30 abril 2010

Seremos campeões

Anotem aí: este time será campeão da Copa do Brasil! Não que tenha qualidade para tanto, não que tenha um técnico na beira do campo, não que seja confiável a ponto de justificar tal convicção. Muito pelo contrário, mas eu insisto: passaremos pelos comedores de calango, depois pelo Vitória (ou pelo Vasco) e então ganharemos força com o intervalo da Copa do Mundo para derrubar o adversário que vier lá do outro lado, seja ele o Santos ou o Grêmio.

Venceremos um a um, e chegaremos ao título. Aos trancos e barrancos, no sufoco, no limite, como bem convém à nossa história. Mas chegaremos lá, e disso eu tive certeza já durante o jogo de ontem, antes mesmo de sair o gol salvador. Porque mesmo um 0 a 0 no Palestra seria suficiente para derrubarmos os comedores de calango lá na terra deles. Porque jogaremos com mais torcida, diante de um time sem história, sem tradição, sem peso e sem camisa (ou alguém aí, antes de ontem, sabia se era azul, amarelo ou rubro-negro o uniforme dos candangos?).

Mesmo diante de todos os problemas e de todo o mau futebol e ainda que contra rivais pouco expressivos, nossa campanha nesta Copa do Brasil é bem consistente. Temos 6 vitórias e 1 empate até aqui, com 11 gols a favor e 2 contra; em casa, fizemos o que importa: quatro vitórias e nenhum gol sofrido. É assim, jogando no limite, contando com defesas salvadoras de Marcos e superando até o nível sofrível dos nossos atacantes (que ontem perderam gols inacreditáveis) que chegaremos à decisão. E aí, ao contrário do inexpressivo adversário de ontem, todos sabem qual é a cor da nossa camisa.

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DIEGO SOUZA

Difícil falar sobre o assunto. Defendi Diego Souza desde sempre, fosse no seu início titubeante ou mesmo agora, rebatendo as críticas que vinham desde o final do ano passado. E quase o coloquei como um dos meus ídolos há cerca de um ano, o que seria merecido se houvesse continuidade na sua trajetória. Mas o episódio de ontem, por sua reação impensada e injustificada, ultrapassa um limite bem perigoso. Então, se o próprio Diego não quer se defender, ninguém mais pode fazer isso por ele.

Preciso dizer, no entanto, que a torcida do Palmeiras tem por vezes um defeito que leva a situações como essa. Diego nem jogava tão mal ontem; deu, por exemplo, a assistência que deveria ter resultado no nosso primeiro gol, não fosse a finalização equivocada de Ewerthon. Não era para receber as vaias que recebeu. Não era para ser questionado durante o jogo, pois o que se esperava do torcedor ontem era apoio incondicional.

Mas aí o povo da numerada (e do Visa) lembrou qual é a sua vocação: vieram as vaias - na hora errada, pois durante os 90 minutos. A Diego caberia ignorá-las, sentar no banco de reservas, admitir a má fase prolongada e esfriar a cabeça para não fazer merda. Mas aí, lá do fundo da arquibancada, fiquei a esperar alguma reação, qualquer que fosse, do nosso camisa 7. E o que se viu foi a pior reação possível, injustificada, descabida e provavelmente irreversível.

Jogador nenhum, por melhor que seja, tem o direito de desrespeitar o torcedor, por pior que seja. Não dá mais. Tinha tudo para ser diferente, mas parece que Diego Souza não quer que seja assim. É uma pena...

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Se Diego não tivesse feito o que fez e se eu não tivesse tanta certeza do título que está por vir, abriria o post para falar uma vez mais sobre o cretino horário das 19h30. Fica para o fim de semana, com mais calma, em um texto só para isso.

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"Febre de bola", página 44:

"... e contentando-me em vez disso com um sorriso beatífico que era compreendido tanto pelos professores quanto pelos garotos. Para eles eu era o Arsenal e tinha direito àquele beatitude triunfal.
Mas eu, na verdade, não achava isso. Fizera por merecer aquele sofrimento todo contra o Swindon, mas não contribuíra para o triunfo da Dobradinha da mesma forma, a não ser que você contasse como contribuição cerca de uma dúzia de jogos da Liga, um paletó de escola soterrado por escudos de lapela e um quarto coberto por fotografias de revistas. Os outros, aqueles que haviam conseguido ingressos para a final e ficado cinco horas na fila em Tottenham, tinham mais a dizer sobre a Dobradinha do que eu."

28 abril 2010

Ah, o mata-mata...

Vejam que estão em clima de decisão 11 das 12 torcidas de grandes clubes do país - só o Botafogo, sobre quem recaem certas dúvidas, está de folga. E todas as torcidas, umas mais, outras menos, se enchem de expectativas para os confrontos que virão nesta e na próxima semana. É o poder do mata-mata, dos grandes duelos, das decisões instantâneas, do gol no último minuto, dos heróis de um jogo só, da história que se vê construir diante dos olhos.

Aproveitemos, pois, o clima de decisão. Porque os idiotas da objetividade e da justiça nos roubaram esse direito no Campeonato Brasileiro, definitivamente entregue à chatice dos pontos corridos. Vivemos já há quase sete anos sob o signo de uma competição nacional que nos sonega o direito de erigir ídolos, condenar vilões e guardar na memória jogos inesquecíveis.

Jogos inesquecíveis? O que é isso na era de pontos corridos? Que jogos inesquecíveis tivemos nos Campeonatos Brasileiros de 2003 a 2009? Que grandes lembranças temos desses últimos anos? Que jornadas ficarão na memória mesmo dos torcedores que viram seus times campeões?

A edição de 40 anos da revista Placar traz uma lista dos 40 maiores jogos envolvendo clubes brasileiros desde 1970. É uma publicação que carrega o peso de documento histórico, e o que se vê é que as quatro dezenas de partidas listadas pela Placar foram quase todas disputadas no formato mata-mata. Claro, não poderia ser diferente; os pontos corridos não permitem jogos inesquecíveis.

Portanto, torcedores de 11 dos 12 grandes clubes do país: aproveitemos! Teremos jogos inesquecíveis para compensar o marasmo que virá a partir do início de maio.

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Placar fez uma série de listas nesta edição de 40 anos. É evidente que não seria possível alcançar o consenso, mas algumas distorções são muito graves e eu me permito aqui palpitar sobre elas:

1. Lista dos 40 maiores jogadores brasileiros desde 1970: dá pra discutir muita coisa, mas é inaceitável ver Evair fora do ranking.

2. Lista dos 40 maiores jogos envolvendo clubes brasileiros desde 1970: fica a impressão que a revista procura contemplar todos os grandes (e não só) clubes do país, de modo a transmitir uma isenção que não seria necessária. Eu bem poderia acrescentar à relação muitos jogos menos contundentes (o Palmeiras 6 x 1 Boca Jrs. de 1994, por exemplo), mas seria a minha opinião. O que extrapola isso é a certeza de que o Palmeiras 4 x 0 Corinthians de 1993 e o Corinthians 1 x 0 Ponte Preta de 1977 não poderiam jamais ser esquecidos. Mas foram.

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"Febre de bola", página 37:

"Estranhamente, isso não fez a diferença, porque a Inglaterra se mostrou à altura. Quando jogamos contra o Brasil na segunda partida, levamos azar ao perder por 1 a 0; e num torneio que forneceu dezenas de superlativos - o melhor time de todos os tempos, o melhor jogador de todos os tempos, até os melhores gols perdidos de todos os tempos (ambos por Pelé) - tivemos duas contribuições próprias, a melhor defesa de todos os tempos (Banks contra Pelé, é claro) e o melhor e mais precisamente executado desarme de todos os tempos (Moore contra Jairzinho). É significativo que nossa contribuição para esse carnaval de superlativos se deva à excelência defensiva, mas não importa - durante 90 minutos, a Inglaterra jogou tão bem quanto o melhor time do mundo."

