30 maio 2014

Carta aos matemáticos do Avanti

Nobres matemáticos do Avanti,

Faz 20 dias que eu escrevi este texto dirigido a vocês. Não tive qualquer retorno até o momento, nem mesmo um protocolar "estamos avaliando seu caso". Imagino que vocês estejam muito ocupados lutando contra a rebelião dos números que vocês criaram - eles podem ser criaturas traiçoeiras, não? -, mas me dei conta que, em sendo sócio Avanti (e também do clube), tenho direito a um esclarecimento.

Notei hoje que houve alteração nos números (voltei ao patamar de 96%), mas sigo sem poder confiar na validade deles. Em especial porque nem mesmo vocês devem entender a fórmula que foi criada para definir o rating, mas também porque há distorções que não se resolvem assim tão facilmente.

Em relação ao cenário apresentado no post anterior, gostaria de atualizar os dados para conferência de vocês:

-10/05, Palmeiras x Goiás, Pacaembu: OK
-14/05, Palmeiras x Sampaio Correa, Pacaembu: OK
-22/05, Palmeiras x Figueirense, Araraquara: OK
-28/05, Palmeiras x Botafogo, Prudente: não pude ir porque meu jatinho estava em manutenção.

Daí então que vocês me apresentam agora um índice de 96%, mas este número bem poderia ser 93%, 98%, 87% ou 91% (e não haveria como contestar). Há, por exemplo, caso de pessoas que perderam alguns desses jogos e têm 100%. De outra parte, há quem ostente números inferiores ao meu mesmo tendo ido aos mesmos jogos.

Resulta da absoluta falta de transparência, nobres matemáticos, a desconfiança em torno dos números.

Teremos agora dois meses sem jogos, e eu já me antecipo aos problemas: imagino que, em função da inexplicável fórmula que vocês inventaram, o rating de todos os sócios Avanti será prejudicado - e lembro que teremos um Santos/SP x Palmeiras logo no retorno da temporada. O absurdo é palpável: como alguém pode cair no ranking se foi a todos os jogos?

Assim, nobres matemáticos, gostaria de apresentar, para apreciação dos senhores, os seguintes questionamentos:

-O que impede que o rating seja apresentado com o mínimo de transparência? Qual é a dificuldade em manter, no cadastro individual de cada sócio Avanti, uma relação dos jogos contabilizados, com a informação sobre presença ou não do torcedor?

-Justifiquem, por favor, a adoção da incompreensível fórmula apresentada no site. Por que não se pode trabalhar de maneira simples? Por que não considerar a lógica “número de jogos com presença do torcedor x número de jogos em casa"? Por quê?

Obrigado.

29 maio 2014

Compromisso com o erro (de novo!)
















Presidente, prudente, voltou mais cedo de Chapecó/SC*.
Presidente, prudente, chegou ao longínquo vilarejo de Presidente Prudente/MS tranquilamente, como se nada fosse.
Presidente, nada prudente, deu para sair em fotinhos graciosas fazendo as vezes de piloto de rali ao lado de seu assecla, o sorridente CEO do ano e meio sem patrocínio máster.

O leitor mais perspicaz haverá de perguntar: como, afinal, conseguiu o nobre mandatário se aventurar sem sobressaltos pelos nebulosos aeroportos do Sudoeste do país enquanto o elenco alviverde sofria com uma logística desastrada?

Em seu jatinho particular, é óbvio. Talvez seja o único jeito de chegar e sair de Chapecó/SC, cidade que, conhecida nossa desde o ano passado, já deveria estar no radar da administração alviverde como um possível foco de (muitos) contratempos.

Longe disso; comprometidos com o erro, presidente, CEO e demais responsáveis (?) tomaram a decisão mais preguiçosa, covarde e temerária que poderia haver: jogaram no lixo um mando de campo do Palmeiras ao transferir um jogo nosso para Presidente Prudente/MS.

