31 outubro 2011

Mais desgosto

Se serve de consolo a alguém, imagino que a maioria dos senhores não precisa conviver com o desgosto de ter passagens já compradas para Porto Alegre e Salvador agora em novembro. Por sinal, imagino que a maioria sequer pretende comparecer a qualquer um dos seis fatídicos jogos que nos restam de agora até o final deste ano maldito. O destino não me foi tão generoso, de tal sorte que eu serei um dos poucos (e os outros serão amigos muito próximos) a marcar presença em todas as últimas seis aparições públicas deste que, se não for o pior, é provavelmente o elenco mais descompromissado que já vestiu a camisa alviverde.

O descompromisso deste bando de vagabundos pode ser personificado em dois jogadores, logo os mais dispendiosos para os cofres do clube. São eles o camisa 30, que terá um fim condizente com a sua postura mercenária, e o camisa 10, este chinelinho que ontem mostrou mais uma vez qual é o preço que todos os palmeirenses devemos pagar pela idolatria sem sentido de parte da torcida. Parabéns aos responsáveis!

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VITÓRIA DO FUTEBOL


Crédito da foto: Ducker Grêmio

O que aconteceu ontem à tarde no Olimpico Monumental não foi apenas uma vitória do Grêmio sobre o Flamengo, tampouco de uma torcida contra um pilantra específico. Foi a vitória de todas as torcidas contra um vagabundo que representa toda a corja de jogadores vagabundos. Foi uma vitória de quem vive o futebol de verdade contra um pulha que só teria espaço mesmo em um clube mergulhado em sujeira - sim, me refiro ao Flamengo, este antro de canalhas.

Venceu o futebol! A vitória do Grêmio deve ser comemorada por todos que defendem o futebol como manifestação popular e como o único esporte que verdadeiramente merece ser classificado como tal.

Derrotado e humilhado, o vagabundo ainda deixou o campo com uma frase que resume bem o quanto ele se deixou contaminar pelo populismo de fachada que assola dois clubes deste país, um paulista e um carioca: "Se comparar com a torcida do Fla, isso não é barulho". Que imbecil, que lixo humano! Pois a torcida do Grêmio é muito mais torcida que a do Flamengo. Muito mais. Porque, acima de tudo, não se esconde atrás de um populismo frágil e há muito ultrapassado. E porque se permite indignar com uma traição para transformar em inferno a vida de um canalha e fazer o time virar um jogo que já parecia perdido. Isso é futebol!

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_Recomendo uma visita ao Ducker Grêmio para ver fotos e textos da vitória do futebol ontem à tarde.

27 outubro 2011

O país do futebol? (34)

O capítulo 34 vai visitar mais alguns países estreantes na série: México, Estados Unidos (sim, acreditem!) e Argélia. Para completar, Croácia, Japão e Bósnia e Herzegovina.

Vídeo 1: Vamos ao México, senhores. Porque é de lá que vem mais um grande exemplo do que se poderia denominar "postura ACAB". Jogo entre Pumas (Cidade do México) e Veracruz (Veracruz). É o vídeo mais curto já publicado aqui. Vai direto ao ponto. Dá-lhe bumbo na cabeça do coxinha:


Vídeo 2: É tão bom que merece ser visto por outro ângulo. Atenção para os gritos que vêm na sequência:


Vídeo 3: Torcida do Portland Timbers. Sim, Estados Unidos! Não é nada espetacular, mas é melhor que o que temos por aqui. E o que eu mais gosto é da referência ao 007:


Vídeo 4:
Mais um do Portland Timbers. Hino nacional, tem todo aquele lance do patriotismo dos caras, e a liberdade para fazer festas e levar alegorias lá é maior do que em qualquer outro lugar do Brasil.


Vídeo 5:
A seleção da Bósnia e Herzegovina vai até Paris para enfrentar a França pelas eliminatórias da Eurocopa. E o povo vai atrás, em massa. O que temos abaixo são imagens dos bósnios chegando e caminhando por Paris até o Stade de France, em Saint-Denis. E você, brasileirinho de merda, vai cantar que é "brasileiro, com muito orgulho e com muito amor"?