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Mais uma indicação de leitura: "Entre os vândalos", de Bill Buford. Estou selecionando os trechos enquanto leio. Deixo aqui um para apreciação de vocês:

"Perguntei a ele se podia me informar onde estávamos.
Itália, ele respondeu. Estamos na Itália; e em seguida, como que a título de esclarecimento: carcamanos de merda.
Eu disse, é claro, é claro, sabia que estávamos na Itália. Mas saberia ele onde na Itália?
Juventus, respondeu, ao fim de uma pausa, desconfiando tratar-se de uma pergunta capciosa. E acrescentou novamente, então, como que para reforçar a autoridade de sua afirmação: carcamanos de merda.
A cidade de Juventus?, perguntei.
É isso aí, ele disse. Pausa. Carcamanos de merda.
Observei que Juventus não era o nome de uma cidade; era o nome de um clube de futebol - a Juventus de Torino -, mas talvez eu não tenha sido muito claro."

26 abril 2010

Apoio incondicional

"Ah, não dá pra ter o Robert no ataque", "O Diego Souza não quer mais jogar", "O Zago não sabe mexer no time", "O Marcos já não é mais o mesmo", "O Cleiton Xavier tá sempre machucado", "O Armero não sabe cruzar", "O Pierre está em má fase", "Não temos atacante", "A diretoria é incompetente", "O Belluzzo foi uma decepção" etc. e tal e o escambau.

Já ouvi isso tudo nas últimas semanas, e concordo com quase todas as reclamações. Mas é chegado o momento de pontuar as coisas:

Eu não confio no time que aí está. Deve ser assim com quase todos os que me leem agora. Não confio na maior parte dos atletas, tampouco no técnico. Não confio na nossa diretoria, inapta, incompetente e incapaz de fazer o mínimo esforço para demonstrar respeito pelo torcedor do clube. E não confio sequer na trajetória que temos pela frente, pois ela é tão convidativa como outras tantas que já tivemos para então desperdiçar de maneira inexplicável. Mas isso tudo, cabe dizer, pouco importa. Porque só o que interessa agora é que estamos diante de possíveis seis batalhas até o título. É a camisa do Palmeiras que vai a campo, e é por ela que luta(re)mos. Portanto, deixemos de lado as críticas, as opiniões pessoais e especialmente toda a maldita ressaca de 2009. Se você não está a fim de apoiar ou se vai esperar o primeiro passe errado para protestar, faça um favor ao Palmeiras e à sua torcida: fique em casa na quinta-feira. Porque é isso aí o que temos, a batalha é com a gente e são essas as vitórias que podem encerrar de uma vez por todas tudo isso que nos tem atormentado nos últimos meses. É com a gente; é a hora do apoio incondicional. É o Palmeiras, porra! Contra tudo e contra todos, até contra nós mesmos.

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"Febre de bola", páginas 122 e 124:

"O jogo com o Nottingham Forest, um sonolento empate em zero a zero num feriado que caiu numa sonolenta segunda-feira nublada, foi o último de Brady em Highbury; ele resolvera que seu futuro jazia no exterior, na Itália, e ficou lá por vários anos. Fui à sua despedida, e ele deu uma volta olímpica, triste e cadenciada, pelo campo com o resto do time. Bem lá no fundo ainda tinha esperança que ele mudasse de ideia, ou que o clube tomasse consciência do dano irreparável que causaria a si mesmo se permitisse que ele partisse. Houve gente dizendo que o problema era dinheiro, e que se o Arsenal abrisse a mão ele ficaria, mas preferi não acreditar nisso. Preferi acreditar que fora o apelo da Itália em si, sua cultura e seu estilo, que o atraíra, e que os prazeres paroquiais de Hertfordshire, Essex ou onde quer que ele morasse haviam acabado por enchê-lo de tédio existencial. Acima de tudo, sabia que ele não queria nos deixar, que estava arrasado, que nos adorava tanto quanto nós o adorávamos e que um dia voltaria.
(...)
... e quando o vimos novamente ele estava usando uma camisa do West Ham e enfiando um golaço no nosso goleiro John Lukic da entrada da área."

24 abril 2010

Por um pouco de respeito

Caro Belluzzo,

Este blog, persistente, teimoso e talvez um tanto ingênuo, parece também incansável no que diz respeito aos pedidos de respeito para com o torcedor palestrino. Desta feita, fica aqui mais uma relevante solicitação, mais uma das tantas que serão ignorados pelo senhor e pelos homens da sua diretoria. Lembro-me que o senhor, ao assumir o cargo de presidente, prometeu que iria se esforçar para que o torcedor fosse respeitado na sua relação com o clube.

Bom, o Avanti está aí para desmentir a promessa, mas eu devo insistir e deixar aqui uma solicitação um tanto mais simples, direcionada a um jogo específico, o da próxima quinta-feira, 29 de abril, às 19h30, no estádio Palestra Itália.

Vou eximir o Palmeiras de culpa pelo horário. Poderia claramente responsabilizar o clube por sua submissão aos interesses escusos da emissora de TV e ao horário cretino, mas não é o caso. O que pesa é que um jogo com grande público às 19h30 em uma metrópole como São Paulo é inviável e será ainda o causador de uma grande tragédia no acesso a um de nossos estádios.

Para reduzir os riscos, uma medida necessária seria vender os ingressos com certa antecedência e em horários e locais mais acessíveis, uma das promessas feitas pelo senhor ao assumir o cargo.

Aí eu pergunto: para as pessoas que trabalham, o que existe de acessível no horário de venda das 10h às 17h? Como poderiam as pessoas que trabalham - ou seja, a esmagadora maioria dos que podem ir a um estádio de futebol - adquirir o ingresso no meio de uma tarde de trabalho? Como seria possível isso?

Considerando que o jogo acontece às 19h30 de uma quinta-feira e que as pessoas novamente terão de chegar quase na hora do jogo e provavelmente conseguirão colocar os pés na arquibancada já com muitos minutos de jogo transcorridos, não seria o caso de pensar em uma alternativa para compensar o desmando da emissora de TV?

Você não é o vagabundo do Del Nero. Você trabalha e, o mais importante, sabe que as pessoas de bem trabalham. E você, até que se prove o contrário, é uma pessoa honesta e bem intencionada. Fica aí o desafio: o que custa estender a venda dos ingressos para além do vagabundo horário das 10h às 17h? Que seja até as 20h para possibilitar ao sujeito sair do trabalho e comprar seu ingresso nos dias que antecedem o jogo... É tão difícil assim? Falta boa vontade? Ou falta respeito mesmo?

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"Febre de bola", página 54:

"Mas aqueles que reclamam da perda de identidade sofrida pelos torcedores de futebol estão enganados: essa perda de identidade pode ser um processo paradoxalmente enriquecedor. Quem quer ficar o tempo todo preso ao que já é? Eu, por exemplo, de vez em quando tinha vontade de não me sentir um fedelho suburbano de óculos e orelhas de abano; adorava poder assustar os transeuntes em Derby, Norwich ou Southampton (e eles ficavam assustados - dava pra ver). Até então, as oportunidades que eu tivera de intimidar alguém haviam sido limitadas, embora soubesse que não era eu que fazia as pessoas passarem correndo para o outro lado da rua, arrastando os filhos atrás de si; éramos nós, e eu fazia parte de nós, era um órgão do corpo de hooligans. O fato de ser apenas o apêndice - pequeno, inútil e enfiadolá no meio para não atrapalhar - não tinha a menor importância."

