25 março 2015

O futuro em risco

“Não há gratuidade no Allianz Parque”.

A frase se faz onipresente na moderna estrutura que substituiu o antigo estádio Palestra Italia. É quase um lema. É um mantra. É algo de que se orgulhar: ninguém brinca no feudo de Paulo Nobre, o elitista, sem pagar. Ninguém. Nem as crianças.

O que você vê na foto abaixo?


























Eu vejo o futuro da nossa torcida.

Paulo Nobre enxerga uma nota de R$ 100.

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E nessa outra foto, o que você vê?


























Eu vejo a certeza de um Palmeiras sempre grande.

Paulo Nobre vê o 10 na camisa, já acrescenta outro zero e, pronto, temos outra nota de R$ 100.

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O menino observa o estádio em construção. Nas mãos, um brinquedo. Na cabeça, o amor que ele ainda nem entende direito. Pela frente, todo um futuro de palestrinidade.

20 março 2015

20 de março

20 de março de 2015. Abertura da venda de ingressos para o jogo de despedida do meia Alex. Valores: entre R$ 60 e R$ 150.

20 de março de 2002. Este mesmo Alex marcou, no Jd. Leonor, o gol mais bonito de sua carreira. Lá se vão 13 anos. Desde então, o Palmeiras nunca mais venceu seu inimigo fora de casa. São 21 jogos - e eu, que estive em absolutamente todos estes, não consigo conviver em paz com isso. Pagamos, os palmeirenses que lá estivemos naquela noite de quarta-feira, R$ 10 pelo acesso à arquibancada. 10 reais.

20 de março de 2015. Estão à venda, também, os ingressos para Palmeiras x SPFW, o segundo clássico do redivivo estádio Palestra Italia, também em uma quarta-feira. Pelo acesso à arquibancada, o torcedor visitante pagará R$ 200. 200 reais. 20 vezes mais!

Corrigido para 2015, o valor cobrado pela arquibancada naquele clássico de 2002 se aproximaria dos R$ 25 (R$ 25,98, pelo IGP-M; R$ 22,75 pelo IPC-A; menos até se levarmos em conta outros índices).

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Paulo win-win Nobre, é mais do que necessário lembrar, estragou o primeiro clássico disputado no novo Palestra Italia, também o primeiro dérbi em 40 anos na nossa casa. Fazendo as vezes de capacho do Ministério Público, foi ele o artífice da tentativa de impedir a vinda da torcida visitante. Foi ele, por fim, o cúmplice do massacre de que foi vítima nossa torcida ali bem na rua da nossa casa. Mais de um mês se passou e Nobre não se manifestou sobre.

Antes mesmo de concretizada a emboscada de 8 de fevereiro, eu já questionava um ponto: o ingresso a R$ 200 para a torcida visitante. Como destacado bem lá atrás, a conta, ao final, será paga pela própria torcida palmeirense, por ocasião da represália que certamente virá quando formos enfrentar nossos adversários fora de casa.

Ocorre, no entanto, que, em sua política de precificação doentia e desconectada da realidade, Nobre só enxerga cifrões. Ele vê o palmeirense não como torcedor, mas como um mero consumidor. Daí então que o sujeito tem valor no momento em que é extorquido para deixar R$ 200 nos cofres do clube para pisar no setor atrás do gol "Sul", mas não tem assim tanta valia quando vai aos estádios de seus rivais para empurrar o Palmeiras às vitórias que tanto escassearam nos últimos anos.

Não à toa, Nobre declarou, bem recentemente, não fazer questão de solicitar aos outros clubes a cota de ingressos a que teria direito o Palmeiras nas partidas como visitante. Agora fica fácil entender o porquê: o palmeirense que vai representar o clube no Jd. Leonor, no Itaquerão ou em qualquer outra cancha Brasil afora não contribui para o clube como consumidor, mas sim como torcedor. E isso não interessa à sanha financista do senhor Paulo win-win Nobre.

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É bem provável que o público presente ao segundo clássico do novo Palestra fique bem abaixo do que poder-se-ia esperar de tal duelo. Para além do preço obsceno, aponto três agravantes: o horário das 22h, complicando o retorno de muitos que dependem de transporte público; a transmissão ao vivo em TV aberta; e a proximidade do fim do mês, que deixa o orçamento bem apertado. Mas Nobre, este ser que vive recluso em seu mundinho apartado da realidade, parece desconhecer o significado de termos como ônibus, Metrô e salário.

