30 maio 2012

Manchetes que dizem muito

Juntas, as notícias abaixo, algumas nem tão recentes assim, compõem um cenário bem acabado do futebol nesses tempos tão, digamos, modernos:

Rivais de hoje da seleção, EUA superam Brasil na arquibancada
(Folha de S.Paulo, 30.05.2012)

Fifa anuncia proibição a fogos de artifício em estádios de futebol
(UOL Esporte, 22.05.2012)

Torcedor terá que cadastrar rádios de pilha na entrada do Independência
(Globoesporte, 25.05.2012)

Custo de obra no Maracanã chega a quase R$ 1 bilhão
(R7, 18.06.2011)

Presidente da CBF dá aumento de salários a aliados
(Folha de S.Paulo, 19.05.2012)

Jogo de futebol na Turquia tem plateia só de mulheres
(BBC Brasil, 21.09.2011)

Clássico volta para BH, mas com torcida única
(Hoje em Dia, 23.02.2012)

Chelsea wins Champions League
(ESPN, 19.05.2012)

Tiago Leifert defende jogos às 22h: "o Brasil é o país da novela"
(UOL Esporte, 22.04.2011)

Clássico paranaense terá torcida única no Couto Pereira
(Terra, 18.04.2012)

CBF estuda fazer final da Copa do Brasil em jogo único e estádio neutro
(ESPN BR, 17.05.2012)

Por Taça das Bolinas, Justiça autoriza invasão policial no São Paulo
(Terra, 03.05.2012)

Andrés Sanchez começa trabalho como diretor de Seleções da CBF
(Globoesporte, 12.01.2012)

Na visão de comentaristas, Palmeiras foi prejudicado pela arbitragem
(Sportv, 27.05.2012)

Corinthians ganha R$ 420 milhões em incentivos fiscais da Prefeitura de SP
(Estadão, 10.06.2011)

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Aceito outras sugestões de notícias.

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Hoje é 30 de maio. Republique-se o post sobre isso.

28 maio 2012

Que decepção, adidas!

Se havia uma ilha de excelência em meio ao caos que é a S.E. Palmeiras, esta era a adidas, fornecedora de material esportivo do clube desde 2005 e uma referência mundial em camisas de futebol. Havia. 2012 fica sendo o ano em que a empresa errou sem dó nem piedade, entregando ao palmeirense alguns dos uniformes mais ridículos e deploráveis das trajetórias do clube e da empresa.

A começar pelo primeiro uniforme, bastante contestável (continuo aguardando a explicação sobre por que cazzo há triângulos desalinhados que mais lembram o uniforme que a Dell'erba fazia para o Guarani nos anos 90) e, o absurdo concreto, em desacordo com o Manual de Identidade Visual recém-lançado pelo clube.

Não contente, a marca alemã fez ressuscitar a aberração amarela, cuja proliferação representa uma cicatriz em meio ao verde das arquibancadas por onde passa o Palmeiras. Não somente pelos modelos oficiais, mas muito porque o antigo 'terceiro uniforme' tornou-se a peça favorita dos falsificadores.

Ao que parece, a adidas se inspirou nos falsários para reeditar esta versão execrável de nosso manto. Notem como a peça recém-apresentada, com uma grosseira combinação entre o amarelo marca-texto e um verde que sequer dialoga com o tom do uniforme principal, parece saída diretamente de uma barraquinha da 25 de Março.

Um verdadeiro atentado aos símbolos palestrinos, tanto mais porque travestido de "quarto uniforme", algo que sinceramente não me parece defensável, tampouco condizente com as práticas adotadas em outras importantes praças pelo mundo.

A adidas errou como nunca e vai fazer o palmeirense pagar por isso durante uma temporada inteira, obrigando-nos a conviver com uma primeira camisa que remete mais ao Guarani que ao Palmeiras e com um obsceno quarto uniforme (pra que isso, porra?).

Podia-se esperar isso de qualquer um que lá dentro está e mesmo de muita gente de fora, mas não da adidas. E eu, admirador antes inconteste de tudo o que a marca alemã faz, tenho ainda mais motivos para ficar decepcionado com as terríveis decisões que tomou a empresa neste 2012 que será ainda mais longo porque, além do futebol dentro de campo, o uniforme também será feio.

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Porto Alegre, 13/06: passagens devidamente compradas para mais um duelo inesquecível no Olímpico Monumental. E eu, partidário da tese de que marcas adversas existem para ser quebradas, apresento-os às seguintes coincidências:

21.06.2000: Palmeiras 0(2)-0(4) Boca (final no Jd. Leonor)
13.06.2001: Palmeiras 2(3)-0(4) Boca (semifinal no Palestra)

À batalha, palestrinos!

Olímpico, Porto Alegre


















Estive em Porto Alegre pelo terceiro ano seguido com a mesma desculpa dos anteriores (aqui e aqui): a despedida do Olímpico Monumental, casa do Grêmio e um das canchas mais importantes do futebol brasileiro. Não que eu precisasse arranjar algum tipo de desculpa para ir atrás do Palmeiras, mas é que não poderia mesmo deixar de visitar o Olímpico pela última vez.

Foi o iminente último jogo por lá que me motivou a já comprar a passagem assim que a tabela foi divulgada, muito antes de saber que teríamos pela frente outro duelo decisivo naquela mesma cancha dentro de poucos dias. É bom que seja assim: o esquecível jogo deste domingo à noite não será o derradeiro; Grêmio, Palmeiras e o Olímpico mereciam algo melhor. Voltaremos muito em breve.

Sobre o jogo em si, pouco a dizer, até porque o foco deve ser total nos dois encontros que teremos com este mesmo Grêmio lá e "aqui". Sim, o time jogou uma de suas piores partidas na temporada, quase não ameaçou o adversário, teve um pênalti absurdo em seu favor não assinalado etc. e tal. Pior que tudo isso só o desgosto de ver o grande Palmeiras envergar uma das camisas mais ridículas, grotescas e deploráveis de sua história.

Concentração no que interessa, palestrinos!

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_Antes da partida, o telão traz as escalações das duas equipes. O nome de Luxemburgo, técnico do time da casa, recebe uma vaia estrondosa. O de Scolari, técnico do visitante, é aplaudido na mesma proporção. Futebol tem dessas coisas...

_Público pagante: 18.277. Renda: R$ 386.014. Ticket médio: R$ 21,12. Alguém consegue me explicar como se isso é possível se o ingresso da arquibancada, o mais barato, custou R$ 50? É certo que o clube gaúcho tem um muito bem resolvido programa de sócio-torcedor e tal, mas o preço médio neste jogo ficou abaixo da metade do ingresso mais barato.

_A futura Arena do Grêmio está, sei lá, 70% pronta. Deu para ver na chegada a Porto Alegre, de avião, e na volta, de táxi. Vai ser um estádio grandioso. Resta saber se clube e torcida conseguirão reconstruir a identidade em outro lugar.

_Começo do segundo tempo no Olímpico. Sequer estava frio, mas a visão de uma vendedora de café na arquibancada veio bem a calhar. Café no estádio é algo comum em outras canchas pela América Latina. E já foi providencial para mim em jogos na Argentina e especialmente em La Paz.

_Viajei já na sexta à noite e não consegui escrever nada desde então. Escrevo agora: é inaceitável que sejamos obrigados a ficar esperando a boa vontade dos putos da Rede Globo para comprar as passagens aéreas e programar a viagem para os jogos da semifinal. Estamos todos esperando pela definição disso, e vagabundo simplesmente parece não se importar.

_Ah, e eu preferia decidir fora, em Porto Alegre.

24 maio 2012

De volta ao nosso lugar

A Copa do Brasil é este torneio que vai opondo grandes e pequenos nas fases iniciais até restarem apenas os grandes nas últimas etapas, quando se pode esperar qualquer coisa. Deveria ser sempre assim, mas, de quando em quando, alguns dos times de peso tropeçam sozinhos e permitem aberrações nas fases finais. O Palmeiras se tornou especialista nesse tipo de situação, tanto é que passou longos 13 anos sem ir à semifinal da competição nacional - e isso, lembro, depois de ter acumulado quatro semifinais seguidas entre 1996 e 1999, protagonizando grandes duelos contra Grêmio, Flamengo, Santos e Botafogo. Pois agora estamos de volta, senhores. Chegamos com enorme segurança e o que se avizinha é um duelo de gigantes, renascido lá dos anos 1990. Estamos no lugar que nos é devido. Estamos entre os grandes. E vamos lutar por mais ainda.

Próximo destino: Porto Alegre/RS.

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_Era tão grande a preocupação sobre como chegar a Barueri em meio ao prometido cenário de caos em São Paulo que as pessoas se anteciparam, criaram alternativas e então a (minha) chegada ao município quase vizinho foi das mais tranquilas, com marginal Tietê e Castello livres. Eu até consegui chegar mais cedo que o esperado e tive facilidade para largar o carro em um bom lugar para depois sair facilmente do buraco.

_Sei, no entanto, que muita gente demorou mais de hora para conseguir parar o carro. Algo inaceitável e que reitera o que vem sendo dito aqui: há vantagens em Barueri, o estádio até que é legal e tal, mas a dificuldade para chegar lá e a total precariedade do entorno e da estrutura viária são fatores que fazem tudo cair por terra.

_O espaço está aberto para que cada um conte a sua história sobre ontem. Já tem uma no post anterior e peço a todos os afetados que publiquem seus relatos neste post.