23 abril 2010

Avanti, 1.921

Um post curto, senhores, pois este blog já disse antes tudo o que poderia ter sido dito a respeito do Avanti, este fracasso retumbante, este retrato da incompetência reinante no Palestra Italia, este projeto megalomaníaco de um grupo que vive fora da realidade, esta aberração inventada pelas mentes de Zucatto e Dezembro, esta ofensa ao torcedor palmeirense. Com os senhores, cada um dos posts já aqui publicaods sobre o assunto:

24.02.2009: Avanti, do fracasso ao desrespeito

11.01.2010: Avanti, um erro conceitual

11.01.2010: O Palmeiras e o sócio-consumidor (3)

26.11.2009: O Palmeiras e o sócio-consumidor (2)

15.11.2009: O Palmeiras e o sócio-consumidor

Aí, depois disso tudo, eis que o UOL Esporte nos presenteia hoje com esta matéria. Bastante pertinente, é fato, e o Palmeiras vira motivo de piada devido à incompetência de alguns poucos. O pior de tudo é que o senhor Dezembro, não contente com toda a palhaçada deste programa de sócio-consumidor, ainda vem falar em uma nova estratégia de divulgação. Tá faltando vergonha na cara...

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1.921. O título do post refere-se ao número de associados que o Avanti alcançou até agora, cinco meses e meio depois de ter sido lançado. Faltam, portanto, pouco mais de 198 mil para chegarmos à meta traçada pelos senhores Dezembro e Zucatto.

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Pelas quartas-de-final da Copa do Brasil, teremos de jogar novamente no estapafúrdio horário das 19h30 de uma quinta-feira. Já falei sobre isso aqui, mas eles insistem. Até o dia em que acontecer uma tragédia na porta do estádio, e aí a culpa será do torcedor.

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"Febre de bola", página 92:

"Gente que torce para valer pelo mesmo clube sempre se reencontra em algum lugar - numa fila, numa lanchonete ou no banheiro de um posto de gasolina de estrada - e sendo assim era inevitável que eu tornasse a encontrar Kieran."

20 abril 2010

Guerra? É com a gente!

Por mais que tente se fazer passar por grande, o Atlético/PR, aqui conhecido como Brisa/PR, tem consciência da sua relevância para o futebol, ou seja nenhuma. Trata-se de um clube pequeno. Ponto. E todo pequeno, quando diante de um grande, se vê obrigado a apelar para subterfúgios os mais baixos possíveis. O que faz agora a Brisa/PR é conferir um peso inexistente a algo que deveria ter ficado dentro de campo. É intencional.

Se Danilo fez algo errado - e isso é bem discutível -, que pague por isso. E que fique por aí, com o devido peso que a coisa tem. Porque o que se desenrolou depois, em uma orquestração iniciada no vestiário do estádio Palestra Itália, evidencia bem qual é o nível dessa gentalha elitista e suja do Paraná (não se trata de generalização, mas de restrição, ok?). Fizeram um circo, transformaram em caso de comoção nacional o que deveria ter ficado dentro de campo, manipularam a opinião pública, criaram uma guerra que não existe.

Sim, porque clubes pequenos como o Atlético/PR (ou como o Ixpót, para ficarmos em um exemplo recente) não têm força para ganhar dentro de campo e então apelam com as armas mais sujas que se apresentam. O que faz agora a direção do clube paranaense é insuflar sua torcida (uma gentalha elitista e cretina, diga-se de passagem) em uma guerra que não existe.

Quando vejo a mobilização dos torcedores da Brisa/PR contra o racismo, eu deixo a pergunta: logo vocês, racistas e elitistas de merda? Logo vocês vêm falar de racismo? Têm certeza disso? Vão mesmo apelar para esse jogo de cena falso, para essa cretinice orquestrada?

Pois que venham pra cima, hipócritas!

Estão criando uma guerra contra um time já há muito habituado com isso. A resistência corre no nosso sangue. O espírito guerreiro faz parte da nossa história. O desafio nos faz crescer. O ódio nos alimenta. Guerra é com a gente! E venceremos dentro de campo, que é onde tudo se resolve.

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O que não perceberam os dirigentes e torcedores da Brisa/PR (ainda) é que a estratégia de criar um clima de guerra vale contra muitos outros clubes, mas não contra o Palestra Italia/Palmeiras. Porque enquanto eu já ouvi de muita gente aí frases como "eu não gostaria de estar na pele do Danilo amanhã", a minha reação é bem outra: ao menos por uma noite, tudo o que eu queria era estar na pele do Danilo. Para encarar de frente essa gentalha hipócrita, sentir o sangue ferver, fechar a cara e partir pra cima. Porque aqui é Palmeiras! Porque guerra é com a gente! Porque aqui temos homens e resolvemos tudo dentro de campo! Porque arrancamos a cabeça de hipócritas como estes de Curitiba.

Vão pintar o rosto de preto, é? Pois aqui a gente vai de cara limpa, com o sangue fervendo para honrar a nossa história.

À guerra, irmãos!

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Mais sobre a palhaçada toda:

Aqui, o Seo Cruz lista muitos dos bons textos escritos nos últimos dias contra a hipocrisia dessa gentalha sulista. Ainda no mesmo blog, um pouco da genética suja deste clube pequeno e insignificante. Por fim, aqui, o Ademir mostra uma contradição brutal no discurso deste bando de canalhas oportunistas.

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A nossa valorosa e diligente imprensa esportiva, cabe dizer, tem muita culpa nisso tudo. É sobre essa classe, de jornalistas hipócritas, sensacionalistas e falsos moralistas, que Ugo Giorgetti escreveu no Estadão do último domingo:

O futebol se tornou profissional demais
UGO GIORGETTI - O Estado de S.Paulo

Era uma vez um grupo de jornalistas que trabalhava no departamento de esporte de uma tevê. Quinze eram cameramen e cinco eram comentaristas da mesa redonda. Quando havia jogos, os cameramen iam com suas câmeras para o gramado e os outros para as cabines. Quatro câmeras acompanhavam o jogo propriamente dito, 11 se fixavam em outros aspectos da partida. Ficavam atentas aos deslizes, às gafes, às impropriedades e a toda sorte de acontecimentos polêmicos envolvendo tanto jogadores quanto juízes e auxiliares.

A bola, o jogo em si, importava pouco para esses 11 cameramen. Tinham especial predileção pelos escanteios e pelas bolas paradas, ocasiões em que se esmeravam em não perder nada. Evidentemente não estavam à procura de algo belo ou artístico, mas de cotoveladas traiçoeiras, xingamentos, cuspidas, cabeçadas e qualquer outra manifestação que pudesse merecer reprovação da sociedade em geral e que teria passado despercebida não fossem as atentas câmeras.

Sabiam, também, quem eram os jogadores que poderiam oferecer bom material. Um goleiro, por exemplo, que durante a partida tivesse o costume de enfiar o dedo no nariz enquanto a bola estava longe era sempre alvo de uma câmera pacientemente à espera que fizesse o gesto esperado. Nada ficava escondido. Nada podia ser secreto ou mesmo duvidoso diante de tantas câmeras vigilantes.

Espionagem. Naturalmente o resultado da espionagem era comentado amplamente e alimentava a mesa redonda composta pelos cinco jornalistas. Fora do comportamento dos jogadores, é claro, havia o juiz, que era escrutinado sem cessar em todos os seus movimentos e verificadas todas as suas decisões. Duas ou três câmeras se destinavam a acompanhar "Sua Senhoria" por todos os cantos do gramado e mostrar sem contemplação, em câmera lenta, todos os lances em que suas decisões pareciam duvidosas.

A atenção maior, porém, era dirigida para as atitudes reprováveis dos jogadores. E os comentários eram, como seria de esperar, de total condenação, severa, firme, muitas vezes indignada. Os lances eram repetidos à exaustão, liam-se lábios, adivinhavam intenções, sempre na defesa da moral, da ética e do profissionalismo.

Essa era a palavra: profissionalismo. Jogador profissional não pode fazer isso, não pode fazer aquilo, isso é inadmissível, aquilo não dá pra aceitar, etc, etc, etc.

