29 outubro 2013

STJD/2013: por um futebol insuportável

Paulo Schmitt, este notório e deveras ocupado personagem que se apresenta como procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), deve ter sido um daqueles moleques que passou toda a vida escolar denunciando os colegas para os professores. Deve ter sido, desde os tempos idos do ensino fundamental, o dedo-duro, o alcaguete, o dedo de seta ou como quer que queiram chamá-lo – qualquer denominação é válida. Eis que o menino cresceu e, hoje revestido de um poder sem precedentes, virou o delator-mor do futebol brasileiro.

Tanto poder trouxe efeitos colaterais para o procurador-geral. Dizem que logo cedo, ainda antes de acordar, o estimado jurista tem balbuciado palavras que, de início incompreensíveis, foram sendo decodificadas por pessoas próximas como sendo a sua sentença-padrão: “Vou solicitar as imagens para oferecer a denúncia ao Tribunal”. Que imagens? Que denúncia? Que tribunal?

Ora, ora, pouco importa, senhores. Importa, isso sim, que nada mais acontece neste decrépito futebol brasileiro sem que o menino alcaguete Schmitt se apresente como o bastião da moral e dos bons costumes, sem que venha apresentar denúncias descabidas, sem que venha exigir, de antemão, providências contra torcidas, clubes, jogadores, técnicos, dirigentes e demais personagens.

Mas Schmitt não está sozinho. Longe disso. Em sua cruzada destemida em defesa da moral e dos bons costumes, o menino alcaguete tem como parceiro o presidente do órgão: Flávio Zveiter, o jovem sucessor de uma família de tão inestimáveis serviços prestados ao futebol brasileiro (foi seu pai, Luiz, o responsável pelos 11 jogos anulados do Brasileiro/2005). O menino Zveiter, no entanto, é ainda mais repressor que papai Zveiter e titio Zveiter, figuras de notória passagem pelo referido tribunal. Sinal dos tempos, é claro.

Schmitt e Zveiter vêm transformando o futebol brasileiro em algo insuportável. Não é de hoje, é bem verdade, mas 2013 tem sido um ano particularmente propício para os arroubos verborrágicos dos doutos expoentes do STJD. Não disponho dos números aqui, mas eles certamente comprovariam a afirmação a seguir: nunca antes foram registradas tantas e tão descompassadas punições contra clubes de futebol. Nunca houve tantas perdas de mando de campo e tantos atletas sendo punidos por atitudes supostamente contrárias à ética esportiva. Nunca houve, enfim, tamanha interferência de um órgão de burocratas boquirrotos no esporte que outrora se praticava apenas dentro das quatro linhas.

Isso tudo para não mencionar a evidente falta de critério em algumas decisões - a depender das agremiações envolvidas.

...

O quê? Tacaram um copo de água na cabeça do bandeirinha? Perda de um mando de campo! 

Como é que é? Torcedores trocaram sopapos na arquibancada? Multa e menos dois jogos como mandante!

Eu escutei direito? Vândalos organizados e baderneiros entraram em confronto com os nobres, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque? Pois que joguem quatro vezes seguidas no interior! 


Ah, não diga isso! Resolveram não separar duas torcidas que se odeiam e os caras brigaram? Que marginais! Portões fechados pra os dois times! Ah, essa punição não está no Código? Bom, então que percam quatro mandos cada e não se fala mais nisso! 

Alô, Rizek? Vou bem, e você? E aí, vai fazer o que hoje à noite? (...) Como é? Ele forçou o terceiro amarelo e admitiu isso na entrevista? Vamos meter gancho nesse vagabundo! 

O que é que ele disse? Sério? Não posso aceitar essa manifestação desrespeitosa a este órgão tão essencial para o futebol! Vou solicitar as imagens para oferecer a denúncia ao Tribunal! 

...

Por obra de Schmitt e de Zveiter, por exemplo, a maior cidade do país quase não vai ter futebol neste final de temporada. Todos os seus times grandes vêm sendo punidos de maneira vazia e inconsequente sem que medidas práticas tenham sido tomadas – e sem que os verdadeiros culpados pelos incidentes tenham sido inquiridos.

Observem, senhores, que nada que vem do STJD tem caráter corretivo e/ou de efetiva punição para os responsáveis pelos atos (quaisquer que sejam eles). As medidas ora tomadas contra os clubes têm o efeito perverso de punir milhões de pessoas enquanto os poucos responsáveis diretos nada sofrem – e, via de regra, são até beneficiados, uma vez que podem encarar as viagens para terras longínquas sem que isso lhes cause grande contratempo.

O próprio Palmeiras passou um terço da Série B sem poder jogar na sua cidade. Foram duas penas por situações distintas, mas fato é que os envolvidos nos tais incidentes que provocaram a punição continuaram indo aos jogos em outras cidades e estados. Situação similar ocorre com o SCCP e com o SPFW – isso para não falar nos tantos clubes punidos Brasil fora. Aliás, não deve haver sequer um participante das divisões principais que tenha escapado da ensandecida cruzada dos senhores juristas.

Agem, o procurador-geral e o presidente do STJD, não com vistas a aplacar eventuais situações indesejadas, mas com foco exclusivo na punição pela punição. Um pouco porque gostam de aparecer (qual dessas proeminentes figuras do direito não gosta?) e outro tanto porque movidos por um irrefreável desejo de denunciar e punir por qualquer besteira. É coisa que vem de berço, sabem como é?

Calma, Schmitt, calma; logo mais você recebe as imagens para denunciar o próximo otário. E tudo segue como antes, rumo a um futebol a cada dia mais e mais insuportável...

28 outubro 2013

O Racing e o Promedio

O grande Racing Club de Avellaneda (conferir aqui) foi a Bahía Blanca nesta segunda-feira e bateu o time da casa, o Olimpo, por 1 a 0. E daí?, vocês haverão de perguntar.

Sei que parece irrelevante, mas fato é que foi a primeira vitória de La Academia na temporada 2013/2014. Até então, o Racing acumulava 2 empates e 10 derrotas no Torneo Inicial (com 3 gols marcados e 20 gols sofridos). Confiram:

Colón 1-1 Racing
Racing 0-3 San Lorenzo
Tigre 3-1 Racing
Racing 0-2 Arsenal
All Boys 1-0 Racing
Racing 1-1 Lanús
Boca Juniors 2-0 Racing
Racing 0-1 Newell´s Old Boys
Belgrano 3-0 Racing
Racing 0-1 Atletico Rafaela
Estudiantes 1-0 Racing
Racing 0-1 Vélez Sarsfield
Olimpo 0-1 Racing

A vitória redentora aconteceu logo contra o vice-lanterna, que segue com 11 pontos. O Racing foi a cinco (em 39 disputados) e terá de se superar para escapar da última posição.

A seguir, o que resta até o fim do Torneo Inicial (o primeiro turno):

Gimnasia-Racing
Racing-Argentinos
Quilmes-Racing
Racing-River Plate
Rosario-Racing
Racing-Godoy Cruz

Se fosse aqui no Brasil - e em qualquer outro lugar do mundo -, uma trajetória assim tão desastrosa significaria um rebaixamento iminente. Na Argentina, no entanto, um grande clube do Racing (e, a rigor, todos os demais) é protegido por um instrumento chamado "Promedio": o descenso de uma equipe só acontece em função de seguidas campanhas ruins. É simples: os pontos obtidos nos últimos três campeonatos (Inicial + Final) são somados e divididos pelo número de jogos disputados.

