31 janeiro 2012

São Marcos, biografia comentada



Tive o prazer de conhecer o Celso de Campos Jr., autor de "São Marcos de Palestra Itália", há não muito tempo, mas ainda antes de ler o livro que ele acaba de entregar aos palmeirenses. Seu nome já havia sido bem referendado pelo Fernando Galuppo, de tal forma que eu já tinha dele boa impressão. Fiquei um tanto mais confiante ao saber que o Celso era também o autor de "Adoniran, uma biografia", tida e havida como uma obra quase definitiva sobre "este gênio, ídolo de todas as torcidas" - foi esta a definição do autor, em dedicatória.

Isso posto, informo que devorei o livro em pouco mais de dois dias (úteis, que fique claro). A leitura é rápida, flui com naturalidade e captura o palmeirense porque capaz de retratar, ao longo de pouco mais de 20 anos de história, nossas maiores emoções. Você começa a ler e não consegue parar, porque o livro te segura ao sabor da narrativa de grandes vitórias e de desastres épicos.

(Por sinal, é curioso notar como os fracassos retumbantes são, ao longo dos anos, mais representativos que as conquistas, seja em termos numéricos, seja em termos do impacto causado.)

Eu leio biografias o tempo todo, em especial de grandes personagens históricos. E admito que meu interesse maior não está tanto nos detalhes pessoais, mas na relevância histórica e no contexto em que o sujeito está envolvido. Pois a biografia recém-lançada acaba, por efeito da impossibilidade de contato do autor com o biografado, tendo exatamente este mérito. Claro que Marcos deve ter histórias engraçadíssimas de bastidores ou da esfera pessoal, mas eu me interesso mais pelos feitos do mito do que pelas ações do homem.

A biografia de São Marcos tem o mérito de registrar tudo o que vivemos dentro do estádio nos últimos 20 anos. As maiores conquistas, as tragédias, as expectativas, a desesperança. Não é bem a história do nosso camisa 12; é a história das últimas duas décadas da Sociedade Esportiva Palmeiras; é a nossa história como torcedores. É um pouco daquilo que eu escrevi no post em homenagem ao santo:

"Marcos é o símbolo de tudo o que eu já vivi dentro de um estádio - para o bem e para o mal. É responsável direto por quase todos os momentos mais felizes da minha vida. (...) Leva uma fase importante da minha vida, leva minhas melhores e mais intensas lembranças, leva minhas lágrimas também. Com ele, vai muito da pessoa que eu me tornei. Com ele, vai um pouco da minha alma. Com ele, vai muito do Palmeiras."

É digna de registro também a admirável capacidade de contextualização histórica levada a cabo pelo Celso. Com o necessário rigor jornalístico (eu encontrei apenas uma menção que pode ser contestada) e com enorme precisão histórica, o livro elenca ano após ano todas as campanhas do clube, detalhando umas mais do que outras e dando o devido peso à ascensão de Marcos e ao cenário que vivíamos a cada ano.

Celso se formou na mesma faculdade e no mesmo curso que eu, jornalismo na Cásper Líbero. Da mesma maneira que eu, deve ter ouvido de um ou mais professores que jornalista deve evitar os adjetivos, de modo a ser o mais objetivo possível. Balela. Adjetivos, quando bem usados, garantem um texto melhor do que qualquer tentativa de mostrar distanciamento da situação. Celso usa-os muito bem, e quem ganha com isso é o leitor.

Aliás, o trecho a seguir mostra que nossa visão sobre os colegas da imprensa esportiva é bem parecida: "Aos berros, o gaúcho exigia sangue nos olhos de seus comandados: "Onde é que tá a malandragem de vocês? Não aprendeu nada na vida? Eu tenho um time já rodado, experiente, mas que na hora do bem-bom não sabe dar um pontapé. Não sabe dar um cascudo, não sabe irritar o cara. Vocês têm que ter na cabeça isso tudo que estou falando para vocês. Raiva... raiva dessa porra de Corinthians", exclamou. (...) Com a tradicional dose de hipocrisia, boa parte do mundo do futebol caiu de pau em cima de Luiz Felipe Scolari. Os paladinos da imprensa esportiva horrorizaram-se com as palavras deselegantes do sargentão, como se os diálogos no esporte viessem todos com perfume de lavanda e jasmim". (páginas 128 e 129)

O texto, como eu já disse, é passional. Celso é palmeirense, é evidente, e faz questão de explicitar isso por meio de referências bastante particulares - até porque distanciamento aqui seria impossível. A palestrinidade do autor aparece em incontáveis momentos, e eu enumero alguns:

"Na volta a São Paulo, o elenco de juniores perfilou-se, orgulhoso, no gramado do estádio Palestra Itália para a foto oficial de campeão - com Marcos já envergando a nova camisa de goleiro, azul com detalhes em branco, criada pela adidas depois que alguma alma sã finalmente percebeu que o rosa e o amarelo não combinavam muito com o clube". (página 35)

"Mordidos, os palmeirenses, no dia da graça de 12 de junho de 1993, fizeram o Corinthians chafurdar no verde do estádio do Morumbi, emplacando uma sonora e humilhante goleada de 4 a 0, 3 a 0 no tempo normal e 1 a 0 na prorrogação. A carnificina foi liderada pelo matador Evair, que completava sua vendetta contra Nelsinho - ele, de novo, técnico do Corinthians". (páginas 43 e 44)

"Zinho ajeita com carinho. Minutos antes, o camisa 11 havia cobrado uma infração quase certeira, acertando o travessão. Desta vez, o chute vai para o canto esquerdo baixo de Paulo César. O goleiro cai para encaixar, mas a bola não quer ser abraçada. Molhada e marota, consegue se desvencilhar do colo do veterano, que, desesperado, engatinha para recolhê-la de volta. É quando Oséas, vindo não se sabe de onde, acerta, não se sabe como, um chute impossível, completamente sem ângulo, e aninha a bola nas redes." (página 82)

"No jogo de Buenos Aires, é preciso registrar, o alviverde só não saiu com a vitória devido à escandalosa arbitragem do colombiano Ubaldo "Roubaldo" Aquino, que estabeleceu um novo padrão em pilhagem dentro da cancha" (página 140)

Boa amostra, não? Pois não perca tempo e vá atrás do seu exemplar. Outros livros virão, é bem verdade, mas este, além de ser o primeiro, tem o mérito de ser um livro de torcedor para outros torcedores.


