19 fevereiro 2015

Painel do Promotor

Na semana passada, publiquei um post sobre a emboscada de que fora vítima a torcida do Palmeiras no domingo anterior, antes do clássico contra o SCCP. A Folha de S.Paulo aparece bastante em toda a operação de manipulação midiática, tendo especial destaque Bernardo Itri, responsável pela coluna Painel FC do Promotor.

Eis então que, passado o Carnaval, a Folha retomou assunto.

Primeiro, no dia 18/02, com a capa do caderno de esportes sendo ocupada não pela cobertura do SCCP x SPFW válido pela Libertadores, mas por uma matéria (mal) requentada sobre mortes decorrentes de brigas entre torcidas. A foto principal, completamente inadequada, mostra o massacre de que fomos vítimas no domingo, 8 de fevereiro:


























O conteúdo seria apenas pueril, não fosse pelo artigo (repleto de argumentos débeis) do senhor doutor Paulo Castilho e pela tentativa de insuflar a opinião pública a partir da exaltação de um senso comum rasteiro e sem quaisquer elementos novos.

É meio que assim:

"-Acabou o Carnaval e estamos sem manchete de capa? Então procurem aí aquele promotor das torcidas e vamos enfiar um número impactante sobre mortes envolvendo esses vândalos travestidos de torcedores.
-Qual promotor? Aquele que virou deputado?
-Não, não, aquele mais novo que aparece quase todo dia no Painel FC.

-Ah, vou falar com o Itri..."

Deu nisso aqui:


























Entre moçoilas vestidas de policiais ("Mas é Carnaval! Não me diga mais quem é você! Amanhã tudo volta ao normal/ Deixa a festa acabar/ Deixa o barco correr..."), a crise econômica, os ricaços do HSBC (não, isso não pode!) e os editoriais indignados de cada dia, a falta de notícia foi parar na manchete do principal jornal do país!

Se tiverem coragem, confiram aqui os textos que produziram tal aberração: um abre preguiçoso e sem qualquer contextualização; um artigo abjeto escrito pelo senhor doutor promotor; um contraponto que quase evapora diante da tentativa de instaurar um clima de guerrilha urbana; e um catadão nos arquivos da Barão de Limeira.

Não há, em momento algum, qualquer reflexão sobre quem são as figuras envolvidas. Por que, afinal, este tal Castilho, que diz atuar há uma década na causa, nada conseguiu fazer para mudar o cenário? São, afinal, 10 anos! Por que suas tantas medidas não surtiram qualquer efeito sensível para reduzir essa tal violência? Por que ele aparece sempre no noticiário envolvendo um mesmo clube e um mesmo estádio? Os argumentos que ele apresenta são válidos? E as evidências, procedem? Qual é o histórico de sua atuação nesta última década? Que possíveis interesses particulares poderiam estar por trás de sua investida? Por que o senhor doutor insiste na defesa de suas pretensas ideias sobre o bem coletivo com base na primeira pessoa ("eu acho", "eu acredito", "eu penso que")? Existe, por acaso, alguma inadequação entre o que ele propõe e o que está a seu alcance a partir da legislação vigente? Por que a imprensa não ouve o outro lado (no caso, o torcedor)?

E a pergunta mais importante: vocês já pensaram, caros colegas jornalistas, no quanto a permanência deste assunto no noticiário ajuda a garantir ainda mais visibilidade para Paulo Castilho?

Digo, pois, aos senhores jornalistas que uma breve pesquisa aí nos arquivos da Barão de Limeira (ou no Google mesmo) responderia muitas dessas perguntas.

Mas a coisa piora, senhores. Chegamos ao dia 19/02. Depois de dedicar as notas principais do dia anterior a mais alguns números fantasiosos fornecidos por Fernando Mello, ex-titular desta mesma coluna, Bernardo Itri abre ainda mais espaço para o senhor doutor Paulo Castilho. Vejam, pois, o Painel do Promotor desta quinta-feira:






















Quanta besteira para tão pouco espaço...

"Elaboração de um projeto de lei", "restrição de benefícios" (quais?), "Comissão do Estado para fiscalizar as torcidas", "audiência com a SSP", "aproximação com o governo"...

Eu nem vou comentar a última nota, de uma fragilidade acintosa.

Até porque, pouco adiante, a Folha dispara uma página inteira para entrevistar Marco Aurélio Klein - sobre quem evitarei tecer comentários por ora.


























