19 novembro 2012

Avanti!

















Notícia haverá quando uma torcida resolver abandonar o time em caso de queda. Não se poderia esperar da massa alviverde nada diferente de apoio incondicional e reforço do sentimento de palestrinidade. Porque, sejamos sinceros, o rebaixamento foi merecido (os números são contundentes) e só o que temos como elo entre o gigante Palmeiras e este grupo recém-rebaixado é a torcida. Teríamos também a camisa e o estádio, mas a camisa não entrou em campo no jogo derradeiro (optaram pela aberração amarela que nos desonra) e nossa casa está sendo reconstruída.

Não se envergonhem, palestrinos. Não há porquê. Já sentimos antes o gosto amargo da queda e lutamos para voltar ao nosso lugar. Se caímos de novo, é porque a estrutura podre segue intacta, o que implica na nossa entrega não apenas na arquibancada, mas fora dela também, lutando para mudar aquilo tudo que tem feito o gigante Palmeiras deixar de ser o que é aos poucos.

Sim, (nós) caímos. Se fomos campeões ao levar o time nas costas, então fracassamos ao não conseguir evitar o pior. Não que a culpa seja nossa – não é! –, mas caímos juntos. E juntos voltaremos. Como já fizemos há uma década – e das coisas que eu mais me orgulho no futebol é ter ido a simplesmente todos os jogos em casa em 2003, além de encarar muitas – e longas – viagens Brasil afora.

Não há de ser nada. Porque, a bem de verdade, senhores, nada muda. Não muda o sentimento, não muda a grandiosidade da instituição, não muda a nossa dedicação.

Ao contrário dos oportunistas que não sabem o que é a arquibancada (eles têm nas redes sociais o refúgio mais visível e, depois de uma piadinha imbecil sobre o que não entendem, emendam algum comentário sobre o último capítulo da novela, com sua bunda gorda e atrofiada enfiada no sofá), lutamos junto com o time para evitar o pior. No Rio, em Araraquara, em Porto Alegre, em BH, em Campinas, em outras tantas canchas pelo Brasil, onde houver Palmeiras.

E estaremos na arquibancada de novo, dentro de poucos dias.

Por quê?

Eu sinceramente não sei explicar – e nem preciso.
Basta sentir e agir de acordo.

Enquanto alguns seguem na insignificância completa, eu e muitos dos que me leem estamos mais preocupados em garantir o quanto antes o ingresso para o jogo do próximo domingo. Um jogo que não vale nada, sabemos disso. Um jogo que será simbólico da nossa dor. Um jogo que resume bem tudo o que estamos bem enfrentando...

Mas é o Palmeiras que vai a campo, e com ele estaremos.

E, me perdoem a insanidade, já não consigo conter a inquietação para conhecer a tabela da Série B/2013. Saber que a camisa verde vai surgir, imponente, em canchas afastadas e inóspitas me faz querer lutar o quanto antes de novo. E sei que encontrarei muitos de vocês em cada uma dessas trincheiras, de Belém/PA a Chapecó/SC. Juntos, senhores, levaremos o gigante nas costas. E voltaremos.

Não há motivo para vergonha. Somos maiores que tudo e que todos. E assim é porque somos Palmeiras. Temos história. Temos camisa. Temos tradição. Temos alma. E a arquibancada nos fortalece. Enquanto houver Palmeiras, seguiremos.

Enquanto houver arquibancada, seremos mais fortes. E voltaremos. Voltaremos não apenas por voltar, mas para pisar na cabeça de todos os inimigos. Porque aqui é Palmeiras!

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Muitos textos inspirados já foram produzidos desde ontem. Muita gente boa já falou sobre o assunto, e eu procuro aqui dar uma pequena contribuição. Recomendo, no entanto, que leiam gente muito melhor nos links abaixo:

Cartas aos netos palmeirenses (Mauro Beting)

Meus caros f...amigos (Matheus Pichonelli)

Só não culpem a torcida (Conrado Cacace)

Caiu, levanta (Flávio Gomes) (foi para a Portuguesa dele no Paulista deste ano, mas o próprio Flávio Gomes deixou a indicação. E sim, se aplica ao momento)

12 novembro 2012

Anos perdidos

--- Quebrando o silêncio ---

Entre 2001 e 2011, com uma exceção pontual, o palmeirense sempre chegou a esta época ansioso por se despedir de um ano que não deixaria saudades - ou que nem deveria existir. Lutar pelo Palmeiras se tornou um fardo dos mais pesados, muito porque os inimigos de dentro são ainda mais rasteiros e nocivos. Seguimos lutando, ano após ano, com a inevitável sensação de que todo esforço é pouco enquanto o mundo for habitado por tirones, frizzos e piracis.

2012 se despede com um gosto ainda mais amargo, porque ao absoluto desalento se soma o sentimento de ter algo muito precioso tomado à força por esses ratos malditos.

