31 julho 2013

-27

















Terça às 21h50, fim de mês, ingresso a R$ 40, jogo de Série B contra o Icasa/CE. Permitam-me dizer o seguinte: o público, pouco superior a 14 mil presentes, pode não ser assim grandioso, mas é meio o que poder-se-ia esperar em meio a este cenário.

E, ao contrário de 2003, quando se tinha uma disputa mais acirrada (conferir aqui), com uma única derrota podendo suplantar toda a campanha, agora tem-se a nítida sensação de contagem regressiva: 11 jogos já foram e outros 27 estão por vir. Convenhamos: não era para o Palmeiras estar onde está; uma vez estando, cabe a ele apenas e tão somente o papel de enfileirar vitórias atrás de vitórias para que o inferno tenha fim o quanto antes. Que isso aconteça preferencialmente com goleadas contundentes - e, ao contrário desta última, sem o sufoco ocasionado pela péssima fase do nosso camisa 3 e por um aparente descompasso entre os homens da defesa.

Faltam 27 longas e extenuantes jornadas. Sigamos na luta para, a partir da arquibancada, levar o Palmeiras de volta ao seu lugar.

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_Não sei se é uma impressão particular, mas, olhando para a torcida na arquibancada, já consigo vislumbrar um público mais identificado com a casa que fomos obrigados a adotar. Ontem consegui sentir até um pouco do clima do Palestra na cancha municipal.

_A presepada envolvendo as duas principais organizadas do clube no sábado último em Guaratinguetá Americana Guaratinguetá é daquelas coisas completamente descabidas e inaceitáveis sob qualquer ponto de vista. A começar pelo motivo, mas essencialmente pelos efeitos que isso pode acarretar para o clube e para sua torcida. Causa tamanha indignação a situação toda que eu já nem consigo me revoltar com a decisão tomada pela FPF - sinceramente, acho até que desta vez ela acertou. E o ponto é o seguinte: se porventura essa situação protagonizada lá no Vale do Paraíba vier a ocasionar mais alguma punição ao clube, aí é o caso de o próprio Palmeiras tomar alguma medida prática. Porque ninguém aguenta mais isso.

_A foto que abre o post é, claro, do genial, imprescindível e incansável Gabriel Uchida, do Foto Torcida.

30 julho 2013

Falência das instituições

O Gre-Nal do próximo domingo, o primeiro no novo estádio do Grêmio, terá torcida única. É mais do que um atentado contra o futebol. É a declaração de falência das instituições envolvidas. É a autoridade policial do Rio Grande do Sul manifestando a sua ampla e irrestrita incompetência. É o Ministério Público do Rio Grande do Sul evidenciando aquilo tudo que sabemos sobre todos os ministérios públicos espalhados pelo país. É o triunfo dessa corja que vem acabando com o futebol dia após dia. É a vitória dos Flavios Prados, dos dirigentes inescrupulosos, dos predadores e da canalha toda.

O Impedimento mandou um bom post sobre o assunto, na mesma semana em que já havia colocado em relevo a agressão de covardes coxinhas gaúchos contra um torcedor de muletas.

A.C.A.B.

Na sequência, deixo algumas mensagens colhidas no Twitter:



















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À cancha municipal, senhores. Teremos pela frente uma vez mais os bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque fodendo a vida do torcedor com a insistente interdição da escada que leva do setor laranja à praça Charles Miller. Parece besteira, mas é bem representativo da incompetência dessa gente.

26 julho 2013

Brasileiro/1993















1993, junho, 12. Chegou ao fim o tabu de 17 anos sem título, mas o Palmeiras amargava ainda um outro jejum, o de 20 anos sem uma conquista nacional. Ela viria ainda naquele ano, com outra mais em 1994, mas é curioso observar, decorridos 20 anos mais, que o Brasileiro de 1993 está agora no meio do caminho entre o de 1973 e este de 2013 - que sequer conta com a participação do alviverde.

Lembro ainda agora do peso daqueles 20 anos sem vencer um Brasileiro. Pode ser reflexo da (pouca) idade até, mas certo mesmo é que outras duas décadas se passaram e o Palmeiras vai completar no ano do seu centenário igual período desde seu último título nacional.

Sim, conquistamos a Libertadores, duas Copas do Brasil e mais a Copa dos Campeões, entre outros títulos menores, mas é sintomático constatar o quanto ficamos ausentes do rol de campeões brasileiros. Tanto é verdade que nosso principal rival levou a taça quatro vezes nesse intervalo. Aliás, os outros três grandes paulistas foram campeões nove vezes em 18 edições.

Em sendo assim, e como o Brasileiro/1994 já foi devidamente dissecado, é chegado o momento de narrar a trajetória alviverde rumo ao título nacional de duas décadas atrás:


Campeonato Brasileiro/1993 

De início, vale registrar que a CBF criou um monstro de 1992 para 1993: para resgatar o Grêmio da Série B (o clube gaúcho não conseguiu subir dentro de campo), a entidade elevou de 20 para 32 os participantes de um ano para o outro, dizimando a segunda divisão. Os 32 clubes foram divididos em quatro grupos de oito, seguindo os critérios abaixo:

-Os grupos A e B concentraram os fundadores do extinto Clube dos 13 mais Guarani, Bragantino e Ixpót (pela boa campanha em 1992).

-Os grupos C e D traziam os 16 clubes restantes, alguns que já estavam na Primeira Divisão e outros que nem sonhavam com isso.

Com oito clubes por grupo e confrontos em turno e returno dentro de cada chave, cada time faria um total de 14 jogos nessa fase. Os três primeiros dos grupos A e B se classificariam para a fase final. Os grupos C e D contribuiriam com os outros dois finalistas, com um playoff intermediário entre os dois melhores de cada um.

O rebaixamento atingiria apenas os quatro piores clubes dos Grupos C e D, livrando todos os grandes do risco de descenso.

Foi uma das edições mais curtas do Brasileirão, com alguns times, os eliminados na primeira fase, jogando apenas 14 vezes. Campeão e vice chegaram ao limite de 22 jogos. Pudera: a disputa teve início apenas em 4 de setembro. Como a final foi disputada em 19 de dezembro, tivemos, ao todo, pouco mais de três meses e meio - para efeito de comparação, o Paulista daquele mesmo ano se prolongou por quase cinco meses, com 38 jogos para o campeão.

O Palmeiras manteve praticamente o mesmo elenco que fora campeão paulista (em junho) e do Rio-SP (em agosto). Como principal reforço, chegou o zagueiro Cléber (deixando Tonhão, Edinho Baiano e Alexandre Rosa definitivamente na reserva) para formar com Antonio Carlos uma dupla inesquecível. Gil Baiano chegou para a reserva de Mazinho na lateral-direita. Não era um time que precisasse assim de grandes reforços.

1ª fase/ 1º turno - Grupo B

Guarani/SP 1-1 Palmeiras - Brinco de Ouro, 11.365 
Palmeiras 3-0 Ixpót/PE - Palestra, 10.441 - vídeo
Grêmio/RS 1-1 Palmeiras - Olímpico, 19.102 - vídeo
Santos/SP 3-1 Palmeiras - Vila Belmiro, 11.703 - vídeo
Palmeiras 1-0 Atlético/MG - Palestra, 12.531
Fluminense/RJ 2-4 Palmeiras - Laranjeiras - 3.590 - vídeo
Palmeiras 2-0 Vasco/RJ - Palestra, 23.199

Depois de largar de maneira um tanto titubeante (dois empates e uma derrota nos primeiros quatro duelos), o Palmeiras foi se encontrar com três vitórias seguidas contra Atlético/MG (1-0, Edílson), Fluminense nas Laranjeiras (4-2, com um parcial 4-0, Edílson duas vezes e mais Evair e Zinho) e Vasco (2-0, Edílson e Zinho). Este último, inesquecível, me traz à mente uma curiosidade: a preocupação que existia em SP naquele domingo, uma vez que o SCCP enfrentou o Internacional/RS no Pacaembu às 16h, com o nosso jogo tendo início às 18h a três quilômetros de distância.