São Marcos de Palestra Itália - ficha técnica
Autor: Celso de Campos Jr.
Editora: Realejo Edições
16x23 cm
304 páginas
ISBN 978-85-99905-48-7
R$ 49,90

Sobre o autor:
Celso de Campos Jr. nasceu em São Paulo em 1978. Formado em Jornalismo pela Cásper Líbero e em História pela Universidade de São Paulo, é autor de "Adoniran – uma biografia" (Editora Globo) e "Nada mais que a verdade: a extraordinária história do jornal Notícias Populares" (Summus Editorial).

Mais informações: www.realejolivros.com.br

29 janeiro 2012

Sofrimento seletivo

Sofrimento seletivo é isto aqui.

Mas porra, gambás, não é cedo para fazer uso tão descarado da ajuda da arbitragem? Contra o Linense? Em casa? E de maneira tão ostensiva, tirando do time do interior um gol limpo? Não dá pra fazer a pilantragem deixando margem para dúvidas?

O Linense, porra? No Pacaembu? E tão poucos dias depois de terem um gol em impedimento validado contra o Guaratinguetá? Não é um pouco de exagero para um começo de Paulistão?

Já dá pra perceber que teremos um longo ano pela frente... E parece que os filhos da puta do apito vão se esforçar ainda mais do que em outros anos...

E a imprensa? Ah, os nobres jornalistas esportivos apelam para o discurso usual: "Erros de arbitragem acontecem para todos os times e, ao final, um compensa o outro". Sim, sabemos disso...

E sabemos, mais que tudo isso, que certos times têm os árbitros como aliados. Do nosso lado, pelo contrário, os homens do apito são inimigos mortais.

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Não posso deixar de notar: nosso técnico não pôde treinar o time nos três primeiros jogos do Paulistão exatamente por ter protestado contra aquele bandido que apitou a semifinal do Paulista/2011. Curioso, não?

Sobre isso, recomendo três posts:

Questão de vergonha na cara (01.05.2011)

Alma palestrina (02.05.2011)

Remember, gambá sujo! (03.05.2011)

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Breves comentários sobre o empate em Catanduva:

_Daniel Carvalho sabe o que faz com a bola, mas precisa perder alguns bons quilos.

_Não é perseguição, mas eu nunca consigo entender as contusões do camisa 10. Quero só ver quanto tempo demora pra ele voltar agora...

_Clube que cobra R$ 80 pela arquibancada tem mais é que voltar para a segunda divisão. Que seja o destino do tal Catanduvense!

27 janeiro 2012

Turiassu, 1840 (4)



Até onde a vista alcança... E ali da curva, atrás do gol, a vista sempre se fez generosa. Em primeiro plano, a piscina. Ou o trampolim, pois é só o que se podia ver a partir da arquibancada. Mas sabíamos todos que ela estava lá. Era o gol da piscina, afinal. À esquerda, o prédio da piscina aquecida, polêmico, pois emblemático de uma administração que gostaríamos de poder esquecer. E um pouco mais acima, o enorme edifício residencial da Padre Tomáz, que só não fazia parte do terreno do clube por mero acaso. À direita, duas imagens são mais nítidas: um emaranhado de árvores que eu só fui entender depois de ficar sócio do clube e aquele espaço onde muitos assistiam aos jogos mesmo de um nível abaixo do campo – mas de graça. E havia o "trenzinho do Mumu", um brinquedo que nunca fez sentido para os sócios do clube, mas que se fazia notar desde a arquibancada do outro lado. Mas o que mais impressionava no horizonte eram as luzes do trânsito paulistano bem ao fundo. À noite em especial, quando era possível distinguir por entre as grades da piscina os faróis dos carros que seguiam pela Avenida Antarctica. “Como pode alguém passar aqui do lado do estádio e não se preocupar com o jogo?”. Olhando mais em frente, quase entre a Turiassu e a Sumaré, um enorme conjunto residencial a dominar a paisagem. E havia ainda os prédios atrás da arquibancada central, um deles grudado na arquibancada, sempre com gente no terraço e normalmente com uma bandeira a nos guiar. E também o West Plaza aqui um pouco mais perto, com gente no estacionamento tentando entender de onde vinha aquele barulho ensurdecedor...

Torcedor tem a ilusão de que o mundo para quando o seu time vai a campo - eu sou assim. O Palestra, aberto para a metrópole e por isso mesmo mais integrado a ela, sempre provou o contrário. O alviverde vai a campo e há quem siga com afazeres outros, às vezes ao alcance da nossa vista. Pobres coitados...

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Crédito da espetacular foto que abre o post: Danilo Medeiros. Foi tirada em 18.10.2009, dia do último encontro entre Palmeiras e Flamengo no bom e velho Palestra Italia.

26 janeiro 2012

Agradecimento

Em pouquíssimas palavras, porque tempo e paciência são escassos:

O Palmeiras 1-1 Portuguesa que terminou há pouco serviu apenas para evidenciar os erros e a incompetência que devem nos perseguir por todo este 2012. Simples e direto assim.