Contra tudo e contra todos, buscamos na primeira metade do ano um título tão improvável quanto heroico. E agora, pouquíssimos meses depois, nossa conquista é saqueada por essa corja.

O Palmeiras, eu já disse, tinha sido irreversivelmente rebaixado em 11 de outubro, ao perder "em casa" para o mesmo Coritiba contra o qual triunfara bravamente apenas três meses antes. Foi uma derrota emblemática, pela forma como aconteceu, pelas circunstâncias, pelo estádio, pelas coincidências...

Todo o resto, senhores, veio apenas para machucar mais um pouco a alma palestrina. Entendo a esperança que tomava conta de parte da torcida, mas bastava um mínimo de vivência em estádios para se ter consciência de que o rebaixamento já tinha sido decretado na fria noite de Araraquara.

2012 em três atos:
11/07, Curitiba/PR. A glória.
11/10, Araraquara/SP. A dor do rebaixamento.
11/11, Presidente Prudente/MS. A humilhação.

Quis o destino que o descenso fosse praticamente consumado, mesmo para os mais iludidos, no vilarejo que é símbolo da gestão Tirone/Frizzo/Piraci. A opção pelo fim de mundo representa o pensamento que levou o clube de milhões a esta situação deplorável. Chegamos ao rebaixamento porque, entre outros motivos, foram muitos os erros na hora de definir uma "casa".

No vilarejo perdido do Pantanal, o Palmeiras passou por uma humilhação sem precedentes. Não apenas ficou a frações de um rebaixamento que já era sabido há um mês; foi ainda mero figurante na comemoração do título de um adversário desprezível.

O campeão invicto da Copa do Brasil entregou, exatos quatro meses depois, com sua 20ª derrota em 35 jogos, o título brasileiro para um adversário que há não muito tempo vivia de uma única e solitária conquista nacional. É a porra do Fluminense, senhores!

Os papéis se inverteram, e a torcida do gigante Palmeiras vive uma rotina antes inimaginável, tanto quanto a vivida por aquela gente afetada da zona sul do Rio.

É o sintoma mais evidente do ponto a que chegamos depois de tanto tempo jogado no lixo...

Perdemos quase todos os anos entre 2001 e 2011. Perdemos 2012 - e com ele perdemos também 2013, que sequer teve o direito de começar. Perdemos mais de uma década, e logo uma em que o futebol mudou como nunca antes, ganhando agora outra perspectiva. É uma década em que todos os nossos principais rivais cresceram muito, e a distância para eles só fez aumentar.

Cresceram os rivais dentro e fora de campo. Ganharam títulos até não mais poder. Ganharam dinheiro. Ganharam relevância. Ganharam projeção política. Ganharam em profissionalismo, em gestão, em tudo aquilo que, se bem usado, faz um clube crescer sem perder sua essência - embora alguns prefiram abrir mão da sua.

O Palmeiras não apenas deixou de ganhar. O Palmeiras regrediu. Isso já aconteceu antes, lá pelos anos 1980, mas então o mundo era outro e foi fácil recuperar terreno.

Seus rivais caminharam para as décadas seguintes, e o Palmeiras voltou para os anos 1980. O Palmeiras se apequenou. O Palmeiras se corroeu por dentro, com a sua torcida, marginalizada por uma meia dúzia de crápulas, lutando do lado de fora dos portões do Palestra Italia, por vezes com as armas erradas.

Sinceramente, não sei o que será do Palmeiras. Só sei dizer que continuaremos. Sei que estaremos sempre ao lado dele. Lutando. Persistindo. Errando até. Mas tentando. Virão a Série B novamente, a Arena Palestra, o centenário, um novo século. A sensação agora é de defender as cores de um clube que é grande apenas pela história e pela camisa, mas é pequeno no pensar e no fazer. À torcida compete a tarefa de levar o gigante ao caminho certo. De novo.


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Este quase um mês sem escrever no blog foi essencial para preservar minha sanidade mental. Boa parte da torcida perdeu o controle em meio à ilusão de que haveria saída depois de 11 de outubro. Nunca se deve desistir de lutar, e isso eu não farei nunca, mas o mais importante era guardar energias para o que realmente importa: voltar em 2013. Precisamos centrar esforços no que está por vir. Será uma batalha longa e inglória, mas somente nós podemos fazer as coisas voltarem ao devido lugar. Guardemos energia para isso, portanto.

Agradeço a todos pelas mensagens recebidas durante esse período em outras redes sociais, por email, pessoalmente até. Entendo os pedidos para voltar a escrever, mas realmente não seria saudável.

Este post cumpre o objetivo de formalizar algumas questões que ficaram pendentes e encerra o ano muito antes da hora.

Forza, palestrinos! 2013 será um longo ano e a torcida terá papel imprescindível para superarmos todos os desafios. A começar pelos inimigos internos.