29 junho 2012

O novo Avanti

Habemus Avanti. E, se necessário fosse sumarizar tudo, eu diria que temos finalmente um programa de sócio-torcedor. Problemático ainda e lançado de maneira incorreta, mas ele existe. Há inúmeras observações a fazer - e eu gostaria de imaginar que elas todas serão lidas e consideradas para que o plano passe pelas melhorias necessárias. Digamos que esteja em fase beta e que as sugestões da torcida são válidas para o seu aprimoramento - posso sonhar com isso? Será um texto um tanto episódico:

Ingresso!
Começo pelo principal: entregaram a essência do que nós, torcedores de todos os jogos, sempre reivindicamos. Nada de descontos em produtos de patrocinadores, brindes idiotas ou quaisquer acessórios irrelevantes. Queremos ingresso, e é isso o que teremos. Temos agora a certeza de ingressos sempre que o Palmeiras for mandante, e isso representa um enorme alívio (vale até pagar um valor um tanto maior do que na compra individual dos bilhetes). É bem verdade que não me lembro de um torcedor mais ativo ter ficado de fora em outras situações (um ajuda o outro), mas o simples fato de termos de disputar os ingressos de jogos decisivos com os oportunistas de final representava uma situação inaceitável. Isso acabou, nosso lugar está assegurado e os torcedores de ocasião terão de buscar alternativas.

Na ponta do lápis
19 jogos do Brasileiro, 10 do Paulista e alguns da Copa do Brasil (ou da Libertadores) e da Sul-Americana. Em média, são 35 os jogos como mandante por temporada. Façamos as contas considerando o fechamento anual:

-A compra de todos os bilhetes levaria antes a um gasto de R$ 1.050 (ou R$ 525 para os estudantes). Levando em conta o fato de boa parte de nós estar optando pela compra no Futebol Card, os valores subiriam para R$ 1.155 e R$ 577,50). Aliás, uma vez que os ingressos são majorados em algumas partidas específicas (decisões, clássicos etc.), não me parece exagero pensar em um gasto anual da ordem de R$ 1.200 e R$ 600.

-O plano "Sou Palmeiras", o de arquibancada, implica em investimento de R$ 840 (12 x R$ 70). Bastante vantajoso para quem compra inteira, e pouco mais dispendioso para estudantes ou idosos. Mas é o preço a se pagar pela garantia de ingresso, imagino eu.

-O cálculo é um tanto mais complicado de se fazer para o plano "Meu Palmeiras", uma vez que o preço cobrado pelas numeradas não segue uma lógica (menos ainda enquanto não tivermos o nosso estádio). Sabe-se apenas que o sujeito que aderir a este plano terá de investir R$ 1.680 anuais. Vai valer a pena também, feita a mesma ressalva do caso acima (situação dos estudantes, idosos etc.).

O fator 'oportunismo'
O erro mais grosseiro do programa foi a ocasião de lançamento. Porque, numa boa, um plano como esse deve se pautar pela lógica do relacionamento de longo prazo e não pelo apelo promocional. O que fizeram foi chamar a atenção com a promessa de ingresso garantido facilitado para a final da Copa do Brasil, sem que isso necessariamente garanta um relacionamento duradouro (o cara pode se inscrever agora e depois cair fora). Colocaram em um mesmo balaio os torcedores efetivamente interessados em colaborar com o clube e se associar e aqueles que queriam apenas e tão somente os ingressos da final Copa do Brasil. Congestionaram o sistema de uma só vez, complicaram a vida daqueles que vão a todos os jogos (inclusive no próximo domingo, contra o Figueirense). Sim, é evidente que poderia haver uma 'venda de oportunidade', aproveitando esse jogo, mas o programa deveria ter sido lançado de outra forma, sem necessariamente vincular a aquisição de ingresso à associação no plano. Porque, a bem da verdade, isso iria ocorrer de maneira natural. Do jeito que foi, até deixaram o programa menos importante do que é, como se fosse um mero mecanismo para conseguir ingresso para um único jogo - e tenho certeza que foi assim para muita gente.

O fator 'dinheiro'
O que eu vejo como problema nessa situação toda: nego que tiver uma situação financeira confortável pode simplesmente fechar o plano de R$ 70 para garantir todos os ingressos e então não aparecer nunca no estádio - a não ser, claro, na final. Sabe o sujeito que paga a academia e não vai? Então, pode acontecer a mesma coisa e então esse cara estará tirando a oportunidade de alguém que vai a todos os jogos, mas que não poderá adquirir esse plano simplesmente por não ter sido um dos primeiros. E aí o sujeito 'bem de vida' garante uma cadeira cativa para só aparecer na final, deixando muita gente boa de fora em outros jogos.

Fidelidade? 
Insisto no fato de ser o plano dos gambás aquele que melhor funciona, uma vez que premia a assiduidade dos torcedores, com direito a ranking de presença nos jogos e com oferta de ingressos para os jogos do clube como visitante. É dada prioridade aos que vão a mais partidas e os descontos são bastante atraentes (colocando em uma situação marginal os que não fazem parte do plano). O Avanti não prevê qualquer medida nesse sentido.

E os jogos como visitante?
Nossa diretoria parece não saber disso, mas os torcedores que vamos a todos os jogos em casa temos também o costume quase doentio de viajar atrás do Palmeiras em outras cidades/estados/países. É uma tarefa sempre complicada, porque a nossa direção não se preocupa em trazer os ingressos para cá e porque a logística fica quase sempre mais difícil do que deveria. Eu tinha a ilusão de que o novo Avanti fosse trazer algum tipo de condição especial para os jogos fora de casa - e nem precisaria ser como no do SCCP, com os torcedores recebendo ligação do clube para saber se vão querer ingresso. Parece que me enganei.