Mas este post só existe mesmo porque eu não poderia deixar de fazer um agradecimento à maldita Rede Globo por obrigar o palmeirense, em pleno feriado de aniversário da cidade, a comparecer à cancha municipal não às 16h , mas sim às 22h da madrugada - e por nada!

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Atualização:

Os comentários deram ainda mais sentido a este post. Vejamos a relação dos três primeiros jogos do Palmeiras como mandante neste Paulistão/2012:

25.01 qua 22h Palmeiras x Portuguesa/SP
01.02 qua 22h Palmeiras x Mogi Mirim/SP
08.02 qua 22h Palmeiras x XV de Piracicaba/SP

Três quartas-feiras seguidas às 22h?

23 janeiro 2012

Fundação, Arrancada Heróica, São Marcos...

*por Fernando Galuppo, o maior de todos os palestrinos



Estávamos lá. Reunidos com uma chama juvenil. Tínhamos medos e incertezas. Será que podemos? Mas a coragem e a confiança falaram mais alto que qualquer incerteza. Ousamos e começamos a colocar em prática uma ideia pueril surgida num bate papo casual – e esses são sempre os mais interessantes – sobre as coisas do nosso querido e amado clube. Por que não? E seguimos em frente rumo à história. Um grupo de amigos. Palestrinos em essência. Palmeirenses em suas almas. Sem limites ou objeções, cerramos fileiras. Correntes divergentes se uniram. Todos juntos. Um só ideal: Palmeiras. Trabalhamos árdua e incansavelmente para homenagearmos aquele que simboliza o orgulho de ser palmeirense envergando as nossas cores com retidão e bravura por cerca de 20 anos nos gramados. Não poderia ser qualquer coisa. Cair no clichê, jamais. Tinha que ser único. Tinha que ser abençoado. Tinha que emergir da massa anônima e barulhenta. Aquela que carrega a sua paixão nas costas sem medir esforços. Que canta e vibra. Que faz a diferença para o bem ou para o mal. Mas que nunca foge da luta. E foi assim que surgiu espontaneamente uma multidão. O dia 14 de janeiro de 2012 entrou para vida palmeirense como um dos dias mais lindos de sua brilhante e gloriosa jornada. Não por um gol. Ou por uma taça, como em tantas outras ocasiões. Mas pelo seu povo. Pela sua gente. E quanta gente. Eram 6 mil almas unidas e bradando pelas ruas da cidade o seu amor ao clube de Palestra Itália. O ídolo reverenciado. Bandeiras. Música. Festa. Alegria. E quem duvidava ou vaticinava que não tínhamos motivo algum para cantar e celebrar sentiu que o Palmeiras e seu torcedor são imortais e divinos. É puro sentimento. É uma paixão colossal. É fé inabalável. É esperança premente. É a víscera exposta disposta a levar o seu manto sagrado e os seus heróis ao mais alto dos céus, ou a mais profunda abissal. Foi grandioso. Emocionou. Foram momentos eternos que revelam a ponta de um iceberg. Da grandeza. Mas não uma grandeza imposta a qualquer preço. Uma grandeza nobre. Pura. Verdadeira. Conquistada na lealdade e no suor das batalhas. Por gente idealista e sonhadora. Como em 26 de agosto de 1914, um grupo de amigos, reunidos num salão, com parcos recursos materiais, mas com um coração cheio de sonhos e um desejo infinito seguiram a risca o que os seus antepassados os legaram. Cada um, à sua maneira, foi um Ragognetti, um Cervo, um Marzo, um Simone. Incorporados ao sentimento que essas abençoadas almas plantaram na vida de milhões há mais de 90 anos, seguimos. E como em 20 de setembro de 1942, marchamos. Rumo à Arrancada Heróica. Rumo à Procissão de São Marcos de Palestra Italia. O palco era o mesmo estádio Municipal de tantas jornadas. A premissa, no entanto, muito menos dura do que nos tempos de exceção contra os italianinhos, mas não menos nobre e épica. Ali, na Praça Charles Muller, todos de joelhos, a tradição e a honra de um povo foram celebradas em oração numa demonstração de que, com o sol ou tempestade, a essência do Alviverde Imponente segue com seus filhos pela eternidade!
VIVA O PALMEIRAS! VIVA SÃO MARCOS!

Fernando Galuppo

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_Crédito também para a Jéss Cetinich, responsável pelo perfil @frasespalmeiras e autora da arte que abre o post.

22 janeiro 2012

Novos e velhos tempos



O Bragantino já foi uma daquelas pragas que sempre aparecia para atormentar a nossa vida. Foi. É curioso notar como o pequeno time de Bragança se tornou um adversário dos mais inexpressivos até dentro da sua casa. Vejamos o retrospecto recente, com destaque para os duelos disputados no interior:

09.03.2008 Bragantino 2 x 5 Palmeiras
24.03.2009 Palmeiras 2 x 1 Bragantino
07.02.2010 Bragantino 2 x 3 Palmeiras
26.03.2011 Palmeiras 3 x 0 Bragantino
22.01.2012 Bragantino 1 x 2 Palmeiras

Faço questão de enfatizar esta sequência porque cresci numa época em que os jogos no Marcelo Stéfani (e não no Nabi Abi Chedid, como o estádio passou a ser conhecido de alguns anos para cá) eram cercados de temor, de uma quase certeza de que o time, mesmo muito melhor que o atual, voltaria de lá com mais uma derrota - tipo o que acontece hoje com o Beira-Rio.

