06 dezembro 2012

Pela honra

Se este blog está sendo pouco atualizado de dois meses para cá - e está, eu sei! -, isso nada tem a ver com o rebaixamento. Se estivesse o Palmeiras brigando pelo título ou em qualquer outra colocação, o ritmo seria mais ou menos esse, porque há motivos de ordem pessoal que me levaram a isso. Pois bem, se não poderia deixar de ir ao estádio (encerrei o ano mais uma vez com 100% de comparecimento nos jogos em casa e com 15 viagens pelo Brasil), o jeito foi abrir mão do blog por esse pequeno período de tempo. As coisas voltam ao normal em 2013, mas hoje o meu grande amigo (e padrinho) Felipe Giocondo, nobre cidadão que deveria manter o blog que criou há alguns anos, disparou um texto mais do que necessário no Facebook. Como estamos em guerra constante com a corja que procura se apoderar do futebol, cabe a mim reproduzir o texto na íntegra:

A cada dia cria-se um afastamento ainda maior entre o futebol e seus torcedores incondicionais - que, frise-se, são aqueles que mantém e sustentam a paixão por gerações. 

De um lado, nossos dirigentes. De clubes, federações, seja o que for, apoiados em ideias retrógradas e interesseiras, colocando seus interesses pessoais e seus preconceitos acima de qualquer tentativa de termos algo minimamente digno ao torcedor. 

Caminhando de mãos dadas, boa parte da imprensa esportiva. Higienista, capitaneada por personagens quase folclóricos como Kfouris, Trajanos e Prados. A estes cabe a tarefa de repudiar, criticar, exigir e em momentos de êxtase tomar sua opinião (que de tão relevantes só podem ser obra do intestino) como se fosse a do tal povo, esse brasileiro sofrido que eles sequer conhecem. 

Feita a introdução, vejam abaixo como se comporta um dirigente esportivo quando confrontado com uma situação delicada, que necessitava de uma ação inteligente e consequente, jamais um desabafo preconceituoso e generalista. 

E aguardem as cenas dos próximos capítulos, que serão vomitadas como se fossem um clamor público por indivíduos como os que citei acima. 

Vale apenas a lembrança de que, sem este torcedor que aguenta tudo (leia-se dirigentes e times vexatórios), não há futebol, pois a massa consumidora a quem se quer vender o espetáculo não troca o conforto da sua imagem HD pelos jogos horripilantes às 22:00 em um dia de semana, fruto justamente da emissora que sonha em acabar com o público nos estádios.

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O diretor do departamento técnico do Futsal para menores da FPFS (Federação Paulista de Futsal), João Francisco Augusto, em contato com a reportagem, não confirmou a provocação do corintiano, e repudiou a atitude da torcida do Palmeiras. 

“Sinceramente, se o rapaz fizesse alguma provocação ele morreria, tal era a ira da torcida do Palmeiras no ginásio. Aliás, torcida organizada em jogo de futsal sou contra. Para mim são todos bandidos”, esbravejou o dirigente. 

http://esporte.uol.com.br/futsal/ultimas-noticias/2012/12/06/torcida-do-palmeiras-acusa-provocacao-e-tenta-agredir-jogador-de-futsal-do-corinthians.htm

por Felipe Giocondo

19 novembro 2012

Avanti!

















Notícia haverá quando uma torcida resolver abandonar o time em caso de queda. Não se poderia esperar da massa alviverde nada diferente de apoio incondicional e reforço do sentimento de palestrinidade. Porque, sejamos sinceros, o rebaixamento foi merecido (os números são contundentes) e só o que temos como elo entre o gigante Palmeiras e este grupo recém-rebaixado é a torcida. Teríamos também a camisa e o estádio, mas a camisa não entrou em campo no jogo derradeiro (optaram pela aberração amarela que nos desonra) e nossa casa está sendo reconstruída.

Não se envergonhem, palestrinos. Não há porquê. Já sentimos antes o gosto amargo da queda e lutamos para voltar ao nosso lugar. Se caímos de novo, é porque a estrutura podre segue intacta, o que implica na nossa entrega não apenas na arquibancada, mas fora dela também, lutando para mudar aquilo tudo que tem feito o gigante Palmeiras deixar de ser o que é aos poucos.

Sim, (nós) caímos. Se fomos campeões ao levar o time nas costas, então fracassamos ao não conseguir evitar o pior. Não que a culpa seja nossa – não é! –, mas caímos juntos. E juntos voltaremos. Como já fizemos há uma década – e das coisas que eu mais me orgulho no futebol é ter ido a simplesmente todos os jogos em casa em 2003, além de encarar muitas – e longas – viagens Brasil afora.

Não há de ser nada. Porque, a bem de verdade, senhores, nada muda. Não muda o sentimento, não muda a grandiosidade da instituição, não muda a nossa dedicação.

Ao contrário dos oportunistas que não sabem o que é a arquibancada (eles têm nas redes sociais o refúgio mais visível e, depois de uma piadinha imbecil sobre o que não entendem, emendam algum comentário sobre o último capítulo da novela, com sua bunda gorda e atrofiada enfiada no sofá), lutamos junto com o time para evitar o pior. No Rio, em Araraquara, em Porto Alegre, em BH, em Campinas, em outras tantas canchas pelo Brasil, onde houver Palmeiras.

E estaremos na arquibancada de novo, dentro de poucos dias.

Por quê?

Eu sinceramente não sei explicar – e nem preciso.
Basta sentir e agir de acordo.

Enquanto alguns seguem na insignificância completa, eu e muitos dos que me leem estamos mais preocupados em garantir o quanto antes o ingresso para o jogo do próximo domingo. Um jogo que não vale nada, sabemos disso. Um jogo que será simbólico da nossa dor. Um jogo que resume bem tudo o que estamos bem enfrentando...

Mas é o Palmeiras que vai a campo, e com ele estaremos.

E, me perdoem a insanidade, já não consigo conter a inquietação para conhecer a tabela da Série B/2013. Saber que a camisa verde vai surgir, imponente, em canchas afastadas e inóspitas me faz querer lutar o quanto antes de novo. E sei que encontrarei muitos de vocês em cada uma dessas trincheiras, de Belém/PA a Chapecó/SC. Juntos, senhores, levaremos o gigante nas costas. E voltaremos.

Não há motivo para vergonha. Somos maiores que tudo e que todos. E assim é porque somos Palmeiras. Temos história. Temos camisa. Temos tradição. Temos alma. E a arquibancada nos fortalece. Enquanto houver Palmeiras, seguiremos.

Enquanto houver arquibancada, seremos mais fortes. E voltaremos. Voltaremos não apenas por voltar, mas para pisar na cabeça de todos os inimigos. Porque aqui é Palmeiras!

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Muitos textos inspirados já foram produzidos desde ontem. Muita gente boa já falou sobre o assunto, e eu procuro aqui dar uma pequena contribuição. Recomendo, no entanto, que leiam gente muito melhor nos links abaixo:

Cartas aos netos palmeirenses (Mauro Beting)

Meus caros f...amigos (Matheus Pichonelli)

Só não culpem a torcida (Conrado Cacace)

Caiu, levanta (Flávio Gomes) (foi para a Portuguesa dele no Paulista deste ano, mas o próprio Flávio Gomes deixou a indicação. E sim, se aplica ao momento)

12 novembro 2012

Anos perdidos

--- Quebrando o silêncio ---

Entre 2001 e 2011, com uma exceção pontual, o palmeirense sempre chegou a esta época ansioso por se despedir de um ano que não deixaria saudades - ou que nem deveria existir. Lutar pelo Palmeiras se tornou um fardo dos mais pesados, muito porque os inimigos de dentro são ainda mais rasteiros e nocivos. Seguimos lutando, ano após ano, com a inevitável sensação de que todo esforço é pouco enquanto o mundo for habitado por tirones, frizzos e piracis.

2012 se despede com um gosto ainda mais amargo, porque ao absoluto desalento se soma o sentimento de ter algo muito precioso tomado à força por esses ratos malditos.

Contra tudo e contra todos, buscamos na primeira metade do ano um título tão improvável quanto heroico. E agora, pouquíssimos meses depois, nossa conquista é saqueada por essa corja.

O Palmeiras, eu já disse, tinha sido irreversivelmente rebaixado em 11 de outubro, ao perder "em casa" para o mesmo Coritiba contra o qual triunfara bravamente apenas três meses antes. Foi uma derrota emblemática, pela forma como aconteceu, pelas circunstâncias, pelo estádio, pelas coincidências...

Todo o resto, senhores, veio apenas para machucar mais um pouco a alma palestrina. Entendo a esperança que tomava conta de parte da torcida, mas bastava um mínimo de vivência em estádios para se ter consciência de que o rebaixamento já tinha sido decretado na fria noite de Araraquara.

2012 em três atos:
11/07, Curitiba/PR. A glória.
11/10, Araraquara/SP. A dor do rebaixamento.
11/11, Presidente Prudente/MS. A humilhação.

Quis o destino que o descenso fosse praticamente consumado, mesmo para os mais iludidos, no vilarejo que é símbolo da gestão Tirone/Frizzo/Piraci. A opção pelo fim de mundo representa o pensamento que levou o clube de milhões a esta situação deplorável. Chegamos ao rebaixamento porque, entre outros motivos, foram muitos os erros na hora de definir uma "casa".

No vilarejo perdido do Pantanal, o Palmeiras passou por uma humilhação sem precedentes. Não apenas ficou a frações de um rebaixamento que já era sabido há um mês; foi ainda mero figurante na comemoração do título de um adversário desprezível.

O campeão invicto da Copa do Brasil entregou, exatos quatro meses depois, com sua 20ª derrota em 35 jogos, o título brasileiro para um adversário que há não muito tempo vivia de uma única e solitária conquista nacional. É a porra do Fluminense, senhores!

Os papéis se inverteram, e a torcida do gigante Palmeiras vive uma rotina antes inimaginável, tanto quanto a vivida por aquela gente afetada da zona sul do Rio.

É o sintoma mais evidente do ponto a que chegamos depois de tanto tempo jogado no lixo...

Perdemos quase todos os anos entre 2001 e 2011. Perdemos 2012 - e com ele perdemos também 2013, que sequer teve o direito de começar. Perdemos mais de uma década, e logo uma em que o futebol mudou como nunca antes, ganhando agora outra perspectiva. É uma década em que todos os nossos principais rivais cresceram muito, e a distância para eles só fez aumentar.

Cresceram os rivais dentro e fora de campo. Ganharam títulos até não mais poder. Ganharam dinheiro. Ganharam relevância. Ganharam projeção política. Ganharam em profissionalismo, em gestão, em tudo aquilo que, se bem usado, faz um clube crescer sem perder sua essência - embora alguns prefiram abrir mão da sua.

