30 outubro 2009

Pra lavar a alma...


A chuva que se insinuou durante todo o dia foi apenas garoa durante parte do jogo, mas cumpriu o seu papel nas horas anteriores: afastou os consumidores oportunistas e os turistas ocasionais e permitiu que fossemos ao Palestra Itália apenas os guerreiros. O clima foi todo favorável, com a união de time e torcida, como bem convém à nossa história gloriosa, e o resultado foi uma noite daquelas que ficam guardadas em um lugar bem especial na memória do torcedor.

Foi uma noite para lavar a alma. Para renascer. Para honrar a nossa história. Para mostrar que o Palmeiras é Palmeiras, e que não se brinca com isso. Noite de Obina, um herói deslocado, em constante provação. De deixar para trás tudo o que vinha dando errado. Da torcida. Dos muitos guerreiros que acreditamos neste time e nesta camisa (mesmo que seja a azul, e não a verde). Noite de Palmeiras.

O Palestra Itália foi palco de uma vitória que lavou a alma de muita gente. E só quem tem alma pode viver uma noite assim. Só quem tem alma. Só quem é capaz de renascer e de provar dia após dia e noite após noite que não se brinca com time grande. Só quem tem alma pode viver o doce sabor da superação, da vitória sofrida, da batalha vencida com suor, de renascer para algo ainda maior.
Estamos aí, e mais seis batalhas como esta virão, uma mais difícil do que a outra. Podemos até não ficar com o título, mas o orgulho de ser palmeirense apenas se renova depois de uma noite como esta. Domingo tem mais. É com a gente, de novo e sempre!

***

Eu pensei em deixar um recado não muito educado para o pessoal do site Palmeiras Todo Dia (é bom dar o nome ao boi, porque vieram me cobrar isso durante a semana) e para todos os babacas que levantaram a idéia de boicote ao time. Mas não é o caso de apelar para palavras de baixo calão. Melhor mesmo é agradecer e registar aqui um pedido que é muito mais uma exigência.


O agradecimento é porque se alguém deixou de ir ao estádio movido pelos ideais deste povinho, este alguém não deve mesmo estar deste lado da trincheira. Foi, portanto, um favor prestado. E o pedido (que deve ser encarado como exigência) é este: não apareçam nunca mais no estádio. Nunca mais! O Palmeiras não precisa de gente como vocês!

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Será que os editores do L! e de alguns cadernos de esporte dos jornalões já conseguiram encontrar alguma destinação adequada para os panfletos que publicaram ontem? 

27 outubro 2009

Expulsos de campo

Duas indicações: o blog Expulsos de Campo e o vídeo, abaixo.



A sabedoria que vem das ruas da Mooca:

"E diga não aos falsos jornalistas, que estão falando muita besteira por aí... Cuidado, porque a mídia é o pior mal que tem no futebol moderno..."

"Futebol é a alegria do povão. Todo mundo trabalha e se fode de segunda a sexta, mas depois toma sua cerveja e vai com os amigos ao estádio... e estão tirando isso do povo, e o povo não vê e não se toca e não vai atrás..."

"Pouca gente está percebendo ou pelo menos reagindo e o futebol está virando para a classe A, B... e daqui a pouco sem B, só A..."

ÓDIO ETERNO AO FUTEBOL MODERNO!

26 outubro 2009

Respeito zero

Certo, eu tinha prometido me retirar até quinta-feira, mas tem gente que não deixa e aí eu sou obrigado a quebrar o silêncio. Como as coisas não têm acontecido para o bem, este blog acaba por tomar feições um tanto ranzinzas, o que, confesso, já me incomoda a ponto de fazer repensar os rumos da página. Feito o desabafo, eis aqui:

32ª rodada
Palmeiras x Goiás/GO, arquibancada a R$ 40
SPFW x Internacional/RS, arquibancada a R$ 8

Isto, senhores, dá a medida exata do tratamento destinado pelas diretorias de Palmeiras e do SPFW às suas respectivas torcidas nesta reta final de campeonato. A disparidade chega a ser estarrecedora. Portanto, em nome dos muitos palmeirenses que, ainda sem o salário na conta nestes últimos dias do mês,
não poderão investir R$ 40 para apoiar o Palmeiras no momento em que o time mais precisa, eu me permito enquadrar os responsáveis pelo departamento financeiro da Sociedade Esportiva Palmeiras na categoria dos profissionais (?) inábeis, incompetentes e desonestos.

Isto tudo e mais um pouco. Porque se nem agora, com o time em péssima fase e quando a torcida teria papel fundamental, eles tiveram a decência de reduzir o preço dos bilhetes, não há o que me obrigue a medir as palavras.

Tem mais:

Esta mesma diretoria levou o clássico contra os gambás, no domingo, novamente para a maldita cidade de Presidente Prudente e ainda se sentiu no direito de cobrar R$ 50 pela arquibancada. Um completo absurdo, um pouco pela fase dos times, outro tanto porque o jogo acontece no fim do mês, mas especialmente porque o valor não se justifica sob nenhum argumento.

É um roubo. E é um atentado, mais um, contra a história do clássico. E se os nossos dirigentes não respeitam a torcida que tanto tem incentivado o time, eu não preciso mesmo respeitá-los. Isso já cansou
. O Palmeiras não merece ser dirigido por gente assim...

***

Um alerta:
Cleiton Xavier está fora pelos próximos 30 dias. Preocupa muito. Mas é bom estarmos preparados também para o jogo em que ficaremos sem os dois meias titulares. Porque Diego Souza já tem dois cartões amarelos e o terceiro virá em um dos próximos seis duelos. É inevitável, a não ser que alguém da diretoria ou da comissão técnica baixe uma determinação para que o nosso camisa 7 fique distante de todo e qualquer episódio que possa render uma advertência. São seis jogos que pedem atenção máxima. Porque um cartão amarelo pode reduzir o nosso poderio ofensivo a quase zero. Está feito o alerta!

***

Até quinta, lá pelas 19h30, no Palestra. É com a gente!

25 outubro 2009

O tamanho do prejuízo

Certo, eu disse que não iria mais escrever e que ficaria ausente de tudo o que cerca os nossos inimigos, mas fraquejei. Este é o último post até quinta-feira, e serve apenas para contabilizar o tamanho do prejuízo ocasionado por todas as últimas três derrotas do Palestra.

De início, cabe dizer que o problema maior não se deve às vitórias dos nossos concorrentes ao título. Eram todas esperadas, em especial a do Galo em casa e a dos bichas diante de sua filial na Baixada. Dava também para prever o mesmo do Inter, pois este Grêmio é uma negação fora, e a dos molambos, em uma boa fase que parece não ter fim. E elas, as vitórias dos times que nos perseguem, deveriam ocorrer cedo ou tarde - como agora.


A questão é que o Palmeiras precisou de apenas três rodadas para dizimar o saldo de gols acumulado ao longo de todo o campeonato. A diferença entre gols pró e contra despencou de 18 para 11, matando a única vantagem que tínhamos sobre alguns dos adversários diretos.

O problema todo é que o Palmeiras foi ressuscitar logo o Flamengo, que agora entra de vez na briga, e deu sobrevida a dois moribundos da zona de rebaixamento, Náutico e Santo André. Além da perda de seis pontos, o que pode pesar é o acirramento da disputa lá embaixo.

Logo vamos enfrentar o Fluminense, que já pode chegar à 34ª rodada quase como um zumbi, mas o grande problema pode ser o Botafogo, na 38ª, no Engenhão. A minha torcida era para que o alvinegro carioca escapasse o quanto antes, de modo a não precisar do resultado na última rodada. Mas aí o Palmeiras resolveu perder para Náutico e Santo André, complicou a vida do Botafogo e pode pagar por isso lá no dia 6 de dezembro. Enfim, deu tudo errado...


Até quinta, já provavelmente sob o efeito psicológico de termos perdido a liderança nos jogos de quarta. Será que é isso que está faltando?

***

OT: "Que la chupen!"


Enrique Aznar escreve uma pequena coluna na Placar, sob a alcunha de "O homem mais irado da cidade". Eu quase sempre concordo com suas idéias, que versam normalmente sobre o excesso de viadagem no futebol, sobre as interferências excessivas de empresas, dirigentes e emissoras de TV e sobre a mercantilização do esporte. Aqui vai a coluna deste mês:

"O bairrismo é imbecil. O nacionalismo, ridículo. Então toma! Chupa! A Argentina está na Copa, e não há Copa do Mundo decente sem a Argentina. Sua raça, seus dramas, sua intensidade, suas glórias e desgraças. Maradona é um gênio, e só a figura dele no banco justificaria a vaga no Mundial. Não importa quantas boagens faça na escalação e no esquema. Maradona é alma, e é de alma que o futebol sobrevive. Estúpidos os que torceram contra a Argentina. Idiotas os que tripudiaram nas ruas e nos programas de TV da hora do almoço. A Argentina vai à Copa. E quem estiver em seu caminho que trema!"