E os dependentes?
A área administrativa fala em "Dependentes", mas não explica como isso funciona. É tão difícil assim deixar as coisas claras? Por que não prever um FAQ que dê conta de explicar isso?

SAC/Fale Conosco
Não houve qualquer preocupação em garantir uma estrutura de atendimento e resposta às dúvidas dos palmeirenses, mesmo com a previsão de enorme procura em um curto espaço de tempo. Se não seria possível garantir uma ferramenta de resposta individual, era de se esperar ao menos que houvesse um FAQ decente no novo site (não há nada que se assemelhe a isso) ou, em último caso, que o perfil do Avanti no Twitter cumprisse a função de divulgar mensagens que pudessem tranquilizar o torcedor e/ou esclarecer as dúvidas e os problemas mais frequentes neste primeiro momento. Nada disso aconteceu. Deixaram o torcedor completamente à deriva, sem acesso a informação e sem ter como confirmar aspectos elementares do plano. A meu ver, a falta desta seção de perguntas e respostas é o que existe de mais grotesco: houve tempo de sobra para montar isso, já com um plano de contingenciamento para as dificuldades que seriam enfrentadas pelo público, mas não tiveram essa preocupação básica. Na ausência de qualquer fonte oficial, eis que a grotesca figura que ocupa o cargo de diretor jurídico do clube resolveu se posicionar como porta-voz do programa, em uma performance ridícula, ilustrada por esta frase:





A medida do 'sucesso'
Subvertendo o sentido de uma antiga expressão popular, o fracasso subiu à cabeça da figura que se apresenta como diretor jurídico do Palmeiras. O tipo passou boa parte da noite de ontem a escrever besteiras em seu perfil no Twitter, sem ajudar nada nem ninguém. Respostas vazias, achismos, suposições, retweets de gente alienada etc. O pior de tudo é perceber que, na visão dele, as constantes quedas e bugs do sistema foram encarados como representativos do "sucesso do programa". Pois já vai longe o tempo em que rede congestionada e dificuldade de acesso eram considerados sinônimos de sucesso de um sistema online. Se lançaram o programa de maneira oportunista, era justo que o fizessem com a devida estrutura. Não foi o caso; mesmo os que conseguiram superar as barreiras iniciais e fazer o cadastro ainda ontem tiveram depois de enfrentar as inconsistências do sistema, com uma mesma página apontando a confirmação e a não confirmação de pagamento ou o bloqueio do cadastro por motivos absolutamente inexplicáveis. E depois os problemas com a compra do ingresso da final no Futebol Card, entre outras coisas.

Pacote de maldades
A promessa inicial era de garantia de ingressos para os x primeiros associados. Nada disso aconteceu. Em uma atitude que beira a canalhice, a associação ao programa de R$ 70 (ou de R$ 140) não significou necessariamente a aquisição de ingresso para a final, mas sim a preferência de compra. Ok, que seja assim e o esforço é válido para o momento. Mas nada justifica o bloqueio da venda de meia entrada e, mais que isso, a impossibilidade de adquirir ingressos para o setor A1. Outra coisa: se a carteirinha só vai chegar no dia 15 e só então será possível entrar no estádio com ela, por que a cobrança já acontece agora? Serão dois jogos (Figueirense/SC e Coritiba/PR) tendo de pagar ingresso "à parte" e a cobrança será a mesma? Se fosse uma relação consumidor/empresa, era o caso de contestar e brigar. Mas felizmente não é, e então seguimos em frente.

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_Ingresso para a final já garantido.

_Maldita seja a Rede Globo! Porque agora não mais será possível voltar de trem. Ou seja: obrigam as pessoas a chegarem de carro naquele buraco e não oferecem condições para tanto. É o caso de esperar por um caos ainda maior que o observado na semifinal.

_Domingo, também na Arena Barueri, o Palmeiras recebe o Figueirense/SC. Mas a grande massa aí não parece muito preocupada em conseguir ingresso. É isso que eu reputo como 'oportunismo'.

_Tomando por base tudo o que este blog publicou lá atrás sobre a fracassada primeira versão do Avanti (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), a coisa melhorou de maneira substancial.

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O espaço está aberto para sugestões, comentários, reclamações etc. Espero que os responsáveis estejam observando essa movimentação para melhorar o Avanti. O palmeirense merece.

24 junho 2012

Tudo ou nada

Aqueles que, por bem ou por mal, vestem hoje a camisa alviverde têm diante de si dois jogos que vão definir se a nossa vida - e, por consequência, a deles - no que resta de 2012 será o céu ou o inferno. Dois jogos. 180 minutos. O título da Copa do Brasil e uma recuperação absolutamente preguiçosa no Brasileiro ou um inaceitável vice-campeonato e o terror de quase cinco meses lutando contra o fiasco absoluto. Dois jogos que haverão de determinar o nome de cada um deles, mesmo os mais obscuros, na história do gigante Palmeiras ou o ódio de toda uma nação. Dois jogos. Que mostrarão se eles são dignos de envergar o nosso manto ou se são apenas uma corja que vive a derrubar uma história sempre marcada pela superioridade contra todos os rivais, mais ainda contra o inimigo que enfrentamos na tarde de hoje. E haverão de mostrar se o resultado colhido hoje à tarde na cancha municipal ficará escondido na história, como mero efeito colateral de uma conquista maior, ou se ficará marcado como um vexame emblemático de uma geração de derrotados. Dois jogos. Que tenham isso em mente. Que cumpram a obrigação. "Que honrem a camisa e lutem sem parar".

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_A julgar pelo clima antes do jogo e pela tranquilidade para chegar ao nosso setor hoje à tarde, nem parecia um clássico contra o maior rival - e nem parecia que o último encontro entre os dois ficou marcado por toda aquela tragédia. Melhor assim.