Bem, um dia o futebol mudou. À força de serem tão criticados, tão cobrados, os jogadores tornaram-se verdadeiros cavalheiros.

Pouco a pouco cessaram em campo as cuspidas, os comentários maldosos sobre a origem, a família e a masculinidade. Parecia incrível, mas não se via nem mesmo um mísero carrinho maldoso, ninguém mais perdia a cabeça.

Superjuízes. Os juízes também se aperfeiçoaram. Correndo como loucos, chegavam no lance antes das câmeras, começaram a enxergar mais que as lentes, viraram superjuízes. E assim, para a alegria geral, todo mundo se tornou profissional.

Só que, desde essa época, os onze camaramen procuravam o que registrar e não encontravam nada. Os comentaristas queriam a polêmica e não havia mais polêmica alguma. Um belo dia os quinze cameramen se apresentaram para trabalhar e constataram que onze estavam demitidos. Pouco depois foram demitidos também os jornalistas da mesa redonda.

Quando o futebol se tornou aquilo que por anos desejaram, perceberam que não tinham mais utilidade alguma.


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"Febre de bola", página 31:

"Talvez, como eu, todos estivessem se sentindo libertos da responsabilidade e do sofrimento implacáveis da paixão clubística: eu queria que a Inglaterra ganhasse, mas aquele não era o meu time. Pois para mim, um garoto de 12 anos dos Home Counties, o que era a pátria comparada a um time sediado na zona norte de Londres, a 50 quilômetros de onde eu morava, e do qual eu nunca ouvira falar e no qual nunca pensara nove meses antes?"

17 abril 2010

Una pasión

Houve um tempo, bem lá atrás, em que eu conseguia manter um blog com temática bastante mais ampla, e então o cinema tinha um espaço enorme. É algo que faz falta, admito. Eis então que um filme como "El secreto de sus ojos" ("O segredo dos seus olhos" por aqui) tem o mérito de aproximar o cinema do futebol com um brilhantismo poucas vezes visto. Esqueçam o Oscar e mesmo qualquer de suas muitas qualidades artísticas - não caberiam todas aqui. Bastaria, para considerar o filme uma obra de arte, as cenas onde o futebol é tratado com enorme respeito e reverência.

Vamos começar por aqui, em uma passagem que, mais do que comprovar o talento brutal dos argentinos quando se trata de cinema, é uma exaltação ao amor pelo futebol - e disso eles entendem como mais ninguém:

"Sandoval: Escribano, ¿qué es Racing para usted?
Escribano: Bueno, es una pasión, querido.
Sandoval: ¿Aunque hace nueve años que no sale campeón?
Escribano: Una pasión es una pasión.
Sandoval: ¿Te das cuenta Benjamín? El tipo puede cambiar de todo: de cara, de casa, de familia, de novia, de religión, de Dios... pero hay una cosa que no puede cambiar, Benjamín... no puede cambiar... de pasión."


Sem mais palavras depois disso...

Aí chegamos à cancha do pequeno Huracán para uma das mais espetaculares cenas já filmadas em um estádio (de qualquer esporte). Um plano-sequência irretocável:


Para finalizar, um making of desta cena:


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"Febre de bola", página 115:

"Mas aí Alan Sunderland meteu o pé na bola e enfiou-a lá dentro, bem dentro daquele gol ali na nossa frente, e me vi gritando - não "Sim", "Gol" ou qualquer dos outros barulhos que como de costume vêm à minha garganta nessas horas - mas só um barulho, "AAAARRRRGGGGHHHH", um barulho nascido de felicidade absoluta e descrença atônita, e subitamente havia pessoas naquelas arquibancadas de concreto de novo, mas elas estavam olhando uma por cima das outras, ensandecidas e com os olhos esbugalhados. Brian, o garoto americano, olhou para mim, sorriu polidamente e tentou encontrar as próprias mãos naquele caos ali embaixo, a fim de erguê-las e aplaudir com entusiasmo que desconfiei que ele não estava sentindo.
Atravessei os exames finais flutuando, como se tivesse sido anestesiado com uma droga benigna e indutora à idiotice. Alguns dos meus colegas de estudo, doentes de insônia e apreensão, ficaram perplexos com o meu humor; outros, os torcedores de futebol, compreenderam e ficaram com inveja."

16 abril 2010

Na medida exata

Fez o Palmeiras o que devia ter feito: não levou gol em casa e venceu. 1 a 0, belíssimo placar, melhor do que qualquer 8 a 1 de uns e outros. A vitória, simples, ganha uma dimensão maior se considerarmos o regulamento da Copa do Brasil. A bem da verdade, fui ao estádio esperando por este 1 a 0. Seguimos para Curitiba com uma vantagem que bem pode ser ampliada por lá mesmo.

Dentro de campo, o que se viu foi um time voluntarioso, brigador e raçudo. Um time que poderia até ter vencido por diferença maior - um pênalti deixou de ser anotado a nosso favor -, mas que saiu de campo com uma vitória convincente. As limitações são enormes, todos sabemos, mas esta noite serviu para aplacar um pouco a desconfiança. De quebra, ainda vimos o refugo que veste a 10 do pequeno time do Paraná ser expulso; eles perderam a única jogada que tinham para o jogo de volta.

Curitiba nos espera para a decisão da vaga.

***

TUDO ERRADO

Chego agora em casa e vejo que um imbecil da Brisa/PR, um pouco influenciado por esses tempos em que o futebol virou quase uma atividade para moças recatadas e outro tanto manipulado por dirigentes da Brisa/PR, veio a público acusar o zagueiro Danilo de racismo. Que preguiça! Eu vos digo o seguinte: ainda que, no calor da discussão, tenha dito qualquer coisa o nosso zagueiro, o cretino que defende o pequeno time de Curitiba/PR perdeu a chance de se calar. O que acontece no campo fica no campo; o resto é viadagem, é arma para os fracos e para os incapazes. Futebol é lugar de homem. O imbecil da Brisa/PR deveria jogar vôlei ou qualquer dessas atividades recreativas. O futebol não é o lugar dele.

Fora de campo, não foi melhor a situação.

Mais de 20 mil deram as caras no Palestra Itália, mesmo no absurdo horário das 19h30. Não à toa, o fluxo de torcedores não cessou pelo menos até os 35 minutos do primeiro tempo. Milhares não viram o único gol do jogo, lá pelos 15 minutos; ficaram presos nas filas do lado de fora, nas catracas de acesso, em toda sorte de intempéries que devem ser enfrentadas e superadas pelos bravos cidadãos que decidem assistir a um jogo de futebol nesta metrópole. O horário das 19h30 em uma cidade como São Paulo, anotem aí, um dia será responsável por uma tragédia.

Quem entrou, no entanto, não teve vida fácil. É aqui que chegamos ao terreno da reconhecida incompetência (e má vontade) da S.E. Palmeiras para tratar o seu torcedor.

Vejam os senhores que a decisão de ceder alguns setores do estádio a grandes corporações resultou em situações como estas que podem ser observadas abaixo. Para efeito de sensibilização das empresas, os nomes serão expostos aqui (o que normalmente não acontece).

1. Setor Visa

É um caso antigo, e este blog já cansou de ser crítico quanto à decisão de colocar cadeirinhas e fechar o mais nobre de todos os espaços do que um dia foi a arquibancada do Palestra Itália. Tanto é assim que o Setor Visa sempre foi tratado por aqui por nomes menos pomposos: Setor Câncer, por exemplo. O que se viu na quinta:

Tivemos mais de 20 mil pagantes. Não cabia mais ninguém na arquibancada e as numeradas estavam cheias também. O Visa, no entanto, tinha uma ocupação reduzida, como os senhores podem observar na imagem acima: algo entre 35% e 40%. É a prova de que o público que vai até lá é formado em sua maioria por oportunistas ou por 'torcedores' (?) de ocasião.