Por Enrique Aznar

24 outubro 2009

Retiro

Eu comentava, nas primeiras horas da madrugada de quarta para quinta, não sei se com o Luiz ou com o Galuppo, e não sei se voltando de Santo André ou já em casa, que este time do Palmeiras precisava sair de São Paulo por uns dias. Fugir da imprensa, respirar outros ares, não ouvir tanto o que vem da torcida. Precisava de um daqueles retiros espirituais em Atibaia, bem ao gosto do Madureira.

Eis então que é isso mesmo que vai acontecer a partir de segunda. Não é bem do perfil do Muricy -
e o Madureira conseguiu banalizar a iniciativa nos últimos anos -, mas é uma medida necessária. É assim não apenas para os jogadores, mas para os torcedores também. Não adianta ficar ouvindo, lendo e acompanhando tudo o que diz a imprensa. Não adianta ficar buscando explicações para o inexplicável, não adianta submergir diante de teorias conspiratórias, não adianta desistir antes da hora.

Adianta, isso sim, fazer aquilo que sabemos e que é tudo o que pode ajudar o Palmeiras: torcer!

Vejo por aí que tem grupos pregando boicote ao jogo da próxima quinta. É errado e é covarde, um pouco mais porque a proposta parte de gente que já tem o costume de não ir a estádios. O palmeirense pode ajudar o seu time indo a campo, cantando e buscando a vitória junto com os jogadores. E é isso que devemos fazer, pois é nas horas mais difíceis que se sabe quem é quem.

Até quinta, silêncio. A nossa parte a gente faz na arquibancada.


***

*Não se trata nem de perseguição ao Palmeiras. O caso é que o STJD segue firme na campanha para transformar o futebol em um esporte de viado. Só isso.

22 outubro 2009

O preço do título

Junto com o time do Palmeiras, quem também virou o fio antes da hora foi a edição de novembro da Placar, que chegou hoje para os assinantes com a sua capa já perdida em meio à derrocada alviverde. É no mínimo irônico receber em casa, no dia seguinte à humilhação sofrida em Santo André, uma revista que traz na capa Diego Souza e Vágner Love com a manchete "O preço do título".

O preço do título, no caso, corresponde às dívidas contraídas pela diretoria diante do esforço para manter jogadores com propostas do exterior, dos aumentos de salário e da repatriação de Love. O esforço, diga-se, foi elogiado por este blog e pela quase totalidade da torcida palmeirense. É este também o foco da reportagem da Placar, que só não poderia prever as três derrotas seguidas de um time que tinha perdido até então apenas quatro em 28.

Ainda líder, o Palmeiras de hoje parece incapaz de reagir e recuperar um título que já parecia ganho. Tal observação nem entra na conta da tendência extremista do palmeirense, que vai da euforia à depressão em questão de horas, e nem se deve creditar aos fantasmas do passado. Não é o caso, ao menos não agora. O pessimismo se justifica desta vez, tanto quanto o inconformismo e a decepção, sendo que esta pode ser tão grande quando a expectativa criada.

"Quanto custa um título?", pergunta a Placar, referindo-se ao tanto que o Palmeiras empenhou para voltar a ser campeão brasileiro depois de 15 anos. Difícil responder. Para o torcedor palmeirense, o custo é altíssimo, mais até do que os R$ 40 que nos tem exigido pela arquibancada, mais do que os R$ 47,11 de ticket médio na nossa casa e mais do que os R$ 50 que serão cobrados dos insanos dispostos a viajar de novo até a maldita Prudente Prudente. É mais do que todo o descaso dedicado pelo clube ao seu torcedor.

O prejuízo maior tem pouco a ver com o tanto que já foi gasto atrás do Palmeiras neste e em qualquer outro ano. Pesam agora a decepção irremediável, a quebra de confiança, a esperança que escorre pelas mãos de maneira tão inexplicável. É o custo de ver que mais um título pode ter sido jogado no lixo, e que, se for assim, será uma derrota para nós mesmos. É o custo de sucumbir ao fracasso e de passar a questionar o porquê de termos perdido muito da nossa grandeza em algum lugar desta década perdida.

"Se..."

Se tivesse entrado a primeira bola que parou na trave, não teria acontecido, logo no lance seguinte, a contusão do nosso camisa 10.Se não fosse tão moroso o nosso treinador ao fazer a substituição, o time não teria ficado cinco minutos com um homem a menos.

Se a troca acontecesse no momento correto, a bola rebatida pela zaga não iria parar no vazio onde deveria estar o nosso camisa 10.

E aí não haveria a jogada que resultou no primeiro gol, que acabou por nos conduzir a uma noite de torturas, tantas foram as tentativas de ataque que já se desenhavam infrutíferas.

Aliás, foi parar a bola nos pés de um ser maldito, desses tantos que aparecem no futebol para infernizar a vida de uma única torcida.

Foi como se tivéssemos então voltado seis anos no tempo, novamente diante deste pobre diabo que veste (e vestia) a camisa 9 do pequeno Santo André - é o que torna a derrota ainda mais doída.



Se tivéssemos agido com mais firmeza naquela manhã de domingo no Pacaembu, poderíamos ter cortado o mal pela raiz.


Nenhuma doeu tanto como esta última, e o segundo gol, humilhante ao extremo, funcionou para mim como uma dose de anestésico, quase como se eu já não estivesse mais na arquibancada do Bruno José Daniel.

Até lá, o Palmeiras afunda de "se..." em "se...", de gol em gol, de falha em falha, de não-gol em não-gol, de tropeço em tropeço, de omissão em omissão. Afunda sem explicação razoável e tão sem perspectiva que já começam a soar injustos a liderança e o ponto de vantagem que pode restar depois de domingo.

É como se já estivesse tudo perdido, mesmo com tanto a ser jogado. É como se tivéssemos perdido algo que nunca tivemos, a não ser em promessas que pareciam inquebráveis. É como se tivéssemos sido abandonados pela sorte e tomados pela certeza de que a bola nunca mais vai entrar, de que alguém sempre vai fazer besteira, de que toda a nossa luta é em vão.

Parece que fomos traídos, e é este o sentimento que me persegue desde Santo André e que parece não querer me deixar já pelo meio da madrugada.

É como se todos os "se..." conspirassem contra nós. E eu confesso a minha incapacidade de explicar o que está acontecendo. Só sei que estão tirando de gente o título mais ganho de todos os títulos ganhos que conseguimos perder nesta década perdida.

21 outubro 2009

De Santo André para o título

As minhas lembranças de Santo André não são exatamente as melhores que um torcedor de arquibancada pode ter, mas é tão consistente a minha confiança neste grupo de jogadores, no nosso treinador e em lideranças como a do presidente Belluzzo que eu me permito acreditar que a nossa arrancada começa na noite/madrugada de hoje: de Santo André para o título.

Não que vá ser fácil, pois nunca é, menos ainda fora de casa, mas aqui é Palestra, porra! Temos história, camisa e tradição para ir a qualquer lugar e buscar a vitória. Seremos visitantes, é verdade, mas em maior número que os donos da casa, e desta vez apenas com os guerreiros que acreditamos no time e que, por isso, encaramos o absurdo horário, o ingresso a R$ 50 e o deslocamento até o ABC não para comemorar algo que vem de graça, mas para empurrar o time à vitória.

Vamos em frente! Foi lá, na pequena cancha de Santo André que conquistamos o nosso último título neste sistema de pontos corridos, o Paulista de 1994. Foi lá, com um gol de cabeça de Evair, El Matador, que construímos mais uma página de nossa história. E é lá no ABC que podemos arrancar para mais um título. FORZA PALESTRA!

20 outubro 2009

Pacaembu, por que não?


Aproxima-se o dia de pegarmos a estrada novamente para chegarmos à inóspita Presidente Prudente, esta desprezível cidade do Mato Grosso do Sul. Será assim por decisão dos dirigentes de Palmeiras e SCCP, e o atentado contra a história do clássico Palmeiras x Corinthians - o terceiro do ano - fica ainda mais inaceitável à luz da recente liberação do Pacaembu para receber um público superior a 40 mil pessoas.