_17.574 pagantes. Maior público que o Palmeiras já teve na Arena Barueri. Se não for também o recorde do estádio, é o segundo maior.

_Se jogássemos no Pacaembu (na quinta, claro), teríamos algo entre 25 mil e 30 mil pagantes e uma renda bastante mais expressiva.

_Aos do fã-clube do camisa 10, uma pergunta: alguém pode me explicar o que o sujeito pretendia com aquela entrada que lhe rendeu o terceiro amarelo? Alguém pode me dizer por que cazzo ele cavou a suspensão de um jogo tão importante? E vejam que, do jeito que foi a entrada, um juiz mal intencionado poderia tê-lo expulsado.

_Em que pese o grande público do nosso lado, vale também registrar a presença da torcida da Brisa/PR. Entendem agora por que eu vivo dizendo que este time pequeno não pode nunca pensar ser maior do que é? O tamanho é este aqui:

















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JORNADA DUPLA

Da Arena Barueri até o Pacaembu em tempo quase recorde. Difícil acreditar que conseguimos cumprir a missão, mas lá estivemos para apoiar os irmãos vascaínos. Tensão absoluta, ânimos exaltados, um confronto digno de Libertadores. Dentro e fora de campo. E, depois de tudo, eu espero que o nome de Diego Souza seja amaldiçoado para todo o sempre. Lá do setor lilás, com visão total do lance, a coisa toda foi ainda mais assombrosa. Parece que o jogo parou por alguns segundos, à espera de uma definição para as duas torcidas. O que esse cara fez não tem perdão.

Registrem-se aqui mais dois pontos:

_A PM trabalhou bem ontem à noite. Quando chegamos ao Pacaembu, já com o jogo em andamento, a rua lateral continuava fechada e isolada - e continuou assim até depois do jogo. Entramos numa boa e conseguimos sair também sem quaisquer problemas, seguindo por aquele mesmo caminho que fazemos na caminhada até a nossa casa.

_Obrigado ao Diego Zupo pela parceria ontem nas duas canchas.

23 maio 2012

Pelo fim dos vexames

Para apresentar Palmeiras x Brisa/PR, um post com fundo histórico e com uma dose de expiação que, acreditem!, se faz necessária:

Eliminações do Palmeiras na Copa do Brasil

-Fase 1, a do verdadeiro Palmeiras:

1992: Internacional/RS (fora)
1993: Grêmio/RS (fora)
1994: Ceará/CE (casa)
1995: Grêmio/RS (casa)
1996: Cruzeiro/MG (casa)
1997: Flamengo/RJ (casa)
1998: - (campeão)
1999: Botafogo/RJ (fora)
2000: SPFW/SP (fora)

-Fase 2, esta que perdura até hoje:

2002: ASA/AL (casa)
2003: Vitória/BA (fora, mas...)
2004: Santo André/SP (casa)
2007: Ipatinga/SP (casa)
2008: Ixpót/PE (fora)
2010: Atlético/GO (fora)
2011: Coritiba/PR (casa, mas...)

Notem, por favor, a diferença abissal entre os times que fizeram o Palmeiras ser eliminado da competição nacional no século passado e os de agora. Se lá atrás caímos apenas diante de grandes clubes do país (com uma exceção pontual em 1994), eis que as eliminações para times pequenos se tornaram a rotina desde a década passada, um período esquecível de nossa história. Pior que isso: todas as quedas desde 2002 tiveram elevada dose de humilhação. ASA pelo gol fora, 2 a 7 em casa, empate no Palestra em quatro gols depois de igualdade em 3 a 3 fora, roubo nos pênaltis diante de um inexpressivo Ipatinga, três pênaltis perdidos em Goiânia, 6 a 0...

Sei que alguns haverão de protestar pelo teor do post, mas entendo que é necessário que seja assim. Que os vexames sejam lembrados para que não se repitam. E que os que vestem nossa camisa representem. Enfrentaremos mais um pequeno e insignificante clube hoje à noite. "Em casa" (com muitas aspas) e com boa vantagem. A julgar pelo retrospecto recente, poderíamos esperar pelo pior. Mas não haverá de ser assim. Que volte a campo, por favor, o Palmeiras que se fez Campeão do Século.

Da arquibancada, faremos a nossa parte.

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Greve de Metrô, jogo às 19h30 e mais aquele cenário desfavorável para chegar à Arena Barueri? É de se esperar um verdadeiro caos naquele quilômetro quadrado entre a Castello Branco e o estádio. Já tivemos 12 mil ingressos vendidos, devemos chegar a algo entre 15 mil e 17 mil pagantes (público inédito naquele lugar) e nenhum puto pensa na estrutura necessária para receber tantos e tantos carros em um mesmo horário, logo o de maior movimentação no fim do dia. Vai ficar gente para fora, muitos não conseguirão entrar a tempo, não haverá onde estacionar, o trânsito vai travar como nunca antes. O caos. E os responsáveis por ele estarão ou confortavelmente sentados no camarote ou sequer se farão presentes no estádio.

22 maio 2012

Turiassu, 1840 (12)

















Dois anos se passaram desde o último jogo oficial no bom e velho Palestra Itália e a vida sem ele só fez piorar. Vivemos agora sem rumo, de cancha em cancha, sem que qualquer uma delas se configure como nossa casa. Perdemos o que tínhamos de mais importante, perdemos o nosso refúgio, perdemos muito da nossa identidade. Mas haverá de ser tudo temporário. Dia desses, depois de muito tempo evitando olhar para os escombros de uma história gloriosa, passei a notar que já existe ali um princípio de estádio. Não existe mais apenas apenas um prédio de quadras ou qualquer coisa assim; uma estrutura grandiosa já se enxerga a partir da Turiassu, com as futuras arquibancadas tomando forma. A construção parece avançar para o alto e para os lados, e já nos permite vislumbrar um futuro em que teremos de volta a nossa casa. Quem por ali passa, de carro ou a pé, já não se depara mais apenas com um imenso vazio; o velho Palestra ressurgirá. O olhar perdido, antes sem entender o que se passava naquele lugar onde antes havia um estádio, agora mira o futuro, à espera do que está por subir novamente. Será um estádio diferente, é claro, mas ainda assim será o Palestra Italia. No mesmo local. Com a mesma vizinhança. Com os mesmos de sempre – e com os novos que virão com as gerações seguintes. Passa-se por ali e sabe-se que o alviverde imponente voltará a surgir. Não há gramado ainda, tampouco algo a nos aguardar, mas é tudo questão de tempo. A Turiassu voltará a ficar repleta uma vez por semana, o povo voltará a tomar os bares próximos, não mais ficaremos em dúvida sobre onde jogaremos na próxima semana. Estaremos em casa, enfim. Todo o resto pode desmoronar, mas ao menos teremos de volta o estádio onde vivemos os melhores momentos de nossas vidas. Ao Palestra!

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Texto de Ugo Giorgetti em 02.06.2011:

"Não sei o que pensar, não sei o que estamos perdendo. Mas estamos. Toda destruição é uma perda.

Talvez os peregrinos que vão até esse lugar e se apoiam na cerca olhando a devastação estejam procurando avaliar o que estão perdendo. Porque as marteladas não podem atingir as memórias e tenho certeza que diante de todos, torcedores do clube ou não, ao passar por esse lugar alguma coisa os atinge, como quem atravessa algum célebre campo de batalha, lendário, fabuloso. Lá se travaram grandes duelos, lá houve grandes vitórias, grandes conquistas e grandes derrotas. Desfilaram por lá as maiores equipes do Brasil e da América do Sul em combates inesquecíveis. Lá foi o estádio de um grande. Fica na Rua Turiaçu, Perdizes."


Faz quase um ano. Continua absolutamente imperdível e igualmente emocionante. "Lá foi o estádio de um grande." E assim será.

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A despedida (13.05.2010)

Imortalidade (23.05.2010)

20 maio 2012

Faltam só 37 rodadas

Já corria o segundo tempo e alguém na arquibancada (realmente não me lembro quem) diz o que todos estavam pensando, mas não tinham coragem de dizer: "Tá com uma cara de 1 a 1...". Ninguém gostou de ouvir aquilo, mas era a mais pura verdade. Tanto é que o empate da Portuguesa saiu. 41 minutos, segundo tempo. Bem a rigor, uma vez que já não permitia mais uma reação em busca da vitória. E ainda mais a rigor porque capaz de evidenciar o que nos aguarda durante as próximas 37 intermináveis, extenuantes e insuportáveis rodadas deste imbecil Campeonato Brasileiro de pontos corridos.

Vai ser isso aí mesmo, senhores. Convém não esperar nada além, por mais que eu tenha plena consciência de que a ilusão é inevitável e inerente ao futebol. Será uma temporada repleta de empates imbecis como mandante, uma ou outra vitória surpreendente aqui e ali, uma arrancada logo sepultada por uma derrota para um Náutico da vida, essas merdas todas. Vamos até sonhar que é possível chegar longe, mas logo seremos empurrados para a realidade.

É bom, portanto, que os que vestem a nossa camisa hoje tenham a decência de representar nos cinco jogos que realmente importam de agora até a metade de julho. Que honrem a camisa e salvem a temporada. A começar pela próxima quarta-feira.