O Setor Visa (ou a Visa?) acabou com o setor mais nobre do Palestra Itália. Acabou com a pressão, segregou os espaços, tirou lugares da arquibancada. E agora, em jogos como o desta última noite, tem gente que fica para fora enquanto enormes vazios se formam bem no meio do campo.

2. Setor Itaucard


Como se não bastasse uma, temos agora duas empresas do mesmo setor a ocupar espaços importantes do Palestra Itália. O local antes conhecido como Setor Família foi agora segregado, e é frequentado apenas por quem compra os ingressos com o tal cartão Itaucard (confere a informação?). Eu e os outros torcedores de arquibancada não podemos ir até lá. Mas a novidade deste último jogo é que o sujeito que compra o ingresso para aquele lugar também tem sua capacidade de locomoção reduzida.

Assim, no intervalo do jogo, centenas de pessoas ficaram espremidas na escada de acesso ao Setor Itaucard. Não por nada, mas porque queriam simplesmente ir ao banheiro (o que é meio complicado no pequeno espaço daquele setor). No entanto, por ordem de sabe-se lá quem, as pessoas foram impedidas de descer. Foram retidas na escadaria, enquanto os "cabeças-de-pinico" (nobres figuras que não estudaram e aí foram parar no 2º BPChoque) ficavam na contenção, por vezes disparando palavras pouco educadas em direção ao grupo de torcedores.

Foi uma cena bizarra: pessoas querendo ir ao banheiro e sendo impedidas pelos bravos e valorosos policiais militares. Tem mais gente por aí precisando arrumar o que fazer...

Obrigado e parabéns, Sociedade Esportiva Palmeiras.
A incompetência de nossos dirigentes é comovente.

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"Febre de bola", página 224:

"Em que nós todos estávamos pensando naquela tarde? Como pôde o confronto entre o Liverpool e o Forest ter ainda mais uma segunda partida? De certa forma, tudo faz parte da mesma coisa. As razões que me levaram a ir ao jogo entre o Arsenal e o Norwich, e a adorá-lo, foram as mesmas que haviam me levado a assistir à final entre o Liverpool e a Juventus depois da tragédia de Heysel, e é por essas mesmas razões que o futebol não mudou tanto assim em cem anos: as paixões que o jogo induz consomem tudo, incluindo o tato e o bom senso. Se é possível você se divertir assistindo a uma partida de futebol 16 dias depois de quase cem pessoas terem morrido em outra - e é possível, eu fiz isso, apesar do meu novo realismo pós-Hillsborough -, então talvez seja um pouco mais fácil entender a cultura e as circunstâncias que permitiram que essas mortes ocorressem. Só o futebol interessa, mais nada."

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Créditos das fotos
Setor Visa: meu irmão
Setor Itaucard: Rodrigo "Moacyr"

14 abril 2010

Promiscuidade

Toneladas de papel são desperdiçadas todo dia no Brasil para imprimir nomes como os de Teixeira, JJ Scotch Whisky, Del Nero, Valcke e coisas do gênero. Nos jornais, na TV, no rádio, na internet só se fala em estádio do Jd. Leonor, Copa de 2014 e Fifa. A promiscuidade dos envolvidos na 'polêmica' (?) chega a constranger e isso tudo para nada e por nada, a não ser para atender a certos interesses escusos e para colocar alguns nomes na mídia.

Não me importa, ao menos não hoje, a discussão sobre a cobertura dos veículos de comunicação. Se importasse, poderia dizer que o Estadão foi manipulado para cravar a manchete de ontem, segundo a qual o Jd. Leonor estaria fora da Copa. Como se observa, não é nada disso. Vejo, no entanto, muita gente por aí comemorando a exclusão do estádio do Jd. Leonor. Pergunto, pois: o que comemoram?

Será que não percebem que isso tudo é jogo de cena? Será que não percebem a promiscuidade de cada declaração de Teixeira, Valcke ou de quem quer que seja? Não percebem que a cada dia desponta um novo nome no noticiário? Não percebem que Teixeira, tal qual uma criança mimada, procura agora se vingar do SPFW por conta da eleição do C13? Não percebem toda a politicagem suja e todo o mar de lama em que afundam nossos dirigentes esportivos?

Mais até: não percebem que, ao final de tudo, lá em 2014, o Jd. Leonor será sede da Copa do Mundo e que provavelmente vai receber o jogo de abertura? Será que não percebem que é este o rumo natural das coisas e que os interesses financeiros envolvidos em um evento assim serão mais determinantes do que o jogo de cena protagonizado agora pelo presidente da CBF? Será que não percebem que todo esse atraso se presta também a permitir lá no futuro a entrada de verba pública - de novo! - na reforma do estádio?

É tudo tão sujo, mas tão sujo, que até JJ Scotch Whisky, um símbolo da sujeira do futebol brasileiro, consegue sair disso tudo sem grandes arranhões, quase como se fosse uma vítima inocente da patifaria orquestrada por Teixeira. E eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer, mas este blog, em nome da sua coerência e de seus princípios, se vê obrigado a reconhecer os méritos do mandatário leonor, que ao menos não se deixou manipular pelo jogo de cena da CBF. JJSW manteve a coerência, bateu o pé, ficou do lado de Koff e aceitou correr todos os riscos decorrentes da decisão.

Só não pensem, meus caros, que isso se deu por idealismo ou por alguma virtude de caráter do velho bêbado. Nada disso. O ponto é que JJSW é puta velha e sabe bem onde está pisando. Ele conhece toda essa sujeira - porque é um dos grandes responsáveis por ela - e sabe que, lá na frente, o Jd. Leonor será sede da Copa e que isso nem mesmo a politicagem suja de Teixeira poderá evitar.

Detalhe: a conta será paga por cada um de nós.

E aí, vocês ainda vão comemorar?

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É provável que um leitor mais teimoso venha questionar se, na minha avaliação, o estádio do SPFW tem condição de abrigar a Copa-2014. Ao que eu responderia: sim e não. Sim, porque todo e qualquer estádio, dentro dos meus conceitos de futebol, pode receber qualquer jogo. O Jd. Leonor, em que pesem as minhas discordâncias pessoais e mesmo a sua história suja, não deve nada a outros estádios brasileiros cotados para a Copa.

E não, porque nenhuma praça esportiva do Brasil se aproxima do tal Padrão Fifa, essa cretinice criada pela dona do futebol e que é pronunciada com certo deslumbramento pelos arautos da modernidade no futebol. Arena multiuso, conforto, cadeirinhas numeradas, o caralho: coisa de europeu ou de brasileiro metido a tal. Diante disso, nenhum estádio tem condições de sediar a Copa.

Faltam quatro anos, senhores, e estamos imersos nessa merda toda. Maldita seja a Copa-2014. Ainda vamos pagar muito caro por isso.

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A promiscuidade, vejam os senhores, segue firme e forte também sob os domínios de Marco Polo Del Nero. Vejam os senhores, só por curiosidade, que o Santo André está treinando agora no CT do antigo Barueri, a terra que foi abandonada pela aberração hoje conhecida como Grêmio Prudente. Por puro revanchismo da prefeitura local, e aí somos obrigados a ver no jornal uma entrevista com José Calil. Por fim, ficamos sabendo que o Santo André, em plena semifinal, precisa lançar mão de uma promoção para encher o Bruno José Daniel: para ir ao jogo de domingo, não será preciso pagar ingresso; basta levar um quilo de alimento perecível.

Boa! No campeonato do Del Nero, semifinal vira jogo beneficente!