O Palmeiras não apenas deixou de ganhar. O Palmeiras regrediu. Isso já aconteceu antes, lá pelos anos 1980, mas então o mundo era outro e foi fácil recuperar terreno.

Seus rivais caminharam para as décadas seguintes, e o Palmeiras voltou para os anos 1980. O Palmeiras se apequenou. O Palmeiras se corroeu por dentro, com a sua torcida, marginalizada por uma meia dúzia de crápulas, lutando do lado de fora dos portões do Palestra Italia, por vezes com as armas erradas.

Sinceramente, não sei o que será do Palmeiras. Só sei dizer que continuaremos. Sei que estaremos sempre ao lado dele. Lutando. Persistindo. Errando até. Mas tentando. Virão a Série B novamente, a Arena Palestra, o centenário, um novo século. A sensação agora é de defender as cores de um clube que é grande apenas pela história e pela camisa, mas é pequeno no pensar e no fazer. À torcida compete a tarefa de levar o gigante ao caminho certo. De novo.


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Este quase um mês sem escrever no blog foi essencial para preservar minha sanidade mental. Boa parte da torcida perdeu o controle em meio à ilusão de que haveria saída depois de 11 de outubro. Nunca se deve desistir de lutar, e isso eu não farei nunca, mas o mais importante era guardar energias para o que realmente importa: voltar em 2013. Precisamos centrar esforços no que está por vir. Será uma batalha longa e inglória, mas somente nós podemos fazer as coisas voltarem ao devido lugar. Guardemos energia para isso, portanto.

Agradeço a todos pelas mensagens recebidas durante esse período em outras redes sociais, por email, pessoalmente até. Entendo os pedidos para voltar a escrever, mas realmente não seria saudável.

Este post cumpre o objetivo de formalizar algumas questões que ficaram pendentes e encerra o ano muito antes da hora.

Forza, palestrinos! 2013 será um longo ano e a torcida terá papel imprescindível para superarmos todos os desafios. A começar pelos inimigos internos.

22 outubro 2012

Mais um do Galuppo

Lançamento do novo livro do grande Fernando Galuppo. Hoje (22/10), a partir das 19h, na Fnac da Av. Paulista (em frente à Cásper Líbero/Gazeta). Em comemoração aos 70 anos da Arrancada Heróica.




15 outubro 2012

Em pé

2012, julho, 11, Curitiba. Veio o tão esperado título, e meu irmão não estava por perto na arquibancada. Na confusão toda de 7 mil amontoados no espaço que comportava 4 mil, acabamos nos perdendo, e ele ficou em outro canto e no anel superior. O abraço de comemoração ficou para depois do jogo, nas ruas atrás do setor visitante do Couto Pereira.

2012, outubro, 11, Araraquara. O clima era ruim desde o apito inicial. Aliás, desde que se anunciou o local, pois aquele estádio, do jeito que foi erguido, não poderia mesmo deixar boas lembranças. Dessa feita, transcorridos três meses, meu irmão estava ao meu lado.

A bem da verdade, eu havia chegado já com a bola rolando, 10 minutos passados, mais de cinco horas de estrada depois do início da viagem. Para ele, a coisa foi ainda pior, chegando ao estádio no intervalo e 'perdendo' a completa nulidade que foi o primeiro tempo.

Sobrevivemos à etapa final juntos, em pé e na arquibancada - onde mais poderia ser? Pois foi assim, juntos, que vibramos com o título da Copa do Brasil de 14 anos atrás. Foi assim que comemoramos todas as vitórias que nos levaram à Libertadores. E também ao Paulista e a todas as grandes classificações que, ao final, não levaram a lugar algum. E foi assim também que vivemos juntos fracassos tão improváveis quanto retumbantes.

Dividindo a arquibancada acompanhamos vitórias grandiosas e derrotas vexatórias, sem distinção na nossa conduta e em canchas as mais diversas Brasil afora. Sempre juntos.

Para mim, para ele e para boa parte dos que estivemos em Araraquara na última quinta, ficou um sabor muito amargo, de uma derrota que, além de humilhante, foi mais definitiva do que muitas outras que foram mesmo definitivas.

Sim, o Palmeiras está rebaixado - e já estava desde o vexame em Araraquara. De novo, o que torna a situação toda ainda mais incrível, incompreensível e inaceitável. Foi rebaixado o gigante Palmeiras porque uma meia dúzia de criaturas desprezíveis se esforçou para que isso acontecesse. Caiu por uma somatória de circunstâncias, mas, para efeito de registro histórico, a queda será ilustrado pelo grotesco lance que levou ao gol único da noite de 11 de outubro de 2012.

(Outubro ainda. Muito cedo para que se pudesse decretar a morte de um gigante. Mas assim aconteceu...)

Consumada a sequência de falhas, nem era mais necessário ver todo o resto. A cobrança viria apenas como tiro de misericórdia, colocando um ponto final naquela caminhada trôpega e encerrando um triste capítulo de uma história gloriosa.

Nem bem o juiz apitou, dei um abraço tão apertado quanto sentido no meu irmão. Eu não disse nada. Ele tampouco. O silêncio se encarregou de dizer tudo o que precisava ser dito.

Talvez ele não tenha se dado conta, mas aquele foi o meu jeito de pedir desculpas. Porque, certo ou errado, me sinto responsável por tê-lo influenciado e por tê-lo transformado em uma figura como eu, tão obstinada quanto é possível ser. E as cinco horas da viagem que se seguiu à noite de Araraquara, dirigindo por entre estradas desconhecidas do interior paulista, foi das mais sofridas e angustiantes.

Mesmo com isso tudo, sei que ele, tanto quanto eu, se tivesse agora a oportunidade de voltar no tempo para fazer algo diferente, faria tudo igual. Porque, senhores, a dor é enorme, mas ela certamente não é maior que o sentimento de ter lutado em todas as canchas por onde esteve o Palmeiras.

É isso que nos diferencia e nos permite agora continuar em pé, de preferência para pisar na cabeça dos imbecis que, sem viver o futebol, querem fazer graça com o que não entendem.

Se é para cair, que seja ao lado do Palmeiras. Como fizemos também em 2002. Juntos, no cimento da arquibancada, em pé e lutando. Assim voltaremos.

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_Tirone, Frizzo, Piraci e todos os responsáveis por terem feito as coisas chegarem até aqui: vocês vão pagar muito caro por isso tudo... Fiquem com o ódio de todos os milhões que fazem ser o Palmeiras ser o que é. Malditos sejam vocês e toda a corja.

_A despedida de Marcos não pode ser tomada como um evento para arrecadar migalhas - como está sendo. E, mais que isso, os responsáveis pela organização devem levar em conta a conjuntura da semana para a qual está sendo programado o jogo. Um ídolo histórico merece uma despedida à altura, com o povo e, de preferência, sem o peso de tudo o que está acontecendo agora. Reparem na data escolhida e no que deve acontecer no dia. Respeitem ao menos a história de um ídolo, seus putos!

_Antes que me perguntem sobre o estádio de Araraquara, recomendo o post do Conrado sobre o jogo em questão. Ali está parte do que eu escrevi sobre a nada simpática Arena da Fonte. Já tinha ido lá em 2010, naquele Palmeiras 0-2 Atlético/MG e tinha sérias dúvidas sobre como seria um jogo ali com público um pouco maior. Foi bem ruim, e o clima proporcionado pelo estádio não é nada favorável.

_Ir ao estádio de agora por diante já será um peso muito grande e então eu informo aos leitores que este blog ficará sem atualização até janeiro de 2013.

10 outubro 2012

10 finais. Ou uma só

11 de julho, Coritiba x Palmeiras, final da Copa do Brasil.

11 de outubro, Palmeiras x Coritiba, rodada 29 do Brasileirão.

Exatos três meses a separar duas decisões. Tanta coisa mudou em tão pouco tempo, e fica difícil entender a trajetória entre esses dois momentos tão distintos. Do êxtase ao desespero. De um título arrancado por uma torcida que levou nas costas um time em decomposição à sensação de ser soterrado por números que já se fazem quase intransponíveis.

Aqui estamos. Temos 10 finais pela frente, mas a verdade é que nenhuma dessas decisões é tão importante quanto a próxima. Por uma dessas ironias do destino, enfrentamos logo o adversário contra o qual pensávamos ter exorcizado todos os fantasmas de anos recentes. Que nada. Eles voltaram. E nós voltamos. Não necessariamente àquele 2009 que parecia ter chegado ao fim na noite fria de 11 de julho de 2012, mas talvez a um ano ainda pior.

A batalha que temos em Araraquara é de suma importância. A cancha que nos recebe está longe de ser a ideal. Mas é o que temos. O time é ainda pior. Mas é também o que temos. Vamos com isso, pois. Devemos lutar. Até porque, senhores, se a vitória não vier, então provavelmente de nada adiantarão as nove decisões seguintes.

Se vencermos, nada estará ganho - e o pior é saber que as "finais" se sucederão até o fim do ano, sem trégua. Mas é o passo fundamental de uma árdua caminhada. Que a alma palestrina se faça presente em Araraquara e depois em outros campos de batalha.

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_Sigo amanhã para Araraquara junto com outros tantos palestrinos que, apesar dos pesares, persistem na luta para evitar o pior. Aí já emendo uma viagem na outra, e então é muito provável que o próximo post do blog venha apenas na próxima semana. Até lá.

_À direção do Palmeiras:
O que mais vocês vão esperar para entrar com efeito suspensivo ou com pedido de novo julgamento para reverter a perda de quatro mandos de campo? Será que não perceberam qual é o efeito de jogarmos no Pacaembu com 30 mil e todo aquele ambiente favorável?

07 outubro 2012

O tamanho de um erro

Incontáveis são as falhas cometidas em 90 minutos por aqueles que vão a campo. Quase todas acabam se diluindo em meio aos desacertos seguintes ou a circunstâncias outras. Quanto muito, um desses tantos erros fica marcado para sempre, determinando a história de um jogo ou mesmo de um campeonato. Ainda assim, será involuntário e acidental, definido em uma fração de segundos.

O erro cometido pelo técnico que dirigiu o Palmeiras neste clássico contra o SPFW, no entanto, é daqueles que se cometem de maneira consciente, uma vez que pensado durante toda a semana e perpetuado por longos, torturantes e irreversíveis 45 minutos. Era mais do que evidente que não se poderia armar um time do jeito como ele armou - menos ainda contra o adversário em questão.

As consequências já eram previsíveis desde a hora em que ouvi alguém anunciar a grotesca escalação na rampa de acesso ao Jd. Leonor. Ficou pior com a bola rolando, e 15 minutos de jogo bastaram para evidenciar o que estava por vir. Era hora de corrigir a deficiência que ele próprio inventou, mas o técnico preferiu a omissão. Manteve aquela situação insustentável, assistiu ao time levar dois gols e então já era tarde demais.