Não há estádio mais confortável, acolhedor ou bem localizado que o bom e velho Paulo Machado de Carvalho, e ele agora recebeu o aval das autoridades para 40.199 pessoas. É uma ótima notícia, em especial para uma possível final de Libertadores no próximo ano, e enseja também uma pergunta aos dirigentes dos dois maiores rivais desta capital: por que cazzo jogar no Mato Grosso do Sul para 45 mil pessoas se o jogo pode acontecer no Pacaembu para 40 mil?

Por que tanto desrespeito à história do clássico por apenas cinco mil lugares (e talvez algumas migalhas da prefeitura local)? E por que tudo isso se os caipiras nem são garantia de casa cheia (vide o último clássico, com público inferior a 30 mil torcedores)? Por que não tomar vergonha na cara e aproveitar o Pacaembu, bem aqui do nosso lado?

Aliás, cabe questionar por que existe tanta resistência ao Pacaembu entre a nossa diretoria. Parece terem esquecido que o Palmeiras é o clube que mais títulos conquistou no estádio municipal e que tem um retrospecto excelente lá, seja contra o SCCP, contra o SPFW ou contra qualquer outro clube. Tampouco levam em conta que vivemos ali o mais glorioso episódio de nossa história, em 20 de setembro de 1942.

Nada disso se explica, e o torcedor fica refém de decisões que levam mais em conta as migalhas de prefeituras caipiras do que fatores técnicos. Só espero que tal resistência não prevaleça no próximo ano, quando provavelmente ficaremos sem o Palestra, em reformas. É Pacaembu, por favor!

Em tempo: maldita seja a cidade de Presidente Prudente/MS!

19 outubro 2009

O Sálvio vem aí...

O SPFW é derrotado em casa pelo Atlético/MG e o desespero se instala entre os leonores - ainda mais do que no nosso caso. É hora então de apelar para o mais comprometido de todos os espaços da mídia bambi: o Painel Leonor da Folha de S.Paulo, assinado pelo esforçado Eduardo Arruda. O trabalho sujo aparece já no domingo, dia seguinte ao fracasso caseiro das moças.

Começamos com outra agressão barata do mais nocivo de todos os dirigentes bambis, aquele que está entranhado no governo estadual, lugar ao qual a escória está tão bem habituada há décadas:

Dividida
"Nossos dois maiores desafetos, o mister Valcke e o mister Sanchez, têm algo em comum: nenhum dos dois sabe falar português"
Do diretor de futebol são-paulino, JOÃO PAULO DE JESUS LOPES, sobre o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e o corintiano Andres Sanchez

Sutil, muito sutil...

Seguimos com as notinhas encomendadas pela diretoria bambi:

Só da ele. Causou estranheza no São Paulo a escalação de Salvio Spínola para trabalhar em Santo André x Palmeiras, na quarta. Reclamam de que ele é figurinha fácil nos jogos do líder do Brasileiro.

Exemplo. Gente do clube, aliás, defende que o presidente Juvenal Juvencio faça como o colega palmeirense Luiz Gonzaga Belluzzo e vá à CBF para falar sobre arbitragem. A alegação é a de que o clube alviverde não foi mais prejudicado depois que fez isso.

Sim, de novo ele, meus caros. Vem aí Sálvio Spínola Fagundes Filho, o capacho bambi, o caçador do Diego Souza, o homem que apita a favor das moças e ainda se dispõe a levar a fama contrária.

Já no dia 4 deste mês, quando o Palmeiras foi à Vila pegar o Santos, houve outra dessas notinhas pilantras no Painel Leonor:

Suspeita. Causou revolta no São Paulo a escalação de Sálvio Spinola hoje. Cartolas dizem que sempre que há um clássico regional importante do Palmeiras ele é quem apita.

Se fosse um profissional sério (ou se não estivesse comprometido com esta gentalha espúria), Arruda se preocuparia ao menos em fazer um levantamento como este aqui, que comprova o quanto Sálvio é prejudicial ao Palmeiras.

Com estes números em mãos, vê-se que Sálvio é presença constante em jogos do alviverde. Mas o curioso é que o Palmeiras não havia até então vencido nenhum clássico com a presença do caçador de Diego Souza como árbitro. Venceu o da Vila, mas Sálvio não escondeu a vontade de marcar pênalti em uma falta fora da área. Apontou a marca da cal, e foi salvo pelo seu assistente.

As notas do Painel Leonor evidenciam o comprometimento entre o jornalista Eduardo Arruda e suas fontes no SPFW, a disposição de Sálvio Spínola em ser capacho dos bambis e, mais do que isso, o fato de os leonores não se conformarem com o fato de não terem neste ano uma arbitragem tão benevolente como a dos últimos dois campeonatos.

De toda forma, o que importa no momento é que Sálvio Spínola vem aí de novo. E Diego Souza está pendurado. Vamos ficar de olho.


***

Este post tinha sido escrito ontem mesmo. Eis que hoje, segunda, temos uma atualização:

DIVIDIDA
"Como brasileiros, torcemos para o Rubinho, mas, com a camisa do Corinthians, sabíamos da incompatibilidade com título internacional"
Do diretor de marketing, do São Paulo, Adalberto Baptista, ironizando o clube do Parque São Jorge


Não é por nada, mas o Perrone pelo menos era mais discreto...

18 outubro 2009

Fantasmas de um passado recente

Agora não dá mais para esconder a preocupação, e ela não se deve tanto à redução da vantagem, ainda confortável, mas sim ao fato de o time não ter jogado as últimas três partidas, duas em casa e outra contra um pequeno que luta para não cair. Por mais que tentemos pensar em uma má fase circunstancial, parece difícil não ceder ao pensamento de que o time virou o fio muito antes da hora. E é então que somos visitados por fantasmas de um passado não tão distante.

Como em 2004 (28 de novembro, 1 x 2) e 2005 (3 de novembro, 0 x 1), recebemos os vermes em casa já nas rodadas finais do returno e ressuscitamos um adversário sempre perigoso. Se lá atrás ajudamos o Flamengo a escapar de rebaixamentos que pareciam inevitáveis, o que fizemos agora foi trazer os cariocas para a briga pelo título, que envolve cinco grandes clubes brasileiros.

Tanto em 2004 como em 2005, chegamos ao confronto contra o Flamengo na briga pelo título. Não tanto quanto agora, mas na perseguição aos líderes e com boas perspectivas. Caímos em casa, abandonamos a disputa pela liderança e terminamos em quarto lugar – nos dois anos. A diferença é que tínhamos então equipes irregulares, quase nenhum craque e técnicos que não inspiravam a mesma confiança que o atual.

Portanto, e poupando os senhores de comentários que podem soar repetitivos a esta altura do campeonato, é de se esperar que Muricy Ramalho e seus comandados mostrem na próxima quarta-feira, em Santo André, que o Palmeiras-2009 é diferente dos anteriores. Até porque a decepção de agora seria ainda maior do que em 2004, 2005, 2008 ou qualquer outro ano. E, na boa, nós não merecemos isso...

***

Eu não sei vocês, mas eu já fico pessimista quando percebo que o nosso capitão perdeu o cara ou coroa. Aí vem a inversão de campo, atacamos primeiro para o placar e depois para a piscina e as coisas não costumam caminhar bem. Malditos visitantes!
***

Jd. Leonor, sábado

Público: 25.947
Renda: R$ 665.095
Palestra Itália, domingo
Público: 26.462
Renda: R$ 1.246.776,24

Como os senhores podem notar, o Palmeiras obteve hoje, com público semelhante ao dos leonores, quase o dobro da renda do SPFW um dia antes. Quase o dobro! O ticket médio do Palestra Itália chega a assustadores R$ 47,11, enquanto o dos bambis fica em R$ 25,63.

Vivemos, palmeirenses e bambis, na mesma cidade, os custos são semelhantes para os dois clubes, a posição dos times se equivale e eu não vejo onde o nosso estádio pode oferecer mais conforto do que o Jd. Leonor. Ok, a visão é melhor, a localização nem se fala e a capacidade da nossa casa é bastante reduzida, mas fica complicado compreender porque temos de pagar pelo ingresso o dobro do que pagam as meninas.

Eu disse "o dobro"?

Bom, que tal se eu disser aos senhores que um bambi de arquibancada pode pagar um quinto do valor que pagamos por um ingresso para ir aos jogos do Brasileirão?

Duvidam?