Como teve boas campanhas em 2011/2012 e 2012/2013, o Racing ocupa uma posição até confortável no Promedio atual. Basta voltar a vencer para evitar um rebaixamento agora. O problema é que um desempenho ruim agora o coloca em risco no próximo ano:

























Aguante, La Acadé!

27 outubro 2013

Enfim, o fim

Não há absolutamente nada que seja digno de comemoração - e foi bom até que a cancha municipal não tenha sido tomada por qualquer festejo depois do apito final. Há, isso sim, a simples constatação de que, 32 longas e extenuantes jornadas depois, estamos enfim livres do martírio da Série B. Com um desfecho um tanto frustrante, é bem verdade, mas estamos. Enfim.

Nem mesmo se pode falar em alívio - ao contrário de 2003 -, porque o acesso agora era questão de tempo e nada mais. Isso posto, tudo o que vier a acontecer nos seis próximos jogos pouco importa, uma vez que foi cumprido o duro dever imposto ao palmeirense neste esquecível 2013. A temporada poderia - e deveria - acabar agora mesmo, para só precisarmos pensar em futebol novamente no próximo ano.

De Norte a Sul, passou (e ainda vai passar) o Palmeiras por todas as regiões do país. Como se não bastassem os longos deslocamentos como visitante, fomos vítimas ainda de um desmoralizado tribunal, de tal forma que, na melhor das hipóteses, o Palmeiras vai encerrar esta Série B tendo disputado 13 jogos "em casa" e 25 (quase o dobro) fora de casa.

Foi longo, foi cansativo, foi desagradável. Foi cruel até. Os jogos desinteressantes às terças-feiras se multiplicavam e pareciam surgir na nossa tabela quase que semanalmente - como se precisássemos de um lembrete de tudo de ruim que fizeram ao Palmeiras nos últimos anos. A estes, se somavam os duelos deslocados nas sextas-feiras à noite, em horários tão infelizes quanto ofensivos, e os finais de semana que pareciam ter fim sempre antes da hora.

O acesso só poderia mesmo vir de um jeito nada inspirado, entre o tortuoso e o meramente irritante. Com torcida dividida, com a bola que insistiu em não entrar e, é evidente, com o bandido do apito esfregando em nossa cara a total e completa deficiência da S.E. Palmeiras quando se trata de se posicionar de maneira mais incisiva diante dos roubos que se colecionam por toda uma vida*.

Mas chegou ao fim.

Adeus, Série B. Até nunca mais.

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Se teve alguma serventia esta tarde de sábado na cancha municipal, esta foi o providencial empurrão para decretar mais um rebaixamento desta aberração chamada São Caetano.

Façam bom proveito da arquibancada a R$ 80 na Série C, seus putos de merda! Desapareçam para todo o sempre!

24 outubro 2013

Sobre a Pluri Consultoria

Falemos, pois, sobre livre iniciativa.

A rigor, qualquer pessoa que tem uma ideia pode colocá-la em prática; pode até mesmo criar um negócio a partir de uma ideia, por estapafúrdia que seja - a ideia e, por consequência, o negócio. Pode, por fim, ter até uma boa ideia e, em a transformando em negócio, não ter competência (ou decência) para que ela se transforme em uma empresa minimamente respeitável. Um exemplo para esta última vertente: Pluri Consultoria.

Do que se trata, afinal de contas, a Pluri Consultoria? Bom, deixemos que a própria organização apresente seus pilares: Pesquisa, Análise, Cenários e Tendências. Traduzindo: um pretenso instituto de pesquisas que, ao que consta, se divide em duas áreas distintas: “Economia e Inteligência de mercado” e “Sport Business”.

Eu não vou sequer me preocupar com a primeira área; vamos focar, isso sim, nessa tal área esportiva. Ao slogan, pois: “O esporte levado a sério”. Será?

A Pluri Consultoria, eu vos digo, é a empresa que produziu aquele "estudo" sobre os 17 motivos que levariam as pessoas a não frequentar estádios de futebol. Foi um negócio dos mais constrangedores e que, vejam vocês, encontrou respaldo em uma matéria de capa da revista sãopaulo, publicação semanal do mais lido e conceituado jornal deste país, a Folha de S.Paulo (conferir aqui e aqui). O que se tinha ali era um arsenal de obviedades, advindas do mais rasteiro senso comum.

Como se não bastasse a indigência contida neste tal "estudo", a Pluri Consultoria segue divulgando novos relatórios quase que semanalmente. Eu não vou atrás deles, é óbvio, mas as pessoas acabam por me encaminhar. Não fazem isso por um interesse genuíno nas conclusões da tal empresa, mas basicamente porque basta um mínimo de conhecimento em futebol para desqualificar por completo tudo o que possa vir dessa fonte.

Mais até do que a facilidade com que se desmonta os dados divulgados pela Pluri Consultoria, o que perturba é observar como a imprensa esportiva, acéfala, garante espaço para a propagação do mais rasteiro senso comum. Pior: outros setores da mídia vêm reproduzindo esse tipo de conteúdo a torto e a direito, sem preocupação com a conferência das informações.

É o caso, por exemplo, da tão recente quanto risível "pesquisa" sobre as torcidas mais fanáticas do país. Se tiverem paciência, confiram. Se quiserem avançar um pouco mais, sigam até o site da referida consultoria para ver outros "estudos". Eu prometo a vocês que não vou me preocupar agora em desqualificar essa história das "mais fanáticas torcidas". Sequer interessam os resultados, uma vez que o embasamento escolhido para se chegar ao resultado é de uma inadequação constrangedora.

Ao que interessa, pois:

-Desconfiem de tudo o que venha com o carimbo "Pluri Consultoria". Porque tem de tudo ali, menos seriedade;

-Desconfiem de matérias que se sustentem em dados dessa empresa.

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Amanhã, senhores, voltaremos. Enfim.

À cancha municipal!

23 outubro 2013

A briga errada

Walter Torre comprou a briga errada. Mal assessorado que é – pois tem Rogério Dezembro como um de seus asseclas -, partiu para o ataque frontal contra o seu futuro parceiro de 30 anos, logo o detentor do espaço onde a tal empreiteira que leva seu nome está erguendo (em ritmo abaixo da crítica e desavergonhadamente preguiçoso) um estádio que sempre pertencerá à Sociedade Esportiva Palmeiras e, mais do que isso, aos seus milhões de torcedores.

Não cabe a mim entrar nas infindáveis discussões contratuais (em especial porque não tenho acesso a qualquer dos tantos documentos que parecem existir), mas não há como se manter em silêncio diante da irresponsável, desrespeitosa e desprezível declaração do empreiteiro: "A arena é inteira nossa", disse o sujeito. Para além de arrogante, a frase demonstra seu despreparo e, ainda pior, a má fé que norteia todas as suas ações recentes.

(Má fé esta que parece ter permeado também a conduta de alguns desprezíveis elementos que contaminam nossas fileiras - que os responsáveis façam a devida investigação.)

Registre-se ainda que, ao menos neste embate, o presidente do clube se portou à altura do cargo.

A briga que Walter Torre está comprando é errada, muito errada. E então, se não quiser se dar mal e para evitar desacordos que lhe poderão trazer ainda mais prejuízo, resta ao tal empreiteiro apenas este caminho: tomar vergonha na cara, deixar de lado a vagabundagem e terminar logo a porra da obra!