18 maio 2012

BR/2012

Começa amanhã para o Palmeiras o Brasileiro/2012. Serão 38 longas, extenuantes e intermináveis rodadas, em mais uma repetição desta bizarra fórmula de pontos corridos. Muitas foram as alterações das últimas semanas (no horário, no dia e no local de algumas partidas), de tal forma que se faz necessária uma republicação da tabela para programação dos palestrinos:

19.05 sab 18h30 Palmeiras x Portuguesa/SP – Pacaembu
27.05 dom 18h30 Grêmio/RS x Palmeiras – Olimpico
06.06 qua 19h30 Ixpót/PE x Palmeiras – Ilha do Retiro
09.06 sab 21h Palmeiras x Atlético/MG – Pacaembu
17.06 dom 16h Palmeiras x Vasco/RJ – Arena Barueri
24.06 dom 16h SCCP/SP x Palmeiras – Pacaembu
01.07 dom 18h30 Palmeiras x Figueirense/SC – Arena Barueri
07.07 sab 18h30 Ponte Preta/SP x Palmeiras – Moisés Lucarelli
15.07 dom 18h30 Palmeiras x SPFW/SP – Arena Barueri
19.07 qui 20h30 Coritiba/PR x Palmeiras – Couto Pereira
22.07 dom 16h Palmeiras x Náutico/PE – Arena Barueri
26.07 qui 20h30 Palmeiras x Bahia/BA – Pacaembu
29.07 dom 16h Cruzeiro/MG x Palmeiras – Independência
04.08 sab 18h30 Palmeiras x Internacional/RS – Arena Barueri
08.08 qua 22h Botafogo/RJ x Palmeiras – Engenhão
12.08 dom 18h30 Fluminense/RJ x Palmeiras – Engenhão
15.08 qua 22h Palmeiras x Flamengo/RJ – Pacaembu
19.08 dom 18h30 Atlético/GO x Palmeiras – Serra Dourada
25.08 sab 18h30 Palmeiras x Santos/SP – Arena Barueri

30.08 qui 21h Portuguesa/SP x Palmeiras – Canindé
02.09 dom 16h Palmeiras x Grêmio/RS – ?
06.09 qui 21h Palmeiras x Ixpót/PE – ?
09.09 dom 18h30 Atlético/MG x Palmeiras - Independência
12.09 qua 22h Vasco/RJ x Palmeiras – São Januário
16.09 dom 16h Palmeiras x SCCP/SP – Presidente Prudente/MS
23.09 dom 18h30 Figueirense/SC x Palmeiras – Orlando Scarpelli
30.09 dom 16h Palmeiras x Ponte Preta/SP – ?
06.10 sab 16h SPFW/SP x Palmeiras – Jd. Leonor
13.10 sab 18h30 Palmeiras x Coritiba/PR – ?
17.10 qua 22h Náutico/PE x Palmeiras – Aflitos
21.10 dom 18h30 Bahia/BA x Palmeiras – Pituaçu
24.10 qua 22h Palmeiras x Cruzeiro/MG – ?
27.10 sab 16h Internacional/RS x Palmeiras – Beira-Rio
04.11 dom 16h Palmeiras x Botafogo/RJ – ?
11.11 dom 16h Palmeiras x Fluminense/RJ – ?
18.11 dom 16h Flamengo/RJ x Palmeiras – Engenhão
25.11 dom 16h Palmeiras x Atlético/GO – Arena Barueri
02.12 dom 16h Santos/SP x Palmeiras – Vila Belmiro

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Ponderações necessárias:

1. Até prova em contrário, os jogos do primeiro turno serão disputados nos dias e horários aí informados. A CBF/Globo já anunciou mudanças em duas datas e devemos parar por aí mesmo.

2. Dias e horários das partidas do segundo turno são mera suposição deste blog, com base no modus operandi da CBF/Globo e na configuração de cada rodada (levando em conta outros duelos, intervalos entre uma jornada e outra, interesses da TV etc.)

3. Impossível prever onde serão os jogos do Palmeiras no segundo turno, uma vez que a decisão do mando de campo obedece a conveniência de cada momento dos nossos despreparados e incompetentes dirigentes. Arrisco apenas o clássico contra os gambás no maldito Pantanal e o penúltimo jogo em Barueri, uma vez que o SCCP joga no Pacaembu no mesmo dia e horário.

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Ainda estou intrigado com a coluna de ontem do Juquinha. Sério. Queria que o renomado colunista me explicasse como é que um torcedor do Boca conseguiria deixar La Bombonera e percorrer 18km dentro de uma cidade em 15 minutos para encontrar com a torcida do Vélez? É intrigante. E vejam que estou tendo enorme boa vontade, pois já demonstrei no post de ontem que é absolutamente impossível um encontro entre as duas torcidas.

17 maio 2012

Avançaremos!

O Palmeiras teve ao menos um pênalti a seu favor não anotado pela arbitragem. A Brisa/PR teve um de seus gols marcado em clamorosa posição de impedimento, bem à frente do bandeira. O árbitro inverteu faltas a torto e a direito, amarelou nossos jogadores sem pensar duas vezes (ou exatamente por pensar) e foi bem deliberado ao tentar dar à partida um rumo favorável ao time da casa.

O Palmeiras sendo roubado contra um time pequeno? Nada de novo. É este o roteiro que se repete faz anos, ficamos aqui reclamando, os filhos da puta constroem seus nomes, crescem na hierarquia podre da arbitragem, ganham benesses aqui e ali, há até quem vire comentarista esportivo. Reclamamos nós e sofremos nós. Os que deveriam zelar pelo clube nada fazem. E segue a rotina.

Enquanto não houver medidas drásticas (vocês sabem que eu defendo que um desses malditos pague por todos os demais dentro de campo como sinal de advertência), continuaremos sendo roubados contra aberrações como este pequeno e desprezível clube paranaense.

Já pensando adiante, no confronto da semana seguinte, é necessário fazer quatro considerações:

1. Do meio para a frente, o time funcionou bem: fez dois gols, botou duas bolas na trave, criou outras tantas oportunidades. O camisa 29 vai fazer falta no jogo da volta, e o 7 entregou naquele chute altamente improvável toda a sua dose de contribuição por muito tempo. Só esperem algo dele no próximo mês. Até por isso foi bom ter buscado o empate em dois gols.

2. A defesa, por sua vez, viveu uma noite pavorosa. Os dois gols sofridos ficaram de bom tamanho, porque zagueiros, laterais e volantes se esforçaram bastante para que acontecesse algo muito pior. A volta do camisa 3 serve de alento. Basta a defesa funcionar em Barueri para avançarmos.

3. A conduta do camisa 10 no entrevero com o imbecil técnico adversário foi exemplar, em especial pelos palavrões proferidos depois do lance. Foi bonito aquilo. Agora é a nossa vez de transformar em um inferno a vida deste palhaço lá na Arena Barueri. A distância da arquibancada para o campo favorece isso.

4. Sei que o horário é terrível e o local, mais ainda. Mas é justo e necessário que a torcida faça na próxima quarta-feira todo o esforço possível para chegar ao estádio a tempo. Façamos a nossa parte na arquibancada e que o time corresponda dentro de campo.

Avançaremos, senhores!

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Não satisfeito com as besteiras todas que costuma escrever sobre temas, digamos, locais, Juca Kfouri, este renomado paladino da moral e dos bons costumes do jornalismo esportivo, resolveu que era o caso hoje de dedicar sua coluna na FSP ao futebol argentino. Pior: não sobre questões táticas ou técnicas, mas sim sobre aspectos que envolvem estádios e hinchadas portenhas: “O risco Buenos Aires”. Soa como desrespeito, uma vez que tal figura é um símbolo dessa categoria a cada dia mais comum na crônica esportiva, a dos jornalistas que comentam futebol a partir das imagens pasteurizadas (mas em HD, vejam só!) da TV. "É a modernidade. Posso ver até quatro jogos simultâneos", brada o iludido e acomodado cronista.

Pois bem, passemos à tal coluna de hoje. Leiam aqui.

Vamos à tese que o nobre colunista tenta levantar:

“Sabe-se lá por que a polícia de Buenos Aires permite a realização de dois jogos em estádios separados por 18 quilômetros e que serão disputados com pequena diferença de horário.

Na Bombonera, às 19h45, o Boca Juniors recebe o Fluminense numa disputa duríssima para o tricolor, com os desfalques de Deco e Fred, e com Riquelme garantindo que a Libertadores começa agora, ele que é tricampeão da Copa, em 2000/01 e 2007. No José Amalfitani, às 22h, é a vez do Vélez Sarsfield receber o Santos.


Quando o jogo no bairro de Liniers estiver terminando, a torcida xeneize ainda estará se deslocando para a Boca. É mais ou menos como se o São Paulo jogasse no Morumbi na hora do primeiro jogo e o Palmeiras em seguida, a 12 quilômetros, no Palestra Itália.

Certamente, em São Paulo, a PM vetaria.

Mas os portenhos não parecem preocupados com a coincidência, que pode virar uma pororoca violenta. O pior é que nada indica que seja por confiança nos cassetetes hermanos.


Trata-se de imprudência mesmo, sinal de que nada pode ser feito para controlar os barrabravas, ainda mais violentos que os nossos uniformizados, e em franca promiscuidade com os jogadores de seus times, obrigados a subvencioná-los e até visitá-los na cadeia.”



Kfouri tenta fazer graça e demonstra enorme desconhecimento da geografia de Buenos Aires, dos hábitos locais e dos horários em que as partidas normalmente são realizadas. A julgar pelo restante do texto, ele deve ter ligo agora a versão em Português de “La Doce” e ficou impressionado, o que o leva a fazer apontamentos precipitados, imprecisos e desconexos.

