29 agosto 2013

ROI*

"O Palmeiras não será refém do ano de seu centenário. Pode escrever isso: eu não vou fazer loucuras para ter um time capaz de ganhar tudo. (...) É preciso ter uma gestão muito austera para colocar o Palmeiras nos trilhos de novo"
Paulo Nobre, presidente da SE Palmeiras

Vibra o exército da austeridade a cada pronunciamento que exalte o rompimento da gestão atual com a premissa básica da Sociedade Esportiva Palmeiras: vencer.

Seguimos com o presidente, em uma frase emblemática:

"Não importam os títulos; importa ser palmeirense"

...

Falemos, pois, sobre um clube tradicional e dono de uma torcida de respeito bem aqui perto desta capital. A cidade é Campinas. O clube, a Ponte Preta. Ostenta a agremiação campineira uma marca muito particular: em 113 anos de vida, nunca comemorou um título. Sua torcida, pequena, é bem mais ativa que a de muitos grandes, mas se acostumou, provavelmente por falta de opção, a um horizonte sem conquistas; à Ponte Preta, basta existir.

No que depender de Paulo Nobre, o mandatário empossado do Campeão do Século, é este o futuro do Palmeiras. É, afinal, o que se pode depreender de seu pronunciamento durante o jantar do 99º aniversário do clube. O discurso, conformista, perdedor e derrotista, é o que se espera de um clube pequeno: "esqueçam os títulos".

Daí então que se comemora o "balanço no azul" enquanto, dentro de campo, o Palmeiras abdica de sua vocação vitoriosa. Daí que se exalta a austeridade enquanto a camisa alviverde é desrespeitada diante de um pequeno e nojento rival. Daí então que se apela para um discurso pretensamente profissional enquanto o time, fraco e sem comando, é engolido por um adversário inexpressivo.

Porque, no limite, senhores, é tudo questão da imagem que se pretende transmitir. É tudo questão de ambição, de aspiração, de querer ser Palmeiras (de verdade, e não no discurso marqueteiro). Na falta disso tudo, o resultado, cedo ou tarde, viria.

Se me permitem, vou resumir a derrota (e o fim prematuro do ano de 2013) em três fatores, eles todos diretamente vinculados à postura pusilânime da gestão ora à frente do Palmeiras:

-O time 
É fraco. Mas há, entre os austeros e covardes correligionários dessa gestão, aqueles que comemoram cada vitória sobre Icasas, Oestes e BOAs (ops, aqui não deu) como se fossem elas sintomáticas de um time à altura das nossas tradições. "O balanço está no azul e o time está ganhando", diziam. Sei dizer agora que chegou ao fim a única competição que poderia nos levar à Libertadores no ano do centenário. Não se trata "apenas" da derrota esportiva; é também, para usar o vocabulário dos puxa-sacos aspirantes a economistas, a perda de uma "receita" importante. O time que aí está já era reconhecidamente fraco e mostrou, na primeira vez em que foi exigido, ser medroso também. Quanto ao treinador, provou ser inapto para o Palmeiras: errou na estratégia do início ao fim.

-A arbitragem
Não, não vou aqui dizer que perdemos para a arbitragem. A Brisa/PR fez uma partida notável e foi buscar a vitória com a contundência que se esperaria de um grande contra um pequeno - e não o contrário. O resultado foi justíssimo. Acontece, e isso não pode passar em branco, que o segundo gol do time da casa foi anotado na sequência de um lance em que o possível empate do Palmeiras foi impedido por um erro da arbitragem. Não apenas aí há contestações a fazer, mas em todas as situações duvidosas em que decidiram (árbitro e assistentes) a favor do pequeno time paranaense. O meu ponto é o seguinte: o Palmeiras foi prejudicado pela arbitragem no ano passado contra o mesmo adversário (mas buscou a classificação mesmo assim) e voltou a ser prejudicado agora em 2013. Isso tudo não aconteceria se tivéssemos uma direção contundente, hábil nos bastidores e que, em vez do discurso derrotista, buscasse defender o Palmeiras contra tudo e contra todos.

-A TV
Busca-se desesperadamente, sabe-se lá com que métodos, um patrocinador para a camisa. Seria a (segunda) mais importante receita do clube. Daí que o Palmeiras chega a uma decisão fora de casa e é preterido pela maldita emissora de TV em detrimento de um jogo - para a mesma praça - do SCCP contra um adversário inexistente. Por que, eu me pergunto, uma empresa se interessaria em expor sua marca na camisa de um clube que não aparece? Por que, eu pergunto ao nobre presidente, uma marca se disporia a investir em uma instituição que abdica descaradamente da disputa por títulos? Por que colocaria dinheiro uma empresa em um clube que vive mendigando por aí ("não temos dinheiro...")? E, ao final de tudo, por que a emissora de TV deveria transmitir o jogo de um time que declaradamente não busca ser campeão?

Mais uma eliminação vergonhosa. Mais um duro golpe na dignidade palestrina. Menos uma marca para ostentar. Menos seis noites de decisão e muita luta. Não que isso seja novidade ou exclusividade dessa gestão austera, mas agora, sem a aspiração de ser campeão, o Palmeiras já cai no escuro mesmo, sem que sua torcida possa sequer acompanhar a derrocada pela TV aberta.

...

*ROI: return on investment. É o retorno que se tem a partir de um investimento. Vale para o mundo em que vivem os nossos dirigentes e seus covardes correligionários. Mas vale também para o futebol. Simples, muito simples.

27 agosto 2013

As novidades do Avanti

Os leitores mais antigos haverão de se lembrar da série de posts sobre a "primeira geração" do Avanti (2009), obra do senhor Rogério Dezembro (dá para conferir aqui um dos posts e mais a indicação para as análises anteriores). Depois daquele erro monumental, o programa foi relançado, com formato ajustado às reais necessidades do torcedor, mas de maneira oportunista (colocando os ingressos da Copa do Brasil como motivação principal). Pois tivemos agora o anúncio de algumas mudanças e é este o tema do post.

Em resumo: gostei bastante.

No detalhamento, ponto a ponto:

_Enfim, teremos um sistema de recompensa aos torcedores mais presentes - rating, ranking ou, como eu prefiro, "milhagem". Era a maior fragilidade do Avanti, e chega agora para premiar os torcedores que vão a todos os jogos (e que, portanto, devem ser tratados com a devida preferência) e também para estimular junto aos menos participativos uma mudança de postura.

_Ainda sobre o programa de "milhagem": pairou uma dúvida sobre se valeria para a contagem o número de jogos ou o valor "pago" pelos ingressos. Duas pessoas envolvidas com o programa foram categóricas: vale o número de jogos. Pois eu digo o seguinte: é a única opção aceitável; qualquer outra medida será condenável sob todos os pontos de vista.

_Outra dúvida sobre a recompensa aos torcedores mais presentes: vale a reserva/compra do ingresso ou a passagem pela catraca? Tem de ser a segunda opção, sem dúvida; do contrário, será um erro grosseiro, já cometido antes - e depois corrigido - por outros clubes.

_Para encerrar esse tema, fico na expectativa para saber como será feita essa contagem e em que condições os torcedores mais assíduos terão prioridade para garantir o ingresso.

_A nova nomenclatura dos planos é cosmética pura. Como a anterior era confusa, fazia sentido mudar. Eu particularmente fico incomodado com esses nomes de cartão de crédito, mas isso é o de menos.

_Vi algumas reclamações sobre os planos mais caros, o de R$ 600 em especial. Entendo eu que se trata de pura excentricidade. Se, no entanto, houver gente habilitada a pagar uma mensalidade dessas para o Palmeiras - sem inflacionar os demais e sem tirar o espaço de ninguém -, que assim seja feito.

_O plano voltado para os torcedores do interior é mais um acerto. Mais até do que a receita (que tende a ser pequena), vale o ato simbólico de formalizar um relacionamento com o torcedor. Quem mora longe de SP pode ajudar o Palmeiras e, se souber usar o movimento Futebol Melhor, pode receber de descontos no supermercado ou em outros estabelecimentos um valor maior que o da mensalidade. 

_Como não houve menção a qualquer facilidade para a aquisição de ingressos para jogos fora de casa, deixo aqui a mesma consideração que fiz no post sobre o relançamento do Avanti, um ano atrás:
"E os jogos como visitante? Nossa diretoria parece não saber disso, mas os torcedores que vamos a todos os jogos em casa temos também o costume quase doentio de viajar atrás do Palmeiras em outras cidades/estados/países. É uma tarefa sempre complicada, porque a nossa direção não se preocupa em trazer os ingressos para cá e porque a logística fica quase sempre mais difícil do que deveria. Eu tinha a ilusão de que o novo Avanti fosse trazer algum tipo de condição especial para os jogos fora de casa - e nem precisaria ser como no do SCCP, com os torcedores recebendo ligação do clube para saber se vão querer ingresso. Parece que me enganei."

_Entendo que os associados do clube (meu caso) não poderiam usufruir de um desconto absurdo no plano de R$ 70 (também o meu caso) ou nos mais caros - pelo simples motivo de podermos garantir os ingressos sem qualquer custo adicional. Mas é uma boa saber que o plano de R$ 20 pode contar com esse benefício.