21 outubro 2013

Sobre o nosso estádio

As informações são desencontradas, parece haver uns quatro contratos diferentes e vagabundo vive tentando empurrar a responsabilidade para terceiros – tão vagabundos quanto quem tenta limpar a própria barra. Eu confesso, sincera e honestamente, não ter a menor paciência para aguentar essa nebulosa, obscura e tenebrosa discussão sobre o lugar que antes podíamos chamar de casa. Em sendo um tema de tamanha importância, no entanto, eu me sinto obrigado a fazer algumas breves considerações:

_Confiram aí, na barra lateral, todos os posts que este blog já escreveu sobre o saudoso e eterno estádio Palestra Italia. É o melhor que se pode fazer no momento.

_O debate é tão obscuro que até desestimula o engajamento da torcida. Porque simplesmente não há quem consiga apresentar uma versão minimamente confiável.

_Rogério Dezembro, a criatura responsável pela primeira "versão" do Avanti, foi sempre tratado por este blog como uma figura pouco confiável. O tempo só fez reforçar isso.

_Fazer ou não um setor sem cadeiras é questão de inteligência. Mais até do que de boa vontade. Sejam, portanto, inteligentes.

_Antes de sequer pensarem em estratégias elitistas, levem em conta dois fatores: (1) façam um estudo sobre a média de público do Palestra em toda a história; e (2) mirem-se no mau exemplo de alguns dos estádios recém-reformados ou recém-construídos para entender que o futebol vai sempre ser uma manifestação popular.

_Públicos artificiais não se sustentam - e não sustentam o futebol.

_O estádio Palestra Italia vai se chamar sempre Palestra Italia e vai pertencer eternamente à Sociedade Esportiva Palmeiras. O resto é pilantragem.

_Terminem logo a porra da obra!

_Por fim, deixo-os com a palavra do amigo Adriano Pessini, em sua coluna publicada no Agora SP de ontem:


























Para o senhor Walter Torre, para Rogério Dezembro e para todos os demais canalhas que estiverem tentando se colocar contra o Palmeiras, contra a sua casa e contra o seu torcedor, eu tenho a dizer apenas que, com ou sem cadeiras e seja lá quantos forem os lugares disponíveis, ficaremos em pé. Sejam, portanto, minimamente inteligentes e tirem proveito dessa situação. Porque o estádio Palestra Italia haverá sempre de pertencer à torcida do Palmeiras e aos interesses dela irá se submeter. Porque o estádio se adapta aos torcedores e não o contrário. Por bem ou por mal.

20 outubro 2013

Onde houver Palmeiras...

















O martírio da Série B começou no interior paulista mesmo, em Itu, com quase ninguém dando muita importância àquele esquecível Palmeiras 1-0 CAG/GO - acontecia ao mesmo tempo a final da Champions League. Eis então que, transcorridos cinco meses daquela tarde modorrenta em Itu, voltou o alviverde imponente a um desses tantos campos do interior para deixar bem encaminhado o retorno ao seu devido lugar. O 2-0 em Bragança Paulista representam o passo quase definitivo para enfim nos livrarmos desta tortura que é fazer parte de um campeonato ao qual não pertencemos.

Começamos essa trajetória sendo roubados pela diretoria do próprio Palmeiras (ou vocês se esqueceram da arquibancada a R$ 60?). Não que a coisa tenha mudado muito desde então (os episódios que colocam torcida e diretoria em campos opostos se sucedem semana após semana), mas é muito bom contribuir, a partir da arquibancada, para tirar o Palmeiras dessa situação maldita. A vitória em Bragança nos permite agora lutar por apenas mais uma vitória para acabar com isso tudo - e será em casa, diante da torcida.

Até sábado na cancha municipal!

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O estádio Abi Nabi Chedid (ex-Marcelo Stéfani) é daqueles campos do interior que você pode passar anos sem frequentar sem que nenhuma alteração se faça notar. No fim de semana agora, a caminho de Bragança, um amigo disse que não ia até lá desde a década de 90. Ao que eu respondi: "Cara, nada mudou; o estádio continua do mesmo jeito". Para o bem e para o mal. A novidade dessa vez é que foram inteligentes os dirigentes do Bragantino e acabaram liberando para a torcida visitante não apenas a cabeceira do gol, mas também todo o setor central da arquibancada e mais um canto da numerada.

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Vejam os senhores como é o futebol...

Houve um tempo em que o Bragantino era considerado um adversário perigosíssimo para o Palmeiras - falavam até em "asa-negra". Não resta nem sinal disso e o retrospecto recente entre as duas equipes evidencia um enorme descompasso. Depois de uma derrota em 1996 no então Marcelo Stéfani, o Palmeiras nunca mais foi derrotado. São 17 anos de invencibilidade diante do adversário do interior. É bem verdade que o Bragantino passou algumas temporadas na segunda divisão do Paulista, mas foram 11 jogos nesse período, com 8 vitórias do Palmeiras e 3 empates. Considerando apenas os jogos em Bragança, foram mais quatro desde aquela derrota de 1996:

Paulista/2008 - Bragantino 2-5 Palmeiras
Paulista/2010 - Bragantino 2-3 Palmeiras
Paulista/2012 - Bragantino 1-2 Palmeiras
Série B/2013 - Bragantino 0-2 Palmeiras

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Como terá sido a festa de aniversário do chileno vagabundo?

18 outubro 2013

Breves considerações

É tanta coisa (ruim) acontecendo que ninguém mais consegue acompanhar os sucessivos ataques contra o futebol. Eu menos ainda, e, já sem paciência para isso tudo, me permito, de uma só vez, fazer breves considerações:

_É simples: se há oito países campeões do mundo e oito grupos na Copa/2014, definidos estão os cabeças-de-chave. Qualquer disposição em contrário evidencia a cretinice inerente a tudo o que sai da cabeça dos velhos carcomidos da Fifa.

_Eu nem me preocupei em ver o que aconteceu entre os setores laranja e vermelho do Jd. Leonor no último domingo. Bastou ver algumas poucas imagens e mais as fotos nos jornais do dia seguinte para ter a certeza de que a culpa foi toda dos bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque.

_Aliás, eu já pensava isso no início da semana, mas tal opinião se fortaleceu quando eu li uma notícia versando sobre um tal relatório do Choque que, vejam os senhores, pretende responsabilizar as duas torcidas pelo ocorrido no Jd. Leonor. Coisa linda, não?

_Também não tenho detalhes sobre o tal palhaço-que-diz-ser-repórter que tomou umas porradas na numerada do mesmo estádio durante o clássico. Tampouco preciso de qualquer informação adicional: se um palhaço foi fazer graça dentro de um estádio de futebol, ele tem mais é que apanhar.

_E os vagabundos do STJD, é evidente, já preparam novas e absurdas punições para tirar mais alguns clubes de seus estádios.

_Aliás, um dos clubes futuramente punidos será aquele de azul das Minas Gerais. O título nacional vai ser conquistado em um estádio qualquer. Parabéns aos defensores dos pontos corridos; vocês conseguiram matar de vez o Campeonato Brasileiro.

_Um sujeito qualquer joga um copo de água no gramado e o clube perde mandos de campo. Um clube vende mais ingressos do que a capacidade do estádio, coloca em risco a vida de muitas pessoas e nada acontece. Parabéns a este tribunal de vagabundos.

_Na Argentina, o Racing acumula apenas 2 pontos em 11 jogos disputados no Torneo Inicial: são 2 empates e 9 derrotas, com 3 gols a favor e 19 contra. Hoje à noite, La Acadé recebe o Vélez Sarsfield - que cumpre campanha abaixo da média. Com números tão desastrosos, eu já nem temo pelo rebaixamento na próxima temporada (efeito do Promedio); dá pra imaginar uma queda já nesta temporada 2013/2014, ainda que o clube tenha cumprido boas campanhas nas duas temporadas anteriores.