Sobre Prudente/MS, eu já escrevi incontáveis vezes desde 2009, quando começou, em um conluio entre Belluzzo e o areia mijada, esta esquisita obsessão por uma cidade sem qualquer atrativo - a não ser as migalhas pantaneiras continuamente oferecidas por um prefeitinho qualquer. Na sequência, a dupla Tirone/Frizzo seguiu com a tara, submetendo o Palmeiras a episódios grotescos, como aquela derrota para o Fluminense. Veio então o mandatário atual e a compulsão teve sequência, de maneira ainda mais inaceitável e com públicos decrescentes - culminando com os 5.681 desta vexatória derrota para o Botafogo.

Sem poder utilizar o Pacaembu nas duas últimas rodadas caseiras antes da Copa, o Palmeiras tinha muitas opções a considerar. O Canindé, por exemplo. Ou a Arena Barueri que nos enfiaram goela abaixo em 2012 - e que foi utilizada agora mesmo pelo Bahia, vejam só. Ou o estádio de São Bernardo. Ou Jundiaí. Até Itu, vá lá.

A decisão dependia de um mínimo de planejamento: estudar os cenários, avaliar os ganhos possíveis, levar em conta o respeito ao torcedor que vai a todos os jogos, privilegiar o sócio Avanti e, claro, pensar na opção menos desgastante para um elenco já diminuto e que enfrentaria alguns dias antes a malfadada viagem para Chapecó/SC.

Mas o Palmeiras da gestão que aí está não permite esse tipo de reflexão - para que pensar em logística quando se tem as migalhas do Pantanal? Este Palmeiras que aí está é comandado por uma figura desconectada da realidade, que toma as decisões a partir de conceitos distorcidos - afinal, por que pensar em dificuldades de deslocamento para o torcedor quando se tem um avião particular?; e por que pensar que tem gente que pode não ter condições de pagar R$ 60 pela arquibancada quando se tem milhões na conta?

Presidente Prudente/MS é um erro em qualquer circunstância. Mas Presidente Prudente/MS é um erro ainda maior em um meio de semana entremeado por deslocamentos tão problemáticos quanto estes que se apresentaram (Chapecó/SC e Caxias do Sul/RS devem ter os aeroportos que ficam mais tempo fechado no país).

O presidente, nada prudente, tomou a decisão mais irresponsável possível. Assumiu o risco que acabou por se consumar. Submeteu o elenco a uma insuportável viagem de ônibus e transformou um mando do Palmeiras em transtorno para o próprio clube. Jogou contra a entidade, contra a torcida, contra a nossa história.

A derrota constrangedora sofrida para o Botafogo é responsabilidade dele. Como é culpa dele também a miserável arrecadação de R$ 170 mil, o estádio às moscas, o clima fúnebre que se instalou em um duelo importantíssimo para o alviverde e mesmo o desgaste que vai acompanhar nossos jogadores lá na Serra Gaúcha.

Sim, erros acontecem, e é preciso ter o mínimo de decência para reconhecê-los e buscar os ajustes necessários. O que não se pode aceitar é o compromisso com o erro de um presidente que vive desconectado da realidade que o cerca.

Eles definitivamente não são do ramo...

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*A ideia deste post parte surge desta primeira frase, criada pelo grande amigo Adriano Pessini.

26 maio 2014

Um a menos

Paulo César de Oliveira anunciou sua aposentadoria. É bem verdade que vai continuar vagando pelo submundo do futebol, como um fantasma falastrão em rede nacional, mas o que nos conforta é saber que nunca mais irá trilar seu apito contra o Palmeiras.

Não pude deixar de notar que o referido cidadão soltou algumas palavras ao vento para anunciar a despedida. Segundo ele, “foi uma trajetória vitoriosa”. Há torcidas por aí que devem concordar, tantos foram os dividendos decorrentes de suas atuações, mas é o caso aqui de apresentar um contraponto, relembrando um pouco de tão nociva carreira. A ficha corrida do sujeito é extensa, mas um bom resumo deve obrigatoriamente contemplar os seguintes episódios:

_1997, Paulistão, Palmeiras 2-1 Rio Branco
Os detalhes estão aqui, mas o importante a dizer é que, jogando em casa contra um time pequeno, o Palmeiras teve três jogadores expulsos (incluindo o goleiro) e mais sete cartões amarelos, além de um pênalti claro que deixou de ser anotado em seu favor. Foi a primeira aparição dele contra o Palmeiras; era um bom prenúncio do que enfrentaríamos nos próximos anos.