Vídeo 6:
Nada mais justo que uma visita a Sarajevo, a capital da Bósnia e uma das cidades onde se vive o futebol resiste com mais força. Imagens do dérbi de Sarajevo, opondo o FK Sarajevo e o Željezničar. Grande espetáculo dos ultras dos dois lados:


Vídeo 7:
Festa dos ultras do Hajduk Split (Croácia) em partida contra o Anderlecht da Bélgica. Porque, ao menos no que diz respeito às torcidas, a Liga Europa é muito melhor que a Champions League:


Vídeo 8:
De novo o Japão, que já apareceu no capítulo 8. Entendo que alguns podem sugerir que a coisa toda é muito coreografada no vídeo abaixo, mas vale a pergunta: que torcida brasileira consegue fazer algo parecido com o que fazem os caras do Vegalta Sendai?


Vídeo 9: Este aqui não é nada ortodoxo: "hooligans" da Argélia seguem em um ônibus para jogo entre a seleção nacional e o Egito. Vale como curiosidade:


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Créditos: Alexandre Silva e Vitor Birer.

26 outubro 2011

Por que Barueri, seus putos?

O Palmeiras nunca deveria ter mandado seus jogos no Canindé. Nunca. Fez isso apenas porque seus dirigentes são burros e mentirosos, como eu já mostrei em alguns posts (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, só para ficarmos em alguns exemplos). Eis que agora, por motivos tortos, os imbecis Tirone, Frizzo e do Prado definiram que o clube não joga mais no estádio da Portuguesa. O lógico seria voltar para o Pacaembu, certo? Que nada; optaram novamente por mandar o palmeirense para outra cidade.

São inimigos do palmeirense!

E então republico trechos relevantes de um post anterior:

"O Palmeiras é um clube da cidade de São Paulo. A cidade de São Paulo tem um estádio municipal, o Pacaembu. O Palmeiras é o clube que mais vezes foi campeão no Pacaembu, a despeito de ter o seu próprio estádio. O Palmeiras inaugurou a cancha municipal, em um 6 a 2 contra o Coritiba. O Palmeiras viveu um dos episódios mais gloriosos de sua história, a Arrancada Heróica, por lá.

(...)

Vejamos que o palmeirense não tem mais o prazer de ver seu time jogar na própria cidade, virando agora um visitante mesmo "em casa". O palmeirense tem de viajar até outra cidade para ver seu time. Tem de pagar pedágio na ida e na volta, por vezes enfrentando o trânsito infernal de uma rodovia e mais os 30km entre a sua casa e esta nova e indesejada.

Eis o mais grave: o palestrino tem de se submeter a viajar sempre que seu time for mandante. Em vez de ir de Metrô (ou a pé), tem de encarar a estrada e o pedágio para chegar a um estádio sem alma e sem qualquer identificação com o clube.

O Palmeiras segue o exemplo, vejam vocês, do ex-Barueri: abandonou o estádio da sua cidade para jogar em outra cidade, que nada tem a ver com a sua história.

Nesses tempos em que Barueri vira Prudente, Guaratinguetá vira Americana e São Caetano ameaça procurar outra sede, o gigante Palmeiras faz a sua parte: dá um pé na bunda da sua cidade e assume como casa um estádio sem alma por algumas migalhas e por uma resistência imbecil."


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A merda está feita ao menos para o jogo contra o Coritiba. Restam ainda Vasco e SPFW "em casa". E a partida contra o Vasco, por exemplo, está marcada para as 21h50 de uma quarta-feira. É de se esperar que esses putos não obriguem o palmeirense a encarar a estrada para chegar à inacessível Arena Barueri na madrugada - como já fizeram algumas vezes. E é de se esperar que não resolvam transformar 2012 em um inferno ainda maior.