Ao final do turno, o Palmeiras estava entre os classificados, com 10 pontos em 14 possíveis (4 vitórias, 2 empates e 1 derrota).

1ª fase/ 2º turno - Grupo B

Palmeiras 3-1 Guarani/SP - Palestra, 28.083
Ixpót/PE 1-2 Palmeiras - Ilha do Retiro, 12.029
Vasco/RJ 0-1 Palmeiras - Maracanã, 10.813 - vídeo
Palmeiras 3-1 Grêmio/RS - Palestra, 32.006 - vídeo
Atlético/MG 2-3 Palmeiras - Mineirão, 3.231
Palmeiras 0-1 Santos/SP - Palestra, 31.951 - vídeo
Palmeiras 2-1 Fluminense/RJ - Palestra, 12.536 - vídeo

Vejam que curioso: o Verdão emendou uma série de oito triunfos consecutivos (incluindo dois no Rio, um em BH e outro em Recife), sendo interrompido logo pelo clube para o qual havia perdido o jogo imediatamente anterior a esta sequência: o Santos. E foi isso: as duas únicas derrotas no Brasileiro aconteceram diante dos pés-com-areia (em casa, 0-1, e fora, 1-3). Se jogou muito mal no turno, merecendo a derrota na Vila, a partida do returno foi diferente: já classificado e embalado pela série de oito vitórias, o Palmeiras foi muito melhor, mas esbarrou em seguidas falhas no ataque e acabou levando um gol de cabeça de Guga (lembram dele?).

A liderança isolada da chave foi assegurada com uma campanha consistente: 10 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

1. Palmeiras 22 (c)
2. Santos 20 (c)
3. Guarani 19 (c)
4. Grêmio 15
5. Vasco 13
6. Ixpót 11
7. Fluminense 8
8. Atlético/MG 4

Dessa primeira fase ainda, cabe observar a expressiva média de público nos jogos em casa: 23.199 contra o Vasco, 28.083 contra o Guarani, 32.006 contra o Grêmio e 31.951 contra o Santos.

No Grupo A, a situação foi a seguinte:

1. SCCP 24 (c)
2. SPFW 17 (c)
3. Flamengo 16 (c)
4. Cruzeiro 14
5. Internacional 14
6. Bragantino 13
7. Bahia 8
8. Botafogo 6

Dos grupos C e D, depois de muitas idas e vindas, o importante a dizer é que avançaram Vitória/BA e Remo/PA.

E aí tivemos isso aqui:

2ª fase - Grupo F

Palmeiras 1-1 SPFW/SP - Jd. Leonor, 55.262 - vídeo
Guarani/SP 1-2 Palmeiras - Brinco de Ouro, 17.030
Remo/PA 1-2 Palmeiras - Mangueirão, 18.185 - vídeo

Palmeiras 3-0 Guarani - Palestra, 20.232
SPFW/SP 0-2 Palmeiras - Jd. Leonor, 60.322 - integra
Palmeiras 0-0 Remo/PA - Palestra, 7.285

Apesar da melhor campanha na primeira fase, tivemos uma tabela altamente arriscada no primeiro turno do quadrangular. Começamos com um irreal mando de campo contra os bichas (empate em 1-1, gol de Edílson) para depois viajarmos duas vezes para enfrentar rivais perigosíssimos: duas vitórias por 2-1 (em Campinas e em Belém) deixaram o Palmeiras bem cotado (mas ainda atrás dos bichas, que venceram os mesmos dois jogos, ambos como mandante). Ou seja: ao final do primeiro turno, o Palmeiras não tinha jogado nenhuma vez no seu estádio, e o SPFW, todas.

Daí então que veio o returno: o Palmeiras mandou um 3-0 no Guarani, mas o SPFW venceu o Remo por 1-0 no Mangueirão. De quebra, os bichas anteciparam a sua partida da última rodada - em virtude da viagem que fariam para o Japão. Assim, nosso inimigo chegou ao confronto decisivo com 9 pontos em 5 jogos; o Palmeiras tinha 7 pontos em 4 jogos. O vencedor do clássico passaria à final; em caso de empate, caberia ao alviverde bater o Remo na última rodada para assegurar a vaga.

Foi então que Edmundo e Sampaio fizeram isso aqui:



Destaques para a narração de Galvão Bueno (o cara é muito chato, mas é tecnicamente monstruoso), para o barulho da torcida alviverde batendo nas placas de publicidade acima das cabines de TV e, por fim, para as belas imagens da massa deixando o Jd. Leonor.

Com a vitória, o Palmeiras garantiu a vaga para a final com uma rodada de antecedência. Tanto que mandou a campo no seu último jogo um time reserva: empate sem gols contra o Remo no Palestra.

O Grupo F terminou assim:

1. Palmeiras 10 (c)
2. SPFW 9
3. Guarani 3
4. Remo 2

Do outro lado, no Grupo E, os gambás tropeçaram duas vezes no Vitória (1-2 em Salvador e 2-2 no Jd. Leonor), resultados que decretaram a passagem do time baiano para a final.

Assim ficou a classificação:

1. Vitória 8 (c)
2. SCCP 7
3. Santos 5
4. Flamengo 4

Final

Vitória/BA 0-1 Palmeiras - Fonte Nova, 77.772 - vídeo
Palmeiras 2-0 Vitória - Jd. Leonor, 88.644 - íntegra

A final, se me permitem fazer, foi quase uma formalidade. O Palmeiras venceu em Salvador com um gol de Edílson e depois, podendo até perder por um gol no Jd. Leonor, assegurou o título logo aos quatro minutos do jogo de volta, com Evair. Pouco depois, Sampaio encontrou Edmundo livre; o Animal fez um gol bem ao seu estilo. Fatura liquidada. No segundo tempo, o Verdão perdeu uma infinidade de gols e teve até pênaltis não assinalados pelo árbitro (o tétrico Márcio Rezende de Freitas); poderia ter goleado, mas nem foi preciso fazer tanto. O tricampeão brasileiro era nosso!



Campanha:
22 jogos
16 vitórias
4 empates
2 derrotas
40 gols pró
17 gols contra

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Não encontrei os vídeos de muitos dos jogos daquela trajetória. Se alguma boa alma localizar qualquer um deles, peço, por favor, que me avise aí no campo de comentários mesmo.

21 julho 2013

"El propio fútbol uruguayo"

























Notícias sobre o futebol argentino são raras na mídia esportiva, que prefere dedicar espaço a clubes artificiais da Europa e a campeonatos enfadonhos, que, via de regra, começam com dois ou três candidatos ao título. Mas aqui e ali os que acompanhamos os torneios da Argentina temos algumas boas fontes de informação - além das nativas, é claro.Do futebol uruguayo, no entanto, sabe-se muito pouco, quase nada. Apenas que o principal estádio de Montevideo é o Centenario, que o Peñarol tem cinco Libertadores, que o Nacional conquistou outras três, que a Celeste tem duas Copas e...

...

... e há muito mais para saber, de forma que se faz necessário ir direto à fonte. O propósito deste post é indicar um livro, da editora PalabraSanta, que funciona como guia de iniciação deste universo. O nome é um tanto vago: "El propio fútbol uruguayo". O subtítulo se debruça melhor sobre o conteúdo: "Una guía ideal para comprender el fútbol más incomprensible del mundo".

O jornalista André Reyes entrega um retrato bem humorado da relação do uruguayo com o futebol, apresentando boa parte das temáticas necessárias para entender como funciona o esporte que é obsessão no menor país da América do Sul (estou desconsiderando aqueles três lá do alto que talvez nem sejam habitados).