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Ainda que seja pequeno o público, o que vale para esta corja elitista é a arrecadação. Se a pressão do público for menor, tampouco importa. Se tivermos uma torcida menos atuante nos jogos como visitante, não haverá de ser nada. Ganhe ou perca o time dentro de campo, sempre haverá os deslumbrados a enaltecer a renda de R$ 2 milhões, o reforço 103.000 do Avanti, a camisa mais valiosa etc. Afinal, dirá Paulo Nobre, o importante é a "parceria win-win".

12 março 2015

A geração $

100.000 sócios-torcedores, a camisa mais valiosa do Brasil, R$ 2,5 milhões de renda em qualquer joguinho. A "maior contratação da temporada", ingressos a R$ 200, novas modalidades de patrocínio. 19 reforços, ticket médio nas alturas, sorvete Diletto a R$ 10. Liderança no ranking de arrecadação, meta de chegar a 160 mil sócios, "não há gratuidade no Allianz Parque". Top 10 do mundo, porco inflável, a mentira dos 6.000 lugares "perdidos". Avanti 5 estrelas, omoplata, R$ 700 mil para jogar em casa. Mais renda que os campeonatos Carioca e Mineiro juntos, “mas o Santos só arrecadou R$ 360 mil no clássico”, ampliação da exposição dos parceiros. R$ 23 milhões para cá, naming rights para lá, neófitos falando em RGT (é patético isso...) depois de terem passado os últimos anos dizendo que ela podia fazer o que quisesse por “pagar caro pelo futebol”

Números, números, números. Há aí uma nova geração de torcedores que os adora. Mas não os entende. Vê neles um fim e não um meio. Nesse processo doentio, muito se perde.

A lógica financista que tomou conta do Palmeiras a partir de 2013 quase nos rebaixou no ano do centenário (e fomos, como bem lembrado ontem pela insignificante torcida do Santos FC, salvos por um rival); agora, ao que parece, vivemos a fase de "harvest", para usar um termo muito caro aos rentistas, especuladores e que tais.

Não há como discutir a importância do crescimento das receitas. É louvável que depois de dois anos de ostracismo e compromisso com o erro, a gestão atual tenha catapultado o faturamento do clube a um patamar nunca antes visto. Ok, que se reconheça isso.

O problema todo é que a lógica financista vem alimentando uma geração, toda ela refugiada nas redes sociais, que toma os números como finalidade e não como um meio para obter aquilo que efetivamente importa: um time à altura de nossa história, vitórias (em clássicos e contra outros grandes) e títulos.

A (parte da) torcida que aplaude renda (eu nunca vou esquecer isso, seus filhos da puta miseráveis!) parece imune à sucessão de maus resultados que o time vem experimentando em clássicos estaduais e nos confrontos contra os outros clubes grandes do país. "O time está em formação", "estamos em reconstrução", "essas derrotas no começo de campeonato são normais". Poderia parecer só conformismo, mas é o mais puro deslumbramento: não raro, a relativização é apenas o começo; os cifrões virão na sequência.

Deixá-los-ei com outros números, os que valem:

_Na gestão Nobre, o Palmeiras venceu 1 clássico em 15 disputados.

_Pior que isso: dos últimos 23 clássicos, o Palmeiras venceu 1 (este mesmo supracitado). 1 em 23! É, certamente, a pior sequência histórica já vivida por um dos grandes paulistas na somatória dos confrontos contra os outros rivais.

_Desde 2013, a partir do início da gestão Paulo Nobre, o Palmeiras se deparou 31 vezes contra outros times grandes. A campanha é vexatória: 3 vitórias (contra SPFW e Grêmio, como mandante; e Botafogo, como visitante), 9 empates e 19 derrotas. 3-9-19!

_O Palmeiras não vence o SCCP na capital paulista há longos 13 jogos.

_Retrospecto dos últimos 18 clássicos entre Palmeiras e SCCP: 1 vitória do Palmeiras, 8 empates e 9 vitórias do SCCP. A nossa vantagem histórica, que era bastante sólida, se esvaiu.

_Contra o SPFW, o Palmeiras amarga um tabu que parece infindável: são 13 anos e 21 jogos sem vitória no Jd. Leonor. Para contrastar com isso, temos o SCCP ostentando uma marca oposta contra o mesmo SPFW: 13 partidas de invencibilidade como visitante.

_Contra o Santos, o pequeno Santos contra o qual temos vantagem até dentro do amontoado de laje, conquistamos apenas uma vitória nos últimos nove duelos.

_Ante o Fluminense, notório saco de pancadas nosso em SP ou no Rio, acumulamos uma sequência impressionante: um empate e sete derrotas nos últimos oito confrontos.

_Contra o Atlético/MG, cujo histórico nos dá vantagem mesmo nos jogos no Mineirão, chegamos ao fundo do poço: sete derrotas (quase todas inapeláveis) nos últimos sete encontros.