Pois vejam abaixo a promoção que o SPFW lançou para o Setor Visa nos cinco últimos jogos no Jd. Leonor:




Pois é, sócios-torcedores poderiam desembolsar R$ 40 para ir a cinco jogos no setor amarelo. CINCO JOGOS, todos eles decisivos! R$ 40! É o mesmo preço, vejam só, que nós temos de pagar por um único duelo. Com um agravante: enquanto o bambi consegue reservar todos os seus cinco 'ingressos' pela internet de uma só vez, ao palmeirense cabe enfrentar a fila cinco vezes para tentar (reforço no tentar) garantir lugar em todas as partidas.

O palmeirense tem de pagar R$ 40 por um jogo.


O bambi pode pagar R$ 40 por cinco jogos.


Sei, alguém pode retrucar com o argumento de que o SPFW não tem torcida e precisa de uma liquidação dessas para juntar alguns simpatizantes na sua casa. Ok, eu concordo. Mas é também uma questão de opção para o futuro: o Palmeiras restringiu o acesso das camadas populares e vendeu o setor mais nobre do seu estádio em troca de um ticket médio de R$ 47,11.

Por R$ 8 (ou R$ 10, vá lá), o bambi da periferia consegue ir ao Jd. Leonor ver o seu time. Por R$ 40, o palmeirense da periferia não tem o mesmo privilégio. Ele foi trocado pelos consumidores que hoje não pouparam vaias ao time depois do jogo. Os aplausos, em sinal de incentivo, vieram de onde nunca falta apoio.

Questão de opção.

***

Por sinal, estão à venda desde a semana passada os ingressos para Santo André x Palmeiras, quarta, 21h50, no Bruno José Daniel. Os postos são aqueles da BWA (Pacaembu, Canindé, Ibirapuera, Santo André, Ipiranga etc.) e a arquibancada (9.000 para a gente) está saindo por módicos R$ 50 (R$ 25 para estudantes).

17 outubro 2009

27.135

27.135 pessoas. Ao que parece, é esta a lotação do estádio Palestra Itália hoje. Fica bem distante do recorde de 35.913 torcedores na conquista do Paulista-1976, dos 32.006 do Palmeiras 3 x 1 Grêmio em 1993 ou mesmo dos 32.000 da final da Libertadores, 10 anos atrás. Isso tudo, cabe ressaltar, sem o apêndice do Setor Família e sem a integração da arquibancada com a numerada coberta. Fica abaixo também dos 27.927 anunciados quase ontem, na final do Paulista-2008.

27.135. Este número corresponde à carga de ingressos que tem sido colocada à venda nos últimos jogos deste Brasileirão. No entanto, por mais que os bilhetes sejam todos vendidos – com o devido anúncio antes do jogo – ou que a casa esteja completamente cheia, o público divulgado durante o jogo normalmente não tem ultrapassado a barreira dos 23 ou 24 mil pagantes. Estranho, não?

A disparidade entre o que é previamente anunciado e o que depois aparece no placar eletrônico já é um mistério que tem incomodado tanto quanto o encolhimento progressivo do Palestra. Que sirva de exemplo o último jogo em casa, contra o Avaí, em que divulgou-se a venda de 17 mil ingressos um dia antes da partida para que o público oficial ficasse em 16.597 (pagantes, e não presentes).

De toda forma, mesmo quando o torcedor se depara com o cartaz de "Ingressos esgotados" na bilheteria da Turiassu, d
á para entender que o público anunciado não seja total se o adversário for o Cruzeiro, o Grêmio, o Internacional ou qualquer outro time sem grande torcida por aqui. Entende-se, porque os ingressos da torcida visitante (em torno de 2,7 mil) não são todos comercializados e não podem migrar para o nosso lado, já que o espaço dos visitantes é o mesmo, seja para o SPFW ou para o Santo André.

Acontece que domingo vem aí o Flamengo e é certo que os vermes vão ficar com todos os ingressos que serão destinados a eles – e ainda será pouco, tomando por base a quantidade deles por aqui e mesmo o tanto que deve vir do Rio.

Considerando que as arquibancadas estão esgotadas e que já foram comercializados mais de 23 mil ingressos (informação oficial aqui), as numeradas devem chegar ao fim ou neste sábado ou no domingo, de tal forma que não haverá mais bilhetes à venda.

E aí, esgotados os nossos e os da torcida do Flamengo, o público anunciado domingo só poderá ser o equivalente ao total colocado à venda: 27.135. Qualquer número abaixo disso vai evidenciar a incompetência (ou coisa pior) da diretoria alviverde, da Outplan e de todos os envolvidos com a venda dos ingressos. Porque não dá para admitir a coexistência de ingressos não-vendidos e torcedores que não puderam ir ao jogo devido à falta deles.

A conferir no domingo.

15 outubro 2009

Padrão Globo de Rivalidade

A rivalidade entre Brasil e Argentina existe, não há dúvida, e é bom que seja assim. Mas não creio que os torcedores de verdade, aqueles que vivem intensamente o futebol, tenham desejado tanto que os nossos vizinhos ficassem fora da Copa como tenta fazer crer a emissora câncer, aquela que tanto faz mal ao futebol brasileiro.

Não chego ao ponto de pautar tudo pela minha opinião, amplamente favorável a argentinos e uruguaios, seja por admiração aos dois países, à história do futebol por eles praticado ou, acima de tudo, à maneira como encaram o esporte. Seria uma distorção, mas eu entendo que ninguém, em sã consciência, preferiria ver o Equador ou a Eslováquia na Copa, ficando a Argentina de fora.

Embora isso seja direito de qualquer um, o que não dá para aceitar é a rivalidade artificial, difundida de maneira acintosa pelas Organizações Globo em todos os seus veículos de comunicação. É sórdido, é bizarro, é desprezível. O amigo Filipe tratou do tema
aqui e eu sinto-me obrigado a reforçar o que já foi dito com a imagem de um dos exemplos citados. É algo que vai além das infantilidades do apresentador idiota do Globo Esporte, dos devaneios patrióticos de Galvão Bueno ou das piadinhas ultrapassadas do Casseta e Planeta.

Trata-se da capa do Diário de S.Paulo de hoje:


É atroz, é grotesco, chega a ser criminoso. É o Padrão Globo de Rivalidade, mas agora eles foram longe demais ao brincar com algo muito sério. É um desrespeito não contra o técnico ou o ex-jogador Maradona, mas contra o ser humano Diego Armando Maradona e contra tudo o que ele representa para a história do futebol. É, portanto, um atentado contra o próprio futebol. Coisa baixa, pequena e covarde.

Por sinal, seria bom levar em conta que Casagrande, (ótimo) comentarista da casa, enfrenta o mesmo problema de Maradona.


*Em tempo: para os que não são habituados ao mercado de comunicação, cumpre dizer que o Diário de S.Paulo é o jornal das Organizações Globo em SP.

14 outubro 2009

Pelo bem do futebol


Foto: Carlos Sarraf (Clarín)
Grande Argentina! Agora fica faltando o Uruguai garantir a vaga.

***

A tabela no lixo (3)

Foi só eu colocar o
post sobre o fato de a tabela do Brasileirão ter sido jogada no lixo para CBF e Globo divulgarem hoje as alterações realizadas na tabela até a 35ª rodada. O texto do fax (abaixo) é bem elucidativo: "... conforme ajustado com a Rede Globo de Televisão (dispositivos contratuais".


Desta vez, não fomos nós os prejudicados. Fluminense x Palmeiras foi mantido para 08/11, domingo, às 16h no Maracanã. É o fim de semana da invasão ao Rio, e teremos ainda um Vasco x Juventude no sábado, 07/11, às 16h10, em São Januário. Este pode ser o jogo do retorno do Vascão à Série A.

Nosso final de semana carioca só será possível porque foi antecipado para a quarta-feira o jogo do SPFW contra o Grêmio. Aí eu pergunto: como ficam os torcedores que compraram suas passagens para Porto Alegre lá atrás, quando a tabela foi divulgada? Quem paga o prejuízo?

De resto, tivemos ainda a antecipação de Palmeiras x Ixpót. Seria no domingo, 15/11, às 16h e passou para quarta, 11/11, às 21h50. Não muda tanto para a gente, pois é no Palestra, mas quebra todo o ritmo das rodadas.

Abaixo, os jogos do Palmeiras daqui até o fim do ano:

18.10 dom. 16h Palmeiras x Flamengo/RJ - Palestra
21.10 qua. 21h50 Santo André/SP x Palmeiras – Bruno José Daniel
29.10 qui. 21h Palmeiras x Goiás/GO – Palestra
01.11 dom. 16h Palmeiras x SCCP/SP – Prudentão
08.11 dom. 16h Fluminense/RJ x Palmeiras – Maracanã
11.11 qua. 21h50 Palmeiras x Ixpót/PE – Palestra
22.11 dom. 16h Grêmio/RS x Palmeiras – Olímpico*
29.11 dom. 16h Palmeiras x Atlético/MG – Palestra*
06.12 dom. 16h Botafogo/RJ x Palmeiras – Engenhão*

*Sujeitos a mudanças para adequação à grade de transmissão da emissora câncer.

