29 abril 2013

Estádio Palestra Itália












O estádio do Palmeiras já tem nome há 80 anos: Palestra Italia.

Não é preciso ser historiador – eu até gostaria de ser – para saber que nomes não se podem impor. Exceção feita àqueles de origem, nomes são outorgados pela sabedoria popular, com o passar de muitos e muitos anos. Vai daí que muitos de nosso bairros e municípios – e até do país, vejam só! – sejam conhecidos pela denominação indígena.

E é ainda mais notório que, em se tratando de estádios de futebol, boa parte dos nomes tenha relação direta com os bairros em que se situam. Não foi por imposição de quem quer que seja: isso se deu pelo hábito mesmo. Porque o Paulo Machado de Carvalho, por exemplo, só se fez Pacaembu porque as pessoas se referiam a ele como “o estádio do Pacaembu”. Assim se deu com o Jd. Leonor, com o Maracanã e com outros tantos. De certo modo, tem-se acesso à história quando se procura entender a origem dos nomes de logradouros públicos, de lugares e mesmo de instituições.

Há incontáveis casos por aí em que o nome “oficial” não diz muito. Ou, para usar outra expressão, “não pega”. Eu poderia enumerar aqui algumas dezenas de exemplos, só no universo de SP mesmo. Tentar impor um nome a um lugar é tarefa inglória. Pense aí em ruas que tiveram os nomes alterados e que, a despeito disso, continuam sendo chamadas como em décadas anteriores. Pense nas pontes cujas nomenclaturas foram revisadas por decreto, mas que seguem popularmente conhecidas pela nomenclatura tradicional – normalmente vinculada ao bairro.















O Palestra Italia é Palestra Italia e nada mais. Foi o nome a ele conferido em 1933, é o que se preservou até este 2013 e é desta forma que ele será conhecido daqui a mais 80 anos. O que restou além disso, o nome Parque Antarctica, faz referência também à história, neste caso do desenvolvimento industrial de São Paulo, e permanece em evidência porque consagrado pelo uso e pela cultura popular. Não necessariamente como alusão à Companhia Antarctica Paulista, mas ao parque anexo à cervejaria, criado por esta última para o lazer de seus funcionários.

O então Palestra Italia comprou o terreno da Cervejaria Antarctica, mas a marca se fez preservar como uma segunda (e afetiva) opção. Não raro, vinham da própria torcida as menções à nossa casa como “parque”. Em uma música dirigida aos visitantes, por exemplo: “Ê, ê, ê, aqui no Parque não tem jeito de correr/ E vai morrer!”.

De toda forma, também a memória da cidade preservou esta versão. As placas de trânsito de toda a região se referem à nossa casa como “Parque Antártica” – a avenida que passa ao largo do clube, por exemplo, virou Antártica (em referência à Antarctica) e, junto com ela, se modificou a grafia urbana do “parque”.
















Notem que, para contar isso tudo, devemos remontar ao final do século XIX - quando a Antarctica se instalou por lá, antes mesmo de o futebol chegar a estes confins. Porque é a história que dá sentido aos nomes. Isso não se constrói de uma hora para a outra, menos ainda por interesses mercadológicos. É algo que até se poderia ser feito em conjunto, no seu devido tempo, mas nunca por imposição.

A torcida continuará chamando o estádio Palestra Italia de... Palestra. Porque é este o seu nome desde os idos de 1933. E não se mudam 80 anos de história por força de estudos de branding, menos ainda pela vontade de executivos, tampouco por uma pesquisa na internet.

###

_Fotos do arquivo do grande mestre Ezequiel (site Palestrinos) e colaboração indispensável do igualmente grande Fernando Galuppo.

_A última imagem, claro, veio do Google Street View.

Resistência

Em poucas e necessárias palavras:

O Maracanã foi assassinado com requintes de crueldade e sem o menor pudor. Não contentes com o assassinato, os criminosos resolveram que era o caso de violar o cadáver. Fizeram isso no final de semana e, a julgar pelas notícias todas, seguirão fazendo isso pelos próximos meses - pobre Maracanã... Verdade mesmo é que cada notícia sobre Copa do Mundo/2014 representa um novo atestado de óbito – e eu avisei que seria assim.

Acontece, senhores, que os velhos da Fifa e toda a corja de cúmplices (dos mais maléficos, caso do tal Ronaldo, às pobres e desprezíveis marionetes) podem tentar o que for, mas o futebol haverá de resistir.

Funciona assim: se você tenta tratar o torcedor como idiota, ele vai revidar - e vai deixar bem evidente que a idiotice está em quem tenta impor a ele um "padrão de comportamento". Se você tenta domesticar o torcedor, ele vai resistir. Porque o futebol é tão mais grandioso que supera todas essas atrocidades que aí estão. A arquibancada sempre haverá de resistir.

###

Outra ponderação necessária: o que aconteceu ontem no Moisés Lucarelli (entre torcida e coxinhas), é culpa do policiamento. Porque eles criaram todo aquele clima já durante a semana, com as seguidas proibições impostas à torcida local.

28 abril 2013

Mais do mesmo
















O Santos FC não merece mesmo ser levado a sério, e o que vivemos ontem lá no amontoado de laje é a prova inconteste disso. Primeiro pelo absurdo já consumado antes mesmo do clássico, com 600 ingressos cedidos para a torcida rival em um clássico decisivo - e os pouco mais de 14 mil pagantes anunciados demonstram exatamente o tamanho do adversário. Depois pelo que tivemos em campo, com um time esfacelado como o nosso conseguindo levar a decisão para os pênaltis. Mas essencialmente pelo que se viu na arquibancada.

Nem vou me referir aos idiotas habituais, aqueles que ficam ali no setor destinado aos sócios. Esses não passam de pobres coitados, incapazes de se fazerem notar bem ali do lado. Tampouco vou dedicar muito tempo às organizadas, que passaram o jogo todo praticamente caladas, inoperantes, incapazes de fazer o time reagir diante da ousadia do visitante - é válido registrar o fato de o nosso time jogar todo o segundo tempo com três atacantes.

Pior mesmo foi perceber que o que encaramos no restante do estádio (?) - e até mesmo na TJS - é mais um fã-clube que uma torcida. "Neymar Jr., aqui você sempre será aplaudido", "Neymar Jr., a nação santista te ama", "Neymar Jr., todas as crianças te amam"... e assim por diante, com uma baboseira maior que a outra (a começar pelo "Jr."). Constrangedor, para dizer o mínimo.

Difícil acreditar, mas era esse o clima no amontoado de laje. Foi um dos espetáculos mais grotescos que eu já tive o desprazer de presenciar em um estádio de futebol. E a coisa toda só fez piorar mesmo com o tal moleque se jogando por qualquer coisa - com a complacência da arbitragem, é evidente.

Ao final, depois de muita luta, caímos. De pé, é verdade, mas isso não diz porra nenhuma. Porque caímos de novo. 

De nada adianta enaltecer o espírito de luta, o empenho e essa coisa toda - tudo isso tem um limite, como se pode observar pelos quatro empates em quatro clássicos no ano. Porque, a bem da verdade, se pareceram empolgantes os 30 minutos finais do clássico, é provável que tenha sido assim apenas para os 600 que lá estivemos - porque a nossa relação com o jogo é bem outra. Se o gol anotado nos minutos finais se insinuou épico ao menos até as penalidades, provavelmente só foi assim para nós. Para todos os demais e para a história, será apenas mais uma entre tantas eliminações.