Eu poderia aqui listar mais algumas sequências catastróficas, mas imagino que todos já tenham captado a ideia.

Para a imensa maioria dos 100.000 sócios-torcedores, pode ser que nada disso tenha muita importância. Pode ser que não se sintam assim tão incomodados com as derrotas em série, com os números de nossa história sendo solapados por atuações débeis e covardes, com um gigante virando motivo de piadas para torcidas as mais insignificantes. Logo alguém haverá de lembrar que lideramos o ranking de renda, que temos uma marca notável no aumento de sócios-torcedores, que a camisa alviverde é a “mais valiosa” do país etc.

Entretanto, a derrota tem efeitos insuportáveis - não pela derrota em si, mas pelo contexto em que ela está inserida - para os 700 torcedores que ontem estivemos no amontoado de laje da Baixada e para todos aqueles que não sucumbiram a essa inversão de valores.

Para a geração $, não deve fazer muita diferença o resultado em campo; valem os cifrões. Importante é comparar os "míseros" R$ 360 mil da renda do Santos FC aos R$ 2 milhões de bilheteria que teremos no próximo domingo. O Palmeiras perdeu mais um clássico? Ah, não tem problema; vamos aí publicar um meme no Face porque domingo é dia de fazer uma selfie no estádio novo e dar um jeitinho de aparecer no telão widescreen de alta definição – “é o maior do Brasil, sabiam?”. É meio que isso aqui: “Hoje em dia, os torcedores buscam uma experiência que vá além do futebol. Eles querem uma vivência inovadora e empolgante, mas que também traga conforto e comodidade, que seja algo agradável para todos os públicos. Por isso buscamos oferecer serviços diferenciados e com alto padrão de qualidade, atrelando entretenimento e culinária ao futebol".

É...

Enquanto os deslumbrados das redes sociais vomitam atrocidades, fomos os 700, muitos dos quais excluídos do novo estádio por uma política de preços elitista e desconectada da realidade, que representamos o Palmeiras diante de um rival que antes era batido com enorme facilidade.

Quando o alviverde vai à cancha, não tem “experiência que vá além do futebol”; tem só o futebol mesmo. Nada de “vivência inovadora e empolgante”; tem, de novo, só o futebol. Não tem “conforto”; a verdade é que mal se vê o gol a partir da laje do portão 21. Não tem “comodidade”; e nem queremos que tenha. E, claro, não há “serviços diferenciados e com alto padrão de qualidade”; trocamos tudo isso, por favor, por um time com atitude e que volte a fazer do Palmeiras o gigante que sempre foi.

“Entretenimento e culinária atrelados ao futebol”? Não, não, obrigado. Porque, no final da noite, confinados entre o campo e o portão 21 do amontoado de laje, somos nós, os 700 de sempre, que temos de aguentar uma torcida de primário (aquela das sociais) a cantar aquilo que ainda não conseguem entender aqueles que aplaudiram renda: dentro de campo, o Palmeiras virou uma piada.

Ao final de mais uma jornada fracassada, madrugada adentro, o consolo: não chovia na Baixada. Ao apagar dos refletores, restamos poucos por ali: os 700 de sempre, alguns PMs, as cabines de imprensa ainda iluminadas, a equipe de manutenção desmontando tudo no gramado. O cenário, desolador, só fez reforçar uma convicção: os números e cifrões de que se vangloriam alguns de nada valem enquanto não formos representados por um time capaz de devolver ao Palmeiras a supremacia contra seus rivais.

Finalizo, pois, com uma citação do Paulo Silva Jr.: "Não vou contar que já não me surpreendo com militante de naming rights; nem com torcedor de likes no canal do clube na internet; muito menos com quem celebra o aumento do número de parceiros da lanchonente do estádio: neste noite, aplaudiram a renda do jogo. E isso sim vai ser difícil de esquecer.

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Inspirações para este post:

Arena e o Teatro da Imposição, do Leandro Iamin
Futebol, Século II, do Paulo Júnior

05 março 2015

Uma pergunta

Há, antes e depois dos jogos no redivivo Palestra, dois grandes fluxos de torcedores a percorrer o Shopping Bourbon Pompéia: um, maior, da Turiassu para a Matarazzo e depois fazendo o caminho de volta; outro, menor, no percurso Matarazzo-Turiassu-Matarazzo. Uma vez lá dentro, se misturam todos, um mar verde em meio às lojas. Isso ocorre, em larga medida, porque boa parte do público se concentra na Turiassu, mas entra pelo portão do outro lado (Gol Norte). As organizadas, por exemplo, têm percorrido o estacionamento do centro de compras levando suas faixas e baterias. Na ida e na volta.