Sim, a derrota poderia vir mesmo com um time bem escalado - porque a bicharada teve uma tarde das mais inspiradas -, mas, na situação em que está o Palmeiras, o técnico não tinha o direito de fazer experiências logo em um clássico como este.

Dói, eu sei. Mas agora devemos pensar no jogo ainda mais decisivo da próxima quinta-feira. Vamos a Araraquara, senhores!

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Sei que não é o caso de ficar revirando o passado, mas uma reflexão de ordem conjuntural se faz necessária. Aliás, dois pontos para uma única reflexão. Vamos lá:

1. Se levarmos em conta também a Portuguesa, o Palmeiras disputou neste Brasileirão sete clássicos até o momento - falta apenas mais um, contra o Santos na última rodada. Foram dois empates e cinco derrotas - ou dois pontos em 21. É o pior desempenho de toda a história do clube. Reflitam sobre isso.

2. Com exceções pontuais (Paulista/2008 e Copa do BR/2012), o Palmeiras mostra desde 2002 (ano do rebaixamento) suas deficiências e a a fraqueza de ordem estrutural exatamente em partidas eliminatórias ou em clássicos e duelos contra outros grandes. Porque o time pode até se sair bem em jogos intermediários, mas sucumbe quando dele se espera algo mais. Os números estão aí para comprovar isso que digo, e nada pode ser mais vergonhoso do que o tabu de 11 anos sem vitórias contra os bichas no Jd. Leonor. Depois daqueles 4 a 2 do gol do Alex, foram mais 19 jogos, com 7 empates e 12 derrotas. Um vexame:

21.04.2002 SPFW 1-1 Palmeiras - 29.467 - Rio-SP
27.04.2002 Palmeiras 2-2 SPFW - 24.124 - Rio-SP
02.10.2004 SPFW 2-1 Palmeiras - 12.501 - Brasileiro
20.02.2005 Palmeiras 0-3 SPFW - 36.832 - Paulista
25.05.2005 SPFW 2-0 Palmeiras - 60.343 - Libertadores
04.08.2005 SPFW 3-3 Palmeiras - 14.810 - Brasileiro
05.02.2006 SPFW 4-2 Palmeiras - 30.970 - Paulista
03.05.2006 SPFW 2-1 Palmeiras - 55.080 - Libertadores
24.05.2006 SPFW 4-1 Palmeiras - 7.861 - Brasileiro
01.04.2007 SPFW 3-1 Palmeiras - 25.936 - Paulista
27.05.2007 SPFW 0-0 Palmeiras - 20.873 - Brasileiro
13.04.2008 SPFW 2-1 Palmeiras - 37.203 - Paulista
13.07.2008 SPFW 2-1 Palmeiras - 22.235 - Brasileiro
28.03.2009 SPFW 1-0 Palmeiras - 18.289 - Paulista
30.08.2009 SPFW 0-0 Palmeiras - 41.083 - Brasileiro
26.05.2010 SPFW 1-0 Palmeiras - 15.522 - Brasileiro
28.02.2011 SPFW 1-1 Palmeiras - 26.238 - Paulista
21.08.2011 SPFW 1-1 Palmeiras - 16.813 - Brasileiro
06.10.2012 SPFW 3-0 Palmeiras - 34.941 - Brasileiro

Estive em todos os 19 jogos acima citados - e em todos os demais desde os anos 90 - e a impressão de quem viveu tão intensamente todos esses confrontos da última década é que, aconteça o que acontecer, a vitória não virá. Seja por chegarmos quase sempre com um time tecnicamente inferior, seja porque a sorte raramente nos acompanha nesse tipo de embate, seja porque a arbitragem é sempre um enorme empecilho. Nada disso, no entanto, é capaz de explicar uma sequência de sete empates e 12 em um período tão longo.

Por mais que haja elementos que se repetem de maneira insistente nessa longa trajetória (é um turno inteiro do Brasileiro, porra!), a chave para entender tamanho fracasso é conjuntural - e os senhores sabem bem do que se trata.

Além dos encontros no Jd. Leonor, Palmeiras e SPFW se enfrentaram outras 18 vezes desde 20 de março de 2002 - quase sempre com mando alviverde. Foram sete vitórias, sete empates e quatro derrotas. Levamos vantagem, é verdade, mas é uma vantagem menor do que a necessária para quem joga "em casa" e insuficiente para compensar o terrível retrospecto no Jd. Leonor. Vamos à lista:

19.05.2002 Palmeiras 0-2 SPFW - Anacleto Campanella - 5.839
22.05.2002 SPFW 2-2 Palmeiras - Canindé - 6.710
02.10.2002 Palmeiras 1-1 SPFW - Pacaembu - 24.780
27.06.2004 Palmeiras 2-1 SPFW - Pacaembu - 12.523
18.05.2005 Palmeiras 0-1 SPFW - Palestra - 18.947
12.11.2005 Palmeiras 2-1 SPFW - Pacaembu - 5.252
26.04.2006 Palmeiras 1-1 SPFW - Palestra - 18.621
24.09.2006 Palmeiras 3-1 SPFW - Prudentão - 20.839
29.08.2007 Palmeiras 0-1 SPFW - Palestra - 16.124
16.03.2008 Palmeiras 4-1 SPFW - Santa Cruz - 28.422
20.04.2008 Palmeiras 2-0 SPFW - Palestra - 27.680
19.10.2008 Palmeiras 2-2 SPFW - Palestra - 26.676
24.05.2009 Palmeiras 0-0 SPFW - Palestra - 12.000
21.02.2010 Palmeiras 2-0 SPFW - Palestra - 13.590
19.09.2010 Palmeiras 0-2 SPFW - Pacaembu - 15.011
27.11.2011 Palmeiras 1-0 SPFW - Pacaembu - 18.364
26.02.2012 Palmeiras 3-3 SPFW - Prudentão - 19.161
15.07.2012 Palmeiras 1-1 SPFW - Arena Barueri - 8.374

Como se vê, foram sete estádios diferentes para apenas 18 jogos, e isso é também sintomático do estágio a que chegamos - em especial as opções por Ribeirão, Prudente e Barueri.

Ao final, somados os jogos "em casa" e fora, temos um cenário que em nada combina com um clássico: apenas sete vitórias conquistadas em 37 jogos, contra 16 triunfos dos bichas e outros 14 empates. E é exatamente por isso que perdemos na década passada uma longa supremacia histórica, que já completava 70 anos.

Que a democracia nos devolva o gigante Palmeiras e aí haveremos de recuperar o que os velhos malditos nos tomaram.

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Do Painel FC de sábado, 06.10.2012:

Outro lado... A escalação de Paulo César de Oliveira para o clássico de hoje expôs não só a falta de articulação política do Palmeiras com a CBF mas também a força que o árbitro tem nos bastidores.

...da moeda. Ao conseguir voltar a atuar em um jogo do Palmeiras -num clássico contra o São Paulo-, Oliveira demonstrou poder perante à cartolagem. Segundo amigos, o juiz tem anseios de fazer uma carreira política dentro da arbitragem brasileira. 


Em alta. O árbitro desfruta de prestígio dentro da Federação Paulista de Futebol.

03 outubro 2012

Os princípios da arquibancada

"A arquibancada tem seus códigos. Eles devem ser respeitados."

Escrevi isso algumas vezes no Twitter e no Facebook e a mensagem, sutil, foi compreendida pelo público que interessa, por aqueles todos que somos da arquibancada. É hora de avançar um pouco no debate, colocando a argumentação de quem, por pertencermos à arquibancada, somos os efetivamente habilitados a tecer algum tipo de comentário sobre eventos recentes.

Como a hipocrisia, o discurso politicamente correto e o falso moralismo não têm espaço por aqui, é o caso de, em oposição a tudo o que vem sendo dito por aí, colocar as coisas sob outra perspectiva.

Vou começar ampliando o alcance do conceito lá do alto. A verdade é que todo lugar tem lá os seus códigos e regras de conduta. Alguns são explícitos, documentados, com manual de boas práticas e tudo mais, enquanto outros são apenas consensuais, empíricos até, condicionados à experiência adquirida no ambiente.

Para fazer parte, digamos, de um grupo, você precisa ao menos entender quais são as regras e os procedimentos que ali imperam. E é preciso respeitar os legítimos ocupantes daquele espaço.

Não queiram, por favor, tratar o futebol como instrumento recreativo, como passatempo ou como entretenimento. O futebol não é nada disso. O futebol é cultura popular, é paixão, é razão de viver. Quem equipara o futebol a atividades menos importantes está desrespeitando a essência e a história do esporte. Tais pessoas não merecem de volta o respeito daqueles que efetivamente vivemos o futebol como o que ele é.

Que me perdoem os puritanos e todos aqueles que sabem apenas reproduzir o discurso que se pretende sensato, mas a verdade mesmo é que a arquibancada tem lá seus princípios, e muitos deles provavelmente vão de encontro (e não ao encontro, notem a sutil diferença) ao que se convencionou chamar, como é mesmo a palavra?, civilidade. E é bom que seja assim.

Mal sabem os ditos especialistas que o futebol nada tem a ver com civilidade. Mal sabem que a essência do esporte é totalmente outra. Pobres coitados. Li muita merda esses dias todos, e impressiona notar a semelhança entre os discursos, as palavras repetidas até, a aparente incapacidade de refletir e de compreender que toda ação leva a reações normalmente proporcionais.

Querem opinar sobre o que se passa na arquibancada? Que a frequentem, pois. Se não for assim, que deixem, por favor, o futebol para quem o vive de verdade. Não encham o saco e façam bom proveito do discurso civilizado na frente da TV.

E isso, senhores, é tudo que precisa ser dito. A arquibancada tem lá seus códigos e seus princípios. Eles devem ser respeitados.

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Um comentário pontual: no meio de toda a imbecilidade que virou senso comum, ouvi muito babaca por aí falando em "ídolo nacional". Todo o meu desprezo por quem contribuiu para chegarmos até aqui.

Já encomendaram o serviço













Em qualquer país minimamente sério, um elemento como o árbitro designado para apitar o clássico do próximo sábado estaria afastado de suas funções há tempos. A ficha do sujeito é por demais extensa, mas estamos no Brasil e então ele segue na ativa, ressurgindo do esgoto sempre nos momentos mais agudos, pronto para prejudicar o Palmeiras em duelos decisivos.

Vejam, senhores, que o último jogo do alviverde com a presença da criatura foi logo a semifinal do Paulista do ano passado, um serviço encomendado sob medida, conforme descrito em detalhes aqui. Faz quase um ano e meio. Ele veio e ignorou toda a polêmica prévia (porque ali já o tínhamos como inimigo de longa data) para conduzir o jogo da maneira a garantir a vitória - que nem veio - do SCCP. Apenas mais um crime de uma longa trajetória.

