30 agosto 2012

O que fazer?

Se me permitem um conselho, ei-lo aqui: esqueçam os números. Eu já fiz isso, porque se formos recorrer a eles, é melhor nem entrarmos em campo. Sei que alguns dos senhores podem esperar por alguma opinião esclarecedora ou por um texto que faça sentido por aqui, e então eu peço desculpas, uma vez que, depois do que vivemos ontem no Canindé, me sinto incapaz de escrever algo que seja pelo menos razoável. Mas reitero a sugestão: esqueçam os números. Observei aqui e ali algumas conclusões que emergem da análise desta e de outras campanhas e elas todas, campanhas e conclusões, são catastróficas. A minha também seria, e é por isso que eu vou abrir mão disso. Nada de simular as próximas 18 rodadas, nada de traçar metas, nada de ficar fazendo comparações com campanhas outras. Sei que é difícil, mas é melhor assim.

O time que aí está é o mesmo que ganhou a Copa do Brasil há menos de dois meses, e parece difícil entender porque chegamos em tão pouco tempo a uma situação que é, no mínimo, desesperadora. Pois bem, parece, mas não é. Vencemos a Copa do Brasil - de maneira invicta - na base do heroísmo, da superação pessoal e de uma entrega pela qual pagamos agora um preço altíssimo. O Palmeiras foi campeão APESAR dos senhores Tirone, Frizzo e demais comparsas. O Palmeiras foi campeão APESAR da incapacidade de gestão dessa gente, e isso fica evidente agora para eles próprios e para todos os que não quiseram enxergar tal situação.

Há ainda outros fatores que dão conta de explicar a situação atual (a indefinição no comando técnico para 2013, as péssimas contratações, as contusões que não chegam ao fim nunca, o camisa 10 que vive às custas da idolatria cega de um fã-clube alienado, mesmo a sequência de jogos em curto período de tempo), mas, de modo geral, eles todos são decorrentes da falência gerencial dos homens que deveriam, mas não sabem, comandar o gigante Palmeiras.

Já foi dito aqui inúmeras vezes que Arnaldo Tirone é o mais incapacitado presidente da história do Palmeiras. A prova está aí.

O que fazer?

Bom, é evidente que alguns jogadores não têm a menor condição de vestir a camisa alviverde. Outros têm, mas vivem péssima fase (foi o caso do camisa 6, que teve ontem uma noite repleta de falhas primárias e/ou constrangedoras). O problema todo é que não há muito como repor essas peças, uma vez que muitos atletas  com potencial seguem exilados no departamento médico.

Quem é muito bem pago para isso deve pensar nas soluções de ordem técnica. À torcida compete ir ao estádio em peso, apoiar o time de maneira incondicional e deixar as críticas e protestos para depois.

Se não há muito o que fazer em relação ao elenco, eu tomo a liberdade de propor ao menos três medidas simples que podem ser tomadas desde já:

1. "Fechar" com a torcida
Chega de pensar em migalhas! Chega! É o caso agora de trazer a torcida para perto do clube. Quando falo em torcida, me refiro à "massa", ao povão, àquele parcela que não pode ir tanto aos jogos porque o preço dos ingressos segue elevado. É hora de exercer toda a pressão que for possível. É hora de lançar ingressos populares (em especial para o tobogã), na casa dos R$ 10 (como fizeram os bichas), para que o Pacaembu jogue a nosso favor. É hora de entender que a situação é por demais complicada e usar os ídolos do clube para convocar o torcedor - e os ingressos a preços populares seriam o melhor estímulo para isso. Por favor, deixem de mesquinharia. O Palmeiras precisa da torcida mais do que nunca. É urgente a criação de um ambiente favorável. Do contrário, todos sofreremos com uma nova tragédia no fim do ano.

2. Respeito à camisa
Não me refiro especificamente à relação dos jogadores com o clube, mas à necessidade premente de abolir o uso desta maldita camisa amarela, que, por si só, já nos faz sentir vergonha de ver o time em campo. Não sei quanto a vocês, mas vejo o time entrar em campo com aquele uniforme ridículo e já me sinto derrotado. Por favor, camisa verde, seus putos! VERDE!

3. Pro inferno com a Copa Sul-Americana
A verdade mesmo é que deveríamos ter desistido da Copa Sul-Americana já na primeira fase. Aquele 2-0 contra o Botafogo acabou sendo terrível, e agora teremos de encarar uma longa viagem para porra nenhuma. Não há porquê seguir nessa competição: ela só vai representar desgaste do elenco e foco dividido. Precisamos ser eliminados disso já na próxima fase. E, por favor, sei de todas as limitações e problemas, mas devemos entrar em campo com o time inteiramente reserva e, se possível, sem ninguém no banco.

De imediato, temos um jogo importantíssimo no sábado e então eu conclamo o palmeirense de verdade a fazer a sua parte. O ingresso está caro e tudo mais, mas é o momento de a torcida se fazer presente. Tivemos quase 30 mil pessoas contra o mesmo Grêmio no Buraco de Barueri (com preços ainda mais extorsivos) e então eu digo a esses todos que o duelo deste sábado é quase tão decisivo quanto foi aquele. Tomem vergonha na cara! Ao estádio!

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_Ao fã-clube do vagabundo da camisa 10: Me expliquem, por favor, como é que o sujeito consegue estar pendurado mesmo sem entrar em campo? E mais do que isso: me digam, por favor, qual é a dificuldade em conseguir completar três jogos seguidos?