A tabela no lixo (2)

Dizem os defensores dos pontos corridos que este sistema de disputa proporciona ao torcedor conhecer previamente a tabela do campeonato do início ao fim. Dizem também que isso não ocorreria se tivéssemos a volta do mata-mata. Dizem isso tudo em tom apoteótico, e até foi assim nos primeiros anos, de tal forma que torcedores como eu, que viajam para ver o time em qualquer parte, se acostumaram a programar a agenda pessoal e profissional em função do time.

Por exemplo:

A tabela do campeonato saiu em março e eu já sabia que o Palmeiras iria a Porto Alegre enfrentar o Grêmio no final de semana de 21 e 22 de novembro, pela 36ª rodada. Com um conhecimento superficial de futebol brasileiro, era possível supor que o jogo aconteceria no domingo mesmo, com TV.

A
ssim sendo – e já prevendo o caráter provavelmente decisivo do jogo –, programei minha viagem para Porto Alegre com certa antecedência, o que garantiu passagens aéreas a preço irrisório. No entanto, a programação que eu fiz com base na tabela divulgada com tanta antecedência pode cair por terra a qualquer momento.

Sim, porque vivemos os torcedores paulistas sob uma constante ameaça neste BR-2009. A pergunta é: que jogo será antecipado (ou adiado) na rodada do final de semana?

Acontece que, sem clubes paulistas na falida Copa Sul-americana, a emissora câncer ficou sem opções para preencher sua grade de transmissão nas quartas à noite e aí desandou a fazer alterações na tabela. Considerando que normalmente dois grandes de SP jogam fora por rodada, já é quase certo que um deles vai ficar para o domingo às 16h enquanto o outro será antecipado ou adiado para a madrugada de alguma quarta-feira.

Eu e alguns amigos, que já reservamos o final de semana em Porto Alegre, vivemos agora sob a ameaça de uma alteração repentina, decidida por engravatados canalhas que nunca antes pisaram em uma arquibancada. E parece que ninguém se importa com os nossos interesses, até porque devemos ser pouquíssimos os que se dispõem a viajar para acompanhar o time em outros estados.

H
á ainda o fator técnico, que eu nem pretendo discutir aqui. Fico apenas com o prejuízo para o torcedor. Já fomos prejudicados uma vez, com o adiamento de Cruzeiro/MG x Palmeiras de um domingo às 16h para uma quarta-feira às 21h50. Quem já tinha reservado as passagens para o final de semana em BH teve de modificar tudo, perdeu dinheiro, se complicou no trabalho e na vida pessoal, o escambau. E fica tudo por isso mesmo.

Aconteceu o mesmo com a partida da próxima semana (de 25/10 para 21/10), em Santo André. Não houve prejuízo em termos de viagem ou passagem aérea, porque o jogo acontece aqui mesmo no ABC, mas poderia ter havido. E foi assim já com o SCCP umas três vezes e com o SPFW em outra ocasião.

Daqui até dezembro, todas as rodadas estão sob risco, e não dá para prever o que vai sair da cabeça dos engravatados executivos da emissora câncer. A tabela do campeonato já não tem qualquer valia.

O temor maior, no meu caso, não se refere nem mesmo a este jogo contra o Grêmio – que pode não sofrer alterações, pois é a antepenúltima rodada –, mas ao duelo do dia 8 de novembro, no Rio, contra o Fluminense. É um tal de ficar vendo os outros jogos e procurando adivinhar o que vai acontecer, mas é imprevisível. Pode ir para o dia 4 ou para o dia 11 ou pode ficar onde está – e aí o jogo dos bichas seria remanejado.

Só não dá para programar nada, nem procurar vôos, nem fechar o fim de semana no Rio, nem porra nenhuma. Estamos reféns de uma meia dúzia de filhos da puta...

E aí eu pergunto: já que a tabela foi para o lixo, de que servem os malditos pontos corridos?

***

Sobre este assunto, confiram
A tabela no lixo.

12 outubro 2009

É DOMINGO!

Sobre a vexatória derrota de hoje, cumpre não entrar em detalhes, pois nada de positivo se pode extrair de uma partida tão pífia. A goleada sofrida para um inexpressivo Náutico normalmente resultaria em críticas contundentes, mas o momento e as circunstâncias da rodada pedem uma postura diferenciada e é o caso de relevar, ao menos por ora, o que aconteceu lá no Recife.

Porque domingo vem aí e teremos pela frente um jogo com cara de final. A começar pelo fato de ser no domingo e, vejam os senhores, às 16h. Acreditem: o estádio Palestra Itália voltará a sediar um jogo no domingo às 16h pela primeira vez desde 7 de junho – são mais de quatro meses. Por sinal, este horário foi respeitado apenas outras duas vezes em 2009.

Eis que receberemos em nossa casa os molambos cariocas, rivais de respeito e que, mesmo quando não estão vivendo uma fase ascendente como a atual, costumam dar muito trabalho. Portanto, será jogo duro. E é então que o Palmeiras precisa mostrar por que é o líder com cinco pontos de vantagem e por que não será alcançado por seus rivais daqui até a última rodada.

É final de campeonato e vamos definir tudo na nossa casa. O Palestra vai estar cheio, e é bom que estejamos todos preparados para mais uma tarde de apoio incondicional, do primeiro ao último minuto. E nada mais importa. É PALESTRA! É DOMINGO!

Em tempo:

MALDITA SEJA A SELEÇÃO BRASILEIRA!
***

A imprensa esportiva parece não se conformar com a incapacidade de os leonores encostarem no Palmeiras. Isso transparece em cada página, em cada declaração na TV, em cada coluna assinada. Kfouri, o falso profeta da moral e dos bons costumes e aquele que adora mamar no bezerrão, é o exemplo evidente. Sua coluna de hoje revela o despeito com que ele encara um possível título do Palmeiras. Destaco apenas um trecho:

"Tudo caminha para termos um campeão aos trancos e barrancos, que não deixará saudades como time, apenas como capaz de fortes emoções, o que não é pouco para o torcedor, diga-se de passagem. Mas é frustrante para o crítico."


Parece pouca coisa, mas são muitos os comentários:

1. Eu nada tenho contra jornalistas que manifestam o seu time. Até prefiro que seja assim. Mas o que incomoda é que Kfouri insista em se dizer corintiano sendo que defende de maneira tão descarada os interesses e pretensões de um outro clube.

2. "Trancos e barrancos"? Não me parece que seja o caso de um time que está invicto em casa e nos clássicos locais e que perdeu apenas cinco jogos em 29. Não creio também que tal qualificação caiba a uma equipe que venceu fora rivais como Cruzeiro, Santos e Flamengo.

3. "... que não deixará saudades como time...". Bom, aí eu pergunto: de que importa saber que time deixará saudades em um falso profeta da moral e dos bons costumes? E indo ao ponto defendido por ele: que time foi capaz de deixar saudades na era de pontos corridos? Que time, aliás, é capaz de fazer isso sem jogos decisivos? Recomendo este post: O que nós perdemos. Feito isso, pergunto: quem se lembra aí dos times campeões desde 2003? Quem se lembra de algum jogo decisivo, de um artilheiro solitário, de um herói que decidiu esta ou aquela partida? Quem tem saudades do que quer que seja quando se trata dos malditos pontos corridos?

4. "Mas é frustrante para o crítico." Não, eu não vou comentar isso.


***

Ainda sobre o tema dos pontos corridos, PVC levantou uma discussão interessante na sua coluna de domingo. Todos sabem qual é a minha opinião, mas eu indico a análise de PVC em nome do debate. E fica aqui uma frase de Marcelo Campos Pinto, o diretor do braço esportivo da emissora câncer:

"Futebol não é entretenimento. É negócio."


Toda a coluna de PVC se dedica a avaliar se este negócio seria o da TV ou o do futebol - e a resposta é óbvia. Para este blog, o ponto é outro: futebol não é negócio porra nenhuma. Nem entretenimento. Pro inferno com os que pensam assim!

09 outubro 2009

Bons tempos...

Festa na arquibancada central do Palestra: eis aqui algo que faz parte de um passado que deixou saudades. Em vez do cimento que abrigou grandes tardes e noites da massa alviverde, temos hoje cadeirinhas metidas a européias. O lugar que sempre foi nosso deixou de receber torcedores para abrigar consumidores ocasionais. O que antes era sinônimo de apoio incondicional virou espaço para apatia, oportunismo e demonstrações gratuitas de insatisfação. Mataram a força do nosso estádio, mas parece que pouca gente se deu conta disso...