O começo é um tanto prosaico, mas serve para apresentar ao leitor o espírito da narrativa: Reyes traz um guia prático para quem deseja compreender as regras do futebol. Por que isso é relevante? Bom, aí importa menos o conteúdo e mais a forma. A abordagem é, para dizer o mínimo, irônica. Como ao falar sobre a cobrança do escanteio:

"A la hora de tirar un córner, hay três escuelas. La primera y tradicional insiste em ejecutar los corners con las piernas correspondentes. Es deci: córner desde la punta derecha, ejecutado con la pierna derecha, y lo análogo para la izquierda.
(...)
La segunda invita a tirar los saques de esquina “con pierna cambiada”. Esto es, que los zurdos pateen desde la esquina derecha y viceversa. 

(...) 
La tercera variante, muy empleada por el futbolista Álvaro Recoba durante su dilatado pasaje por la selección uruguaya, consiste en tirar los corners cortitos y al primero palo, pontualmente em dirección a la cabeza de un defensa rival, para así permitir el contragolpe.”

Ou ao propor uma fórmula matemática que determina o tempo de desconto concedido pelos árbitros:

"Los partidos constan de dos tiempos de 45 minutos, separados por um intervalo de 15. Siempre y cuando el equipo más poderoso no tenga que ganar, en cuyo caso, el juego se demorará en terminar lo que sea necesario. Normalmente, el tiempo agregado (TA) será de 1 a 5 minutos por mitad, según la siguiente fórmula:
TA=Qt/2+Q1
con Qt igual a la cantidad de modificaciones realizadas y Q1 igual a la cantidad de jugadores lesionados retirados en camilla."

A seguir, somos apresentados àqueles que o autor reputa como os melhores jogadores que o país teve nas últimas décadas em cada posição. Lá estão Enzo Francescoli, Sosa, Forlán, Suárez, De Leon, Recoba ("símbolo de una generación perdedora del fútbol uruguayo"), Loco Abreu e alguns nomes menos conhecidos.

Reyes dedica um capítulo inteiro à Celeste (muito justo!) e a suas campanhas em Copas do Mundo e em Jogos Olímpicos, para então dedicar um outro aos principais clubes uruguayos (são poucos, mas cada qual tem lá a sua história para contar). É um descritivo breve, mas que nos permite entender quem é quem e eventualmente um pouco da geografia local. Há ainda relatos dos melhores clássicos entre Peñarol e Nacional e dos confrontos históricos entre Uruguay e Argentina e Uruguay e Brasil.

Os estádios também se fazem presentes (senti falta apenas de fotos - o livro não tem nenhuma, mas aqui elas se fariam mais necessárias), com uma avaliação bastante particular do próprio Reyes. Há um pouco da história de cada cancha, a capacidade, as principais características e, por fim, uma nota do autor. Vejam, por exemplo, como ele se refere à capacidade de público do Centenario: "fluctuante, supo ser de 80.000, ahora ronda las 60.000, calculamos que en en futuro seguirá bajando dado el crescimento promedio de las nalgas uruguayas". Ele aborda os tipos de comida e bebida vendidos em cada cancha: "Para quienes se han atrevido a probar, el café del Centenario es el peor del mundo". Que fique bem claro: discordo dessa última afirmação.

Há ainda, para fechar, um relato de todas as grandes conquistas de Nacional e Peñarol, um glossário de termos comumente usados por quem vive o futebol, um breve relato de outras importantes canchas pelo mundo (incluindo Pacaembu e Maracanã) e um prontuário dos periodistas uruguayos (para quem torcem, outras atividades, como se comportam, o erro mais lembrado etc.).

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Onde comprar:
Não tem versão em Português, só em Espanhol. Se for a Montevideo, você pode encontrar em qualquer livraria. Não sei se vai chegar ao Brasil (duvido), mas deve haver algum jeito de comprar pela internet. Pelo Mercado Livre talvez. Ou mesmo na Amazon.

18 julho 2013

O futebol precisa de Eurico

















Aos leitores mais recentes, sugiro a leitura deste post, um tributo a Eurico Miranda, um homem que pode ter lá seus mil defeitos - ou até mais que isso -, mas que é um personagem essencial e cada vez mais indispensável no atual do cenário do futebol. Leiam e tirem suas próprias conclusões.

Sigamos, pois:

Eis que Eurico escreveu hoje isso aqui.

Da carta, duas frases se destacam:

"Não comprar ingressos do lado esquerdo das tribunas do Maracanã, o lado do Flamengo. O lado do Vasco sempre será o lado oposto ao do Flamengo."

"Quanto ao Sr. Peter Siemsen, digo a ele que eu ajudei a tirar direto o Fluminense da terceira para a primeira divisão e exijo que ele respeite a instituição Vasco da Gama e os seus torcedores."

Em meio à bandalheira em que se transformou o futebol brasileiro nesses tempos tão modernos, precisa ressurgir uma figura como Eurico Miranda para colocar as coisas no devido lugar.

Porque não se trata apenas de um espaço na arquibancada; se trata, isso sim, de uma questão de soberania, de um direito conquistado há décadas, da ordem natural das coisas. Porque o Vasco é o Vasco e o Fluminense será sempre e eternamente o clube a quem é preciso repetir o bordão: "Paguem a Série B".

17 julho 2013

A arquibancada vai resistir


















Conhecem o sujeito aí da foto, fazendo pose em algum canto do novo, moderno e multiuso estádio de Varsóvia?

João Borba é o nome da criatura.

Quem é João Borba?, vocês haverão de perguntar.

João Borba, eu vos digo, é o deslumbrado que se diz presidente do consórcio que administra o que restou do Maracanã. É um pobre coitado, nada além disso. Apareceu muito na mídia nesses últimos dias (aqui, aqui, aqui e mais aqui, para ficarmos em alguns poucos exemplos), despertando reações odiosas, protestos exacerbados e mensagens críticas daqui e dali. Tudo muito justo, fundamentado e necessário, mas eu gostaria de propor uma leitura um pouco menos raivosa de tudo isso – logo eu, vejam os senhores.

Acontece que os pronunciamentos recentes da criatura podem ser confundidos com ameaça, mas não passam de piada. Vejamos, pois, o que diz o sujeito:

-Sobre a divisão entre torcidas rivais: “Vamos quebrando esses paradigmas aos poucos, educando as pessoas aos poucos até chegarmos à esse novo modelo, até chegar ao padrão FIFA sem barreira nenhuma”
 

-Sobre o “público-alvo” do que ergueram no lugar do Maracanã: “O desenho do complexo, da praça de alimentação, é permitindo que todas as classes possam participar desde uma pequena pipoca a um champagne ou algo que for.”

-Sobre a conduta esperada deste "novo público": “Vamos tentar implantar educacionalmente uma nova filosofia...”

-Sobre a sua, digamos, experiência de arquibancada: "Fui no último fim de semana às finais do tênis em Wimbledon, e no convite, estava escrito que não é recomendável ir com uma determinada roupa... Quando um inglês lê “não recomendável”, entende que não deve usar aquele tipo de roupa."

Deu, né? Pois eu encerro por aqui a demonstração da cretinice inerente à figura deste João Borba. Sim, ele é um renomado imbecil, um indigente mental, um pária social, um pulha, um canalha que toma os seus parâmetros doentios como se fossem os de toda a sociedade. Eu bem sei que a reação imediata é de indignação, mas eu proponho uma abordagem um tanto distinta:

Vejam vocês que vivemos até aqui um cenário em que as tentativas de higienização e domesticação do torcedor foram impostas bem aos poucos, como quem não quer nada, revestidas sempre de uma preocupação com um evento específico: a Copa do Mundo.

Agora, passada a primeira parte da brincadeira (e ainda com a mais relevante por vir), surge uma débil criatura dessas, cuja carcaça provavelmente nunca antes passou por uma arquibancada, querendo propor mudanças na “filosofia” de quem vai aos estádios.

Ao contrário do que acontecia até então, a coisa agora é colocada às claras, de maneira ingênua até, deixando como resultado mais constrangimento do que qualquer outra coisa. É mais uma piada e menos uma ameaça.

Percebem como a coisa deixou de ser sutil e passou a ser descarada? E percebem igualmente o quanto o cidadão se compromete todo ao contrariar os mínimos princípios de civilidade quando propõe alterar à força padrões culturais e de comportamento estabelecidos há décadas? E percebem como faz isso não mais em benefício de um público provisório e artificial (aquele da Copa das Confederações), mas sim contra o público que sustenta o futebol semana após semana, quaisquer que sejam os jogos?