_O jogo de ontem foi o primeiro em mais de dois anos a ser disputado no tradicional horário de quarta às 20h30.

29 agosto 2012

O clássico da (e na) capital











Os senhores felizmente serão poupados de mais um texto raivoso deste blog contra a aberração que atende pelo nome de Presidente Prudente/MS. O bom senso prevaleceu e então não teremos protestos, xingamentos aos nossos diretores ou palavras de ordem contra o imbecil prefeito daquele vilarejo perdido. Como bem definiu o Danilo Cerosimo, "não é papel do Palmeiras e do Derby servirem de cabos eleitorais pro prefeito de Prudente".

Durante toda a terça-feira, ficou no ar a ameaça de novamente termos o clássico da cidade disputado no Pantanal. Correu-se o risco de vendermos o nosso mando de campo por migalhas, cedendo aos gambás metade da carga de ingressos e perdendo toda e qualquer vantagem que poderíamos ter. A revolta foi enorme e a pressão surtiu efeito: a diretoria voltou atrás e o clássico foi confirmado para a capital paulista, no único local aceitável.

Não vou entrar nos detalhes, até porque não tenho informações sobre o que efetivamente havia sido combinado com o puto que governa aquele lugar e não posso dizer se a reviravolta realmente tem relação com a pressão exercida por boa parte da torcida. Mas uma coisa precisa ser dita: se a diretoria ouviu a torcida dessa vez (e parece que ouviu), é justo dar parabéns aos responsáveis.

Mas é verdade também que já passou da hora de fixarmos um único local para mandarmos nossos jogos, de modo a não ficarmos mais reféns de decisões pautadas em superstições idiotas ou impressionismos momentâneos. Chega de ficar pulando de estádio em estádio, chega de fazer do Palmeiras um clube itinerante, chega dessa instabilidade que só faz mal ao time e à torcida.

O clássico da cidade será na capital paulista. Será na cancha municipal. E é lá, no estádio que é nossa segunda casa, que lutaremos para derrubar o nosso rival e o discurso patético do que defendem opções absurdas e não condizentes com a nossa história.

26 agosto 2012

A hora da reação

Eis que fechamos o turno e completamos 98 anos de vida em uma situação que não condiz em nada com a nossa história. E então, antes que se manifestem os desonestos e mal intencionados, é bom registrar que a derrota sofrida para o Santos neste sábado é a menos preocupante no conjunto da obra: além de o time ter jogado bem novamente, perdemos para um adversário tecnicamente muito mais qualificado, em uma diferença que se fez visível em dois lances.

O problema todo, senhores, encontra-se em boa parte das outras 10 derrotas e mesmo em alguns dos empates. A começar pelo primeiro de todos, contra a mesma Portuguesa que enfrentaremos na próxima quarta, com um gol estúpido sofrido nos minutos finais e que, de certa forma, foi um prenúncio de todo o resto que enfrentaríamos depois. Aí tivemos a imbecil derrota em Recife, com o time jogando melhor e sendo pela primeira vez prejudicado pela arbitragem.

Vieram então o gol de falta sofrido já no final do jogo contra o Vasco (um pecado que nos custou mais dois preciosos pontos), a absurda, imperdoável e maldita derrota para os reservas gambás, a falha do camisa 22 contra a Ponte Preta, os assaltos à mão armada contra Cruzeiro e Bahia (este é um pouco mais doloroso) e, por fim, a vexatória derrota em Goiânia.

Isso tudo somado, alcançamos míseros 16 pontos em 19 partidas e tivemos apenas no turno mais derrotas (11) do que o número de reveses de toda a temporada anterior (10 em 38 jogos). É por demais preocupante, e eu sinceramente não sei dizer se o fato de um time com tantos problemas estar jogando bem deve ser considerado bom ou ruim. Porque parece não haver muito como melhorar.

Mas chega de números; de nada adianta traçar comparações com 2002, 2006 ou 2011 ou mesmo projetar o total de pontos que precisamos somar até o fim do ano. Fato mesmo, senhores, é que não dá mais para esperar. A reação deve começar imediatamente, já na próxima quarta-feira. Temos de devastar a Portuguesa. Temos de invadir o Canindé. Temos de colocar os portugueses no devido lugar. É hora de reagir. É hora de ser Palmeiras!

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_O retorno à cancha municipal foi das coisas mais agradáveis que tivemos durante todo este ano. Aliás, foi o que tivemos de melhor depois da conquista da Copa do Brasil. Time e torcida estiveram em comunhão, o Pacaembu recebeu um bom público, o apoio foi irrestrito do primeiro ao último minuto. Perdemos por fatores completamente alheios ao local do jogo, e o que deve ser enaltecido é o reencontro do Palmeiras com a sua cidade e com a sua gente. O Palestra não podia mesmo comemorar este aniversário sem ter jogado este clássico na sua casa provisória.

_Ingresso comprado para quarta-feira (Portuguesa/SP-Palmeiras no Canindé) e reservado para sábado (Palmeiras-Grêmio/RS no Pacaembu). Tudo no Futebol Card/Avanti. Que venham seis pontos!

_PARABÉNS, PALMEIRAS! E OBRIGADO POR TUDO!

23 agosto 2012

À cancha municipal!

Não é do feitio deste blog ficar chamando torcedor para ir aos jogos (até porque isso vai muito da consciência e do caráter de cada um), mas eis que é o caso de fazer isso ao menos desta vez.

