Um torneio onde os fracos não têm vez, agora lembrando a brutalidade do maior faroeste moderno, o dos irmãos Cohen. Cada jogador do Palmeiras foi um Anton Chigurh, o matador interpretado pelo espanhol Javier Bardem, nessa jornada.

Sim, eu poderia estar aqui exaltando o futebol-arte, o fino da bola. Não vem ao caso. O triunfo do Palmeiras é de outra natureza. É de bravura. Nem por isso deve deixar de ser celebrado. A coragem talvez seja o maior luxo da condição de ser homem.

Só perde, talvez, para a vergonha na cara. Os renegados da Pompéia souberam dosar as duas qualidades. Mesmo sob chuva de balas não fugiram ao duelo sob o sol das contrariedades. Bravos.
Ah, como poderia esquecer, uma vez que o assunto é o fantástico mundo do faroeste -talvez a maior metáfora da nossa gloriosa existência. Como esquecer que o técnico Felipão, dublê de Gene Hackman, fez, na Copa do Brasil, o papel de o xerife de "Os Imperdoáveis", a fita genial do velho Clint Eastwood.
Para quem enfrenta uma confusão caseira sem limites e muitas dificuldades técnicas e humanas, o título do Palmeiras vai ficar na história como uma bíblia, um exemplo. Perto dessa conquista, toda prateleira da autoajuda agora é nada.
Parabéns, destemidos caubóis esverdeados!

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Queria eu conseguir escrever algo assim. Em não sendo possível, sigo ressaltando o peso da nossa conquista, tão histórica quanto heroica. Pouco mais de um dia passado desde a volta de Curitiba, parece incrível ainda que tenhamos chegado ao título invicto mesmo sem ataque nos dois jogos finais e com tantos problemas acumulados. Foi mesmo uma vitória de puro heroísmo, de reparação histórica, de uma entrega como há muito não se via. Difícil acreditar no que aconteceu.

Parece incrível que tenhamos vivido isso tudo, e eis que uma torcida historicamente tão habituada às vitórias grandiosas parece agora sem saber o que fazer com essa Copa do Brasil. Foram tantas as decepções recentes que acabamos nos acostumando às reações típicas de derrotas vexatórias e vexames impossíveis. Vencemos, pois. E então, ainda sem saber direito o que fazer, repito a pergunta feita a tantos palestrinos na madrugada de quarta para quinta: e agora, qual é o procedimento?

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_Parabéns à diretoria do Palmeiras pela mais do que acertada decisão de colocar os jogadores em carro aberto na comemoração do título aqui em SP. Porque a festa aqui na capital paulista foi tão grandiosa quanto necessária, e a cidade merecia mesmo ver este elenco de bravos desfilar por suas ruas. Grande comemoração!

_Acostumado a sempre vencer títulos dentro de casa (ou em SP), eis que o Palmeiras foi buscar uma rara conquista como visitante (não por falta de competência em tempos idos, mas sim pela afortunada rotina de quase sempre decidir como mandante). E a minha geração de torcedores pôde enfim comemorar um título on the road, calando todo um estádio e trazendo para casa o troféu. Aliás, não é exclusividade da minha geração; nunca antes houve uma conquista desse porte em canchas distantes.

_Eu evidentemente preferia que o título desse post fosse o título original do filme dos irmãos Cohen, mas até eu sou obrigado a admitir que "Onde os fracos não têm vez" é mais apropriado ao contexto que o original "No country for old men".

12 julho 2012

GIGANTE BICAMPEÃO!














Coloquem em um campo de futebol 11 jogadores do Coritiba - quaisquer que sejam - e 11 camisas alviverdes com um P no peito, e o Palmeiras não apenas será sempre favorito, como também haverá de prevalecer. Só as camisas em campo, nada mais sendo necessário. Só precisamos delas. Porque de um lado estarão 11 camisas de um gigante e do outro estará um time pequeno de merda.

Nunca duvidem do Palmeiras. Nunca. Enquanto existir uma camisa verde com um P no peito, deve haver respeito*. E nunca, em hipótese alguma, um clube insignificante como o Coritiba poderá ser considerado favorito diante do Palmeiras. Porque somos gigantes. Porque temos camisa. Porque temos história. Porque somos o Campeão do Século. E porque basta a camisa alviverde em campo para sermos superiores. É o suficiente para que um grupo esfacelado seja campeão. Não só campeão, mas campeão invicto.