Tem tanta coisa errada e  tantos absurdos que eu vou evitar entrar nos detalhes. Vou me ater a dois breves parágrafos, logo no início, para ir direto ao ponto:





















Vejamos a situação:

_George Hilton, atual ministro do Esporte, nunca deve ter pisado em uma arquibancada.
_A (in)experiência de Klein, o redivivo, deve ser similar à do ministro.
_Se estão se baseando em um relatório escrito há nove anos, antes mesmo de a Copa do Mundo/2014 ter sido confirmada no Brasil, então não dá para esperar lá grande coisa.
_Pior ainda: se o tal documento é inspirado no Relatório Taylor, estão tomando como paradigma uma fraude sem precedentes:










À época, sob enorme comoção, contou-se uma mentira amparada em um documento formal e em muita manipulação midiática. Ela perdurou durante 23 anos, até que a verdade viesse à tona.

E eu, já de saco cheio de ficar lutando sozinho contra toda essa corja, encerro assim:












8 comentários:

Carlos disse...

barneschi, queria dizer que te admiro muito pela insistencia e coragem de seguir na luta contra esses tipos. parabens pelo trabalho

Luiz Fernando Sanchez disse...

o negócio é tão escroto que nem merecem comentários,e o inquérito do policial que matou um torcedor do Palmeiras em 2011? E a bárbarie da PM na final do paulista de 2008?É incrível como a falha de s.paulo definha a cada ano,sou a favor da prisão dos que cometem delitos,como acontece na ING de maneira muito eficiente,mas o custo dessa operação vai ser muito caro(em todos os sentidos) e o torcedor vai ser o bode expiatório...

Leonardo disse...

Canalhas, todos eles. Não param de matar o futebol.

Leonardo Nakamura

Luiz Fernando Sanchez disse...

Barneschi,viu a matéria da falha com o Serdan? Os caras conseguira superar a barreira do ridículo mais do que essa citada no post

César SEP disse...

Barneschi , pior que esses caras, só os próprios "torcedores comuns" tirando o sarro da Mancha por causa do carnaval , usando a mesma e desgastada assertiva : "deviam cobrar a Mancha pelo rebaixamento do carnaval". Em um elevado tom irônico. Como se a gente ganhasse 500 mil mensais pra desfilar... Abraço

Anônimo disse...

A PM pode ser violenta e escrota o quanto for. Mas enquanto duas torcidas não puderem se encontrar na rua sem possibilidade de briga violenta, a raiz do problema continuará existindo. A melhor polícia e a melhor promotoria do mundo de nada adiantarão se as torcidas não mudarem o comportamento. Estou errado? As organizadas não curtem dar porrada nos rivais?

Felipe disse...

Primeiramente, o parabenizo pelo blog, poucas passam a visão de torcedor apaixonado e, principalmente, de arquibancada.
Você, e seus demais companheiros, são aqueles que permitem que o futebol não vire algum modelo daqueles campeonatos praticados nos EUA, voltados apenas para o mercado/capital, lucro, venda de quinquilharias e etc.
Não vou entrar no mérito dos absurdos da mídia, e da glorificação dos Promotores e da tão despreparada PM.
A minha pergunta é: o que você acha dessa tentativa atual dos clubes e também das organizadas em buscar essa "tranquilidade" no estádio sem a intervenção do Estado. Como ocorrerá no GRENAL, ou mesmo como ocorreu em Recife?

Barneschi disse...

Luiz Fernando
A entrevista do Serdan publicada na Folha é mal intencionada. Os caras tinham uma pauta pronta e só queriam ter a resposta dele para uma pergunta. Aí a coisa foi publicada totalmente fora do contexto. Coisa nojenta.

César SEP
Nossa torcida está completamente desvirtuada, cara.

Anônimo
Cara, isso nos leva a uma discussão muito maior, sobre a origem das rivalidades. Entendo o seu ponto, mas acredito que é preciso levar em conta outros elementos para esse debate. Se há quem queira sair na porrada, é o caso então de a legislação ser aplicada. Devem ser punidos os responsáveis por atos de violência e não toda a coletividade.

Felipe
Obrigado pela sua mensagem, meu caro. Olha, acho que foram ações puramente midiáticas, mas entendo que são válidas se não houver desrespeito à cultura da arquibancada.