A coisa mudou a ponto de hoje um time fraco alcançar vitórias sucessivas em Bragança sem grande esforço. Foi assim na tarde deste domingo, em uma estreia que nos permitiu ver os mesmos erros e acertos da temporada anterior - além da chuva, é claro, onipresente nos nossos jogos. Mesmo sem um atacante de ofício para empurrar a bola para dentro, voltamos para casa com mais uma vitória.

Mas a verdade é que até poderemos conseguir esse tipo de resultado no início de temporada sem um 9, mas a ausência de alguém com esse perfil vai acabar produzindo novos fracassos ao menor sinal de dificuldade. Vai ser mais uma temporada daquelas...

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_Eu entendo que R$ 40 pelo ingresso é um valor extorsivo em qualquer situação - mas foi o que o Bragantino cobrou também em 2008 e 2010, de tal forma que até me surpreendeu o fato de o valor não ser ainda maior. Mas já li em algum lugar por aí que o Catanduvense vai cobrar R$ 80 pela arquibancada no jogo do próximo domingo lá em Catanduva. Aí é putaria!

_As condições do Marcelo Stéfani (cara, estádio não pode mudar de nome...) parecem piorar a cada ano. Não que eu me importe com isso, mas qualquer dia vai dar merda...

_Alguém mais notou a semelhança entre o gol do Maikon Leite hoje e o do Carmona no sábado passado?

_Sempre que voltar a Bragança vou me lembrar daquela tarde inesquecível de 2008, quando o bandido do apito teve a desfaçatez de expulsar Marcos para depois ver o Palmeiras transformar em 5 a 2 o que chegou a ser um 0 a 2 com um homem a menos. O texto que eu escrevi na época é mais um daqueles da série "On the road".

_Como eu não tirei nenhuma foto hoje à tarde, resolvei plagiar a foto que abriu o post de 2008. Até porque a situação no estádio não mudou nada e também porque uma foto tirada hoje não sairia muito diferente: até o clima foi o mesmo.

21 janeiro 2012

ACAB, o filme

A série "O país do futebol?" já cumpriu seu papel, mas não dá para ignorar o filme que está para ser lançado nos cinemas italianos - e que nunca poderia ser produzido aqui no Brasil. Vejam só:



Trailer oficial 1:


Trailer oficial 2:

Tem mais opções de vídeos no canal do filme no YouTube. Vale conferir também o site oficial e a fan page no Facebook.

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Créditos da descoberta: Marcel Druziani.

20 janeiro 2012

Devolvam o nosso estádio! (2)

Promotores de justiça, os senhores bem sabem, são todos vagabundos em potencial. O “em potencial” é bem condescendente. Verdade mesmo é que nunca vi, em especial no meio do futebol, um promotor, qualquer que fosse, efetivamente interessado no interesse público. Promotores públicos trabalham em nome de seus interesses pessoais. Ponto.

Aí chego ao que interessa no momento: parece evidente que a obra da Arena Palestra não será entregue até abril/2013, prazo informado pela empresa que tem como diretor aquela criatura responsável por destruir a tentativa de um programa de sócio-torcedor do Palmeiras. E, a julgar pelo que eu observo (não há nada de pé ainda!) e pelo tempo necessário para erguer um estádio, preparemo-nos para talvez não termos o estádio pronto sequer até 2014.

Mas aí, conforme matéria publicada por FSP e republicada pelo Lance!, existe também um promotor, figurinha já conhecida, bastante interessado em atrasar a obra. O nome do sujeito é José Carlos Freitas. O cara já atrasou a obra além do compreensível e agora volta à tona, querendo impor ao clube novas restrições burocráticas: "O problema é o impacto que isso vai causar. O estudo de impacto de vizinhança foi subdimensionado. O empreendimento é um polo gerador de tráfego"

Bom, eu poderia aqui mandar ver um enorme texto apontando as incoerências no discurso do sujeito e mesmo a discrepância em relação às medidas bastante flexíveis para, vejam os senhores, permitir a construção de um estádio público que será gentilmente oferecido a uma entidade privada. Poderia. Mas seria improdutivo, uma vez que já escrevi antes sobre o assunto. Deixo-os, portanto, com "Devolvam o nosso estádio", post de 2010 que acaba justificando o (2) ao final deste aqui. Bons 15 meses se passaram e pouca coisa mudou. A começar pela motivação básica dos promotores de justiça.

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Atualizações pontuais ao post original:

_Tá aqui o nosso amigo.

_Republicando com destaque alguns dados relevantes:
"O Bourbon Shopping, inaugurado em 2008 mesmo sem o Habite-se e sem os devidos laudos de impacto urbanístico, tem 210 lojas, 10 salas de cinema, teatro para 1.500 pessoas, restaurantes, praça de alimentação, centro de compras e 3.000 vagas de estacionamento. Recebe todos os dias, de segunda a segunda, sem exceção, até 60 mil pessoas e um número de carros que supera os três milhares, levando transtorno às ruas da região, das grandes avenidas Matarazzo e Pompéia até as vias menores. Aos finais de semana, invariavelmente, o trânsito da rua Turiassu fica congestionado por conta do movimento de entrada do shopping. São números oficiais e constatações de quem frequenta a região. Só."

_À época do post original sequer existia o tal Casa das Caldeiras, empreendimento habitacional em frente ao Palestra rapidamente aprovado pelas autoridades competentes e que vai despejar gente de monte naquela região o tempo todo, dia e noite.

_Numa boa: vai tomar no cu toda a vizinhança! Porque, vejam só, o estádio Palestra Italia está ali no mesmo lugar há quase um século. Que se fodam os shoppings e todos que estão ao redor.

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Até domingo em Bragança. Começa tudo de novo.