Chegamos ao final com um time que foi se decompondo jogo após jogo, tempo após tempo. Um a um, os jogadores iam se quebrando, como que para tornar a nossa conquista ainda maior. Melhor assim. Melhor com todas as adversidades que quiserem se interpor entre nós e o nosso destino. Porque isso só nos fortalece. Porque isso só nos torna ainda maiores e mais merecedores do que conquistamos.

Ninguém mereceu tanto esse título quanto nós. Ninguém. Lutamos como nunca antes, enfrentamos problemas sem fim, superamos o desrespeito de pobres almas que jamais entenderão o tamanho da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Conquistamos o título só por nossos méritos. Não contamos com apoio midiático - e nem queremos nada do tipo -, não precisamos fazer parte de qualquer circo televisivo, não transformamos a nossa paixão em produto de marketing de uma multinacional suja. Não vendemos a nossa alma para ninguém.

Voltamos ao Couto Pereira para dar fim a uma noite maldita que não havia terminado e assim fizemos. 433 dias depois. Voltamos para conquistar o que é nosso por direito e assim fizemos. Voltamos porque deixamos uma dívida naquela cancha e ela agora está paga. Com juros e com sobras; fiquem com o troco, animais imundos!

Acidentes acontecem de tempos em tempos. Mas não sempre e, quando acontecem, não mudam o curso da história. O pequeno Coritiba segue com um inócuo 6-0 para se perfazer e com um solitário e nada brilhante título nacional. Já o gigante Palmeiras, 11 títulos nacionais o precedendo, segue à frente de todos os demais que ousam desafiá-lo. Nossa vitória, senhores, nunca virá por acidente.

Respeito. Aqui é Palmeiras, bando de filhos da puta!

GIGANTE PALMEIRAS!
GIGANTE E BICAMPEÃO!





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On the road (Curitiba, jogo 767)

Foram ao Couto Pereira todas as conquistas de nossa história. Os títulos, as vitórias grandiosas, tudo aquilo que vivemos na arquibancada. Elas jogaram junto com cada um dos 5.500 guerreiros de alma verde espremidos na arquibancada visitante. Rostos conhecidos apareciam por todos os lados. Alguns sempre presentes, outros já ausentes de longa data, mas todos unidos em espírito. Reencontrei gente que não via há anos. Gente que lutou do meu lado em BH, em Recife, em Porto Alegre, em Montevideo... Gente que lutou comigo em todas as batalhas felipônicas de Copa do Brasil, Libertadores, Mercosul... Gente que vai sempre fazer parte das minhas melhores e mais intensas lembranças. Abraços, cumprimentos, palavras de incentivo. E choro, muito choro. De alegria, de ódio, de alívio. Eu parecia conhecer - e talvez conhecesse mesmo - cada um daqueles tantos e tantos guerreiros, como se fossem todos meus amigos. Fizemos em Curitiba uma festa sem igual. Antes, durante, depois, por todos os lados. Pelas ruas da capital paranaense, na cancha, no hotel, nas andanças pela fria madrugada, no aeroporto, nos voos de ida e volta. Um dia inesquecível. Obrigado a todos vocês.

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_Betinho: um nome para a história. Um artilheiro improvável. Um gol que deve ser filho único. Mas que nunca será esquecido por cada um de nós. E o fato de termos assegurado o título por intermédio de nome tão inusitado só torna as coisas ainda maiores.

_Não é o caso de ficar aqui enumerando todos os contratempos que tivemos desde o início da caminhada, mas nós sabemos o peso que eles tiveram. Só nós.

_O Palmeiras foi campeão sem jogar uma vez sequer na capital paulista: foram quatro jogos em Barueri/SP, um em Jundiaí/SP, três em Curitiba/PR, um em Porto Alegre/RS, um em Maceió/AL e mais um em Horizonte/CE.

_Durante a festa no estádio, um justo reconhecimento à emissora que é o câncer do futebol brasileiro (e não só). Orgulho de fazer parte dessa torcida.