A verdade é essa: pouco importa como foi. Apenas foi. A euforia que vivemos naqueles instantes entre a bola cruzada e o toque de cabeça para o fundo da rede vai ser apenas uma vaga lembrança. Tanto quanto serão a explosão pelo gol, os abraços e a euforia que só se sente na arquibancada. A história não se preocupa com isso... 

###

_A foto que abre o post, como não poderia deixar de ser, é do Gabriel Uchida (Foto Torcida).

_A disputa de pênaltis no gol do nosso lado apenas evidenciou a absurda situação de não conseguirmos enxergar a linha de fundo que fica bem abaixo do nosso setor. Uma proeza da engenharia.

26 abril 2013

Descendo a serra

Antes de descer a serra para a batalha à beira-mar, preciso fazer duas breves constatações:

-Considerando apenas os clássicos entre Palmeiras e Santos FC no amontoado de laje da Baixada, o alviverde tem mais vitórias que o alvinegro. Em outras palavras: o Palmeiras bate o Santos FC no confronto direto mesmo se levarmos em conta só os duelos como visitante - um time que é superado no confronto histórico dentro da sua própria casa não pode ser levado a sério.

-Ao sediar um clássico no amontoado de laje que eles chamam de estádio, os pés-com-areia têm a desfaçatez de oferecer à torcida visitante (de um time grande) míseros 600 (seiscentos) ingressos.

O tamanho dos dois clubes está aí. Pra cima dos pés-com-areia!

###

Sobre a venda de ingressos para este Santos-Palmeiras, recomendo o post do blog Arquibancada Palestrina.

25 abril 2013

O futebol, essa relíquia

1994. Dezembro. 8. O Brazil mundo perdia Tom Jobim.

Na noite daquele dia tão triste, uma constelação em verde e branco se reunia uma vez mais, uma das últimas, para representar 80 anos de uma história gloriosa. Surgiram no gramado da cancha municipal os craques alviverdes para enfrentar um à época perigosíssimo Guarani, dono da melhor campanha do Campeonato Brasileiro de 1994 até aquela noite. Era mata-mata. Semifinal. Ao Pacaembu se fizeram presentes 44.957 torcedores. 44.957!



Nem duas décadas se passaram. Não parece ser assim tanto tempo, mas fato é que o futebol involuiu mais nesse intervalo do que foi capaz de evoluir em todas as décadas anteriores.

Não se tem mais ninguém capaz de, como fez Evair, receber a bola com tamanha naturalidade, girar e mandá-la para a rede como se nada fosse. O Pacaembu já não pula mais como pulou naquele terceiro gol - até porque não havia grades a separar os 45 mil então acolhidos pelo estádio municipal. E as pessoas se faziam presentes, tomando conta de todos os espaços, mesmo aquelas 'baixadas' da arquibancada que hoje ficam vazias mesmo nos jogos com lotação máxima. Havia fumaça e bandeiras e a rede das metas, vejam vocês, ainda caía inclinada em direção ao gramado. Não se falava em Copa no Brazil, nem em Padrão Fifa, tampouco em arenas multiuso. Eram tempos em que cada um cumpria o seu papel: a torcida apoiava na arquibancada, os jogadores jogavam, os repórteres de campo eram... repórteres de campo (e não palhaços). Não se falava em cabelo de atleta, não havia espaço para fofoca, mesmo os tribunais desportivos, dirigentes e juristas vagabundos não se intrometiam tanto. E, claro, tínhamos um grande time. Eram tempos, enfim, em que o futebol era futebol.

Éramos felizes (não só os palmeirenses, mas todos os que amamos o futebol) e não sabíamos. Quer dizer: até sabíamos, mas não podíamos imaginar que aconteceria tudo o que veio depois.

###

*Quando da publicação do texto sobre o Brasileiro/1994, mencionei que não era possível encontrar os gols deste jogo em lugar algum. Não era mesmo. Eis que o leitor Bruno Batera localizou esse material preciosíssimo. Meu muito obrigado a ele.

*Brazil é como o amigo Vitor, hoje expatriado em São José do Rio Preto, costuma se referir a este país. Ele tem razão: é Brazil mesmo. Um país que se presta à tamanha subserviência em relação à entidade que controla o futebol no mundo não pode mesmo ser levado a sério.

*Deixo aqui um pedido para o próximo capítulo da série "Turiassu, 1840": preciso de uma imagem (com boa qualidade) da torcida deixando o Palestra naquele trecho das alamedas bem abaixo da numerada coberta. Se a foto for do alto, a partir das numeradas ou da curva da arquibancada, melhor ainda. Alguém?

24 abril 2013

Modus operandi

Imaginem a cena: durante um jogo do Campeonato Brasileiro em qualquer estádio (digamos que seja o Pacaembu...), um grupo de garotos (ali na faixa de 8 a 12 anos) inventa de começar um bate-bola improvisado no espaço entre a arquibancada e o alambrado. Rola até um gol com camisetas e coisa e tal.

O que fariam as nossas "autoridades", os bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque?

(...)

Vamos então para a Argentina:

Por lá, é comum que as crianças se entretenham em jogos paralelos nas áreas de circulação entre arquibancada e alambrados/muros – algo favorecido pelo formato dos estádios. Rola a bola no gramado, as hinchadas cuidam do aguante e a molecada aprende a viver o clima da arquibancada na prática mesmo.

(Sei lá, me lembro de quando eu jogava futebol na minha rua e penso que seria bom fazer isso com uma torcida cantando o tempo todo, ainda que não necessariamente para aquele jogo de rua; pois os futuros hinchas vivem isso desde sempre.)

O que fazem as autoridades locais?

Pois eu vos deixo com fotos que mostram qual foi a reação de um clube específico, o Racing Club de Avellaneda, e, de maneira mais ampla, das autoridades locais, que adotam uma postura inclusiva e não repressiva - bem ao contrário do que fazem os bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque.

Se antes os pibes de La Acadé ficavam correndo de um lado para o outro atrás de uma bola, a direção do clube resolveu pintar duas pequenas quadras para facilitar a vida dos jovens torcedores. E nada mais precisa ser dito...

Imagens do recente Racing 0-2 River Plate (07.04.2013), pelo Torneio Final/2013, no Cilindro de Avellaneda:






22 abril 2013

BR/2013, tabela atualizada

Atualizando a tabela, agora que os vagabundos da CBF anunciaram o desmembramento dos jogos até a 10ª rodada:

Brasileiro Série B/2013 

25.05 sáb. 16h20 Palmeiras x Atlético/GO*
28.05 ter. 21h50 ASA/AL x Palmeiras
01.06 sáb. 16h20 Palmeiras x América/MG*
04.06 ter. 19h30 Palmeiras x Avaí/SC*
08.06 sáb. 16h20 Ixpót/PE x Palmeiras
11.06 ter. 21h50 América/RN x Palmeiras
06.07 sáb. 16h20 Palmeiras x Oeste/SP*

12.07 sex. 21h Palmeiras x ABC/RN 
20.07 sáb. 16h20 Figueirense/SC x Palmeiras 
27.07 sáb. 16h20 Guaratinguetá/SP x Palmeiras 
30.07 ter. Palmeiras x Icasa/CE
03.08 sáb. Palmeiras x Bragantino/SP
06.08 ter. São Caetano/SP x Palmeiras
10.08 sáb. Palmeiras x Paraná/PR
13.08 ter. Joinville/SC x Palmeiras
17.08 sáb. Palmeiras x Paysandu/PA
24.08 sáb. BOA/MG x Palmeiras
31.08 sáb. Ceará/CE x Palmeiras
03.09 ter. Palmeiras x Chapecoense/SC