_A se lamentar apenas o fato de a diretoria do Palmeiras, ao contrário do informado, não ter aberto as bilheterias do Palestra hoje. Muita gente que queria ir ao jogo não pôde comprar os ingressos na manhã de hoje.

_A cada vez que sobe o bandeirão da multinacional de material esportivo no tobogã, fica ainda menor o respeito pelo rival que se diz "time do povo". Parece inclusive que os caras contratam gente para levantar aquele trapo. Vai bem a coisa do lado de lá...

_Em nome desses dois jogos, muita coisa deixará de ser escrita aqui. É o caso de ser bem pragmático e lutar com os que aí estão. Só importam esses dois jogos decisivos.

22 junho 2012

De alma lavada

















Avenida Paulista, 18h07. É hora de partir. Mais cedo do que deveria; é um transtorno, mas não tem outro jeito. Problemas com a carona rumo ao interior. Maldito rodízio!. Ligações e tentativas frustradas. Todos já estão a caminho e há até quem já tenha chegado lá. Plano B. Metrô Consolação. A poucos metros dali, quase dá para ver a cancha municipal. Vazia, refletores apagados, à espera de um jogo que mentes pequenas fizeram sair dali. Horário de pico. Fila na catraca - não a que eu gostaria naquele momento. Linha verde. Chácara Klabin. Rua Vergueiro. Carro. Maldito rodízio! Ricardo Jafet. Os radares que me perdoem e que venha depois a porra da multa. Chove. Imigrantes. O jogo é na Vila? Uma, duas, três saídas. Rodoanel. 19h. Chove mais forte. Os relatos dão conta de trânsito caótico. 64km para o estádio, um crime. Tudo livre, 100km/h. Um, dois, três pedágios. Obrigado, Tirone. Passam Régis e Raposo. Eis a Castello. Acabou a paz. A melhor rodovia do Brasil é também a pior. Alphaville de merda! O trânsito para. A alça de acesso toma um quarto de hora. Km 20. Falta muito ainda. Dizem que vai assim até o 24 pelo menos. Mas o 32 parece estar ainda pior e o acesso ao buraco onde fica o estádio é intransponível. Obrigado, Frizzo! Não vai dar tempo. Já são 20h. O próximo quilômetro é percorrido em quase 20 minutos. Fodeu! Pior de tudo é que o ingresso está no cartão de um amigo. Pânico. O que fazer? Saída 21. Curva para a esquerda. Carapicuíba. Viaduto. Chove mais. À direita. Avenida Tancredo Neves. Isso é Carapicuíba ou Barueri? Estação de trem. Não há onde deixar o carro. Os celulares dos amigos perto da Arena não têm mais sinal. Acabou o contato. 20h37. Será que dá? O trânsito na paralela segue livre até o centro de Barueri. Tudo parado. Faltam 4km. Chove. Estação de trem. Vai ser aqui mesmo, porra. O carro fica em qualquer lugar. CPTM. Cadê a porra do trem? 5 minutos. Lá vem ele, alguns palmeirenses dentro. Estação Jardim Belval. Descida. Uma avenida deserta. Faltam longos 2km até o estádio e o jogo está para começar. Corrida. Passos largos, poças d'água como obstáculos, carros no sentido contrário. Será que eles já entraram? Muita gente segue o mesmo rumo. Não há mais onde estacionar tantos carros. Mesmo correndo, o estádio parece não querer chegar nunca. Refletores acesos. Fumaça por entre a chuva que segue caindo. Um mundo de gente do lado de fora. Filas enormes, o jogo rolando, um verdadeiro caos. O celular não funciona. Maldita Globo! Correria de um lado para o outro. Fila, barraquinhas, vai e volta. Lembro, depois disso tudo, que temos uma semifinal pela frente. O esgotamento já veio antes mesmo do jogo começar. A porra da fila não anda. Coxinhas de merda. O corredor de entrada está alagado. Quando piso na Arena Barueri, já se passou quase metade do primeiro tempo. O 20 não está em campo e veio o 8? PQP! Há enormes clarões em todos os setores. Muita gente do lado de fora. A semifinal, porra. Concentração. Jogo ríspido, duro, quase violento. É clássico, é Palmeiras x Grêmio. O Grêmio é mais time e entra com mais força. Perdemos o meio. Apreensão. O jogo começa a ficar por demais perigoso. Mais gente entrando. Sem parar. É muito cruzamento para a nossa área. Vai dar merda. PQP! O 19 anda em campo. A torcida apoia. Tá bonito o tobogã, mas ainda há muitos clarões. Tem mais gente lá fora. Tem gente até na rodovia. The horror, the horror... Pressão do Grêmio. Apita logo, juiz! Intervalo. Mais gente entrando. Um verdadeiro absurdo. E tem palmeirense até não poder mais do lado de fora. Gente que pagou muito caro por um ingresso. Volta o mesmo time. Vai dar merda. Acreditem: continua passando gente pela catraca. O 19 morreu. Vem o 10. Mais bola na área. gol. Entram em campo os fantasmas de todos os vexames anteriores. A torcida segue apoiando. O medo se faz presente. De novo não, porra! Minutos de apreensão. O 10 faz o que dele se espera: chama a responsabilidade, joga como 10 e decide. GOOOOOOOL! A bola nem estufa a rede; prefere repousar no fundo do gol. Explosão. Alívio. A final se aproxima. A Arena Barueri vira um caldeirão. Ao menos por uma noite, o bom e velho Palestra Italia voltou. A torcida se incendeia. Sinalizadores. Fumaça. Êxtase. Barulho. Aqueles dois gols do Olímpico não haveriam de ser à toa. O time cresce, passa a jogar melhor. Vem a briga, necessária e esperada. Os vagabundos à beira do campo, bandeirinha e quarto árbitro, nos deixam sem um jogador importantíssimo na final. Bola na trave. Jogo sob controle, é hora de dirigir ao judas o que ele merece. Mais sinalizadores. Somos todos heróis os que chegamos àquele lugar. A chuva cai. A alma está lavada. Final. Parecem até os anos 1990. Mais dois jogos. Curitiba. Aqui é Palmeiras!