Borba, este completo imbecil, profere um discurso pretensamente alinhado com os interesses dessa gente que pretende domesticar o público e higienizar o esporte, mas se esquece que o futebol retorna agora (e em definitivo depois de julho de 2014) para quem efetivamente o sustenta dia após dia e de maneira incondicional - não apenas em tardes de Fla-Flu, mas também em noites chuvosas e pouco interessantes em que qualquer um dos grandes venha a receber os Madureiras da vida...

O desrespeito às tradições se verifica até mesmo na incapacidade de seguir a regra estabelecida desde sempre (a torcida do Flamengo entra pela rampa do Bellini, a do Vasco pela Uerj, a do Fluminense pela Uerj - menos contra o Vasco, a do Botafogo vai de Bellini - menos contra o Flamengo). Isso para não falar nos absurdos todos que permeiam o discurso infeliz - e que eu me nego a rebater, pelo simples fato de serem eles todos insustentáveis.

Faço apenas o registro, agora para cumprir o papel desse post, de que nada disso que aí está terá efeito prático. As torcidas se comportarão da maneira como sempre se comportaram (ainda que haja algum tipo de repressão no início), vai se torcer de pé (quero só ver algum desses stewards de merda entrando no meio da FJV para determinar o contrário), bandeiras lá estarão, ficar com ou sem camisa será uma decisão de cada um e as torcidas, por decentes que são, ficarão cada qual do seu lado, separadas e sem contato com os rivais.

Porque são elas - e não um pobre diabo chamado João Borba - que sustentam o futebol. São elas que enchem as arquibancadas duas vezes por semana, nos bons e nos maus momentos. São elas que vivem o futebol para valer.

São elas, e não o público domesticado e afetado que pode, durante um mês de Copa do Mundo, se prestar ao ridículo papel de seguir a conduta estipulada pelos velhotes da Fifa.

Não há o que temer, senhores. Toda e qualquer tentativa de elitização, domesticação e higienização vai esbarrar no fato de que o público do futebol não é composto pelos consumidores apregoados por Borba, mas por torcedores que vivem o futebol como ele deve ser.

Para fechar, senhores, eu não resisto e me sinto meio que no dever de compartilhar uma última frase proferida pelo pobre diabo que atende pelo nome de João Borba. Vejamos: "Vamos conversar com os clubes para a mudança de hábitos. Me refiro a bambus, aos surdões, assistir aos jogos em pé. O bambu não tem nem onde ficar"

Se me permite, Borba, eu devo dizer que o Maracanã existe há mais de seis décadas e as bandeiras com mastro de bambu, por exemplo, fazem parte dos costumes e da rotina da arquibancada desde sempre. O bambu nunca foi problema. Agora, se você está preocupado com o lugar onde vai ficar o bambu nesses "tempos modernos", te digo que já teve gente que se deu muito mal com isso...

14 julho 2013

Um time para a Copa do Brasil

Não tenho lá muito a acrescentar ao que vimos todos na noite de sexta no Pacaembu, a não ser o registro mais do que positivo para o bom público que se fez presente na cancha municipal. Porque era uma sexta à noite, em jogo da Série B, com ingresso a R$ 40 e, ainda assim, 22.488 pagaram ingresso (com público total superior a 24 mil).

Fora de campo, o que sempre tivemos: uma torcida disposta a empurrar qualquer amontoado que vista a camisa do Palmeiras. A novidade veio dentro de campo: parece que começamos a ter, bem aos poucos, um princípio de time. Falta muito ainda, há ajustes por fazer, mas ao menos podemos olhar agora a partir da arquibancada e ver um pouco de organização dentro de campo.

Se o tal ABC não é muito parâmetro para nada, jogos complicados virão pela frente e, o mais importante, o sorteio da Copa do Brasil pode nos colocar em uma chave mais ou menos complicada já na estreia - podemos tanto pegar qualquer coisa que venha de Santos, Flamengo, Cruzeiro, Internacional, Botafogo quanto algum dos pequenos ainda brigando por uma vaga...

E, se me permitem dizer, eu acredito que devemos focar agora em conquistar o máximo possível de pontos para ter uma gordura que nos permita, quando a Copa do Brasil chegar, poupar o elenco para o que efetivamente interessa: os oito jogos que nos separam deste tricampeonato.

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Foi meio na surdina, mas a CBF desmembrou algumas das nossas próximas rodadas na Série B. Agora já temos dias e horários confirmados para os seguintes jogos:

20.07 sab 16h20 Figueirense/SC-Palmeiras
27.07 sab 16h20 Guaratinguetá/SP-Palmeiras
30.07 ter 21h50 Palmeiras-Icasa/CE
02.08 sex 19h30 Palmeiras-Bragantino/SP
06.08 ter 19h30 São Caetano/SP-Palmeiras
10.08 sab 16h20 Palmeiras-Paraná Clube/PR
13.08 ter 21h50 Joinville/SC-Palmeiras

A partir da 16ª rodada, o detalhamento não está disponível.

De resto, parece que o horário das 19h30 durante a semana vai se repetir muitas e muitas vezes. O que eu não consigo entender é porque, em uma mesma semana, teremos de ir a campo (no Pacaembu) em uma terça às 21h50 e depois em uma sexta às 19h30.

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O bravo João Malaia, do Arquibancada Palestrina, trouxe na última sexta-feira uma mais do que relevante análise sobre as médias de público do Palmeiras em SP e no interior. Fica aqui a recomendação.

12 julho 2013

Uma sexta-feira qualquer

Sexta-feira à noite. O Palmeiras vai a campo.

Não é o dia mais comum para a prática do futebol, mas o passado (nem tão) recente ficou marcado por algumas inesquecíveis noites de sexta-feira. Para justificar o título (os cinéfilos entenderão), queria ficar apenas com uma dessas tantas sextas-feiras, mas há pelo menos duas que precisam ser lembradas:

21.05.1999, 6ª feira, 21h40 - Copa do Brasil/1999
Palmeiras 4-2 Flamengo/RJ - Palestra, 30.000



O vídeo acima fala melhor do que qualquer relato sobre o que foi aquela noite de 21 de maio de 1999. Para tudo fazer mais sentido e para entender o porquê de um jogo decisivo numa sexta-feira à noite, deixo-os com a sequência dos jogos disputados pelo Palmeiras entre os meses de maio e junho de 1999:

05.05.1999, 4ª feira: Palmeiras 2-0 SCCP/SP - Libertadores
07.05.1999, 6ª feira: Rio Branco/SP 2-3 Palmeiras - Paulista
09.05.1999, domingo: SPFW/SP 5-1 Palmeiras - Paulista
12.05.1999, 4ª feira: SCCP 2(2)-0(4) Palmeiras - Libertadores
14.05.1999, 6ª feira: Flamengo/RJ 2-1 Palmeiras - Copa do Brasil
16.05.1999, domingo: Palmeiras 4-1 Internacional/SP - Paulista
19.05.1999, 4ª feira: River Plate/ARG 1-0 Palmeiras - Libertadores
21.05.1999, 6ª feira: Palmeiras 4-2 Flamengo/RJ - Copa do Brasil
23.05.1999, domingo: Matonense/SP 0-2 Palmeiras - Paulista
26.05.1999, 4ª feira: Palmeiras 3-0 River Plate/ARG - Libertadores
28.05.1999, 6ª feira: Palmeiras 1-1 Botafogo/RJ - Copa do Brasil
30.05.1999, domingo: Palmeiras 4-3 Portuguesa/SP - Paulista
02.06.1999, 4ª feira: Deportivo Cali/COL 1-0 Palmeiras - Libertadores
05.06.1999, sábado: Santos/SP 2-1 Palmeiras - Paulista
08.06.1999, 3ª feira: Palmeiras 2-1 Santos/SP - Paulista
11.06.1999, 6ª feira: Botafogo/RJ 1(4)-1(2) Palmeiras - Copa do BR
13.06.1999, domingo: SCCP/SP 3-0 Palmeiras - Paulista
16.06.1999, final da Libertadores...