07.09 sáb. Atlético/GO x Palmeiras
10.09 ter. Palmeiras x ASA/AL
14.09 sáb. América/MG x Palmeiras
17.09 ter. Avaí/SC x Palmeiras
21.09 sáb. Palmeiras x Ixpót/PE
28.09 sáb. Palmeiras x América/RN
01.10 ter. Oeste/SP x Palmeiras
05.10 sáb. ABC/RN x Palmeiras
08.10 ter. Palmeiras x Figueirense/SC
12.10 sáb. Palmeiras x Guaratinguetá/SP
15.10 ter. Icasa/CE x Palmeiras
19.10 sáb. Bragantino/SP x Palmeiras
26.10 sáb. Palmeiras x São Caetano/SP
02.11 sáb. Paraná/PR x Palmeiras
09.11 sáb. Palmeiras x Joinville/SC
12.11 ter. Paysandu/PA x Palmeiras
16.11 sáb. Palmeiras x BOA/MG
23.11 sáb. Palmeiras x Ceará/CE
30.11 sáb. Chapecoense/SC x Palmeiras

*4 jogos no interior, devido à perda dos mandos.

21 abril 2013

De Itu a Santos

E é mais ou menos isso aí que vocês viram, senhores...

Eu bem queria escrever algo pormenorizado sobre a ampliação do Novelli Júnior, mas a viagem para Itu já consumiu muito do meu domingo, e então eu serei sucinto: a nova arquibancada central ficou boa, as cadeiras do restante do estádio não são assim tão incômodas, e a nova administração conseguiu fazer alguns reparos que me pareciam essenciais. Em resumo: se vamos mesmo ter de cumprir quatro jogos sem mando de campo no Brasileiro e levando em ccontaa que Itu fica a 100km de SP, fica aí a sugestão para que nossos dirigentes considerem esta opção em detrimento das aberrações usuais (não, não vou citar o nome do vilarejo maldito do MS).

Por fim, vamos encarar agora a batalha pelos minguados 700 ingressos disponibilizados pela direção do Santos FC para o amontoado de laje que eles dizem ser um estádio de futebol. Se nossa diretoria já tivesse implantado no programa de sócio-torcedor alguma forma de beneficiar os torcedores sempre presentes (a exemplo do que fazem os gambás), eis que os ingressos agora chegariam às mãos de quem de direito e não teriam como intermediários os vagabundos cambistas que todos conhecemos. É isso: até domingo lá na Baixada!

20 abril 2013

A realidade (2)

De novo: não me culpem, mas é que alguém precisa transmitir um pouco de lucidez aos que se iludem com o time que (não) temos. Não vou entrar no mérito dos confrontos vindouros (supondo que passaremos pelo Tijuana), porque não é tanto a isso que me refiro. Toda minha argumentação é baseada no que foi apresentado pelo time até aqui, na fragilidade demonstrada fora de casa e na convicção de que existe um limite para quem joga só com raça (e, pior, apenas diante da torcida).

Recebi uma série de mensagens por causa do último post. Algumas fazem sentido, outras não, e há aquelas ainda que eu prefiro ignorar. De toda forma, gostaria de abordar duas questões específicas que foram expostas por quem procura respaldo na história para a situação que vivemos agora:


-Palmeiras 2013 x Palmeiras 1994 

Ouvi por aí a seguinte afirmação: “Aquele puta time de 1994 também terminou a primeira fase da Libertadores com 3 vitórias e 3 derrotas”. Sim, é verdade, mas é preciso ir além da matemática para entender o que aconteceu. Se é fato que não havia à época uma obsessão tão grande assim com a competição sul-americana, ainda mais notável é a diferença entre os adversários que enfrentamos: no lugar dos atuais, pegamos três campeões da América, sendo um deles o que levaria o título daquele ano. Nosso grupo tinha Boca Juniors, Vélez Sarsfield e Cruzeiro.

Campanha em casa: 6-1 no Boca, 4-1 no Vélez e 2-0 nas bichas de Minas. Um passeio. Campanha fora: 1-2 contra o Boca, 1-2 contra o Cruzeiro e 0-1 contra o Vélez. Não jogamos mal nenhum dos três jogos como visitante; tivemos muito azar e falhas grotescas da defesa e do goleiro em dois deles.

Por favor, não ousem fazer esse tipo de comparação.


-Palmeiras 2013 x Palmeiras 2000/2001 

Dizem por aí também que cumprimos boas campanhas no biênio 2000 (vice) e 2001 (semifinal) com times fracos. Não é bem assim. O que aconteceu naquela ocasião é que o nosso parâmetro de comparação era muito elevado (o time campeão de 1999) e a saída de alguns jogadores na virada do ano acabou por nos fazer acreditar que tínhamos um time fraco. De 2000 para 2001, o fenômeno se repetiu novamente, em menor escala. Uma análise mais racional, no entanto, deixa claro que ambos os elencos eram muito mais qualificados do que quase todos os demais que tivemos nos anos seguintes. Vejamos os times-base:

2000: Marcos; Arce, Argel, Roque Júnior e Júnior; Sampaio, Galeano, Rogério e Alex; Euller e Marcelo Ramos. DT: Luiz Felipe Scolari.
Outros nomes no elenco: Asprilla, Pena, Basílio, Fernando, Taddei, Neném e Paulo Assunção.

2001: Marcos; Arce, Alexandre, Leonardo e Felipe; Galeano, Magrão, Lopes e Alex; Juninho e Fábio Júnior. DT: Celso Roth.
Outros nomes no elenco: Muñoz, Tuta, Fernando, Basilio, Taddei, Claudecir, Flávio e Paulo Turra.

De novo: não dá pra comparar as duas coisas.


Encerro com o mesmo discurso do post anterior, que deixa muito clara a posição deste blog: "Por favor, não se iludam. Vamos lutar, vamos empurrar o time, vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Mas cairemos. Cedo ou tarde. Que seja sem traumas."

###

_Se a ignóbil Conmebol e as cretinas emissoras de TV não conseguem vislumbrar o óbvio, é de se elogiar a postura da diretoria alviverde, que, ao menos neste caso, agiu de maneira correta e com a devida agilidade. As alterações promovidas foram o mínimo que se poderia esperar. Prevaleceu o bom senso.

_Amanhã, 16h, Itu. Até lá.

19 abril 2013

A realidade

Palmeiras 2-1 Sporting Cristal
Sporting Cristal 1-0 Palmeiras

Palmeiras 2-0 Tigre
Tigre 1-0 Palmeiras

Palmeiras 1-0 Libertad
Libertad 2-0 Palmeiras

Em casa, um time vibrante, empolgante, jogando sempre no limite, em total sintonia com a torcida e com o estádio. Resultado: três vitórias em três jogos e apenas um gol sofrido.

Fora de casa, um time apático, sem inspiração, anêmico, incapaz de ameaçar o adversário. Resultado: três derrotas em três jogos e um ataque zerado.

Mais até do que o contraste entre as campanhas (3-0-0 em casa e 0-0-3 fora), o que chama a atenção neste grupo 2 da Libertadores é o descompasso entre o que o Palmeiras jogou (ou não jogou, nos casos de Victoria, Assunção e Lima) como mandante e como visitante.