_Como nem tudo se perde, abro espaço para compartilhar um texto brilhante do Leandro Beguoci: "Por que a Série B deveria ser ensinada nas escolas?"

_Bragança nos aguarda amanhã à tarde. Está chegando a hora de voltar. Para casa e também para o lugar ao qual pertencemos.

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Eu bem sei que a posteridade pediria que eu colocasse links explicando cada um dos assuntos acima, mas, insisto, já não tenho a menor paciência para isso tudo.

15 outubro 2013

Rio-SP/1993

Um título que vale quase que integralmente porque conquistado sobre o nosso maior rival, em situação adversa e com um toque de dramaticidade nos dois jogos decisivos.

O Rio-SP de 1993 foi o primeiro a ser disputado desde 1966. Mas não teve assim tanta adesão dos grandes times do país, em especial porque muitos deles estavam desfalcados, com seus jogadores servindo a seleção brasileira em jogos da Copa América ou das Eliminatórias para a Copa de 1994 (lembrem-se que o sistema de disputa era diferente, com o Brasil se classificando apenas na última partida, e que a seleção tinha um outro significado naqueles tempos).

O Palmeiras entrou na disputa menos de um mês depois do título paulista de 1993, que encerrou 17 anos de jejum. A torcida estava, portanto, em êxtase. Entre idas e vindas, perdemos atletas como Mazinho, Antonio Carlos, Sampaio, Zinho e Evair. O título foi conquistado praticamente com um time misto.

O primeiro Rio-SP em quase 30 anos teve regulamento bem simples: dois quadrangulares, dois cariocas e dois paulistas em cada grupo; jogaram todos em turno e returno, totalizando seis rodadas, e o campeão de cada lado avançava para a final em dois jogos.

O Palmeiras ficou no Grupo B, ao lado do Santos e da dupla Fla-Flu. Na outra chave, estavam SCCP/SP, Portuguesa (em substituição aos bichas) e mais os outros dois cariocas: Vasco e Botafogo.

1º fase

Palmeiras 1-1 Flamengo/RJ - Palestra, 9.329
Santos/SP 2-0 Palmeiras - Vila Belmiro, 7.233
Fluminense/RJ 0-3 Palmeiras - Maracanã, 2.244

Palmeiras 3-0 Santos/SP - Palestra, 9.402
Flamengo/RJ 3-1 Palmeiras - Maracanã, 5.846
Palmeiras 2-0 Fluminense/RJ - Palestra, 6.277

A estreia, no Palestra, é mais lembrada pelo que aconteceu depois do jogo, entre as duas torcidas, do que pelo que se passou em campo (Djalminha abriu o placar para o visitante e Alexandre Rosa foi buscar o empate para o Palestra).

Na sequência, bastante desfalcado, o Palmeiras foi à Vila Belmiro e perdeu para o Santos por 2 a 0. Considerando que apenas o campeão de cada grupo avançaria para a fase seguinte, a situação ficava bastante complicada com essa derrota.

Vieram então duas vitórias contundentes para recolocar o Palmeiras na briga: goleadas por 3 a 0 (contra o Fluminense no Maracanã e contra o Santos no Palestra).

Uma derrota por 3 a 1 para o Flamengo no Rio quase eliminou o alviverde, mas a classificação foi alcançada com um 2 a 0 sobre o Fluminense em SP.

No fim das contas, ficou assim a classificação do Grupo B:

1. Palmeiras 7
2. Santos 7
3. Flamengo 6
4. Fluminense 4

Do outro lado, tivemos o seguinte:

1. SCCP 11
2. Portuguesa 5
3. Botafogo 4
4. Vasco 4

Final

Nosso rival chegou à final com a melhor campanha (5 vitórias e 1 empate) enquanto o alviverde foi buscar a vaga no sufoco. Foi uma situação distinta da observada dois meses antes, na final do Paulista.

De nada adiantou isso tudo; porque bastou um primeiro tempo inspirado de Edmundo (com dois belos gols de cabeça e uma expulsão no melhor estilo Animal) para que o Palmeiras revertesse qualquer vantagem: o 2-0 da ida, em uma noite de quinta-feira no Pacaembu, permitiu ao alviverde apenas empatar sem gols no segundo jogo para conquistar o segundo título consecutivo contra o seu inimigo.

Palmeiras 2-0 SCCP/SP - Pacaembu, 18.719
SCCP/SP 0-0 Palmeiras - Pacaembu, 28.363

14 outubro 2013

Só mais 9 jogos...

















Não há muito o que se possa dizer sobre a magra e modorrenta vitória diante do Guaratinguetá Americana Guaratinguetá em Londrina/PR. Apenas que foi uma boa oportunidade para conhecer mais um estádio e que estamos cada vez mais perto de encerrar o martírio da Série B. Parece mesmo que tudo vai se encaminhando para um desfecho em casa, diante de um Pacaembu tomado, e é melhor mesmo que seja assim.

Sobre esta breve temporada no norte do Paraná, eu sinceramente esperava mais gente nos dois jogos: a julgar pelas quase duas décadas sem o Palmeiras por lá e pelo clima que tomou conta da cidade, não seria exagero pensar em públicos superiores a 20 mil pessoas. No entanto, deixando um pouco de lado os números, o time conseguiu se beneficiar do ambiente favorável que se criou.

Por fim, vocês bem sabem que costumo fazer análises detalhadas dos novos estádios que conheço, mas vou ficar devendo dessa vez. Se tivesse de fazer um breve resumo sobre o Estádio do Café, seria meio que isso aqui: é mais um campo – a exemplo de muitos que temos no interior de SP – que segue a fórmula de arquibancada escorada em um vale; guarda semelhanças com o Santa Cruz de Ribeirão Preto (seria ainda mais parecido se tivesse o anel completo) e com o Prudentão (pela altura da arquibancada).

Foi boa a opção e tudo mais, mas agora eu espero que os responsáveis por esta punição estúpida não voltem a complicar a vida de toda a torcida - e do clube.



10 outubro 2013

Redskins Nation

Não, eu não acompanho futebol americano. Mas, mesmo sem ter muita noção das regras do esporte e sem nunca ter visto um jogo inteiro da NFL, conheço, ao menos pelo nome, a maior parte dos times locais. Uns mais, outros menos, e o fator determinante para que um clube (dá pra chamar assim?) seja mais ou menos conhecido é o mascote – sim, porque os times por lá seguem sempre uma lógica: nome da cidade + mascote/símbolo. Vale para o basquete/NBA (Boston Celtics, Chicago Bulls, Phoenix Suns, Charlotte Hornets etc.), para o futebol americano/NFL (Miami Dolphins, Buffallo Bills, Atlanta Falcons, Chicago Bears etc.) e para as demais ligas (beisebol, hóquei e assim por diante).

De todos os 32 times que disputam a NFL, poucos são tão conhecidos quanto o Washington Redskins. Não pela cidade em si ou por seus feitos esportivos (que eu sinceramente desconheço), mas pelo simpático mascote: um índio pele vermelha.


















A essa altura, já consigo ouvir as vozes: “Barneschi, mas que cazzo isso tem a ver com o blog?”. Bom, tem muito a ver.

Pois vejam os senhores que há nos Estados Unidos uma pressão midiática para que o time mude de nome – e de mascote.

Por quê?

Porque há quem diga que Redskins (ou peles vermelhas, nomenclatura consagrada para definir os nativos do continente) carrega uma conotação pejorativa e ofensiva aos índios.