Notem os senhores que a arrancada para o título acontece exatamente a partir deste duelo contra o Flamengo. E tão importante quanto lembrar todas as reviravoltas daquele inesquecível 4-2 é o fato de termos buscado no Maracanã, ainda no jogo de ida, o gol que nos permitiria viver esses momentos inesquecíveis. Jogo de ida, uma sexta-feira antes, Flamengo/RJ 2-1 Palmeiras:
1-0: Caio (Flamengo), 32' do 2º (sim, é o comentarista)
2-0: Romário (Flamengo), 41' do 2º
2-1: Paulo Nunes (Palmeiras), 46' do 2º

O time que bateu o Flamengo no Palestra foi este: Marcos; Arce (Euller), Roque Jr., Agnaldo e Júnior; Rogério, Sampaio (Evair), Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oséas (Galeano). Luiz Felipe Scolari.

A contagem dos gols:
0-1: Rodrigo Mendes (Flamengo), 1' do 1º
1-1: Oséas (Palmeiras), 12' do 2º
1-2: Rodrigo Mendes (Flamengo), 14' do 2º
2-2: Júnior (Palmeiras), 15' do 2º
3-2: Euller (Palmeiras), 41' do 2º
4-2: Euller (Palmeiras), 44' do 2º

Para quem tiver mais tempo disponível, recomendo o "Jogos para Sempre", programa do Sportv sobre este Palmeiras 4-2 Flamengo. Aqui. Para quem tiver ainda mais tempo, a íntegra do jogo.

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22.10.1999, 6ª feira, 21h40 - Copa Mercosul
Palmeiras 7-3 Cruzeiro/MG - Palestra, 8.293



Este foi o jogo de ida da 2ª fase da Copa Mercosul. Depois dos 7-3 em casa, o Palmeiras perdeu por 0-2 em Minas e garantiu a vaga para a semifinal (quando bateu o San Lorenzo).

O time: Marcos; Zé Maria (Euller), Roque Jr., Galeano e Júnior; Rogério, Sampaio, Alex (Tiago) e Zinho; Paulo Nunes e Oséas (Evair). Luiz Felipe Scolari.

Gol a gol:
1-0: Paulo Nunes (Palmeiras), 10 seg. do 1º
1-1: Isaías (Cruzeiro), 17' do 1º
1-2: Ricardinho (Cruzeiro), 27' do 1º
2-2: Evair (Palmeiras), 13' do 2º
3-2: Alex (Palmeiras), 31' do 2º
4-2: Evair (Palmeiras), 34' do 2º
4-3: Marcelo Ramos (Cruzeiro), 39' do 2º
5-3: Euller (Palmeiras), 41' do 2º
6-3: Paulo Nunes (Palmeiras), 47' do 2º
7-3: Euller (Palmeiras), 48' do 2º

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_Vale lembrar que esses duelos às sextas-feiras eram muito comuns naqueles inesquecíveis anos 1990. Jogava-se muito, quase sem folga, uma vez que os campeonatos se atropelavam de um jeito quase insustentável. Times como o Palmeiras podiam entrar em campo quase 100 vezes em uma única temporada. Em 2000, por exemplo, foram 92 jogos oficiais: Rio-SP (10), Paulista (18), Copa do Brasil (4), Libertadores (14), Copa dos Campeões (5), Brasileiro/João Havelange (28) e Mercosul (13).

_Como as tabelas não eram lá muito inteligentes, era comum que o time fosse a campo três vezes em uma mesma semana: terça, quinta e domingo ou quarta, sexta e domingo. Houve casos até de quatro jogos em uma semana: domingo, terça, quinta e sábado.

11 julho 2013

Copa do Brasil/2012












Sei que faz muito pouco tempo, mas é que hoje faz sentido reviver a campanha que nos levou ao título da Copa do Brasil de 2012. Olhando para o passado com os referenciais de hoje, pode até bater um questionamento: será que o Palmeiras só caiu no Brasileiro por causa desse título? Difícil responder. Como é difícil responder também se trocaríamos uma coisa pela outra. Fato é que hoje completamos um ano de um título que é tão improvável quanto boa parte dos fracassos recentes do alviverde imponente.

Como se trata de algo bem recente na memória do torcedor, não vou aqui entrar nos pormenores. Vamos basicamente com a campanha:

1ª fase
Coruripe/AL 0-1 Palmeiras [Barcos]
Palmeiras 3-0 Coruripe/AL [Assunção, Barcos e Juninho]
O 1-0 da ida teve gosto amargo (não conseguimos evitar o jogo de volta), mas fez algum sentido depois da segunda partida. Afinal, a conquista de 1998 começou do mesmo jeito: confronto contra um time de Alagoas (o CSA) e vitórias por 1-0 (fora) e 3-0 (em casa). 

2ª fase
Horizonte/CE 1-3 Palmeiras [Leandro Amaro (2) e Maikon Leite]
Mais uma boa coincidência: em 1998, enfrentamos outro time cearense (o Ceará) na segunda fase.

Oitavas-de-final
Paraná/PR 1-2 Palmeiras [Assunção e Henrique]
Palmeiras 4-0 Paraná/PR [Mazinho (2), Valdivia e Maikon Leite]
Tranquilidade absoluta, com vitórias em casa e fora.

Quartas-de-final
Atlético/PR 2-2 Palmeiras [Barcos e Maikon Leite]
Palmeiras 2-0 Atlético/PR [Luan e Henrique]
Em Curitiba, o Palmeiras foi muito prejudicado pela arbitragem. Ainda assim, buscou um bom empate com gols. Na volta, em Barueri, jogo duro e vitória bastante consciente, na medida certa: 2-0 e a vaga na semifinal garantida. 

Semifinal
Grêmio/RS 0-2 Palmeiras [Mazinho e Barcos]
Palmeiras 1-1 Grêmio/RS [Valdivia]
O ponto alto da trajetória foi, sem dúvida, a vitória em Porto Alegre. Porque o time do Grêmio era superior e, mesmo diante da enorme pressão do estádio Olímpico, o Palmeiras de Felipão foi taticamente perfeito, para então buscar a vantagem com dois gols nos minutos finais. Na volta, noite de caos entre São Paulo e Barueri – no auge da demonstração de como a opção pelo estádio-sem-time não poderia nunca receber esse tipo de partida. A torcida sofreu como nunca, muitos não puderam entrar no estádio, choveu até não mais poder e o Palmeiras, com o regulamento debaixo do braço, arrancou a classificação com um empate suado: 1-1. Antes do gol de Valdivia, no entanto, o palmeirense viveu minutos de pânico na Arena Barueri: “será que vamos entregar de novo?”. Não, dessa vez não.

Final
Palmeiras 2-0 Coritiba/PR [Valdivia e Thiago Heleno]
Coritiba/PR 1-1 Palmeiras [Betinho]
O time do Palmeiras, que já era ruim, foi se esfacelando e perdendo peças importantes. O camisa 9 28 teve uma crise de apendicite no dia da final e se somou aos tantos desfalques do time para a decisão. Em campo, com casa cheia, o Verdão se superou, teve doses elevadas de sorte a alcançou um 2-0 que o deixava em condição muito favorável para o jogo de Curitiba. No dia da glória de 11 de julho de 2012, diante de um Couto Pereira repleto (com direito a quase 8 mil palmeirenses), o Campeão do Século XX mostrou sua força: com um time fraquíssimo, ainda mais desfalcado do que na primeira partida, cozinhou o Coritiba, jogou como gente grande e, após um deslize que o fez sair atrás no marcador, foi buscar o empate salvador em um cabeceio de um herói improvável: Betinho. Pronto. Título conquistado, fantasma de 2011 (maldito 0-6) exorcizado e vaga garantida na Libertadores do ano seguinte.