Entendo que a estrutura do estádio não permite o acesso ao setor Gol Norte pelo portão principal, da Turiassu. Ou, de outra parte, a entrada no setor Gol Sul pela Matarazzo. Mas a pergunta que eu coloco aqui é a seguinte:

O que impede a abertura dos acessos internos ao final das partidas?

Refiro-me aos portões que, abaixo da arquibancada, separam os espaços de circulação entre cada um dos setores inferiores (notadamente entre Norte e Oeste).

Tal providência, que poderia facilitar o escoamento do público presente ao estádio, foi adotada nos dois primeiros jogos (ainda em 2014), mas deixou de ser observada a partir deste ano.

Gostaria de esclarecer se há alguma determinação de ordem prática para que isso não aconteça. Ou se simplesmente esqueceram de permitir a circulação do público por ali após os jogos.

Se não houver impeditivo técnico, caberia então a liberação dos portões internos para facilitar o escoamento após os jogos. E, para mim e para muitos outros, todo aquele caminho por dentro do shopping seria substituído pela mais do que bem-vinda sensação de deixar a nossa casa já na boa e velha rua Turiassu.

O palmeirense ficaria agradecido.

02 março 2015

BR/2015: tabela detalhada

A CBF divulgou a tabela do Campeonato Brasileiro/2015, mas, como de costume, trata-se da "versão básica", o que significa dizer que não traz ainda o desmembramento de datas e horários - isso acontecerá mais adiante, espera-se que em março ainda, com o anúncio de detalhamento das dez primeiras rodadas e, na sequência, em lotes de três ou quatro jornadas por vez. Isso ocorre basicamente porque, aos poucos, CBF e Rede Globo vão distribuindo os jogos nos dias e horários que forem mais convenientes para os interesses da emissora detentora dos direitos de transmissão.

O documento recém-divulgado é essencial para torcedores que viajamos para ver o time jogar fora de casa, porque já permite algum planejamento na definição de viagens e especialmente na compra de passagens para outros estados. Mas é inconclusivo, à medida que não revela quais jogos acontecerão no sábado ou no domingo, na quarta ou na quinta.

Daí então que, anualmente, este blog faz um exercício para antecipar os futuros desmembramentos da tabela, tendo um índice de acerto superior a 80% - foi assim no ano passado e também nos anteriores.

Desse estudo resulta a tabela detalhada do Palmeiras no BR/2015:


























Observem, por favor, que o material acima não pode ser tomado como oficial, definitivo ou infalível, uma vez que o desmembramento compete às entidades responsáveis. Mas é um bom referencial, em especial porque apoiado nos seguintes elementos:

_interesse da TV (que duelos podem ter mais apelo não apenas na transmissão para SP, mas também na grade para RJ, MG, PR e RS; o que faz mais sentido na TV aberta e no PPV; qual é o histórico recente em relação a cada time);
_concorrência com outros jogos na mesma cidade (em SP, teremos sempre um jogo no sábado e outro no domingo; em havendo um clássico na rodada, é certo que este ocorrerá no domingo); 
_intervalo entre duas rodadas sequenciais (se um time joga na quinta, não pode jogar no sábado, por exemplo);
_datas da Libertadores/Copa do Brasil (em especial para os duelos decisivos ou que envolvam longas viagens);
_histórico de definições de anos anteriores (decisões tomadas por CBF ou Globo em anos anteriores tendem a balizar as definições para este próximo Brasileirão);
_preservação do modelo do ano anterior, com os seguintes dias e horários: quartas e quintas, 19h30, 21h e 22h; sábados, 18h30 e 21h; domingos, 16h e 18h30.

Há um último elemento que pode alterar bastante o cenário apresentado: o desempenho dos times envolvidos. Mas, como isso só pode ser avaliado mais à frente, é o caso de fazer ajustes nas projeções de tempos em tempos.

Em alguns casos, a tarefa é fácil (sendo o Palmeiras mandante em uma rodada com SCCP x SPFW, é inevitável que nosso jogo aconteça no sábado, às 18h30; existindo um duelo entre outro grande daqui e um carioca, a mesmíssima coisa); em outros, no entanto, é preciso cruzar todas as variáveis apresentadas e, não raro, apelar para, digamos, uma conclusão a partir de evidências de anos anteriores. Por isso, além do detalhamento, este blog procura apresentar também o percentual estimado de concretização do dia e horário de cada rodada. Nos casos com probabilidade acima de 80%, dá para comprar a passagem desde agora; nos demais, é melhor esperar o anúncio oficial.