_Sério que uma empresa cobrou R$ 100 mil para fazer aquela festa antes do jogo? Sério mesmo? Não que tenha sido desprezível, mas festas na arquibancada devem ser promovidas e organizadas pela própria torcida e nunca por empresas - e a nossa torcida já fez festas maiores e melhores sem recursos. Estádio não é lugar para empresas. Muito menos para baladas.

_Obrigado, Felipão! E me desculpe também! Porque o que você fez com esse time não é pouca coisa! Se já não era lá um time dos sonhos, foi acumulando contusões, cirurgias e suspensões que inviabilizariam o trabalho de qualquer técnico. E foi aí que você mostrou que ainda é o Felipão que conhecemos.

_Parece que a festa foi enorme não apenas lá em Curitiba, mas por todo o país. Em especial aqui em SP, onde a PM teria mais uma vez tentou atrapalhar a comemoração alviverde. Já virou costume e reforça o que eu venho dizendo há tempos: estamos em guerra contra os "bravos, valorosos e destemidos homens do Choque".

_Sejamos didáticos: time pequeno é time pequeno e deve ser tratado como tal. Nunca ousem desafiar os grandes.

_Enfiem os pontos corridos no cu!

*Não sei se é essa a ordem exata das palavras, mas está aí o significado da frase do grande mestre Ezequiel.


*Créditos das duas fotos:
1. Rivaldo Gomes (Folhapress)
2. Ari Ferreira (Lance!)

10 julho 2012

Couto Pereira, 433 dias depois...


















2011, mês de maio, dia 5: "Os gritos que vinham do outro lado ficaram sem resposta; não tínhamos o que dizer. O estádio inteiro parecia dirigir olhares lancinantes para os que ali estávamos como visitantes. A alma alviverde foi ferida".

Aquela noite fria de Curitiba jamais será esquecida pelos que lá estivemos. Os seis gols feriram a alma alviverde como nunca antes. A dor foi insuportável, tanto quanto o sentimento de humilhação. Lembro, ainda agora, de cada segundo do que pareceu ser uma caminhada interminável do estádio até a rua - e de todos os demais segundos daquela madrugada fria, até que o voo da manhã seguinte viesse nos atirar de volta a uma realidade da qual gostaríamos de fugir. Lembro de cada passo trôpego pelo aeroporto, da vergonha pelo que havíamos passado, dos pensamentos que atormentavam a mente. Consigo escutar, mais de um ano depois, cada um dos gritos que vinham do outro lado e que fizeram inverter o tamanho de Palmeiras e Coritiba ao menos por aqueles minutos. E até me lembro de expressões de terror e de humilhação de gente do nosso lado, tanto quanto do riso dissimulado e dos olhares de provocação das sociais à nossa esquerda.

Aquela noite não terminou.

...

2012, mês de julho, dia 11.

Estamos de volta ao Couto Pereira. O time é praticamente o mesmo, feitas algumas ressalvas e descontada a ausência do grande ídolo recente. O técnico também é o mesmo. Até a incompetência de nossos dirigentes é igual. Só a torcida não é a mesma. Porque dessa vez vamos para responder aos gritos que ficaram sem resposta há pouco mais de um ano. Vamos com o espírito ainda mais armado, com a alma pronta para enfrentar quem pensa ser o que não é. Podemos até voltar para casa ainda mais feridos e com uma derrota pior do que a de um ano atrás, mas lutaremos para, dentro e fora de campo, responder ao que ficou sem resposta.

Vamos com um time destroçado, repleto de desfalques e inferior ao adversário. Vamos quase sem ter em quem depositar nossas esperanças e com um grupo que parece distante do desafio que temos pela frente. Pouco importa; construímos o que somos contra todas as adversidades, e isso nos torna mais fortes.

Da arquibancada, lutaremos juntos. Entraremos em campo com eles. A torcida, a camisa, a história, o peso de ser Palmeiras.