_O fracassado e descabido Avanti do Rogério Dezembro (2009) tinha um erro conceitual: foi criado não para a torcida (uma vez que as condições para compra do ingresso eram risíveis e não implicavam em qualquer tipo de preferência), mas para consumidores (que desfrutavam de descontos por vezes pouco atrativos em parceiros comerciais do clube). Era uma aberração do início ao fim. Daí então que o Avanti de agora soluciona o problema essencial (torcedor quer saber de ingresso) e ainda apresenta alguns benefícios adicionais (que o torcedor pode ou não utilizar). Em sendo assim, não há porque apresentar críticas a toda essa história de "clube de vantagens" e "preferências exclusivas". Prêmios, brindes, descontos etc. não passam de perfumaria; se representarem um benefício a mais para o torcedor sem qualquer prejuízo à finalidade principal de um plano de sócio-torcedor, vamos em frente.


Deixo aqui meu reconhecimento aos envolvidos pelas melhorias que foram apresentadas. Há ainda dúvidas que devem ser sanadas (um FAQ cumpriria bem esse papel), mas o Avanti já parece agora um plano bem mais maduro e respeitoso. Mas, por favor, vejam o quanto antes essa questão dos ingressos para jogos fora de casa!

O futebol como ele é...

Alguns dias atrás, um sujeito que se apresenta como Amir Somoggi proferiu a seguinte frase: "Quando o preço cai muito, o nível do torcedor que vai ao estádio é muito pior". Não se preocupem em rebater o pobre infeliz, uma vez que isso já foi feito aqui mesmo. Aliás, o pretenso "acadêmico" viu sua declaração ser desmontada sucessivas vezes e por gente bem mais gabaritada do que eu.

À luz do que tivemos na última rodada, gostaria agora de retomar o assunto de maneira muito breve:
  • O SPFW manteve a promoção que motivou o pronunciamento do dito "consultor de marketing e gestor esportivo". Se já tinha levado ao Jd. Leonor 25 mil pessoas em uma noite chuvosa (no "inchegável" horário das 19h30), eis que agora os bichas foram em número ainda maior, 55 mil, ao mesmo estádio. O time recebeu bem o apoio, bateu o Fluminense e iniciou a arrancada para deixar para trás o rebaixamento.
  • Se tivesse a diretoria leonor mantido os ingressos em patamares "normais", possivelmente o público não chegaria a 10 mil pagantes, com a renda se aproximando dos R$ 300 mil, menos da metade do que foi alcançado com casa cheia e com a vitória do time.
  • O Palmeiras/2012 caiu, entre outros motivos, porque a diretoria anterior fez o time perder todo o primeiro turno com jogos vazios, tenebrosos e caros na maldita Arena Barueri. Quando resolveu trazer as partidas de volta para o Pacaembu, o prejuízo era enorme. Quando decidiu baixar o preço dos ingressos, já era tarde demais...
  • Vasco x SCCP sem divisão de torcida? Armaram uma arapuca em Brasília/DF e as torcidas caíram. Era evidente que aconteceria confronto e o que se efetivou foi até coisa pouca diante das possibilidades. Mas foi, é claro, o bastante para que as mesmas vozes de sempre se levantassem contra as torcidas organizadas etc. e tal. Ok, há que se apurar a participação dos envolvidos, mas a culpa maior é dos imbecis que organizaram o jogo em Brasília. E nem mesmo o ingresso a criminosos R$ 160 poderia impedir tal desfecho.

26 agosto 2013

SEP, 99

















É aniversário da Sociedade Esportiva Palmeiras e nada mais importa. Nada. Porque é hoje o dia em que iniciamos a contagem regressiva para o primeiro centenário do Campeão do Século (o único em que houve futebol). É o último aniversário longe da nossa casa. É hoje o dia em que devemos manifestar o sentimento pelo clube que é nossa razão de viver.

Vida eterna ao Palestra Italia!
Parabéns a todos nós, palmeirenses do mundo inteiro!

E então, como não há inspiração que resista à absoluta falta de tempo, me permito reciclar parte de um texto meu, publicado aqui neste blog mesmo, por ocasião de um aniversário anterior do Palmeiras. Vale ontem, hoje e sempre:

Parabéns ao clube que me proporcionou os melhores (e os piores) momentos da minha vida. Parabéns ao clube que me deu os melhores amigos que eu poderia ter. Parabéns ao clube que moldou muito da minha personalidade e que me faz ser alguém melhor, disposto a tudo para defender uma causa e uma bandeira. Parabéns ao clube que me fez entender que só se vive o futebol a partir da arquibancada.

Auguri, Palestra!

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A foto que abre o post mostra uma das tantas faixas que a Mancha Verde espalhou pela cidade na madrugada de hoje para homenagear o Campeão do Século. Na Marginal Tietê (ponte da Casa Verde, é claro), na Pinheiros (ponte Estaiada), no ABC, onde mais houver Palmeiras... Tem que ter disposição!

Dá pra conferir aqui mais dessas faixas pela cidade.

25 agosto 2013

Uns e outros














Sábado à tarde, antevéspera do aniversário de 99 anos da Sociedade Esportiva Palmeiras. Há aqueles que, devidamente instalados no sofá, exaltam o "balanço no azul" e se vangloriam com o discurso - tão pretensioso quanto vazio - de quem "conhece as condições financeiras do clube". Há, por outro lado, os que se dispõem a encarar a estrada e perder 12 horas de um dia que seria de descanso para seguir até a distante Varginha/MG. Tudo para estar ao lado de um Palmeiras que se permitiu derrotar, fruto de seus próprios erros, por um time sem história - ou, com esforço, por uma história que não faz sentido.

Perdeu o gigante Campeão do Século XX para um arremedo de clube cujo nome nada diz. Foi derrotado por uma agremiação de origens obscuras e que não saberia dizer de que cidade é: se de Ituiutaba ou de Varginha. Perdeu o alviverde imponente para um desses tantos clubes itinerantes, que vivem dos interesses escusos de empresários e de prefeitos ou políticos menores. Sucumbiu diante de um adversário cuja cidade que o hospeda temporariamente precisa se acoplar à força no nome do clube.

A derrota em Varginha evidencia algumas das deficiências que não poderiam nunca fazer parte do cotidiano de um gigante como o Palmeiras. Refiro-me às seguidas, teimosas e injustificadas opções erradas do treinador, às gritantes falhas do zagueiro recém-convocado para aquela seleção de amarelo e mais ainda à presença do camisa 18 no time titular. Mas, acima de tudo, às fragilidades de um elenco que não está à altura da tradição do Palmeiras.

Perdeu o Palmeiras o seu terceiro jogo - em 17 - na Série B (empatando com o número de insucessos obtido, após 35 duelos, na edição de 10 anos atrás). Aliás, perdeu não; perdemos. Porque há aqueles que seguimos o Palmeiras por todas as partes - e portanto, perdemos ou ganhamos junto com o Palestra; e há aqueles, covardes e fracos, que preferem comemorar o "balanço no azul" - mesmo que isso subverta a vocação da instituição.

Para estes, eu digo o seguinte: o gigante Palmeiras não pode nunca ser derrotado, quaisquer que sejam as circunstâncias, por um adversário como este tal Boa E.C. Varginha (era assim que aparecia no placar eletrônico do estádio). Nunca!

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_Sobre o estádio de Varginha (que tem um nome impossível de decorar): é uma das canchas mais esquisitas que podem existir (tanto por dentro quanto por fora). Não apenas por sua estrutura octogonal e, portanto, sem curvas, mas porque consegue ser, ao mesmo tempo, pequena e distante do gramado. Há estádios piores pelo interior de SP mesmo, mas com certeza não é o tal Melão um estádio que desperta qualquer interesse. Valeu mesmo apenas por ser um estádio a mais ao lado do Palmeiras.

_Bom saber que a torcida do Palmeiras é assim tão forte no Sul de Minas. Porque, ao contrário do que pensam uns e outros, o mundo é muito maior do que a Pompéia.

23 agosto 2013

Oséas, justiça lhe seja feita

Dia desses, escrevi sobre Maurílio. A ideia era mostrar o quanto o atacante, reserva de monstros como Edmundo e Evair, foi injustiçado durante sua passagem pelo Palmeiras. Eis que agora faço o mesmo registro sobre Oséas, que honrou a 9 alviverde entre 1997 e 1999.

Oséas disputou 172 jogos (86 vitórias, 43 empates e 43 derrotas) e marcou 65 gols pelo Palmeiras. Foi campeão da Copa do Brasil/1998, da Mercosul/1998 e da Libertadores/1999. Contudo, deixou o Palestra em uma situação não muito condizente com o seu desempenho: durante todo o segundo semestre de 1999, depois de cair muito de rendimento, passou a ser vaiado pela torcida e, desgastado, deixou o clube após a disputa do Mundial.

Os 65 gols com a camisa alviverde dizem muita coisa, mas é preciso ir além dos números para evidenciar sua importância para o clube.

Poderia eu dizer que Oséas, vindo do Atlético/PR, estreou pelo Verdão já com um gol, nos 4-0 diante do América/RN. Mas não há, ao menos não no YouTube, registros visuais desta partida.