19 janeiro 2012

Turiassu, 1840 (3)



A fila se estende para além do aceitável, por algumas dezenas de metros. Deve chegar até a esquina com a Sumaré, naquele trecho onde não se enxerga mais nada além dos carros que procuram fugir das ruas intransitáveis da região. Tem fila também para o outro lado, na bilheteria - confesso não entender como alguns têm o sangue frio de só deixar para comprar ingresso na última hora. Muita gente. Que me perdoem os que se sentirem ofendidos, mas eu não enfrento a fila. Nunca. Direito adquirido. Sim, direito adquirido - e não me peçam para explicar. Na pressa, até dispenso a entrada pela sede social - que seria uma forma, digamos, mais correta de passar na frente. Encontro um espaço por entre os gradis longe da vista dos coxinhas, e por ali entro já quase no portão de acesso - dessa vez não foi preciso pular. Sigo em frente. Mais um amigo. Abraço. "E aí sofá, resolveu aparecer?". Não há tempo para mais que isso; a ansiedade de entrar na cancha é maior. Um tapa nas costas e avanti. Aglomeração. Revista policial. Não existe bem uma fila, mas várias, disformes e indecifráveis. Vou me infiltrando. Empurro daqui, jogo o corpo pro lado, avançar por entre a multidão é uma arte. Escolho não necessariamente a menor fila, mas sim aquela que tem o coxinha menos rigoroso - vai ser mais rápido e o risco de ele encontrar o boné da Mancha escondido é menor. Olhar duro de parte a parte. Ele é um inimigo, mais um. Cabeça erguida, olhar para a frente. "Coxinha de merda...". Passo por ele. A catraca se aproxima - já disse antes que torcedor é aquele que gira a catraca? A visão da marquise da numerada eleva a expectativa. Consigo visualizar a torcida visitante lá do outro lado - ou ao menos uma faixa que se ergue para impor o nome do inimigo. É ódio. É guerra. Carteirinha de estudante em mãos. "Tarja preta pra cima!". Dispenso ajuda; insiro o ingresso e o retiro do outro lado. Giro a catraca. Estou em casa.

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Crédito da foto: Pietro Boccia

15 janeiro 2012

Só pela torcida

Turiassu x Caraibas: só poderia começar ali...

Era só um amistoso. Ainda na pré-temporada, com o mesmo time inapto da temporada anterior e com ingressos custando os mesmos R$ 30 de um jogo oficial. Nada muito convidativo. Ainda assim, fomos à cancha municipal mais de 25 mil torcedores, apenas porque estamos ao lado do Palmeiras em todos os momentos.

E é só por nós que o Palmeiras segue forte. Porque a diretoria vai colecionando episódios que comprovam a incompetência constrangedora dos imbecis Tirone e Frizzo. E foi para eles o recado transmitido nos minutos finais do jogo. Foi para eles, e só para eles.

A torcida faz a parte que lhe cabe - e um pouco além. Sempre fez e fará sempre. Por conta própria, sem esperar nada do próprio clube. O que tivemos na tarde deste sábado na zona oeste da capital paulista foi uma demonstração sem precedentes do amor de uma torcida pelo seu clube. Um movimento que surgiu a partir da própria torcida, sem a presença de empresas, do clube ou de quem quer que seja. Uma procissão de cinco mil pessoas ao longo dos 3 km do Palestra ao Pacaembu. Não foi pouca coisa.

E por mais que o tema tenha sido a homenagem a São Marcos, é evidente que o que sustenta isso tudo é o amor pelo Palmeiras. Não há torcida como a nossa. Não há. E, de minha parte, fica um orgulho um tanto particular por ter feito parte da organização disso tudo. Fica o sentimento de que fizemos história ontem à tarde.

Do nosso lado, não tem bandeira bancada por multinacional, não tem discurso marqueteiro, não tem populismo de fachada. Algumas torcidas falam demais; a nossa faz.

Às imagens:



Nós somos foda! Parabéns a todos! E, de minha parte, gostaria de registrar um agradecimento especial aos grandes amigos Fernando Galuppo, o maior palestrino vivo, e Felipe Giocondo. Obrigado!

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E começou mais uma longa e extenuante temporada...

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Mais duas imagens, ambas de Renato Cordeiro (Lance!Net):

Turiassu x Caraibas, a concentração:

Pacaembu, a dispersão:

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_Crédito da foto que abre o post: Ademir Castelari (Divino Blog). Recomendo a todos que vejam o álbum criado por ele com belas imagens da procissão.

_A título de curiosidade, a cobertura do site oficial do Ajax traz uma bela foto panorâmica da cancha municipal ontem.

12 janeiro 2012

Turiassu, 1840 (2)

(Um pouco de decadência não faz mal a ninguém. Por "decadência", senhores, peço que me concedam a liberdade de ampliar o significado da palavra para algo relacionado a "apego à história". É isso que nos permite conservar certas tradições, em oposição ao surto de modernidade que assola o nosso mundo...)



E assim o Palestra Italia que guardo na memória terá sempre algumas características que, sob o prisma dos modernistas de plantão, seriam avaliadas como “atraso”. Para mim, não eram nada disso. Porque o meu Palestra terá sempre fendas entre os lances de arquibancada, e haverá sujeira do jogo anterior entre elas: cascas de amendoim, papéis, restos de qualquer coisa. Porque eram logo essas fendas que nos permitiam sentir a arquibancada vibrar a ponto de quase pular junto com a massa.

Mas não apenas o cimento da arquibancada seguia a torcida; o placar eletrônico também. Quem viu jogos abaixo do placar sabe dizer o quanto aquela estrutura oscilava. O ferro tremia, fazia barulho, mais um pouco quando, depois de um gol, o povo ali embaixo se agarrava aos ferros e fazia do placar o ponto mais barulhento do estádio.