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Devido ao show do Aerosmith, em 29.05, o Palmeiras teve de alterar o local de dois de seus jogos pelo Campeonato Brasileiro:

29.05, sábado, 18h30, contra o Grêmio Prudente/MS: do Palestra para a Arena Barueri
02.06, quarta, 21h50, contra o Flamengo/RJ: do Palestra para o Pacaembu

Contra o Flamengo no Pacaembu, ok. Mas eu queria saber o que se passa na cabeça dos nossos dirigentes para escolher essa tal Arena Barueri e, pior, logo contra a aberração de Prudente/MS. Parece provocação, não?

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"Febre de bola", página 239:

""Vocês podem enfiar os seus dois pontos no rabo", cantava a torcida alegremente, vezes sem conta, durante todo o jogo com o Manchester United, e aquilo começou a parecer a mais perfeita expressão musical do Arsenal: tomem os nossos pontos, prendam o nosso capitão, detestem o nosso futebol, que se danem vocês todos. Foi a nossa noite, uma exibição de solidariedade e rebeldia que não deixava áreas cinzentas de prazer vicário para mais ninguém, uma aclamação das virtudes de tudo que não é virtuoso. O Arsenal não é o Nottingham Forest, o West Ham ou o Liverpool, times que inspiram afeto ou admiração em outros torcedores; não dividimos nossos prazeres com mais ninguém."

13 abril 2010

O refúgio dos covardes

Painel FC, 8 de abril de 2010:

Ufa!
Jogadores do Palmeiras comemoram o fato de a diretoria anunciar para breve o começo das obras da arena do clube. Alegam que terão de atuar somente por mais quatro ou cinco jogos no Palestra Itália e se verão livre dos torcedores corneteiros.

Pedido. Os atletas, inclusive, querem propor ao presidente Luiz Gonzaga Belluzzo que, no projeto do estádio, a "turma do amendoim" fique bem distante do gramado, a fim de diminuir a pressão.


As notas acima foram publicadas na Folha de S.Paulo da última quinta-feira. A fonte não é nada confiável, mas o que está dito reflete muito de um senso comum que se criou há poucos anos e que hoje é tomado como se fosse verdade. Alguns setores da imprensa inventaram até um nome, em tom jocoso, para isso: é o fantasma do estádio Palestra Itália.

Se é verdade ou não o que se diz nas notas do Arruda, pouco importa. Elas estão aí por seu efeito ilustrativo; certo mesmo é que há jogadores (e não só) na história recente do Palmeiras que fizeram disso uma ladainha, um escapismo dos mais covardes, um refúgio para esconder a própria incompetência. Sim, há covardes que se refugiam atrás de ideias, de preceitos ou de conceitos. E, convenhamos, um “fantasma” cumpre bem esse papel.

Cabe então desmistificar – ao menos em parte – essa balela.

Fato é que o Palmeiras é historicamente um dos clubes brasileiros que registra o melhor aproveitamento como mandante. São os números, ok? Foi assim por décadas e só recentemente, em parte pelo pouco comprometimento de uns e outros e também pelo baixíssimo nível técnico de algumas peças, o time passou a colecionar fracassos seguidos em seu estádio.

Foram muitos, é bem verdade, mas o que se deve discutir não é tanto a quebra de certos tabus ou a perda da mística de um Palmeiras quase imbatível no Palestra. A questão que se discute é outra: afinal, a pressão e as cobranças da torcida são causa ou consequência dos maus resultados?

Sempre que este blog traz uma pergunta, os senhores já devem saber, vem logo uma resposta. Vamos a ela: a pressão é consequência e não causa. Porque se é ameaçadora a cobrança exercida pelo torcedor palmeirense (time grande é assim!), ela se deve aos maus resultados do clube e mesmo ao baixo comprometimento de alguns atletas – e aqui, senhores, o bicho pega.

É preciso dizer ainda que tem muito vagabundo nesse elenco atual que não resistiria à pressão de tempos anteriores. Sim, porque é justo dizer que a cobrança já foi muito maior e que mesmo a tal Turma do Amendoim - na boa, existe isso ainda? - já foi mais implacável do que é hoje. Já houve tempos em que as manifestações eram mais cruéis do que hoje. O que se vê agora - guardados os casos mais extremos - é até pouco diante do merecido.

Portanto, se é inegável que o Palmeiras perdeu muito de sua força no Palestra em especial nesta última década, é ainda mais incontestável que isso nada tem a ver com o papel da torcida - pelo contrário. Não há interferência (negativa) da torcida. O palestrino, contra tudo e contra todos, faz o que é possível para levar o time à vitória. Os jogadores é que não têm correspondido e aí se escondem atrás desse tal fantasma. É o reflexo da covardia de uns e outros que já vestiram (e ainda vestem) a nossa camisa.

Acontece que dentro de dois dias, na próxima quinta, teremos mais uma decisão no Palestra. Será a primeira de uma série de quatro finais em casa. Quatro finais, quatro chances para esses jogadores provarem que não são covardes, quatro passos para o título.

Nós vamos estar na arquibancada e vamos fazer a nossa parte - como sempre fazemos. O resto é com os jogadores. Fantasma é o caralho, seus vagabundos! Tratem de jogar futebol! Aqui é Palmeiras!

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"Febre de bola", página 244:

"O que aconteceu é mais perturbador ainda: comecei a saborear o sofrimento que o futebol proporciona. Estou ansioso por mais campeonatos, por mais idas a Wembley, por mais vitórias de último minuto sobre o Tottenham em White Hart Lane, é claro que estou, e quando isso acontecer vou ensandecer feito todo mundo."

12 abril 2010

Roteiro repetido

O time até que jogou bem, consideradas as evidentes limitações. Meteu bola na trave, perdeu gols, teve o domínio do jogo. Foi mais transpiração do que inspiração, até porque esta não tinha muito de onde sair. Mas veio o árbitro, um pobre diabo, e definiu tudo para o inimigo. Não deu pênalti, anulou gol, enxergou impedimento inexistente. E aí a torcida do outro lado, apática durante todo o jogo, saiu cantando vitória, já acostumada a um roteiro que se repete à exaustão nos últimos anos.

Vocês, amigos palestrinos, conseguem ver aí o script de muitas das derrotas que o Palmeiras sofreu para o SPFW nos últimos anos?

Pois é, os elementos estão todos aí. Acontece que isso tudo não se refere a um clássico nosso contra os bichas, mas sim ao duelo de ontem entre Vasco e Flamengo. Foi bem assim: o Vasco foi superior, o juiz interferiu de maneira grotesca, o Flamengo, displicente, chegou aos gols em jogadas esporádicas e o resultado final foi o mesmo de quase sempre nos últimos anos. A novidade de ontem foi a completa apatia da torcida rubro-negra, que mais parecia em protesto, tamanho foi o silêncio do lado de lá.

Ao final, com a vitória assegurada, os cantos lá do outro lado lembravam muito os de certa torcida paulistana que vive parasitando atrás de vitórias descomplicadas. E eu, enquanto acompanhava lá do alto o tal camisa 9 flamenguista fazer o que bem queria com os zagueiros do Vasco, percebi que estava vivendo no Maracanã a mesma realidade desoladora dos últimos clássicos aqui em SP.

Como se vê, as semelhanças entre Palmeiras e Vasco vão além do desejado. E tudo isso, eu espero, há de ser passageiro. Aqui e no Rio.

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"Febre de bola", página 105:

"Estou escrevendo umas nove horas antes do jogo do Arsenal contra o Benfica pela Copa da Europa, a partida mais importante em Highbury em anos, e minha companheira vai estar comigo: o que acontecerá se ela desmoronar? Vou ter a decência, a maturidade ou o bom senso de providenciar cuidados adequados para ela? Ou vou empurrar aquele corpo inerte para o lado e continuar berrando com o bandeirinha na esperança de que ela ainda esteja respirando ao fim dos 90 minutos, sempre presumindo, é claro, que não se chegue à prorrogação e à disputa de pênaltis?
(...)
Mas a verdade é que foi isso que o futebol fez comigo. Transformou-me numa pessoa que não ajudaria se sua namorada entrasse em trabalho de parto num momento impossível (muitas vezes já me perguntei o que aconteceria se eu estivesse prestes a me tornar pai num dia de final de taça para o Arsenal); e durante os jogos viro um garoto de 11 anos. Quando descrevi o futebol como um retardante, estava falando sério."