Sigamos, pois:

Nem bem tinha completado um mês no Palestra e Oséas marcou seu primeiro gol decisivo pelo alviverde. Foi contra o Flamengo, na Espanha, pelo Troféu Naranja, título conquistado pelo Verdão em disputa contra o clube carioca e mais o time da casa, o Valencia:



Se preferirem, poderia lembrar que, ainda em 1997, Oséas marcou estes dois belíssimos gols no clássico contra os pés-com-areia, abrindo a contagem para o 5-0 daquela tarde de domingo:



Oséas fez mais, muito mais.

Fez, alguns haverão de lembrar, o gol contra mais impressionante de que se tem notícia na história do dérbi. Foi ele que subiu de cabeça para marcar um gol para o nosso maior rival (empate em 1-1, pelo Paulistão daquele ano). Sim, é verdade. Mas Oséas, que já havia marcado gol contra a gambazada em seu primeiro clássico, ainda em 1997, viveu uma de suas grandes tardes com a 9 alviverde ao estufar duas vezes as redes adversárias em uma tarde tão gloriosa quanto tempestuosa no Jd. Leonor:



Ainda no primeiro semestre de 1998, Oseás marcaria dois gols decisivos contra o Santos na semifinal da Copa do Brasil: foi dele o gol no Palestra (1-1) e depois o nosso primeiro na Vila, no empate (2-2) que garantiu a passagem para a final:

 

E foi então, na final contra o sempre maldito Cruzeiro, que Oséas deu a assistência para Paulo Nunes abrir o placar e, no final, fez o gol mais espetacular que um atacante poderia ter feito naquelas circunstâncias:



Como se não bastasse isso, Oséas voltaria a marcar em uma decisão contra o Cruzeiro, no segundo jogo da final da Copa Mercosul daquele ano, um 3-1 que garantiu a realização da terceira e definitiva partida:



Veio então 1999, e Oséas seguiu anotando tentos importantes. Quase sempre em jogos válidos pela Copa Libertadores.

Em um jogo duríssimo contra o atual campeão sul-americano, pelas oitavas, Oséas fez o gol do empate no jogo de ida no Palestra:



Na fase seguinte, contra os gambás, o camisa 9 abriu a trajetória rumo à semifinal (nos 2-0 da ida):



E então, como desfecho de tudo isso que aí está, Oséas fez o gol, aos 30 minutos do segundo tempo da finalíssima contra o Deportivo Cali, que permitiu ao Palmeiras seguir para a disputa nos pênaltis:



Nem preciso ir além, certo?

"Olê, lê, olá, lá, o Oséas vem aí..."

22 agosto 2013

1-0

É o que eu sempre digo: não há placar mais perfeito que 1 a 0. Venceu o Palmeiras pela contagem mínima e agora a classificação depende de o nosso ataque funcionar ao menos uma vez em Curitiba. Porque foi assim também em 2010, na segunda de três vezes que já deixamos para trás o clube paranaense na história da Copa do Brasil.

Sim, é bem verdade que poderíamos ter feito pelo menos mais um gol, tantas foram as chances desperdiçadas, e aí a situação seria mais tranquila. Mas é ainda mais correto dizer que o visitante perdeu oportunidades muito mais claras e, por ser visitante, o efeito de um único gol seria catastrófico.

Daí então que seguimos para Curitiba na mesma situação de 2010, quando uma vitória magra no Palestra (1-0, gol de Robert, diante de 20.269 pagantes) nos permitiu ir para Curitiba (na Arena, e não na Vila Capanema, como será agora) buscar um sofrido empate nos minutos finais (gol de Lincoln, vejam só os senhores).

Os dois times jogam, portanto, fora de suas casas (ambas em reforma). Mas o Palmeiras, três anos passados desde a despedida do Palestra, parece que enfim se adaptou à cancha municipal. Mérito, devo dizer, também da diretoria atual, que, ao menos neste aspecto, deixou de lado a mesquinharia que pautou toda a gestão anterior. Não à toa, o Palmeiras/2013 tem na cancha municipal uma campanha melhor que o do SCCP/2013 no mesmo estádio.

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Guardadas as devidas proporções, a torcida entendeu que era preciso adotar neste confronto eliminatório a mesma postura adotada nos embates contra Sporting Cristal, Tigre e Libertad, na fase de grupos da Libertadores deste ano.

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Fica aqui mais um reconhecimento necessário - e aqui com o devido destaque: está de parabéns o departamento jurídico da S.E. Palmeiras por evitar que o clube perdesse mandos de campo devido à ação de alguns poucos imbecis. Grande vitória!

20 agosto 2013

O exército da austeridade

O texto anterior não faz considerações de ordem pessoal. É apenas uma reflexão acerca da gestão ora à frente da S.E. Palmeiras. Não se trata tanto de uma análise de ordem prática (das ações, táticas e decisões rotineiras), mas mais de uma crítica sobre a estratégia empregada (que subverte a premissa do clube em nome de um discurso empolado e comprovadamente inócuo).

Da arquibancada (mas não só), recebi uma série de manifestações de concordância em relação à análise. De outras esferas (em especial das ditas “alamedas”), no entanto, vieram as mais covardes e improcedentes contestações.

Não vou entrar no mérito da improcedência (porque aí estaria indo para um debate que sequer teve início), mas me sinto no dever de questionar a postura de gente que, incapaz de expor argumentos contrários, apela para discursos vazios e sem nexo - de maneira indireta, é claro.

Há aqueles que não sabem escrever. Há quem não saiba sequer ler e interpretar um texto (que se escreve com “x”, ok?). Há ainda os incapazes de argumentar. Há, por fim, alguns que desandam para a pura desonestidade intelectual, com direito a ilações que são constrangedoras de tão pueris.

A gestão que aí está tem uma tropa como nenhuma outra jamais teve: o exército da austeridade. E o grande problema da Sociedade Esportiva Palmeiras, meus caros, não está na gestão em si, mas nas bases que a suportam - e elas são, no mais das vezes, compostas por um aglomerado de mentes reacionárias, elitistas e alienadas de uma maneira que eu não esperava ver em nossas fileiras.

Você faz uma crítica aos rumos da Sociedade Esportiva Palmeiras e já aparece gente exasperada para tirar satisfação e colocar a culpa na gestão anterior (como se não soubéssemos todos que tivemos em 2011/2012 uma dupla de inaptos à frente do clube). Tem-se uma defesa cega e intransigente da diretoria atual, como se estivéssemos diante de um grande líder messiânico, de um salvador, de um arauto de um futuro que só a austeridade pode nos conceder.

Em nome disso, defende-se tudo, inclusive os erros cometidos em prejuízo do principal “ativo” (gostaram?) do clube, a sua torcida. Criou-se uma tropa de choque insana, irracional e que, via de regra, se perde na própria deficiência cognitiva. E aí, quando uma análise como a última expõe o erro que está sendo cometido, há quem se doa. Não pelo Palmeiras, nem mesmo por interesses escusos, mas basicamente em função de uma mentalidade atroz.

Troquei argumentos com uns e outros numa boa até - confiram aqui os que quiserem. Alguns interlocutores são inteligentes, decentes e merecem meu respeito. Mas...

... mas vejam os senhores que essa tal internet permite que a conversa chegue a destinos longínquos. Até Miami, por exemplo. E aí eu os apresento a uma figura que se denomina Humberto Bau.

Tal indivíduo, a quem não tenho o desprazer de conhecer, veio se dirigir a mim com palavras as mais descabidas. Vi depois que o cidadão já havia tentado se pronunciar anteriormente - mas falta-lhe intelecto para tanto.

Peço ao próprio que se apresente:








Vou me eximir de fazer comentários - em especial sobre o "USA soccer" do final. Peço, no entanto, que o próprio Bau se encarregue de apresentar seus pontos de vista sobre temáticas que interessam ao torcedor do Palmeiras:













Dono de um estilo verborrágico e nada articulado, o distinto cidadão de Miami expõe aí toda a sua visão de mundo (do 3º Mundo, no caso, para utilizar uma expressão tão em desuso, mas ainda presente no imaginário do sujeito): é elitista, é higienista, é reacionário, é classista, é xenófobo, é até mesmo racista.

Eu não vou responder a ele. De verdade. Porque o próprio Bau é daqueles sujeitos que, de tão evoluídos, já apresentam no próprio discurso as respostas para os impropérios que ele ousa disparar.

Para fechar com chave de ouro, entendam aqui, em mais uma pérola do exército da austeridade, qual é a origem de todo esse pensamento que busca subverter os princípios que regem a existência da Sociedade Esportiva Palmeiras:






Isso posto, tenho duas coisas a dizer:

-Ao contrário de certas pessoas, tenho mais o que fazer da vida e vou me dedicar ao que interessa - inclusive ao jogo de amanhã, porque a arquibancada segue sendo o lugar de quem defende o Palmeiras acima de tudo. Em não havendo condições de debater com gente desse nível, encerro por aqui. Aos que preferem seguir com a indigência mental, com a covardia típica de quem é incapaz de entrar em um debate e com os discursos vazios por aí, que façam bom proveito.

-Se houver gente elitista e higienista em algum lugar, podem estar certos de uma coisa: eu estarei do outro lado.