É então que torna-se ainda mais relevante
um vídeo como este, encaminhado pelo amigo Rogerio Barberi:



À explicação, que talvez nem se faça necessária diante do que os senhores acabaram de ver, e aos comentários deste blog:

Os fatos
Cléo, o Guerreiro, foi o maior presidente da Mancha Verde. Responsável por torná-la respeitada (e até temida) entre as demais torcidas organizadas, foi assassinado em 1988, apenas cinco anos depois de ter participado da fundação da MV. Virou lenda. Dias depois de sua morte, o Palmeiras recebeu o Cruzeiro no estádio Palestra Itália em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. Houve homenagens a Cléo, incluindo o foguetório nos minutos iniciais. A torcida do Cruzeiro resolveu entoar cânticos ofensivos à MV e ao seu ex-presidente. A reação foi proporcional. Torcedores mineiros foram espancados, a PM veio para cima, houve o conflito generalizado, a guerra foi declarada. As duas torcidas, que nunca foram exatamente próximas, se tornaram inimigas. Depois desse dia, os marias ficaram 20 anos sem dar as caras no Palestra Itália.

Os comentários

1. Recebi outro dia email de um bambi mineiro pedindo respeito ao Cruzeiro, em virtude das origens italianas do clube. Pois bem, o fato de os marias terem se desvirtuado tanto ao longo da história apenas contribui para aumentar ainda mais o meu desprezo por este clube.

2. Uma torcida que faz o que fez e depois fica 20 anos sem aparecer no Palestra merece mesmo ser tratada com o desprezo que dedicamos à Máfia Azul e a todos os simpatizantes da mais fraca torcida do Brasil.

3. Notem que, entre 1988 e 2008, o Cruzeiro veio decidir títulos ou classificações na nossa casa nove vezes: Copa do Brasil/1996, Copa do Brasil/1998, Brasileiro/1998 (dois jogos), Mercosul/1998 (dois jogos), Mercosul/1999, Mercosul/2000 e
Libertadores/2001. Com medo, os marias nunca vieram...

4. Os jornalistas dos anos 80 já apelavam para os mesmos chavões de hoje ao falar sobre confrontos entre torcidas ou qualquer assunto parecido. A palavra "Lamentável..." já era a preferida dos narradores e comentaristas.

5. Bons tempos estes em que podíamos correr pela arquibancada do Palestra ao menor sinal de confronto. Bons tempos estes em que o nosso estádio era um espaço de convivência.

6. Ingresso a "seis mil cruzeiros", vocês ouviram? Sei lá quanto isso representava na época, mas certamente nãose tratava de uma afronta ao torcedor do Palmeiras.
Bons tempos...

7. A.C.A.B.

Com a alma e o coração

Empatar em casa nunca é bom resultado. Menos ainda se for contra um time pequeno. Portanto, eu não me atrevo a dizer que foi positivo o 2 a 2 desta gelada noite de quinta-feira - nunca será! -, mas me permito tentar extrair algo de bom de um tropeço como este. Vejamos:

"Eu só quero que venham jogadores
Que honrem a camisa
E lutem sem parar"

A música sai da arquibancada e encontra resposta em um grupo de jogadores que parecem querer o título quanto nós. Talvez isso seja o suficiente para explicar a sintonia entre elenco e torcida, que pode fazer toda a diferença nas 10 batalhas que restam daqui pela frente.

No caso desta noite de quinta, por exemplo, a chuva parece ter afugentado os consumidores, deixando o estádio quase que em sua totalidade para os torcedores de verdade. Fomos somente aqueles que já esperávamos uma partida difícil, como serão todas as próximas. O comprometimento
explica o apoio incondicional do primeiro ao último minuto, os aplausos ao final em reconhecimento à luta dos guerreiros e a esperança que não deixou de existir em nenhum momento dentro e fora de campo.

Acabou por ser um jogo emocionante, repleto de alternativas e quase sem padrão tático no último quarto. Foi assim porque o Palmeiras teve de abdicar de qualquer organização defensiva para buscar os gols que o colocariam em situação ainda mais privilegiada no campeonato. Veio só um, o de Robert, mas poderíamos ter sofrido o terceiro tanto quanto chegado lá. Eu prefiro enaltecer a coragem e a entrega do grupo e do treinador. Tropeços sempre acontecem, e o nosso estava por vir. Quando veio, contra o Avaí, conseguimos escapar da derrota.

Com isso, permanece a invencibilidade em casa (Palmeiras, SPFW e Grêmio podem ostentar esta marca até o final do campeonato) e a certeza de que temos um time que dificilmente deixa de somar pontos. Afinal, o
Verdão entrou em campo 28 vezes neste campeonato e foi derrotado pelo adversário apenas duas vezes: pelo Internacional (0 a 2), lá no início, e pelo Vitória (2 a 3), mais recentemente. Os outros dois insucessos, contra Goiás (1 a 2) e Coritiba (0 a 1), podem ser colocados na conta da arbitragem.

Tropeçamos, é verdade, mas fomos evitar o pior "com a alma e o coração", como pede a música.
Seguimos com a vantagem de cinco pontos e temos agora mais 10 batalhas pela frente. A próxima, em Recife, tem tudo para ser bastante complicada, mas o horizonte parece bem favorável. Estamos no caminho certo!

***


INGRESSOS 1

Na quarta-feira à noite, a assessoria de imprensa enviou o release para os jornalistas: cerca de 17.000 ingressos haviam sido vendidos antecipadamente para Palmeiras x Avaí. Ok, mais alguns foram vendidos ao longo desta quinta-feira e até minutos antes do jogo. Aí vem o placar e anuncia: 16.597 pagantes.

Como é isso? As pessoas podem devolver os ingressos? Por que cazzo sempre tem alguma coisa misteriosa nos públicos do Palestra Itália? Por que falta transparência?

***

INGRESSOS 2


Antes do jogo, o Júnior fez um comentário sobre os entusiastas da renda de sete dígitos e o prejuízo técnico do Palestra por dispensar tantos torcedores de arquibancada com as opções pelo Setor Visa e por ingressos tão caros. Imagino que mesmo eles tenham se frustrado na noite desta quinta. Porque bastou cair uma chuvinha em São Paulo para os consumidores de R$ 40 e o povinho do Visa resolverem que era melhor ficar em casa...

***

É bom lembrar o que colaborou para este empate:

MALDITA SEJA A SELEÇÃO BRASILEIRA!


De novo, pra reforçar:

MALDITA SEJA A SELEÇÃO BRASILEIRA!


Pra encerrar:

MALDITA SEJA A SELEÇÃO BRASILEIRA!

08 outubro 2009

Pensamentos soltos

Reflexões desconexas:

1. É bom que fiquem em casa todos aqueles que esperam uma vitória fácil logo mais à noite contra o Avaí. Porque vai ser difícil como é todo jogo, e o Palmeiras precisa de guerreiros na arquibancada e não de meros espectadores ou de turistas.

2. Não levem a sério, por favor, nada do que é dito por Tristão Garcia ou qualquer outro matemático imbecil. Não se deixem influenciar pelo oba-oba de uns e outros e não confiem na mídia esportiva, que já não consegue esconder a aflição com a perspectiva de o Palmeiras ser campeão. Só diz que o título está ganho quem não costuma ir a estádios de futebol. Temos ainda 11 batalhas pela frente. A começar pelo Avaí.

3. Maldita seja a seleção brasileira!

4. Sobre o item 3, uma proposta séria:
É absurdo que um clube não possa utilizar seu principal jogador em dois jogos de uma reta final de Brasileiro porque o campeonato não pára para (percebem a cagada do tal Acordo Ortográfico?) as eliminatórias. Em sendo assim, a CBF, responsável pelo desarranjo na tabela, deveria compensar os clubes prejudicados. Como? Bom, eu penso que o prejuízo dos clubes seria amenizado com a garantia de que os atletas convocados nessa situação fossem 'absolvidos' de suas próximas suspensões automáticas. Explico: Diego Souza, Tardelli, Miranda e Adriano, para ficarmos nos exemplos mais contundentes, não teriam de cumprir um jogo de suspensão se viessem a levar o terceiro amarelo ou mesmo um vermelho daqui por diante. Porque é o seguinte: a CBF não tem moral para afastar por mais uma partida um atleta que já ficou impedido de defender o seu clube por incompetência dela própria. É punição demais para quem paga o salário do jogador...