Em primeiro lugar, jogos simultâneos ou com poucas horas de diferença envolvendo os clubes locais são bastante comuns na capital argentina, até porque a concentração de times é enorme. Ao contrário de SP, com apenas quatro grandes, a Grande Buenos Aires tem pelo menos 15 torcidas de peso, com um número de rivalidades que é muito maior do que o que temos por aqui.

Ocorre, no entanto, que as hinchadas são muito mais concentradas, com os torcedores residindo normalmente mais perto das sedes da agremiação – são os chamados “clubes de bairro”. Resultado: deslocamentos menores. Os grandes (Boca, River e San Lorenzo, em especial) são exceção. O Vélez não é grande, e parte considerável de sua torcida fica mesmo em Liniers e nos bairros da zona oeste.

Ainda que não fosse assim, o jogo do Boca vai terminar entre 21h30 e 21h40 e é provável que a torcida local fique no estádio por alguns minutos, até que os visitantes deixem o estádio. Mesmo se isso não acontecer, os torcedores do Vélez já estarão todos ou dentro do Amalfitani ou nas imediações (a exatos 18km dali, como bem lembrado pelo colunista). E bastaria o sujeito estudar um pouco para perceber que não há nada em comum entre os caminhos que levam a La Boca e Liniers - a começar pelo transporte público, uma vez que La Bombonera não é servida por trem ou Metrô, ao contrário do Amalfitani.

Por fim, ele menciona em dado momento do texto que o Fluminense empatou com o Boca em 2009 no “estádio de Avellaneda”. Estádio de Avellaneda, é? Qual deles, caro colunista? Ou você não sabe que Avellaneda tem dois grandes e, portanto, dois estádios?

Aliás, Kfouri, me responda uma coisa, por favor: qual foi a última vez que você colocou os pés em um estádio de futebol?

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15 maio 2012

Turiassu, 1840 (11)

Nunca consegui entender o que leva um sujeito a estudar para cheirar a mão de estranhos... Quer dizer, é exatamente por não estudar que o puto fica ali fazendo isso. Percebi isso logo cedo, nas primeiras vezes em que, ainda moleque, comecei a frequentar aquela e outras arquibancadas. Não que eu tivesse enfrentado grandes problemas com esse tipo de gente na minha casa - coisa pior acontecia nas ruas, em outras canchas, fora de SP ou em clássicos -, mas houve aqui e ali situações que poderiam nunca ter existido.

Lembro de uma em particular, em setembro de 2001, um Palmeiras 4-0 Universidad de Chile pela extinta Copa Mercosul. O jogo valia pouco, estava marcado para 19h e chovia em SP: fomos ao Palestra apenas 2.210 pagantes, público aceitável para época, horário, condições climáticas e competição.

Jogo atípico porque, uma vez saindo um pouco antes do trabalho, na Paulista, só consegui chegar ao Palestra com a partida em andamento, alguns minutos passados. A Mancha ficava à época atrás do gol, um pouco à esquerda do placar. E sejamos francos: com 2 mil pagantes e chuva, só havia mesmo a Mancha na arquibancada. Entrei pela Turiassu e subi pela escadaria dupla bem atrás do gol. "E aí, mano?", um abraço aqui, aperto de mão ali, o Japonês logo abaixo da Mancha (e registro aqui que o Japonês é um daqueles sujeitos que eu encontro em absolutamente todos os jogos desde os anos 1990 e que provavelmente vou encontrar até, sei lá, 2073).

Paro para conversar com ele e resolvo ficar por ali mesmo. 0 a 0, jogo chato. Nem dois minutos se passaram desde que eu coloquei o pé na arquibancada e começa a subir um pequeno grupo dos bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque. Por quê? Não se sabe. Talvez pelo motivo de sempre: falta do que fazer. Eles chegam perto da Mancha e começam a caçada. Um, dois, cinco, 10, 12. Eu no meio. "Você, você e você...". Vão pegando um a um. "Eu? Por que eu?" A truculência é a habitual. "Vocês estavam fumando maconha..."Até hoje não sei dizer se alguém estava ou não fazendo isso - e, a bem da verdade, pouco importa. Mas sei dizer que eu não estava, até porque nunca estive. Fato é que tive de descer com aquele bando, os braços para trás, junto com mais uma dúzia. Rumo à salinha da PM, ali perto da curva que nos conduzia à parte central da arquibancada.

Entramos lá, e o que me deixava mais puto era saber que estava perdendo parte de um jogo do Palmeiras na minha casa porque alguns imbecis resolveram não estudar. É então que chego ao relatado no início do texto. Atrás do tal 'maconheiro', um dos coxinhas começa a cheirar a mão de cada um dos detidos. Sério: como pode um sujeito cheirar a mão de estranhos para ganhar a vida?

A ele - e a todos os demais ali presentes - dirigi o mesmo de olhar de sempre: um misto de desprezo, repulsa e ódio. "Você cheira a mão dos outros, seu puto!", "Eu pago o seu salário, seu merda!", "Vai estudar, vagabundo!". Perdi ali não mais do que 15 minutos. Logo fui liberado, assim como todos os demais. Nada encontraram, e é provável que só tivessem feito aquilo porque, além de não ter o que fazer, queriam mesmo era encher o saco.

Voltei à arquibancada. O placar já apontava 1 a 0. "Perdi o gol, porra!" Mais três viriam, sem que isso significasse necessariamente uma noite memorável. Confesso não fazer a menor ideia de como foram aqueles gols. Vejo agora, pesquisando em meus arquivos, que foram marcados por Galeano, Tuta, Magrão e Alexandre. Não me lembro de nada disso. Mas lembro claramente de ter conhecido ali, naquela noite, a salinha dos coxinhas no Palestra.

Voltaria àquele lugar mais algumas vezes nos anos seguintes, algumas por minha culpa, outras tantas por ter que buscar amigos que se envolveram em confusões. Sempre com o mesmo olhar de desprezo por quem vive de cheirar a mão dos outros. Eles são inimigos, é bom lembrar. E são e sempre serão visitantes indesejados na nossa casa.

14 maio 2012

Barueri: 2 opiniões distintas

Houve quem reclamasse na semana passada do tom de alguns posts deste blog. Não foi nem aqui, mas em outra página, e a discordância principal não se referia aos argumentos em si, mas sim ao uso de palavras, digamos, mais intensas. Gente que se ofendeu com o linguajar utilizado por este blog contra o técnico Luiz Felipe Scolari. Pois então eu digo, senhores, que usar palavrões é uma arte. Eles são necessários quando o sentimento em jogo é muito forte. Há quem faça uso deles para se referir a outras pessoas e situações; por outro lado, há gente, como o nosso treinador, que faz uso de palavrões para se referir ao Palmeiras. Enfim, cada um defende o que lhe parece mais importante.

Isso tudo para dizer que, ainda que corra o risco de me tornar repetitivo, sigo defendendo o interesse do torcedor palmeirense e do próprio Palmeiras. Para ampliar o debate, abro espaço agora para duas opiniões distintas sobre os jogos em Barueri. Opiniões de dois grandes amigos da arquibancada, um contra e outro a favor. Peço que atentem para os argumentos do Teo. Eles são válidos e fazem sentido. Entendo eu que eles não compensam o transtorno de se jogar fora de SP, mas, se vamos mesmo fazer uma visita quase semanal a Barueri, é bom tentarmos extrair algo de positivo.


Por que não em Barueri?
*por Felipe Giocondo

Antes de tudo, é importante ressaltar que nada temos contra o estádio em Barueri. Embora seja um desperdício de dinheiro público em uma obra que não traz retorno relevante para a comunidade onde está inserido (para os que não o conhecem, o estádio situa-se em meio a residências muito simples, por vezes precárias), nem para o outro lado da Rodovia, abastado pelos seus condomínios de luxo e restaurantes da moda, não é o cerne da questão para o palmeirense as condições estabelecidas para que se levante um estádio – embora tenhamos um exemplo parecido aqui em nossa própria cidade.

Por que não Barueri? Pela mesma razão que somos contra o mando de jogos por outras cidades do interior paulista, algumas tão distantes da capital é que mais rápido – e barato – vir de outro estado para um jogo por lá.

Porque a Sociedade Esportiva Palmeiras é um clube sediado na capital paulista, onde até mesmo times de fora do município mandam seus jogos para que possam – vejam que constrangedor para o Palmeiras – arrecadar mais e ter um público maior.

Poderíamos ser contra Barueri porque jogamos no Pacaembu desde o primeiro dia em que ele esteve ativo, inaugurando o estádio municipal com uma sonora goleada.

E porque o Pacaembu, a despeito do que muitos afirmam e bradam, nunca, jamais, em tempo algum, foi inimigo do Palmeiras, ou não seríamos, como somos e de longe, o clube a mais levantar troféus no estádio, mesmo tendo outro clube da cidade se apropriado do Municipal como se fosse sua casa por muitos e muitos anos.

Somos radicalmente contra Barueri pelas suas parcas opções de transporte público, seu acesso dificultado por estar em um extremo da Grande São Paulo, por obrigar a quem mora na capital e cidades vizinhas a pegar estrada e pagar pedágio para ver seu time jogar.

Convenhamos, não há conta de economia que justifique ter uma menor renda, como usualmente é quando jogamos por lá.