Eu não vou entrar no mérito da discussão, de verdade. Muito por não ter paciência, mas essencialmente porque me falta repertório para tanto - é uma questão que diz muito respeito a uma realidade histórica norte-americana (estão aí os bons e velhos faroestes que não me deixam mentir) e eu não quero enveredar por esse caminho.

Para quem tiver interesse, recomendo alguns links (todos em inglês):

Esta matéria da Sports Illustrated, principal publicação esportiva dos EUA, é um bom ponto de partida para entender o que se passa. A mesma revista registra que os torcedores do Redskins defendem a manutenção do nome.

O Huffington Post faz quase um panfletaço para tentar convencer a opinião pública sobre a necessidade de mudança do nome. Há uma série de vozes se levantando a favor da proposta. Não tenho muito como avaliar a representatividade dessas pessoas ou mesmo a ligação que elas têm com o esporte, mas suspeito que seja algo muito similar à realidade que temos aqui no Brasil.

Matéria do britânico The Guardian foca o debate na importância, para os torcedores do Redskins, de manter o nome e preservar uma história de 81 anos. O The Guardian também aponta, mostrando o quanto se trata de uma batalha midiática, que alguns jornalistas que cobrem a NFL têm se recusado a citar o nome Redskins. Ao que parece, o nome do time adquiriu subitamente, depois de oito décadas de existência, uma conotação racista.

O Washington Post tem uma extensa cobertura sobre o caso, mas merecem destaque a palavra de um importante articulista e mais as opiniões de internautas nesta página de pesquisa.

O NY Times mostra que até o presidente Obama resolveu palpitar.

Há até um verbete sobre a polêmica na Wikipedia - e aí dá para consultar outras fontes de informação.

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Pois bem, senhores, o que eu tenho a dizer é simples:

Se há de um lado uma campanha midiática (suportada por algumas ONGs) e de outro uma torcida, não há muito o que pensar sobre que lado escolher. Se existe um embate entre o politicamente correto e uma história que remonta aos anos 1930, a decisão é ainda mais fácil. Sei que isso parece fazer ainda mais sentido para uma torcida que, como a nossa, se deparou com uma suja campanha midiática que mudou o nome do nosso clube há 70 anos, mas é inegável que qualquer torcedor (de qualquer esporte) vai se sentir diretamente atingido por essa batalha contra o Redskins.

E então, para fechar, vale ler com muita atenção a carta publicada no site oficial do Redskins por Daniel Snyder, proprietário da franquia (sim, é essa a denominação por lá). Por pior que pareça o termo "owner", trata-se de um notório e apaixonado torcedor do Redskins. Não por acaso, seu texto defendendo a manutenção do nome é de uma louvável capacidade retórica, além de extremamente sofisticado do ponto de vista da estratégia: no lugar de eventualmente propor qualquer confronto com os supostamente ofendidos, ele busca mostrar que o nome é uma homenagem aos nativos americanos. Brilhante!

Se me permitem, vou extrair de lá algumas frases:

"Our past isn´t just where we came from - it´s who we are"

"On that inaugural Redskins team, four players and our head coach were Native Americans. The name was never a label. It was, and continues to be, a badge of honor."

"Washington Redskins is more than a name we have called our football team for over eight decades. It is a symbol of everything we stand for: strength, courage, pride, and respect – the same values we know guide Native Americans and which are embedded throughout their rich history as the original Americans."

"So when I consider the Washington Redskins name, I think of what it stands for. I think of the Washington Redskins traditions and pride I want to share with my three children, just as my father shared with me – and just as you have shared with your family and friends.

"After 81 years, the team name "Redskins" continues to hold the memories and meaning of where we came from, who we are, and who we want to be in the years to come."

"We are Redskins Nation... and we owe it to our fans and coaches and players, past and present, to preserve that heritage."

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Tomei conhecimento do assunto ouvindo a BandNews FM ("coluna" diária de Luiz Megale, correspondente em NY).

08 outubro 2013

"Veneno Remédio"

Não é por nada, meus caros, mas falta tempo para escrever no blog e também para reler alguns dos muitos livros que eu preciso indicar aqui. É o caso deste “Veneno Remédio”, de José Miguel Wisnik. Li há muito tempo, gostei bastante, mas já não poderia agora, sem uma releitura, fazer uma análise detalhada. Para não deixar de fazer a indicação, copio a sinopse da própria Companhia das Letras (a partir de link que possibilita também a compra do livro).




"Os estudos de grande abrangência sobre o futebol, ao abordar as questões políticas, sociais, econômicas e comportamentais em torno do esporte, costumam deixar de lado o essencial: o jogo em si, aquilo que faz dele uma atividade capaz de apaixonar bilhões de pessoas dos mais remotos cantos do mundo. 

O futebol, tal como foi incorporado e praticamente reinventado no Brasil, tem muito a dizer, com sua linguagem não-verbal, sobre algumas de nossas forças e fraquezas mais profundas, ajudando a ver sob outra luz questões centrais da nossa formação e identidade. 


Temas recorrentes na melhor ensaística brasileira, como a "democracia racial", o "homem cordial" e a deglutição antropofágica do influxo cultural estrangeiro, encontram aqui um viés inesperado e original como um corta-luz, um drible de corpo, um lançamento com efeito ou uma folha-seca - jogadas que os craques brasileiros inventaram ou desenvolveram, encontrando novos caminhos para chegar ao gol e à vitória. Lançando mão de um sofisticado instrumental crítico que bebe na filosofia, na sociologia, na psicanálise e na crítica estética, José Miguel Wisnik desce às minúcias do jogo da bola e de sua evolução ao longo das décadas. Nas páginas deste ensaio, craques como Domingos da Guia, Pelé, Garrincha e Romário põem à prova, com sua linguagem não-verbal, idéias sobre o país de escritores como Machado de Assis, Mário e Oswald de Andrade, sociólogos como Gilberto Freyre, historiadores como Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior. 


O futebol, em Veneno remédio, não é mero "reflexo" da sociedade, mas tampouco se desenvolve à margem dela. É, como mostra Wisnik, uma instância em que as linhas de força e de fuga do embate social e da construção do imaginário se apresentam de modo ao mesmo tempo claro e cifrado, como costuma acontecer com as expressões artísticas."


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O horário das 19h30 matou qualquer possibilidade de viagem para Londrina/PR hoje. Em sendo assim, só vai dar mesmo para ir ao estádio do Café na próxima sexta-feira, contra o Guaratinguetá. Por ora, deixo-os com a programação do Palmeiras nas próximas semanas (considerando apenas as rodadas já desmembradas pela CBF/Globo, com dias e horários definidos):

08/10, 3ª, 19h30 - Palmeiras x Figueirense/SC - Londrina/PR (28)
11/10, 6ª, 21h50 - Palmeiras x Guaratinguetá/SP - Londrina/PR (29)
15/10, 3ª, 21h50 - Icasa/CE x Palmeiras - Juazeiro do Norte/CE (30)
19/10, sab, 16h20 - Bragantino/SP x Palmeiras - Marcelo Stéfani (31)
25/10, 6ª, 19h30 - Palmeiras x São Caetano/SP - Pacaembu (32)

06 outubro 2013

Questão de postura

"Todo juiz de futebol é um filho da puta por definição e deveria apanhar antes, durante e depois de cada jogo".