19 agosto 2013

P.F.S.

Balanço, política salarial, “não temos dinheiro”, CFO, fluxo de caixa, "não temos dinheiro", reestruturação financeira, empréstimo, “não temos dinheiro”, aumento da dívida, verbas, “não temos dinheiro”, consumidor, antecipação de receitas, “não temos dinheiro”, marketing, ingressos caros, “não temos dinheiro”, renegociação, COF, “não temos dinheiro”, orçamento, equilíbrio financeiro, “não temos dinheiro”, folha de pagamento, austeridade, “não temos dinheiro”, cotas antecipadas, contenção, “não temos dinheiro”, responsabilidade, corte de despesas, “não temos dinheiro”... 


Palmeiras Financial Society. É este, a depender dos rumos tomados pela gestão atual, o nome que deveria ser conferido à instituição que todos conhecemos como Sociedade Esportiva Palmeiras.

Porque o Campeão do Século XX não vem sendo dirigido como um clube de futebol, mas como um banco – dos mais ineficientes, diga-se de passagem. O gigante Palmeiras, de 15 milhões de torcedores pelo país, não é comandado com foco em títulos, mas com vistas a apresentar um balanço financeiro “saudável” – sem nem chegar perto disso. O Palmeiras deixou de pensar grande e perdeu a ambição que sempre prevaleceu na rua Turiassu, 1840. Perdeu-se a mentalidade de uma agremiação vencedora e, na transição para uma nova era, o clube sequer foi capaz de se beneficiar dos ares de profissionalismo baforados por uma gestão que se pretendia “moderna” (em uma eventual conotação positiva do termo).

O Palmeiras/2013 se apequenou de uma maneira nunca antes vista. Porque se já passamos por crises esportivas e até financeiras piores, nunca se portou o Campeão do Século XX como um mero entreposto. Nunca foi o Palmeiras um trampolim para associações menores. Nunca se viu a imagem do clube tão estilhaçada. Nunca se teve uma conduta tão omissa a partir de quem comanda a instituição.

O mantra dessa diretoria é: “Não temos dinheiro...” É só o que sabem dizer. Sete meses se passaram e só o que ouvimos é reclamação sobre falta de recursos - com tamanhas intensidade e sinceridade que fica mais frágil a imagem do clube perante todos os seus públicos de relacionamento: da torcida à imprensa, passando ainda por eventuais parceiros comerciais, por todos os adversários e por possíveis reforços.

Das dificuldades financeiras, senhores, sabemos todos os 15 milhões de palmeirenses mundo afora – é um mal que aflige praticamente todos os clubes deste país. Não é preciso rememorar a cada minuto. É preciso, isso sim, tomar atitudes para corrigir essa situação. É preciso buscar alternativas para os combalidos cofres do clube. Mas, antes de tudo, é preciso entender que só se vai chegar até uma situação financeira melhor se houver respeito à premissa que rege a existência da Sociedade Esportiva Palmeiras: "uma entidade civil de caráter desportivo, com personalidade jurídica de direito privado, sem fins econômicos lucrativos".

A pretensão de dirigir o Palmeiras como uma instituição financeira e não como um clube de futebol constitui um grave erro histórico. Mas, e talvez isso seja ainda pior, tampouco consegue esta gestão imprimir uma diretriz adequada no que tange a esse objetivo.

Porque ignoram nossos dirigentes que não se vence no futebol sem respeito ao seguinte paradigma: times bons ganham títulos, levam mais torcida ao estádio e geram a receita que vai permitir a formação de times bons que ganham títulos, levam mais torcida ao estádio e geram a receita que vai permitir a formação de times bons... 

Essa gestão prefere, no entanto, agir de maneira simplista, fazendo do corte de despesas a única variável em uma conta que nunca vai fechar. Porque se tivermos um time aquém de nossas tradições não alcançaremos conquistas relevantes e, por consequência, não sairemos dessa maldita espiral em que mergulhamos no ano 2000, quando ouvimos pela primeira vez a expressão “bom e barato”.

São 13 anos dessa política asfixiante (com um pouco afortunado respiro entre 2008 e 2009) e o Palmeiras segue sendo gerido com foco em um equilíbrio financeiro que, acreditem, é enganoso e não leva a lugar algum. Porque vejam os senhores que estamos mergulhados há 13 anos em uma política covarde sem que isso tenha se convertido em resultados na esfera esportiva – que é só o que interessa e que é o que proporciona receitas que não virão de nenhum outro lugar.

Para os que duvidam disso, eu pergunto: o que tivemos como resultado da política do “bom e barato” desde 2000?

Conquistamos dois míseros títulos em 13 anos - que podem ser contrapostos aos dois rebaixamentos.

Daí então que poderia vir a contrapartida: “Ah, mas o clube hoje está em uma situação financeira muito favorável, zerou sua dívida após mais de uma década de austeridade e agora está pronto para voltar a investir e retomar o caminho dos títulos”.

Nem isso, nem aquilo. O Palmeiras deste século abdicou de sua vocação para mergulhar em uma crise financeira ainda maior. Ficamos sem títulos e sem dinheiro. Uma coisa leva à outra, e aqui a ordem dos fatores deve ser preservada.

No caso do Palmeiras/2013, a coisa se torna ainda pior quando erros crassos são cometidos ou em nome de uma débil política de austeridade ou de pura negligência. Exemplos:
  • A decisão deliberada de abdicar da Copa Libertadores. Foram jogados no lixo pelo menos R$ 5 milhões de um eventual confronto contra o Atlético/MG e, quem sabe?, outros mais.
  • A oportunidade desperdiçada com os quatro jogos no interior: o clube perdeu dinheiro e deixou de se relacionar com parte da torcida que hoje está distante.
  • A incapacidade de buscar uma receita de patrocínio – algo que até a inapta gestão anterior conseguiu.
  • A política de preços dos ingressos pautada em devaneios e em parâmetros individualistas.
O recado final é simples:

A torcida não quer saber de austeridade, de balanços financeiros ou de fluxo de caixa. A torcida quer saber, isso sim, de um time capaz de suplantar não os provisórios adversários da Série B, mas sim os inimigos que teremos pela frente na Copa do Brasil.

Acreditem, senhores dirigentes: é bem mais fácil conduzir as coisas desse jeito, respeitando a vocação da Sociedade Esportiva Palmeiras, do que buscar uma saúde financeira que não vai nos levar a lugar algum - tomem como base, por favor, os 13 anos anteriores.

Clubes de futebol definitivamente não são empresas (pois não visam lucro) e não devem ser conduzidos como tal.

Não se deixem levar pelas normas que regem o mercado financeiro: o Palmeiras não tem acionistas que querem ganhar dinheiro sem fazer porra nenhuma; o Palmeiras tem torcedores que querem empurrar o time à vitória simplesmente porque essa é a única finalidade possível (para o clube e para a sua torcida).

18 agosto 2013

O camisa 18 e a arbitragem

Nesses anos todos de blog, raríssimas foram as vezes em que um post deu destaque a jogadores - porque, a rigor, eles importam muito pouco, quase nada. Menos comuns ainda foram as publicações que tiveram a imagem de um atleta em evidência. Pois o post de Palmeiras 3-2 Paysandu vai ser uma dessas exceções. Abaixo:














Na foto, do Lancenet, é justo observar a postura do camisa 18

Sofreu o Palmeiras para suplantar um desqualificado adversário como o Paysandu. Foi bonita a vitória, foi emocionante, o time teve muita alma, o Pacaembu fez a diferença de novo, valeu até mesmo a porradaria que incendiou um jogo que parecia perdido...

... mas não podemos deixar de lado duas considerações:

_Mesmo em uma competição tão ilusória quanto a Série B (teríamos 43 pontos em 16 jogos se não fossem os erros de arbitragem), o Palmeiras leva muitos gols. Bem mais do que o aceitável. E leva esses gols notadamente em função de falhas individuais (táticas e técnicas) que já não deveriam fazer parte da nossa rotina há quase três anos. Porque perdemos um título (em 2010) por obra do camisa 18 8 e ainda agora, em 2013, somos obrigados a aturar essa criatura no time titular. Chega! Se renovarem o contrato desse sujeito, vão evidenciar mais uma vez o quanto essa gestão está comprometida com os mesmos erros das anteriores.

_Dizem que o Palmeiras teve um pênalti a seu favor que não foi assinalado pela arbitragem. Eu não me lembro e possivelmente não teria muito como atestar isso a partir da arquibancada. Mas é inegável o roubo de que fomos vítimas no segundo gol dos paraenses - em um toque de mão acintoso, bem à vista do árbitro. Ele mandou seguir, tomamos mais um gol e o gigante Palmeiras segue penando com os "erros" da arbitragem mesmo diante de rivais inexpressivos. Até quando?

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Sim, foi emocionante, foi uma daquelas tardes inesquecíveis dentro de um estádio de futebol, foi uma demonstração de garra de todo o elenco... mas os erros que nos levaram a essa situação são muito graves e não podem se repetir, por exemplo, na próxima quarta-feira. Porque aí não vai dar para buscar a virada e, mesmo se der, o prejuízo será irreversível.