Bem antes daquele confronto, no entanto, já apontávamos o longo histórico do elemento nos jogos do Palmeiras. Ninguém faz nada, a diretoria se omite e então caminhamos a passos largos para mais uma tarde de roubo descarado, novamente com a assinatura daquele que tem nos prejudicado há 15 anos.

Não é coincidência o fato de ele ressurgir agora, um ano e meio depois de nos roubar de maneira acintosa em um jogo importante. Não pode haver nome mais apropriado para o serviço sujo.

Talvez não exista pessoa no mundo que odeie mais esta criatura do que eu. Já existe um completo dossiê (elaborado pelo meu grande amigo Fernando Galuppo), mas eu me sinto no dever de relembrar, de maneira aleatória, alguns episódios mais emblemáticos de sua, digamos, turbulenta relação com a Sociedade Esportiva Palmeiras:

2008
O sujeito prejudicou o Palmeiras contra o SPFW não poucas vezes (a primeira delas na semifinal do Rio-SP de 1998), mas nenhuma foi tão clamorosamente absurda quanto o jogo da semifinal do Paulista/2008, com o gol de mão da imperatriz leonor quase colocando em risco o nosso título daquele ano. Confiram o mesmo lance por dois ângulos:


































1999
Palmeiras 4-3 Portuguesa/SP, Palestra Itália, Campeonato Paulista. Os três gols da Portuguesa aconteceram da mesmíssima maneira: em cobranças de pênalti. Eu pergunto aos senhores: que tipo de criatura marca três pênaltis para a Portuguesa contra um grande time?

2010
O jogo (contra o Grêmio Itinerante Barueri de Prudente de Barueri) nem era tão relevante, mas peço que atentem para o gol que o sujeito validou - e para a posição dele em relação ao lance:















2009
Bragantino/SP 2-5 Palmeiras, Marcelo Stéfani, Campeonato Paulista. O pobre diabo chegou ao cúmulo de expulsar São Marcos, alegando agressão do goleiro - e ainda deu pênalti contra o Palmeiras. Um crime não apenas contra o clube, mas contra a carreira do goleiro também. Mesmo com um a menos, o Palmeiras transformou uma derrota por 0-2 em uma goleada histórica. Repito: ele expulsou São Marcos alegando uma agressão. Tirem suas conclusões.

2011
Semifinal do Paulista contra os gambás. Atuação premeditada. Sabedor do clima tenso que pairava em virtude de sua escalação, o sujeito aplicou um amarelo no nosso melhor jogador, o camisa 30, já como credencial. Expulsou o nosso zagueiro em uma bola dividida (decorrente de uma falta não marcada a nosso favor no ataque) e deixou o jogador dos caras em campo. Botou Felipão também para fora. Desestabilizou o time. O Palmeiras foi guerreiro. Saiu na frente mesmo com um a menos, mas levou o empate. Perdeu nos pênaltis.

1997
Palmeiras 2-1 Rio Branco/SP, Palestra Italia, Campeonato Paulista. Primeiro jogo do alviverde com arbitragem do elemento, e ele já deixou o cartão de visitas. O relato completo está aqui, e eu resumiria assim: em um jogo de um time grande (em casa) contra um pequeno, o mandante recebeu sete cartões amarelos e teve três jogadores expulsos. Três jogadores expulsos, incluindo o seu goleiro! O alviverde teve ainda um pênalti não anotado a seu favor. E aí eu pergunto aos senhores: o que esperar de uma criatura que "estreia" como juiz expulsando três jogadores do Palmeiras no seu estádio contra o Rio Branco de Americana?

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São tantos e tão crassos os "erros" cometidos que eu poderia aqui escrever um verdadeiro tratado contra o tal elemento. Não é necessário; os relatos acima são bastante consistentes e evidenciam o que nos espera no próximo sábado.

Mas, claro, os nossos amigos da imprensa esportiva haverão de apelar para o velho argumento de que "os erros acontecem para todos os lados e se anulam no final"...

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Peço desculpas por dedicar o post a este assunto em detrimento do jogo recém-encerrado, mas é que isso acabou virando prioridade - e foi assim mesmo lá no Pacaembu, com a indignação completa e irrestrita de todos os que já sofremos com esse maldito.

Sobre o jogo, boa vitória contra o fraquíssimo Millonarios. Time consistente durante quase todo o jogo, boas jogadas criadas, belos gols e uma vantagem considerável para o jogo da volta - e nem precisamos fazer muito esforço par avançar de fase.

01 outubro 2012

DIRETAS! É HOJE!








É HOJE! A partir das 18h em frente ao CT do Palmeiras. Todos os palmeirenses estão convocados!

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O post do Verdazzo traz uma apresentação completa desta noite.

30 setembro 2012

Ao interior, palestrinos!
















O Pacaembu pulsou como se fosse o bom e velho Palestra - e não há exagero nesta frase, 30 mil almas lá estiveram para atestar o que escrevo agora. A torcida abraçou o time, como já fizera nos jogos anteriores. A massa esqueceu que era sábado à noite, que fazia frio, que a situação inspira cuidados especiais. Ou, melhor dizendo, lembrou desse último detalhe e se fez presente. De corpo e alma. E aí, tanta gente reunida em nome de uma causa, o clima foi propício para uma vitória que nos fortalece para seguirmos "em casa" mesmo no longo exílio que vem pela frente.

A noite de sábado teve um clima também de despedida, de quem sabe que agora será preciso lutar não apenas no estádio dos adversários (Jd. Leonor, Recife, Salvador, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Santos), mas também em nova(s) casa(s) em substituição à cancha municipal. Não vai ser fácil, perdemos um pouco da nossa força, mas lutaremos mesmo assim. Seja lá onde forem os nossos próximos quatro mandos de campo. Viajaremos e lutaremos para voltar para casa com as vitórias que haverão de evitar o pior.

Sim, ainda falta muito - muito mesmo! -, a situação continua terrível, mas devemos continuar abraçando o time. Que as canchas do interior nos recebam bem, que o torcedor de Araraquara (ou das outras possíveis cidades, quaisquer que sejam) faça a sua parte também, e que o time corresponda em campo

Ao interior, palestrinos!

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_Ainda não é hora de pensar em 2013, mas eu gostaria apenas de registrar que uma noite como a de ontem evidencia que temos estádio para disputar a Libertadores que está por vir. Com a casa cheia e com a torcida focada, o Pacaembu pode ser o que o Palestra sempre foi.

_Time completamente reserva na terça, por favor!

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A.C.A.B.

















O grande Gabriel Uchida, responsável pelas duas fotos do post, foi testemunha de mais um massacre cometido pelos bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque contra a torcida do Palmeiras. Como já virou rotina, o Choque desistiu de apenas entrar em confrontos com a organizada; agora, a corporação ataca o torcedor "comum" mesmo, o povão, o sujeito que busca apenas e tão somente incentivar o clube. Mulheres, crianças, famílias, ninguém escapa da fúria dos educados, diligentes e dignos homens que recebem salário às nossas custas. O relato do Uchida deve ser conferido aqui.

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DIRETAS JÁ!

O post entra ao longo da segunda-feira, mas já fica aqui a convocação: a partir das 18h no CT!

26 setembro 2012

O país do futebol?, edição extra

O título do post, vocês verão, nem tem muita relação com o conteúdo. Mas é que às vezes fico a pensar em retomar a série "O país do futebol?", em cartaz neste blog durante todo o ano de 2011, com 40 capítulos devidamente indicados aí na barra lateral. Acontece que falta o tempo necessário para tal empreitada - a ausência de posts tem a ver com isso - e, acredito eu, a mensagem foi transmitida ao longo de "287 vídeos e 12 fotos de 55 países diferentes" (confiram aqui o resumo da série).

Pois bem, a ideia deste post é indicar três materiais completamente distintos, mas todos eles necessários e relevantes para os propósitos deste blog. Enquanto os dois primeiros são mais pontuais, o terceiro é bastante revelador do que estão fazendo com o futebol.

Vamos lá:

-1. Por ocasião da minha maratona de futebol em Buenos Aires, que resultou nesta matéria da Placar e depois neste guia, muita gente não entendeu o que me levou a abrir mão de jogos da primeira divisão para ver uma partida do Nueva Chicago, da terceira. Eu tentei explicar algumas vezes já, inclusive nos capítulos 2 e 26 da série, mas só se entende mesmo depois de conhecer in loco a hinchada de Mataderos. Agora é o caso de recomendar uma situação que não necessariamente diz respeito à torcida, mas sim aos jogadores.

O jogo em questão é Sarmiento 1-0 Nueva Chicago, pela Nacional B, a segunda divisão da Argentina. Um torcedor do Sarmiento invade o campo e, situação comum por lá, tenta tomar uma faixa da torcida visitante. O resto pode ser visto abaixo:

 

Pergunto: alguém aí consegue imaginar os vagabundos jogadores brasileiros fazendo isso?

E já que o tema é Nueva Chicago, me sinto obrigado a compartilhar outro vídeo recente, com os imperdíveis minutos finais de Chacarita 1-1 Nueva Chicago, o duelo que, poucos meses atrás, selou o acesso do clube de Mataderos para a divisão superior:




-2. Não há imagens disponíveis ainda, mas a notícia é esta aqui: "Cerca de mil torcedores do time egípcio Al-Ahly invadiram nesta terça-feira estúdios de televisão situados nos arredores de Cairo para protestar contra comentaristas esportivos que costumam criticá-los.". Sei lá, vou evitar comentários adicionais, mas os leitores mais atentos deste blog sabem bem o que eu penso da situação toda. E, no caso específico do Egito, há um componente político que torna tudo mais complexo.


-3. Hillsborough. Se existe hoje a aberração que conhecemos como "futebol moderno", muito se deve à tragédia ocorrida no estádio de Hillsborough, em Sheffield. 23 anos depois, a fraude veio à tona - e ganhou destaque no mundo todo. Mais não vou escrever, porque houve quem fizesse isso com mais propriedade e competência. Em sendo assim, vou recomendar alguns textos que devem ser lidos por todos aqueles que vivem o futebol de verdade. São estes:

"Fraude no episódio que mudou a face do futebol mundial", por Irlan Simões no blog Outras Palavras

"Hillsborough", texto de Kennet Maxwell na Folha de S.Paulo

"Hillsborough papers: Cameron apology over 'double injustice'" e "Hillsborough disaster and its aftermath", ambos textos muito elucidativos da BBC (em Inglês)

"The full story of Hillsborough may finally be told", de um blog esportivo do The Guardian (também em Inglês)

Enfim, cuidado com o que sai na imprensa esportiva (em especial quando se trata torcidas e estádios). E cuidado com aqueles que querem transformar o futebol em algo que está longe de ser a vocação do esporte popular.

Segue o jogo.

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Créditos: Ivan Bianchin (que me mandou o vídeo do Nueva Chicago), Beto - J.H. Venturini (que me passou o link dos ultras egípcios) e Ademir Castelari e Caio Filardi (que me fizeram parar para indicar aos leitores a indispensável história de Hillsborough).