Pior até: os três fracassos no exterior foram "obtidos" em situações que em nada condizem com o espírito da Copa Libertadores da América. Afinal, jogamos sempre em estádios vazios, frios e sem pressão. No primeiro caso, do Libertad, contra um time que não tem torcida. No segundo, do Tigre, contra uma torcida desmotivada e desmobilizada, em nada combinando com uma hinchada argentina. No terceiro, este do Sporting Cristal, contra um oponente já eliminado e sem qualquer pretensão. Somados os três duelos, é provável que o público total não tenha chegado a 10 mil pessoas.

Se tivéssemos contra estes três adversários da fase de grupos um confronto como o das fases eliminatórias, teríamos eliminado apenas o fraquíssimo Tigre - e seríamos desclassificados pelos outros dois, um no saldo e outro no gol fora de casa.

O que esperar então de jogos contra times mais qualificados, valendo vaga e com uma torcida local exercendo a pressão típica da Libertadores? Ou, ainda pior, o que esperar de confrontos contra rivais brasileiros com times incomparavelmente melhores?

Agora vem o Tijuana, o melhor segundo colocado. Teremos a vantagem (?) de decidir em casa, apesar de somarmos nove pontos contra 13 do mexicano. Acreditem, senhores: com o nosso time, mais chances teríamos se a decisão fosse lá na fronteira com os EUA, buscando fazer um resultado mínimo no Pacaembu e depois contando com a sorte de um gol eventual lá fora. Do contrário, com a partida de volta aqui, ficaremos mais expostos.

Para finalizar, senhores, vamos à realidade:

Avançamos (em um inacreditável primeiro lugar) sem time. Todo o esforço que fizemos nos três jogos em casa poderia ter sequência se o CEO e o presidente-profissional tivessem feito o trabalho que lhes foi confiado. Fato é que poderíamos agora ter três reforços para qualificar o time. Poderíamos. Mas não teremos.

Quem deveria trabalhar não trabalhou. E aí, senhores, todo o nosso esforço foi em vão. Porque seguimos sem time e, como evidenciado pelo terrível desempenho fora de casa, não seguiremos adiante. E, só para piorar, poderemos cair logo diante de um dos nossos rivais.

Por favor, não se iludam. Vamos lutar, vamos empurrar o time, vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Mas cairemos. Cedo ou tarde. Que seja sem traumas.

16 abril 2013

Grandeza perdida em Caballito



“De pendejo voy con vos, porque vos sos mi pasión 
nosotros te alentamos del tablón
ustedes pongan huevo y corazón
La alegría de este barrio, nunca la voy a olvidar
cruzamos la Cordillera y copamos el Maracanã”


Maracanã, 1985. Não há registros audiovisuais que deem conta de comprovar a canção até hoje entoada, mas dizem os antigos que o Ferro Carril Oeste teria levado ao ex-Maior do Mundo mais torcida que o Fluminense pela Libertadores da América* – os dois se enfrentaram na condição de campeões de seus países um ano antes. Daí o “copamos el Maracanã”, bordão comum entre as hinchadas argentinas para proclamar a invasão de um estádio rival.

Buenos Aires, bairro Caballito, 2013. Em um sábado ensolarado, 3 mil pessoas se dirigem à tradicional cancha do Ferro. O jogo, válido pela B Nacional (segunda divisão do país), é contra o Defensa y Justicia, da cidade de Florencio Varela, província de Buenos Aires. O visitante faz 2 a 0 com enorme facilidade. Calejada, a hinchada do Ferro pede a escalação dos garotos que passam toda a partida chutando uma bola em uma reentrância da velha arquibancada de madeira: “Pongan los pibes, la puta que te parió”.



No espaço de 28 anos entre a disputa de sua segunda (e última) Libertadores e as agruras de uma interminável rotina longe da elite, o Ferro experimentou dois descensos, uma falência e um sem número de fracassos dentro e fora de campo. De potência esportiva nos anos 1980, tornou-se mero figurante das divisões inferiores. A torcida, antes grandiosa, resume-se agora aos moradores do bairro e frequentadores da sede social, exatamente no centro geográfico de Buenos Aires. Quanto aos associados, 50 mil há três décadas, hoje não passam de 10 mil.

Tamanha decadência se deve, como de praxe, a seguidas administrações ruins. Tudo começa com o homem que fez o Ferro ser temido nos anos 1980: Santiago Leyden (1933-2002) foi presidente do clube por longos 30 anos (1963-1993), período em que o Verdolaga ganhou dois Campeonatos Argentinos (1982 e 1984) e três vices, além de conquistas no basquete (três Ligas Nacionais e três Sul-americanos) e no vôlei (12 torneios nacionais e três continentais).

Leyden ainda ergueu a tribuna de cimento do antigo estádio de madeira – que ganhou o nome de Arquitecto Ricardo Etcheverry, seu vice e responsável pelo projeto do novo setor –, um ginásio poliesportivo para 8 mil pessoas abaixo desta plateia e todo o sistema de iluminação do complexo. Fez isso tudo, mas não soube a hora de deixar o cargo. Nas palavras do torcedor e sócio Arturo, 68 anos, a explicação: “Ele foi um ser humano notável, extraordinário. Mas ficou tempo demais à frente do clube e, quando isso acontece, tudo se contamina e você se afasta da realidade”.

A situação financeira, ruim quando Leyden deixou o cargo, só fez agravar nas temporadas seguintes. O Ferro foi perdendo torcida e, ainda pior, sócios. Como parte de um contexto que também afetou as agremiações brasileiras, decaiu a importância das sedes sociais a partir dos anos 1990, minando a mais relevante fonte de receita do Ferro. Em campo, os resultados também não ajudavam. Daí para a falência completa, no começo dos anos 2000, não tardou muito. Antes mesmo de ter a insolvência decretada, o Verdolaga desceu para a segunda divisão – e para a terceira no ano seguinte. Acabou voltando para a B Nacional, mas nunca mais para a elite.

















Não mais enfrentar os cinco grandes (Boca, River, San Lorenzo, Racing e Independiente) faz muita falta, mas o que mais lamentam os torcedores do Caballito é a ausência do Clássico do Oeste, o embate contra o Vélez Sarsfield, rival com quem compartilha o ramal ferroviário que cruza a cidade do centro até o limite oeste, no bairro de Liniers. A linha de trem, por sinal, tem importância destacada para estes dois e para grande parte dos times portenhos: enquanto o Ferro foi fundado em 1904 por um grupo de 95 funcionários da companhia inglesa Ferro Carril Oeste (Buenos Aires Western Railway), o Vélez empresta seu nome da antiga estação Vélez Sarsfield, hoje Floresta – o bairro onde se fixou outro clube, o All Boys.

Para o Vélez, no entanto, a rivalidade com o Ferro já não é encarada com reciprocidade. Campeão da Libertadores e do Mundial em 1994, El Fortín foi alçado a um patamar quase único: não deixa de ser um dos tantos “clubes de barrio” de Buenos Aires (como o próprio Ferro e mais All Boys, Nueva Chicago, Chacarita, Atlanta, Huracán, Argentinos Juniors, Barracas Central, Defensores de Belgrano, entre outros), mas enfrenta de igual para igual as equipes de maior torcida e tradição – já há muito tempo e com enorme consistência. Desde 1993, foram oito títulos argentinos – só o River ganhou mais – e cinco internacionais. Além de um estádio que pode ser considerado exemplar entre as canchas portenhas, o Vélez ostenta um dos elencos mais fortes e regulares do país.

