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_O SCCP deveria jogar o Brasileirão sozinho. Como se não bastasse o estádio construído com dinheiro do povo, o apoio midiático e todo o direcionamento a partir da cúpula do futebol neste país, os pênaltis no final seguem sendo inventados de maneira mais e mais descarada a cada ano... entreguem a taça logo!

16 agosto 2013

Miopia (ou coisa pior)

Não se confere publicidade só a coisas boas. Há as ruins que merecem ser expostas para que se dê o devido destaque aos responsáveis. É o caso, por exemplo, de um certo Amir Somoggi, a quem o diário Lance! dá guarida em um fórum que se pretende "acadêmico". Pois que o nobre "consultor de marketing e gestor esportivo", do alto de toda a sua experiência fora dos estádios, cometeu o texto que segue linkado abaixo (com a frase que resume o todo): 

"Quando o preço cai muito, o nível do torcedor que vai ao estádio é muito pior"

É um pouco de tudo: é higienista, é elitista, é preconceituoso, é tacanho, é deplorável sob qualquer ponto de vista.

Não vou, no entanto, me ater a tal figura, também porque já se dedicaram a isso ontem pessoas de nível muito mais elevado e que vivem o futebol tanto quanto eu. Apenas faço a ressalva de que são cúmplices desse certo consultor todos aqueles que compactuam com qualquer medida elitista, com o Padrão Fifa, com o marketing predatório no futebol e que tais.

Escrevo esse post apenas para fazer o registro de que há, em nossas fileiras, quem pense como o distinto consultor. Há quem pense que nossa torcida seria melhor se restrita ficasse aos limites do centro expandido desta metrópole. Melhor ainda se a concentração se limitasse a Perdizes, Pompéia, Barra Funda, Lapa e Sumaré, com todos felizes por poder pagar a fortuna exigida pela diretoria que aí está: "O Palmeiras precisa de dinheiro", dirão, acreditando que a melhor saída é a política excludente.

Não percebem os ilustres torcedores da zona oeste que é essa política excludente um dos fatores que acabaram por fazer a torcida do Palmeiras deixar de ser a segunda maior torcida de SP para ser a terceira. Perdemos essa condição também porque o clube apostou - e aposta agora, mais do que nunca - em uma estratégia que apenas restringe o acesso do público, colocando uma nota de corte altíssima. Para os que desejam a "qualificação do público", é uma ótima pedida.

Pois é então que chego ao ponto final, que consiste em expor - como se necessário fosse - a indigência mental de uns e outros que se dispuseram a refutar este post aqui com a frágil argumentação de que eu não poderia "elogiar" uma atitude do mandatário leonor.

Ora, ora, não há na comparação que eu proponho qualquer vestígio de elogio à medida leonor - ainda que eu concorde com ela. Há, pura e simplesmente, uma contraposição de dois números que, por serem tão discrepantes e logo envolvendo um adversário coincidente, explicitam a oposição entre a política excludente de um clube que sempre foi "de massa" e a política de inclusão do clube "da elite".

Não, não sejam desonestos comigo e com a discussão ora em curso. Antes de tudo, procurem se informar. Para derrubar a babaquice recorrente ("Os bambis só estão fazendo isso agora porque estão em crise..."), apresento aos senhores ao menos dois posts anteriormente publicados neste blog que demonstram o quanto o outrora elitista SPFW adotou uma nova diretriz já há alguns anos.

-Este aqui é de 2009 e mostra a diretoria do time que era então o tricampeão nacional lançando um pacote de ingressos que permitia ao torcedor pagar R$ 9,60 pela arquibancada - contra R$ 40 no Palestra.

-Este outro, de 2012, explicita uma estratégia simples, buscando a ocupação de um setor do Jd. Leonor que poderia ser equiparado ao tobogã. É um post bastante necessário para se entender em um contexto mais amplo todas as implicações de se abrir as portas para um público "menos privilegiado". Uma frase de Roberto Natel (sim, Natel!), dirigente leonor, resume tudo: “Queremos com isso oferecer a possibilidade de que o torcedor de baixa renda, que não tem a possibilidade de assistir a um jogo do São Paulo, possa comparecer ao Morumbi e ver todas as partidas."

Enquanto isso, senhores, o antes popular Palmeiras dispensa o povão. O recado é claro: "Se tem dinheiro, você pode ir ao estádio; se não, você pode escolher outro time para torcer".

No final, o Palmeiras é que vai pagar a conta.

15 agosto 2013

Turiassu, 1840 (19)






Se nomes tivessem os capítulos desta série "Turiassu, 1840", este aqui se chamaria "O puxadinho da limão". Nome estranho, eu sei, mas calhou de alguém resolver conferir àquele breve - mais no tempo que no espaço - anexo do Palestra o (infeliz) nome de "arquibancada limão". Queria hoje falar brevemente sobre este local.

Vejam os senhores que a arquibancada limão surgiu em tempos recentes um pouco para alterar o acesso principal ao estádio, ali no portão da Turiassu, e outro tanto para ampliar a capacidade do estádio numa época em que as canchas, a nossa inclusa, encolhiam a olhos vistos. Daí então que aquele anexo deve ter elevado a capacidade de público em, sei lá, 1.500 pessoas. Na prática, no entanto, nada mudou: se o Palestra comportava 32 mil pessoas até os anos 1990, a capacidade neste século ficou sempre na casa dos 27 mil e tantos torcedores (com ou sem puxadinho).

E, cabe dizer, só havia gente por ali nos jogos grandes - nos menores, só mesmo nas poucas ocasiões em que o Palmeiras atacava para o gol da piscina no segundo tempo.

Eu mesmo lá estive pouquíssimas vezes. Primeiro - e mais importante - porque tinha o(s) meu(s) lugar(es) no Palestra. Segundo porque havia ali uma certa "reserva de mercado", com o espaço por vezes limitado aos clientes de certa instituição bancária - e, de quando em quando, o ambiente ficava conturbado em virtude disso.

Isso posto, me lembro de ter visto ali não mais do que três ou quatro jogos - normalmente apenas a parte final do segundo tempo, quando precisava o Palmeiras buscar o resultado atacando para a piscina.

Com nitidez mesmo, fica a recordação de um único (pedaço de) jogo por ali: o Palmeiras 2-2 SPFW do Brasileiro de 2008. Sim, aquele mesmo em que o camisa 30 de tão raso caráter puxou o time para frente e comandou a busca pela igualdade depois de um 0-2 parcial. Aquele mesmo em que o árbitro desmantelou o nosso time com a expulsão absurda do camisa 7 logo no início do jogo.

Teve aquele clássico, em que pese o mau resultado, um sabor especial, muito porque a reação foi digna de nota e também porque a visão a partir do setor limão era, em certo aspecto, privilegiada: o gol logo à frente, o clube à direita e, por fim, nossos inimigos mortais lá do outro lado, a corja toda reunida.

Foi um empate pior do que muitas derrotas - e o desfecho daquele Brasileiro evidencia isso. Mas, ao menos por aqueles 20 e poucos minutos de reação vistos a partir da arquibancada limão, aquela tarde teve o seu momento na história do Palestra. Ao final de tudo, contrariando as normas vigentes à época, o grande Fernando Galuppo, o locutor das multidões, mandou soltar o hino do clube mesmo depois de um empate em casa.

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Foto: Louis Abe

14 agosto 2013

Papéis invertidos

Tudo em um mesmo dia (13/08):

De um lado, o clube que um dia teve a segunda maior torcida de SP – e só pode ser de massa um clube cuja torcida segue crescendo nas camadas populares – anuncia a arquibancada a R$ 50 em um jogo contra o Atlético/PR. A miopia é toda do senhor Paulo Nobre, mas seus correligionários defendem despudoradamente a medida. Gente que já foi de arquibancada proclama absurdos como “temos uma torcida com padrão aquisitivo diferenciado”. A alienação só os permite enxergar a Pompéia. Quando muito, com algum esforço, Nobre e seus capachos vislumbram os bairros do centro expandido – tradução para os abduzidos: a área do rodízio.

De outro, o clube que outrora se posicionou como sendo “da elite” anuncia, para um duelo em casa contra o mesmíssimo Atlético/PR, arquibancada a R$ 10 (cinco vezes menos!).

Nada acontece à toa:

Anos e anos de descaso em relação à torcida fizeram o Palmeiras perder logo para seu rival o posto de segunda maior torcida do estado. Isso, senhores, se deu exatamente nos estratos sociais menos privilegiados. É perigoso, é muito perigoso - e eu já fiz esse alerta inúmeras vezes.

A política excludente da gestão presidente/CEO vê a torcida não como a massa que empurra o time, mas como uma fonte de receitas. O efeito é extremamente nocivo. Logo esse abismo se torna maior do que a nossa capacidade de reação. E aí não tem volta...

13 agosto 2013

Crônica de um país às avessas

Sábado de manhã. O sujeito acorda muito cedo e vai comprar os suprimentos todos: salsicha, linguiça calabresa, pernil, repolho, alface, tomate, milho, batata, queijo, cerveja, refrigerante e mais algumas dezenas de itens - para dar conta da variedade do cardápio. Faz lá um investimento considerável, enche o banco traseiro do carro e vai para casa. Daí então que ele e a mulher, dois abnegados, esquecem a correria que foi a semana e se põem a preparar aquilo tudo o que precisa estar pronto antes da hora: basicamente o pernil, uma vez que a calabresa e a salsicha do hot dog podem ficar para mais tarde. Tudo arrumado, botijão de gás no carro, eles seguem, na parte da manhã ainda, para o estádio municipal. Tudo para garantir um lugar. Chegam, estacionam no meio-fio da via que contorna a praça Charles Miller e lá se instalam.