_1998, Rio-São Paulo
Zinho, nosso camisa 11, é ofendido pelo árbitro em questão pouco antes de ser expulso. Com um a menos, o Palmeiras sofre um gol e é eliminado nos pênaltis.

_1999, Paulistão, Palmeiras 4-3 Portuguesa
Foram anotados três pênaltis para a Portuguesa em jogo disputado no Palestra Itália. Para a Portuguesa!, vejam os senhores.

_1999, Paulistão, Palmeiras 4-4 SPFW
Foram dois jogadores expulsos (Agnaldo e Jackson) e mais um pênalti bastante questionável anotado aos 37 minutos da etapa final. No clássico do segundo turno, mais dois jogadores do alviverde (Roque Jr. e Jackson) receberam cartão vermelho e outros dois pênaltis foram marcados.

_2000, Brasileiro, Palmeiras 2-2 SCCP
Agnaldo é expulso; na sequência, veio o empate do rival.

_2008, Paulistão, Bragança Paulista.
Basta dizer que o sujeito expulsou São Marcos.

_2008, Paulistão, semifinal, jogo de ida.
No Jd. Leonor, o árbitro garante a vitória dos bambis com um gol de mão absurdo:





















_2010, Paulistão, Prudente/MS
O Palmeiras enfrentou o Barueri de Prudente de Barueri (ou alguma merda itinerante do tipo) em Prudente/MS. Paulo César de Oliveira, este indivíduo de amarelo aí da foto, validou o lance que aí está, com o jogador do time da casa (?) mais de um metro à frente do nosso último zagueiro:

















_2011, Paulistão, semifinal
Sua última grande contribuição - depois disso, não me lembro mais de ele ter sido escalado para algum jogo do Palmeiras. Fato é que, durante esses 17 anos de tão nociva trajetória, os anúncios de Paulo César de Oliveira como árbitro de uma partida do Palmeiras provocavam reações as mais exacerbadas na torcida. O clima já ficava tenso nos dias que antecediam o jogo - mais ainda se fosse um clássico. Não foi diferente antes daquela semifinal em jogo único. Tirone e Frizzo nada fizeram para evitar a tragédia que se consumou no Pacaembu - e nem mesmo a notícia de que o sorteio da FPF foi dirigido teve algum valor. Naquela tarde de domingo, Paulo César de Oliveira subiu ao gramado com uma missão e a cumpriu com maestria: expulsou nosso melhor zagueiro já no início e, com ele, levou também nosso treinador. Um time brioso se superou com um homem a menos e quase venceu o jogo; nos pênaltis, veio a eliminação.

Um a menos. Mas faltam muitos mais.

22 maio 2014

Bem-vindo, Gareca!




















Abrir um post com a foto de alguém, seja lá quem for, não é muito do feitio deste blog. Mas hoje era necessário. Nem tanto pelo personagem que aí está, mas essencialmente porque o Palmeiras, por intermédio de seus dirigentes, se portou como o gigante que é. Esta página, normalmente tão crítica aos mandatários do alviverde, tem hoje o dever de parabenizar os senhores Nobre, Brunoro e Feitosa pela maneira como se conduziu a negociação para chegada do novo técnico - e, mais do que isso, pela postura de deixar a preguiça de lado, olhar para além do caminho mais fácil e fazer todo o esforço necessário para conduzir o alviverde imponente ao seu lugar.