5. De novo: maldita seja a seleção brasileira!

6. Jogaram a tabela no lixo de novo, com a antecipação de Santo André x Palmeiras para o dia 21/10. Diz o clube do ABC que o jogo vai acontecer mesmo no Bruno José Daniel, ao contrário do que vinha sendo anunciado. Bom, eu só vou acreditar quando estiver a caminho do estádio - ainda acho que os empresários vão arrumar alguns trocados de alguma prefeitura caipira -, mas, em se confirmando isso, é justo perguntar: onde vai parar a isonomia do campeonato se os nossos rivais SCCP e SPFW podem enfrentar o Santo André em campo neutro, no interior, e nós temos de ir até o ABC?

7. Não seria mais digno se o narigudo mau-caráter (ou Proposta do Arsenal ou caçador de borboletas, como queiram) reconhecesse suas falhas? É tão difícil assumir um erro?

8. O post anterior, sobre o Atlético de Madrid, merece ainda alguns desdobramentos, e eles virão na seqüência. Mas eu ressalto que essa notícia de uma possível venda do Milan vai ao encontro de tudo o que eu disse naquele post. Porque, vejam vocês, não é mais a história ou o estádio que podem ser vendidos; é o próprio clube. Coisa séria, e este blog voltará ao tema em breve.

9. ÓDIO ETERNO AO FUTEBOL MODERNO!

06 outubro 2009

História à venda

Vicente Calderón foi o presidente do Atlético de Madrid por mais de duas décadas. Ganhou mais do que só este quadro (logo abaixo) no museu do clube espanhol; como justa homenagem, ele empresta seu nome ao estádio onde o Atleti manda seus jogos.



O estádio Vicente Calderón, na zona sul de Madrid, fica às margens do Rio Manzanares. É um pouco afastado do centro, mas, como acontece em qualquer metrópole européia, está bem servido por transporte público a partir de qualquer ponto da cidade. Com capacidade para 55 mil torcedores, abrigou todas as grandes conquistas do clube a partir de 1966 (incluindo o Mundial de 1974) e foi também sede de três jogos da Copa de 1982.

É um belo campo, não resta dúvida. Apesar de atender a todas aquelas exigências idiotas que conferem a uma arena o tal padrão Fifa, tem alma de sobra, e é adorado pela torcida local, uma das mais apaixonadas da Espanha.



Acontece que a diretoria do Atlético anunciou recentemente que o Calderón será substituído a partir de 2012 por uma nova arena, ainda um pouco mais afastada do centro. Com capacidade para 73 mil torcedores, o estádio será erguido aproveitando parte do que já existe em La Peineta,
hoje pertencente à prefeitura de Madrid. Havia planos inclusive de usar a instalação em uma eventual Olimpíada de 2016, e a perda da eleição para o Rio em nada parece modificar os planos da diretoria rojiblanca.

A decisão se explica em grande parte devido à pressão do próprio poder público, que queria dar uma destinação adequada a este terreno que corria o risco de ficar esquecido. Mais que isso: a prefeitura tem planos ambiciosos para a área hoje ocupada pelo Vicente Calderón.

A questão é que o atual campo do Atleti ocupa um espaço enorme às margens do Manzanares, impedindo a expansão de uma das principais vias expressas de Madrid e complicando o trânsito no sul da capital espanhola. Com a mudança para La Peineta, o Calderón será demolido, permitindo à prefeitura ampliar a malha viária e construir um parque no local, como parte do processo de revitalização da orla do rio (um rio que, diga-se, sofre com a escassez de água).


E daí?, algum de vocês pode estar se perguntando. Bom, aí eu respondo que este tema interessa - e muito - a este blog. Um pouco porque eu estive em Madrid recentemente, entendi o que se passa com o Atlético e, a exemplo dos torcedores do clube, não aceito a maneira como a situação está sendo conduzida.

No vídeo abaixo, os senhores podem conferir o projeto do estádio, que esquece por completo toda a história do clube.




O discurso da diretoria do Atlético beira o deslumbramento, e baseia-se no argumento de ostentar uma arena mais moderna que o Santiago Bernabeu, a casa do rival Real Madrid. Joga-se no lixo toda a tradição do clube e ninguém parece muito preocupado com o torcedor. O raciocínio é simples: "Vamos demolir a nossa casa e nos mudar para um bairro distante em nome da modernidade".

Para a torcida, os dirigentes do Atlético estão caindo no erro da ostentação barata, um mal que é atribuído à gente do Real. A decisão, claro, não foi bem recebida pelos aficionados. Protestos viraram rotina, e eles aumentaram com a crise técnica e financeira vivida pelo clube e com uma série de decisões tomadas pela atual diretoria, uma continuação do período em que o Atleti ficou sob os mandos e desmandos de Jesús Gil y Gil, presidente por longos 16 anos. Seria, para estabelecer um parâmetro, um Mustafá piorado, então sucedido por um Della Monica ainda mais banana.

No último dia 12 de setembro, um sábado, o Atlético de Madrid, jogando em casa, ficou no 1 a 1 com o Real Racing Santander. O resultado, péssimo, foi precedido de um grande protesto do lado de fora e depois dentro do Vicente Calderón.

O panfleto de convocação, distribuído nas imediações:


Outro panfleto:



Fotos do protesto, que reuniu mais de cinco mil torcedores do lado de fora do Vicente Calderón:



Havia referências, várias delas, que pregavam o ódio ao futebol moderno. A imprensa acompanhou, fez lá suas fotos e, ao menos no caso do Atlético de Madrid, parece perceber que certas opções da direção têm levado o clube a um cenário desolador. Não parece ser o suficiente, mas foi bom notar que, mesmo entre os europeus, existe ainda quem esteja disposto a resistir.

***

O time do Atlético de Madrid parece afundado na crise alimentada pelos próprios dirigentes do clube. Tem muita muita força ofensiva, mas apresenta fragilidades na defesa. Alguns jogadores são bem conhecidos por aqui. Os volantes são os brasileiros Paulo Assunção e Cléber Santana. O meio tem o argentino Maxi Rodriguez e o português Simão. No ataque, uma dupla sul-americana, ambos adorados pela torcida: o uruguaio Forlán e o argentino Agüero.

Ainda assim, o Atleti é o 14º colocado na Liga BBVA 2009/2010. Alcançou sua primeira vitória na última rodada, mas vinha antes de três empates e duas derrotas. Na Champions League, um ponto foi somado nos dois primeiros jogos. Para se ter uma idéia, logo na estréia, três dias depois deste empate contra o Racing Santander, a esquadra rojiblanca não conseguiu sair de um empate sem gols com o, vejam só, APOEL, de Chipre.

O resultado, emblemático da situação vivida pelo clube, rendeu uma crônica brilhante que foi publicada no dia seguinte pelo jornal esportivo Marca. Fiz questão de trazer o jornal e escanear a página para que todos possam entender a situação e desfrutar deste texto primoroso:


Se isto não foi suficiente, tive a sorte de comprar ainda um outro jornal, o As, que publicou a carta de um leitor, torcedor do Atlético, que resume muito bem toda a situação vivida pelo clube:

Sobre empresa sin alma llamada Alteti

Soy abonado rojiblanco y em cada partido se nota crispación, se ha perdido el espíritu, la ilusión. La mayoría de la afición está en desacuerdo com la directiva, pero el sentimiento nos puede y a principio de temporada nos volvemos a ilusionar. La anterior ya se gritó contra la directiva en partidos como el del Valladolid. Hace 10 años cada partido era una fiesta, estábamos con el equipo hasta el final aunque se perdiera, tocábamos las palmas, animábamos, se fumaban puros, todos éramos una gran piña. Hoy se han perdido esos valores que nos hacían una afición grande. Cada año los asientos los ocupan nuevas caras y nos conformamos con llegar a ser terceros. Decir que eres atlético provoca cariño, ya no importa que nos jugadores luchen por la camiseta, no hay um referente como capitán. Quizá ese sentimiento es lo mas importante que han estropeado los gerentes de esta nueva empresa sin alma llamada Atleti.

Alfredo Quijada, Madrid


***

Ao contrário do que acontece na Italia, os espanhóis parecem respeitar essa história de ingressos numerados. Infelizmente. Comprei o meu ingresso dois dias antes do jogo, pela internet. Paguei 30€ (algo como R$ 80), 1/3 do que pagaria para ver o Real - e este era o mais barato. Fiz tudo online e retirei o ingresso na bilheteria do estádio, duas horas antes do duelo.