Placar que, por sua vez, manteve sempre a dignidade de servir apenas e tão somente ao propósito de informar o resultado do jogo e eventualmente de partidas outras. Nada de propaganda, de fotos de jogadores, de informativos que não interessavam a ninguém; havia ali o resultado do jogo e nada mais. Abaixo, “Palestra Italia – São Paulo”. Mais digno seria se o outro time fosse apresentado como “visitante”. O placar, vale lembrar, parecia não resistir às chuvas mais fortes – e às vezes nem às mais fracas: caía a água e ele, respeitoso, se apagava.

O velho Palestra se dava ao respeito, pois mesmo as numeradas não eram assim tão “numeradas”. A coberta até tinha cadeiras individuais, de ferro mesmo, mas o povo se concentrava mais na faixa central e para o alto. E a descoberta era ainda mais digna, pois com bancos de madeiras que evidentemente se deterioravam com as intempéries da natureza, a ponto de algumas ripas se partirem durante os jogos mesmo. E tínhamos, é justo dizer, a exemplar cobertura acima das cabines de rádio, uma obra-prima que fazia pingar água lá do alto e que, vejam os senhores, nem sempre dava conta de cobrir algumas partes da numerada coberta.

Ao buscar na memória a lembrança da faixa central da arquibancada, enxergo lances de cimento, a Mancha no meio e, lá no alto, os três painéis vermelhos da Antarctica - que justificaram durante muito tempo uma das nomenclaturas da nossa casa. E é estranho dizer isso, mas a minha vista do gramado traz em primeiro plano, de qualquer parte do estádio, aqueles pequenos arbustos, nem sempre tão bem cuidados, que, em alguns casos, serviam para segurar a bola antes que ela caísse no fosso.

O meu Palestra - e isso será confirmado por qualquer jogador que foi visitante lá - era o estádio mais amedrontador para quem vinha enfrentar o Palmeiras. Porque a delegação adversária, vejam os senhores que absurdo!, era obrigada a passar não só por entre o público local, mas também abaixo dele, uma vez que nem sempre os bravos e valorosos homens do Choque eram tão diligentes, permitindo às vezes que muitos dos nossos ficassem no muro logo acima da entrada do vestiário. Coisa linda.

O meu Palestra, notem os sinais da decadência, tinha as saídas do duto de ventilação coincidindo com o espaço de circulação dos torcedores. O resultado é que os visitantes eram ofendidos antes do jogo – e também no intervalo – enquanto os jogadores da casa podiam ser as vítimas depois. Sempre fiquei a imaginar como ressoariam lá embaixo, nos vestiários, os protestos inflamados que partiam de uma torcida revoltada.

No meu Palestra, os gols de outros times não tinham voz. Eram solenemente ignorados pelo sistema de som. A torcida visitante sofria, bambis em especial. Eram obrigados a chegar escondidos, por entre as pequenas ruas que circundam o West Plaza; emboscadas eram comuns. Aliás, talvez por isso mesmo, sofremos por muito tempo com os sucessivos vetos do Batalhão de Choque e mesmo da FPF impedindo clássicos na nossa casa. Lutamos, batalhamos e só fomos vencer a resistência graças aos duelos da Libertadores.

Em reminiscências um tanto desarticuladas, o meu Palestra é este que aí está. É o estádio onde eu podia correr na arquibancada nos dias sem jogo. É o estádio que eu podia vislumbrar quase em sua plenitude a partir da piscina do clube. É o estádio sem grades e sem divisões na arquibancada. É o estádio que nos permitia estar em casa, mais do que qualquer outra torcida em qualquer outra campo. Porque a identidade entre torcida e cancha era única. É a tradição. É a decadência. É o Palestra.

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Crédito da foto: Thiago Durante

10 janeiro 2012

Prudente/MS, a maldição

Desta vez não é o caso de xingar os imbecis à frente do Palmeiras. Tirone e Frizzo não têm culpa no cartório, ao menos não agora. Mas o fato é que o Santos x Palmeiras da quinta rodada do Paulistão/2012 (em 05/02, domingo) será disputado na maldita e abjeta Presidente Prudente/MS. Obra do filho da puta prefeito local, este maldito que insiste em nos irritar com os sucessivos clássicos por lá. Enfim, fica aqui mais uma vez o meu desejo que esta localidade um dia desapareça do mapa para todo o sempre.

Enquanto isso não acontece, é o caso de perguntar: por que cazzo o Palmeiras tem de enfrentar o Santos FC como visitante em três edições seguidas do Paulistão (2010, 2011 e 2012)?

09 janeiro 2012

Procissão de São Marcos

Uma divulgação mais do que necessária:



Um ato de fé. Assim pode ser definida a mobilização popular organizada pelos torcedores palmeirenses em homenagem ao goleiro Marcos, um dos maiores ídolos da história da Sociedade Esportiva Palmeiras, que acontece no sábado (14 de janeiro).

“A ação consiste numa procissão que terá como trajeto a Rua Turiassu até a Praça Charles Miller, no estádio do Pacaembu. É um ato ecumênico. Todos, palmeirenses ou não, que receberam ou foram ungidos pelos milagres de São Marcos de Palestra Itália estão convidados a participar dessa grande festa”, disse Felipe Giocondo, um dos organizadores do evento.

Bandeiras, bandeirão, cartazes, faixas, escola de samba, trio elétrico e personalidades são algumas das ações que visam pintar de verde e branco as ruas da Zona Oeste da cidade. “Além disso, teremos algumas surpresas. O Marcos merece todas as homenagens de nós torcedores. Isso é o mínimo que podemos fazer por um jogador que fez muito por nós e pelo nosso querido Palmeiras. Em 2012 faremos um ano todo de festa e celebração para o nosso maior ídolo. O ano de 2012 será lembrado no futebol como o ano de ‘São Marcos’, nosso eterno e imortal camisa 12”, enfatizou Giocondo.