20 setembro 2012

Há 70 anos...
















70 anos da Arrancada Heróica. Dia histórico, dia do qual devemos nos orgulhar para todo o sempre, dia que sintetiza o espírito guerreiro que nos fez superar tantas e tantas adversidades para transformar o Palestra/Palmeiras em Campeão do Século XX. Dia que nos lembra também do que perdemos ao longo das décadas, com um gigante ficando refém das mentes pequenas de dirigentes que se tornam ainda mais inexpressivos e repugnantes diante da grandiosidade dos homens que, no ano da glória de 1942, fizeram o imortal Palestra Italia escrever a mais bela página da história do futebol brasileiro.

Que o espírito de Adalberto Mendes nos acompanhe! Que o ano de 1942 seja lembrado para todo o sempre! Avanti, Palestra!

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O site do Palmeiras traz um bastante competente relato do que foi a Arrancada Heróica. Confiram lá para entender um pouco melhor o que foram aqueles meses agitados que marcaram a nossa história.

Melhor ainda: se o mercado editorial não é lá muito generoso quando se trata de futebol, eis que os 70 anos da Arrancada Heróica haverão de nos presentear com duas obras imprescindíveis para todo e qualquer palmeirense que se preze.

O primeiro livro é do monstruoso Fernando Galuppo, meu grande amigo e padrinho, abnegado historiador e autor de outros três livros sobre a história do alviverde imponente. Detalhes podem ser encontrados lá no site do Palmeiras (no mesmo link informado acima) e aqui eu deixo uma imagem da capa:

























O segundo livro é de outro renomado palestrino, o Celso de Campos Jr., autor das biografias do eterno São Marcos de Palestra Italia (meus comentários sobre o livro estão aqui) e do não menos imortal Adoniran Barbosa (que é uma verdadeira aula sobre a cultura popular deste país). Para ilustrar o livro do Celso, eis aqui o book trailer:

 

18 setembro 2012

Resistência













Não tenho informações sobre a imagem acima - é daquelas tantas que circulam pelas redes sociais, órfãs de tudo. Não sei de onde é, nem a época, nem o que estava em jogo.  Detalhes, apenas detalhes. O que importa, senhores, é a mensagem. O que importa é a conduta. O que importa é o futebol. E só o futebol!

O dia seguinte ao dérbi ficou marcado pela reação comum aos hipócritas propagadores do discurso pacifista e politicamente correto. Palavras de ordem, as mesmas de sempre, se fizeram ouvir, saídas das bocas de gente que nunca antes colocou os pés em uma arquibancada: "marginais", "vândalos", "lamentável", "não são torcedores...", "bandidos" etc. e tal.

Pois o torcedor de arquibancada lamentaria ver uma torcida sem reação diante de tudo o que estamos vivendo e do que aconteceu.

Não vou aqui entrar em detalhes. Não vou narrar o que vi, o que vivi, o que senti. Não vou também gritar palavras de ordem, não vou fazer análises pontuais de nada, não vou dizer sequer o que penso de certas situações - é melhor assim, acreditem.

Em sua época, o sujeito da foto acima deve ter sido chamado de marginal e o escambau. Pouco importa; ele contribuiu para que o futebol resistisse até hoje. Os críticos de então são os mesmos de agora, e continuam não indo aos estádios. Aí é com a gente.

O discurso pacifista compete aos que não entendem, não vivem e não sentem o futebol. Fiquem com o meu desprezo. Seguimos na luta. Se algo se colocar entre o Palmeiras (ou o futebol como um todo) e nós, faremos a nossa parte. Doa a quem doer.

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Se fiquei o dia todo sem escrever, não foi apenas porque incapaz de produzir um post à altura do blog, mas essencialmente porque a situação exigia um mínimo de ponderação.

Não que tenha sido de alguma valia, mas provavelmente tempo algum será suficiente para apagar o que vivemos não apenas ontem, mas em parte fundamental de todas as outras 14 derrotas que nos atiram na quase irreversível situação atual.

Sei que muitos entraram aqui atrás de alguma palavra de conforto, de algum sinal de esperança, de algo que pudesse ao menos aplacar a dor. Tanta coisa precisa ser dita, mas chegamos a um nível tal de desesperança que já não consigo transformar em palavras o que sentimos. Peço desculpas, mas tudo o que consegui agora foi este desabafo vazio.

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Registro para a posteridade:

















Bem sei que a resolução da foto é baixa, mas o ângulo era privilegiado e só o que faltou foi a câmera do Gabriel Uchida, aquele do Foto Torcida. De novo: vale pela mensagem.

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A imprensa insiste com o argumento habitual, de que "os erros acontecem para todos os lados, e se anulam no final". Sim, sabemos. Haverá ainda uma parcela a dizer que a culpa é das falhas individuais na defesa, da falta de planejamento, da diretoria etc. Sim, é tudo verdade. Mas desconsiderar os erros da arbitragem e buscar motivos outros denota a falta de caráter dos envolvidos. Para uns e outros, canalhas na mesma medida, mais um registro necessário:

























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_De modo geral, parabéns à torcida pela presença no clássico: os quase 25 mil pagantes são um público aceitável considerando a situação toda e a média recente do clássico. Lembro ainda que o jogo do turno, com mando do adversário, teve menos de 18 mil pagantes.

_E, mais do que isso, a torcida apoiou além do esperado.

_Parabéns especial a muitos dos que estivemos no Pacaembu na tarde deste domingo. O futebol vive enquanto certas atitudes continuarem.

_Jogador de futebol é lixo. Quase todos, exceções raríssimas se esvaindo a cada ano que passa. Mas uns são mais lixos que outros e aí já não podemos nem considerá-los seres humanos. Terão o destino que merecem. Cedo ou tarde, mas terão. O futebol e a vida se encarregam disso.

17 setembro 2012

Só para registrar...

... que não vai ter post sobre o que vivemos ontem. Peço desculpas, mas é melhor assim, acreditem. O que tiver de ser feito será feito nos estádios, no clube ou onde mais for necessário.

13 setembro 2012

Com dor no coração

















Dói.

A sensação é a de enterrar parte importante da nossa história para acobertar a completa inaptidão dos dirigentes hoje à frente do clube e a vagabundagem escancarada de quase todo o grupo de jogadores. Talvez nunca consigamos entender exatamente o que ocorreu nos dois meses entre o título invicto da Copa do Brasil e a desolação de um rebaixamento que se concretiza muito antes do que seria possível supor. É fato que Scolari tem lá sua parcela de culpa, seus muitos erros e imperfeições e até mesmo doses exacerbadas de uma teimosia que só fez complicar as coisas, mas dói mesmo assim. Ou talvez por isso mesmo.

A não ser por respeito, admiração e apego sentimental, eu não teria agora como encontrar argumentos que justificassem a manutenção do treinador - uma tentativa de defesa subjetiva seria soterrada por números, decisões e fatos que não são assim tão isolados.

Mas dói. Talvez por constatar que, exceção feita a algumas poucas noites inesquecíveis no Pacaembu, em Porto Alegre, em Barueri e em Curitiba, as coisas não aconteceram como queríamos, gostaríamos e esperávamos. Nós e ele. Dói porque os números estão aí. Dói porque chegamos à situação atual juntos. Dói porque a relação se desgastou além do aceitável.

Dói porque se sacrifica um ídolo em uma vã tentativa de salvar alguns que parecem que não querem ser salvos.

Dói porque ontem, na melancólica e soturna noite que vivemos no estádio de uma das grandes noites felipônicas (21.04.1999), Scolari e Felipão se despediram amargamente do Palmeiras e de sua torcida.

Scolari deixou o campo às turras com parte da torcida em São Januário, vitimado também por seus próprios erros. Felipão, em silêncio, passou em frente aos poucos que lá estivemos e seguiu para nunca mais retornar.

Em meio ao sofrimento de ver o Palmeiras desmoronar, olhei para aquele homem pela última vez com o nosso agasalho. Ele seguiu em frente, sem olhar de volta. E sem volta também.

Dói.

Dadas as circunstâncias todas, sua saída não parece ser exatamente uma opção condenável ou execrável. Mas tende a ser inócua, pois provavelmente atrasada e por não haver margem de manobra para revolucionar um cenário desolador. Vencedores podem virar vagabundos de uma hora para a outra (como aconteceu), mas o contrário não é assim tão simples.

Com a saída de Scolari, apela-se para uma última cartada, para uma tentativa final, desesperada e possivelmente atrasada de evitar uma derrocada que tem se tornado comum na história do Palmeiras.

Com a saída de Felipão, no entanto, perdemos muito da nossa identidade. Perdemos o contato com aquele que era provavelmente o último ídolo possível nesses tempos tão modernos. Perdemos uma referência. Perdemos um escudo. Perdemos um pouco da nossa história. Perdemos muito do que somos.

Ocaso

Segundo tempo, jogo definido. O camisa 45 de verde vem bater o escanteio. Perto da (pequena) torcida visitante. Ninguém é poupado dos xingamentos. Muito menos ele. Cobrança feita. Pelo chão. Bola devolvida. Outro escanteio. De novo o camisa 45. "Quem é esse cara?". Cobrança ainda mais rasteira. Bola afastada. Vergonhoso.

Enquanto assistia a isso tudo já sem conseguir reagir, apoiar ou xingar quem quer que fosse, me dei conta que não havia mais de onde tirar forças. Se passei o primeiro tempo a cantar e incentivar o bando que vestia a nossa camisa, me sinto no dever de confessar que, atônito e sem reconhecer em campo o gigante Palmeiras, assisti ao segundo tempo desabado no alto da arquibancada de São Januário, em uma triste contemplação do cenário:

Em campo, presumo que vimos todos, da arquibancada ou pela TV, o mesmo cenário de caos e desesperança. Entre as quatro linhas e a arquibancada, atrás do gol (como só acontece em São Januário), o treinador que nos levou ao título mais importante da história era ofendido sem qualquer pudor - isso é uma constatação, não um julgamento. Reagia às ofensas sem muita convicção. Caminhava a passos já irreversíveis rumo ao ocaso. Junto - para o bem e para o mal - com o clube que o tem como um ídolo.

O tremular das bandeiras da organizada contrastava com o grito que era entoado sem qualquer distinção contra todos os que estavam no gramado. Uma cena que já vimos tantas e tantas vezes, mas que pareceu ainda mais grave na noite que passou, em se tratando do que se avizinha. Acabamos de completar dois meses do título de uma Copa do Brasil que, de maneira justa, pareceu ser maior do que é.

Dois meses... Do céu ao inferno. O preço que pagamos por esse título parece ser por demais elevado. E injusto. Mas não vejo muito como evitar essa fatura...

Até domingo! Só não sei como...