Somos contra jogar fora da capital e do Pacaembu quando estamos prestes a relançar um programa de sócio torcedor e o estádio é, vejam a contradição, uma arma fundamental para o sucesso do programa.

Não queremos nos aproximar ainda mais dos pequenos times que peregrinam por trocados de prefeitos populistas e “empresários do ramo”. Gostaríamos, nada além disso, de ver nosso clube de coração jogando onde desde o dia da fundação o faz: em sua cidade.

Já nos dói bastante não ter o antigo Palestra Itália em pé. Já nos entristece o suficiente ser um clube retrógrado, feudal, dominado pelos mesmos sobrenomes que tanto fizeram no passado para construir um clube vencedor. Os filhos que apagam vorazmente o legado de seus pais.

Não precisamos nos apequenar para que se economize 20, 30 mil reais por jogo quando temos uma estrutura corrompida que permita um time B – que nos parece mais um verdadeiro balcão de negócios e negociatas – e que pagaria, por mês, uns 15 jogos no Pacaembu.

Pedimos apenas respeito à instituição. Já não nos importamos com quem dirige este clube. Com quem o treina. Pelos que jogam. Pouco significa para nós um Palmeiras que só nos desperta reações viscerais de raiva e angústia. Um clube que não pune quem o rouba, que não acata a voz dos seus representantes que clamam pelas Eleições Diretas.

Nestes tristes momentos que temos vivido, queremos apenas acompanhar esta camisa, pois ela será eterna, não importa quantos descompromissados a vestem ou a usam.

O gigante Palmeiras, que, a despeito de sua administração, ainda ressurgirá, é e sempre será maior do que as mentes mesquinhas e incapazes que o dirigem.

Não tirem o Palmeiras de nós. Por cada palmeirense, em cada cidade deste país, permitam que ele possa jogar em sua casa de direito, pois aqui construímos nossa história e a do Brasil no último século.



Barueri, onde vive o futebol
*por Marco Bressan, o Teo

Foi, sem dúvida, a peleja mais agradável e prazerosa do ano.

Barraca de pernil, maria mole, engasga gato e cerveja gelada a 10 metros do portão. A favela nos arredores com o povão mais humilde se fazendo presente, a proximidade com o campo, a pressão na imprensa e na arbitragem. Enfim, tudo aquilo que não nos é permitido na São Paulo demotucana de Kassab & Serra, ainda está ali, em Barueri, à nossa disposição. Futebol como antigamente, sem frescura ou restrição.

Toda vez que vou pra lá, retorno com a sensação de que o futebol, mesmo nos dias de hoje, pode ser muito mais caloroso e participativo. Vive-se, por ali, o contraponto ao clima de cemitério, percebido nos sombrios arredores do ex-Pacaembu (a pior opção, entre todas), onde simplesmente inexiste a convivência entre torcedores (desculpem-me, eu tenho vergonha do Buim).

Em Barueri, depois de um bom tempo, voltei a sentir aquele espírito de comunhão entre semelhantes. Este, tanto quanto a busca por uma vitória do time de coração, é o que eu imagino que deveria guiar a presença de um homem em um estádio de futebol.

De novo, obrigado, rapaziada. E que em Barueri a babaquice, invariavelmente acompanhada de um dinheiro desnecessário, demore um pouco pra chegar.

13 maio 2012

Diretoria x torcida

Jogo do Palmeiras "em casa", Arena Barueri, quarta-feira, 19h30.

Colocados esses elementos todos em uma mesma sentença, me parece absolutamente desnecessário que eu fique a enumerar todos os absurdos aí implícitos. Apenas reforço aquilo tudo que vem ficando claro de uns tempos para cá: estamos no meio de uma guerra. De um lado, a torcida palmeirense. Do outro, a direção do clube. Os ataques lá do outro front, aquele de Tirone, Frizzo, Piraci e demais criaturas, têm sido a cada dia mais pesados. Vivemos uma rotina diária de desrespeito ao torcedor. Fazem de tudo para nos irritar, para nos provocar, para nos afastar do estádio. Seguimos lutando. Mas o Palmeiras já está perdendo - e muito!

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Escrevi em março de 2010, há mais de dois anos, portanto, o post "Pobre futebol", em que enumerava uma série de motivos que me levavam a uma situação de esgotamento em relação ao futebol e em que apontava uma insatisfação com o rumo deste blog. Pois bem, muito tempo se passou e a coisa só fez piorar - até porque naquela época nós ainda tínhamos uma casa. Se eu fizer agora a conta que fiz em 2010, é provável que o resultado seja ainda pior.

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Outros posts que dizem muito para o momento atual:

Desesperança (05.01.2011)

Uma torcida abandonada (08.04.2010)

Desesperança (28.03.2010)

E confesso que, ao fazer uma busca bem superficial em alguns posts do blog, vejo que tenho escrito a mesma coisa há anos. E as coisas nem sequer continuam iguais; elas pioram.

11 maio 2012

Avanti, mais um fracasso

Um pequeno grupo de abnegados e bons palestrinos tentou ajudar o Palmeiras no desenvolvimento do projeto de sócio-torcedor do clube. Foi muito ousado para um clube que vive mergulhado em um período de trevas, conduzido que é por mentes retrógradas. O fracasso da tentativa levou ao que se lê abaixo:

Carta aberta aos diretores do Palmeiras
Desligamento do AVANTI


Prezados,

Desde nossa aproximação – a nosso pedido, frise-se – para participar ativamente do programa de sócio torcedor com sugestões e ideias a fim de enriquecê-lo e o deixarmos mais próximo do que buscam os torcedores, trabalhamos com algumas premissas que são, em nossa visão e refletidas nos grandes casos de sucesso do mercado, imprescindíveis.
Entre inúmeros fatores que definem um programa de sucesso ou mais um retumbante fracasso, consideramos extremamente relevante a definição de um estádio na capital paulista como estratégia de ativação e recompensa aos associados neste primeiro momento. Enquanto aguardamos ansiosamente pela inauguração de nossa Arena, teríamos que buscar soluções que fizessem os torcedores se sentirem em casa e, mais, que permitissem a grande massa de palmeirenses estar presente ao local dos jogos, sabedores que somos das grandes dificuldades de locomoção que enfrentamos em uma metrópole como a em que estamos sediados.
Não obstante nosso pedido na única reunião presencial a que fomos convidados, reforçado também diversas vezes pelos representantes da Outplan (que, convenhamos, entendem bem mais de programa de sócio torcedor do que qualquer um de nós), o Palmeiras decidiu que novamente não teria um estádio que pudéssemos chamar de “casa” no período. Repartiu nossos mandos em dois locais no primeiro turno do Campeonato Brasileiro e para o restante da Copa do Brasil e para o segundo turno do Campeonato Brasileiro não temos sequer uma pista do que será decidido, uma vez que esta não é uma decisão pautada em aspectos técnicos e nem estratégicos – é uma mera conveniência do momento.

Além disso, não fomos mais convidados para reuniões de debate sobre o projeto, o que, somado ao tema exposto acima, nos demonstra mais uma vez que há pouca preocupação em relação à real opinião dos torcedores e o que vem sendo feito é apenas uma forma de acalmar os ânimos de parte da torcida que clama por um projeto colaborativo.
C
ontinuamos apoiando a iniciativa e nos associaremos ao programa assim que lançado, como sempre fizemos, aliás, mas pedimos a gentileza de não mais vincularem nossos nomes, grupos ou movimentos ao desenvolvimento do programa, o que é, de fato, inverídico salvo uma única reunião para discussão de ideias, nada mais.
Como já temos um documento pronto com contribuições de diversos palmeirenses que se dispuseram a auxiliar, enviaremos o material à Outplan para que utilize alguns conceitos se assim achar relevante, embora tenhamos a triste percepção de que pouco pode ser feito nas ações quando sequer há definições.

E clamamos, mais uma vez, para que o Palmeiras possa um dia novamente orgulhar seus torcedores, voltando a ser referência em vanguarda fora de campo e excelência dentro. Para isso, é necessário que o torcedor tenha acesso e possa participar da vida do seu clube de coração, o que é praticamente impossível nos dias atuais, a tomar como exemplo o pedido de mais de 80 conselheiros pelas eleições diretas que está engavetado porque duas ou três almas acham que não é o momento ideal.
Nosso entendimento, conforme ressaltado diversas vezes em inúmeras oportunidades por dezenas de lideranças e torcedores é a de que o sócio torcedor deveria ter, também, a possibilidade de voto para eleger o presidente do clube. Mas se não permitimos sequer que os sócios do clube social tenham este direito, como esperar que o tema esteja ao menos em pauta para os sócios torcedores?

Seguimos com o Palmeiras e pelo bem do Palmeiras, sempre, mas não queremos ter nossos nomes vinculados a um período antidemocrático e economicamente retrógrado.

Boa sorte aos envolvidos e muita boa sorte ao nosso amado Palmeiras.


Edson Poli
Felipe Giocondo
Marco Néspoli


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Sobre horário e local do próximo jogo pela Copa do Brasil, eu escrevo depois, com mais calma e talvez com menos ódio.