Um pouco de ironia e provocação ao maior rival do Verdão também faz parte da festa. “Vamos mandar um convite para o Marcelinho Carioca, que foi uma das principais testemunhas – se não a maior – dos milagres de São Marcos”, conclui Giocondo, relembrando o pênalti cobrado pelo atacante corintiano e defendido pelo goleiro palmeirense em 2000, que causou a eliminação do time alvinegro na fase semifinal da Taça Libertadores da América.

Beatificação

A mobilização também tem um teor de reivindicação. Os torcedores palmeirenses organizam documentos para iniciar o processo de beatificação do goleiro. “Já consultamos algumas pessoas para nos auxiliar no processo de beatificação. Estamos organizando todos os documentos necessários para iniciarmos esse processo de nosso santo milagreiro. Pelas nossas contas, temos cerca de 18 milhões de depoimentos que evidenciam os seus milagres. Nenhum outro santo teve tantos testemunhos de fé”, enfatiza Giocondo, em alusão ao número de torcedores palmeirenses espalhados pelo mundo.

12 mandamentos de São Marcos de Palestra Itália

1- Não serás desleal com teu adversário
2- Jamais se curvarás e lutarás, por toda a sua vida, contra os malefícios dos Corinthios Gambáticos da Marginal Sem número
3- Não te sentirás melhor do que ninguém
4-Honrarás teu manto alviverde, como a ti mesmo
5- Amarás ao Palmeiras sobre todas as coisas
6- Carregarás em suas mãos os corações dos milhões de torcedores palmeirenses
7-Não trocarás teu amado clube por trinta dinheiros
8-Despertarás o respeito da torcida adversária
9-Elogiarás teu próximo sem esperar retribuição
10-Liderarás teu grupo mantendo a amizade e o respeito de todos
11-Não vestirás outra camisa que não seja o manto sagrado esmeraldino do Palmeiras
12- Defenderás a meta palmeirense com todo o fervor de sua alma palestrina!

12 milagres de São Marcos de Palestra Itália

16/5/1992 – Estreia na equipe profissional. Vitória por 4 a 0, no amistoso diante da Esportiva de Guarantiguetá, no estádio Dario Rodrigues Leite
22/7/1992 – Campeão Paulista sub-20. Vitória diante do Botafogo de Ribeirão Preto, no estádio Santa Cruz, por 3 a 2
19/5/1996 – Defende o primeiro pênalti como goleiro da equipe profissional, em partida válida pelo Campeonato Paulista diante Botafogo de Ribeirão Preto, no estádio Palestra Itália
10/10/1996 – Reserva de Velloso, é convocado pela primeira vez pelo técnico Zagallo para a seleção brasileira
5/5/1999 – Nasce o mito São Marcos. Diante do Corinthians, na primeira partida válida pelas quartas de final da Taça Libertadores, faz uma atuação espetacular, opera verdadeiros milagres, garante a vitória palmeirense por 2 a 0 e é batizado pela mídia e torcida com o apelido de São Marcos
12/5/1999 – No jogo de volta das quartas de final da Taça Libertadores, após derrota para o Corinthians por 2 a 0 no tempo normal, defende a cobrança de pênalti de Vampeta e vê Dinei acertar a trave, classificando o Palmeiras para a próxima fase da competição
16/6/1999 – Na decisão da Taça Libertadores contra o Deportivo Cali (COL), diante da torcida palmeirense no estádio Palestra Itália, novamente em decisão por pênaltis, brilha a estrela do goleiro, sagrando-se campeão continental, após chute para fora do atacante Zapata. Nesse dia também é eleito o melhor jogador da competição
6/6/2000 – Palmeiras e Corinthians, mais uma vez, decidem vaga às finais da Taça Libertadores nas cobranças de pênaltis. Brilha a estrela do goleiro, que defende a última cobrança do ídolo alvinegro Marcelinho Carioca e garante o Palmeiras pela segunda vez consecutiva na final da competição
30/06/2002 – Sagra-se campeão da Copa Mundo como titular da seleção brasileira
20/1/2003 – Recusa proposta milionária do Arsenal da Inglaterra e é peça fundamental na volta do Palmeiras à elite do Campeonato Brasileiro, conquistando a Série B
4/5/2008 – Fecha o gol e sagra-se campeão paulista
12/5/2009 – Defende três penalidades diante do Sport, em plena Ilha do Retiro, e classifica o Palmeiras para às quartas de final da Taça Libertadores

Programe-se
Procissão de São Marcos de Palestra Itália
Quando: 14/01 (sábado), a partir das 11h
Onde: Rua Turiassu (concentração em frente ao portão principal do Palmeiras)
Como participar: Apenas compareça ao local, com camisa e bandeira do Palmeiras, de preferência
Valor: gratuito

05 janeiro 2012

Ao santo



Marcos sou eu. Marcos é você. Marcos é o torcedor da arquibancada. É cada palmeirense que existe no mundo. Marcos é o próprio Palmeiras. Marcos é santo. Um santo humano, falível, sujeito aos erros e imperfeições de cada um de nós, mas santo porque capaz de milagres na mesma medida em que devotado a um único amor, assim como nós. Marcos é o futebol em estado bruto. Marcos é único. E é o último também, porque com ele se vai uma era.