Voltamos ao Couto Pereira, senhores. Voltamos para dar fim a uma noite que não terminou. Voltamos para superar um trauma de 433 dias. Voltamos para expurgar cada um daqueles seis gols. Voltamos para tirar das costas um peso que não deveríamos carregar. Voltamos para recuperar o que nos tiraram naquela noite fria de maio de 2011. Voltamos para conquistar o que é nosso. Voltamos porque deixamos uma dívida naquela cancha - e é preciso pagar essa dívida. Voltamos porque somos Palestra. Está na hora de voltar a ser grande. De seguir em frente. De ser Palmeiras!

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_Entre os quatro mil palmeirenses no Couto Pereira,  nem todos estão assim tão acostumados a decisões desse porte fora de casa. É bom recomendar então que sigam com muito cuidado - o ambiente do lado de fora será bastante hostil - e que estejam preparados para cantar o tempo todo lá dentro. A voz de todos será essencial; pode acontecer de tudo (inclusive o pior) e muito do sucesso do Palmeiras dependerá de nós. Preparem a voz.

_O Couto Pereira, é bom dizer, é um dos estádios mais ameaçadores do Brasil. A torcida do Coritiba faz a diferença, a pressão é enorme (maior do que em muitos estádios que se dizem caldeirões) e iremos enfrentar um verdadeiro inferno. Preparem-se para isso, por favor!

_Abaixo, em foto do Thiago Salata (Lance!), uma visão do nosso setor no Couto Pereira. Ficamos naquele trecho de arquibancada ao fundo e à direita. Os três lances da arquibancada serão nossos. É possível ficar em qualquer um deles, sem distinção:

















_Lembrete importante: não é permitido entrar com "panos" de torcidas organizadas no Couto Pereira. Sim, estaremos em uma cidade que é tão restritiva quanto São Paulo - ou mais até - e isso fica evidente se levarmos em conta essa proibição e também o elitista preço dos ingressos.

_Não esperem nada da PM do Paraná. Melhor dizendo: esperem a pior recepção possível.

_E pensar que a nossa caminhada até Curitiba começou naqueles despretensiosos 3-0 diante do Coruripe em Jundiaí. Falta pouco agora. Vamos pra cima!

_Se me permitem dizer, o vídeo a seguir, do genial Gabriel Santoro, é a perfeita tradução de todo esse amontoado de palavras:

09 julho 2012

Um time aos pedaços

O time vai se despedaçando e parece que chegaremos à decisão em Curitiba já no limite, prontos para mais um último esforço em nome do título que tanta diferença pode fazer em nossas vidas. O catadão que entrou em campo em Campinas nesta noite de domingo foi daquelas coisas deprimentes, soterrado nos 90 minutos não necessariamente pela inexperiente molecada, mas sim pelos experientes ex-titulares, um dos quais responde diretamente pelo placar final. Já a torcida, em número bastante reduzido no Moisés Lucarelli, já fez muito ao encarar um frio sem tamanho e um Palmeiras com a ridícula camisa amarela. E ela precisa estar muito forte para, na devida hora, compensar os desfalques que só fazem acumular. Quarta-feira está chegando, senhores. Que venha logo! E que lutemos até o fim para que todos os problemas fiquem para trás!

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_Em meio ao triste papel desempenhado pela imprensa esportiva (que prefere chamar os torcedores de bandidos a efetivamente apurar o que aconteceu do lado de fora da Arena Barueri na última quinta), eis que surge no Estadão um relato isolado da guerra travada pelos bravos, valorosos e destemidos homens do Choque contra a torcida palmeirense. Porque a verdade é esta, senhores: estamos em guerra contra os "homens da lei". Eles se portam como nossos inimigos, e assim devem ser tratados.

_Obrigado aos amigos Beto Boi, Junior Cabreirão e Diego Zupo pela companhia na viagem até Campinas. Aproveito para pedir desculpas em primeiro lugar pela minha desatenção e depois pela imprudência. Mas foi ela, a imprudência, que acabou nos salvando do pior. Mais uma pro currículo.

_Renda em Campinas: R$ 75.935. Público: 5.271. Ticket médio na casa dos R$ 14. Se o ingresso de arquibancada custava R$ 40 (R$ 20 para estudante), como explicar esses números?