08 abril 2010

Uma torcida abandonada

Falta ainda muito tempo até lá, não aconteceu nem mesmo o jogo de ida, mas já me sinto impelido a escrever desde agora sobre o duelo entre Brisa/PR e Palmeiras em Curitiba, no próximo 21 de abril. A questão é que vamos decidir a vaga fora de casa e, em situações assim, a presença da torcida é fundamental. Supondo que a diretoria alviverde torça pela classificação do Palmeiras, seria de se esperar um esforço mínimo no sentido de ter o seu torcedor ao lado do time lá em Curitiba.

Seria, se estivéssemos falando de um clube (ou melhor, de uma direção) que tem pelo seu torcedor algum tipo de respeito. Não é o caso dos homens que comandam o nosso Palestra. Só para ficarmos em alguns exemplos:

-Somos confrontados já há algum tempo - e sem qualquer motivo - com o ingresso mais caro do Brasil;

-Tivemos o nosso estádio fatiado e entregue a empresas, uma das quais tomou de assalto o lugar mais privilegiado da arquibancada para enfiar ali um monte de cadeirinhas, hoje ocupadas por oportunistas ou 'torcedores' de ocasião. A pressão, antes insuportável para o adversário, deixou de existir;

-O Palmeiras é referência mundial quando se trata de incompetência para vender ingressos;

-A atual diretoria alviverde nos enrolou por meses para então lançar este tal Avanti, o mais cretino programa de relacionamento entre clube e torcedor (ou consumidor, no caso);

-Não há na história recente qualquer iniciativa no sentido de promover o bem-estar do torcedor habitual do clube, aquele que vai a todos os jogos, contra qualquer adversidade.

Para este post específico, me interessa o último item, e então eu vou tratar do desprezo concedido por nossos diretores ao grupo de torcedores mais expressivo que qualquer clube pode ter: aquele que vai a todos os jogos em casa e ainda viaja Brasil afora para acompanhar o time. Este grupo de torcedores, do qual eu faço parte, longe de desfrutar de qualquer benefício em casa, ainda sofre sozinho para lutar, longe de casa, por um ingresso que deveria ser vendido antes no estádio Palestra Itália.

Notem que, por força de lei, os clubes visitantes em torneios promovidos pela CBF têm direito a 10% do total de ingressos colocados à venda. 10%. Tais bilhetes deveriam, a se considerar um raciocínio lógico, ser comercializados com antecedência na casa do clube visitante, facilitando a aquisição dos mesmos pela torcida.

Seria este o procedimento normal, mas a diretoria do Palmeiras não dá a mínima para isso. Tanto é assim que as bilheterias do estádio Palestra Itália nunca abrem antes de jogo como este de Curitiba.

Assim, sofremos o inimaginável para conseguir algo que deveria chegar até nós com certa facilidade: um ingresso.

Da última vez que estive em Curitiba, pelo Brasileirão-2008, não pude entrar na Arena da Baixada. Viajei daqui até lá, ida e volta, para bater a cara no portão do estádio e voltar. Como alguns dos meus conseguiram entrar, tive de ouvir o jogo pelo rádio, do lado de fora, antes de pegar a estada. Pior situação viveu a caravana da Mancha: os ingressos prometidos não foram entregues, e todos os cinco ônibus bateram na porta da Arena e, sem que os torcedores pudessem descer, regressaram para SP.

Isso tudo gerou uma carta à diretoria, em apelo publicado por este blog. Não levou a lugar algum. Quase dois anos depois, eis-me aqui escrevendo sobre o mesmo assunto, o que comprova a situação de abandono de que somos vítimas nesta e em qualquer outra gestão.

Neste feriado de 21 de abril, quarta-feira, muitos palmeirenses gostaríamos de ir a Curitiba para empurrar o Palmeiras à classificação. Afinal, a Copa do Brasil é o que nos resta pelos próximos meses, a caminhada depois da Brisa/PR é bem confortável e tudo o que se poderia esperar era a força do torcedor palmeirense (de São Paulo) para levar o time à vitória.

E eu, que vou a todos os jogos em SP e viajo para qualquer lugar atrás do meu time, devo seguir daqui até Curitiba sem ingresso e sob a grave ameaça de bater a cara na porta do estádio e voltar sem poder apoiar o clube que eu amo. Só porque a diretoria da S.E. Palmeiras não dá a mínima importância para o seu torcedor.

Há torcidas que abandonam seus clubes.
O Palmeiras é um clube que abandona a sua torcida.

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Isso tudo, de certa forma, vale como resposta (e como um desafio) a dirigentes ou jogadores que, nos maus momentos, vêm a público solicitar que o torcedor compareça ao estádio para incentivar o clube. "Precisamos do apoio da torcida", dizem. Ok. Mas nem seria preciso pedir isso; nós vamos de qualquer jeito. Não por eles, mas pelo nosso sentimento pelo clube. Vamos não influenciados por qualquer pedido, mas porque amamos o Palmeiras e seguimos atrás dele mesmo contra qualquer adversidade.

Agora, caros diretores, é a nossa vez de vir a público: queremos ir ao jogo em Curitiba - e a todos os outros. Mas aí depende de vocês também. E aí, como ficamos? Seria possível levantar a bunda da cadeira, tomar uma atitude e trazer para SP os NOSSOS ingressos?

Com a palavra, Belluzzo, Del Grande, Cipullo, Prado, Savério etc.

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"Febre de bola", páginas 107 e 109:

"Meus companheiros naquela tarde eram sujeitos de meia-idade já trintões e quarentões, afáveis e de boa índole, que simplesmente não tinham a menor concepção da importância daquela tarde para o restante de nós. Para eles aquilo era um dia de folga, uma coisa divertida para se fazer numa tarde de sábado; se alguma vez eu os reencontrasse, acho que não conseguiriam se lembrar do placar do jogo, nem de quem marcou o gol (passaram o intervalo falando de futricas no trabalho), e de certo modo, fiquei com inveja daquela indiferença.
(...)
... para eles, aquilo era realmente apenas um jogo, e provavelmente me fez até bem passar um tempo com gente que se comportava, em tudo e por tudo, como se o futebol fosse um espetáculo divertido feito o rúgbi, o golfe ou o críquete. É claro que não é nada disso, mas foi interessante e instrutivo passar pelo menos uma tarde com gente que acreditava que fosse."

A noite do desprezo

Pode existir vergonha maior do que encerrar o Campeonato Paulista-2010 abaixo da primeira metade da tabela de classificação e com saldo de gols negativo? Sim, pode. O desprezo é ainda pior: o grande Palmeiras, com seus 15 milhões de torcedores pelo país, foi preterido pela emissora de TV a cabo, vejam só os senhores. Em vez do nosso jogo, eis que resolveram transmitir a partida de um time que, sem casa, sem torcida, sem alma e sem dignidade, começou o torneio com um nome e vai terminar com outro. E assim o alviverde encerrou sua tenebrosa participação no Paulista como um time marginal, quase como um Mirassol, um Monte Azul, um Sertãozinho qualquer. Como se nada fosse, como se ninguém se importasse, como se não fizesse a menor diferença. Triste, muito triste...

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"Febre de bola", página 244:

"O que aconteceu é mais perturbador ainda: comecei a saborear o sofrimento que o futebol proporciona. Estou ansioso por mais campeonatos, por mais idas a Wembley, por mais vitórias de último minuto sobre o Tottenham em White Hart Lane, é claro que estou, e quando isso acontecer vou ensandecer feito todo mundo."