Números dizem pouco numa hora dessas, mas eu me sinto um cara privilegiado por ter assistido no estádio a pelo menos 75% dos 530 jogos de Marcos pelo Palmeiras (é a minha média histórica, todos em casa e um a cada dois fora). Marcos é o símbolo de tudo o que eu já vivi dentro de um estádio - para o bem e para o mal. É responsável direto por quase todos os momentos mais felizes da minha vida.

Marcos foi o Palmeiras nas vitórias e nas derrotas. Venceu batalhas duríssimas, carregou o time nas costas em algumas oportunidades, fez milagre em muitas outras. E, palmeirense que é, se fez presente também em derrotas marcantes e doloridas - futebol é assim; torcedor é assim. Palmeirense que é, deixou o coração sempre falar mais alto. Foi paixão e se entregou por inteiro para viver intensamente cada minuto dentro de campo.

Para Marcos, pouco importava a imagem pessoal; importava o Palmeiras. Ele foi o anti-marketing, e, avesso aos modismos e tendências desses anos tão, digamos, modernos, construiu muito mais do que uma imagem. Construiu isso tudo que faz da despedida dele algo assim tão grandioso.

Ainda moleque, vi Marcos nascer para o futebol nas batalhas campais da Libertadores/1999. Vi todos os seus milagres não pela TV, como a maioria, mas a partir da arquibancada de muitos estádios diferentes, pois é lá que se forjam os vencedores. Minha gratidão e meu orgulho são eternos e desmedidos. E percebo agora, ao presenciar ainda jovem a despedida de um ídolo incontestável, que Marcos leva junto com ele toda uma era. Leva uma fase importante da minha vida, leva minhas melhores e mais intensas lembranças, leva minhas lágrimas também. Com ele, vai muito da pessoa que eu me tornei. Com ele, vai um pouco da minha alma. Com ele, vai muito do Palmeiras.

É uma derrota irreparável, por inevitável que fosse. Uma perda duríssima. Difícil conter as lágrimas, a emoção e, pior, a sensação de que nada mais será como antes.

Marcos é um grande. Um gigante. Dentro e fora de campo. De corpo, alma e coração. Marcos é um dos nossos.

Obrigado.

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Em homenagem a São Marcos, uma ação da "torcida do Palmeiras" (que inclui uma série de grupos de torcedores e mais as organizadas) já estava sendo organizada para o próximo dia 14 de janeiro, antes do amistoso contra o Ajax, no Pacaembu: a procissão de São Marcos, do Palestra à cancha municipal. Mais detalhes em breve.

02 janeiro 2012

Turiassu, 1840 (1)



A Sumaré se aproxima do fim, em seus últimos quarteirões antes da Praça Marrey Jr., e a ansiedade já não nos permite ficar dentro do (bom e velho!) Lapa 875H. “Abre essa porra, piloto!”. O motorista teima em dizer que só pode abrir a porta no ponto de ônibus. Péssima ideia; se ele não abre a porta, abrimos nós mesmos. Há até quem salte pela janela. Asfalto. Caminhada a passos largos. Por entre os carros parados no trânsito. Por entre outros tantos de verde. Por entre gente que está ali só de passagem, a maioria assustada com o cenário todo. “Parece uma guerra”, devem pensar. Sim, é isso. Seguimos. Para o reencontro com a casa que adotamos para todo o sempre. A partir da Sumaré mesmo, a movimentação de quem chega do Metrô já permite ter noção do público que se fará presente. “É noite para 18 mil!”. Podem me cobrar depois. A Turiassu se abre a partir da praça e então estamos entre os nossos. Milhares. Todos de verde. Ansiosos. Passos apressados, só interrompidos pelos encontros sucessivos com outros que, a exemplo de nós, estão ali por um único motivo: porque sempre estão ali. Abraços. Apertos de mão. "E aí, vagabundo?". Velhos conhecidos. E novos também. À esquerda, a Papa Genovese. À direita, as grades da nossa casa. Um verde mal pintado, a tinta já descascando, as árvores, o muro do clube. Seguimos. Mais gente, mais barulho. A sede da Mancha à esquerda. A cerca da PM delimitando a fila de entrada à direita. O portão de acesso à arquibancada, as grades já um tanto retorcidas. A marquise da numerada coberta. Surdos, bumbos, bandeiras. Filas enormes nas bilheterias – a desorganização impera e, para piorar, o palmeirense adora comprar ingresso na hora do jogo. Um clima que mistura festa e tensão, coisa que só um estádio pode oferecer. Esquina com a Caraibas. Bares lotados. Brahma, Antarctica e Skol aos hectolitros. O povo se espreme, se empurra, se ajeita. “Olê, Porco”, “Gambá, vou te matar”, “Eu sou da Mancha”. Um rojão aqui, outro ali. Pernil na barraca do Bigode. Calabresa na Leci. Quanto mais suja a chapa, melhor é o lanche. A gordura escorre pelas mãos. Mais cerveja. Ambulantes às dezenas, tiozinhos correm com a grelha de espetinhos para fugir da fiscalização. Mais gente chegando. Descem pelas ladeiras de Perdizes, vêm pelas duas pontas da Turiassu, chegam de todos os lados da cidade. Todos por uma mesma causa. Os amigos se espalham pelos muitos bares da esquina: no Alviverde, no Silvio, no Izidoro. O pré-jogo mistura expectativa, ansiedade, preocupação, confiança, apreensão, medo às vezes. A hora de entrar no estádio parece não querer chegar. Alguém, radinho de pilha ao pé do ouvido, confirma a escalação do time e passa a informação adiante. Cresce a expectativa. Lá no alto, o refletor corta a noite escura. Ouve-se o primeiro canto do lado de dentro. Temos uma guerra pela frente. Hora de seguir para a cancha.

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Saudades.

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A foto lá do alto é do Daniel Grandesso (Blog do Maluquinho).