Vejam os senhores que tanto lutamos e protestamos que conseguimos, ao menos por enquanto, que o Palmeiras abandonasse o Buraco de Barueri e voltasse para a sua cidade. Pois bem, é hora então de o palmeirense comparecer ao estádio em grande número, a começar pelo clássico do próximo sábado contra o Santos FC.

O fato de o Palmeiras estar em campo já seria o bastante para termos casa cheia. Some-se a isso o fato de ser um clássico e de ele acontecer na cancha municipal em dia e horário aceitáveis e o cenário passa a ser ainda mais convidativo. Vale levar em conta ainda que o Palmeiras precisa demais da vitória e então tem-se mais evidente ainda o quanto a presença do palmeirense é essencial.

E vou ficar por aqui. Quem reclamou aí durante muito tempo de Barueri tem obrigação de ir ao estádio no próximo sábado. Tem obrigação simplesmente porque o Palmeiras vai a campo, e nem seriam necessários todos esses motivos adicionais. Mas aí vai do caráter de cada um. Até porque é muito fácil ficar desesperado atrás de ingressos para a final, mas o palmeirense mesmo se faz notar quando segue o time em todas as partes, em qualquer lugar e seja lá qual for a situação.

Ao estádio, senhores. E chega de falatório!

Sobre pesos e medidas

O Botafogo foi beneficiado duas vezes pela arbitragem contra o Palmeiras em questão de duas semanas. Ambas em casa. Perdeu um jogo e foi eliminado no outro. Poder-se-ia dizer que os erros foram neutralizados ou coisa do tipo. Eu não vejo assim. Prefiro constatar que o Palmeiras foi prejudicado de maneira acintosa em cinco (contra Bahia/BA, Cruzeiro/MG, Botafogo/RJ, CAG/GO e de novo Botafogo/RJ) das nove últimas vezes que entrou em campo. Em contrapartida, há um lance em que supostamente teríamos sido beneficiados, contra o Flamengo/RJ. De mais a mais, houve três jogos (Botafogo/RJ em casa, Internacional/RS e Fluminense/RJ) sem interferência dos filhos da puta do apito.

Boa média, não acham? Em um universo de nove partidas, cinco erros acintosos contra o Palmeiras e um suposto a favor? Mas fiquem tranquilos, palestrinos: a imprensa esportiva haverá de nos confortar com o argumento de que os erros acontecem para todos os lados e se anulam no final etc. e tal. O problema é que isso deve valer para todos os clubes, menos para o Palmeiras.

Em meio a isso tudo, vale abordar o enérgico conjunto de reações em represália ao primeiro erro de arbitragem que prejudica aquela gente sofrida que busca agora também o monopólio da arbitragem. É um tal de bandeirinha afastado (e bem queriam pena de morte para o tipo), técnico chiliquento que nunca será punido (ao contrário do nosso), troca no comando da arbitragem de maneira intempestiva, campanha midiática em defesa dos pobres e oprimidos gambás e sabe-se lá mais o quê.

Tudo isso por um erro contra o time que é sistematicamente beneficiada pela arbitragem, a quem deve alguns de seus títulos de maior destaque. O Palmeiras, por outro lado, foi prejudicado em cinco de seus nove últimos jogos e os responsáveis continuam à solta. Punição? Só para o nosso técnico, claro.

20 agosto 2012

Vexame repetido

O CAG não tem tradição alguma no futebol. O CAG tem um time de merda, incapaz de ameaçar quem quer que seja. O CAG não nem tem torcida, e os jogos no Serra Dourada são invariavelmente disputados com a torcida visitante sendo a maioria - foi assim neste domingo. Em outras palavras: o Palmeiras enfrentou um adversário que é insignificante e que tem um elenco de merda e fez isso tudo sem qualquer pressão externa. E conseguiu perder.

Perdeu como em (quase) todas as ocasiões anteriores. Perdeu como em um jogo eliminatório de Copa do Brasil, com derrota nos pênaltis, com seus jogadores conseguindo desperdiçar três cobranças em quatro. Perdeu como nos dois turnos do Brasileiro daquele mesmo ano, com um duplo 0-3, um deles no dia de seu aniversário, com casa cheia. Perdeu mesmo sem perder, como no vexatório empate cedido em 2011, com dois homens a mais.

Perdeu. E esta décima derrota em 18 jogos (o mesmo tanto que perdemos nos 38 da temporada anterior) deixa o Palmeiras muito perto desta aberração do Planalto Central, uma dessas porcarias que nunca deveriam ter chegado até a divisão de elite. O risco é enorme, senhores, mais do que gostaríamos de admitir. Que os responsáveis se encarreguem de evitar o vexame. E, uma vez que conseguiram perder para algumas tranqueiras neste turno, é o caso de buscarem a reação contra os grandes como nós. A começar pelo próximo sábado.

Em outras palavras: comecem a jogar bola, putos!

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_2011: o Palmeiras escapou do rebaixamento nas últimas rodadas. Correu sérios riscos antes de evitar o pior. Em 38 jogos, repito, perdeu 10. Agora, menos de um ano depois, já soma o mesmo número de reveses em apenas 18 jogos. Se isso não for preocupante, não sei mais o que é.

_Se houver um mínimo de bom senso por parte da comissão técnica, o Palmeiras entra em campo na próxima quarta-feira com um time reserva. Porque, em longo prazo, a Copa Sul-Americana pode ser um empecilho a mais na luta contra o vexame no Brasileiro.