(Sabem como é, a repressão da gestão Kassab marginalizou essa tão nobre atividade, mas eles insistem em querer prestar um serviço ao torcedor e, de quebra, completar o orçamento familiar.)

15h.

Vejam a situação:

-De um lado, temos alguém que precisa levar dinheiro para casa, para sustentar sua família. O que ele faz? Monta uma cozinha improvisada no porta-malas do seu carro e segue para o estádio para vender hot dogs e sanduíches de calabresa e pernil. O cara quer apenas trabalhar. Muito honesto, não?

-De outro lado, temos o torcedor: ele chega ao Pacaembu e se depara com a quase inexistência de opções de alimentação. Não há bares, não há restaurantes, não há qualquer coisa que preste. Restam os ambulantes (para beber) e as barraquinhas de lanche improvisadas em carros (porque as de verdade foram proibidas pelo prefeitinho vagabundo que infernizou a nossa vida por quatro anos).

A equação é (ou deveria ser) muito simples, senhores:

Você junta a fome com a vontade de vender. Junta o consumidor com o comerciante. Junta a satisfação do torcedor com a necessidade do sujeito que abdicou do seu sábado de folga para conseguir uns trocos a mais para sustentar a família. Junta oferta e procura.

Em outras palavras: o torcedor faz questão da presença dos chefs improvisados por ali. E os chefs improvisados dependem da presença do torcedor. Em não havendo quem se incomode - e efetivamente não há -, temos uma situação de harmonia pouco comum nesta metrópole.

Há uma lacuna oriunda da ação do Estado (a proibição das barraquinhas de lanche na praça Charles Miller deixou o torcedor sem ter o que comer antes ou depois dos jogos) que é preenchida pela ação de gente que só está querendo trabalhar. Todos saem satisfeitos, ninguém reclama, a vida segue...

Acontece que, no meio disso tudo, há um agente desestabilizador: a Guarda Civil Metropolitana. Porque os tão ocupados guardinhas de parque resolvem não permitir que ninguém mais trabalhe - como se já não bastasse eles. E é aí que começa o "rapa".

Por quê?

...

Lembro-me de ter ficado feliz por, no nosso jogo anterior no Pacaembu, ver muitos desses carros estacionados na rua lateral da praça. Sempre alertas contra os GCMs, é bem verdade, mas lá estavam eles. Eu mesmo comi um hot dog antes do jogo.

No sábado agora, no entanto, a repressão veio com tudo. Foi tudo premeditado, em uma ação disposta a desmantelar o esquema dos trabalhadores que estavam ali prestando um serviço às mais de 30 mil pessoas que se fizeram presentes na cancha municipal. Guinchos vieram de todos os lados para rebocar as vans e mesmo carros menores que faziam as vezes de lanchonetes. Pessoas foram presas, perderam tudo o que compraram honestamente, tiveram de enfrentar sabe-se lá o quê para recuperar os próprios bens - se é que conseguiram recuperar...

Foi uma cena das mais deprimentes. Pessoas foram presas por nada, tiveram cerceado o direito de trabalhar, foram vítimas do abuso de sub-autoridades que só fazem atrapalhar o andamento da sociedade. E o torcedor, sempre ele, nunca é consultado e só sofre com as decisões estapafúrdias do poder público.

Enquanto isso, alguns metros para cima - e por todos os cantos -, flanelinhas vagabundos não enfrentavam qualquer dificuldade para extorquir os mesmos torcedores que são impedidos de comer no estádio. Porque à GCM interessa prender trabalhadores e deixar os bandidos livres.

Pobre do país que pune as pessoas por quererem trabalhar. Pobre do país que limita as opções da população sem consulta prévia. Pobre do país que inverte os valores de maneira tão vexatória. Pobre do país cujo Estado interfere de maneira tão abrupta e indevida nos direitos de seus cidadãos.

Brasil, um país às avessas.

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Cheguei ao Pacaembu com pressa no sábado e acabei não tirando fotos da situação toda. Mas vi que alguns torcedores fotografaram a situação toda. Se alguma boa alma tiver essas imagens, me mande, por favor, e eu publico aqui.

12 agosto 2013

Media training

Não que Nobre precise de um - ele já é muito bem atendido nessa área, certo? -, mas eu me permito aqui apontar qual seria uma conduta esperada de um presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras ao receber uma consulta do Clube Atlético Mineiro sobre a possibilidade de empréstimo de um jogador que é titular do time.

Antes de tudo, a resposta não seria dada na esfera privada, uma vez que a proposta provavelmente já teria chegado à mídia.

Em "entrevista coletiva" (daria para aproveitar algum treinamento do clube ou algo assim), o presidente faria o seguinte pronunciamento:

-Informo que o Clube Atlético Mineiro procurou a Sociedade Esportiva Palmeiras para fazer uma proposta de empréstimo do atleta Wesley Lopes Beltrame, que tem contrato com o nosso clube até 27 de fevereiro de 2015. Agradeço pelo interesse do coirmão mineiro, mas gostaria de deixar claro que o Palmeiras só aceita iniciar uma negociação se houver uma proposta pela compra dos direitos federativos do atleta. O valor está fixado em R$ 40 milhões. Se o Atlético resolver, por exemplo, vender o seu estádio para comprar o Wesley, podemos sentar à mesa e negociar.

(silêncio na sala de imprensa)

Algum jornalista observa:

-Mas, presidente, o Atlético não tem estádio.

Ao que o presidente, antes de se retirar, responderia:

-Pois é, entrevista encerrada.

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Porque, no final, é tudo uma questão de se dar ao respeito.

11 agosto 2013

Artigo 1º























Quis o futebol que fosse do camisa 11 o gol que selou a vitória do Palmeiras em sua partida mais difícil em todas as 14 rodadas da Série B até o momento (em Recife, não houve jogo e fomos roubados; em Itu, contra o América/MG, foi um tropeço). O gol do camisa 11 é daquelas coisas que acontecem apenas e tão somente para evidenciar o quanto estão errados os que ousam questionar a vocação da Sociedade Esportiva Palmeiras - e aqui empresto um raciocínio que originalmente é do meu grande amigo Fernando Galuppo: "uma entidade civil de caráter desportivo, com personalidade jurídica de direito privado, sem fins econômicos lucrativos".

Isso não saiu da cabeça do Galuppo - nem da minha; isso é parte do artigo 1º do Estatuto Social da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Sim, dirão alguns, não sem razão, que trata-se de um instrumento jurídico e que a expressão "sem fins econômicos lucrativos" se faz presente nos estatutos sociais de praticamente todos os clubes brasileiros - e de outras entidades também. Sim, eu sei disso; mas eu prefiro me apegar ao que existe de essencial no estatuto - que talvez não seja tão bem conhecido por uns e outros.

Porque um clube de futebol não é regido (ou não deveria ser) por raciocínios mesquinhos. Menos ainda se for este clube o gigante Campeão do Século XX, dono de uma torcida como a nossa.

Quando se trata de Palmeiras, o mínimo que deve existir é respeito à instituição. E há certas situações que, para além de fechar contas, devem ser entendidas pelo prisma da soberania. Por soberania, meus caros, entendam a necessidade de se respeitar a ordem estabelecida e o tamanho da Sociedade Esportiva Palmeiras. Não se trata de uma análise deste ou daquele jogador, tampouco de questões técnicas ou táticas; o que está em debate é a necessidade de se colocar o Palmeiras não como um mero entreposto, mas como o gigante que ele é. Deixar de lado tal premissa, permitindo investidas como esta de clubes menores, representa uma perigosa renúncia à nossa vocação.

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_Sejamos claros: este Palmeiras 2-1 Paraná Clube/PR era o típico jogo para um tropeço em casa. Primeiro porque tratava-se de um rival perigoso, com defesa consistente, sem perder há um bom tempo, bem armado, com um técnico (muito) novo etc. e tal. Daí vem um gol contra no primeiro tempo e o time se abate. Parecia difícil encontrar a reação. Mas ela veio na etapa final - e em grande estilo. Foi uma daquelas vitórias que se arranca um pouco na base da força e da pressão e outro tanto no peso que só pode ter um time grande na sua casa. O Palmeiras avançou, acuou o pequeno Paraná e seguiu trilhando o seu caminho inabalável de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído. Foi, enfim, uma vitória grandiosa, daquelas que tantas e tantas vezes vivemos no bom e velho Palestra Italia.

_Se há um lado bom na Série B, ele seria o fato de podermos novamente entrar em campo no sábado às 16h (ou, vá lá, 20 minutos depois). É um horário que foi abolido nos jogos da divisão principal e que pode ser revivido ao menos agora em 2013.