A chegada de Gareca abre novas perspectivas para o nosso futuro próximo - talvez ainda para o Centenário. Elas dependem, é bem verdade, de se manter essa postura altiva em outras esferas. Dependem de reforços. Dependem de mais boas notícias. Dependem de ousadia para recuperar o que se perdeu. Mas já temos um ponto de partida, talvez um recomeço, um marco para que muita coisa fique para trás e para que se pense apenas no que vem pela frente.

À diretoria, parabéns. Isto é o Palmeiras.

Sim, pode dar tudo errado. Tudo mesmo. Mas aí será mais obra do imponderável, tendo a diretoria feito o que dela se esperava.

Que o novo comandante tenha paz para desenvolver seu trabalho. Estaremos ao lado dele.

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_Crédito da foto: Fábio Menotti/ Agência Palmeiras/ divulgação

11 maio 2014

A incompetência em números

A incompetência da gestão Paulo Nobre se faz revelar também nos pequenos detalhes. Uma vez que falta o tempo necessário para me dedicar a uma análise mais conjuntural das falhas que vêm arruinando o Palmeiras, vou me dedicar ao sistema de rating do Avanti, um pequeno exemplo da incompetência desta gente. Serei breve:

-O sistema de rating, essencial para priorizar os torcedores que mais vão aos jogos, foi implantado com enorme atraso, com seguidas promessas sendo descumpridas desde o ano passado. Não sei se por má vontade ou por inaptidão mesmo, mas fato é que somente em fevereiro deste ano tivemos a divulgação dos números que vinham sendo contabilizados deste setembro/2013.

-Qual seria a forma mais lógica de se definir o ranking de presença ao estádio? Bom, as pessoas inteligentes seguem o caminho mais simples - e fácil de entender, explicar e controlar: número de jogos com presença do torcedor x número de jogos em casa: o sujeito que foi a 31 partidas em 31 possíveis ficaria à frente do cidadão que foi a 28 em 31, por exemplo. Simples, direto e sem erro. Com o tempo, bastaria estabelecer um intervalo de corte (50 jogos, por exemplo) para eliminar os duelos mais antigos e permitir que novos torcedores construam um relacionamento sólido com o clube. É infalível.

-Os responsáveis pelo Avanti, no entanto, preferiram construir uma fórmula incompreensível para definição do rating. Ela já passou por alterações nos últimos meses, o que apenas contribuiu para torná-la mais complicada e sujeita a distorções. Querem tirar a prova? Pois cliquem aqui para desvendar a burra complexidade por trás dos cálculos. Notem, por exemplo, que um torcedor que se associar ao Avanti hoje e comparecer ao jogo de quarta ficará à frente de quem é sócio há anos e vai a todos os jogos. É ou não é estúpido?

-A "fórmula" mais simples e justa pode ser resumida em uma linha: "número de jogos com presença do torcedor x número de jogos em casa". Os imbecis, no entanto, preferiram apostar em um cálculo que, mais de 6 mil caracteres depois, não se faz compreender.

-Isso posto, devo dizer que, desde o início da contagem do rating, em setembro/2013, eu deixei de ir a apenas dois jogos com mando do Palmeiras, justamente dois que aconteceram bem longe de SP, em Londrina/PR (o primeiro) e em Campo Grande/MS. Ainda que a metodologia seja grotesca, eis que eu tinha 88% no ranking em março (meu nome estava naquela tal lista dos 700 que teriam prioridade para comprar ingressos para a Vila Belmiro contra o Santos). Ok. Depois disso, eu marquei presença em todos os jogos seguintes e, vejam só!, meu índice despencou para 63%:







Tal situação ocorreu com todos os torcedores com quem eu conversei, o que evidencia se tratar não de uma falha pontual (o que já seria inaceitável), mas de um erro sistemático (o que é ainda mais grave).

Como explicar isso? Como o índice pode cair se o aproveitamento subsequente foi de 100%? Como pode alguém contrariar os números de maneira assim tão despudorada?

Eu finalizo com a seguinte consideração: se essa corja que aí está se mostra incompetente até mesmo para fazer uma simples operação aritmética, que tipo de absurdo não vai fazer com assuntos mais sérios envolvendo o Palmeiras?