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-Fica até difícil escalar o Palmeiras/2012 de "1" a "11". Porque, além de fraco, era um time que não parava em pé, com seguidas contusões, chegadas e saídas que o desfiguravam por completo. Felipão teve ali um lampejo de Felipão, conduzindo ao título (invicto!) um elenco dos mais frágeis e azarados. A sorte que nos faltava veio exatamente na final, diante de um Coritiba que era superior e que fez por merecer um resultado melhor no jogo de ida. O que aconteceu no jogo de volta foi apenas consequência.

-Barueri, um lugar cujas deficiências se fizeram evidentes em todos os duelos mais decisivos desta Copa do Brasil, teve seu nome inscrito na história alviverde graças a essa Copa do Brasil. Afinal, à exceção do primeiro jogo (em Jundiaí), o Palmeiras mandou todos os seus jogos na Arena Barueri. A campanha como mandante é digna de registro: 5 jogos, 4 vitórias e 1 empate; 12 gols pró e 1 gol contra.

09 julho 2013

Rio-SP/2000













Às vezes (não poucas), não é tanto a importância prática de um título (a projeção alcançada, as receitas que ele traz, para onde leva) que determina o seu espaço na memória afetiva do torcedor. Há outros tantos elementos impactantes, de tal forma que mesmo uma conquista de menor apelo histórico pode ser tida como inesquecível. Levemos em consideração, por exemplo, o Torneio Rio-SP de 2000.

Antes de tudo, cabe questionar: qual é hoje o valor pragmático de um Torneio Rio-São Paulo?

Resposta: praticamente nenhum.

Pois era este o peso da disputa entre cariocas e paulistas no final da década de 1990. Porque, vejam os senhores, o torneio foi disputado de maneira randômica entre 1933 e 1940 e ininterruptamente de 1950 a 1966, tendo à época enorme relevância (não existia ainda o Brasileirão) e o Palmeiras como maior campeão, para então ser ressuscitado em 1993 (com título alviverde, claro). Houve nova pausa e então os clubes do eixo Rio-SP voltaram a se enfrentar no início de temporada entre os anos de 1997 e 2002 - e foi só.

Tamanha era a importância conferida ao Rio-SP nesses novos tempos que os pés-com-areia venceram a edição de 1997 (contra o Flamengo, no Rio, com Madureira no banco e gol de Marcos Assunção), mas ninguém considerou que eles tivessem saído da fila - que persistia desde 1984 e só chegaria ao fim efetivamente no Brasileiro/2002.

Isso posto, cabe considerar a situação em que se encontrava o Palmeiras em janeiro de 2000. Vejamos o time-base: Marcos; Arce, Argel, Roque Jr. e Júnior; Sampaio, Rogério, Galeano e Alex; Euller e Pena. No banco, Asprilla. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

À luz dos nossos dias, o que pensam?

...

Bom, pois a torcida protestava naquele janeiro de 2000 como poucas vezes fizera antes. A começar pelas contestações da maior organizada ao técnico Felipão (que erro, que erro...). De quebra, o time abria a temporada com apenas 15 profissionais à disposição (os 11 titulares mais quatro no banco).

Era reflexo da debandada ocorrida no final de 1999: de uma só vez saíram Evair, Oséas, Paulo Nunes, Zinho, Júnior Baiano, Cléber, Rivarola e Zé Maria. Começava a era do “bom e barato”, com a iminente saída da Parmalat e com o presidente Mustafá Contursi jogando contra (Edmundo, brigado no Vasco, queria voltar, mas o maldito vetou). Em sendo assim, o principal reforço para a temporada foi Basílio, então com 27 anos e já careca, vindo do Coritiba. Com ele, chegou também o zagueiro Índio.

Campeão da Libertadores/1999, o alviverde começava o ano seguinte atormentado por uma série de ocorrências:
-30/11/1999: Manchester United/ING 1-0 Palmeiras
-20/12/1999: Palmeiras 3-3 Flamengo/RJ; o bicampeonato da Copa Mercosul escapou com um gol nos minutos finais. Mais um insucesso na conta da arbitragem.
-14/01/2000: os gambás vencem o Torneio de Verão da Traffic.

Para completar, o time ia a campo com uma das camisas mais horríveis de sua história, com diferentes tons de verde (?) em faixas inexplicáveis.

Vamos ao que interessa:

Torneio Rio-SP/2000

1ª fase - Grupo B

Vasco/RJ 3-3 Palmeiras - São Januário, 3.120
Na estreia, empate heroico no Rio (o time praticamente não tinha banco de reservas). Romário marcou duas vezes e Viola completou para o time da casa. O Vasco esteve três vezes na frente, mas o Palmeiras foi buscar a igualdade sempre: dois gols de Pena e um contra de Odvan - já nos descontos.



SCCP/SP 2-1 Palmeiras - Pacaembu, 5.680
Uma noite tenebrosa na cancha municipal. Quarta à noite, chuva, tudo vazio ali pela zona oeste, jogo contra o time reserva dos gambás. Lembro-me de descer no ponto da estação Clínicas (fui de Pompéia 478P/10) e seguir até o tobogã praticamente sem ninguém na Major Natanael. Em um cenário desolador, pouco mais de 5 mil pessoas deram as caras para acompanhar o primeiro dérbi dos muitos que viriam naquele ano. A torcida dos gambás comemorava a fraude que foi aquele Torneio de Verão da Traffic - e, claro, tivemos de ouvir alguns absurdos. Levamos o primeiro gol de um certo Augusto, lateral-esquerdo amaldiçoado pelos caras. Euller foi buscar o empate, mas Fernando Baiano decretou a vitória dos gambás. Tudo na etapa inicial. Depois, Euller até empatou, mas o árbitro anulou.

Palmeiras 6-2 Fluminense/RJ - Palestra, 9.320
Intervalo no Palestra: Palmeiras 0-2 Fluminense, gols da dupla Roni e Magno Alves. Caminhando para fechar o turno com um ponto em três jogos, o alviverde praticamente se despedida da competição. A torcida protestou de maneira irascível: pela derrota em si e pela insatisfação com os rumos do clube. Foram 15 minutos infernais na arquibancada e, claro, nas numeradas. Eis que o time voltou a campo para, com seis minutos de jogo, buscar uma virada inacreditável: dois gols de Euller e um de Asprilla. Já nos instantes finais, outros três gols: mais dois de Euller (que fez quatro ao todo) e outro de Basílio. Os protestos no intervalo, no entanto, deixaram cicatrizes na relação entre Felipão e Mancha Verde.



Palmeiras 2-1 Vasco/RJ - Palestra, 15.787 pagantes
Vitória consistente no Palestra. Romário, claro, marcou para o clube da Cruz de Malta; Basílio e Asprilla fizeram os nossos. Foi a estreia do terrível terceiro uniforme, que motivou protestos da torcida (que também se rebelou contra a Parmalat). No Vasco, Edmundo brigou com Romário e foi substituído, deixando o estádio mais cedo; foi, é claro, aplaudido pela torcida. Seu retorno ao ficou perto de acontecer; mas tínhamos um certo Mustafá Contursi na presidência.

Palmeiras 3-1 SCCP/SP - Jd. Leonor, 6.327
O segundo dérbi do ano foi visto também por pouca gente, com maioria alviverde. Choveu muito. Muito mesmo. O mais difícil foi o trajeto até o Jd. Leonor naquela quarta-feira à noite com trânsito infernal em SP. Se bem me lembro, peguei o bom e velho Jd. Irene (5119), hoje Terminal Capelinha, para chegar cedo. Tão cedo que praticamente não havia ninguém nas imediações; apenas alguns manchas ali nas barraquinhas de pernil que costumavam ficar entre a Padre Lebret e a Jules Rimet, em frente ao portão 6. Os gambás desciam lá do Palácio do Governo e as brigas se sucediam. Foram muitas, incontáveis - e a PM só acompanhava. Em campo, Alex marcou três vezes e garantiu a vitória, a classificação com uma rodada de antecedência e a eliminação dos gambás; o Vasco também assegurou a vaga na semifinal ao bater o Fluminense por 1 a 0 no outro jogo da rodada. Na volta, tarde da noite, bandos de manchas amontoados na avenida Morumbi, à espera de ônibus que demoraram horas para passar...