16 agosto 2012

Passar bem, Barueri!

Ouço algumas vozes por aí a proclamar que aconteceu em posição de impedimento o gol que deu ao Palmeiras a vitória sobre os mulambos por 1 a 0 no Buraco de Barueri. Quem diz isso, mais até que o nosso inimigo carioca, é parte bem representativa da nobre e ilibada crônica esportiva deste país, talvez para buscar em um único lance uma justificativa para o frágil e desonesto discurso segundo o qual "os erros acontecem para todos os lados e se anulam no final".

(Eu venho dizendo que a imprensa vai buscar justificar essa tese estapafúrdia a todo custo, mas os nobres jornalistas podem estar apelando para o exemplo errado.)

Vejamos, pois, a ênfase com que o portal esportivo da nefasta Globo destacou o gol anotado pelo nosso camisa 9:















Notaram a vontade de quem escreveu a chamada? O uso da palavra "ilegal" evidencia de maneira muito clara quais são os interesses em jogo. Não vou entrar aqui em uma discussão semântica, mas a opção pelo termo "ilegal" certamente não aconteceu de maneira aleatória. Não mesmo. Colocada dessa forma, ela quase confere ao lance (e ao triunfo do Palmeiras em perspectiva mais ampla) um caráter criminoso, de uma vitória conspurcada, indigna, ilegítima. Porque, devemos lembrar, do outro lado estava o Flamengo.

Sem ter como palpitar a partir do que vi no estádio, fui ver o tal lance em casa e, sinceramente, não consigo ter assim essa certeza de jeito algum - nem para um lado, nem para o outro. Vejamos - com atenção para a linha da bola, que é o que importa:


















Não tenho convicção de dizer que havia impedimento ou não; aliás, não acredito que alguém consiga afirmar isso sem ter alguma dúvida que seja. Mas uma coisa é certa: o sujeito que imprime a este lance aí o adjetivo "ilegal" certamente não está bem intencionado.

Fosse o contrário, e pouco ou nada seria dito.

Aliás, um erro absurdo como o que tirou do mesmo camisa 9 palmeirense um belíssimo gol na semana passada (imagem abaixo) bem poderia ter sido tratado pelos babacas globais e por outros tantos colegas da nossa crônica esportiva como "duvidoso".
















Porque, na dúvida, apita-se contra o Palmeiras. Menos, parece, neste caso aqui do 1-0 sobre os mulambos. E, ainda que tivesse ocorrido um erro clamoroso a nosso favor, outros quatro seriam necessários apenas neste Brasileiro para recuperarmos os pontos roubados e para que a tese desonesta da imprensa esportiva fizesse algum sentido.

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O título do post remete a um assunto que só vai ser tratado agora.

Tivemos nesta madrugada de quarta para quinta-feira a despedida do Buraco de Barueri (ao menos por um tempo). Jogaremos o clássico contra o Santos no Pacaembu e sabe-se lá onde depois disso - e me incomoda sobremaneira que tal questão continue a ser tratado à base de superstições idiotas, de impressionismos pessoais e sem o devido planejamento. Menos mal que tenha terminado, ao menos por ora, o exílio de Barueri.

Ninguém mais aguentava aquele lugar, e o ridículo público desta noite (exatos 7.500 pagantes) foi o menor desde o Rio-SP de 2001 se considerarmos todos os jogos disputados entre Palmeiras e Flamengo. Um tremendo prejuízo em termos de imagem (o estádio vazio) e também para as finanças. Acompanhem:

20.07.2011, quarta-feira, 21h50
Palmeiras 0-0 Flamengo/RJ, Pacaembu
Renda: R$ 977.922
Público: 33.575

15.08.2012, quarta-feira, 22h
Palmeiras 1-0 Flamengo/RJ, Buraco de Barueri
Renda: R$ 279.140
Público: 7.500

Os 7.500 torcedores que conseguimos chegar a Barueri na noite desta quarta representamos o público máximo  que se pode levar àquele estádio em uma quarta-feira à noite (sem considerar jogos finais, ok?). Porque você deve excluir todos os que dependem de transporte público e contar com apenas uma pequena parcela da torcida em campo. Um tanto elitista, é verdade, e estúpido também.

Ir a Barueri na noite desta quarta-feira foi menos sofrido do que em todas as outras tardes e noites. Porque, por pior que fosse o cenário todo, ao menos já tínhamos a notícia de que o paulistano Palmeiras estará de volta à sua cidade dentro de 10 dias.

Acabou. Chega. Passar bem, Barueri! Espero sinceramente nunca mais ter de voltar lá.

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_Há muito ainda o que escrever sobre esse tema, e eu voltarei a isso em breve. Mas gostaria já de agradecer a todos os leitores que contribuíram para este blog seguir na luta contra Barueri nos últimos meses (anos?). Porque os relatos todos foram essenciais para que eu conseguisse construir a argumentação e embasar meu pensamento sobre esta praga que nos foi imposta já 12 vezes neste ano. Enfim estamos livres. Vencemos a batalha. Obrigado a todos.

_Grandiosa vitória nesta madrugada. Seguimos em frente!

_O camisa 9 segue sendo um monstro.