05 maio 2014

À deriva

















Há muito a ser dito nos próximos dias, mas, por ora, é o caso de fazer um breve registro sobre o que passamos neste último domingo no Maracanã. Não sobre o ocorrido dentro de campo - acreditem, é bem melhor assim -, mas sobre o que vivemos os que somos o Palmeiras, os da arquibancada.

Contudo, antes disso e ainda sob efeito do interminável retorno desde o Maracanã até SP, devo esclarecer aos leitores, aos amigos e aos inimigos que o "Forza Palestra" não voltou. A página continua em recesso (pelos mesmos motivos aqui relatados), mas eu não poderia me calar diante de todos os descalabros administrativos da gestão que aí está - porque a coisa extrapolou qualquer limite. De tal forma que os posts mais recentes - e os que virão nos próximos dias - representam não um recomeço, mas sim um esporádico e necessário contraponto a esta corja que vem arruinando o Palmeiras.

Sigo na rotina que me cabe como torcedor (estive no Maracanã, viajo a Salvador daqui a duas semanas, vou a todos os jogos no Pacaembu etc.), mas nada muda no cenário que me levou a suspender o blog. Como este presidente inapto e a corja de bajuladores segue vilipendiando o Palmeiras dia após dia, vou ainda publicar mais alguns posts antes de voltar à programação original. Farei isso na medida do possível, uma vez, torno a repetir, não vivo de renda.

Aguardem, pois.

Isso posto, me sinto no dever de informar que neste domingo último, com o Palmeiras enfrentando o seu maior rival fora de SP, a diretoria que aí está novamente virou a cara para o palmeirense. Os 1.803 que pagamos ingresso para empurrar este time destroçado pela mesquinharia do senhor Paulo Nobre não tivemos, por parte dos que comandam o clube, qualquer atenção. A torcida visitante (no caso, a nossa) teve direito a cinco mil ingressos, quase todos eles comercializados no Rio de Janeiro. Por que 'quase'? Bom, porque ao menos os que compraram o pacote da Futebol Tour tiveram facilidade para adquirir os seus. Ao palmeirense da arquibancada, tão maltratado por essa e por outras gestões, restou encarar o sufoco para comprar ingressos junto com a torcida inimiga no Maracanã.

O Palmeiras segue à deriva, vítima da reclusão e dos caprichos de um mandatário incompetente e de uma pequena corja de aduladores oportunistas.

01 maio 2014

#centenariopopular

Eu bem poderia rememorar um dos tantos textos que já escrevi sobre a elitização ora em curso no futebol brasileiro. Poderia voltar aos idos de 2007, quando proclamei, de maneira um tanto isolada, que a Copa do Mundo deste ano era o "atestado de óbito" do futebol neste país. Poderia. Investiria nisso um tempo de que não disponho e, ainda assim, os elitistas continuariam existindo. Não se acaba com uma praga assim tão facilmente.

Eis então que eu deixo de lado todo esse esforço para brevemente abrir espaço para a campanha #centenariopopular, nascida a partir da visão de quem enxerga o Palmeiras não a partir de um prisma deformado, mas sim como ele é: como um clube de massa e que deve abraçar todos os seus torcedores para continuar sendo gigante.

Em poucas horas, a iniciativa ganhou força e apoio do torcedor. O raciocínio é simples:

O Palmeiras vai a campo pela última vez em casa antes da Copa do Mundo no sábado, 10/05, às 18h30, contra o Goiás. Em tendo sequência a política de preços desta direção (ingresso a R$ 60), é de se esperar um público na casa de 9 a 12 mil pagantes, com renda girando em torno de R$ 380 mil a R$ 500 mil. Nada muito diferente, portanto, do que tivemos no duelo contra o fluminense (11.189 pagantes para uma renda de quase R$ 475 mil).

Os apontamentos acima não são derivados de algum impressionismo, tampouco têm a superficialidade das análises feitas pela gestão atual para precificar os nossos ingressos. Eles se sustentam, isso sim, em uma base de dados de mais de 20 anos - porque se tem uma coisa que importa para mim é o público que vai ao estádio...