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Escrevi essas poucas e tortas linhas no ônibus mesmo, em uma viagem do Rio a SP que foi longa como nunca antes: mais que depois de perdermos o título do BR-1997, mais do que nas duas derrotas para Fluminense (0-1, aquele) e Botafogo (1-2) que simbolizam a derrocada do time de 2009, mais do que nos 2-5 para o Flamengo em 2008. Peço desculpas, portanto, se a coisa parecer por demais pessimista, mas não tem como ser diferente.

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_Público pagante em São Januário: 1.996. Público não pagante: 1.908. Público total: 3.904. Gosto do Vasco e tudo, mas não tem como levar isso a sério...

_Querem mais números apocalípticos? Caímos em 2002 com 27 pontos em 25 jogos. Se vencermos o clássico no domingo - se! -, chegaremos a 23 pontos nos mesmos 25 jogos.

11 setembro 2012

Palestra Itália, 1994

Precisamos vencer todos os sete jogos em casa, certo?

Pois bem, em meio ao pessimismo que invariavelmente toma conta de parte da torcida, gostaria de compartilhar um material que pode não servir para efeito de comparativo com a situação atual, mas vale como inspiração para o desafio que está por vir.

1994 foi provavelmente o melhor ano da história do Palmeiras. Não apenas pelos dois campeonatos conquistados de maneira brilhante e porque tínhamos time e elenco inigualáveis, mas porque as campanhas que nos levaram ao Paulista e ao Brasileiro foram repletas de jogos inesquecíveis. E, salvo engano, foi também o ano em que o Palmeiras teve a melhor campanha possível como mandante, fossem os jogos no Palestra ou no Pacaembu. Vejamos:

1994 - jogos oficiais no estádio Palestra Italia

02.02 Palmeiras 5-0 Ponte Preta/SP - 12.897 - Paulista
10.02 Palmeiras 1-1 União São João/SP - 24.215 - Paulista
12.02 Palmeiras 4-0 Portuguesa/SP - 19.737 - Paulista
23.02 Palmeiras 2-0 Novorizontino/SP - 14.410 - Paulista
25.02 Palmeiras 5-2 4 de Julho/PI - 1.297 - Copa do Brasil
02.03 Palmeiras 2-0 Cruzeiro/MG - 5.506 - Libertadores
09.03 Palmeiras 6-1 Boca Juniors/ARG - 18.285 - Libertadores
11.03 Palmeiras 2-0 Santo André/SP - 6.584 - Paulista
15.03 Palmeiras 1-1 Rio Branco/SP - 8.918 - Paulista
01.04 Palmeiras 4-2 Guarani/SP - 21.129 - Paulista
07.04 Palmeiras 4-1 Vélez Sarsfield/ARG - 4.773 - Libertadores
12.04 Palmeiras 6-0 Bragantino/SP - 8.650 - Paulista
14.04 Palmeiras 2-1 Ferroviária/SP - 12.873 - Paulista
17.04 Palmeiras 1-0 América/SP - 30.173 - Paulista
06.05 Palmeiras 3-2 Mogi Mirim/SP - 14.791 - Paulista
08.05 Palmeiras 1-0 Ituano/SP - 27.824 - Paulista
21.05 Palmeiras 1-0 Santos/SP - 4.593 - Torneio Brasil/Italia
22.05 Palmeiras 3-0 Lazio/ITA - 6.074 - Torneio Brasil/Italia
29.05 Palmeiras 1-1 Ceará/CE - 5.316 - Copa do Brasil
09.06 Palmeiras 2-2 La Coruña/ESP - 397 - amistoso
14.08 Palmeiras 4-1 Paraná/PR - 13.530 - Brasileiro
24.08 Palmeiras 5-1 União São João/SP - 6.954 - Brasileiro
27.08 Palmeiras 1-0 Fluminense/RJ - 22.243 - Brasileiro
11.09 Palmeiras 1-0 Internacional/RS - 22.340 - Brasileiro
18.09 Palmeiras 4-1 Náutico/PE - 18.102 - Brasileiro
01.10 Palmeiras 1-0 Ixpót/PE - 21.174 - Brasileiro
08.10 Palmeiras 1-0 Paraná/PR - 19.362 - Brasileiro
19.10 Palmeiras 2-0 Santos/SP - 20.611 - Brasileiro
26.10 Palmeiras 1-0 Botafogo/RJ - 7.441 - Brasileiro
02.11 Palmeiras 0-1 Guarani/SP - 10.587 - Brasileiro
20.11 Palmeiras 3-0 Vasco/RJ - 11.486 - Brasileiro
23.11 Palmeiras 1-1 Internacional/RS - 4.268 - Brasileiro

Campanha no Palestra
32 jogos
26 vitórias
5 empates
1 derrota
80 gols pró (2,5 por jogo)
19 gols contra (0,59 por jogo)
Aproveitamento: 89,06% (a vitória valia dois pontos)

Detalhe: a única derrota (0-1 para o Guarani, gol de Amoroso) não teve consequência alguma, uma vez que o time já estava classificado para a fase decisiva.

Aí virão os mal intencionados dizer que agora não temos mais o Palestra e que o Pacaembu é... (me recuso a reproduzir a tese dos canalhas). Pois o Palmeiras mandou uma série de jogos na cancha municipal, todos clássicos ou jogos decisivos, e então a campanha fica ainda mais sólida se considerarmos estes duelos. Vejamos:

1994 - jogos disputados no Pacaembu (mandante ou visitante)

06.03 Santos/SP 1-4 Palmeiras - 23.528 - Paulista
03.04 Palmeiras 1-1 Santos/SP - 27.796 - Paulista
27.04 Palmeiras 0-0 SPFW/SP - 17.286 - Libertadores
15.05 Palmeiras 2-1 SCCP/SP - 27.788 - Paulista
03.12 Palmeiras 2-1 Bahia/BA - 23.372 - Brasileiro
08.12 Palmeiras 3-1 Guarani/SP - 43.142 - Brasileiro
15.12 SCCP/SP 1-3 Palmeiras - 36.409 - Brasileiro
18.12 Palmeiras 1-1 SCCP/SP - 35.217 - Brasileiro

Campanha no Pacaembu
8 jogos
5 vitórias
3 empates
16 gols pró (2 por jogo)
7 gols contra (0,87 por jogo)
Aproveitamento: 81,20% (a vitória valia dois pontos)

Campanha total (Palestra + Pacaembu)
40 jogos
31 vitórias
8 empates
1 derrota
96 gols pró (2,4 por jogo)
26 gols contra (0,65 por jogo)
Aproveitamento: 81,20% (a vitória valia dois pontos)

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Há ainda três jogos que não entram nesse cômputo, uma vez que disputados por um torneio amistoso, na pré-temporada entre a Copa do Mundo/1994 e o Brasileiro. Um detalhe me leva a não incluir essas partidas na lista: os dois primeiros jogos, em uma sexta-feira à noite, tiveram duração de 45 minutos cada um (20 x 25). Ei-los aqui:

05.08 Palmeiras 3-1 Videoton Parmalat/HUN - n/d - Torneio Parmalat
05.08 Palmeiras 2-0 Audax Italiano/CHI - n/d - Torneio Parmalat
07.08 Palmeiras 1(3)-1 (4) Peñarol/URU - 3.502 - Torneio Parmalat

Se essas partidas entrassem na conta, teríamos uma única derrota em 35 jogos no Palestra ao longo do ano (ou 43 na soma de Palestra e Pacaembu). É notável.

10 setembro 2012

Ainda é só com a gente!

O desespero parece inevitável, eu sei, mas de nada vai adiantar. Temos 15 jogos pela frente (sete em casa e oito fora) e precisamos de algo entre oito e nove vitórias para escapar matematicamente da tragédia. Entendo que a tese defendida pelo Verdazzo é bem consistente: precisamos basicamente vencer todos os jogos no Pacaembu – e mais alguns pontos em outras canchas. De nada adianta agora lamentar mais uma derrota acachapante mesmo jogando bem durante a maior parte do jogo, tampouco os improváveis triunfos daqueles que parecem ser nossos rivais diretos na luta contra o descenso. Adianta, isso sim, lembrar aos senhores que já estão à venda (por R$ 20!) os ingressos para a batalha do próximo domingo. O que fizemos contra o Ixpót/PE não deve ser esquecido. Precisamos manter aquele espírito. Precisamos transformar a cancha municipal em um inferno para todos os times que vierem nos desafiar. Precisamos fazer a diferença dentro de casa – porque está bem difícil fora. Não é hora de desistir. Aliás, nunca é. Seguimos na luta.

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Antes mesmo da batalha de domingo, estarei em São Januário na quarta. Convido todos os demais que tiverem condições de ir até lá para empurrar o Palmeiras, até porque o preço da passagem aérea está bem em conta. Se o Bahia fez o que fez, temos de correr atrás dos mesmos três pontos no Rio. Nada menos que isso interessa.

07 setembro 2012

Missão cumprida (1 de 17)

"Coloquem em um campo de futebol 11 jogadores do Coritiba Ixpót - quaisquer que sejam - e 11 camisas alviverdes com um P no peito, e o Palmeiras não apenas será sempre favorito, como também haverá de prevalecer. Só as camisas em campo, nada mais sendo necessário. Só precisamos delas. Porque de um lado estarão 11 camisas de um gigante e do outro estará um time pequeno de merda."

Basta entrarmos em campo com este espírito e a camisa alviverde haverá de fazer o restante. Assim será mesmo diante de outro grande, e ainda mais quando nos depararmos com um insignificante Ixpót/PE. O Pacaembu viveu nesta quinta-feira, véspera de feriado, uma noite de arrancada sim, mas, acima de tudo, de reencontro. Reencontro de um time com seu torcedor, de um clube com sua gente, de uma camisa com sua vocação. Foi uma noite de resgate, pois começamos a luta para manter o gigante em seu lugar.

O povo se fez presente na cancha municipal. Desde cedo, a metrópole já vivia o clima de decisão fora de hora, inflado por uma torcida que entendeu que era chegado o momento de abraçar o time - e ressalte-se o papel da direção, consciente de que não mais seria possível manter os ingressos com preços tão elevados. Ao contrário de outras decisões, a atmosfera não era de festa ou de expectativa - nem poderia ser. Tampouco se via tensão ou medo no semblante dos quase 30 mil que lá estivemos. Havia, isso sim, uma sede de vingança, de fazer a diferença de fora para dentro, de colocar tudo no devido lugar. 

Tivemos 30 mil vozes e almas nas trincheiras, e qualquer um que viesse a campo seria capaz de sentir o clima favorável. O time veio a campo como deveria vir em todos os jogos: de camisa verde, o P de Palmeiras tomando a dianteira. Nomes de jogadores pouco importavam; a diferença viria na entrega, no espírito de luta, na vontade de fazer tudo diferente.

E assim foi...

...