07 julho 2012

Ao San Lorenzo

Sei que isto vai ficar meio deslocado em meio ao que estamos vivendo, mas é que o grande San Lorenzo escapou do descenso no último domingo e então, antes que seja tarde, eu preciso fazer uma breve homenagem a este clube que me fez escrever um dos melhores posts deste ano e de toda a história do blog:
"El día que los hinchas juegan".

Peço que confiram novamente a história toda e depois voltem aqui. Porque a mesma torcida que protagonizou essa mobilização em março deste ano quase teve de conviver com um novo rebaixamento depois de péssima campanha do time. Quase. Mas o San Lorenzo conseguiu uma vitória na última rodada da temporada regulamentar e ganhou o direito de enfrentar o Instituto em dois jogos para seguir na elite. Aí vieram uma vitória em Cordoba por 2-0 e depois este empate aqui no Nuevo Gasómetro:



E ainda tem babaca por aí dizendo que o Brasil é o país do futebol...

06 julho 2012

Mais 90 minutos

















Vencemos!!!

E foi uma vitória gigantesca, precisa, maior do que fizemos por merecer - se é que fizemos. Melhor que seja assim, porque de derrotas injustas, empates tortuosos e magras vitórias já estamos cansados. Nada está ganho, é evidente, mas ao menos construímos "em casa" uma vantagem que nos permite voltar a Curitiba para buscar o que é nosso. E assim faremos, contra tudo e contra todos.

Vejam, palestrinos, que, em situações normais, não teríamos passado ilesos pelos 20 primeiros minutos. Ao menos um gol teríamos sofrido e o resto da história os senhores já sabem. Dessa vez foi diferente, e o pênalti que nos permitiu abrir o placar foi daqueles que tivemos aos montes durante essa mesma Copa do Brasil sem que nenhum fosse marcado. Dessa vez foi! Gol! E sim, a Arena Barueri se fez Palestra Italia por uma noite. Mais até que o próprio Palestra em muitas noites - em especial do lado de fora, porque o pré-jogo foi daquelas coisas inesquecíveis, dignas de Caraibas x Turiassu.

O segundo tempo trouxe um time aguerrido, lutador, como cabe a uma final. O 2-0 foi um achado também, desses que, em situações outras, teria acontecido contra nós e não a nosso favor. Ótimo sinal. Depois disso e da imbecil, inaceitável e injustificável expulsão do camisa 10 (por que sempre o mesmo?), quase todo o time se portou de maneira exemplar, com inteligência até - exceção feita, claro, ao lixo que veste a nossa camisa 8 e que fez o possível e o impossível para estragar a noite. Não conseguiu.

Sendo bem pragmático: sim, devemos comemorar o bom resultado como mandante, mas a noite curitibana promete ser das menos amistosas, e então teremos de lutar ainda mais do que na noite desta quinta-feira. Porque seremos quatro mil a defender a honra palestrina, e o nosso apoio precisará ser ainda mais intenso.

Cada um dos finalistas é o que é e tem o seu lugar na história. E nós vamos buscar fora de casa o que é nosso. Porque aqui é Palmeiras!

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_Jogos em Barueri, torcida apanhando da PM sem motivo algum, o zagueiro-volante imprescindível sendo expulso por tomar um soco na cara, o meia sequestrado, o outro assaltado, o melhor atacante com apendicite no dia da decisão... e eu fico imaginando como deve ser complicado o sofrimento daquele "povo" que se diz tão sofrido...

_Aliás, sobre o ex-rival que virou agência de marketing (das mais toscas) vou escrever depois. Porque temos uma decisão por jogar.

_Um elogio: os trens da CPTM trabalharam até mais tarde nesta madrugada de sexta-feira. O último deixou a estação Jd. Belval à 0h45. Um avanço considerável, e as pessoas de bem puderam voltar para casa depois do jogo. A saída de Barueri também pareceu mais tranquila desta vez, mas eu, que fui de trem, fico sem entender onde conseguiram parar tantos carros se o estacionamento nas ruas próximas foi proibido.

_Proibiram as barraquinhas de pernil e calabresa do lado de fora da Arena Barueri. Se isso continuar nos próximos jogos, eis que terão acabado com a única coisa boa que havia naquele buraco.