07 abril 2010

Enfim, o fim

Em nove jogos disputados no Palestra, duas míseras vitórias, somadas a quatro empates frustrantes e três derrotas vexatórias (1 a 4, 1 a 3 e 0 a 2). Uma diretoria que demite o técnico por covardia e traz um incompetente para o lugar. Uma fuga de campo, jogo adiado horas antes, omissões em série. Contusões, craques apagados, um cenário desolador. A pior média de público em décadas, guerra entre organizada e diretoria, disputas internas tirando a paz de todos. O Paulistão-2010, este monstro criado pela mente doentia de Marco Polo Del Nero, chega ao fim hoje à noite. Veio se arrastando até aqui, por entre seus exagerados 20 times, alguns dos quais nem parecem fazer parte da Série A. Foi uma verdadeira tortura, mas chegamos vivos até aqui. Pouco importa o resultado desta noite em Jundiaí; importa mais é que chega ao fim um dos campeonatos mais esquecíveis da gloriosa história alviverde. Na pior das hipóteses, o Palmeiras se despede com saldo de gols negativo; na melhor, termina na metade de cima da tabela. Não diz nada. O Paulistão-2010 chega ao seu final. Finalmente. Agora só o que precisa terminar é o ano de 2009, que nos persegue desde então.

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A classificação do Grêmio Barueri de Prudente (ou Grêmio Prudente de Barueri ou coisa assim), se confirmada hoje à noite, será o retrato perfeito desta aberração criada pela gestão Marco Polo Del Nero.

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"Febre de bola", páginas 110 e 111:

"Sei que sou particularmente idiota quanto a rituais, e sempre fui assim, desde que comecei a ir a partidas de futebol, mas também sei que não estou sozinho nisso. Lembro que quando mais novo tinha de levar a Highbury um pedaço de massinha de modelar, de adesivo ou de outra besteira qualquer, que eu ficava puxando e repuxando nervosamente a tarde toda (eu já era um fumante antes de ter idade suficiente para fumar); lembro também que tinha de comprar o programa no mesmo vendedor de programas, e que tinha de entrar no estádio pela mesma catraca.
(...)
Investimos horas a cada dia, meses a cada ano, anos a cada vida em algo sobre o qual não temos controle algum; é de espantar, então, que fiquemos reduzidos a liturgias engenhosas - porém bizarras - criadas para nos dar a ilusão de que somos poderosos apesar de tudo, tal como fazem todas as outras comunidades primitivas quando deparam com um mistério profundo e aparentemente impenetrável."

01 abril 2010

O meu time

Johnson, Galuppo, Luiz, Ulisses, Luigi, Giovanni, Marcel, Guto, Vitor, Vitor Napoli, Zoinho, Maníaco, MRito, Rafael, Cabreirão, Giocondo, Sylvio, Teo, Barbi, Beto, Del, Boi, Moacyr, irmãos Tchak, Michel, Aragonez, Pedrão, Thiago, Velma, Julio, Gottardi, Pessini, Samora, Gorfada, irmãos Falavigna, Ademir, Hiran, Davi, Carol, Osmar, Serginho, Billy, Mateus, Daniel, Bill, Fernando, Vesgo, Néspoli, Giovanna, Nicola, Renato, FH...

Este é o meu time. É o que faz valer qualquer jogo, mesmo um esquecível como o de ontem. Pelas pizzas no clube antes, pelas cervejas lá dentro e depois no Alviverde, pelos encontros com os amigos, pelas piadas, pelas brincadeiras, pelas novas amizades a cada tarde ou noite, mesmo pelos gols que eventualmente podemos perder em uma conversa paralela.

Ontem, entre os 7 mil e tantos pagantes que se dispuseram a enfrentar o horário das 21h50 para assistir a um jogo dos mais chatos, calhou de termos a presença de quase todos os acima citados. Um ou outro não apareceu, e eu devo ainda ter cometido alguma injustiça e esquecido algum nome (neste caso, peço desculpas; me avisem para que eu faça a devida inclusão).

De toda forma, o grupo aí do alto (com alguns agregados aqui e ali) é composto por aquele tipo de gente que você já espera encontrar no estádio antes mesmo de chegar lá. Quando alguém não aparece, é inevitável perguntar se fulano está doente, se está fora do país ou se aconteceu algo que seja grave a ponto de justificar a ausência.

Contra o Paysandu, como sempre, estivemos todos no Palestra. Porque sempre estamos. Seja lá qual for o time que estiver em campo, eu sei que o time da arquibancada vai estar lá. Por anos, décadas, por toda a vida; é o que importa.

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“Febre de bola”, página 152:

"Ele era (e ainda é) tão idiota quanto eu em relação ao troço todo - pois tem a mesma memória absurda, a mesma propensão a deixar sua vida ser dominada durante nove meses do ano por tabelas de campeonatos e horários de tevê. E tomado pelo mesmo borbulhar temeroso no estômago antes de jogos importantes, e pela mesma depressão pavorosa após derrotas contundentes."

Politicagem suja

Causou surpresa o pronunciamento ontem do senhor Ricardo Teixeira sobre o estádio do Jd. Leonor na malfadada Copa de 2014. Nem tanto pela mensagem, mas pela forma um tanto virulenta de proclamar “novos” fatos dessa putaria indecente que já encheu o saco. E este blog, até por não dar a mínima importância à Copa por aqui, sente-se no dever de manter a coerência e avaliar toda essa patifaria sem se deixar levar pelo ódio contra a corja bambi. Vejam os senhores que Ricardo Teixeira, o tirano, utiliza o seu poder junto à Fifa para pressionar o SPFW na politicagem em curso para eleger Kléber Leite como presidente do C13. Não sei se vocês todos estão acompanhando as notícias dos últimos dias, mas a coisa tá feia. Teixeira quer controlar também os clubes e, para isso, aposta na figura de Kléber Leite, que não consegue despertar a simpatia nem mesmo da atual direção de seu clube, o Flamengo. E aí Teixeira faz força, ameaça, pressiona, lança bravatas. A pressão, cumpre dizer, começa pelo SPFW, pois há esse fato (de) concreto que interessa às moças, mas vale para todos os demais clubes que já manifestaram apoio a Fabio Koff. Para fazer o trabalho sujo, Teixeira tem um capanga: Marco Polo Del Nero. O presidente da FPF, que acaba de ser reeleito até 2014, tem articulado um movimento junto aos clubes que até agora não surtiu efeito. Del Nero, é bom lembrar, é capanga da Rede Globo de televisão no caso da lei que proíbe jogos de futebol na madrugada. E, vejam como as coisas se encaixam, a mais recente entrevista de Ricardo Teixeira sobre o caso Jd. Leonor na Copa foi concedida à emissora câncer do Jardim Botânico, a mesma que se sente tão incomodada pelo projeto que foi aprovado também pelo senhor vereador anão de jardim. E o SPFW, é justo dizer, é o único entre todos os clubes paulistas que tomou posição contra a Globo.

Vejam só: o futebol brasileiro está tão sujo que Teixeira, Del Nero, Globo e Fifa conseguem fazer este blog manifestar uma posição favorável à escória leonor. Onde vamos parar?

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Por sinal, a CBF, em troca da eleição de Kléber Leite no C13, admite abrir mão até mesmo da organização do Campeonato Brasileiro, com a criação de uma liga dos clubes. Segundo esta matéria da Folha de S.Paulo, “a CBF não quer mais ter dor de cabeça com o Nacional, principalmente no que se refere a organização e arbitragem.”

Dá pra acreditar?
Sem o Brasileiro, para que serve a porra da CBF?

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"Febre de bola", página 127:

"... após seis semanas seguidas de semifinais e finais, de escuta no rádio e procura por ingressos para Wembley, a confusão do futebol se fora e não havia nada com o que substituí-la. Finalmente tive de pensar no que ia fazer, em vez de no que o técnico do Arsenal ia fazer."