Rádio Bandeirantes, 75

Devo confessar que não cresci ouvindo a Bandeirantes. Parece estranho e até condenável hoje, mas passei as minhas infância e adolescência futebolísticas tendo a Jovem Pan como companheira. A Jovem Pan, digo aos mais jovens, não era a excrescência de hoje. Pelo contrário, uma vez que tinha uma equipe de jornalismo das mais respeitáveis, com dois dos nomes que me fizeram escolher o jornalismo como profissão: José Silvério e Milton Neves. E mesmo os outros integrantes da equipe titular, Flavio Prado, Wanderley Nogueira e Quartarollo, não eram essas figuras desprezíveis de hoje. Aliás, sugiro a leitura disso aqui.

Pois bem, a Bandeirantes não foi a “paixão” da minha adolescência, mas foi a emissora que eu passei a ouvir já na fase adulta, talvez fruto da maturidade que chega ali a partir dos 20 anos de idade. Para ser preciso, a mudança se deu a partir dos 19, não à toa coincidindo com o período em que José Silvério, o monstro sagrado da narração esportiva, seguiu de uma para a outra. A equipe da Bandeirantes já era melhor então (e até antes disso), mas Silvério fez a balança pesar de maneira irreversível. Quando, anos depois, Milton Neves seguiu o mesmo caminho, aí é que não havia o que comparar.

Lá se vão 10 anos (ok, 12!), e fiz todo esse introito para indicar aos palestrinos o livro/cd (ou audiolivro) que a Bandeirantes acaba de lançar por ocasião de seu aniversário de 75 anos. Cada um dos quatro grandes paulistas ganhou uma edição especial, elas todas lançadas no último sábado no Museu do Futebol. A edição do Palmeiras tem a apresentação de Mauro Beting e Sergio Patrick:


Vale a pena porque o livro traz a história da Bandeirantes de maneira ilustrada e episódica e porque o cd traz muito da história alviverde, com direito a vinhetas clássicas da rádio (incluindo o logoton da emissora para o futebol), histórias do clube e alguns poucos gols.

Poucos mesmo. Confesso ter me decepcionado logo com o que deveria haver de mais rico no material: os gols com a narração original. Há, vejam só, somente cinco ou seis lances, todos recentes (de 2002 para cá). Impossível conter a frustração quando Beting ou Patrick falam sobre 1942 ou 1974 e ficamos sem a narração original para complementar e dar vazão à emoção que sentimos. A ausência de um material radiofônico mais amplo e de narrações históricas faz muita falta, mas se explica (conforme abaixo).

Por que faço a indicação mesmo assim? Porque o material é bom, porque a Rádio Bandeirantes tem uma importância enorme para o futebol brasileiro e porque, em um mercado editorial fraco e ainda mais preguiçoso, é de se louvar um lançamento como este. Fica sendo um documento histórico obrigatório para qualquer palmeirense.

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ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE:

O assessor de imprensa da editora Panda Books entrou em contato comigo para justificar o fato de haver um número bem limitado de gols e narrações históricas:

"A razão da ausência de gols mais antigos é simplesmente uma: direitos autorais. A Bandeirantes pode, de maneira gratuita e ao seu gosto, reprisar os gols durante a sua programação normalmente. Mas quando se trata de um negócio (elaboração de um livro com CD para comércio) existem outras regras para a execução, diferentes das de radiodifusão. Os entraves impostos à editora nesse aspecto inviabilizaram incluir a execução de gols antes do ano 2000."

Tá explicado. Agradeço a ele pela atenção e já excluo a crítica que fiz acima, até porque não levei em conta a questão dos direitos autorais. Fiquem só com os elogios.

10 maio 2012

Como afastar o torcedor














1h19. Cheguei agora em SP. Deve ter gente que vai chegar em casa ainda mais tarde, uma vez que eu fui um dos primeiros a escapar de Barueri - e isso porque deixei o estádio literalmente correndo para não ficar preso no trânsito obsceno que se forma na única via de ligação entre o estádio e a rodovia. E, para além de tudo o que eu já escrevi ao longo dos últimos anos, quero aqui deixar o argumento mais forte: se a opção por um estádio significa a exclusão de boa parte da torcida (aquela que depende de transporte público), ela definitivamente não serve. Porque não se pode impedir que torcedores vejam o seu time jogar "em casa". E é exatamente isso o que acontece quando se marca uma partida para Barueri às 21h50. Não existe transporte público de volta para SP!

Chegar a Barueri é um transtorno. Sair de lá pode ser ainda pior. E nós estamos falando de um jogo que levou não mais do que 11 mil pagantes ao estádio - o que dirá de jogos mais concorridos? É preciso deixar a cidade do clube (e isso, por si só, já é condenável). É necessário pegar uma rodovia e pagar pedágio (a Via Oeste agradece imensamente pelos R$ 6,40 por carro). É preciso enfrentar um trajeto todo escuro e mal sinalizado, por entre galpões industriais, da rodovia ao estádio. Mas coisa pior mesmo se dá nas proximidades, ali na avenida de acesso. Porque aí são centenas (milhares?) de veículos chegando ao mesmo tempo no mesmo buraco e não há onde estacioná-los. E notem, por favor, que só faço referência a isso porque só é possível chegar e sair de Barueri de carro.

Aí você chega e se depara com o preço do estacionamento. R$ 40! É quase extorsão, senhores. Sim, extorsão, porque te obrigam a pagar um valor assim tão alto simplesmente por saberem que não resta muita alternativa. A não ser, é claro, que você queira se arriscar a deixar o carro naquela ladeirinha um tanto precária que sobe a partir do estádio (aquilo tem uma cara de desmanche...) ou na longa e escura avenida cercada por galpões industriais. Detalhe: não dá nunca saber onde é permitido parar e onde não é. E se você resolver deixar o carro na rua, é bom rezar para encontrá-lo depois do jogo.

É um sofrimento sem fim. Obriga-se o palmeirense a pagar pedágio, a gastar com combustível e ainda com o estacionamento (e R$ 40, repito, é extorsão). E vejam os senhores que paga-se todo esse dinheiro não por uma conveniência, mas sim para deixar o seu carro ou em um terreno baldio ou em um buraco abaixo do estádio de onde não se sai na meia hora seguinte ao jogo.

Não é nada convidativo. É, na verdade, a maneira mais eficaz de afastar o torcedor do estádio. O que, aliás, parece ser exatamente o objetivo dessa gente que hoje comanda o Palmeiras.

E, claro, há ainda um prejuízo intangível, esse das horas perdidas no trânsito, que é tanto maior quanto mais perto do estádio. Sair de Barueri hoje foi uma verdadeira tortura - e eu imagino que tenha sido ainda pior para quem ficou lá no fundo do estacionamento da Arena. Ainda que os senhores Tirone e Frizzo se comprometessem a reembolsar cada um dos torcedores por todo o dinheiro gasto com essa decisão cretina, não haveria como cobrir o prejuízo da hora de sono perdida, do nervoso que se passa para chegar e sair daquele buraco e, em especial, daquele torcedor menos teimoso que, ou não iria até lá de jeito algum, ou desistiu de ir depois de tanto sofrer para ver seu time "em casa".

O Palmeiras virou a cara para a sua história. O Palmeiras virou a cara para o seu torcedor. É um desrespeito sem tamanho. E eu só posso esperar que os responsáveis por isso paguem o devido preço por tudo o que estão fazendo contra nós.

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Aí alguém vai vir aqui e reclamar: "Porra, o time goleou, passou para a próxima fase e você só fica falando sobre Barueri?" Pois é... Acontece que isso é muito mais importante. E, numa boa, se o treinador resolve colocar a vitória em segundo plano para disparar contra os seus superiores no clube (a hierarquia prevalece ainda que eles sejam incompetentes, inaptos e ignóbeis), por que deveria eu fazer diferente? Por sinal, reside aqui a diferença principal: enquanto a minha preocupação é com o torcedor e com a história palmeirense, a dele é com os seus próprios interesses. É o que eu disse no post anterior sobre o assunto: Scolari acaba por representar hoje a cultura do interesse individual em detrimento do bem maior.

09 maio 2012

El otro fútbol

Coisas boas precisam ser recomendadas sem moderação. E então, a partir da indicação do amigo Vitor Birer, que, por sua vez, viu o assunto no excelente blog Impedimento, deixo-os com o trailer de um documentário a ser lançado em breve na Argentina. Dispensa um texto mais aprofundado; as imagens, algumas espetaculares, revelam toda a alma do futebol argentino:

07 maio 2012

Por que isso, Scolari?

Texto aqui publicado em 22.10.2010:

"O Palmeiras é um clube da cidade de São Paulo. A cidade de São Paulo tem um estádio municipal, o Pacaembu. O Palmeiras é o clube que mais vezes foi campeão no Pacaembu, a despeito de ter o seu próprio estádio. O Palmeiras inaugurou a cancha municipal, em um 6 a 2 contra o Coritiba. O Palmeiras viveu um dos episódios mais gloriosos de sua história, a Arrancada Heróica, por lá.

(...)


Vejam que o palmeirense não tem mais o prazer de ver seu time jogar na própria cidade, virando agora um visitante mesmo "em casa". O palmeirense tem de viajar até outra cidade para ver seu time. Tem de pagar pedágio na ida e na volta, por vezes enfrentando o trânsito infernal de uma rodovia e mais os 30km entre a sua casa e esta nova e indesejada.


Eis o mais grave: o palestrino tem de se submeter a viajar sempre que seu time for mandante. Em vez de ir de Metrô (ou a pé), tem de encarar a estrada e o pedágio para chegar a um estádio sem alma e sem qualquer identificação com o clube.