_Bastou isso, por sinal, para praticamente chegarmos à barreira dos 30 mil torcedores. Foi o recorde do Palmeiras em jogos da Série B, uma vez que o maior público em 2003 foi de 28.486 pagantes contra o Marília/SP (2-0) em um sábado à noite.

_A presepada armada pela trupe de imbecis do SporTV (vejam aqui) é daquelas coisas que escancaram o baixo nível da nossa imprensa esportiva. É de uma indigência intelectual que só pode mesmo encontrar algum respaldo na mente doentia de um canalha da família Zveiter. Já tem muita gente se dispondo a falar sobre o assunto por aí, mas, por ora, eu vou preservar a minha sanidade.

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Atualizando alguns números:

-Palmeiras no Pacaembu em 2013
19 jogos
14 vitórias
3 empates
2 derrotas
38 gols pró
14 gols contra
Público médio: 16.005 pagantes

-Palmeiras na Série B/2013
14 jogos
11 vitórias
1 empate (roubado!)
2 derrotas (1 delas roubada!)
30 gols pró
10 gols contra

-Palmeiras no Pacaembu na Série B/2013
Palmeiras 4-1 ABC/RN - 22.488 (sexta, 21h)
Palmeiras 4-0 Icasa/CE - 12.890 (terça, 21h50)
Palmeiras 2-1 Bragantino/SP - 20.604 (sexta, 19h30)
Palmeiras 2-1 Paraná Clube/PR - 29.012 (sábado, 16h20)

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A foto que abre o post é do Gabriel Santoro.

08 agosto 2013

Descompasso

A coisa é (ou deveria ser) mais ou menos assim:

Se um clube como o Atlético Mineiro procura o Palmeiras fazendo uma absurda proposta para levar por empréstimo um de seus destaques, cabe aos dirigentes do alviverde a tarefa de colocar os mineiros no devido lugar, se possível pisando na cabeça de quem tiver tal ousadia. Simples assim. Da mesma forma, compete ao mandatário do Campeão do Século XX a incumbência de rechaçar com veemência toda e qualquer investida pilantra de agremiações outras que se apresentem como desrespeitosas ao Palestra.

É uma questão de postura e de respeito à instituição e é assim que as coisas deveriam acontecer. Mas a indigência da dupla que hoje comanda o Palmeiras gera absurdos como o que estamos tendo de aguentar agora...

Eu digo a vocês o seguinte:

A proposta em si já é absurda, porque denota a percepção que instituições como o Atlético Mineiro têm hoje do gigante Palmeiras. O fato de a levarem em consideração mostra bem o nível de quem dirige o clube. Os argumentos para um eventual aceite ao que se está propondo são constrangedores. E a concordância, para além da humilhação, evidenciaria o quanto estamos reféns dessa corja.

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Aos nobretes, capachos vagabundos do presidente que aí está: tomem vergonha na cara! Aqui é Palmeiras!

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Com enorme demora, a CBF enfim divulgou o desmembramento (dias e horários) das rodadas 16 a 19. Como também saiu a definição sobre os duelos decisivos da Copa do Brasil, eis o que teremos pela frente:

10.08 sáb 16h20 Palmeiras x Paraná Clube/PR
13.08 3ª 21h50 Joinville/SC x Palmeiras
17.08 sáb 16h20 Palmeiras x Paysandu/PA
21.08 4ª 19h30 Palmeiras x Atlético/PR (Copa do BR)
24.08 sáb 16h20 BOA/MG x Palmeiras
28.08 4ª 21h50 Atlético/PR x Palmeiras (Copa do BR)
31.08 sáb 21h Ceará/CE x Palmeiras
03.09 ter 21h50 Palmeiras x Chapecoense/SC

07 agosto 2013

Passar bem, Azulinho













No Paulistão deste ano, a diretoria do São Caetano cobrou R$ 80 pela arquibancada no jogo contra o Palmeiras - e só neste. Resultado: o pior público da história de todos os confrontos entre os dois clubes.

Pois bem, veio agora o Brasileiro e os dirigentes desta aberração do ABC insistiram no preço: R$ 80. Detalhe: pela Série B e em uma terça-feira às 19h30. Daí então que tivemos um público pouco superior, mas não menos vexatório.

Em tempos de elitização, até entende-se - mas não se aceita - a cobrança de valores extorsivos em duelos decisivos ou naqueles disputados em estádios novos. O que não se explica de maneira alguma é que algum puto resolva cobrar R$ 80 no ingresso para um jogo que, além de valer pouco, é disputado no bizarro Anacleto Campanella e em condições adversas. Ainda mais com o precedente do Paulistão.

Aí já não se trata de ganância ou de exploração; é burrice mesmo.

E quando você, na arquibancada do Anacleto, olha para o lado e não encontra palmeirenses de quatro costados porque eles abdicaram do direito dever de ver o Palmeiras em campo devido ao preço do ingresso, é porque algo de muito errado está acontecendo.

Ontem foi isso que tivemos. Havia pouquíssima gente no estádio, mas o mais curioso é que não eram necessariamente "os de sempre". Alguns até eram, é bem verdade, mas muitos dos que vão a absolutamente todos os jogos não deram as caras no ABC (que fica até mais perto de quem mora em boa parte das zonas sul e leste do que o Pacaembu, por exemplo) por não aceitarem o preço cobrado pela diretoria deste maldito time de azul.

No Paulista deste ano, já colaboramos para rebaixar a mentira do ABC para a segunda divisão. Agora, com a vitória de ontem, demos a nossa contribuição para que o Azulinho afunde de uma vez por todas.

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O horário das 19h30 é uma aberração. Ainda mais em um lugar como São Caetano. Malditos sejam os responsáveis por isso.

04 agosto 2013

À sombra das chuteiras imortais

























Vai aqui uma indicação um tanto diferente das demais. Mais do que recomendar uma obra-prima, faço um apelo para a Companhia das Letras providenciar uma nova edição de "À sombra das chuteiras imortais". Porque hoje é impossível comprar este livro, esgotado que está em todas as livrarias e também na editora - sabe-se lá por quê.

Tive o privilégio de ler este verdadeiro tratado sobre futebol ainda na época da faculdade (lá se vão pelo menos 10 anos) por indicação de algum professor. Salvo engano, já não era possível comprar o livro em lugar algum, de tal forma que fui encontrá-lo apenas na biblioteca da boa e velha Faculdade Cásper Líbero. 

Como a Companhia das Letras não lança uma nova edição há tempos, resta a opção de fazer o download de uma das tantas versões disponíveis na rede. Como esta aqui (em pdf).

Nelson Rodrigues dispensa apresentações e, uma vez que o livro está aí disponível para todos, fica fácil conferir as 70 crônicas que trazem o seu estilo inconfundível. Para os não tão familiarizados com a obra do Anjo Pornográfico, deixo aqui dois de seus melhores textos:

O primeiro foi escrito antes ainda de Pelé despontar mundialmente. Não que eu necessariamente tenha alguma admiração por Pelé, mas o que conta aqui é o texto:

A REALEZA DE PELÉ 

Depois do jogo América x Santos, seria um crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura, que o meu confrade Albert Laurence chama de “o Domingos da Guia do ataque”. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: — dezessete anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — ponham-no em qualquer rancho e a sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor. 


O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: — a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola, e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônias. Já lhe perguntaram: — “Quem é o maior meia do mundo?”. Ele respondeu, com a ênfase das certezas eternas: — “Eu”. Insistiram: — “Qual é o maior ponta do mundo?”. E Pelé: — “Eu”. Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabuloso craque põe no que diz uma tal carga de convicção, que ninguém reage e todos passam a admitir que ele seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias e no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé.

Vejam o que ele fez, outro dia, no já referido América x Santos. Enfiou, e quase sempre pelo esforço pessoal, quatro gols em Pompéia. Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar. Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: — “Vá jogar bem assim no diabo que o carregue!”. De certa feita, foi até desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio do campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para a frente e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta sensacionalmente. Numa palavra: — sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém, ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para driblar. Não existia uma defesa. Ou por outra: — a defesa estava indefesa. E, então, livre na área inimiga, Pelé achou que era demais driblar Pompéia e encaçapou de maneira genial e inapelável.

Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, de certeza, de otimismo, que faz de Pelé o craque imbatível. Quero crer que a sua maior virtude é, justamente, a imodéstia absoluta. Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, que vem aos seus pés com uma lambida docilidade de cadelinha. Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível na formação de qualquer escrete. Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e mesmo insolente que precisamos. Sim, amigos: — aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas-de-pau.

Por que perdemos, na Suíça, para a Hungria? Examinem a fotografia de um e outro time entrando em campo. Enquanto os húngaros erguem o rosto, olham duro, empinam o peito, nós baixamos a cabeça e quase babamos de humildade. Esse flagrante, por si só, antecipa e elucida a derrota. Com Pelé no time, e outros como ele, ninguém irá para a Suécia com a alma dos vira-latas. Os outros é que tremerão diante de nós.