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Comemoremos, palestrinos. É justo! Estamos na final 14 anos depois e toda comemoração é válida. Comemoremos e logo chegará o momento de pensar nos dois jogos que faltam para esta campanha ter o desfecho esperado. E é exatamente por saber que a comemoração é ampla e irrestrita que eu não posso deixar de registrar nesse post a absurda situação de que foi vítima a torcida do Palmeiras nesta quinta-feira e em todos os jogos que vierem a ser disputados neste lugar maldito e inacessível que é a Arena Barueri. O relato acima é um tanto sintomático do sofrimento por que passamos para ver o time jogar "em casa" e eu imagino que há casos muito piores que o meu, uma vez que eu pelo menos consegui entrar no estádio. Se a torcida de um clube é o seu maior patrimônio - e é -, então os senhores Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo estão roubando o Palmeiras. Que paguem por isso!

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_Quero deixar o espaço dos comentários aberto para os depoimentos de quem sofreu ontem para chegar ao buraco de Barueri. Por favor, não deixam de publicar suas histórias. Todas elas serão encaminhadas para os responsáveis.

_A ideia não era escrever esse post no mesmo estilo do anterior. Mas eu fiz questão de fazer assim para que os senhores comparem esse relato com o da última quarta. Isso feito, peço que me respondam: qual parece ser de um jogo fora de casa?

_Como podemos chamar de "casa" um lugar tão inacessível? Como podemos chamar de "casa" um lugar que submete a torcida a tamanho sacrifício? Como podemos chamar de "casa" um lugar que deixa palmeirenses do lado de fora mesmo com ingresso na mão? Como podemos chamar de "casa" um lugar que provoca tanto sofrimento? Como podemos chamar de "casa" um lugar que faz o palmeirense correr riscos? Como podemos chamar de "casa" um lugar que nos obriga a perder cinco, seis horas apenas para chegar e sair?

_O absurdo maior da Arena Barueri é ser um buraco às margens de uma rodovia que é a melhor (por sua estrutura) e a pior (pelo trânsito absolutamente insuportável) do Brasil. Existe praticamente uma única via de acesso e, em um cenário de caos, o palmeirense sequer pode largar o carro no meio do caminho e seguir a pé. Ou seja: o sujeito fica preso a caminho do estádio e acaba perdendo o jogo.

_Depois do jogo, em entrevista para as rádios, o senhor Arnaldo Tirone buscou relativizar o tormento vivido pela torcida nesta noite chuvosa. Disse que enfrentou o trânsito também, mas que "as pessoas que saíram atrasadas chegaram atrasadas". Será que o sujeito, além de incompetente e inapto, é também retardado? Porra, será que está falando sério? Será que ele acha normal alguém não conseguir chegar ao estádio depois de ficar três horas (ou mais) no trânsito? É muita falta de respeito!

_Boa viagem de volta, traidor!

_Curitiba vem aí!

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Peço desculpas pelos eventuais erros e pelo texto pouco inspirado, mas procurei escrever já chegando em casa, na madrugada, e o cansaço já começa a bater. Depois eu edito.

20 junho 2012

À batalha!, parte 2
















Nada está ganho. Nunca esteve e nunca vai estar. Porque nossa história não foi construída sem esforço e nunca teremos nada por antecipação (nem por acidente). Pelo contrário, e a imensa lista de fracassos recentes é o melhor pior lembrete que podemos ter. Encontro pessoas por aí e ouço que o Palmeiras já está na final. Não são palmeirenses, é evidente, porque os palmeirenses sabemos que ainda é preciso lutar e que os 90 minutos que nos separam da final serão não de festa, mas de guerra. Até porque futebol não é festa, e é bom que não apareçam em Barueri os oportunistas que estiverem atrás disso. Que fiquem longe da cancha aqueles que não entendem o que é uma decisão desse tamanho. Que apareçam os que estivermos dispostos a merecer a vaga. Os dois mil que estivemos no Olímpico há uma semana - e que estamos em absolutamente todos os jogos. Os outros muitos mil que participaram dessa campanha. Os tantos outros que sofreram com derrotas inexplicáveis e absurdas em anos recentes. Os palmeirenses de todas as partes que estiverem fechados com o time, com o técnico, com a camisa, com a história. Porque é só isso que importa, do primeiro ao último minuto - e aconteça o que acontecer dentro de campo. E porque o espírito desta quinta-feira à noite deve ser o mesmo que tivemos na semana passada em Porto Alegre. Que a Arena Barueri, ao menos por uma noite, seja o que o bom e velho Palestra foi ao longo de todas as últimas décadas. Que estejamos em casa mesmo sem casa. Que os que entrarem em campo honrem a camisa que vestem. E que o Palmeiras seja Palmeiras...

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_A Arena Barueri vai receber nesta quinta o maior público de sua curta história. Será um teste sem precedentes e, a julgar pelos relatos de jogos anteriores (ver aqui aqui, por exemplo), o buraco onde se encontra o estádio deve viver uma noite absolutamente caótica. Chamo de buraco não em tom depreciativo, mas sim por estar a cancha em um barranco abaixo da rodovia Castello Branco e por ter praticamente uma única via de acesso. Não haverá onde estacionar tantos carros, o trânsito será terrível e é de se esperar que boa parte dos 30 mil torcedores assista a apenas a uma parte do jogo – ou pior: que sequer consigam entrar no estádio. Será terrível como nunca antes. Parabéns aos responsáveis.