Atentem para as informações todas sobre o lugar: portão, escada, acesso, setor, fila, assento. Parece incompreensível, mas funciona bem. Infelizmente.



Pra finalizar, uma prova de que há lugares ruins mesmo em estádios padrão Fifa (maldição!). Este lugar aí teria custado 40€:


Parece até o Visa da Vila Belmiro...

***

*Peço desculpas pela demora. Nos próximos dias, mais algumas impressões sobre Madrid, Barcelona e outros lugares.

ÓDIO ETERNO AO FUTEBOL MODERNO!

05 outubro 2009

Reciprocidade: a conferir

Um cidadão norte-americano que pretende visitar o Brasil deve antes obter um visto de entrada e permanência junto ao Consulado Brasileiro nos EUA. Não é assim por antipatia do nosso governo, mas porque nós, brasileiros, enfrentamos a mesma exigência (com requintes de crueldade) se quisermos passar uns dias em Nova York ou em Orlando. A medida adotada pelo governo brasileiro atende ao princípio da reciprocidade. Do Houaiss: "tratamento idêntico dispensado aos cidadãos de cada um de dois ou vários Estados".

Este post serve para exigir da diretoria do Palmeiras que seja destinado à torcida do Santos FC
um tratamento idêntico ao que a torcida palestrina tem recebido quando visita a Vila Belmiro. Pode demorar até um ano para isso, já que vamos à Vila no Paulista e depois pegamos os lambaris no Palestra apenas no Brasileiro, mas não se pode esquecer o que aconteceu neste último jogo.

Por reciprocidade, entenda-se que não se deve apenas dificultar a aquisição de ingressos. É preciso também reduzir a quantidade de bilhetes destinada à torcida visitante, a exemplo do que fizeram com a gente. Se tínhamos antes 2 mil e agora ficamos com apenas 700 ou 800, é de se esperar que os santistas não mais recebam os 2.700 habituais na nossa casa; uma regra de três torna razoável a oferta de 1.100 ingressos.

Questão de reciprocidade. E de respeito ao torcedor palmeirense.

***

Este post fica aqui para ser linkado quando chegar a hora certa. O mesmo deveria valer para as diretorias de SCCP e SPFW, cujas torcidas são igualmente desrespeitadas quando têm de ir àquele amontoado de lajes da Baixada Santista.

No caso do SCCP, vale observar este link aqui.

CHUPA, SANTOS!

Este blog, os senhores sabem, não costuma abrir seus posts com expressões como este categórico "CHUPA, SANTOS!", tampouco faz uso de letras garrafais sem razão aparente. Isso acontece apenas em situações atípicas, e eis que estamos agora diante de uma delas. O mais correto talvez fosse um "Chupa, Teixeira", em referência ao desonesto presidente do clube da Baixada, mas aí a coisa perderia um pouco do impacto. Portanto, CHUPA, SANTOS!

Vejam os senhores que a torcida do Palmeiras ficou confinada no jogo deste domingo a um pequeno lance da arquibancada de fundo
daquele amontoado de lajes que chamam de Vila Belmiro. É o mesmo espaço que nos tem sido destinado desde 2006, em decisão que, ainda sem a devida reciprocidade, afetou as torcidas dos três grandes clubes paulistanos - notem a tentativa de preservar a história do Santos FC.

Observem, por favor, a foto abaixo:


Crédito da foto: Parmerista!

Lá no canto direito, é possível enxergar a torcida do Palmeiras. Foram 700 ou 800 torcedores, não mais do que isso. Por favor, não me digam que temos ali 1.256, porque é impossível caber tanta gente em tão reduzido espaço. Há sete ou oito centenas, e é provavelmente este o total de ingressos destinado à torcida visitante, o que evidencia o desrespeito ao que determina a legislação - e seria assim mesmo se tivéssemos os 1.256 alardeados pelos amadores dirigentes do Santos.

À esquerda, temos alguns poucos torcedores santistas, com destaque para os funkeiros da torcida Sangue Jovem.

Para os que nunca foram à Vila Belmiro, cumpre esclarecer que as torcidas dos grandes clubes da capital sempre tiveram à sua disposição todo este espaço atrás do gol, o que inclui a "ampla" área ocupada hoje pela Sangue Jovem. Somando isso e os dois setores inferiores, chegávamos aos dois mil lugares que sempre foram destinados às torcidas da capital.

Mas aí Teixeira resolveu mudar as coisas, enfiou uma grade no meio deste lance de arquibancada, espremeu os visitantes e viu-se então obrigado a criar toda esta celeuma na distribuição dos ingressos para camuflar a redução no número de bilhetes.
Isso explica a polêmica desta semana, cujos detalhes estão aqui.

Considerando a palhaçada orquestrada pelo senhor Marcelo Teixeira, ficamos sem os ingresoss habituais muitos daqueles que vamos a todos os jogos do Palmeiras. Não nos restou alternativa a não ser ocupar uma cadeira do Setor Visa, exclusivo da torcida mandante.

Fizemos isso já sabendo dos riscos, assistimos ao jogo em um canto esquecido das antigas cadeiras térreas da Vila Belmiro, em um lugar que não permite ficar de pé sob o risco de bater a cabeça no teto, e acabamos por ser expulsos do estádio depois de extrapolarmos na comemoração do terceiro gol do Palestra. Mas já tínhamos visto o suficiente e e
stávamos prontos para isso e até para coisa pior.

Espero nunca mais ter de voltar a dividir o mesmo espaço com uma torcida inimiga, mas desta vez foi necessário. E este blog vai ficar na cobrança: as diretorias de Palmeiras, SCCP e SPFW devem adotar o mecanismo da reciprocidade, dedicando à torcida do Santos FC o mesmo tratamento que as grandes torcidas da capital recebem naquele amontoado de laje. Chega de desrespeito!

CHUPA, SANTOS!
CHUPA, TEIXEIRA!

AQUI É PALMEIRAS!

***

Uma coisa é certa: os leonores sabem utilizar bem os muitos espaços que têm na mídia vendida. É o
caso desta notinha mau-caráter e oportunista do Painel Leonor de hoje, na FSP:

Suspeita. Causou revolta no São Paulo a escalação de Sálvio Spinola hoje. Cartolas dizem que sempre que há um clássico regional importante do Palmeiras ele é quem apita.

As palavras são bem colocadas, não? "Suspeita" e "revolta", tudo junto. Aí eu peço aos senhores, jornalistas ou não, que confiram aqui a relação dos serviços prestados por nosso amigo Sálvio e me respondam: perceberam como funciona a manipulação bambi?

01 outubro 2009

Marcelo Teixeira, o mesquinho

As torcidas visitantes têm direito no Palestra a uma carga de ingressos reduzida, proporcional a 10% da lotação do estádio. São cerca de 2.700 ingressos e eu reconheço que este é um número pequeno quando se trata dos leonores ou dos lambaris. Mas há um ponto fundamental: os ingressos destinados aos visitantes correspondem ao que está previsto em lei, 10% do total, e são todos encaminhados para o clube visitante, que faz com eles o que bem entender.

A contrapartida acontece no caso dos bambis, que enviam os bilhetes de arquibancada para o Palmeiras, que, por sua vez, os coloca à venda nas bilheterias do Palestra.

Não é o que acontece com o Santos, este grande clube do futebol brasileiro que tem se portado como uma instituição pequena e mesquinha, muito porque dirigido por alguém como este tal Marcelo Teixeira.

Já de não é de hoje que Teixeira tem se portado como um pequeno ditador, com atitudes que não condizem com a história do Santos FC. Foi isso que eu escrevi aqui, em um post que demonstrava a contradição entre o que diz e o que faz este cidadão.

Mais até: este blog denunciou em algumas ocasiões
(aqui e aqui, só para ficarmos com dois exemplos) o processo de eliminação do espaço destinado às torcidas visitantes na Vila Belmiro, aquele amontoado de laje que ousam chamar de estádio.

Acontece que, desta vez, ao descumprir o que foi prometido ao presidente do Palmeiras, o senhor Marcelo Teixeira extapolou todo e qualquer limite. Provou mais uma vez ser um pequeno ditador, e eu entendo que a reação da diretoria do Palmeiras deve ir muito além da nota de repúdio. Porque a situação é muito grave, porque alguém precisa colocar Teixeira e o Santos FC em seus devidos lugares e porque o torcedor palmeirense não pode ser tratado assim.

***


Não é de hoje que isso acontece: eu já fui à Vila Belmiro 11 vezes. Dessas todas, consegui o ingresso direto da bilheteria apenas uma vez. E está cada vez mais difícil a batalha para conseguir se espremer naquelas lajes e ver apenas um dos gols.