Fluminense/RJ 0-2 Palmeiras - Maracanã, 4.229
Em jogo para cumprir tabela - e para garantir a liderança do grupo -, vitória no Maracanã com gols de Arce e Juliano.

Ao final de seis rodadas, tivemos o seguinte:

Grupo A
1. SPFW: 12 (C)
2. Botafogo: 10 (C)
3. Flamengo: 8
4. Santos: 4

Grupo B
1. Palmeiras: 13 (C)
2. Vasco: 11 (C)
3. SCCP: 7
4. Fluminense: 3

Semifinal

Botafogo/RJ 0-0 Palmeiras - Maracanã, 18.687
Empate sem gols, bom resultado. Mas a semana ficou marcada mesmo por um manifesto divulgado alguns dias antes, pela Mancha Verde, contra o técnico Luiz Felipe Scolari.

Palmeiras 3-1 Botafogo/RJ - Palestra, 12.007
Com gols de Sampaio, Euller e Alex, o Palmeiras passa fácil pelo Botafogo e avança para a grande decisão. Do outro lado, o Vasco massacrou os bichas: 3-0 no Jd. Leonor (ida) e 2-1 no Rio (volta).

Final

Vasco/RJ 1-2 Palmeiras - Maracanã, 23.484
O Baixinho, é evidente, marcou o gol do Vasco. Mas os comandados de Felipão jogaram muita bola e Sampaio e Pena decretaram a virada palmeirense no Maior do Mundo.

Palmeiras 4-0 Vasco/RJ - Jd. Leonor, 42.505
Jd. Leonor, 1º de março, a redenção. Com uma das atuações mais perfeitas de um time do Palmeiras em um único tempo de jogo, o Palmeiras abriu 4 a 0 (um golaço de Pena e mais Argel, Euller e Arce) e assegurou o título sem a menor dificuldade. Vejam: o nosso time, desacreditado, desentrosado e sem sobras, humilhou (6-1 nos 2 jogos) um Vasco que tinha Romário, Edmundo e Juninho Pernambucano. Foi o quinto título do Palmeiras na história do Torneio Rio-São Paulo - ninguém ganhou mais do que o Verdão.


*O gol de Pena, o primeiro, foi um dos mais lindos que eu já vi em um estádio. Um pouco pela tabela, mas essencialmente pela maneira como o camisa 9 bate na bola e pela velocidade que ela toma.

Curiosidades:

-Campanha geral: 10 jogos, 7 vitórias, 2 empates e 1 derrota; 26 gols pró e 11 gols contra.

-O Palmeiras jogou quatro vezes no Rio: venceu duas e empatou outras duas. No Palestra, três vitórias em três jogos. No Jd. Leonor, duas vitórias. No Pacaembu, a única derrota.

06 julho 2013

Quem paga o prejuízo?



















Quis o nobre mandatário que o Palmeiras fosse a campo no vilarejo perdido que é a tara de três entre três dirigentes recentes do alviverde desta capital.

Não, não foi uma decisão de ordem técnica - a julgar pelo estado do gramado, esse fator nem esteve no radar. Nem mesmo foi uma decisão de ordem financeira - ou os 7.542 pagantes representam alguma vantagem em relação ao público médio de Itu (em condições piores, ressalte-se)? Tampouco, por fim, se tratou de uma decisão pensada para agradar a torcida - o público de sempre, aquele da capital e adjacências, foi preterido sem que outro fosse beneficiado.

Ou seja: exceção feita ao prefeitinho do vilarejo - até quando vamos aguentar esse puto? - e eventualmente aos donos dos dois hotéis locais, ninguém ficou satisfeito com a medida. Nem mesmo os habitantes daquela região já tão saturada de jogos.

7.542 pagantes, senhores. Fosse o jogo em Itu, com a torcida da capital sem ver o time em campo há quase um mês e em um sábado à tarde com ingresso a R$ 30, era jogo para casa cheia. Se jogássemos em Londrina/PR, era jogo para 25 mil. Em Franca, 18 mil. Como era para 15 mil se fôssemos a campo em Ribeirão, Sorocaba, Jaú, Limeira, São José dos Campos ou qualquer outra das muitas cidades do interior paulista que não recebem o Palmeiras há muitos anos.

Não é surpresa alguma o pequeno público que se fez presente ao estádio em Presidente Prudente/MS. Bastava acompanhar o retrospecto recente (que também faz parte do estudo que eu mencionei aqui) para chegar a essa conclusão. E só era necessário ter um mínimo de boa vontade para olhar para todas as opções que já estavam colocadas desde o final do ano passado para tomar uma decisão que fosse benéfica para o clube, para os jogadores e para a torcida do Palmeiras.

Nada disso foi feito, senhores. A dupla presidente/CEO preferiu, sabe-se lá por quais motivos, adotar a mesma postura preguiçosa, omissa e covarde da gestão anterior. Brunoro e Nobre mantiveram o compromisso com o erro que pautou os dois anos de Tirone/Frizzo.

O Palmeiras tinha uma oportunidade enorme de fazer receita, estreitar os laços com parte da torcida que está distante e mesmo reforçar o seu programa de sócio-torcedor junto a novos públicos.

A oportunidade foi jogada no lixo. E isso não se deu por falta de tempo, de aviso ou de ajuda (da própria torcida). Foi por descaso mesmo. Foi pelo distanciamento (proposital) que existe entre dirigentes e torcedores. Foi por preguiça, por covardia e sabe-se lá por que motivos mais.

A dupla de "planejadores" hoje à frente do alviverde imponente adora o discurso da "falta de dinheiro". Pois havia uma oportunidade enorme de fazer dinheiro e ela foi jogada no lixo.

Se isso não é ser desonesto com a Sociedade Esportiva Palmeiras, eu não sei mais o que é...

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AINDA SOBRE "DESONESTIDADE"

_Muita gente que vai a todos os jogos e viaja atrás do clube não pôde (até por uma questão de sanidade), ir até Prudente/MS. Para boa parte, não foi possível nem mesmo acompanhar o jogo pela TV. Se isso não é desonestidade com o torcedor "de sempre", eu não sei mais o que é...

_Se colocar o time para jogar em um gramado daqueles não é desonestidade com os jogadores, eu não sei mais o que é...

_Se a tara com Presidente Prudente/MS não é desonestidade com os palmeirenses de todas as demais regiões do interior (algumas das quais não recebem jogos do Palmeiras há quase 20 anos), eu não sei mais o que é...

_É impressionante o tanto de nego que perde as estribeiras quando você faz alguma crítica à atual gestão do clube. Recebi na última semana incontáveis mensagens desse tipo de gente. O tom dos comentários costuma ser ainda pior do que o de torcedores rivais. Diz muito sobre a gente que cerca Nobre. Eu só quero dizer que os que compactuam com decisões como essa de Prudente/MS são igualmente desonestos. Cada um que fique com a sua consciência.

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A foto que abre o post é do Samora, um dos poucos amigos que teve coragem de perder um dia inteiro de vida na interminável viagem daqui até o inferno que é Presidente Prudente/MS. Eu, que lá estive sete vezes nos últimos três anos, me enchi o saco dessa vez. Parabéns para Nobre e Brunoro, conseguindo afastar do estádio gente que não mede esforços para ver o Palmeiras em campo...

Agradeço ao Samora pela foto e pela disposição de seguir viagem. Como agradeço também a todos os outros palestrinos que foram buscar essa vitória. Valeu!