_Eu não tive problemas, mas já ouvi relatos terríveis de amigos. Confrontos com a PM, cavalaria, tiros de borracha, aquele ritual todo dos bravos, valorosos e destemidos homens do Choque. Parece que a coisa foi pior do que eu pensava, e então deixo aberto o espaço para os depoimentos.

_Próximos destinos: Campinas/SP e Curitiba/PR.

_Campanha do Palmeiras "em casa" nesta Copa do BR:
5 jogos
4 vitórias
1 empate
12 gols pró
1 gol contra

_O camisa 10 colocou em risco a vitória em Barueri e o título - que não paguemos pelo erro dele daqui a alguns dias. Eu gostaria então de relembrar uma grande conquista obtida com uma vitória por 2 a 0 no jogo de ida: Rio-SP de 1993. Se tivesse sido expulso depois de fazer dois gols, o camisa 10 poderia até reivindicar uma comparação com o incomparável Edmundo. Mas não fez, e eu devo dizer que o Animal era melhor e tinha mais estilo para fazer gols e também para ser expulso. Fiquem com boas lembranças:



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Esta belíssima imagem mostra o quanto a Arena Barueri foi Palestra Italia por uma noite:


05 julho 2012

Por 90 minutos

Serão 90 minutos para esquecer todo o resto. 90 minutos para construir o resultado que pode nos levar ao título na próxima semana. Noite de apoio incondicional do primeiro ao último destes 90 minutos. Tudo pelo Palmeiras, e nada mais importa. Ao contrário de quase todas as decisões recentes, jogamos a primeira em casa para depois decidirmos fora. Acostumamo-nos a esse tipo de situação (para o bem e para o mal), mas agora a situação é outra. Vamos à cancha não para reverter um resultado adverso ou eventualmente administrar uma vantagem, mas para construir o nosso caminho rumo ao título. Em nome disso, é justo e necessário esquecer todo o resto. Cabe a cada um de nós, quase 30 mil que lá estaremos, empurrar o time. Sem parar e sem restrições. Que sejamos a torcida que sempre fomos. Que Scolari seja o comandante Felipão. Que a nossa história entre em campo. Que a Arena Barueri seja como o bom e velho Palestra Italia. E que o Palmeiras que vai a campo esta noite seja o gigante Palmeiras. À batalha! Com a alma e com o coração.

02 julho 2012

Um câncer chamado Rede Globo

















Os jogadores escolheram a final em Barueri e a diretoria acatou. Fizeram isso os muito bem pagos atletas da Sociedade Esportiva Palmeiras por mera mesquinharia preferência pessoal em detrimento do sofrimento imposto à imensa torcida do clube, aquela que paga o salário dos que vão a campo. Decidiram os que não têm qualquer identificação com a história alviverde e os que não enfrentarão dificuldade alguma para lá chegar. Pagaremos a conta todos os que sustentamos o clube para toda a vida.

Ao confirmar a final no buraco de Barueri, a diretoria alviverde disse que tomaria providências para melhorar a vida do palmeirense na ida e na volta do tal estádio. Deixando de lado o fato de isso ser impossível (Vão proibir na Castello carros que não estivessem indo ao jogo? Vão decretar home office para quem mora em Alphaville e adjacências? Vão construir um enorme bolsão de estacionamento nas imediações daquele buraco?), restava o consolo de o jogo acontecer às 21h, permitindo, portanto, que o torcedor fosse e voltasse usando transporte público, no caso o trem da CPTM.

Aí veio a maldita Rede Globo, este câncer do futebol brasileiro, e mudou a partida para 21h50. E fez isso, vejam os senhores, para, conforme noticiado hoje, não transmitir o jogo! Por quê? Porque, como eu já havia antecipado lá atrás, a maldita emissora carioca jamais mexeria em sua grade para transmitir um jogo de futebol. Porque o futebol é secundário para este câncer e então simplesmente colocaram o jogo neste horário abjeto para, dizem, evitar a concorrência com a porra da novela. Um crime!

E crime maior é o fato de nossa diretoria nada fazer contra isso. Crime maior é sujeitar o palmeirense à terrível situação de eventualmente poder chegar à cancha, mas não conseguir voltar. Crime maior é impedir que as pessoas consigam voltar para casa usando transporte público. Crime maior é prejudicar gente que, ao contrário dos dirigentes do clube, precisa trabalhar para ganhar a vida.