Disso se ressente a gente do Oeste (como muitos preferem chamá-lo); para passar ao largo do abismo entre os dois clubes, a torcida prefere cultuar o passado, como se o presente nada fosse. Assistir a uma partida no antigo estádio de madeira é como voltar a tempos idos (o estado de abandono de boa parte da estrutura reforça essa impressão). O Ferro se acostumou a jogar para um público envelhecido e saudosista – além de mais enxuto, bem distante da média dos 20 mil por jogo de outrora. Perdeu-se também o caráter popular que sustenta qualquer hinchada. “É uma torcida de classe média. Você não vê pobres aqui no Ferro”, atesta Arturo.

Ele tem razão: de certo modo, o Verdolaga reflete o perfil do bairro de Caballito, repleto de novos condomínios de alto padrão, alguns dos quais cortando todo o horizonte que antes se tinha a partir do estádio. É um cenário contrastante com o que se costuma se observar na maior parte das canchas argentinas: o Arquitecto Ricardo Etcheverry fica encravado em uma zona bastante populosa, mas tranquila ao extremo. É possível caminhar pelas avenidas paralelas, incluindo a Rivadavia, a maior do país, sem se dar conta da existência de um estádio ali perto.

A cancha do Ferro (os argentinos costumam se referir aos estádios do país assim, sem levar em conta o nome oficial) merece uma descrição à parte. Erguido em 1905, em um espaço anexo à estação Caballito, é considerado o mais antigo do país ainda em atividade. Entre as tantas curiosidades que se contam a respeito, diz-se que era comum trocar jogadores por materiais de construção. A história registra ainda incêndios que o destruíram parcialmente e longos períodos de empréstimo a outros clubes portenhos – que optavam por ele devido à localização privilegiada.

















O nome de Ricardo Etcheverry só foi outorgado em 1995, em referência ao dirigente idealizador da belíssima tribuna semicoberta (de 1976) que representa a única inovação no lugar em mais de século. Como todo o restante permanece com a mesma estrutura, o estádio é conhecido por El Templo de Madera. Embora a capacidade atestada seja de 24 mil torcedores, era comum que o clube jogasse para mais de 35 mil pessoas nos anos 1980.

Hoje, o Ferro joga para plateias de, no máximo, 8 ou 10 mil pessoas – mesmo quando obrigado a mandar seus jogos em outros estádios, caso de uma partida recente contra o Gimnasia de La Plata, na cancha do Huracán. Já é notável se considerarmos as médias de público dos grandes clubes brasileiros e tem ainda mais peso porque o aguante que vem da arquibancada é tipicamente argentino: trapos pendurados, faixas por todos os lados, cantoria do primeiro ao último minuto, músicas com letras elaboradas e que fazem referências históricas – como o dia em que “coparam o Maracanã”. Convenhamos: é preciso ter muito amor para alentar um time que se acostumou às posições intermediárias da B Nacional – é atualmente o 14º em um campeonato disputado por desconhecidos como Aldosivi, Crucero del Norte, Douglas Haig e Patronato.

















Tem sido essa a rotina desde o início deste século, quando o Ferro teve a falência decretada, em um cenário agravado pela crise financeira que atingiu a Argentina (o país chegou a ter cinco presidentes em 12 dias no fim de 2001) e que também colaborou para levar à bancarrota o grande Racing Club (“No me olvido ese día/ que una vieja chiflada decía/ Que Racing no existía/ que tenía que ser liquidado”, canta La Guardia Imperial, em referência ao episódio em que a torcida evitou que um dos clubes mais vitoriosos da história encerrasse as atividades). Ao contrário do Racing, no entanto, o Ferro nunca mais conseguiu se recuperar, e as gestões seguintes apenas agravaram a situação.

A campanha fraca na temporada 2012/2013 (7 vitórias, 13 empates e 9 derrotas) evidencia a qualidade do time, abaixo da crítica. As receitas com patrocínio despencaram, e nem de longe justificam o emaranhado de desconhecidas marcas a conspurcar o uniforme verde com detalhes em roxo. É aí que um Defensa y Justicia faz o que bem entende com o clube centenário. Em meio a isso tudo, com a bola tentando rolar em um gramado irregular e enquanto se observa a paixão ainda imberbe dos pibes que correm atrás de uma outra bola, entre a arquibancada de madeira e o enferrujado alambrado, fica difícil mesmo não querer que eles entrem em campo.

Afinal, é pelos jovens torcedores que ali estão que o Ferro pode continuar a ter relevância – e eventualmente ressurgir – em um futuro não muito distante. Se ocupa ainda espaço de destaque no noticiário e no imaginário popular é porque, para além de toda a mística que o cerca, a cultura bonaerense confere aos “clubes de barrio” uma importância bem maior do que a concedida aqui no Brasil, onde os pequenos de São Paulo (vide o caso do Juventus da Mooca) e Rio foram dizimados.

















Recentemente, veio o alento de que o velho estádio de Caballito passaria por uma ampla (e, ao menos neste caso, necessária) reforma. A curva do lado oposto à Platea Sur (que concentra os barra-bravas locais) e a arquibancada central já foram parcialmente desmontadas – com capacidade reduzida, o estádio não pode receber duelos com muita torcida visitante. A promessa é que os dois setores serão reconstruídos, com cimento mesmo, a exemplo da tribuna principal. “Mas falta dinheiro e a obra está parada”, resigna-se Roberto, 57, outro que viu o auge do Ferro e agora convive com a penúria de tempos tão modernos.

Enquanto olha para os dois espaços fechados, que conferem ao lugar uma aparência de abandono, sua mente viaja: “Vocês estão construindo estádios lindos para a Copa…”, diz, sem disfarçar uma admiração pouco reflexiva sobre o que se passa hoje no Brasil. Certo mesmo é que nenhuma arena, por moderna e confortável que seja, tem a alma e a história presentes em cada tábua de madeira do velho estádio de Caballito, a três quadras do coração de Buenos Aires.


























*Copa Libertadores/1985
A primeira fase foi disputada em quadrangulares clássicos, como acontece hoje, mas com duas diferenças essenciais: eram apenas quatro chaves e só avançava o campeão. O grupo 1 reuniu argentinos e brasileiros (a concentração de clubes de apenas dois países perdurou até o ano 2000): Argentinos Juniors e Ferro Carril Oeste, campeões argentinos do ano anterior, e Vasco e Fluminense, campeão e vice brasileiros de 1984. Campanhas idênticas fizeram os dois argentinos (quatro vitórias, um empate e uma derrota) e os dois brasileiros (três empates e três derrotas). Foi necessário então um jogo de desempate entre os clubes portenhos, na cancha do Vélez: o Argentinos venceu por 3 a 1 e partiu dali para a inédita conquista da América.


















###

*Texto originalmente publicado no Impedimento.

14 abril 2013

Efeito Pacaembu

















O Palestra Italia como conhecemos fechou as portas em 9 de julho de 2010. São quase três anos, e durante todo esse tempo, tivemos de conviver com as decisões estapafúrdias de cretinos como Tirone e Frizzo, que viam o Pacaembu como a "casa dos gambás" - isso para não mencionar os jogadores e mesmo o técnico que andaram falando besteira sobre o assunto. Daí então viramos um time itinerante, trocando de estádio a torto e a direito, sem critério, sem embasamento, sem lógica. Era Canindé pra lá, Barueri pra cá, Prudente pro outro lado. Uma aberração atrás da outra.