O Palmeiras segue o exemplo, vejam vocês, do ex-Barueri: abandonou o estádio da sua cidade para jogar em outra cidade, que nada tem a ver com a sua história.

Nesses tempos em que Barueri vira Prudente, Guaratinguetá vira Americana e São Caetano ameaça procurar outra sede, o gigante Palmeiras faz a sua parte: dá um pé na bunda da sua cidade e assume como casa um estádio sem alma por algumas migalhas e por uma resistência imbecil."

É isso! Vale naquele dia, vale hoje e vale sempre.

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(Será difícil, mas vou tentar escrever o post sem que transpareça o ódio que tomou conta de mim e dos palmeirenses de arquibancada na tarde de hoje. Prometo me esforçar...)

O palestrino Daniel Grandesso publicou um post com importantes perguntas dirigidas aos sujeitos que acabam de impor ao torcedor do Palmeiras uma derrota, mais uma, nesses tempos em que elas são a regra e não a exceção. Faço referência ao fato de a CBF ter oficializado hoje a mudança de seis jogos do Palmeiras no primeiro turno do Brasileiro/2012 do Pacaembu para a aprazível, bem localizada e agradável Arena Barueri.

As questões ali são todas necessárias, mas eu me permito destacar o vídeo publicado por ele, um material essencial para que se entenda o que está por trás da decisão. Ouçam com atenção, por favor:

 

São quatro minutos de uma entrevista que constitui uma ofensa irreparável ao palmeirense e à história do clube, simplesmente o maior vencedor da história do estádio municipal da cidade de São Paulo. Cidade esta que, diga-se, é também a sede do Palmeiras.

De tudo o que aí está, gostaria de destacar uma frase: "Mas se tiver que jogar no Pacaembu, joga-se... mas não é o que eu gostaria".

Notem o EU.

"Eu gostaria".

Fala o treinador, um ex-ídolo da história recente do clube, na primeira pessoa. Fala de seu próprio interesse, de sua vontade, de sua predileção, por assim dizer. É a síntese do Palmeiras hoje, um antro de gente que se importa com a primeira pessoa e deixa a coletividade de lado. A vontade pessoal prevalece; clube, história e torcida pouco importam.

Scolari, devo lembrar, já havia se posicionado contra a cancha municipal algumas vezes desde o ano passado. Mas vejam os senhores que a manifestação mais contundente veio há questão de duas semanas, depois de o time acumular uma sequência negativa nos jogos finais do Paulistão. Para tirar o foco dos problemas do time e de sua responsabilidade, o técnico preferiu jogar a culpa no Pacaembu. Foi desrespeitoso, para dizer o mínimo. Foi sujo e covarde, para dizer o que precisa ser dito.

Os inaptos, incompetentes e incapazes Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo seguiram a vontade do homem de R$ 700 mil por mês. O time não vai bem? O fracasso subiu à cabeça? A multa é elevada? Pois que se jogue a culpa no Pacaembu e que a solução seja mandar o torcedor se foder para seguir até outra cidade quando o time vai a campo.

Scolari atenta contra a história do clube. Atenta contra o próprio Palmeiras. E atenta contra o palestrino. Porque a vontade dele determina que todos nós, torcedores de arquibancada, sejamos obrigados a pegar a estrada e viajar sempre que o time for a campo. Todos nós seremos obrigados a ver o time jogar em um estádio sem alma, sem identificação do clube e sem a menor condição de receber jogos do gigante Palmeiras. Seremos todos obrigados, por vaidade de um único sujeito, a sacrifícios enormes. E alguns, isso é o pior, não poderão sequer ir ao jogo simplesmente porque não é assim tão fácil chegar àquele lugar de merda.

O Palmeiras virou isso essa coisa nojenta que aí está... Virou um clube que afasta a sua torcida. Virou uma entidade que não respeita mais a sua história. Virou um tormento para quem o ama. Virou um lugar onde se dá ao valor ao EU e não mais aos milhões que dão sentido ao clube. E a coisa é ainda pior porque o EU da vez é simplesmente um ídolo que pisa na história do clube.

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_Quando estivermos indo para Barueri na próxima quarta - e em todas as próximas vezes -, é justo lembrarmos dos responsáveis por isso. Scolari sim, mas também Tirone e Frizzo, porque eles apenas precisavam de uma boa desculpa (e de um bode expiatório no caso) para fazerem o que eles próprios parecem inclinados a fazer desde que assumiram.

_Sei que o post vai ficar longo, mas tomo a liberdade de copiar algumas das perguntas do Grandesso:

"-Jogador tem que ficar escolhendo campo ou honrar o salário de presidente de multinacional onde quer que seja o jogo?
-Se os jogadores e o Felipão gostam de jogar em Barueri, então é só jogar lá que o time vai ser campeão, podemos contar com isso? 

-A comissão técnica, diretoria e jogadores irão utilizar o transporte público intermunicipal para ir e voltar desses jogos junto com a torcida? 
-A comissão técnica, diretoria e jogadores sabem quem é o time que mais vezes deu volta olímpica no Pacaembu?
-A comissão técnica, diretoria e jogadores sabem onde foi disputada a histórica partida conhecida como “A Arrancada Heróica”? 

-E em qual estádio o Palmeiras foi o primeiro time a se tornar octocampeão brasileiro? 
-Jogar em Barueri é bom? E é barato?"

_Diz Scolari: "O Pacaembu não é nosso. O Pacaembu é dos outros". Ah é? E a Arena Barueri é nossa?

_Ingresso comprado para o setor A.

_Post de 26.10.2011: "Por que Barueri, seus putos?" Ele traz a indicação para muitos outros posts já escritos por esse blog sobre as seguidas violências da diretoria alviverde contra o torcedor do clube. Que morram todos!

_Na prática, fica assim a nossa vida "em casa" no 1º turno:
19.05 sab 18h30 Palmeiras x Portuguesa/SP – Pacaembu
09.06 sab 21h Palmeiras x Atlético/MG – Pacaembu
17.06 dom 16h Palmeiras x Vasco/RJ – Arena Barueri
01.07 dom 18h30 Palmeiras x Figueirense/SC – Arena Barueri
15.07 dom 18h30 Palmeiras x SPFW/SP – Arena Barueri
21.07 dom 16h Palmeiras x Náutico/PE – Arena Barueri
26.07 qui 20h30 Palmeiras x Bahia/BA – Pacaembu
04.08 sab 18h30 Palmeiras x Internacional/RS – Arena Barueri
15.08 qua 22h Palmeiras x Flamengo/RJ – Pacaembu
25.08 sab 18h30 Palmeiras x Santos/SP – Arena Barueri

_Há uma certa lógica, portanto: os jogos de quarta, quinta e sábado (!) à noite continuam na cancha municipal (até prova em contrário). Os demais, exceção feita à estreia, vão para Barueri. Incluindo aí dois clássicos e partidas dificílimas contra Vasco e Internacional. Considere ainda que estes putos devem inventar Presidente Prudente/MS para o clássico contra os gambás e o resultado é que o palmeirense não verá seu time jogar sequer um clássico como mandante em SP. Um crime!

06 maio 2012

O futebol com alma resiste

O Campeonato Paulista terminou antes da hora. Curioso notar que o único confronto com dois jogos era o único que não precisava disso. Todos os demais, das quartas e da semifinal, pediam um segundo jogo e não tiveram. Eis então que a final também foi decidida em jogo único. Não por culpa do Guarani, que até jogou melhor que nas partidas anteriores, mas porque a diferença técnica entre um time e outro é descomunal.

Sim, Del Nero fodeu o campeonato ao tirar os jogos da casa dos dois concorrentes ao título. Aprontou mais uma das suas. Sei que nada mudaria o resultado final (o Santos seria campeão em qualquer lugar), mas se a partida de hoje fosse disputada em Campinas talvez tivéssemos a necessidade do segundo jogo na próxima semana.

Se não foi assim, senhores, permito-me ao menos ressaltar a presença da torcida do Guarani hoje à tarde no Jd. Leonor. Ao contrário do que se poderia esperar, muita gente veio de Campinas para cá. Muita gente. Algo na casa dos 11 ou 12 mil torcedores. Ficaram completamente tomados o antigo setor vermelho, aquela parte central da arquibancada, e o espaço hoje destinado às torcidas visitantes (com capacidade para umas 4 mil pessoas). Tão repleta ficou a parte da arquibancada destinada ao Guarani que era quase impossível sair ou entrar ali pelos acessos. Típico daqueles grandes clássicos que já não se disputam mais por ali.















Pois bem, este jogo único da final teve pelo menos a vantagem de trazer de volta ao Jd. Leonor um clima de clássico, com duas torcidas numerosas frente à frente. E vejam só: uma torcida que é capaz de colocar esse tanto de gente na estrada merece respeito. O mesmo, tenho certeza, aconteceria se fosse a Ponte Preta.

O time do Guarani foi digno, e a torcida, mais ainda. O futebol agradece. Times como este não podem sumir. E é exatamente essa torcida aí da foto que diferencia Guarani, Ponte, XV de Piracicaba, Botafogo, Comercial e mais alguns clubes do interior paulista das pragas empresariais que assolam o nosso futebol.

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Parabéns ao grande Juventus da Mooca, novamente na segunda divisão. Belo acesso e agora é hora de voltar para a elite! O futebol com alma resiste.