Devo ter disparado esta frase pela primeira vez depois de algum dos tantos roubos absurdos e descarados de que foi vítima o Palmeiras desde que eu me entendo por torcedor. Porque, também como eu costumo dizer, não há no futebol brasileiro um clube que tenha sido mais prejudicado pela arbitragem do que o Palmeiras. De quebra, os "erros" contra o Palmeiras quase nunca são daqueles duvidosos, discutíveis e, por isso mesmo, até aceitáveis; via de regra, são decisões grotescas, acintosas e por demais nocivas ao clube.

Só nesta Série B, por exemplo, o Palmeiras já foi roubado de maneira descarada contra Ixpót, Guaratinguetá e ABC/RN. Das quatro derrotas sofridas pelo alviverde, duas aconteceram por influência dos árbitros. Esta última, em Natal, teve contornos quase cômicos. É de se duvidar que tenha havido anteriormente uma sucessão de erros tão clamorosos como o que observamos nos minutos finais deste último jogo: não apenas deixaram de ser anotados dois pênaltis escandalosos; também houve um gol anulado sem qualquer explicação lógica - a física diz que aquele cruzamento não poderia ter ultrapassado a linha de fundo de jeito nenhum. Se levarmos em conta ainda o pênalti anotado a favor do ABC/RN, tem-se a medida exata do papel da arbitragem.

E, notem os senhores, o Palmeiras foi roubado contra o minúsculo ABC de Natal! Como já fora roubado contra o maldito e ínfimo Ixpót/PE! E como já foi roubado tantas e tantas vezes contra adversários inexpressivos.

Entra gestão, sai gestão, e o Palmeiras segue fazendo o papel de trouxa quando se trata de arbitragem. Em primeiro lugar porque temos (historicamente) dirigentes fraquíssimos nos bastidores. Em segundo lugar porque nossos atletas nunca reagem como deveriam. E, por último, porque a postura de nossos dirigentes depois de cada roubo é sempre a mesma - com uma única e pontual exceção.

A continuar assim, o Palmeiras seguirá sendo assaltado de maneira indistinta, contra grandes, contra pequenos, contra quem estiver pela frente.

A postura precisa mudar o quanto antes. E é necessário agir nos bastidores. Não dá pra ficar aceitando esses roubos seguidos sem fazer nada para evitar os próximos.

05 outubro 2013

O inimigo está dentro de casa (3)

Há ditos palmeirenses por aí que, seja lá por quais interesses, se colocam contra o próprio Palmeiras para defender um sujeito que, além de gambá, tem graves falhas de conduta.

Não se pode esmorecer diante da absurda situação enfrentada durante esta semana e não podemos, os que defendemos o Palmeiras, desistir de uma luta que não permite concessões. Portanto, é dever de todo e qualquer palestrino se colocar contra essa figura débil que se infiltrou em nossas fileiras.

Deixo-os com o posicionamento oficial do Dissidenti sobre o caso:

























Vejam, pois, o impasse:

Permitiu a diretoria atual que um gambá se infiltrasse na gestão do clube. Não se trata de um gambá qualquer, mas sim de um reconhecido militante das causas de nosso inimigo. É um gambá que já prestou inúmeros desserviços à Sociedade Esportiva Palmeiras (na época em que estava à frente do Painel FC, da Folha de S.Paulo) e que, entre outras coisas, foi durante um bom tempo assessor de comunicação da MSI (lembram disso?).

Pois este gambá se dirigiu a palmeirenses (e sócios do clube) de maneira pouco respeitosa e ganhou, vejam vocês, o apoio de uma série de alienados, cretinos e acéfalos que se dizem palmeirenses. Sobre estas criaturas, elas se encaixam obrigatoriamente em um dos seguintes grupos: há ali alguns que notoriamente deveriam estar presos há tempos; há os torcedores de ocasião, aqueles que têm pouca familiaridade com a arquibancada; há os projetos (bem toscos) de futuros políticos do clube; há os que não sabem bem porque estão ali; há os meramente mal intencionados; e há os que chafurdam vergonhosamente na própria ignorância.

Quanto à diretoria da Sociedade Esportiva Palmeiras, não se tem notícia sequer de um pronunciamento oficial. Nada, absolutamente nada. Apenas silêncio. É bastante sintomático.

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O clube sobreviverá sempre e existirá sempre apesar de um ou outro desvio em sua trajetória. Mas não se sustenta sem os alicerces sobre os quais fomos forjados. Pois o futuro mostrará quem, em um momento crítico, jamais renegou sua própria origem. 

Ou se está contra o Palmeiras ou se está com o Palmeiras. Ou se está ao lado de um gambá mentiroso ou se está ao lado do Palmeiras. 

Cada um faz a sua opção. O tempo haverá de carregar o lixo para bem longe da rua Turiassu, 1840.

02 outubro 2013

O inimigo está dentro de casa (2)

A gestão ora à frente da Sociedade Esportiva Palmeiras entendeu por bem trocar, no início deste ano, toda a equipe de comunicação a serviço do clube. Em princípio, não há nada de errado. É possível, isto sim, apresentar questionamentos e críticas à medida, mas a mudança em si é uma prerrogativa que cabe a todo e qualquer gestor que assume um clube, uma empresa ou seja lá o que for. À época, escrevi aqui sobre a alteração – e reitero cada palavra.

Como sabido e alardeado, a empresa que hoje responde pela comunicação do Campeão do Século XX tem como interface principal um jornalista que é, vejam os senhores, torcedor fanático do SCCP. A bem da verdade, o gambá se apresentava, até hoje mesmo, como "diretor de comunicação da Sociedade Espotiva Palmeiras".






Tal referência foi suprimida de sua apresentação, mas era assim que ele, um ativo militante de causas diametralmente opostas às nossas, se autoproclamava. E era assim apenas e tão somente porque permitido pelo nobre mandatário da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Ou, se preferirem, temos a denominação um tanto mais empolada - como convém à gestão atual:




Eu bem disse, e repito, que o fato de o jornalista gambá se dispor a assumir uma função estratégica no maior inimigo tem implicações claras do ponto de vista da análise que se queira fazer de seu caráter e/ou de sua índole. Meu pensamento seria idêntico se a situação fosse exatamente a contrária, com um palmeirense se colocando como porta-voz do rival da zona leste.

Cabe aqui um aparte: problema algum haveria se uma empresa presidida por um torcedor de outro time assumisse a comunicação do alviverde. Inclusive porque a discussão essencial diz respeito à capacidade de zelar pela imagem do cliente, no caso a S.E. Palmeiras. O problema é que o referido assessor se posiciona quase como um porta-voz da gestão, como se dela fizesse parte.

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Eis então que um perfil supostamente atribuído ao sujeito apareceu no Twitter em 28 de setembro último, sábado. Ao todo, foram cinco dias de agressões gratuitas - tão inadequadas quanto ignorantes - a palmeirenses que têm de arquibancada e de abnegada militância pelo clube mais tempo que o referido gambá deve ter de profissão.

Repito: foram cinco dias com o perfil no ar, período em que qualquer pessoa minimamente inteirada dos assuntos do Palmeiras acabou tomando conhecimento do assunto e das discussões decorrentes. Transcorrido todo esse tempo, o perfil foi excluído de maneira intempestiva, ao mesmo tempo em que subiu uma nota, aí sim assumidamente publicada pelo gambá em questão, dizendo se tratar de um fake. Os ataques deste mesmo gambá contra palmeirenses, no entanto, continuam no ar.

Atentem para o seguinte: foram cinco dias com o perfil no ar, com direito até a fotos do gambá (com agasalho do Palmeiras) na companhia do presidente e do CEO e, durante todo esse tempo, o sujeito não se pronunciou sobre o assunto! Foi preciso esperar esse intervalo todo para que o perfil no Twitter fosse excluído ao mesmo tempo em que subiu a tal nota no Facebook.