Se há um mérito que deve ser creditado à nova gestão, este seria a decisão de manter a cancha municipal como a casa do Palmeiras durante a reconstrução do nosso estádio. Sem invencionices, sem negociatas, sem mesquinharia. Pacaembu e ponto. Uma casa à altura do gigante Palmeiras.

Bastou a oficialização para que o rendimento alviverde no Paulo Machado Carvalho experimentasse significativo incremento. Se entre 2010 (segundo semestre) e 2012 o aproveitamento de pontos ficou em débeis 50,6%, o índice na atual temporada já atinge expressivos 82,0%. São 13 jogos como mandante no Pacaembu nesta temporada, com 10 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota. É um desempenho superior até mesmo ao historicamente obtido no bom e velho Palestra Italia. Os outros números todos são igualmente favoráveis: foram apenas sete gols sofridos em 13 jogos, com um ataque que chega à média de 1,76 por jogo (para efeito de comparação, a média entre 2010 e 2012 era de ínfimos 1,33).

E isso tudo, senhores, com um time bem inferior aos anteriores...

Não é coincidência; os bons números têm relação direta com a decisão de mandar todos os jogos em um só estádio - o único que fazia sentido. E o que vimos hoje à tarde, com a belíssima vitória sobre o Guarani, é mais um exemplo do "efeito Pacaembu".

###

_Não vou falar sobre o público (baixíssimo). Os que foram ao estádio na quinta e resolveram não ir hoje devem ter lá seus motivos, não é? Mas que não venham encher o saco depois.

_Fomos rebaixados no BR-2012 porque Frizzo e Tirone fizeram o Palmeiras jogar todo o primeiro turno em Barueri, para jogos esvaziados e que impunham ao torcedor um sacrifício sem tamanho. Deu no que deu. Se tivéssemos jogado no Pacaembu desde o início, a história poderia ser outra.

###

A foto lá do alto só poderia mesmo ser do incansável Gabriel Uchida (Foto Torcida). Valeu, mano!

12 abril 2013

Quando a torcida vai a campo
















Aqui não há marketing a nos apresentar. Não há populismo de fachada, nem identidade forjada, tampouco rótulos vazios. Não há apoio midiático - pelo contrário, e assim preferimos. Ninguém precisa dizer o que somos. Nós apenas somos. E fazemos. Aqui ninguém lança mão de discursos vazios como "jogai por nós" - a bem da verdade, nem se poderia pedir isso ao time que (não) temos. Aqui nós jogamos por nós mesmos. E jogamos pelo clube. Pela honra. Pela camisa. Pela história. Porque aqui é Palmeiras.

Avançamos, pois. Ainda sem time, e sem time continuaremos nas próximas batalhas que virão. Sabemos disso e, mesmo assim, avançamos - por pior que possa ser o desfecho disso. Venha quem vier, lutaremos mais. Ainda mais do que na terça passada. Ainda mais do que nesta última quinta. Porque o Palmeiras até pode cair - o que é provável -, mas para derrubá-lo vai ser preciso derrotar também a torcida que o carrega nas costas.

Seguimos em frente, senhores. De maneira tão inesperada quanto inesperados foram os tantos fracassos colecionados ao longo dos últimos anos - e que recomendavam cautela agora. Não que eles tenham ficado para trás, mas o que estamos vivendo agora, com tamanha sintonia entre time, torcida e estádio, é para fazer acreditar em um Palmeiras gigante como só o Palmeiras pode ser.

Que fique claro aqui: não se trata apenas da torcida. O que vivemos nessas duas noites épicas têm muito a ver com a força que veio da arquibancada, mas de nada adiantaria o nosso aguante se o time não entendesse o espírito. E de nada adiantaria se não tivéssemos aprendido, nós, eles e especialmente os dirigentes, que, em não havendo o Palestra Italia, a nossa casa é o Pacaembu.

Se a torcida protagonizou nesta quinta um espetáculo tão grandioso (e mais catártico) quanto o da semana passada, eis que os jogadores cumpriram o seu papel com maestria também. Sem exuberância, sem técnica, sem inspiração. Mas com uma dose de transpiração que, com boa dose de sorte, pode nos levar sabe-se lá até que ponto.

O time jogou com extrema inteligência (à exceção de um atleta*). Soube a hora de atacar e de se proteger (e se defendeu de maneira comovente, mesmo com um expulso). Soube dosar o tempo e esperar pelo gol. E soube também que, em alguns momentos, era preciso, acima de tudo, ter o espírito de Libertadores: cair no chão para ganhar tempo e esfriar o adversário; segurar a bola nas laterais e cozinhar o jogo com escanteios curtos (o camisa 29 foi monstro); dar de bico para qualquer lado; catimbar.

Foi uma noite épica, inesquecível, inenarrável. Comunhão total entre time, torcida e estádio. Que continuemos assim. Enquanto nos for permitido, os gritos da massa alviverde haverão de ecoar pelo vale do Pacaembu nessas noites de Libertadores.

Grazie a tutti!



###

*Durante o jogo, claro, condenei a expulsão do camisa 11. O lance aconteceu bem longe, não deu para ver no detalhe, nem houve assim tanta reclamação. Enfim, parecia ter razão a arbitragem. Mas depois, vendo pela TV, me pareceu uma punição fora de propósito, ainda mais se considerarmos que o tal de Guiñazu, um completo animal, bateu a torto e a direito, bem a seu estilo.

###

Chupa, São Caetano do Paraguay. Time sem torcida (e que se baseia apenas no poder político) tem mais é que se foder! E as atuais 11 participações consecutivas na Libertadores bem podem virar 22, mas de nada adiantará o respaldo das autoridades continentais enquanto essa merda de Libertad for um time sem torcida.

###

As fotos, claro, são do genial Gabriel Uchida. Sempre ele. A primeira imagem captura um pouco da loucura que sentimos todos os pouco mais de 35 mil que fizemos desta noite de quinta-feira um capítulo épico da gloriosa história da Sociedade Esportiva Palmeiras.

10 abril 2013

Contra a escrita

O cenário é mais ou menos este:

Tranquilidade aparente (no caso do Palmeiras, só pode ser aparência). Casa cheia com enorme antecedência. Gente desesperada atrás de ingresso. Torcida empolgada e depositando confiança em um time que não faz por merecer (não por vagabundagem, mas por falta de qualidade mesmo). Possibilidade de alcançar a quarta vitória seguida (qual foi a última vez?). Chance de assegurar 100% de aproveitamento em casa na fase de grupos da Libertadores (algo pouco comum em toda a história). O outro resultado da rodada ajudando muito. Perspectiva de encaminhar a vaga já na quinta rodada. Jogadores importantes voltando ao time...

Pergunta para você que também tem o hábito de ir a todos os jogos e, portanto, já viveu algumas das maiores decepções possíveis (ou impossíveis, improváveis e inacreditáveis) dentro de um estádio nos últimos 15 anos: você sabe o que acontece quando tudo parece conspirar a favor, não?

Não vou levar a sério as eventuais acusações de pessimismo ou algo do tipo. Acontece que, depois de tantos e tantos vexames quando eles menos são esperados, o torcedor vai ficando calejado. E bem sabemos que o Palmeiras deste novo século se esmerou na arte das derrotas absurdas, inexplicáveis e impossíveis (recomendo a leitura deste post). Nada mais pode nos surpreender e o inesperado se torna o mais lógico.