03 julho 2013

Uma rivalidade e um pouco de história

"Pula a fogueira iô iô
Pula a fogueira iá iá
Cuidado para não se queimar
Porque a Mancha Verde já queimou a Raça Fla
A Raça Fla amanheceu pegando fogo
Fogo
Fogo
Foi a Mancha Verde que passou perto de mim
E que me deixou assim"

A rivalidade entre Palmeiras e Flamengo é possivelmente a mais forte que existe no Brasil entre dois times de estados diferentes (mais do que SCCP x Vasco, que talvez seja a segunda). Há inúmeras razões para isso, mas não quero aqui me dedicar tanto a isso.

A música que abre o post é cantada pela nossa torcida "desde sempre", mas são poucos os que efetivamente entendem do que se trata ou mesmo qual é a sua origem.

Hoje, 3 de julho de 2013, completam-se 20 anos do dia em que nasceu a música que é entoada antes, durante e depois de todos os encontros entre os rivais. Eis aqui a história, em matérias da Folha de S.Paulo e do Estado de S. Paulo de 5 de julho de 1993:






































Sim, vai aparecer algum babaca para dizer que eu estou incitando a violência ou qualquer coisa do tipo. Daí que eu já vou me antecipar: lamento por essa situação toda, mas ela faz parte da história, e a história precisa ser contada (inclusive para que ela não se repita).

Até por razões de ordem pessoal, eu nem poderia ser a favor de uma situação dessas: já passei por apuros em caravanas para o Rio, para BH, para o Sul e para outros tantos lugares. E logo a minha última viagem de ônibus com a Mancha, em 2007, foi aquela em que os nossos 13 ônibus (voltando do Flamengo 2-4 Palmeiras que abriu o Brasileiro daquele ano) foram perseguidos por dois carros entre Seropédica e o primeiro pedágio da Dutra. Foram dezenas de tiros, um palmeirense gravemente ferido, e uma dessas tantas balas disparadas contra o nosso ônibus ficou alojada no ônibus, pouco abaixo do lugar onde eu estava sentado.

Até hoje não se sabe se fomos perseguidos por torcedores do Flamengo ou do Botafogo (a rivalidade com a Fúria estava no auge). Só sei que foi minha última caravana com a Mancha.

Enfim, é tudo história...

02 julho 2013

Que volte o futebol

Daí então que as pessoas vêm querer saber a minha opinião sobre tudo isso que se passou no fim de semana (e nos últimos 15 dias, no sentido mais amplo) e eu não sei bem o que dizer - ou sei até além da conta, mas prefiro ficar na minha.

Se é para fazer algum pronunciamento, seria algo assim:

À exceção dos jogos da Italia, eu vi muito pouco, quase nada, dessa tal Copa das Confederações. Do time de amarelo, ainda menos. Não por nada, senhores, mas apenas e tão somente porque nutro pela seleção um desprezo que me impede de a ela dedicar qualquer tipo de atenção. Sequer vi a final. Em sendo assim, não tenho muito a dizer além dos fatores extracampo e, em um sentido ainda mais amplo, me permito resumir tudo em uma frase que venho repetindo desde 2007: a Copa do Mundo de 2014 é o atestado de óbito do futebol brasileiro.

Se era para travar algum contato, por mínimo que fosse, com essa tal seleção brasileira, decidi fazer isso do pior jeito possível: o Jornal Nacional. Sim, assisti ontem ao telejornal da emissora câncer. Estático. Impassível. Sem esboçar qualquer reação. Apenas para absorver tudo aquilo que vomitaram algumas das figuras mais abjetas que hoje povoam o nosso jornalismo.

Sinto-me incapaz de transpor para cá tudo o que vi. Aliás, a maior parte já se esvaiu por completo, ficando na minha memória alguns fragmentos soltos. Por exemplo: comprovando aquilo que eu escrevi aqui, parece que os velhos malditos da Fifa reclamaram da limpeza dos banheiros. Era evidente. Como parece também, a julgar pelas imagens a que tive acesso, que não havia qualquer sinal de populares na estrutura onde antes existia o Maracanã. Como não havia torcida propriamente dita, com toda uma massa disforme e acéfala preocupada apenas e tão somente em aparecer no telão ou em fazer boas fotos para depois entulhar as redes sociais.

Depois, apareceu Galvão Bueno (um monstro inigualável do ponto de vista técnico, um completo imbecil sob todos os outros pontos de vista) declamando um texto todo torto sobre reencontro entre time (a seleção) e torcida (o povo?) – não consegui absorver nada daquilo, me desculpem. Lembro apenas que faltou uma trilha sonora na linha “com muito orgulho, com muito amor”. Seguiu-se todo aquele carnaval global, querendo imprimir ao torneio um tom épico que, me desculpem novamente, não se justifica.

Mas a coisa toda precisava ter um desfecho à altura. E foi então que a Rede Globo mandou ver um clipe de imagens bonitinhas (torcedores sorrindo, todos em seus lugares numerados, papel laminado voando para lá e para cá) em HD para ilustrar um texto - que vocês podem conferir aqui - defendendo que o estádio permanece o mesmo, apenas mais moderno. O texto, vejam os senhores, tem a desfaçatez de falar em "alma". Pois foi exatamente isso o que tomaram do bom e velho Maracanã - e a Rede Globo, cabe dizer, é não apenas cúmplice, mas também co-autora do assassinato.

E depois tem nego que ainda vem me perguntar porque eu não compactuo com isso tudo que aí está...

Que volte agora o futebol de verdade. Porque os putos que se fazem passar por torcedores só vão aparecer de novo daqui a um ano.

01 julho 2013

Turiassu, 1840 (18)

















*por André Roxa de Souza

Domingo, 14h.

O caminho é sempre o mesmo... Qualquer onibus até o Metrô. Lá, cada vagão é uma conta de quantas camisetas verdes passam no sentido da Barra Funda! Entro no último vagão. Os coxinhas do Metrô vão me mandar para lá uma hora ou outra, então já me adianto e vou pro lugar de torcedor.

Estação por estação e o ritual é o mesmo: o trem para, abre as portas, coloco a cabeça para fora, olho quantas camisetas verdes entram, procuro bambis e gambás para olhar feio, volto para dentro, fico de pé até a próxima estação.

Chego na Barra Funda! Quintal de casa! O fluxo de palmeirenses já é enorme. “Caralho, será que é tarde?”. Desço a escada rolante e escuto o primeiro “Quer ingresso?” do dia. “Cambista filho da puta”, penso comigo.

A sequência é sempre a mesma: cambista (o filho da puta), uma barraca de doces, uma barraca de churrasco, tiazinha vendendo bebida (incluindo aquele vinho de 3 reais), mais bandeiras e camisetas falsas. 

Chego perto do West Plaza e vem a decisão mais dificil da minha vida: “Tá em cima da hora... corro, vou pela Matarazzo e entro mais fácil, ou sigo no sentido Turiassu, tomo uma cerveja e entro por lá mesmo?” Corro e vou sentido Turiassu, ainda dá pra entrar a tempo!

Chego na Turiassu e lembro porque sempre faço a escolha de entrar por lá! Palmeirenses de todos os tipos, idades, cores...

A melhor cena que eu tenho de toda minha vida de estádio é virar a Turiassu, e ver aquele mar verde e branco. Gente falando mal da diretoria, gente lembrando outros jogos na nossa cancha, crianças vivendo o espirito do futebol. Gente bebendo, gente confraternizando, gente que está ali e não se conhece...

Foi na Turiassu que conheci alguns dos meus melhores amigos. Foi na Turiassu que eu vivi as melhores histórias da minha vida. E foi na Turiassu que eu aprendi que quem vê o jogo pela televisão nunca vai viver o futebol, vai ser um mero espectador!

Cabe a nós, verdadeiros torcedores, lembrar que, por maior que seja a Arena, o espirito do palmeirense está na Turiassu, em cada bar, em cada sanduíche de pernil (in memorian; maldito Kassab), em cada palmeirense que ali está...

A Turiassu vive!

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*texto do André Roxa de Souza

*A foto que ilustra o post não é das melhores e está em baixa resolução, mas foi a única que eu encontrei. Portanto, caso alguém tenha uma imagem melhor fazendo referência à estação Palmeiras Barra Funda, peço que me envie e eu faço a troca.