14 agosto 2012

Estamos em guerra

"Tirone pode até não ser o pior presidente que já tivemos (porque houve certa feita um sujeito chamado Mustafá Contursi), mas ele é certamente o mais despreparado e inapto de todos os homens que já ficaram à frente do nosso clube." Escrevi isso algumas vezes nos últimos meses. Peço agora a licença dos senhores para rever o conceito. A verdade é que Arnaldo Tirone não é "apenas" o mais despreparado presidente da história da Sociedade Esportiva Palmeiras; ele também é o pior de todos. Justifico: ele é o primeiro homem a dirigir o alviverde imponente que declara guerra ao que qualquer clube tem de mais valioso: o seu torcedor.

Os senhores devem ter notado que o blog ficou muitos dias sem atualização. Isso se deu não apenas porque aproveitei a semana de jogos no Rio para tirar uma breve e necessária folga das sempre cansativas viagens e caravanas, mas porque eu precisava digerir tudo o que tem acontecido recentemente.

Não esperem agora que eu vá novamente despejar números de aproveitamento, estatísticas, média de público e toda sorte de argumentos lógicos demonstrando o crime cometido pela corja que insiste com jogos no Buraco de Barueri. Não farei isso, muito porque os dados já foram expostos à exaustão e qualquer ser humano minimamente inteligente já se convenceu da cretinice perpetrada por figuras débeis como Tirone, Frizzo e demais cúmplices.

Uma frase, proferida pelo próprio mandatário da Sociedade Esportiva Palmeiras, é sintomática de tudo o que estamos vivendo. Os senhores todos já devem ter tomado conhecimento, mas é necessário repetir a argumentação do sujeito ao defender os duelos no Buraco de Barueri. Registro para a posteridade:

"Chego lá em 20 minutos".
(Arnaldo Tirone, o pior presidente da história da S.E. Palmeiras)

Para início de conversa, é o caso de dizer que Arnaldo Tirone é um mentiroso. Porque, a não ser que faça uso de um helicóptero particular, é impossível cumprir o trajeto Faria Lima-Buraco de Barueri em 20 minutos. Impossível! (e nem considero aqui trânsito ou todos os agravantes de partidas disputadas à noite)

Tirone pode não gostar de ser chamado de mentiroso (e menos ainda de banana), mas é assim que é. Se preferir, no entanto, dá para dizer que ele é, no mínimo, mal intencionado.

A bem da verdade, pouco importa se for uma coisa ou outra. Importa, isso sim, que o mandatário da S.E. Palmeiras está declarando guerra ao torcedor do clube. Está desprezando o fato de boa parte da massa que faz o clube ser o que é estar sendo simplesmente impedida de ver o time em campo. Está deixando de lado os protestos, as reclamações e toda a indignação em nome de alguma inexplicável preferência pessoal (o que me leva a crer que existe alguma motivação menos nobre nisso tudo). Está fazendo o clube perder dinheiro jogo após jogo. Está quebrando a identidade entre o Palmeiras e o povão. Está fazendo do gigante alviverde um dos times com pior média de público no BR/2012. Está boicotando o plano de sócio-torcedor recém-lançado. Está transformando o paulistano Palmeiras em visitante na sua própria cidade.

Ao dizer, de maneira estúpida, infantil e alienada, que leva apenas 20 minutos para chegar ao Buraco de Barueri, o presidente do Palmeiras evidencia toda a sua ignorância em relação ao significado da expressão "clube de massa". Ignora que a massa não tem carro com motorista particular e que depende de transporte público para ir ao estádio e depois voltar para casa. Ignora todo o transtorno acarretado pelos jogos fora da cidade de SP. Ignora o fato de que o Palmeiras só é gigante pela identidade com o povão e não apenas com os poucos que podem, de carro, gastar uma fortuna e perder horas para ver o time "em casa". Ignora, enfim, a nossa história e tudo aquilo que construíram nossos antepassados.

A declaração de Tirone é de uma estupidez atroz e serve como resumo de tudo o que estamos vivendo. Estamos em guerra.

Que você pague por tudo isso, Tirone!

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Reitero que não vou ficar aqui insistindo com números, médias de público e essa coisa toda. Já foi tudo abordado de maneira exaustiva por este e por outros blogs, e a corja que dirige o Palmeiras se mostra insensível a todos os argumentos lógicos e racionais e ao sofrimento manifestado por toda a torcida. Deixemos isso em segundo plano por enquanto. Mas, uma vez que o post é dedicado ao pior presidente da história do Palmeiras, faço questão de deixá-los com alguns posts já escritos anteriormente sobre este senhor (e sobre seu comparsa, o igualmente despreparado Roberto Frizzo):

Tirone, o despreparado (18.04.2012)

E aí, Tirone, quanto foi? (06.04.2012)

A gestão Tirone em 4 atos (20.03.2012)

Carta aberta aos dirigentes (13.03.2012)

Amar é... (28.02.2012)

O troco (05.10.2011)

Tirone-Frizzo, o legado (24.08.2011)

Respeito zero (10.07.2011)

Afronta (05.07.2011)

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_Sei que já ficou um pouco atrasado, mas é preciso também registrar para a posteridade o absurdo roubo de que fomos vítimas na quarta-feira da semana anterior. Não dá para deixar de publicar a imagem:















_Mas não há de ser nada, senhores. Porque os babacas da imprensa esportiva vivem tentando nos convencer que "os erros acontecem para todos os lados e se anulam no final do campeonato". Pois é, mas já são ao menos oito pontos roubados do Palmeiras de maneira descarada apenas neste ano. E é assim temporada após temporada, e nada muda.

_O Conrado escreveu um post inestimável lá no Verdazzo. Vai ao encontro disso que eu sempre escrevo por aqui.