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O fato de termos uma final em jogo único deve ser creditado à incompetência de Palmeiras e SCCP, que não fizeram por merecer sorte melhor. É uma pena, porque imagino que nem mesmo o torcedor pé-com-areia considere bom essa decisão assim tão sem cara de decisão. O que eu presenciei hoje à tarde no Jd. Leonor foi uma torcida apática, com muita certeza da vitória, quase que sem vibração. Não parecia final...

04 maio 2012

Há 4 anos...

















Lá se vão quatro anos desde o nosso último título. Eis então que vou indicar aqui não necessariamente o texto pós-conquista, mas sim um que, ainda atual e relevante, relembra tudo o que sofremos nas mãos da corja de bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque. O título é sintomático do que vem a seguir: Os verdadeiros bandidos

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Sim, estou sem inspiração para escrever algo novo por aqui. Sem jogo e sem arquibancada, também não há muito a ser dito. E este post que eu recomendo acima, mais do que demonstrar o fato de vivermos hoje apenas do passado, merece ser reproduzido para que se tenha em mente que o vergonhoso 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar e o promotor Paulo Castilho são cúmplices de um crime: eles conseguiram estragar a última festa da torcida alviverde em sua casa. Que paguem por isso.

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O post, admito, partiu de um email enviado pelo leitor Cleber Cilli, o homem por trás da foto lá do alto. Ela apareceu pela primeira vez neste blog em um post de 2010, logo após a primeira despedida do imortal Palestra Italia. Tá aqui: Imortalidade

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Mais uma foto daquela tarde de 4 de maio de 2008, o dia em que os bravos, valorosos e destemidos homens do Choque estragaram a nossa festa:



01 maio 2012

Paulista/1994: a maioridade



1º de maio de 1994, Jd. Leonor, zona sul da capital paulista. Em campo, SPFW e Palmeiras. A cidade O país O mundo estava em choque com a morte de Ayrton Senna. Seguiram até aquele campo perdido na zona sul quase 60 mil pessoas. Às gerações recentes, devo dizer que clássicos levavam esse público ao estádio sempre e que a briga pela maioria na arquibancada era “gomo a gomo”.

Palmeiras e SPFW chegaram àquela tarde de domingo cumprindo boas campanhas no estadual. A classificação antes da 25ª rodada (de um total de 30) apontava o Palmeiras na liderança (37 pontos), os gambás em segundo (36) e os bichas em terceiro (34, com dois jogos a menos). Valia ainda o sistema de dois pontos por vitória e um por empate, de tal forma que um triunfo deixaria o alviverde com vantagem sobre o rival do Jd. Leonor no critério de pontos perdidos.

Para todos os efeitos, menos os efetivamente práticos e matemáticos, aquele foi o jogo do título paulista de 1994. A conquista formal viria algumas rodadas depois, mas poderia não ter vindo se não fosse por aquele 1º de maio. Era um clássico, o inimigo estava do outro lado, e a dramaticidade foi ainda maior que o esperado.

O vídeo acima, creio eu, é mais efetivo que qualquer descrição no sentido de explicar o que representou aquela partida: dois times fortíssimos, os bambis na frente com 0-1 e 1-2, as torcidas dividindo o estádio, a entrada de Maurílio já nos minutos finais, o fato de o juiz interromper a cobrança de escanteio para que ele entrasse (e vejam como isso foi decisivo), o grito de "burro", o gol, a improvável falta para o gol de Evair, a cobrança de El Matador...

Mas eu não quero que este post fique restrito apenas ao clássico de 1º de maio de 1994. Faço questão de resgatar cada um dos duelos que fizeram aquele título ser possível. Foram 30 jogos, com 20 vitórias, 7 empates e 3 derrotas; 63 gols pró e 24 gols contra. Média de público: 19.626. E lá se vão 18 anos...

A campanha:

1º turno

Ferroviária 0-2 Palmeiras - 13.132
Bragantino 2-2 Palmeiras - 4.500
Palmeiras 5-0 Ponte Preta - 12.897
Ituano 1-6 Palmeiras - 12.812
Palmeiras 1-1 União São João - 24.215
Palmeiras 4-0 Portuguesa - 19.737
América 0-0 Palmeiras - 15.500
Guarani 0-2 Palmeiras - 15.655
Palmeiras 2-0 Novorizontino - 14.410
Palmeiras 1-2 SPFW - 54.234
Mogi Mirim 0-1 Palmeiras - 10.566
Santos 1-4 Palmeiras - 23.528
Palmeiras 2-0 Santo André - 6.584
SCCP 1-0 Palmeiras - 51.460
Palmeiras 1-1 Rio Branco - 8.918

2º turno

Rio Branco 1-2 Palmeiras - 13.077
Ponte Preta 2-1 Palmeiras - 7.641
Palmeiras 4-2 Guarani - 21.129
Palmeiras 1-1 Santos - 27.796
União São João 0-0 Palmeiras - 5.065
Portuguesa 0-0 Palmeiras - 21.875
Palmeiras 6-0 Bragantino - 8.650
Palmeiras 2-1 Ferroviária - 12.873
Palmeiras 1-0 América - 30.173
Novorizontino 1-1 Palmeiras - 12.465
SPFW 2-3 Palmeiras - 58.431
Palmeiras 3-2 Mogi Mirim - 14.791
Palmeiras 1-0 Ituano - 27.824
Santo André 0-1 Palmeiras - 11.070
Palmeiras 2-1 SCCP - 27.788

Os jogos estão todos aí e então eu gostaria de fazer ponderações que me parecem necessárias. Tinha começado o post buscando descrever jogo a jogo, mas percebi que ficaria um texto enorme e provavelmente desinteressante. Vamos lá:

_Antes de tudo, notem que a tabela daquele ano foi uma verdadeira bagunça:  (1) o Palmeiras fez os dois primeiros jogos fora de casa; (2) há inúmeras ocasiões em tivemos dois jogos seguidos em casa ou fora; virou quase um padrão do torneio; (3) para piorar, há uma sequência de três jogos consecutivos como mandante no returno - com três vitórias; e (4) não houve lógica alguma na ordem entre os confrontos de cada turno. Observando agora, 18 anos depois, fica a impressão de que a tabela foi sendo montada durante o campeonato.

_O Palmeiras começou jogando melhor fora de casa que no seu próprio campo (com alguns empates contra times do interior). Mas, de maneira geral, o primeiro turno ficou marcado pelas duas derrotas em clássicos contra rivais paulistanos: 1-2 para os bambis e 0-1 para os gambás.

_O auge da campanha no primeiro turno se deu na vitória sobre a Portuguesa (4 a 0), com dois gols de Edmundo e outros dois de Evair. Foi também o jogo em que eles se desentenderam no vestiário. Sinal dos tempos: os caras se odiavam fora de campo, mas decidiam dentro. Hoje vagabundo fica com ciúme por qualquer coisa e para de jogar. (o Luciano Coelho lembrou bem aí nos comentários que o desentendimento entre os dois foi no Portuguesa 0-4 Palmeiras de 1993 e não neste aqui. Está certo.)

_O único momento de crise aconteceu no início do returno, nem tanto pela campanha no Paulista, mas sim pelos tropeços na Libertadores. Lembro que o Palmeiras teve naquele ano o mais difícil de todos os grupos da história da competição, com Cruzeiro, Boca Juniors e Vélez Sarsfield (os quatro já tinham conquistado ou viriam a conquistar a América). O Palmeiras perdeu os três jogos fora de casa e venceu os três em casa, o suficiente para garantir a vaga. O problema é que essas três derrotas como visitante aconteceram quase na sequência e vieram acompanhadas de uma derrota para a Ponte em Campinas. Resultado: a torcida declarou guerra a alguns atletas. Foi em peso ao Palestra para o jogo contra o Guarani (em um tarde de sexta-feira, feriado) e viu o time sepultar a crise com uma bela vitória por 4 a 2.

_Depois desse jogo, vieram três empates na sequência e o Palmeiras chegou a perder a liderança. O que impressiona é a arrancada final: oito vitórias e um empate, com direito a cinco vitórias nos últimos cinco jogos. Não tinha como aquele time não ser campeão!

_Público de Portuguesa 0-0 Palmeiras no Canindé: 21.875 pagantes. Eu me pergunto hoje: como é que coube isso tudo lá dentro?

_O time que foi a campo naquele 1º de maio: Fernandez, Claudio (Maurílio), Antônio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; Sampaio, Mazinho, Edílson e Zinho; Rincón (Amaral) e Evair. Técnico: Wanderlei Luxemburgo. Renda: CR$ 485.601.000,00. Público: 58.431.

_Tempo dos gols:
Müller (SP), 18' do 1°
Edílson (PAL), 26' do 1º
Leonardo (SP), 39' do 1°
Maurílio (PAL), 31' do 2º
Evair (PAL), 37' do 2º

_É provável que 1994 tenha sido o ano em que o Palmeiras foi mais forte dentro do seu estádio em toda a história. Foi, digamos, o auge do clube em seu estádio. Vejamos, pois, a campanha durante toda a temporada: 34 jogos, 27 vitórias, 6 empates e 1 derrota; 86 gols pró e 21 gols contra. A única derrota foi sofrida para o Guarani (0-1) em um jogo sem grandes consequências no Brasileirão. O melhor resultado? Aquele 6 a 1 contra o Boca.

_Vale registrar pelo menos mais dois vídeos daquela campanha:

Palmeiras 5-0 Ponte Preta, rodada 3:

Santo André 0-1 Palmeiras, rodada 29:

Palmeiras 2-1 SCCP, rodada 30: