28 fevereiro 2012

Amar é...

"Doar é amar" (Roberto Frizzo)

Deixemos de lado a precariedade da argumentação para nos dedicarmos exclusivamente a apresentar uma afirmação inversa àquele que é um dos mais despreparados vices que o Palmeiras já teve (e sim, Tirone é o mais despreparado de todos os presidentes).

Amar, Frizzo, é se submeter a intermináveis e extenuantes seis viagens até Presidente Prudente/MS em um curto espaço de tempo apenas e tão somente para assistir a partidas que, não fosse pelo despreparo dos homens que dirigem o Palmeiras, teriam sido realizadas em São Paulo, aqui no Pacaembu mesmo. Amar é, em virtude disso, gastar uma fortuna para empreender uma das piores viagens possíveis e, pior que isso, sacrificar um domingo inteiro (literalmente) ao lado da família para satisfazer a vontade de um político de um vilarejo perdido.

Já que você vinculou dinheiro a amor, eis que eu me sinto obrigado a dizer que preferia ter investido R$ 1.500 no Palmeiras (comprando camisas, bebendo nos bares do clube, até alugando um armário no vestiário, essas coisas que eu só faria pelo Palestra...), mas tive de direcionar essa considerável quantia para bancar as viagens que vocês me obrigaram a fazer até o Pantanal. Ou seja: o dinheiro foi parar nas contas bancárias do Governo do Estado ou de concessionárias (pedágios e mais pedágios, sabe como é?), dos postos Ipiranga (até eles têm um programa de fidelidade, veja só...), do Graal (o Paloma é o melhor), do Frango Assado (experimente o pão de semolina na chapa), da Gol, da Pantanal (sim, ela faliu, mas não por minha causa), da locadora de vans etc. e tal. Você não pode imaginar o meu desgosto por isso.

Amar, Frizzo, é querer as eleições diretas no Palmeiras. Amar é lutar pelo aumento da participação dos sócios (e dos torcedores) nas decisões que afetam a vida de milhões de pessoas. Amar é ser sócio do clube e pagar a mensalidade religiosamente mesmo sem nada em troca neste momento. Amar é querer manter certas figuras bem afastadas do comando do clube. Amar é manter acesa a paixão mesmo depois de tantos e tantos anos de fracassos retumbantes. Amar é ir a mais de 50 jogos todo ano, seja lá onde eles forem realizados. Amar é organizar a agenda pessoal em função dos compromissos do Palmeiras. Amar é fazer para o grande ídolo recente uma procissão com cinco mil pessoas pelas ruas de SP sem qualquer ajuda do clube (e sim, ali houve doação - falo por mim inclusive). Amar é defender o clube contra tudo e contra todos, em especial contra figuras como você e Tirone. Amar é apresentar um programa de fidelidade nunca implantado pela inoperância ou intransigência de gente como você. Amar é querer pagar o fracassado plano atual de sócio-torcedor (aquele que vocês encerraram sem pensar em nada no lugar) apenas e tão somente pelo desejo de ajudar o clube.

Além de despreparado, você não faz ideia do que é ser palmeirense...

Prudente/MS, cidade abandonada

Eu tinha prometido nunca mais escrever nada sobre esta aberração que é a relação entre Presidente Prudente/MS e futebol, mas aí a Folha de S.Paulo de hoje traz uma matéria que não pode ser desprezada. Vou evitar comentários. Apenas compartilho o absurdo da situação com vocês pra não parecer perseguição da minha parte:

27 fevereiro 2012

Migalhas do Pantanal



Atenção, senhores, para a renda de Palmeiras 3-3 SPFW: R$ 556.265. Público pagante: 19.161.

R$ 556.265? Foi por essas migalhas que os imbecis Tirone e Frizzo fizeram o Palmeiras mandar mais um clássico na longínqua, inacessível e insuportável Presidente Prudente, na periferia do Pantanal Sul-mato-grossense. Foi mais um tapa na cara do palmeirense. Mais uma afronta à nossa história. Mais um desrespeito contra os que estamos sempre ao lado do time.

Tanta coisa em jogo por nada em troca. Isso tudo por um público irrisório, que serve apenas para desmontar o frágil discurso - visto em alguns comentários recentes neste mesmo blog - de que o povo do interior gosta de ir ao estádio etc. e tal. Que não me venham os caipiras com esse discurso, porque aí eu vou pisar na cabeça. Venham com outros argumentos, mas não com este. E todos os que vierem serão destroçados, uma vez que nada justifica uma partida de futebol entre dois clubes paulistanos no Mato Grosso do Sul. Nada!

19.161 pagantes? Pois o público do Pacaembu seria muito maior. Muito. Para uma renda ainda mais elevada. Sem prejuízo técnico. Sem o absurdo de dar aos bichas metade dos ingressos. Sem uma viagem desgastante. Sem o sol criminoso daquele fim de mundo. Sem a necessidade de usar o segundo uniforme. Sem correr riscos. Sem obrigar o palmeirense que se fez presente em todas as tranqueiras de quarta às 22h a enfrentar pelo menos 20 horas de estrada para defender o time na hora que mais importa.

Antes que apareça o primeiro idiota para dizer que Prudente fica em território paulista, eis aqui uma breve simulação do que representa o percurso SP-PP-SP:

A distância (560km) assusta, certo? Aí você cogita pegar um voo e vai conferir as opções. Para o pequeno aeroporto local, há dois ou três voos diários, saindo de CGH ou VCP. O problema começa com os horários desfavoráveis, que não permitem ao sujeito deixar SP na manhã do domingo e voltar na noite do mesmo dia. Como se não se bastasse isso, a pouca oferta faz com que as tarifas sejam proibitivas. Vai por mim: chega a ser mais barato voar para Recife ou Natal. Se for o caso de adquirir as passagens com milhas, a exigência é a mesma para o vilarejo do Pantanal ou para as praias do Nordeste.

Isso posto, você pode pensar nos ônibus de linha. Afinal, dizem os babacas de plantão que esta cidade de merda fica em SP e, portanto, não deveria ser tão complicado ir no esquema rodoviária, certo? Bom, o preço já se coloca como problema: R$ 115 a ida e mais R$ 115 a volta. São R$ 230 em ônibus convencional, não muito confortável. Que tal de pegar um ônibus leito então? Bom, aí pode considerar o dobro do valor: quase R$ 500 para ir e voltar.

Muito ruim? Pois eu digo que a coisa vai piorar. Ainda que você insista com o ônibus convencional, é preciso dizer que o primeiro veículo a deixar a rodoviária da Barra Funda em direção a Prudente/MS faz isso às 7h45 para só chegar ao destino às 17h! Como o jogo começa às 16h, isso significa que é impossível sair da capital de manhã cedo e chegar a tempo de ver o jogo. Se quiser contar com o transporte público, você é obrigado a pegar o último ônibus de sábado à noite e passar a madrugada na estrada para então desfrutar no domingo das maravilhosas atrações turísticas de Prudente/MS. Para voltar, o ônibus sai às 20h e você estará de volta à civilização às 5h de segunda-feira. Resumindo: se for de ônibus, o tempo mínimo exigido para o percurso SP-Prudente-SP gira em torno de 31 horas.

Claro que sempre existe a opção de pegar o carro e encarar a estrada por conta própria. Ao fazer isso, considere ao menos 15 horas dirigindo, além de um valor bastante relevante em combustível, pedágios etc.

É pouco provável que exista um lugar tão remoto e sem estrutura quanto Presidente Prudente/MS. Você desembolsa menos dinheiro e gasta menos tempo para chegar a qualquer capital das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas os filhos da puta Tirone e Frizzo insistem em foder a vida do palmeirense em troca de migalhas, fazendo o time mandar os seus melhores e mais importantes jogos neste vilarejo perdido e inacessível do Mato Grosso do Sul. E a viagem de volta para a cidade onde o Palmeiras tem sede nunca foi tão longa e cansativa. O ódio é proporcional.

Espero, Tirone e Frizzo, que um dia, cedo ou tarde, vocês paguem por tudo o que estão fazendo contra o palmeirense e contra o Palmeiras.

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Belluzzo antes e agora Tirone e Frizzo já obrigaram o palmeirense a seguir rumo ao MS cinco vezes nos últimos três anos. Se somarmos o clássico com mando do Santos FC no começo do mês, são seis jogos neste período. Vocês podem me chamar de louco e tal, mas a verdade é que eu fui até lá todas essas vezes (quatro contra o gambás, uma contra os bichas e outra contra os pé-com-areia). No meu caso, não chega a ser uma opção, que fique claro. Em uma conta bem conservadora, quase R$ 1.500 se perderam nessa brincadeira. O dinheiro foi para o Governo do Estado (há dezenas de pedágios na ida e na volta), para a Ipiranga (a viagem pede dois tanques cheios), para o Graal ou para o Frango Assado, para empresas de locação de vans e, lá atrás, para as companhias aéreas Gol e Pantanal. Eu preferia que o dinheiro fosse para o Palmeiras.

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Sobre o jogo:

_Sinto informar aos supersticiosos de plantão que o Palmeiras perdeu sua invencibilidade em clássicos jogados em Prudente. O 3-3 não foi um empate, mas uma derrota. Derrota esta que suplantou uma atuação acima da média de boa parte do time e que se deve especialmente à infantilidade grotesca e imperdoável do camisa 2.

_Quanto ao camisa 22: precisamos levar em conta que Marcos parou. Não diria que o goleiro atual falhou neste domingo, mas é evidente que um goleiro diferenciado poderia fazer aquelas defesas. Se fosse Marcos, provavelmente teríamos levado apenas dois gols (ou talvez só o de pênalti). Marcos foi um monstro debaixo das traves. O camisa 22 é um jogador comum. Não esperem nada além do que temos visto.

_Por outro lado, finalmente temos um camisa 9 (ou melhor, 29) de respeito. Atuação monstruosa do argentino. Classe, categoria, força, oportunismo, entrega, tudo de uma só vez. Há esperança.

_Podem reparar: o Palmeiras dominou todos os clássicos do último ano. Vou depois trazer todos os números, mas a verdade é que o time todo tem se portado muito bem nesse tipo de partida. Temos agora um atacante digno e dá para esperar algo de mais promissor na fase final do Paulistão.

_Assim como na Libertadores/2006, também contra os bichas, a Savóia se sacrificou pela Mancha. A lógica determina que vem punição pela frente. Entendo eu que era melhor esperar uma situação mais aguda para fazer o sacrifício.

_A Mancha continua proibida sem motivo, mas ao menos permitiram neste domingo a entrada da faixa "São Marcos Eterno".

_Sei que o setor amarelo é o do time mandante e tal, mas a gente se acostumou a ficar do outro lado, no azul. Tem mais a nossa cara.

_O desespero da Prefeitura de Prudente (ou do "Governo de Prudente", como descrito em enorme placa no estádio) é digno de registro. Os caras resolveram aproveitar o público de um Palmeiras-SPFW para divulgar, via sistema de som, o programa de sócio-torcedor do Grêmio Prudente! Mas, porra, esse time não terminou? Não voltou para Barueri? Quanto desespero para ter algo relevante no vilarejo perdido...

24 fevereiro 2012

“Basta con el fair play”

Vamos de Alfio Basile, técnico do grande Racing Club de Avellaneda:

"Antes había uno muerto en la cancha y seguíamos. (…) Antes había códigos, el que se tiraba era un marica, le decían ‘levantate puto’"

"Basta con el fair play. Que los réferis paren la jugada si hay uno caído. Si se cae uno que siga el juego salvo que sea algo importante"

E é isso. Não preciso acrescentar nada além. A íntegra e todo o contexto podem ser encontrados aqui. O que mais importa é a notícia em si: "El Coco Basile se quejó por la cantidad de veces que los jugadores de Godoy Cruz se tiraron lesionados al piso, y avisó que sus dirigidos no mandarán más la pelota afuera."

A dica me foi passada pelo grande amigo Junior Cabreirão.

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A série "O país do futebol?" já acabou, eu sei, mas é necessário compartilhar com os senhores uma espetacular história da Polônia, um país que vive o futebol com toda a intensidade. Vejam aqui.

23 fevereiro 2012

O primeiro tropeço

Empates em casa costumam acabar com o meu humor. Não foi bem o que aconteceu neste 1-1 com o Oeste. O resultado foi ruim nem tanto pela perda da liderança, mas pelo que representa não conseguir vencer um adversário tão insignificante em casa. O estranho é que deixei o Pacaembu sem a habitual revolta que acompanha resultados assim. A sensação era de ter visto um tropeço daqueles que acontecem com qualquer time grande, seja em uma campanha vitoriosa ou não. Time algum fica imune a empates assim, e este Palmeiras não poderia ser diferente.

Creio haver muito mais com o que nos preocuparmos, a começar pelo duelo do próximo domingo. Posso estar calejado depois do sofrimento de tantos e tantos anos, mas é o que sinto no momento. O empate em casa é péssimo e a atuação do time foi ainda pior, mas seguimos com uma boa campanha no ano e com um time que vai se ajustando aos poucos. Claro que há problemas enormes e alguns deles parecem não ter solução, mas é isso o que temos.

Não é muito a deste blog fazer análises sobre jogadores e sobre o jogo em si, mas me permito destacar ao menos dois aspectos positivos que se tornam a cada dia mais evidentes: refiro-me aos camisas 7 e 29, que parecem adquirir entrosamento a cada jogo. No caso específico do centro-avante, é justo reconhecer sua capacidade de lutar pela bola, a qualidade como pivô e especialmente a determinação de sempre buscar espaço para a finalização.

De ruim, a zaga. Insegura nos últimos jogos, ficou ainda pior sem o camisa 3. E desta vez sou obrigado a concordar com o comentário feito pelo amigo Junior "Aqui é Palestra" Cabreirão já durante o jogo:
"E o grande treinador terminou o jogo sem meias. Se ele sabia que o Carvalho ia cansar, por que tirar o Patrik e não relacionar o Carmona?" Outra coisa: por onde anda o camisa 10?

Por fim, os 14 jogos sem derrota são a melhor demonstração de que o time que aí está tem uma qualidade que já se fazia notar desde o ano passado: é difícil de ser batido.

Seguimos em frente. Domingo tem guerra. É o que vale. Lá vou eu enfrentar mais estrada até a maldita Presidente Prudente/MS.

A pequena Lusa e o horário das 22h

É o seguinte:

1. A pequena Portuguesa (time que se presta a inverter o mando de campo merece ser tratado como tal) mandou o jogo contra o SCCP no Pacaembu, o estádio onde o time alvinegro recebe os seus adversários. Inversão de mando descarada. Motivo? Seus ainda menores dirigentes esperavam uma arrecadação maior. Resultados alcançados: R$ 188.070 e 6.177 pagantes - isso para não falar na derrota dentro de campo. Vou depois conferir o borderô para fazer apontamentos mais precisos, mas há ao menos duas observações certeiras: (1) o aluguel do Pacaembu consome grande parte da já pequena arrecadação - algo que não ocorreria se o clube tivesse a decência de jogar em casa; (2) por se tratar de um estádio mais próximo da zona leste e em se considerando o horário obsceno, não seria exagero esperar um público maior no Canindé.

2. Post de duas semanas atrás ("É o horário, seus putos!") traçava uma relação entre o abjeto horário das 22h de quarta-feira e os pequenos públicos do Palmeiras no Pacaembu em três partidas seguidas sob essas condições. Eis que o SCCP levou hoje ainda menos gente à cancha municipal do que o Palmeiras em dois desses jogos. O público desta última noite é possivelmente o menor do SCCP em casa em muitos anos. Sim, é o horário, seus putos! - isso vale especialmente para os otários gambás que vieram com comentários estúpidos naquele post. E, apesar de todos os pesares, a média alviverde nos jogos das 22h (6.298 pagantes) foi ainda maior que o total alcançado pelo seu rival nesta última noite.

Números. Apenas e tão somente isso.

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Uma torcida tem dois de seus integrantes baleados pelos bravos, valorosos e destemidos homens da PM antes de um jogo e sofre uma punição aparentemente eterna por conta disso. Outra, aquela que conta sempre com a complacência do poder público e da imprensa, depreda o patrimônio público, bota fogo em carro alegórico, parte para o vandalismo indiscriminado e fica tudo por isso mesmo...

Viva o populismo de fachada! E dá-lhe sofrimento, dor e superação!

21 fevereiro 2012

Burrice itinerante

Já disse inúmeras vezes que ajusto minha agenda pessoal aos compromissos do Palmeiras, certo? Pois fiz isso novamente na ida para o Carnaval, parando em Guaratinguetá na sexta à noite antes de seguir viagem para o Rio de Janeiro. Ao menos desta vez, a tabela me favoreceu. Foram cinco horas de viagem, tempo que, em situações normais, me permitiria ir até Rio Preto. Enfim, cheguei, veio a vitória, a liderança etc. Mas quero aqui tratar de outros temas relacionados ao jogo em questão:

Antes de tudo, preciso dizer que é bom ter no Paulistão um representante do interior para além dos eixos Anhanguera/Bandeirantes e Raposo/Castello – e as opções mais recentes foram o São José (a última vez, se não me engano, em 1997) e este tal Guaratinguetá. Aliás, não por culpa da cidade (mas talvez do poder público local), o nome correto do time hoje deveria ser Guaratinguetá de Americana de Guaratinguetá.

(Eu não consigo aceitar uma situação como a permitida - ou incentivada? - por Marco Polo Del Nero e por sua corja. Não posso conviver com a rotina de times itinerantes. Não é natural, não é honesto, não é decente. Mas é a face mais visível da gestão desta criatura que envergonha o nome da família Del Nero.)

Fato é que o Guaratinguetá voltou recentemente à cidade de origem em uma movimentação que só não foi mais obscura que a anterior, que levou o time do Vale do Paraíba para a Americana que já tinha (e continua tendo) o tradicional Rio Branco. A parada é tão bizarra que você entra no site da FPF para conferir o motivo informado para a mudança do jogo de Americana (pois seria este o participante inicial) para Guaratinguetá e se depara com isto aqui:


"Motivo: Ajuste de Tabela"? É um eufemismo para justificar a mudança de um time da cidade X para a Y e depois da Y para a X de novo? A que ponto chegamos, senhores?

Pois bem, aí então eu cheguei ao Dario Rodrigues Leite já com a partida em andamento e as bilheterias estavam todas fechadas. Explicação: ingressos esgotados. Havia muita gente do lado de fora sem ingresso, querendo entrar no estádio. Gente que veio de outras cidades e acabou tendo de voltar para casa sem poder ver o jogo. A incoerência? É que havia muitos lugares vazios lá dentro; da alegada capacidade (15.000), o público tomou menos da metade (7.002 pagantes).

Dois prejuízos aqui: (1) torcedores se deslocaram até Guaratinguetá e ficaram sem ingressos para ver o jogo; e (2) o pequeno clube itinerante perdeu uma receita garantida. Ou, já pedindo desculpas aos leitores do blog, vou usar a linguagem que essa gente gosta de usar: estavam lá os "consumidores" e também o "produto"; por falha ou má vontade de alguém, não se consumou a negociação, ficando o "produto" ficou encalhado e o "consumidor" não foi atendido.

Alegaram que os ingressos estavam esgotados e deixaram muita gente do lado de fora, é isso? Pois vejam só o que diz o borderô de Guaratinguetá 2-3 Palmeiras no site da FPF:



Atenção: 4.932 ingressos devolvidos. E gente do lado de fora!!!

É um absurdo completo que tal situação ocorra, e revela a burrice dos cretinos que proporcionam aberrações como o Guaratinguetá de Americana de Guaratinguetá. Que a cidade me desculpe, mas aí está mais um clube que deve acabar.

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Fotos mostrando a situação dentro do Dario Rodrigues Leite. Atenção para os enormes espaços vazios:

Confinada à cabeceira atrás do gol, a torcida do Palmeiras acabou ocupando todos os outros setores do estádio. Os "torcedores" (como alguém pode torcer por um time itinerante?) da casa não deviam ser nem 20% do público presente.

E os espaços vazios nas duas imagens seguintes:


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Já vi muitas faixas cretinas nesses anos todos de estádio, mas nenhuma me pareceu tão sem noção quanto a desta "torcida organizada" do Guaratinguetá:


Algum palpite aí sobre o que seria "nação especialista"?

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Grande vitória do Napoli sobre o Chelsea no San Paolo! Vitória do futebol com alma sobre o maldito futebol moderno! Vitória da tradição sobre o dinheiro sujo! Vitória do futebol sobre o marketing! Um 3-1 que ficou até barato para o artificial time londrino. Forza, Napoli!

16 fevereiro 2012

Um busto para Barcos






É lógico que trata-se de um exagero, mas o título do post se faz necessário para demonstrar o tamanho da atitude de Hernán Barcos. O camisa 29 provavelmente nem sabe disso, mas o "Hijo de puta" que ele soltou na coletiva é a resposta que todos nós gostaríamos de dar a este circo que a Rede Globo ousa chamar de jornalismo esportivo.

"Filho da puta! Não estamos aqui para brincadeira"

Porque futebol, Rede Globo, não é brincadeira. Futebol é coisa séria. E jornalismo também. Não há espaço para piadas estúpidas, não há espaço para jornalistas que se portam como palhaços, não há espaço para criaturas como Tiago Leifert, que escreveu isto aqui em seu Twitter hoje:


Vocês bem sabem qual é a minha opinião sobre este retardado que comanda o programa de esportes da Rede Globo. E vocês sabem o tamanho do meu ódio por esta entidade nefasta. Mas o que penso desse caso todo pode ser assim resumido:



Barcos fez história. Pode não ter tido a intenção de fazer isso, mas foi a voz de todos os que desprezam este pretenso jornalismo que a Rede Globo quer impor como padrão. E a minha gratidão é maior que a de muitos de vocês, porque as palavras que ele dirigiu ao imbecil filhote de Tiago Leifert servem para mim na condição de torcedor e de jornalista.

À merda com o circo disfarçado de jornalismo. Foi preciso que um argentino, aí sim um "país do futebol", viesse até aqui para ser a voz dos torcedores (e dos jornalistas) que fazem do futebol o que ele é de verdade.

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Alguns poucos posts sobre esse imbecil e sobre a emissora maldita:





Que respeito é esse? (02.03.2011)



O futebol no Projac (04.06.2008)

15 fevereiro 2012

Até as Malvinas, Fifa?



A última da Fifa:

A AFA decidiu nomear o Clausura/2012, que teve início no último final de semana, como Torneo Crucero General Belgrano, homenagem ao navio afundado pelos ingleses durante a Guerra das Malvinas (que completa agora 30 anos). Também por ocasião disso, a Copa da Argentina foi rebatizada como Copa Gaucho Rivero, referência a um soldado que liderou a resistência à ocupação da ilha pelos ingleses.

Eis então que a Fifa, esta entidade decrépita dirigida por uma corja de velhos sujos, emitiu um estúpido comunicado que diz mais ou menos o seguinte:
"A Fifa pediu que a AFA forneça mais informações sobre este assunto, e lembrou à AFA do artigo 3 dos estatutos da Fifa que proíbe quaisquer tipos de discriminação contra um país, pessoa privada ou grupo de pessoas por conta de origem étnica, gênero, idioma, religião, política ou qualquer outra razão. Uma potencial mudança de nome da Liga de Primera División claramente infringiria o artivo acima mencionado e pode sofrer sanções de acordo com os estatutos da Fifa."

Eu não quero me debruçar sobre a história por trás das Malvinas e mesmo sobre tudo o que levou à situação de guerra entre os dois países. Não é o caso. Mas o ponto todo é que um país como a Argentina, sabidamente zeloso de sua história, tem todo o direito de nomear o seus campeonatos nacionais da maneira que bem entender. E é belíssimo o nome de Crucero General Belgrano, porque, acima de qualquer confronto com outra nação, faz referência a um episódio histórico importante para um povo e para as mais de 300 vítimas do naufrágio. Assim como Gaucho Rivero, um nome que consegue, por si só, traduzir o espírito de resistência e luta do argentino.

Mas a Fifa, este órgão censor e destruidor do futebol, resolveu criar polêmica sobre a questão. Vejam que absurdo: ninguém reclama de campeonatos com nome de empresas, mas a Argentina não pode homenagear a sua história no nome do campeonato nacional? Naming rights? Ah, isso ok. Homenagens históricas? Aí os velhos malditos resolvem intervir.

Querem mesmo acabar com o futebol...

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A foto que abre o post é do Estadio Islas Malvinas, no bairro Floresta, em Buenos Aires. É a casa do pequeno grande All Boys.

A Mancha e as autoridades



Vou me ater aos fatos, procurando, na medida do possível, deixar de lado tudo o que penso sobre as autoridades envolvidas:

28 de agosto de 2011, Palmeiras 2-1 SCCP, Presidente Prudente/MS. Os bravos, valorosos e destemidos homens do Choque não conseguem separar as torcidas rivais no lado externo de Prudentão. Elas quase entram em confronto na parte baixa do estádio. Sem preparo algum para lidar com a situação, os PMs disparam contra a multidão. Balas de borracha? Não. Arma de fogo mesmo. Tiros pra valer. Dois palmeirenses são baleados. Um deles fica quatro meses no hospital.

Resultado até o momento:
-A polícia do vilarejo perdido já prorrogou o inquérito por quatro vezes. Quer evitar a condenação dos comandantes da operação - e repito: os caras atiraram contra uma multidão e quase mataram um torcedor.
-À Mancha foi imposta mais uma entre as tantas punições contra a torcida, desta feita por tempo indeterminado.
-A organizada adversária, que, a rigor, ultrapassou o que seria a fronteira imaginária entre as torcidas, sequer foi incomodada.

Lá se vão quase seis meses do ocorrido, senhores. Seis meses. Os policiais que atiraram contra centenas de torcedores seguem praticando atrocidades por aí (é provável que tenham feito o policiamento no último clássico contra o Santos e é ainda mais provável que estejam no próximo, contra os bichas). A organizada do SCCP segue sem ser incomodada, podendo fazer o que bem entender sem qualquer represália. E a Mancha continua punida. Sem qualquer explicação adicional. Está afastada dos estádios desde aquele jogo. Sem faixa, sem bandeira, sem bateria, sem camisas. Como nos maus e velhos tempos de 1995 a 2003.

A última notícia? Bom, o promotor responsável pelo caso (ofereço uma recompensa para quem me apresentar um único promotor público que esteja interessado no bem público) prometeu analisar a situação em abril (!). E até lá a Mancha continua banida dos estádios pela FPF e pelos nobres homens da lei.

Com um detalhe importante: a partir do início deste ano, a Mancha passou a levar aos estádios uma enorme faixa com a inscrição "São Marcos Eterno". Ela foi aceita nos primeiros jogos do ano, mas também está proibida. Por quê? Não há o que justifique.

Enquanto isso, as outras torcidas brigam entre si, atiram objetos no gramado e fazem o escambau sem que nada aconteça.

O Brasil é um país de merda!

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Parabéns aos senhores Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo. Se pensarmos que eles foram os responsáveis por todos os últimos jogos em Prudente/MS, é deles também a culpa por estarmos já há quase seis meses sem a principal torcida organizada do clube na arquibancada.

14 fevereiro 2012

Turiassu, 1840 (6)



874T/10. O Lapa T era quase certeza de enquadro. Ainda mais na volta (já como Ipiranga) e à noite. Mas era tão grande a multidão ali espremida no quarteirão final da Venancio Aires que não restava opção: se despontava o Ipiranga dois quarteirões adiante, em meio à escuridão, sabíamos que seria aquele o nosso transporte de volta. Turiassu, Marechal Deodoro, Angélica, Paulista, Paraíso, Vila Mariana, Lins, Cambuci, Dom Pedro, Museu. Isso tudo, é evidente, se não fôssemos todos parar na delegacia em algum ponto entre a Angélica e o Metrô Vila Mariana. Seguíamos 30, 40, 50 vagabundos em uma viagem que, muitas vezes, era melhor até que o próprio jogo. Era uma parte considerável da Mancha Centro-Sul. Era a CIA (Cambuci, Ipiranga e Aclimação). E sim, só eu podia ficar no último banco do lado direito, e, admito, não poucas vezes tive de apelar para certa truculência em nome disso. Mas é que aquele sempre foi o melhor lugar para puxar os gritos e enxergar tudo o que se passava no ônibus, além do que vinha pela frente – viaturas da polícia, emboscadas, aglomerações etc. Cabeça e metade do tronco para fora, o vento na cara, o grito ecoando alto na noite paulistana. (Por sinal, a SPTrans destruiu parte disso quando mudou a janela dos coletivos mais novos.) Tantos foram os amigos daqueles seis ou sete anos, e a melhor parte é perceber que muitos continuam na ativa até hoje. Não mais de ônibus, mas ainda mais na ativa do que naqueles anos. Galuppo, Johnson, Zoinho, Luiz, Passarinho, Amaury, Lopes, Maníaco... E, em meio às tantas dificuldades de se viajar de ônibus em uma multidão por vezes incontrolável, aqueles anos fortaleceram a nossa relação com o Palmeiras para toda a vida.

12 fevereiro 2012

Camisa 9

Memórias de arquibancada nem sempre são confiáveis - e até por isso têm mais valor. O gol que eu vi no estádio nem sempre é o gol que eu vejo depois na TV. Às vezes penso que a bola entrou em um canto quando, em realidade, ela entrou no outro. E, não raro, o que ficou guardado na minha memória de estádio sequer é parecido com o que de fato aconteceu. Difícil explicar o que leva a tal situação, mas é assim que é. E eu prefiro ficar com a impressão que tive no estádio, de tal sorte que, em alguns casos, acabo nem vendo o lance depois.

Este intróito tem a função única de justificar o que se segue:

A partir da arquibancada, o gol assinalado na tarde deste sábado pelo camisa 29 do Palmeiras me fez lembrar um outro gol, de um camisa 9 único, há quase 18 anos:



Há, talvez, três semelhanças entre um e outro: o estádio, o dia da semana e a cabeça empurrando a bola para o gol. De resto, admito agora, não há mais nada em comum. Eu até poderia forçar a barra dizendo que tanto Evair quanto o camisa 29 escoraram cruzamentos da direita já quase encostados na trave do adversário, mas prefiro me limitar ao que efetivamente importa: no momento do segundo gol contra o Ituano, veio à mente de maneira instantânea o gol marcado pelo gigante Evair quase duas décadas atrás.

Aí me dei conta que o camisa 29 tem a enorme responsabilidade de ser o camisa 9 que não temos há muito tempo. E percebi também que, em tempos recentes, o Palmeiras nunca teve sucesso algum sem um camisa 9 de respeito. Tivemos um 9 em todas as últimas conquistas: Evair, Luizão, Oséas, aquele outro que está hoje no Flamengo, até mesmo Alex Mineiro, um bom 9. Sem um cara assim no comando de ataque, não conseguimos chegar a lugar algum.

E então, sob a chuva que insistiu em cair durante os 90 minutos na cancha municipal, fui tomado por uma esperança que sempre insiste em voltar. Por mais acostumados que estejamos às derrotas vexatórias dos últimos anos, não estamos imunes ainda. Dá para sonhar. Que o 29 seja o 9 de que precisamos...

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_O time vai ficando mais encorpado a cada jogo. A exemplo do que ocorreu no início e no final de 2011, é extremamente difícil bater o Palmeiras de Scolari. O time nem sempre convence - e às vezes empata demais -, mas parece sólido o bastante para crescer.

_11.193 pagantes: considerando a chuva incessante, até que foi um público razoável. Mas poderia - e deveria - ser melhor.

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A imagem do fim de semana:

09 fevereiro 2012

O clássico do ódio

Nada mais parece suficiente para que eu expresse meu ódio por Presidente Prudente/MS, pelo imbecil prefeito do vilarejo perdido e pelos nossos ignóbeis e estúpidos dirigentes, responsáveis por mais um desrespeito ao torcedor palmeirense agora. Prefiro não descambar para o simples enfileiramento de mensagens raivosas a este bando de criaturas desprezíveis. Vou resumir tudo em dois pontos:

_Algo me diz que o fim desta recorrente putaria pode chegar se o prefeito de Presidente/MS não for reeleito no pleito deste ano. Porque notem que o ‘convite’ sempre parte dele. Teremos eleições municipais em outubro e é bom ficarmos de olho no que ocorre lá naquele fim de mundo. Se o cara cair, podemos sonhar com o fim desta putaria toda.

_Não me levem a mal, por favor, mas algo me diz também que a palhaçada pode ter fim também com uma derrota do Palmeiras lá. Porque aí vão parar de vomitar a superstição de que o Palmeiras não perde em Prudente etc. e tal. Já encheu o saco.

Pra fechar: o Palmeiras é um clube da cidade de São Paulo e, como tal, deve mandar seus jogos na cidade de São Paulo. Simples assim. Contrariar isso é desrespeitar o torcedor do palmeirense que mora na cidade do time. Tirone e Frizzo, morram!

É o horário, seus putos!



Até prova em contrário, um jogo do Campeonato Paulista (ou de qualquer competição oficial) tem mais importância e apelo que um amistoso, certo? Bom, vamos observar o seguinte:

Palmeiras 1-0 Ajax/HOL, amistoso, 25.01.2012
Público: 24.289 pagantes

Somados os públicos dos três primeiros jogos do Palmeiras como mandante no Paulistão/2012 (Palmeiras 1-1 Portuguesa, 7.993; Palmeiras 2-0 Mogi Mirim, 3.551; e Palmeiras 3-2 XV de Piracicaba, 7.352), eis que chegamos a um total de 18.896 pagantes, bem menos que o amistoso disputado no início da temporada.

A diferença entre o amistoso e as outras três partidas?

O horário. Só.

A disposição da torcida em ver o time em campo encontra tradução exatamente no primeiro jogo do ano, disputado em um sábado à tarde. Mesmo sob chuva, quase 25 mil seguiram para a cancha municipal e pagaram R$ 30 pelo ingresso - isso já no final do mês.

Vieram então três duelos em casa, eles todos no abjeto horário das 22h de quarta-feira, um crime contra o torcedor. A média de público é pífia, 6.298 torcedores por noite.

É o horário. É o crime da Rede Globo, mais um, contra a cultura popular. É a rendição do futebol às excrescências produzidas por esta emissora maldita. É a derrota do esporte para os alienados que sustentam a corja maldita.

Sábado o Palmeiras vai a campo de novo. No Pacaembu. Ingresso a R$ 30. Às 17h. Veremos...

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Jogos às 22h não fazem sentido em hipótese alguma. Mas o horário é um obstáculo que pode ser suplantado pela massa em algumas poucas situações: jogos decisivos, clássicos, duelos interestaduais com rivalidade (um Palmeiras x Flamengo, por exemplo). Aí faz algum sentido correr o risco de perder o transporte público depois do jogo e tal. Sem isso, nesses jogos menos expressivos, chega a ser ofensivo esperar que o torcedor encare uma partida às 22h.

Tanto é assim que o maior público entre estes três em casa foi exatamente o primeiro, curiosamente o único disputado debaixo de chuva. Contradição? Não, é fácil explicar: era Palmeiras-Portuguesa, um pouco mais de tradição etc. Do contrário, jogos às 22h contra os pequenos do interior serão sempre assistidos por gente que, como eu, está no estádio apenas e tão somente porque sempre está lá.

E ninguém consegue explicar a lógica de o Palmeiras ter feito essas três primeiras partidas como mandante no mesmo horário, já que nenhuma delas teve transmissão direta.

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_Quanto ao time, a vitória ficou muito além do merecido. O time do XV merecia melhor sorte. A defesa alviverde foi insegura como nunca, e o camisa 22 mandou ver duas presepadas que quase comprometeram o resultado final. Destaques positivos? O 20 - de novo! - e o 83.

_Ah, os promotores públicos... Quer dizer que agora proibiram até faixa em homenagem a santo, é? Depois eu falo que os caras são desocupados e nego acha ruim...

07 fevereiro 2012

Turiassu, 1840 (5)



*por Bruno Mazucatto

"Fevereiro, 1990. O sétimo dia daquele mês, para a maioria esmagadora dos lá presentes, foi um dia comum na vida de torcedor: jogo do Palmeiras, em casa, noite de quarta-feira, 3ª rodada do Campeonato Paulista, início do 14º ano após o último título conquistado.

Para os outros 9.239 pagantes, uma noite corriqueira; para mim, o primeiro encontro com a minha história. Claro, não foi isso que eu pensei à época, mas hoje, não há qualquer exagero em afirmar isso.

Foi ali, naquele instante, que eu, com exatos cinco anos e meio, adentrei pela primeira vez o Estádio Palestra Italia. Acompanhado por meu pai, inaugurei o ritual que seria repetido por, aproximadamente, 500 vezes naquele local, até que a construção de uma Arena Multiuso (nome deveras estranho para um lugar em que se propõe jogar futebol) fosse iniciada: desci as escadas pela entrada da Rua Turiassu, passei pela revista policial, pelas catracas (fazendo questão de guardar o canhoto do ingresso; memória física que, miseravelmente, foi perdida alguns anos depois) e, por fim, subi alguns poucos degraus para o fosso, por onde, à esquerda, daríamos a volta, passaríamos pelas numeradas, pela torcida visitante (instalada ao lado das numeradas, as quais se distanciavam da arquibancada por um vão), vestiários, entrada da Av. Francisco Matarazzo, até iniciarmos a subida dos degraus da arquibancada até o alto, após galgar dois lances de escada que a ligavam ao fosso já mencionado.

Ficamos ali, próximos ao local em que, alguns anos mais tarde, ficaria interditado devido a um problema nos amortecedores, logo após a trágica final da Copa do Brasil de 1996. Mesma curva em que acompanhei outro jogo, desta vez de grata lembrança, um Palmeiras - Bragantino, 1-0, 2º turno do Campeonato Paulista de 1992, com direito a uma chuva torrencial e com o gol da vitória saindo aos 46 minutos do segundo tempo, ao lado de 23.737 pagantes.

Mas como não são sobre esses jogos, especificamente, que o texto se refere, sigo em frente, voltando ao dia 7 de fevereiro de 1990.

Se meu dia de estréia era especial, o jogo também haveria de ser, mesmo que involuntariamente. E aqui, cabe um adendo.

O escritor inglês Nick Hornby, em trecho do seu livro que exalta e retrata o torcedor em sua real acepção, comentou algo que, bastante recentemente, foi também mencionado por Rodrigo Barneschi, palmeirense dos melhores, em seu formidável blog Forza Palestra, e que pode ser resumido assim, do meu ponto de vista: nós, torcedores, temos a impressão de que não existe vida fora do Estádio em que estamos acompanhando nosso time. E mesmo que exista, toda e qualquer atenção está voltada para aquilo que acontece no gramado logo à nossa frente. Ou seja, o mundo está parado aguardando notícias daquilo que você está presenciando.

E digo isto porque naquele dia 7 de fevereiro de 1990 – minha primeira vez no Estádio acompanhando o Palmeiras – tive a impressão de que só eu estava lá e de que aquele jogo foi em minha homenagem. Senão, vejamos:

Palmeiras - XV de Piracicaba, 1-0. O único gol marcado no primeiro tempo. Meu primeiro jogo foi idêntico ao jogo que, até então, havia sido a última alegria dos Palmeirenses, em 1976. Meu pai, após o interminável recesso de títulos do time que ele se acostumou a ver vencer, mal sabia que fazia exacerbar em mim, naquele momento, um amor do tamanho que um Estádio pode ter para uma criança de 5 anos: imensurável. É certo, não foi por acaso.

Guardei e trago na retina o gol marcado aos 29 minutos, bem como registrei e levarei para sempre – na memória, no coração e no fundo da alma – cada canto do Estádio em que estive pelos 20 anos que se seguiram até que tudo aquilo que conheci por casa viesse a ser demolido, a fim de que um novo Estádio (desta vez, Arena) viesse a ser construído.

O canhoto do ingresso se foi, talvez com o intuito de que – a despeito das várias fotos tiradas por lá ao passar dos anos – eu tivesse guardada comigo somente a lembrança do local em que, antes de qualquer coisa, me conheci, já que foi lá que eu cresci, me resignei, chorei, vibrei, enfim, cumpri meu papel de torcedor, tornando-se desnecessária qualquer lembrança material ou física. Mais do que isso, aprendi assim que o amor, a honra e a alma daqueles que ergueram e defenderam o Estádio Palestra Italia viverão por lá pra toda a eternidade, independentemente do que vier a se tornar nosso novo Estádio.

Sim, porque somos nós, cada Palmeirense que vai a qualquer estádio acompanhar o Palmeiras, que carrega dentro de si o mesmo amor, a mesma honra, e a mesma alma guerreira de nossos ancestrais Palestrinos.

São muitas as lembranças e é certo que diversas outras me marcaram muito, mas nenhuma delas carrega tanta emoção como a daquele dia 7 de fevereiro, dia em que reconheci, ainda que de forma não tão clara assim – mas que hoje faz o maior sentido –, que a minha alma e a minha história vivem em cada camisa Verde que vai a campo representando a Sociedade Esportiva Palmeiras. E eu, de minha parte, cumpro meu papel de acompanhá-la, defendê-la e exaltá-la, pois, a bem da verdade, o Palmeiras sou eu.

E isso, é importante dizer, vale pra cada torcedor que honre o que esta palavra quer dizer. Aquele que não escolheu seu time, que não precisou de motivos para amá-lo, mas que simplesmente o reconheceu como seu. Mesmo ciente de todo sofrimento inerente a esse sentimento. Ainda que, na maior parte das vezes, seu time seja extremamente cruel com você. Não importa. Enquanto eu viver, e enquanto cada torcedor do Palmeiras viver, o Palmeiras viverá e Ostentará sua Fibra, Alviverde e Imponente, no mesmo Gramado em que a Luta o Aguardou e pra sempre o aguardará, no gramado do Estádio Palestra Italia!"

Bruno Mazucatto

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Começa aqui, com um belo texto do amigo Bruno Mazucatto, a parte colaborativa desta série "Turiassu, 1840". A ideia era ter feito isso também com "O país do futebol?", mas ali o trabalho de selecionar as muitas sugestões acabou não amenizando o trabalho habitual. Agora a coisa é diferente e o Mazucatto inaugura o lado colaborativo do blog.

06 fevereiro 2012

On the road: Prudente/MS, parte 5



Confesso que às vezes eu mesmo ensaio perguntar o que me leva a sempre acabar voltando à maldita Presidente Prudente/MS mesmo depois da promessa, feita no jogo anterior, de não mais colocar os pés naquele vilarejo perdido. A pergunta quase sai. Mas aí a camisa alviverde se impõe no gramado interiorano diante do time pé-com-areia e faz caírem por terra todas as dúvidas e questionamentos que poderiam existir.

Quando menos se espera, dois jogadores de pouca expressão aparecem no momento e no lugar exatos para canalizarem na cabeça e no pé toda a garra e o espírito de luta da massa palestrina. Pronto: os dois gols marcados já nos minutos derradeiros acabam por dissolver cada um dos 1.120km de estrada entre a capital paulista e Prudente/MS. Todo sacrifício passa a fazer sentido, e eu lembro porque é que fui atrás do Palestra naquele vilarejo perdido neste último e em todos os quatro clássicos anteriores em três anos.

Para além de fazerem justiça no placar ao que se viu no gramado do Prudentão, os 2-1 deste domingo último renovam a palestrinidade de quem insiste em viajar até muito longe para ver um time sobre o qual repousam poucas expectativas. E fazem o torcedor pé-com-areia revisitar a dura realidade: levamos vantagem no confronto direto no amontoado de laje da Baixada (como eles conseguem dormir sabendo disso?) e levaremos vantagem em qualquer lugar. Não adianta levar o jogo para o inferno, porque a realidade não muda.

A história pesa!

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_Por falar em história, sinto-me obrigado a reconhecer que existe algo de especial na relação do Palmeiras com Presidente Prudente/MS quando se trata de clássicos: são oito vitórias e três empates em 11 duelos contra os outros três grandes, com 26 gols a favor e 13 contra. Impressionante!

_Ainda que não tivessem saído os dois gols no final, o time se portou muito bem neste domingo: mesmo com um esquema mais cauteloso, pressionou o Santos FC, criou inúmeras chances do gol e nem foi assim tão mal nas finalizações - o goleiro adversário e a falta de sorte acabaram sendo os obstáculos. Até que ela, a sorte, resolveu aparecer no final. Empate, depois vitória e justiça no placar.

_Aos imbecis da FPF, cabe a pergunta: por que cazzo o Palmeiras teve de jogar como visitante contra o Santos em três edições seguidas do Paulistão (2010, 2011 e 2012)? Acabou até sendo bom para o Palmeiras, que venceu os três jogos (4-3, 1-0 e 2-1), mas é no mínimo digno de contestação, pois quebra toda a lógica estabelecida.

_Atenção para o tamanho da TJS lá em Prudente:
Da próxima vez, se faltar gente para fazer número, é melhor a organizada se juntar ao povão do outro lado.

_28 de agosto de 2011, Prudentão. Os bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque atiram contra torcedores do Palmeiras do lado de fora do estádio; dois dos nossos são baleados e um encontra-se no hospital até hoje. Punição para os coxinhas? Nenhuma. A única punida foi a Mancha Verde, mais uma vez proibida de entrar nos estádios, novamente sem culpa alguma.
5 de fevereiro de 2012, Prudentão. Mais de cinco meses depois, a Mancha continua proibida de frequentar os estádios. Enquanto isso, os bravos, destemidos e valorosos homens do Choque desfilavam tranquilamente dentro e fora do estádio.

_Que não me venham os membros do fã-clube do camisa 10 em defesa do chileno pipoqueiro. Chega! Já não há mais quem consiga aguentar este farsante parasitando o Palmeiras. Jogador bichado não serve! É certamente a contratação mais cara da história do Palmeiras: uma fortuna por quase nada em troca. E ainda vamos pagar pelo seu infeliz retorno por muito tempo...

03 fevereiro 2012

Rápida curiosidade

Jogo às 22h de quarta-feira acaba com qualquer torcedor - e o fato de termos apenas 3.551 pagantes contra o Mogi Mirim é um pouco reflexo disso. Cheguei tarde do Pacaembu, a quinta-feira foi bastante atribulada e aí não deu para escrever o post do jogo. Agora já ficaria um pouco tarde, mas eu não resisto a compartilhar com os senhores uma curiosidade daquelas que são encontradas por gente que, como eu, vai atrás das súmulas e borderôs do jogo. Atentem, por favor, para o que diz a súmula do jogo da última quarta:



Aí fui perceber que é um hábito dos nobres cidadãos que compõem o sexteto de arbitragem fazer anotações referentes às placas de substituição - mas esta foi a única a mencionar o "bom estado" delas. Muito bom, não?

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Breves considerações:

_Escrevi só no Twitter, mas vale publicar aqui também: assim como acontece no caso das muitas (e justas) críticas, é o caso agora de parabenizar os responsáveis pelo fechamento do contrato de patrocínio com a Kia. Aliás, que seja bem-vindo o novo parceiro do Palmeiras.

_Fazendo coro à pergunta de Felipão no pós-jogo: qual é a utilidade daqueles dois imbecis que deveriam exercer o papel de "árbitros assistentes adicionais"?

_Que fim levará o Madureira? Haverá ainda algum clube capaz de ir atrás dos serviços do ex-treinador-hoje-jogador-de-pôquer?

_Vejam o lado bom das coisas: temos Tirone e Frizzo, mas não temos no comando aquela criatura que dirige o Flamengo. Tudo de ruim que acontecer para ela ainda será pouco.

_Domingo estarei em Presidente Prudente/MS pela quinta vez na vida - o quinto clássico. Gostaria de dizer que nunca mais coloco os pés naquele vilarejo perdido, mas infelizmente isso não será possível.