_Uma vitória e uma derrota no Rio. Ficou de bom tamanho até. O time tem jogado bem e deve sair da situação incômoda muito em breve - se os árbitros assim permitirem. Mas a vitória contra o Flamengo amanhã à noite é imprescindível.

07 agosto 2012

Turiassu, 1840 (14)





















A mãe nunca aceitou aquele Mendonça imposto pelo pai, e o próprio moleque não fazia questão de ser chamado pelo nome composto. Preferia Jorge. Só Jorge. Acontece que o Mendonça estava lá, herdeiro da promessa feita por Etore ao raiar daquele 18 de agosto de 1976. O primogênito que estava por nascer ganhou nome e sobrenome logo mais à noite, no toque de cabeça certeiro de Jorge Mendonça, 39 minutos passados desde o apito inicial e sob os olhares de 40.283 pagantes, público nunca antes e nunca mais visto por ali.

Mal sabia o pai que aquele gol selaria o último título que ganharíamos pelos 16 anos seguintes. Assim foi. E Etore, como de costume e dessa vez torcendo para que o rebento não viesse antes da hora, assistiu àquele histórico 1-0 da janela de seu apartamento, com a vista privilegiada que só tinham alguns poucos moradores dos fundos do pequeno prédio residencial da rua Padre Antônio Tomás, quase dentro do histórico campo palestrino. Para morar ali, Etore desembolsou uma considerável quantia para a segunda metade dos anos 1960. E de lá nunca saiu. Por dinheiro algum.

Filho de italianos da pequena cidade de Polignano a Mare, na região da Puglia, havia morado antes no Brás, no Bixiga e na Barra Funda, como se necessário fosse cumprir tão típico roteiro. Uma vez adulto, passou a maior parte da vida naquele pequeno apartamento vizinho à sua maior paixão. Jorge Mendonça nasceu e cresceu ali. Aprendeu a torcer pelo Palmeiras vendo o pai e dele herdou o hábito de se posicionar à janela apenas cinco minutos antes de cada jogo, uma garrafa de Antarctica à mão (nunca bebeu outra marca), copos para cada uma das habituais visitas.

Visitas que, diga-se, eram controladas, uma vez que o espaço perto da janela era um tanto exíguo. Cabiam ali Etore, Jorge à sua direita e talvez mais uma pessoa. Outros - e eles sempre apareciam nos jogos com casa cheia - tinham de olhar por trás deles ou ali pelos cantos da janela, se a cortina assim permitisse.

O jogo transcorria logo abaixo. Dois jogos, na verdade: havia aquele entre as quatro linhas e outro fora delas, na arquibancada, visível em sua plenitude. Etore, nos devaneios típicos de qualquer torcedor que se preze, sempre se portou como um maestro invisível da multidão.

De sua janela, ele viu o Palmeiras vencer aquele título de 1976, a Libertadores e outros mais, todos guardados em sua memória até o último dia de vida. Acompanhou vitórias grandiosas e vexames improváveis, títulos e humilhações, partidas notáveis em domingos ensolarados e duelos obscuros em noites chuvosas. Presenciou esquadrões inesquecíveis e times que não mereciam ter pisado em solo sagrado. Torceu por craques que fizeram história e suportou alguns que não deveriam nunca ter vestido o manto alviverde. Vibrou igualmente com e por cada um deles.


















Ídolos passaram diante de sua janela. A história alviverde se construiu jogo após jogo, ano após ano, Etore, Jorge Mendonça e o prédio da Padre Tomás como testemunhas. O Campeão do Século XX se exibiu semanalmente logo abaixo deles. Gerações e mais gerações por ali passaram. Pais, filhos, netos, agregados, famílias inteiras unidas pelo amor ao Palestra.

Jorge aprendeu a ver o Palmeiras de dentro de casa. Um inusitado 'torcedor de sofá'. Cresceu e criou família sem nunca ter pisado na arquibancada do Palestra. Não por nada, sequer pela economia de não precisar pagar ingresso, mas é que se acostumou àquela rotina de abrir a janela e ter literalmente a seus pés o bom e velho estádio Palestra Italia. Com chuva ou sol, lá estavam ele e o pai. Nos mesmos lugares, o mesmo sofá - que a mãe insistia em querer trocar -, o mesmo cardápio - que passou a fazer ainda mais sentido depois de proibirem a venda de cerveja dentro dos estádios.

















Etore se foi antes de saber que um dia o velho Palestra Italia viria abaixo. Viu surgir o alviverde imponente quase 1.500 vezes. Deixou como herança o velho apartamento da Padre Tomás, alguns princípios inabaláveis que forjaram o caráter do menino Jorge Mendonça e, acima de tudo, a palestrinidade.

Diante do velho edifício residencial, erguido no final dos anos 1950, o estádio que se abriu para algumas das maiores glórias da Sociedade Esportiva Palmeiras disse até breve. Jorge acompanhou a despedida do lugar de sempre, atônito, o inconformismo presente no olhar. Viu desabar cada pedaço da arquibancada que ele conhecia como poucos - mesmo sem nunca ter colocado os pés nela. Do alto, era capaz até de identificar as rachaduras e os diferentes tipos de cimento que compunham toda aquela enorme estrutura.

Tudo veio abaixo. Testemunha de meio século da história alviverde, o pequeno edifício da Padre Antônio Tomás ali ficou, intacto, como que a esperar pelo que vem pela frente. E agora, um sobrevivente em meio aos sopros de modernidade que assolam a metrópole, observa o gigante de concreto ressurgir. Mais gigante do que nunca. Tanto que não mais permitirá a Jorge acompanhar tudo da janela de casa.