O time entrou colocando pressão total para cima de um encurralado adversário. Toques rápidos, amplo domínio das ações, à espera de uma jogada inspirada para soltar o grito preso na garganta. Passe pelo meio da zaga. O camisa 21 entra livre. Sai o goleiro. Chute colocado, preciso, certeiro. Ou quase. Caprichosa, a bola beija a trave. Mãos na cabeça, nervosismo, tensão acumulada. Mais uma troca de passes dentro da área adversária. Chute seco, à meia altura. O goleiro se estica e evita o gol. PQP! Falta para os caras. Desvio de cabeça. Defesa providencial. Intervalo. "Um gol, pelo amor de Deus!"

Volta o time. A torcida segue junto. Canta, vibra, quer levar o time nas costas. Vem o tiro de fora da área. O goleiro aceita. Gol! Enfim. Aí o pobre diabo que um dia vestiu a camisa alviverde acerta um chute impossível. Faz graça, pensa que é gente. Volta a ser o lixo que é quase no lance seguinte. Para nova explosão em verde e branco no Pacaembu. Gol! E outro mais viria, para sacramentar a vitória e colocar o Ixpót em seu devido lugar.

...

O time representou, senhores. Entrou em campo com outra disposição, construiu a vitória com enorme solidez, mostrou que temos totais condições de evitar o pior. Mas a vitória de ontem, mais do que tudo, pertence ao palmeirense. Parabéns a todos os que fomos à cancha municipal e jogamos com o time. Parabéns pelo apoio incondicional. A vitória é nossa. E é com esse espírito que devemos seguir lutando para evitar o pior. Avanti!

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_O imbecil que anotou o gol do Ixpót/PE é um dos maiores lixos que já vestiram a camisa do Palmeiras. E continuará sendo assim para todo o sempre.

_Infelizmente não conseguirei estar em BH neste domingo (até por isso já garanti presença no jogo contra o Cruzeiro, no turno). Mas as passagens já estão garantidas para outra batalha importantíssima, na próxima quarta-feira em São Januário. É a Operação Resgate!

_Ingresso garantido também para a guerra do próximo domingo!

06 setembro 2012

Arrancada



Palestrinos,

A parada é com a gente! Não importam os nomes ou mesmo a conduta dos 11 que, ainda que sem fazer por onde, terão a honra de vestir o verde de milhões pelo Brasil. Não importam os inaptos que nos colocaram hoje nessa situação. Não importam aqueles que nos prejudicaram nessa caminhada, tampouco os obstáculos enfrentados. Só o que importa é que o gigante Palestra vai a campo. E nós vamos com ele. Devemos relevar todo o resto por 90 minutos hoje à noite e depois pelos 1.440 que ainda virão. A camisa verde vai a campo e a torcida, como sempre foi, precisa ir a campo também.

Setembro começou e, com ele, aproxima-se o dia em que comemoramos 70 anos da Arrancada Heróica (e não há Acordo Ortográfico que me faça tirar daqui este acento). O feito mais grandioso de nossa história precisa ser honrado. Os tempos são outros, e, se os homens que estão lá dentro não se colocam à altura de um Ragognetti ou de um Adalberto Mendes, eis que a torcida precisa fazer isso. Com alma e coração.

Cabe a cada um de nós a tarefa de resgatar o Palmeiras. Temos mais oito jogos em casa e nove fora (sendo um aqui em SP mesmo, um em Santos, dois no Rio e mais Florianópolis, BH, Porto Alegre, Recife e Salvador). Aos que têm a dignidade de seguir lutando na hora em que a batalha parece um tanto mais árdua, me sinto no dever apenas de pedir que continuem assim. Lutemos do início ao fim. Cantemos, vibremos, pressionemos. Empurremos o Palmeiras à vitória. Aos demais, o pedido é o mesmo. Vale o sacrifício. Ou isso ou todos, os que lutamos e os que não lutam, haveremos de lamentar no final. Lutemos, portanto.

Que entre em campo a alma do grande Palestra Italia. Que a camisa se faça mais forte do que tudo. Que todos os títulos, vitórias e batalhas que nos fizeram chegar até aqui nos fortaleçam. Que a vida do pequeno de hoje - e de todos os que vierem até aqui nos desafiar - seja um inferno.

À cancha municipal, senhores! Temos a primeira de muitas batalhas pela frente! À arrancada!

04 setembro 2012

Resistiremos em pé!

O ano era 2007 e foi dito aqui que a Copa do Mundo de 2014 seria o atestado de óbito do futebol brasileiro. Teve gente que não entendeu, uns me chamaram de apocalíptico, outros disseram coisa pior. O tempo passou, o Maracanã foi assassinado com requintes de crueldade, tomaram de assalto todos os outros principais estádios deste país, inventaram mais um com dinheiro do povo para um clube se vangloriar no futuro, deram à bola da Copa um nome que não encontra respaldo algum na cultura nacional etc. e tal. Como pano de fundo disso tudo, os velhos decrépitos lá de Zurique mandam e desmandam, impondo o Padrão Fifa como quem chega para civilizar um povo bárbaro.

Ficou claro agora o que eu quero dizer desde então?

Faz tempo que não entro nesse tema - prefiro manter certa distância em nome da minha sanidade -, mas gostaria de dividir com os senhores duas singelas notas que saíram no Painel FC desta segunda-feira, 3 de setembro. Poupá-los-ei de comentários adicionais; as notas são autoexplicativas, por mais que algumas informações aí sejam um tanto quanto contestáveis. Mas deixo com os senhores a tarefa de opinar sobre o que se lê abaixo:

Sentados. Torcedores em pé nas áreas comuns dos estádios de futebol: este é um dos temas discutidos pela Fifa atualmente. As conversas na entidade têm o intuito de eliminar esta prática, comum em diversos estádios brasileiros. 

Referência. Os jogos que mais chamam a atenção da Fifa nesse aspecto são os de campeonatos na Alemanha e na Colômbia. Imagens de partidas nesses países são tidas como referência para que uma regulamentação seja criada a fim de impedir a presença de torcedores em pé.

02 setembro 2012

Questão de caráter

O time é fraco (e tecnicamente incapaz de furar o bloqueio de um rival com um a menos durante todo o jogo), nada parece ajudar, os adversários diretos vencem jogos complicados e o rebaixamento parece cada vez mais palpável. Ponto. Disso todos sabemos e não adianta ficar falando sobre. Adianta, isso sim, seguir apoiando o bando que aí está e torcer para que o espírito que nos levou ao título da Copa do Brasil ressurja antes que seja tarde demais.

Para manter a coerência com o que eu defendo neste blog, eis aqui o que precisa ser dito de agora até a decisão da próxima quinta-feira:

21 de junho, Buraco de Barueri, quarta-feira, 21h. 26.255 pagaram ingresso para ver Palmeiras 1-1 Grêmio/RS. Foi aquela noite de caos no caminho entre SP e Barueri, tempo chuvoso, com muita gente não conseguindo chegar até o estádio e outros tantos sendo barrados pela PM do lado de fora. Repetindo o público: 26.255.

1º de setembro, Pacaembu, sábado, 18h30. 11.586 pagaram ingresso para ver um Palmeiras 0-0 Grêmio/RS que pode ser considerado quase tão decisivo quanto aquele da semifinal da Copa do BR.

Diferença entre os jogos: 15 mil pessoas. E então eu serei direto:

Lembro que os dias anteriores ao Palmeiras-Grêmio da semifinal da Copa do Brasil foram como aqueles dias que antecedem grandes jogos decisivos: um monte de gente atrás de ingressos, ligações e mais ligações, pedidos desesperados... E eu, ainda que tivesse algum ingresso sobrando, não teria resolvido o problema de ninguém que eu reputasse como oportunista.

A explicação está no ridículo público que tivemos sábado na cancha municipal. Vou resumir a situação toda em dois tweets que eu publiquei na última sexta-feira:



















É isso, sem tirar nem por. Direto ao ponto.

Porque nego que foi (ou tentou ir) a Barueri na semifinal da Copa do Brasil e simplesmente não quis ir ao Pacaembu ontem mostrou que quer apenas ver o time ser campeão e não se preocupa em apoiá-lo quando se trata de evitar o pior.

Talvez seja a maioria (a julgar pela diferença de público entre os dois jogos), mas eu não tenho o menor problema em apontar o dedo para quem eventualmente não estiver disposto a evitar que aconteça o pior neste Campeonato Brasileiro/2012.

Teremos na próxima quinta-feira outra final. Será um jogo ainda mais decisivo. E será difícil, complicado e sofrido como tem sido todos os outros. Cabe à torcida fazer a parte dela. Do contrário, seremos todos a lamentar no fim do ano. Os que lutamos e os oportunistas, todos juntos.

Estaremos na cancha municipal os que estamos em todos os jogos. Isso não muda. Aos oportunistas resta tomar uma decisão: ou vocês se omitem como de costume e não colaboram para evitar o pior, ou então tomam vergonha na cara e lutem junto com o Palmeiras.

À batalha, palestrinos! Temos 17 rodadas pela frente. O Palmeiras precisa de nós, e devemos fazer a nossa parte na arquibancada.

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_Reservei meu ingresso ontem e o preço da arquibancada seguia em R$ 40. Me avisaram que hoje o preço mudou, e é verdade: arquibancada a R$ 20 (R$ 10 a meia). Já é uma sinalização positiva vinda da nossa direção. É preciso agora que o torcedor faça a sua parte.

_Passagens compradas para três batalhas essenciais na caminhada que teremos pela frente: Vasco/RJ-Palmeiras, São Januário, 12.09; Bahia/BA-Palmeiras, Pituaçu, 17.10; e Flamengo/RJ-Palmeiras, Engenhão, 18.11. A partida em Salvador, senhores, deve ser o jogo mais importante que teremos de agora até o fim do ano. Será uma verdadeira final.

30 agosto 2012

O que fazer?

Se me permitem um conselho, ei-lo aqui: esqueçam os números. Eu já fiz isso, porque se formos recorrer a eles, é melhor nem entrarmos em campo. Sei que alguns dos senhores podem esperar por alguma opinião esclarecedora ou por um texto que faça sentido por aqui, e então eu peço desculpas, uma vez que, depois do que vivemos ontem no Canindé, me sinto incapaz de escrever algo que seja pelo menos razoável. Mas reitero a sugestão: esqueçam os números. Observei aqui e ali algumas conclusões que emergem da análise desta e de outras campanhas e elas todas, campanhas e conclusões, são catastróficas. A minha também seria, e é por isso que eu vou abrir mão disso. Nada de simular as próximas 18 rodadas, nada de traçar metas, nada de ficar fazendo comparações com campanhas outras. Sei que é difícil, mas é melhor assim.