_Isso demonstra bem o quanto a nossa diretoria busca defender o interesse do palmeirense:
Olímpico: 44.000 ingressos; 2.000 para o visitante (4,5%)
Arena Barueri: 30.532 ingressos; 4.500 para o visitante (14,7%)

_Breve histórico das nossas semifinais de Copa do Brasil:

1996 - final
Palmeiras 3-1 Grêmio/RS
Grêmio/RS 2-1 Palmeiras

1997 - eliminação
Flamengo/RJ 2-0 Palmeiras
Palmeiras 0-1 Flamengo/RJ

1998 - final
Palmeiras 1-1 Santos/SP
Santos/SP 2-2 Palmeiras

1999 - eliminação
Palmeiras 1-1 Botafogo/RJ
Botafogo/RJ 1(4)-1(2) Palmeiras

_Concentração total e absoluta no Grêmio e na batalha desta quinta-feira. Escrevo quase dois dias antes e não publicarei nada mais até depois da batalha. É só o que importa!

17 junho 2012

É quinta-feira!

Não se trata de trégua, mas sim de concentrar todos os esforços no jogo da próxima quinta-feira. Porque temos apenas mais três jogos (eu sinceramente não quero pensar na hipótese de um único jogo, mas ela existe!) até o fim do ano e é preciso foco total para salvar o que pode ser mais uma temporada perdida. A rigor, o empate de hoje nem foi assim um resultado tão trágico, até porque o adversário era bastante qualificado e o nosso time até que jogou bem durante a maior parte do tempo. Portanto, vou poupar todos os senhores de quaisquer detalhes.

Quer dizer, dois 'detalhes' não podem passar batidos. Deixo aqui uma pergunta e uma constatação:

-Onde estavam as mais de 20 mil pessoas que compraram (ou vão comprar) ingressos para quinta e não apareceram na mesma Arena Barueri neste domingo? Sim, teremos na quinta 26 mil palmeirenses no estádio e só uns cinco mil apareceram no clássico desta tarde. O que fizeram essas pessoas enquanto o Palmeiras recebia o Vasco? Por que vão na quinta e não foram hoje?

-O vagabundo que veste a camisa 8 deveria ter sido demitido por justa causa após enterrar o Palmeiras na semifinal da Sul-Americana/2010 contra o pequeno e rebaixado Goiás/GO. Isso não aconteceu, o sujeito continuou no time e hoje mostrou de novo o lixo que é. É de se esperar, portanto, que o nosso técnico tenha a decência de não cometer o mesmo erro agora.

15 junho 2012

As 3 conchas chegaram

1993. O filme O Demolidor (Demolition Man) traz Sylvester Stallone como John Spartan, um policial dos mais violentos que é congelado por sua conduta pouco ortodoxa em 1996 e descongelado em 2032 para capturar um bandido, Simon Phoenix (Wesley Snipes), que o próprio Spartan havia colocado na cadeia no passado. O 2032 proposto pelo filme é o que imbecis como o prefeito de SP devem ter como referência de futuro: uma sociedade repressora, que suprime as liberdades individuais, torna impessoais as relações humanas e proíbe tudo (incluindo palavrões, que são passíveis de multa por "violação do instituto da moralidade verbal", e mesmo o sexo!).

A essa altura, alguém aí deve estar perguntando: por que cazzo o Barneschi está escrevendo um post sobre cinema? Bom, não é um post sobre cinema. É sobre futebol mesmo.

Acontece que uma das melhores cenas do filme é aquela em que John Spartan é apresentado às "3 conchas". Não vou tentar explicar; é mais fácil os senhores assistirem:

 

Peço desculpas por colocar uma versão dublada (dublagem é crime!), mas é que não encontrei uma versão legendada e, para os efeitos aqui esperados, é preciso que vocês entendam o que se passa.

Mas, cazzo, o que isso tem a ver com futebol?

Bom, vejam só o que publicou o Painel FC desta sexta:

Vai para o trono. O Itaquerão contará com o que existe de mais avançado em termos de tecnologia em seus banheiros, que terão vasos sanitários importados de Japão ou Suíça. A higiene, no caso do modelo japonês, acontece sem uso de papel higiênico. Um dispositivo promove a limpeza com jato de água e secagem por ar quente. Para garantir a vazão, cada unidade só é aprovada para deixar a fábrica após um teste com uma dúzia de bolas de tênis.

Confesso que não entendi absolutamente nada (como é esse "dispositivo"?, o sujeito fica sentado?, pra que servem as 12 bolas de tênis?, os japoneses não usam papel higiênico?, e se o "dispositivo" sofrer atos de vandalismo?), mas acredito que, com a comparação acima, já não preciso dar sequência ao post.

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Outro dois comentários necessários:

_Sempre que nego vem reclamar das condições de banheiros de estádios, eu fico sem entender. Não me importo que os banheiros sejam sujos, que não tenham água e isso tudo. Eu não vou ao estádio para ir ao banheiro. Se tiver um buraco para mijar, está ótimo. O Pacaembu atende a essa exigência.

__Muito me incomoda o fato de, em geral, a modernização dos banheiros tornar mais difícil a vida de seus usuários. Reparem nos banheiros de shoppings, aeroportos e hotéis, por exemplo. É tanta parafernália que você fica sem saber como fazer as coisas. Tem os sensores que não funcionam, aqueles jatos de ar quente que não enxugam a mão e assim por diante. Custa fazer o básico?

14 junho 2012

Olímpico, 0-2

















Nevoeiro. Aeroporto fechado. Apreensão. Voo atrasado. CGH-POA. Calor. Vacio. Picanha. Polar. São Marcos. Hotel. Os cinco que iniciamos a jornada em SP já somos 20 - e mais alguns agregados. Trânsito no caminho. É mata-mata. É Grêmio x Palmeiras. Camisas azuis. Passos largos, apressados, uma só direção. Refletores acesos ao longe. Não dá mais pra segurar a expectativa. Recepção amistosa. Mais Polar. O estádio a poucos metros. Portão 20. Somos centenas. Os primeiros gritos ecoam lá de dentro. Revista policial. Catraca. Cimento. O Olímpico aos nossos pés. Logo na entrada, a vista panorâmica. A torcida rival do outro lado. E por todos os lados. Clima de decisão. Anos 90 de volta. No banheiro, um alterado Seo Cruz nos recebe. A cena é indescritível. À arquibancada. Recepções calorosas de lado a lado. O camisa 30 adversário vem a campo. O ódio nos fortalece. Jogo tenso, travado, imprevisível. Um Palmeiras frio, copeiro mesmo. "Comandante Felipão". O árbitro inverte faltas, não disfarça suas intenções, espera pela oportunidade de definir o jogo. Ela não vem. O Palmeiras segue entre o frio e o vibrante, na medida exata. A torcida, aquela que faz ser o Palmeiras ser o que é, segue indiferente à imensa maioria gremista. Pulamos, cantamos, vibramos. Apoiamos sem parar. Segundo tempo. O time parece mais forte. As chances começam a aparecer aqui e ali. O outro lado parece sentir. Silêncio. O empate sem gols começa a parecer bom negócio. Mas pode ficar melhor. Jogada pela direita. Passe por trás da zaga. Chute rasteiro, seco, rápido. De onde estamos, não dá pra ver nada. A bola passou pelo goleiro? Vem o estrondo. É gol. Porra. É gol, caralho! Êxtase. Sem querer, uma avalanche. Abraços, um caindo por cima do outro, alguns momentos de uma plenitude que só sente quem vai buscar a vitória tão longe de casa. O gol fica na memória sem qualquer clareza, a visão encoberta por placas de publicidade, gruas da emissora de TV, cabos, microfones, pessoas aqui e ali. Mas é gol! Cada um de nós passa a avaliar o tamanho daquela vitória que parece tão próxima. O jogo da volta. A final. O título. Mas pode melhorar ainda. Bola levantada de um canto a outro da área. Não tão forte, nem tão precisa. Vem o toque de cabeça, nada clássico, mas efetivo. Parece que o goleiro defendeu. Não vejo mais a bola. Não vejo mais nada. Um urro vem de cima. Os jogadores reservas, colados na placa de publicidade, vibram. É gol de novo porra! Gol! 2 a 0. O êxtase é ainda mais intenso. Caímos um por cima dos outros. Alguns ficamos no chão, estirados, a olhar para o céu de Porto Alegre. Um momento sem igual. Foi aí que um rombo se abriu na minha calça jeans - efeito colateral da batalha. Ao final, os jogadores vêm até a torcida para agradecer. O silêncio da massa é aplacado pelo grito incessante dos 2 mil que viemos de longe. Uma vitória gigante. Uma vitória de gigante. Uma vitória de Palmeiras. É hora de dar adeus ao Olímpico Monumental. Despedimo-nos em grande estilo. Fizemos história. Buscamos o que era nosso por nosso direito. Fica o Olímpico. Hora de voltar para casa. Amanhece em SP e chegamos à cidade sabedores do feito que alcançamos. Ele fica até maior. Mas não é definitivo. Tem jogo ainda. Faltam 90 minutos. À batalha!

















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_É esse o espírito, senhores. Faltam 90 minutos. Foco na batalha de Barueri. Já protagonizamos vexames enormes em tempos recentes. Chegou a hora de acabar com isso.

_Obrigado a todos os que comigo estiverem nessa batalha única. Johnson, Barberi, Giocondo, Teo, Aragonez, Cabrerão, Boi, Sylvio, Duchene, Felipe, Guilherme, Samora, Tchack, Moacyr, Julio, Beto, Del, Luigi, Luiz, Ulisses, Daniel, Fernando, Vesgo, Japa, Leandro, Caio, Zupo, Victor, Durante, Ademir, Seo Cruz, Maníaco, Renan, Vinnie, Casselli, Gerson... e a todas as demais centenas. Peço desculpas se esqueci algum nome, mas são todos guerreiros de alma verde. A vitória é nossa!

12 junho 2012

À batalha!
















Sim, passou o 12 de junho e eu nada escrevi. Honestamente? Cansei de ficar vivendo apenas de tempos idos, de tal forma que prefiro me ater ao presente e buscar algo que possa um dia ser digno de ser motivo de orgulho para os meus filhos. Cultuar as conquistas do passado é bom e necessário, mas precisamos continuar construindo a história do Campeão do Século XX.

Seguimos amanhã para Porto Alegre, e seremos muitos a empurrar o Palmeiras rumo a um título que parece mais improvável a cada ano. Estaremos lá os que sempre defendemos o Palestra em canchas afastadas e outros tantos sem essa vivência, porque esta semifinal tomou uma proporção tão grande quanto a carência de títulos.

Em meio às intermináveis 38 rodadas do modorrento Campeonato Brasileiro de pontos corridos, um mata-mata faz toda a diferença. E será, aconteça o que acontecer, um duelo eliminatório grandioso, com duas camisas de peso em um confronto de gigantes.

Quando entrarem em campo Palmeiras e Grêmio, todos aqueles confrontos dos anos 1990 entrarão junto. E junto também virá a história alviverde, que é exatamente o que nos permite sonhar com algo maior. Porque time, técnico, diretoria e arbitragem só nos permitem esperar pelo pior. E é exatamente nessas horas que a camisa alviverde se faz mais forte. E é exatamente aí que devemos acreditar e ir atrás de uma conquista improvável. Porque foi assim que construímos o que somos hoje.

Aos que farão uma viagem dessas pela primeira vez, peço que entendam se tratar de uma batalha – e batalhas não permitem concessões. É preciso cantar o tempo todo, do início ao fim, ainda mais porque do outro lado teremos uma torcida das mais respeitáveis. Será um jogo para gente grande.

E aí, antes de partir, permito-me exercer o direito ao autoplágio, republicando (com adaptações) excertos de um texto meu escrito após, vejam que coincidência, um jogo no Olímpico Monumental:

“Poucos sentimentos na vida são tão bons quanto participar ativamente de uma batalha fora de casa. Só entende isso quem já foi visitante contra um estádio lotado, quem já encarou uma multidão na base do grito e do amor pelo clube. Só entende quem deixou a sua cidade e seguiu até a cancha do adversário para arrancar a vitória e trazer três pontos para casa. Ser visitante é dos maiores prazeres que eu tenho como torcedor. É se reconhecer como minoria e ter de cantar por todos os que não podem estar junto. É ser a voz de milhões de torcedores em um pedaço de cimento isolado por grades e cercado por inimigos. É estar ao lado do time não porque você acredita na vitória, mas porque sabe que precisa estar ao lado dele quando a derrota parece ser o mais provável. É representar uma nação, é ser a massa em tão poucos, é empurrar o time contra tudo e contra todos. É sofrer com a polícia de outro estado, com o cenário adverso, com as pressões e agressões que vêm de todos os lados. É, em minoria absoluta, calar todo um estádio. Poucas coisas na vida podem ser tão boas quanto silenciar a maioria adversária. A vitória, quando vem, traz o sentimento de um guerreiro que vai para uma batalha distante e retorna para casa com o inimigo a seus pés. Ninguém pode tirar isso do coração. É ir, vencer, representar todos os guerreiros de arquibancada e voltar sabendo que será recebido como um vencedor.”

Aos que por aqui ficam, contamos com a torcida à distância. Faremos o possível e o impossível para voltar do Sul com uma vitória.

À batalha, guerreiros de alma verde!

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_Sei que já perdi o crédito, porque sigo ao Olímpico pela quarta vez seguida pronto para me despedir de uma das mais importantes canchas do mundo, mas dessa vez é pra valer. Será o último jogo do Palmeiras lá. Que seja uma grande noite, portanto.

_Que os putos que comandam o Palmeiras respeitem a nossa tradição: que o time entre em campo com o seu uniforme titular amanhã. Chega de vergonha!

11 junho 2012

Mais do mesmo

Se nada acontece - e não há mesmo o que acontecer -, eis que nossas tão diligentes autoridades resolvem inventar algo que as coloque em evidência. A começar pelos nobres promotores públicos, estes cidadãos cujo tempo livre só não é maior que o desejo de construir uma carreira política como a do pioneiro de toda essa palhaçada. Vejam, pois, o que traz o Painel FC desta segunda-feira:

Recomeço. O governo federal reativou iniciativa para coibir a violência nos estádios. A partir do segundo semestre, membros das organizadas serão cadastrados, para que seu acesso a áreas reservadas às uniformizadas nas arenas seja monitorado por autoridades e seu comportamento, acompanhado por câmeras. O banco de dados terá caráter nacional para possibilitar a fiscalização em todo o país e será centralizado pelo Ministério do Esporte.

Novo planejamento. O projeto terá como alvo as organizadas, não os demais torcedores. "Os estádios terão de reservar setores só para elas [uniformizadas], como há no Pacaembu e no Morumbi", diz Paulo Castilho, hoje no Ministério do Esporte.


Lado a lado. A pasta deve reafirmar parceria com os Ministérios Públicos dos Estados e fechar convênios como o que tem com o de SP, além de fornecer kits de cadastramento. O plano havia sido suspenso após Aldo Rebelo entrar no ministério.


Bloco. As secretarias de segurança pública dos Estados e as federações de futebol estão sendo contatadas para participar do processo.


Cadastramento? Sério? Porra, deve ser o quinto cadastro que somos obrigados a fazer em menos de poucos anos e nada mudou. Queria entender para onde vão todos os dados fornecidos pelas organizadas às autoridades e, mais que isso, o quanto já se consumiu do erário para que nada fosse resolvido.

Agora vem o promotor de plantão e propõe um novo cadastramento? Chega a ser inacreditável!

E eu fico aqui me questionando: que cazzo de espaço reservado existe na cancha municipal e no Jd. Leonor? Será que ele se refere às entradas separadas da "arquibancada amarela" do Pacaembu? Se for, aquilo serve apenas para atrapalhar o fluxo de entrada, não representando qualquer divisão dentro do estádio. E é melhor que seja assim mesmo, porque, do contrário, estaremos fadados a aguentar um indesejado retorno àqueles tempos onde construíram grades para separar as organizadas, deixando-as isoladas e em um espaço praticamente vazio. Tristes tempos...

10 junho 2012

Que o mata-mata nos salve!

Sábado, 21h, no meio de um feriado gelado. Não poderia terminar bem. Ainda no primeiro tempo, no meu lugar de sempre, lembro de ter comentado que o gol do Atlético/MG viria em questão de minutos. Era evidente. O Palmeiras era tudo, menos um time de futebol. E então, já com a bola na rede, o segundo tempo foi outra daquelas intermináveis sessões de tortura às quais fomos obrigados a nos acostumar de uns tempos para cá. Eu só fiquei a esperar pelo segundo gol do Galo (seria justo, e parece até que aconteceu) e a questionar o que fizemos para merecer isso... Melhor não seguir por esse caminho, mas a verdade inconteste e imediata é que não temos um time. Temos uma torcida que vive entre a teimosia atávica e o desespero cego, um ex-ídolo fazendo as vezes de técnico à beira do gramado e um bando de desajustados dentro do campo. The horror, the horror... - e não deve ser à toa que eu me pego hoje cedo assistindo a Apocalypse Now.