Difícil controlar a expectativa. Jorge acompanha a obra em seus mínimos detalhes. Chega a vibrar com cada viga que se levanta e quase grita "gol" a cada novo lance da arquibancada. Se antes Etore se sentia o maestro invisível da multidão, agora é a vez de seu único filho fazer as vezes de mestre-de-obras daquelas centenas de homens que vão devolver a nossa casa. E tudo o que ele mais quer é poder enfim colocar os pés na arquibancada que conheceu como poucos. A vida segue. O pequeno Marcos acaba de chegar. Hora de transmitir o sentimento para uma nova geração.





























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Créditos das fotos:

1. Foto gentilmente cedida pelo mestre Ezequiel, histórico e historiador palestrino. Palmeiras 5-1 Santos/SP, 29.11.1959. O prédio da Padre Tomás começa a tomar forma.

2. Outra imagem do mestre Ezequiel. Palmeiras 1-0 Náutico/PE, 12.02.1967, despedida do grande Julinho Botelho. Está lá o edifício como testemunha.

3. Essa eu peguei no Portal Lumière.

4 e 5. Fotos do La Nostra Casa.

06 agosto 2012

O palmeirense exige respeito

Não sei quanto a vocês, mas eu estou por demais preocupado com o risco que corremos no final do ano. Porque o time não se ajusta, os desfalques se acumulam e não temos qualquer sinal de criatividade no meio. Para piorar, a sequência de jogos neste final do turno é quase intransponível (difícil imaginar o time somando pontos nestes cinco difíceis jogos que temos pela frente). Ou seja: vamos virar o turno na zona de rebaixamento e aí a segunda metade do insuportável Campeonato Brasileiro de pontos corridos será uma versão ampliada daquilo que vivemos nas últimas rodadas do ano passado.

A derrota para o Inter, é bom que se diga, teria ocorrido em qualquer lugar. Primeiro porque o Inter tem muito mais time - mesmo com tantos desfalques. Mas também porque o Palmeiras fez um primeiro tempo abaixo da crítica e aí depois não havia qualidade técnica para buscar o empate - que não ajudaria muito, diga-se. E vejam, senhores, que eu nem precisei mencionar o terrível retrospecto histórico no confronto entre os dois clubes.

Isso dito, vamos passar à temática das últimas semanas:

Palmeiras 2-0 Internacional, 29.09.2010, 12.264 pagantes. Lembram-se disso? Pois eu digo aos senhores que o Palmeiras jogou 25 vezes na Arena Barueri desde 2008. 25 jogos. Excluindo os quatro decisivos (Paraná/PR, Atlético/PR, Grêmio/RS e Coritiba/PR) da Copa do Brasil - que teriam casa cheia em qualquer estádio - e um duelo contra o Universitário Sucre pela Sul-Americana de 2010, este jogo contra o Inter foi o único em toda a história em que a torcida alviverde superou a barreira dos 10 mil torcedores no Buraco de Barueri.

Uma vez em 20 jogos! E eu coloco a nota de corte em 10 mil pagantes pelo simbolismo, até porque a nossa média nos jogos disputados na capital paulista gira em torno de 13 a 14 mil torcedores.

Tivemos 8.387 pagantes neste sábado em Barueri. Muito pouco. Foi o quinto jogo que disputamos naquele maldito buraco desde o título da Copa do Brasil. O público não chegou sequer a 9 mil torcedores em nenhuma dessas vezes. Somados os cinco jogos, temos um público de 35.516 torcedores, incapaz de lotar o Pacaembu uma única vez.

Isso tudo diz muito sobre o sofrimento imposto ao palmeirense enquanto persistir a criminosa opção dos senhores Tirone, Frizzo e demais cúmplices.

O Palmeiras corre um risco que não condiz com o time que temos, com o título recém-conquistado e especialmente com a nossa história. Mas o risco existe, e é preciso trazer a torcida para perto do clube mais do que nunca. Torcida e time precisam caminhar juntos. E para que isso aconteça é preciso ao menos que os nossos dirigentes não tornem a ida ao estádio algo tão complicado, caro e sofrido.

Chega deste inferno chamado Buraco de Barueri!
O palmeirense exige respeito!

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_Durante a semana, o vice-presidente Roberto Frizzo desdenhou do fato de o palmeirense "ser sacrificado" pelos jogos no Buraco de Barueri. É algo inaceitável e me leva a questionar quais são os interesses escusos que podem motivar jogos naquele lugar maldito.

_O palmeirense não aguenta mais viajar para ver o time em casa, mas talvez eu esteja sendo muito rigoroso com isso, não? Porque, afinal, dizem que os jogadores gostam. Bom saber que os vagabundos que recebem fortunas para deixar o time na zona do rebaixamento aprovam os jogos naquele buraco.

_E o vagabundo da camisa 10? Ele também gosta de Barueri? Aliás, será que ele foi visitar a família em mais um fim de semana de folga? Ou preferiu aproveitar a noite de SP, em um programa nada familiar?

_E o fã-clube do chileno vagabundo, o que tem a dizer agora?