Deixemos a confiança excessiva de lado, por favor. Controlemos a ansiedade. Esqueçamos que a classificação pode ser quase assegurada já amanhã. Lembremo-nos de todos os fracassos retumbantes das últimas décadas. Sei que parece estranho evocar isso, mas, acreditem, é necessário.

Se o Libertad fosse um time fraco como o Tigre (ou como Goiás, CAG, Santo André, Ipatinga, Vitória, Paulista etc.), aí o cenário estaria completo para a tragédia; mas, como teremos pela frente um oponente mais qualificado, ainda tem jogo.

Entremos, por favor, com o mesmo espírito da última terça-feira. Concentração, senhores. Foco. Paciência. Calma. Entrega do primeiro ao último minuto. Apoio incondicional, irrestrito e extremo. E que o time, por favor, entenda que será preciso lutar ainda mais e melhor do que na semana passada.

Que a arquibancada vá a campo (porque o time continua sendo fraco). E que as camisas numeradas que subirem para o gramado assimilem o espirito da arquibancada. Só assim será possível quebrar a escrita.

###

Levantei o histórico do Palmeiras como mandante nas fases de grupo da Libertadores nos últimos 40 anos. Considerando nossas 11 últimas participações, vencemos os três jogos em casa em apenas quatro (nos biênios 1994/1995 e 2000/2001). E já são oito edições seguidas sem eliminação na fase de grupos (isso aconteceu na época em que avançava apenas o líder de cada grupo). Confiram abaixo:

2009 (1-1-1)
Palmeiras 1-3 Colo-Colo/CHI
Palmeiras 1-1 Ixpót/PE
Palmeiras 2-0 LDU/EQU

2006 (1-1-1)
Palmeiras 3-2 Atlético Nacional/COL
Palmeiras 0-0 Rosario Central/ARG
Palmeiras 2-3 Cerro Porteño/PAR

2005 (1-2-0)
Palmeiras 3-0 Deportivo Táchira/VEN
Palmeiras 1-1 Santo André/SP
Palmeiras 0-0 Cerro Porteño/PAR

2001 (3-0-0)
Palmeiras 2-1 Universidad de Chile/CHI
Palmeiras 3-0 Sport Boys/PER
Palmeiras 5-2 Cerro Porteño/PAR

2000 (3-0-0)
Palmeiras 4-0 The Strongest/BOL
Palmeiras 3-0 Juventude/RS
Palmeiras 4-1 El Nacional/EQU

1999 (2-1-0)
Palmeiras 1-0 SCCP/SP
Palmeiras 1-1 Olimpia/PAR
Palmeiras 2-1 Cerro Porteño/PAR

1995 (3-0-0)
Palmeiras 3-2 Grêmio/RS
Palmeiras 7-0 El Nacional/EQU
Palmeiras 2-1 Emelec/EQU

1994 (3-0-0)
Palmeiras 2-0 Cruzeiro/MG
Palmeiras 6-1 Boca Jrs./ARG
Palmeiras 4-1 Vélez Sarsfield/ARG

1979 (1-0-2) - eliminado na fase de grupos
Palmeiras 1-4 Guarani/SP
Palmeiras 1-2 Universitário/PER
Palmeiras 4-0 Alianza Lima/PER

1974 (2-0-1) - eliminado na fase de grupos
Palmeiras 3-0 Deportivo Municipal/BOL
Palmeiras 2-0 Jorge Wilstermann/BOL
Palmeiras 1-2 SPFW/SP

1973 (2-1-0) - eliminado na fase de grupos
Palmeiras 3-2 Botafogo/RJ
Palmeiras 1-1 Nacional/URU
Palmeiras 2-0 Peñarol/URU

08 abril 2013

"Como o futebol explica o mundo"

























Franklin Foer, jornalista norte-americano, é o nome por trás desta obra que apresenta uma série de histórias pelo mundo para dissecar aspectos importantes do futebol nestes tempos tão, como é mesmo?, modernos. Com estrutura bem definida (pouco mais de 200 páginas em 10 capítulos, cada qual abordando uma temática distinta), o livro faz uma análise sobre como o futebol influencia (e é influenciado) por questões políticas, religiosas e históricas.

O "globalização" presente no título ficou um pouco datado (parece coisa dos anos 1990...), mas isso não inviabiliza a proposta. O livro tem muito de sociologia, mas com uma abordagem prática, sustentada em exemplos, relatos e situações históricas. O autor não tenta defender tese alguma, a não ser a de que "o futebol explica o mundo". O resultado, exceção feita ao dissonante capítulo sobre o Barcelona, é primoroso.

Como eu considero a metade inicial bastante superior ao restante (que, ainda assim, é notável), vou apresentar os quatro primeiros capítulos (e já digo que o quinto tem Eurico Miranda como um dos personagens principais), com direito a um ou mais trechos selecionados:


1- O paraíso dos gângsteres
A relação entre os ultras locais (em especial do Estrela Vermelha, campeão da Copa dos Campeões da Europa de 1991) e o processo que levou ao desmembramento da ex-Iugoslávia. Os grupos armados que surgiram a partir das torcidas locais, o uso político da paixão pelo futebol e o ódio declarado entre sérvios, croatas e bósnios.

"A área de Belgrado onde fica a sede do clube tem um aspecto caricaturalmente assustador. Um enorme bando de corvos reside no telhado do estádio. Quando um time marca um gol e a multidão explode, os pássaros fogem - por toda a cidade, é possível calcular o resultado dos jogos com base na presença ou na ausência de uma nuvem ornitológica sobre o horizonte."


2- A obscenidade das seitas
Celtic x Rangers: ódio, sectarismo e violência em Glasgow, maior cidade da Escócia. A origem dos conflitos religiosos, como surgiram os dois clubes, os guetos. Os católicos do Celtic se sentem perseguidos pelos árbitros e pelos dirigentes protestantes, por exemplo, e o livro se encarrega de registrar essa (muito defensável) tese. Destaque também para a migração dos irlandeses de Belfast a cada dia de clássico em Glasgow.

"A plenos pulmões, eles cantam em louvor de nossa matança. "Estamos até os joelhos de sangue feniano". São 44 mil, na maioria torcedores do protestante Glasgow Rangers Football Club. Como esse é o Ibrox, o estádio de seu time, eles podem cantar o que quiserem. "Se você odeia a porra dos fenianos, bata palmas". Nós, os sete mil torcedores do Celtic Football Club, time tradicionalmente católico de Glasgow, estamos sentados num setor isolado do estádio, reservado para visitantes, atrás do gol. "Rendam-se ou morram".


3- A questão judaica
Nada de Israel, como se poderia supor pelo título. O capítulo começa com a história do Hakoah, um clube de Viena que, depois de dominar o futebol na Áustria no início do século XX, foi destruído pelo nazismo. Depois, o Tottenham ganha grande destaque, com a reconstituição de sua origem e os confrontos com a torcida do Chelsea. Passamos então para outros clubes com histórico judeu (Roma, Bayern Munique e Ajax) e o preconceito contra eles (a explicação do livro para o anti-semitismo de boa parte dos europeus é bem interessante). Para fechar, Budapeste:

"Fora do estádio, no antigo bairro alemão da área sul de Budapeste, policiais colocam torcedores em fila e os revistam. Embora confisquem facas e projéteis, estão muito mais interessados em impedir a entrada de faixas que atraiam para o país uma atenção indesejada. É um testemunho da atuação da polícia húngara - ou talvez da determinação dos torcedores - o fato de raramente atingirem seu objetivo. Torcedores do Ferencvaros enrolam as faixas em torno do corpo e as ocultam sob as roupas. Antes dos jogos, as desenrolam e dispõem de modo a formarem sequências completas. Uma delas começa: "Os trens estão partindo...". A segunda conclui: "Para Auschwitz". Esse slogan diz quase tudo sobre o ambiente no estádio."