Disseram que fariam algo para impedir o caos.

Nada fizeram. Permitiram que a Rede Globo mudasse o horário do jogo mesmo sem transmissão pela TV aberta. E agora, como já virou costume, assistem, impávidos, inertes e calados, ao torcedor palmeirense se aproximar de mais uma noite de caos.

A Globo é um câncer, é verdade. Mas a vida pode ser ainda pior quando se tem dirigentes como os da Sociedade Esportiva Palmeiras.

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Leiam também o post do Verdazzo.

01 julho 2012

Vitória essencial

Teremos na próxima quinta-feira 27 mil palmeirenses na Arena Barueri. Desses todos, menos de 10% foram  ao mesmo estádio neste domingo à noite, em uma partida que era mais importante para o Palmeiras do que se poderia supor. E perderam, todos esses, uma grande vitória do alviverde.

Isso posto, devo dizer que a vitória sobre o Figueirense foi grandiosa e fundamental para nosso objetivo neste Campeonato Brasileiro - que consiste em alcançar os 45 pontos que nos livram do pior em dezembro. Foi uma vitória grandiosa porque obtida contra um adversário direto na luta contra o descenso, com time misto, em situação um tanto adversa, de virada e com elenco e torcida dispersos, com o foco todo na partida da próxima quinta. Querem mais? Pois vejam abaixo o retrospecto do Palmeiras como mandante nos jogos contra o clube catarinense:

2004 - Palmeiras 0-0 Figueirense/SC - Palestra
2005 - Palmeiras 2-2 Figueirense/SC - Palestra
2006 - Palmeiras 1-1 Figueirense/SC - Palestra
2007 - Palmeiras 2-1 Figueirense/SC - Palestra
2008 - Palmeiras 1-1 Figueirense/SC - Palestra
2011 - Palmeiras 1-2 Figueirense/SC - Canindé
2012 - Palmeiras 3-1 Figueirense/SC - Arena Barueri

Não importa a situação ou o local, todos os jogos foram complicados, chatos mesmo, e o time catarinense parece ser um daqueles azarões que nos incomodam de tempos em tempos. Até por isso a vitória deste domingo deve ser enaltecida. É essencial para as próximas 31 longas, extenuantes e intermináveis rodadas deste Campeonato Brasileiro de pontos corridos e também para garantir a tranquilidade necessária para os jogos decisivos desta e da outra semana.

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_2.580 pagantes. Foi o pior público do Palmeiras na Arena Barueri (em 19 jogos). E foi também o pior público do Palmeiras em um jogo como mandante pelo Campeonato Brasileiro desde a noite de 4 de outubro de 2000 (Palmeiras 2-1 Coritiba/PR, 1.120 pagantes, parte de um campeonato que teve a pior média de público das últimas décadas). E por mais que exista aí um pouco do componente que se insinua no primeiro parágrafo deste texto, os senhores que dirigem o Palmeiras têm total responsabilidade nisso, uma vez que insistem em levar o Palmeiras para o buraco de Barueri.

_Procede a informação de que a Linha 8 - Diamante da CPTM ficou fechada neste domingo de novo?

_Se as pessoas não conseguem ir e voltar de um estádio utilizando transporte público, então este local não pode receber jogos de futebol.

_Um lugar que dificulta tanto a vida das pessoas (pedágio, sem transporte público) não pode ser a casa de ninguém.

_Onde estavam os outros 90%? O que fizeram durante o jogo? Notem, por favor, que pergunto não para uma pessoa específica (cada um tem os seus motivos, as suas dificuldades e as suas prioridades), mas o fato de o Palmeiras levar ao estádio um público assim tão pequeno justifica o inconformismo. Não importa a situação de uma ou outra pessoa, mas sim a "massa" que não apareceu em Barueri.

_Se o jogo acontecesse no Barueri, com transporte público à vontade, teríamos um público na casa dos 7 mil pagantes.

_Este blog não trata de jogadores, mas vou abrir uma exceção para registrar que o camisa 9 teve mais uma atuação monstruosa.