[Manchete Esportiva, 8/3/1958]


Este aqui já se destaca pelo nome - e a prosa de Nelson Rodrigues se encarrega do restante:


O GORDO SALVADOR

Nenhum gordo gosta de ser gordo. Sobe na balança e tem um incoercível pudor, uma vergonha convulsiva do próprio peso. E, no entanto, vejam: — pior do que ser gordo é o inverso, quer dizer, pior do que ser gordo é ser magro. Digo isto a propósito de Feola* , o meu personagem da semana. Ele está em Araxá e eu aqui. A despeito da distância, porém, é como se eu o estivesse vendo com a doce, a generosa cordialidade que é o clima dos gordos de todos os tempos. E aqui pergunto: — um Feola magro teria sido melhor para o escrete?

Não creio e explico. É preciso ver os magros com a pulga atrás da orelha. São perigosos, suscetíveis de paixões, de rancores, de fúrias tremendas. E, até hoje, que eu me lembre, todos os canalhas que conheci são, fatalmente, magros. Acredito que Feola esteja no profundo e amargo arrependimento de ser gordo. Mas, se assim for, temos de admitir a sua ingenuidade. Pois uma de suas consideráveis vantagens de homem e, atrevo-me a dizê-lo, de técnico está nesta circunstância, que ele deplora e repudia. Numa terra de neurastênicos, deprimidos e irritados, convém ter o macio, o inefável humor dos gordos. A banha lubrifica as reações, amacia os sentimentos, amortece os ódios, predispõe ao amor.

Nós temos, aqui, um preconceito, de todo improcedente, contra a barriga. Erro crasso. Na verdade, há uma relação sutil, mas indiscutível, entre a barriga e o êxito, entre a barriga e a glória. Examinem a figura de Napoleão como imperador. Era ele, na ocasião, algum depauperado? Não, senhor. Pelo contrário: — os quadros mostram a inequívoca e imperial barriga napoleônica. E uma das coisas que me levam a acreditar no Brasil como campeão do mundo é o fato de termos, finalmente, um técnico gordo. 

O leitor pode perguntar, com certa irritação: — e que importância tem que o técnico seja magro ou não? Muita. De fato, dirigir um escrete, no Brasil, é um dos mais pesados encargos terrenos. O sujeito está cercado de palpites por todos os lados. Digo “cercado de palpites” e acrescento: — de palpiteiros. O técnico tem, no mínimo, duzentas irritações por dia. E, além do mais, não há função mais polêmica. Tudo o que ele faça suscita debates no país inteiro. Há sujeitos que vivem, dia e noite, tramando a sua desgraça. E das duas uma: ou ele tem uma inexpugnável sanidade mental ou acaba maluco e a família não sabe. Só um gordo, repito, possui por natureza a euforia necessária para resistir às crises de um escrete. 

Por exemplo: — observem o comportamento de Feola na preparação do escrete em Poços de Caldas e Araxá. Nada o perturba, nada o irrita. Não subiu pelas paredes nenhuma vez, não gritou, não xingou a mãe de ninguém. Sabemos que há técnicos no Brasil e, por coincidência, magros, que acham bonito e eficaz tratar o craque a pontapés. Feola, nunca. Podem fazer todas as ondas do céu e da terra. Ele permanecerá com sua alegria imbatível — constante, ininterrupta alegria. E esse bom humor quebra e desmoraliza qualquer resistência. De resto, não desafia, não discute, não ofende. Faz o que quer, e só o que quer, da maneira mais discreta, insidiosa e, direi mesmo, imperceptível. 

Não se sente a autoridade de Feola que, entretanto, é militante, irredutível. Sim, amigos: — não esbraveja, não estrebucha, nem todos percebem que ele é o único que manda, o único que decide. E ninguém se iluda: — a sua abundante cordialidade de gordo é o disfarce de um maquiavelismo benéfico e criador. Esse técnico sem histeria, insuscetível de irritações, fazia falta num futebol de emotivos, de irritados, como o nosso. 

Eu disse que Feola não perdia nunca o bom humor e já retifico: há uma maneira, sim, de enfurecê-lo. É chamá-lo de gordo. Então, ele pula e esbraveja como um caluniado. 

[Manchete Esportiva, 3/5/1958]

03 agosto 2013

-26

Faltam 26 rodadas, e todos estamos ansiosos para zerar essa conta - e não me peçam para ser criativo nos títulos dos posts, porque cada ida ao estádio nesta Série B é encarada apenas e tão somente como mais uma jornada para reconduzir o Palmeiras ao seu lugar. Mas, em que pese o sofrimento de disputar essa malfadada competição, é justo e necessário rememorar um pouco do que já fizemos decorrido quase o primeiro terço de tão amarga trajetória:

12 jogos, 9 vitórias, 1 empate e 2 derrotas;
26 gols pró e 8 gols contra

Vejam os senhores que bem poderíamos estar com uma situação ainda mais favorável se não fossem os bandidos do apito que atormentam a nossa vida até mesmo nesse inferno que é a Série B. Porque tivemos o empate em Recife surrupiado por um desses malditos, o mesmo se aplicando à vitória que deveríamos ter trazido de Guaratinguetá Americana Guaratinguetá no último fim de semana.

Se não fossem esses dois "erros", estaríamos agora com 31 pontos, resultantes de 10 vitórias, 1 empate e 1 derrota (o tropeço diante do América/MG lá no início).

De tal forma que estamos no caminho certo, vamos somando os pontos necessários para garantir uma folga quando a Copa do Brasil começar e, o mais notável, temos finalmente um time a nos representar dentro de campo.

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Série B/2013 no Pacaembu:
3 jogos, 3 vitórias, 10 gols pró e 2 gols contra
Média de 18.660 pagantes (com as partidas em situações adversas: duas noites de sexta-feira e uma terça-feira às 21h50).

O Palmeiras/2013 no Pacaembu:
18 jogos, 13 vitórias, 3 empates e 2 derrotas
36 gols pró e 13 gols contra
Média de 15.283 pagantes

O aproveitamento alcançado na cancha municipal em 2013 já foi tema de post neste blog faz bem pouco tempo. É um mérito desta nova gestão. Deixo aqui o reconhecimento.

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_Foi bom o público desta noite na cancha municipal - e fico especialmente satisfeito com o bom número de crianças. Se não me engano, o placar apontou 1.700 e poucos entre os beneficiados pela gratuidade - é um volume acima do habitual nos nossos jogos.

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Sinto-me no dever de falar sobre três atletas em particular:

-O camisa 10: como joga bola o chileno! Como joga bola! Não preciso aqui rememorar todas as (muito merecidas) críticas que faço a ele de maneira recorrente, mas é inegável o talento do cara. O que ele fez nesses últimos jogos é digno de aplausos. Pode até ser que sua qualidade só desponte porque diante de rivais frágeis. Pode ser. Mas a verdade é que ninguém que esteve no Pacaembu na última terça e nesta sexta pode ficar indiferente diante das duas atuações, dos passes precisos, das enfiadas de bola, das assistências, da visão do jogo e, por fim, do gol marcado há pouco. Tudo, no entanto, parece por demais efêmero, e então o que fica é uma sensação de que devemos aproveitar enquanto é tempo. Porque logo mais nós todos sabemos o que vai acontecer...

-O camisa 14: que diferença faz ter em campo um bom finalizador...

-O camisa 3: o cara errou simplesmente todas as bolas. Todas.

02 agosto 2013

Pobre jornalismo esportivo

Apenas que eu não tenho lá muitas condições de escrever agora um texto decente e à 'altura' do ocorrido, mas tampouco poderia deixar de me pronunciar sobre a notícia que surpreendeu ontem todos aqueles que vivem o futebol e também o jornalismo. Para quem vive os dois - é o meu caso -, a coisa toma proporções ainda maiores. Para quem, também o meu caso, cultiva até hoje o hábito de ouvir os jogos pelo rádio (sempre no estádio, é claro), é um golpe duríssimo.

Deixo-os, portanto, com dois textos primorosos:

-Voltamos depois do intervalo, da lavra do próprio Mauro Beting, palestrino da melhor estirpe e jornalista como pouquíssimos.

-Gira Mondo, Gira, do Flavio Gomes.

O monstro José Silvério, maior narrador de todos os tempos, segue nos 840 AM/ 90,9 FM, mas a saída de Mauro Beting representa um enorme abalo na reputação da emissora - em especial pela mensagem transmitida e por quem fica. De minha parte, é tamanho o golpe que ouvir o jogo pelo rádio passa a ser um hábito quase dispensável.

Pobre jornalismo esportivo...

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Sim, a Band se viu obrigada a voltar atrás, a dupla Silvério/Beting será mantida e tudo mais. Mas o post continua aí, do mesmo jeito, porque um absurdo como este não pode passar em branco.

01 agosto 2013

E os nossos ingressos, diretoria?

O Palmeiras vai jogar em Varginha no próximo dia 24/08 e os ingressos já estão à venda por lá (a preços bastante razoáveis, diga-se de passagem). Confiram aqui todos os pontos de venda.

Dos 15.300 bilhetes, 12.000 serão destinados à torcida do Palmeiras.

Daí então que eu pergunto: por que eles não estão sendo vendidos na bilheteria do estádio Palestra Italia? Por que não temos ainda a venda desses bilhetes aqui em São Paulo? Por que não há nenhuma forma ainda de os sócios Avanti garantirem os ingressos?

A torcida alviverde fica no aguardo de um pronunciamento da diretoria do clube sobre o início das vendas dos ingressos para a torcida visitante aqui em SP.