4- O hooligan sentimental
Quando os alienados resolvem protestar contra as torcidas organizadas, sempre haverá algum puto para falar sobre o "exemplo da Inglaterra". Que bobagem. O que se passou por lá foi a destruição do futebol como esporte da classe operária. Nada mais do que isso. Em "O hooligan sentimental", Franklin Foer se apoia em um único personagem, um judeu que contrariou a lógica ao se tornar um dos líderes da torcida do Chelsea, para mostrar a mudança no perfil do torcedor da Inglaterra desde os anos 1980: a interferência do governo, o papel nocivo de Margaret Thatcher, a entrada dos magnatas do petróleo, a elitização, a exclusão da classe operária etc. Ele não faz juízo da situação; é um relato meramente jornalístico. Para o tal hooligan, no entanto, o que prevalece é o saudosismo de um tempo que não volta mais.

"Até a década de 1990, grande parte da elite social da Inglaterra tratava o futebol com desdém. Antes de Rupert Murdoch tentar adquirir o Manchester United, ficou famoso o rótulo que seu jornal Sunday Times atribuía ao futebol: "um esporte de favelados praticado por favelados". A primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, principal defensora dos supostos valores da classe média, exibia mais do que ninguém o seu desprezo. Kenneth Clark, amigo íntimo da Dama de Ferro, disse que ela "via os torcedores de futebol como inimigos internos".
(...)
"As novas exigências transformaram a economia do esporte. Para financiar a reconstrução de seus estádios, os antigos proprietários, na maioria pequenos empresários que se fizeram por conta própria, importaram montanhas de capital novo. Grande parte dele veio de espertos investidores urbanos que percebiam que o futebol tinha um mercado cativo gigante e sólidas fontes de lucro inexploradas. As novas instalações incluíam luxuosas suítes executivas alugadas a grandes empresas. Os clubes lançaram ações na bolsa de valores, aumentaram o preço dos ingressos e venderam os direitos de transmissão dos jogos da Liga ao serviço de TV por satélite de Rupert Murdoch. O plano funcionou perfeitamente. Um novo tipo de torcedor, mais abastado, começou a frequentar os jogos em estádios mais seguros e confortáveis".
(...) 
"... o capitalismo das multinacionais priva as instituições locais de seu caráter local, homogeiniza, destrói tradições e destitui os proletários e camponeses nativos das coisas que mais gostam."

Notaram semelhança com o que enfrentamos por aqui?

Pra fechar, esse aqui vai de brinde:

“Outra tese semelhante a essa e bastante difundida sustenta que a raiz da violência pode ser encontrada no próprio ritmo do jogo. Como os gols surgem numa sequência tão irregular, os torcedores gastam tempo demais sublimando suas emoções, antegozando-as, mas não necessariamente liberando-as. Quando essas emoções se expandem e se tornam incontroláveis, os torcedores irrompem em sombrios acessos dionisíacos de violência extática.”

###

Onde comprar: em qualquer grande livraria - e até nas pequenas. Pela internet também é fácil. Custa algo em torno de R$ 45.

03 abril 2013

Le hicimos el aguante

*Para efeitos, futebolísticos, "aguante" pode ser traduzido como o ato de "apoiar", "incentivar", "torcer" mesmo. Não um "torcer" qualquer, mas sim o das hinchadas argentinas e uruguayas. No sentido literal, o verbo "aguantar" poderia ser traduzido como "aguentar", "suportar" ou mesmo "resistir". Entendam o título como julgarem melhor.


O Palmeiras surgiu no gramado do Pacaembu nesta noite de terça-feira com aquele que foi certamente o pior e mais desfigurado time de toda a sua história - considerando jogos que valiam alguma coisa. De 1 a 11 (se ainda existisse isso), passando pelo banco de reservas, o cenário era desolador. Se o time titular já é frágil, o que dizer de um grupo que teve de ir a campo com uma dúzia de desfalques - e que, logo de cara, perde uma de suas únicas peças com certa qualidade? Para completar o quadro, era noite de Libertadores e o adversário era argentino. Que tal?

É bem verdade que o oponente em questão é provavelmente o pior representante da Argentina em toda a história da Libertadores (por favor, que voltem os grandes River, Racing, San Lorenzo, Independiente...). Ainda assim, sem um time inteiro à disposição e com um grupo que não é nada além de um bando de camisas numeradas que entram e saem sem fazer a menor diferença, o Palmeiras precisava de algo mais para buscar a vitória.

E esse algo mais surgiu de onde sempre veio e sempre haverá de vir algo mais: da arquibancada.

Porque o que fizemos nesta última noite na cancha municipal foi por demais grandioso. Não foi apenas uma noite de apoio incondicional, irrestrito e, a bem da verdade, cego; foi mais do que isso. Não se tratou somente de uma torcida que se pôs a cantar do primeiro ao último minuto; foi muito além. Foi uma noite em que a torcida entendeu que ou ela carregava nas costas aquele time esfacelado a vestir a sagrada camisa alviverde com um P no peito ou nada mais restaria. Foi uma noite em que a torcida compreendeu o seu papel e o executou com maestria e com uma devoção comovente. Foi uma noite única. Uma noite que só pode ser plenamente assimilada pelos que lá estivemos - e todos os demais haverão de se resignar à condição de não terem vivenciado nada parecido.

Foi uma noite apenas, e bem sabemos que pode não levar a lugar algum - é o mais provável. Mas o alviverde imponente surgiu uma vez mais. Sem time. Sem um técnico à altura. Ainda sem casa. Mas com uma torcida que, querendo, só precisa dela própria para fazer do Palmeiras o gigante que ele é.

###

_Repito: o time do Tigre é provavelmente o pior time que já representou a Argentina em toda a história da Libertadores. E essa constatação, senhores, só faz ampliar o vexame da derrota que sofremos no jogo da ida. Uma vergonha que pode nos custar a vaga.

_Foi tão grandiosa a vitória que eu vou até poupar os nobres, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque pela insistência em fecharem a escadaria. Fica pra próxima.

_E aí, putos do abaixo-assinado contra a Mancha: onde vocês estavam ontem? O que têm a dizer sobre o empurrão vindo da organizada, que inflamou todo o estádio?

_Faltou a colaboração do Foto Torcida para o post fica melhor. Aí pergunto: alguém aí conseguiu fazer boas imagens da torcida ontem? Da arquibancada, da Mancha, o que for? Eu publico aqui com o devido crédito.

02 abril 2013

Aguante!

Não temos time. Não temos técnico. Não temos sequer a nossa casa. Mas a camisa verde com um P no peito vai a campo. Façamos a nossa parte também na arquibancada.

Alguém pode vir com a pergunta - que, confesso, eu mesmo já fiz: pra que classificar se isso pode significar um sofrimento ainda pior do que o de eventualmente cair fora agora?

Olha, eu até concordo, mas jamais poderemos deixar de lutar. Mesmo sem time, mesmo sem técnico, mesmo sem tudo. Porque, já dizia o mestre Ezequiel, "enquanto existir uma camisa verde com um P no peito, deve haver respeito".

À cancha municipal!