_Frizzo, Tirone e demais cúmplices: já gastei neste ano mais de R$ 400 além do que teria gasto se vocês tivessem a decência de manter os jogos na capital paulista. R$ 400 para os postos Ipiranga, para o Governo do Estado, para a ViaOeste e para estacionamentos que nunca deveriam ter existido. Preferia ter comprado um agasalho do Palmeiras ou qualquer outro artigo do clube, mas vocês fizeram o meu dinheiro tomar outro rumo.

02 agosto 2012

Pela extinção do palmeirense

Se me permitem, começo o post de Palmeiras de Barueri 2-0 Botafogo do Rio de Janeiro com uma notícia sobre nosso maior inimigo. Eis que o SPFW, antes tido e havido como clube da elite paulistana e há certo tempo interessado em ampliar substancialmente sua torcida, inovou com a criação de um “setor popular” no estádio do Jd. Leonor. A coisa toda é muito simples: existe no campo do nosso inimigo um setor, o amarelo, que vive constantemente vazio, ocupado talvez em dois ou três jogos de 19 válidos pelo Campeonato Brasileiro. Se nada fizesse, aquele espaço de nove mil lugares continuaria sem uso durante toda a temporada. Mas a direção leonor tomou uma atitude: decidiu que os ingressos para o amarelo vão custar apenas R$ 10 (ou R$ 5 para estudantes) até o fim do ano.

Aspas de Roberto Natel (Natel, viram?), vice-presidente social do clube: “Queremos com isso oferecer a possibilidade de que o torcedor de baixa renda, que não tem a possibilidade de assistir a um jogo do São Paulo, possa comparecer ao Morumbi e ver todas as partidas."

A medida traz alguns benefícios de curto prazo e outros de longo prazo para o clube do Jd. Leonor. Aponto alguns:

-Mais renda: potencialmente, o ganho pode chegar perto dos R$ 70 mil/jogo - com um público que não teria condições de bancar um ingresso de R$ 30 e que provavelmente hoje não se faz torcedor de arquibancada;

-Mais torcida: isso se traduz em média de público maior (ainda há quem se importe com isso) e em incentivo adicional para o time. Ou seja: reflexos dentro e fora do campo;

-Identidade com o povão: porque um clube só é grande se tiver grande torcida, e isso depende de penetração em todas as camadas sociais. O SPFW entendeu isso já há um bom tempo. Errou a mão quando investiu em projetos de aliciamento; acertou agora.

Isso acontece na mesma semana em que a diretoria do Palmeiras, não contente em afastar o time da torcida com sucessivos (e esvaziados) jogos no Buraco de Barueri, enganou o seu torcedor ao anunciar a mudança do horário de um jogo (das 21h50 para as 21h30) que nunca aconteceu. Porque os ingressos para o jogo contra o Botafogo foram vendidos como se fosse acontecer às 21h30 (o que garantiria aos abnegados a possibilidade de voltar para SP de trem) para que, na véspera da partida, viesse o aviso da Conmebol no sentido de que a partida nunca deixou de estar marcada para 21h50.

Um crime!

Jogamos há pouco no Buraco de Barueri para 3.833 pagantes. A renda, na casa dos R$ 144 mil, não paga o salário mensal de qualquer um dos que foram a campo - e que, dizem, gostam de jogar lá. Voltaremos ao mesmo estádio no sábado. Com ingresso a R$ 40.

Nossa diretoria cumpre à risca todas as etapas para distanciar o Palmeiras do seu torcedor: marca jogos em Barueri, mente sobre uma mudança de horário que nunca existiu, cobra um valor acima da média pelos ingressos populares, não se preocupa com quem precisa de transporte público (a maioria), faz pouco caso da vexatória média de público. No que depender deles, o Palmeiras ficará restrito a uma meia dúzia de torcedores da zona oeste. Porque o povo mesmo, este que faz ser o Palmeiras ser o que é, parece não estar nos planos.

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_Os senhores vão me desculpar, mas, enquanto Tirone, Frizzo e seus cúmplices insistirem com o Buraco de Barueri, eu não tenho qualquer motivação de escrever sobre o que acontece dentro de campo. O Palmeiras é o atual campeão da Copa do Brasil e estreou de maneira brilhante na Copa Sul-Americana, mas nossos dirigentes fazem o possível e o impossível para nos afastar disso. E eu posso até me tornar um cara chato e repetitivo, mas nada é mais importante que o torcedor e vou defender isso até onde for possível.

_A impressão que se tem ao pisar na arquibancada da Arena Barueri é que estão ali as mesmas pessoas de sempre. Ouso dizer que conheço a maior parte dos outros 3.832 abnegados que se dispuseram a ir até o Buraco de Barueri quase na madrugada.

_A exemplo do que aconteceu na semana passada com o Bahia, a torcida do Botafogo/RJ foi representada por algumas poucas dezenas de torcedores. Estamos falando do Botafogo, com sede no Rio de Janeiro e muitos torcedores por aqui. Vejam:

















_Parabéns a Tirone, Frizzo e demais responsáveis pelo Buraco de Barueri: por decisão única e exclusiva dos senhores, milhares de palmeirenses são impedidos de ver o time jogar "em casa".

_Ouvi de muita gente hoje uma mesma frase: "Eu não aguento mais vir para este lugar". Pois é, eu digo o mesmo.

_O camisa 9 é monstro!

_É bom fazer parte de uma torcida que trata árbitros e bandeirinhas como os inimigos que eles são. Foi bom demais ver esta cena no estádio, mas confesso que, ao menos dessa vez, ficou melhor vendo depois. Porque  ver alguns torcedores pulando como se fosse um gol ali no C1 me deixa orgulhoso.