Uma discussão agora sobre se era ou não o sujeito esbarraria na falta de uma prova formal, de uma evidência irrefutável, de uma confissão do próprio. Ao final, cada um deixaria a contenda do mesmo modo como entrou. Questão de caráter. Da minha parte, bastaria a palavra que foi empenhada. Não posso dizer o mesmo do referido cidadão e, em sendo assim, não vou enveredar por esse caminho.

Vou, isto sim, fazer algumas considerações que dizem mais respeito a certa parcela de nossa torcida e menos ao tal gambá.

Via de regra, foram atacados palmeirenses que têm feito algo que é considerado um crime pelo exército da austeridade: críticas à gestão. E, no caso específico do citado gambá, contestações ao fato de ele ocupar uma função para a qual não está habilitado - inclusive pelo evidente conflito de interesses. Nada que este blog já não tenha feito inúmeras vezes. Nada que não tenhamos feito todas as pessoas que vivemos o Palmeiras de verdade - e sem quaisquer interesses escusos. Nada que todos os palmeirenses vivos não tenham feito agora ou em tempos idos contra dirigentes os mais diversos.

Em não havendo como comprovar que os ataques partiram do referido gambá (ou ele pretende honrar a palavra empenhada?), a reflexão que se deve fazer é a seguinte:

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Estava no ar, para quem quisesse ver, um perfil que poderia ou não pertencer a alguém que, notório torcedor do SCCP, se intitulava diretor de comunicação da Sociedade Esportiva Palmeiras. Este perfil, fake ou não, partiu para o ataque contra palmeirenses da mais alta estirpe, eles todos sócios do clube, eles todos jornalistas, eles todos figuras de certa proeminência.

Hipoteticamente, tínhamos a seguinte situação: entrincheirado no Palmeiras, um gambá atacava palmeirenses.

Daí que chegamos ao seguinte: há, neste antro de ignóbeis que é o Twitter (peço que confiram este post), toda uma corja de inaptos, acéfalos e indigentes mentais que se puseram a defender o tal gambá contra figuras de inabalável palestrinidade. Não entrarei nos exemplos, porque eles acabam por se resumir a uma parcela elitista, reacionária e higienista que infesta a coletividade alviverde e também porque a defesa interesseira que fizeram do referido perfil diz muito sobre o caráter e o procedimento dos envolvidos.

Digo apenas que uma rápida pesquisa por alguns dos nomes que referendam a conduta do tal perfil (que se acreditava real) vai trazer como resultado uma corja que se encerra nela mesmo: há ali alguns que notoriamente deveriam estar presos há tempos; há os torcedores de ocasião, aqueles que têm pouca familiaridade com a arquibancada; há os projetos (bem toscos) de futuros políticos do clube; há os que não sabem bem porque estão ali; há os meramente mal intencionados; e há os que chafurdam vergonhosamente na própria ignorância. Em resumo, é um ambiente onde imperam a pobreza de espírito, a covardia e a indigência mental.

Dos nomes que foram atacados (pelo tal canal no Twitter e por gente que se diz palmeirense), conheço o caráter, a idoneidade e a abnegação. Do tal gambá (com ou sem perfil no Twitter), digo apenas que não se pode confiar em alguém que torce (e muito!) por um clube e se propõe a, sabe-se lá porquê, trabalhar logo no seu maior inimigo.

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Não há meio termo nessa história. Não há como se manter indiferente. Ou se está com o Palmeiras ou se está contra o Palmeiras. Ou se está ao lado de uma gente elitista, racista e deslumbrada ou se está ao lado de quem é e faz a arquibancada. Ou se está ao lado de um gambá ou se está ao lado do Palmeiras.

Cada um faz a sua opção. O tempo haverá de carregar o lixo para bem longe da rua Turiassu, 1840.

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Despeço-me, por fim, cedendo a palavra a outro grande palestrino, o meu também amigo e guerreiro de arquibancada Felipe Giocondo:

"Não sou eu quem vou julgar as posições de um ou outro, muito menos prestar-me ao papelão de ficar aqui, gratuitamente, panfletando para profissional remunerado. Pouco me importa se o sujeito é ou não palmeirense, mas não posso achar correto que pessoas se coloquem contra os próprios apenas para ratificar pontos de vista os quais arvoram. Não é apenas deselegante, é a prova de que a vontade de estabelecer-se forçadamente como um "personagem" do Palmeiras sobrepõe o bom senso e - por que não dizer? - o próprio senso de ridículo. Colocar-se contra palmeirenses da estirpe de Galuppo é colocar-se contra o clube. Pois todos nós sabemos quem serão aqueles que enfrentarão o futuro do clube (por que torcemos sempre, independentemente de posição política), seja ele bom ou não. Todos nós sabemos quem está apenas de passagem, e não por não ser palmeirense - fato aliás, que condeno profundamente - mas por tratar o clube como, talvez, uma forma de desamarrar-se da rotina e angariar um pouco de status, quem sabe. O clube sobreviverá sempre e existirá sempre apesar de um ou outro desvio em sua trajetória, seja ela pelos mandatários ou pelos nomes que conduzem o dia a dia da instituição. Mas não se sustenta sem os alicerces sobre os quais fomos forjados, sem a dedicação e abnegação de muita gente que hoje se vê por aí, contestada por qualquer um. Pois eu digo a vocês, a cada um que usou este espaço gratuitamente para destilar um pouco da ociosidade do dia de vocês, pautados por quem sequer conhecem, que o futuro mostrará a todos nós quem, em um momento crítico, jamais renegou sua própria origem. E lamento já ter divido o mesmo espaço com vocês, seja aqui, em fóruns como esse, ou em minha casa."

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Gambá: imagino que você tenha aí o que eu escrevi para você anteriormente. Cada palavra é aplicável. Cada uma delas.

O inimigo está dentro de casa

Uma análise pormenorizada está por vir - tudo a seu tempo, bem ao contrário da verborragia acéfala, canalha e indigente da corja que vem atentando contra tudo o que representa o Palmeiras. Por ora, deixo-os com a palavra do grande amigo Jefferson "Aragonez" Camacho. É um texto que já está pronto faz tempos (mais de mês), mas vem a calhar hoje. Aí vai:

“Mais um ano perdido. Em que pesem as mudanças pontuais, ouso dizer que a única coisa que mudou para valer – e MUITO – foi a nossa união. Nesse quesito, a gestão atual foi cirúrgica, e obteve gigantesco sucesso. Como diria Maquiavel, “dividir para governar”. 

Lembro do tempo que estávamos unidos num só pensamento contra a "corja", contra a maldita "velharada". Uma só voz pelas diretas e contra os mesmos nomes, as mesmas forças, as mesmas famílias, enfim, uma época que parecia ser possível realmente mudar alguma coisa na carcomida estrutura viciada do Palmeiras.

Hoje a luta mudou, está focada no “time dos pró” versus o “time dos contra”. A luta principal da torcida, que era mudar as estruturas medievais (e respectivos sobrenomes), foi abandonada. Não existe mais união entre os torcedores. Muito pelo contrário: divididos, eles se digladiam de todas as formas e em todos os canais, causando fissuras que só favorecem aqueles que sempre estiveram no poder, e que não querem que nada mude. 