O time que aí está é o mesmo que ganhou a Copa do Brasil há menos de dois meses, e parece difícil entender porque chegamos em tão pouco tempo a uma situação que é, no mínimo, desesperadora. Pois bem, parece, mas não é. Vencemos a Copa do Brasil - de maneira invicta - na base do heroísmo, da superação pessoal e de uma entrega pela qual pagamos agora um preço altíssimo. O Palmeiras foi campeão APESAR dos senhores Tirone, Frizzo e demais comparsas. O Palmeiras foi campeão APESAR da incapacidade de gestão dessa gente, e isso fica evidente agora para eles próprios e para todos os que não quiseram enxergar tal situação.

Há ainda outros fatores que dão conta de explicar a situação atual (a indefinição no comando técnico para 2013, as péssimas contratações, as contusões que não chegam ao fim nunca, o camisa 10 que vive às custas da idolatria cega de um fã-clube alienado, mesmo a sequência de jogos em curto período de tempo), mas, de modo geral, eles todos são decorrentes da falência gerencial dos homens que deveriam, mas não sabem, comandar o gigante Palmeiras.

Já foi dito aqui inúmeras vezes que Arnaldo Tirone é o mais incapacitado presidente da história do Palmeiras. A prova está aí.

O que fazer?

Bom, é evidente que alguns jogadores não têm a menor condição de vestir a camisa alviverde. Outros têm, mas vivem péssima fase (foi o caso do camisa 6, que teve ontem uma noite repleta de falhas primárias e/ou constrangedoras). O problema todo é que não há muito como repor essas peças, uma vez que muitos atletas  com potencial seguem exilados no departamento médico.

Quem é muito bem pago para isso deve pensar nas soluções de ordem técnica. À torcida compete ir ao estádio em peso, apoiar o time de maneira incondicional e deixar as críticas e protestos para depois.

Se não há muito o que fazer em relação ao elenco, eu tomo a liberdade de propor ao menos três medidas simples que podem ser tomadas desde já:

1. "Fechar" com a torcida
Chega de pensar em migalhas! Chega! É o caso agora de trazer a torcida para perto do clube. Quando falo em torcida, me refiro à "massa", ao povão, àquele parcela que não pode ir tanto aos jogos porque o preço dos ingressos segue elevado. É hora de exercer toda a pressão que for possível. É hora de lançar ingressos populares (em especial para o tobogã), na casa dos R$ 10 (como fizeram os bichas), para que o Pacaembu jogue a nosso favor. É hora de entender que a situação é por demais complicada e usar os ídolos do clube para convocar o torcedor - e os ingressos a preços populares seriam o melhor estímulo para isso. Por favor, deixem de mesquinharia. O Palmeiras precisa da torcida mais do que nunca. É urgente a criação de um ambiente favorável. Do contrário, todos sofreremos com uma nova tragédia no fim do ano.

2. Respeito à camisa
Não me refiro especificamente à relação dos jogadores com o clube, mas à necessidade premente de abolir o uso desta maldita camisa amarela, que, por si só, já nos faz sentir vergonha de ver o time em campo. Não sei quanto a vocês, mas vejo o time entrar em campo com aquele uniforme ridículo e já me sinto derrotado. Por favor, camisa verde, seus putos! VERDE!

3. Pro inferno com a Copa Sul-Americana
A verdade mesmo é que deveríamos ter desistido da Copa Sul-Americana já na primeira fase. Aquele 2-0 contra o Botafogo acabou sendo terrível, e agora teremos de encarar uma longa viagem para porra nenhuma. Não há porquê seguir nessa competição: ela só vai representar desgaste do elenco e foco dividido. Precisamos ser eliminados disso já na próxima fase. E, por favor, sei de todas as limitações e problemas, mas devemos entrar em campo com o time inteiramente reserva e, se possível, sem ninguém no banco.

De imediato, temos um jogo importantíssimo no sábado e então eu conclamo o palmeirense de verdade a fazer a sua parte. O ingresso está caro e tudo mais, mas é o momento de a torcida se fazer presente. Tivemos quase 30 mil pessoas contra o mesmo Grêmio no Buraco de Barueri (com preços ainda mais extorsivos) e então eu digo a esses todos que o duelo deste sábado é quase tão decisivo quanto foi aquele. Tomem vergonha na cara! Ao estádio!

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_Ao fã-clube do vagabundo da camisa 10: Me expliquem, por favor, como é que o sujeito consegue estar pendurado mesmo sem entrar em campo? E mais do que isso: me digam, por favor, qual é a dificuldade em conseguir completar três jogos seguidos?

_O jogo de ontem foi o primeiro em mais de dois anos a ser disputado no tradicional horário de quarta às 20h30.

29 agosto 2012

O clássico da (e na) capital











Os senhores felizmente serão poupados de mais um texto raivoso deste blog contra a aberração que atende pelo nome de Presidente Prudente/MS. O bom senso prevaleceu e então não teremos protestos, xingamentos aos nossos diretores ou palavras de ordem contra o imbecil prefeito daquele vilarejo perdido. Como bem definiu o Danilo Cerosimo, "não é papel do Palmeiras e do Derby servirem de cabos eleitorais pro prefeito de Prudente".

Durante toda a terça-feira, ficou no ar a ameaça de novamente termos o clássico da cidade disputado no Pantanal. Correu-se o risco de vendermos o nosso mando de campo por migalhas, cedendo aos gambás metade da carga de ingressos e perdendo toda e qualquer vantagem que poderíamos ter. A revolta foi enorme e a pressão surtiu efeito: a diretoria voltou atrás e o clássico foi confirmado para a capital paulista, no único local aceitável.

Não vou entrar nos detalhes, até porque não tenho informações sobre o que efetivamente havia sido combinado com o puto que governa aquele lugar e não posso dizer se a reviravolta realmente tem relação com a pressão exercida por boa parte da torcida. Mas uma coisa precisa ser dita: se a diretoria ouviu a torcida dessa vez (e parece que ouviu), é justo dar parabéns aos responsáveis.

Mas é verdade também que já passou da hora de fixarmos um único local para mandarmos nossos jogos, de modo a não ficarmos mais reféns de decisões pautadas em superstições idiotas ou impressionismos momentâneos. Chega de ficar pulando de estádio em estádio, chega de fazer do Palmeiras um clube itinerante, chega dessa instabilidade que só faz mal ao time e à torcida.

O clássico da cidade será na capital paulista. Será na cancha municipal. E é lá, no estádio que é nossa segunda casa, que lutaremos para derrubar o nosso rival e o discurso patético do que defendem opções absurdas e não condizentes com a nossa história.

26 agosto 2012

A hora da reação

Eis que fechamos o turno e completamos 98 anos de vida em uma situação que não condiz em nada com a nossa história. E então, antes que se manifestem os desonestos e mal intencionados, é bom registrar que a derrota sofrida para o Santos neste sábado é a menos preocupante no conjunto da obra: além de o time ter jogado bem novamente, perdemos para um adversário tecnicamente muito mais qualificado, em uma diferença que se fez visível em dois lances.

O problema todo, senhores, encontra-se em boa parte das outras 10 derrotas e mesmo em alguns dos empates. A começar pelo primeiro de todos, contra a mesma Portuguesa que enfrentaremos na próxima quarta, com um gol estúpido sofrido nos minutos finais e que, de certa forma, foi um prenúncio de todo o resto que enfrentaríamos depois. Aí tivemos a imbecil derrota em Recife, com o time jogando melhor e sendo pela primeira vez prejudicado pela arbitragem.

Vieram então o gol de falta sofrido já no final do jogo contra o Vasco (um pecado que nos custou mais dois preciosos pontos), a absurda, imperdoável e maldita derrota para os reservas gambás, a falha do camisa 22 contra a Ponte Preta, os assaltos à mão armada contra Cruzeiro e Bahia (este é um pouco mais doloroso) e, por fim, a vexatória derrota em Goiânia.

Isso tudo somado, alcançamos míseros 16 pontos em 19 partidas e tivemos apenas no turno mais derrotas (11) do que o número de reveses de toda a temporada anterior (10 em 38 jogos). É por demais preocupante, e eu sinceramente não sei dizer se o fato de um time com tantos problemas estar jogando bem deve ser considerado bom ou ruim. Porque parece não haver muito como melhorar.

Mas chega de números; de nada adianta traçar comparações com 2002, 2006 ou 2011 ou mesmo projetar o total de pontos que precisamos somar até o fim do ano. Fato mesmo, senhores, é que não dá mais para esperar. A reação deve começar imediatamente, já na próxima quarta-feira. Temos de devastar a Portuguesa. Temos de invadir o Canindé. Temos de colocar os portugueses no devido lugar. É hora de reagir. É hora de ser Palmeiras!

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_O retorno à cancha municipal foi das coisas mais agradáveis que tivemos durante todo este ano. Aliás, foi o que tivemos de melhor depois da conquista da Copa do Brasil. Time e torcida estiveram em comunhão, o Pacaembu recebeu um bom público, o apoio foi irrestrito do primeiro ao último minuto. Perdemos por fatores completamente alheios ao local do jogo, e o que deve ser enaltecido é o reencontro do Palmeiras com a sua cidade e com a sua gente. O Palestra não podia mesmo comemorar este aniversário sem ter jogado este clássico na sua casa provisória.

_Ingresso comprado para quarta-feira (Portuguesa/SP-Palmeiras no Canindé) e reservado para sábado (Palmeiras-Grêmio/RS no Pacaembu). Tudo no Futebol Card/Avanti. Que venham seis pontos!

_PARABÉNS, PALMEIRAS! E OBRIGADO POR TUDO!

23 agosto 2012

À cancha municipal!

Não é do feitio deste blog ficar chamando torcedor para ir aos jogos (até porque isso vai muito da consciência e do caráter de cada um), mas eis que é o caso de fazer isso ao menos desta vez.

Vejam os senhores que tanto lutamos e protestamos que conseguimos, ao menos por enquanto, que o Palmeiras abandonasse o Buraco de Barueri e voltasse para a sua cidade. Pois bem, é hora então de o palmeirense comparecer ao estádio em grande número, a começar pelo clássico do próximo sábado contra o Santos FC.

O fato de o Palmeiras estar em campo já seria o bastante para termos casa cheia. Some-se a isso o fato de ser um clássico e de ele acontecer na cancha municipal em dia e horário aceitáveis e o cenário passa a ser ainda mais convidativo. Vale levar em conta ainda que o Palmeiras precisa demais da vitória e então tem-se mais evidente ainda o quanto a presença do palmeirense é essencial.

E vou ficar por aqui. Quem reclamou aí durante muito tempo de Barueri tem obrigação de ir ao estádio no próximo sábado. Tem obrigação simplesmente porque o Palmeiras vai a campo, e nem seriam necessários todos esses motivos adicionais. Mas aí vai do caráter de cada um. Até porque é muito fácil ficar desesperado atrás de ingressos para a final, mas o palmeirense mesmo se faz notar quando segue o time em todas as partes, em qualquer lugar e seja lá qual for a situação.

Ao estádio, senhores. E chega de falatório!