Pois bem, podemos ter a mesma renda com o estádio 30% cheio ou com o estádio 100% repleto. Há, de imediato, um benefício lógico, aquele que diz respeito à parte técnica: porque o time evidentemente entraria em campo mais motivado e, por consequência, mais chances de vitória teria. Existe, em conjunto, um segundo fator, o do arrefecimento na animosidade entre torcida e direção. Também, em paralelo, um ganho de imagem para o clube, pois estádio cheio rende melhores imagens na TV, favorece comentários elogiosos na mídia e reforça a auto-estima dos envolvidos. E, por fim, a vantagem mais importante diria respeito ao restabelecimento do vínculo entre o Palmeiras e seus torcedores humildes, aqueles que, de uns tempos para cá, se viram alijados do estádio por uma política de precificação que não se apoia em qualquer tipo de pesquisa, mas sim nos impressionismos e no bolso de um presidente desconectado da realidade - e, vá lá, de uma pequena corja que o bajula.

Basta querer o bem do Palmeiras para se engajar. Foi o que ocorreu com quase todos os que se manifestaram sobre a campanha.

Se houve exceções?

Sim, houve. Pouquíssimos se manifestaram contra a iniciativa.

Se você, por curiosidade mórbida, quiser conhecer a opinião destas pobres criaturas, sugiro fazer uma busca lá no Twitter mesmo. Vá lá. É um exercício antropológico, de conhecimento de tudo de mais podre que pode haver na raça humana.

De minha parte, eu me permito fazer uma divisão bem simplista desta corja. São dois os tipos divergentes:

-1. Os bajuladores
São os indigentes mentais que pensam dar algum tipo de suporte à gestão que aí está. Via Twitter e por outros meios, já apontei essas criaturas (vale conferir este post). Temos lá os deslumbrados, os interesseiros (sempre atrás de um espaço ou de uma carteirinha) e os puramente mal intencionados. Há três formas de reconhecê-los:
(I) pelo raciocínio débil e distorcido, digno de um indigente mental - tem uns aí que adoram falar em "antinobretes" (?); mal percebem o quanto isso revela sobre a condição de, como é mesmo?, "nobretes".
(II) pela fragilidade argumentativa, quase sempre repetindo terminologias como estas aqui.
(III) pela obsessão política - porque, preocupados unicamente com um conchavos baratos, haverão sempre de apontar motivações de ordem política em tudo aquilo que evidenciar a inaptidão da gestão que aí está. Atentem para isso, porque os que apontam "política" em tudo são exatamente os únicos preocupados com isso; a torcida mesmo está preocupada com um alviverde gigante.

-2. Os elitistas
Aí vai muito além da nossa torcida: os elitistas são como os racistas, uma praga que insiste em fazer do mundo um lugar pior. É o tipo de criatura que faz distinção social, que qualifica as pessoas pelas posses financeiras, que vive em um mundo muito particular, fora da realidade. É gente que ontem veio falar que "ingresso barato era para levar mendigo ao estádio", entre outros absurdos.

Alguns dirão que os bajuladores também são elitistas. No que eu devo concordar. Um pouco porque eu tenho o desprazer de conhecer alguns deles pessoalmente, outro tanto porque leio as opiniões sobre política e sobre a vida e só consigo sentir pena de tais criaturas.

O Palmeiras, senhores, é um clube de massa. Que seja, portanto, o Palmeiras de todos os torcedores: dos mendigos aos milionários.

Não há meio termo: ou se está a favor do palmeirense ou se está contra o palmeirense!

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Domingo é dia de seguir para o Maracanã. Teremos, os palmeirenses, direito a cinco mil ingressos, todos eles vendidos apenas no Rio. Gostaria de questionar o seguinte: por que cazzo nossa diretoria não fez qualquer solicitação ao Flamengo para que parte da nossa carga fosse vendida aqui em São Paulo?