A verdade é que tenho saudades dos tempos em que pelo menos nós, torcedores, estávamos unidos (megafone, passeata etc.). Bater de frente e quebrar o pau com as velhas forças era, por vezes, até instigante. No entanto, ter o tempo todo que bater de frente com outros torcedores como você, gente com quem inclusive dividimos a arquibancada (para dizer o mínimo), é triste, chato e termina por trazer o inevitável sentimento de cansaço. 

Parabéns à gestão atual e ao seu núcleo central de estrategistas: é forçoso reconhecer que, no quesito divisão, eles obtiveram enorme sucesso. Estamos cansados e divididos. As velhas forças estão mais vivas do que nunca.”

Jefferson “Aragonez” Camacho

01 outubro 2013

Londrina/PR
















Está de parabéns a diretoria do Palmeiras. Pode ter demorado, mas ela enfim tomou uma atitude pensando no torcedor (e não em migalhas do Pantanal ou de outras paragens).

Londrina/PR é, ao menos na opinião deste blog, uma decisão acertada. É uma grande cidade (mais de 500 mil habitantes), é o epicentro de uma região com enorme concentração de palmeirenses e, o mais importante, não recebe qualquer jogo do alviverde há 17 anos. Transformou-se, enfim, o problema em uma oportunidade.

Do ponto de vista pessoal (e um tanto egoísta, admito), eu bem preferia que os dois jogos fossem realizados em Campinas, em Itu, em Sorocaba ou em qualquer outra cidade a pouco mais de uma hora da capital. Porque aí daria para sair de SP e voltar logo depois de ver o jogo sem grandes transtornos.

Do ponto de vista do Palmeiras (e de seu torcedor), no entanto, esta é uma opção muito mais rentável e benéfica (em curto e em longo prazo). Porque, além de uma boa renda (o jogo de 1996 foi visto por mais de 23 mil torcedores), é justo considerar o benefício decorrente da aproximação com um contingente da torcida que hoje tem muito pouco contato com o clube.

Acima de tudo, faço questão de elogiar a diretoria porque a decisão parece ter levado em conta não as migalhas que costumam ser oferecidas por um certo prefeitinho do Mato Grosso do Sul, mas sim a grande torcida que temos no norte do Paraná - e, para isso, nada melhor do que escolher a maior e mais importante cidade da região.

O Estádio do Café tem tudo para ficar lotado duas vezes em uma mesma semana. Infelizmente, calhou de os jogos acontecerem em dias úteis à noite - o que dificulta a viagem de torcedores das cidades vizinhas. Ainda assim, fica a expectativa de grandes públicos e de um ambiente todo favorável ao Palmeiras.

 

Para que o resultado seja o melhor possível (em termos de engajamento e de receitas), vale pensar em ações complementares. Nada muito elaborado - o tempo urge -, mas deixo algumas ideias:

_Ingressos a preços acessíveis: não adianta querer explorar o torcedor local - em especial porque serão dois jogos em horários pouco convidativos.

_"Venda casada": nem sei se é possível, mas talvez fosse o caso de oferecer algum desconto para o torcedor que comprar ingressos para as duas partidas na sequência.

_Ações de marketing: dá para aproveitar muito bem a recém-inaugurada loja do Palmeiras no Shopping Catuaí para realizar ações com ex-jogadores, por exemplo. É algo que poderia garantir uma adesão ainda mais expressiva por parte do torcedor local - isso sem falar nas vendas de produtos.

_Ainda sobre os ingressos, é importante que a venda para os sócios Avanti tenha início o quanto antes. Porque aí dá para abrir a comercialização dos bilhetes na cidade já neste final de semana.

_Como os dois jogos serão realizados à noite, uma boa forma de vender os bilhetes antecipadamente para torcedores de cidades próximas seria por meio de pontos de venda itinerantes. Se falta tempo para uma programação mais consistente, podem ser priorizadas as praças mais populosas: Maringá/PR (385 mil habitantes) desponta como a mais importante nesse sentido.

_Algum tipo de parceria com a Prefeitura da cidade, buscando uma divulgação mais ampla dos dois jogos - imagino que isso já tenha sido discutido desde o início das conversas.

_Vale considerar algum estímulo especial para as crianças que forem ao jogo. Pensem no efeito, em longo prazo, de um moleque de 10 anos que vai ter a oportunidade de entrar em campo com o time na sua cidade. Estamos falando de um torcedor para a vida toda. São situações como esta que reforçam o relacionamento entre clube e torcida.

Enfim, são só ideias...

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Eu já havia defendido muito tempo atrás a opção por Londrina/PR e um sujeito veio me perguntar que diferença existiria entre a cidade paranaense e Presidente Prudente/MS. Em quatro pontos:

-Logística
Saindo de SP em direção ao oeste paulista, chega-se a Londrina/PR após 530 km e a Presidente Prudente/MS após 560 km. Essa diferença de 30 km é enganosa, uma vez que as rotas se separam em Ourinhos/SP e então há uma distância de 160 km entre uma e outra. De carro, o tempo de percurso da capital até qualquer das duas é equivalente. Mas experimente fazer o mesmo trajeto de ônibus: a única viação que leva até Prudente/MS tem pouquíssimas opções de horário e você perde quase o dia todo na estrada; para Londrina, há ao menos três empresas e as alternativas são muito mais razoáveis. Por fim, a parte aérea: Prudente/MS é servida por três voos diários da Gol e outros três da Azul (a partir de Campinas) - havia antes um da finada Pantanal, mas a TAM eliminou de sua malha. Em Londrina, por outro lado, três companhias operam voos regulares: são nove rotas diárias da Gol (saindo de CGH ou de GRU), três da TAM (a partir de CGH ou de GRU) e mais três da Azul (de VCP).

-Tradição
De um lado, Londrina tem um time (agora em recuperação) que já disputou o Brasileirão algumas vezes e que tem certa relevância no cenário local. Tanto é assim que o Estádio do Café responde pelo maior público dos últimos cinco anos em jogos do Campeonato Paranaense (29.116 pagantes para Londrina x Coritiba, com direito a briga entre as torcidas). Do outro lado, a cidade de Presidente Prudente/MS vive mendigando a presença dos grandes clubes por lá e, sem história no esporte, vive situações como esta aqui.

-Estrutura
Prudente/MS, 218 mil habitantes, é uma cidade sem alma com um enorme estádio perdido em um canto qualquer. Não há atrativo além da cancha em si e isso se traduz na falta de estrutura da cidade (notadamente em termos de hotelaria) para receber gente de fora. Londrina, por sua vez, é a segunda maior cidade do Paraná e epicentro de uma importante região do estado. Sua população, 537 mil habitantes, fica no meio do caminho entre as paulistas Ribeirão Preto, 649 mil, e São José do Rio Preto, 434 mil.

-Novidade
Ninguém mais aguentava ouvir falar em jogos do Palmeiras na maldita Presidente Prudente/MS. Foram mais de dez nos últimos anos anos e os públicos eram menores a cada nova presepada de nossos dirigentes (tudo começou com Belluzzo, mas a gestão anterior deu sequência e a atual arrematou com mais uma partida). Da mesma forma, Ribeirão Preto ou Rio Preto não seriam novidade - o Palmeiras as visita quase todo ano. O mesmo se aplicaria a Itu, Jundiaí, Mogi Mirim ou qualquer outra das cidades com times na Série A. Era o momento de buscar novas opções, e, entre todas as que se apresentaram, Londrina acaba sendo a mais acertada.

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Como não vai dar para ver o jogo da terça-feira às 19h30, o jeito foi garantir lugar ao menos na segunda partida por lá, na sexta-feira. As passagens aéreas já foram compradas.