Muitos dos que estivemos ontem à noite no Pacaembu estaremos também em Porto Alegre na quarta agora. Vamos ao Sul, e aqui falo por mim, não por acreditar nos que vão a campo, mas por termos ainda a lembrança de noites gloriosas de mata-mata em tempos idos. Vamos porque a camisa verde (e que seja verde mesmo, seus putos de merda!) vai a campo. Vamos porque ela (ainda) pesa. Vamos porque precisamos lutar e porque ainda nos permitimos sonhar. É tudo o que nos resta. O Palmeiras tem mais quatro jogos (ou dois) até o fim do ano. O restante será tortura. Não uma tortura de 90 minutos, em um frio sábado à noite, mas uma tortura de 34 longas, intermináveis e extenuantes rodadas.

Que o mata-mata nos salve!

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Sábado, 21h? Inventaram essa aberração no ano passado e ela foi devidamente abortada ainda no primeiro turno, porque perceberam o despropósito de se esconder um jogo de Campeonato Brasileiro. Não dá pra entender o que se passa na cabeça de Globo e CBF para ressuscitar esse horário agora.

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Diálogo fictício que poderia até ter ocorrido ontem no Pacaembu:

-Me diz uma coisa: o camisa 10 joga hoje?
-Não.
-Mas ele tá contundido?
-Por enquanto não.
-Foi suspenso?
-Também não.
-...
-Tá em estado de choque e foi para o Chile.
-!?
(...)
-Ele não joga hoje, mas na quarta, que é o que vale, ele joga, né?
-Hum, também não.
-Ainda em estado de choque?
-Não, ele foi suspenso mesmo. Deu uma entrada estúpida em um jogo que já estava ganho e tomou o terceiro amarelo.

E, de modo geral, isso é tudo o que eu me permito dizer no momento sobre o vagabundo que está inscrito no Brasileiro e na Copa do Brasil com a camisa 10 do Palmeiras. Até porque o Palmeiras não é e nunca foi lugar para fã-clube de vagabundo.

07 junho 2012

Formalidades

"Palmeiras vai fazer protesto formal na CBF contra a arbitragem". Aguardem, senhores. É o que podemos esperar de quem dirige o Palmeiras. Nada além de um vazio e inútil protesto formal. É formalidade pra todos os lados e para todas as instâncias, e são logo as informalidades que fazem o Palmeiras ser roubado pela arbitragem jogo sim, jogo não. Ou jogo sim, jogo sim. E, notem o agravante, quase sempre diante de pequenos como esta aberração chamada Ixpót/PE, o que demonstra a falta de articulação dos que deveriam defender o clube nos bastidores.

Vejamos o histórico bem recente: (I) gol legítimo anulado contra o rebaixado Comercial/SP em casa; (II) contra o Atlético/PR em Curitiba, gol sofrido em posição de impedimento e pênalti não marcado a favor do visitante; (III) contra este mesmo time em casa, pênalti não marcado; (IV) pênalti acintoso não anotado no Olímpico, já nos últimos minutos; (V) gol legítimo anulado ontem à noite, também no final do jogo. Isso só para ficar nos últimos jogos e sem revirar traumas dos quais nunca conseguiremos nos livrar.

Entra ano, sai ano, e os árbitros continuam roubando o Palmeiras sem qualquer cerimônia. Não há respeito pelo clube. Pior: não há medo. Filhos da puta começam na arbitragem, outros se aposentam, Simons viram comentaristas, PCOs seguem aprontando em jogos decisivos, e nada acontece. Aquele lance de impunidade, sabem como é? É fácil roubar o Palmeiras. É confortável. Deve ser tentador até, e isso pode explicar a absurda sequência de erros e a forma reiterada como eles se repetem temporada após temporada.

Protesto formal?

Parece piada até.

A postura, eu já disse, tem de ser muito mais drástica. É aquilo: os putos têm de apanhar antes, durante e depois do jogo. É a única solução possível. Eles precisam ter medo de errar contra o Palmeiras. E, do jeito que estão as coisas, isso só se conquista por meio de métodos menos formais que os atuais.

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Perder para o pequeno, ridículo e desprezível Ixpót/PE é emblemático do que nos aguarda ao longo das próximas 35 longas, extenuantes e insuportáveis rodadas do igualmente insuportável Campeonato Brasileiro de pontos corridos. E temos motivos de sobra para temer por uma temporada ainda pior do que a dos anos anteriores.

05 junho 2012

Turiassu, 1840 (13)






















"Vamos transformar a atual ferradura na "curva do orgulho palmeirense". Orgulho por nunca precisar de apoio político para nada. Orgulho por ter que lutar contra imposições políticas, em lutas que nos fortalecem historicamente, como na transformação do Palestra em Palmeiras. Orgulho por conquistar tudo o que conquistamos com nossas próprias forças, sem ajuda do governo, mídia, CBF, arbitragem ou afins.

Aquele pedaço de arquibancada, impedido de ser demolido por pura birra de quem, por um acaso, possui o poder da caneta, simboliza o obstáculo que muitas vezes os poderosos de plantão nos impuseram. E sempre conseguimos mostrar a eles que somos superiores. Aquele pedaço de concreto simboliza o nosso orgulho. O nosso orgulho por não baixar a cabeça ante imposições. Aquele pedaço de concreto é o orgulho palmeirense, o orgulho de ser palmeirense."



*Por Paulo Emilio N Rodrigues, palestrino que eu não conheço, em texto originalmente publicado no blog Arena Palestra Italia. A foto acima foi também retirada deste mesmo blog, que, por sinal, eu não conhecia (indicação do Emerson Favaro). Recomendo a visita.