25 outubro 2011

Renasce, Palmeiras!



23 de abril de 2003. Rebaixado alguns meses antes para a 2ª divisão do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras enfrenta o Vitória pela Copa do Brasil. É derrotado em casa por 7 a 2, naquele que foi possivelmente o maior vexame de sua história. Parte da torcida, já nos minutos finais e com a derrota mais do que consumada, deixa o estádio em protesto. O torcedor que aparece em destaque, 20 anos, vira o símbolo do fracasso: o Palmeiras estava morto.

A imagem acima foi retirada de um vídeo no YouTube, mas também estampou no dia seguinte as páginas de alguns dos principais jornais de esportes - foi assim com o Diário de S.Paulo, por exemplo.

24 de outubro de 2011. Passaram-se oito anos e meio e aquele torcedor (que ficou conhecido à época pelo apelido de "Defuntinho") tem agora 28 anos. E continua na luta, como muitos de nós.


No UOL.


No iG.

A diferença entre a foto lá do alto e estas duas de agora é emblemática: porque se pouco mudou a estrutura podre da SE Palmeiras, mudou um pouco a atitude da torcida (ou de parte dela, logo aquela mais atuante). O sentimento pela instituição continua o mesmo, assim como o inimigo (os gritos de 2003 e de 2011 se assemelham ao menos em um nome); mas agora a torcida tem mais força. Acontece que muitos da arquibancada já estão lá dentro, tentando mudar aos poucos esta sujeira que é a política do Palmeiras. Acontece que resistimos a tudo e a todos - e continuamos lutando pelo amor a um clube de futebol. Até o fim. Acontece que não vamos nos cansar enquanto não retirarmos do Palmeiras o último resquício dessa velharada podre e infecta. Acontece que nosso ódio por essa gente só nos fortalece. Acontece que a "união é o que nos dá o poder de ser" (pena que a organizada se esqueceu disso). Acontece que honramos o sangue que corre em nossas veias.

Acontece que aqui é Palmeiras, seus putos! E vocês vão cair. Todos. Um a um. Mustafá, Piraci, Tirone, Frizzo, Del Nero, Gilto, Vergamini, Della Monica, Palaia, a corja limitada. Todos vocês. Pelo nosso grito. Pelo nosso sangue. Pelo nosso amor pelo Palmeiras e pelo ódio a vocês.

Vencemos uma batalha. Seguimos na guerra.

#DIRETASJAPALMEIRAS, seus putos de merda!

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_A autoria intelectual deste post (do título à concepção) é do grande amigo Adriano Pessini. Se não fosse pela sua ideia, já na madrugada gloriosa de segunda para terça, este post nem teria existido. Obrigado a ele e a todos os amigos que colaboraram para esta noite: Teo, Beto Boi, Giocondo, Pessini, Johnson, Moacir, Barbi, Tito, Aragonez, Luiz Romani, Ulisses Romani, Luigi, Vitor, Ademir, Nespoli, Toninho e a outros tantos que eu não vou conseguir lembrar agora. Obrigado e orgulho de vocês!

Crédito da foto: Fábio Braga/Folhapress

24 outubro 2011

DIRETAS JÁ!



HOJE, 19H! Academia de Futebol da SE Palmeiras.

É nossa obrigação!

Eu sou a favor de uma chacina (porque só isso resolveria), mas, como isso não parece ser possível agora, vamos lutar até onde der para lutar!

23 outubro 2011

Nada mais que a rotina

A derrota já nem incomoda tanto, de tão natural que parece ser. Esta é a pior parte, porque já fica difícil até se indignar com o que vemos em campo. O que tivemos de aguentar no último sábado no Canindé é provavelmente o que teremos de aguentar até o fim desta modorrenta e esquecível temporada.

Por sinal, é bom nos preocuparmos com o risco de rebaixamento: considerando a tabela que temos, eu não me surpreenderia com uma sequência de sete derrotas. Já não me surpreende nada mais que acontece dentro ou fora de campo quando se trata de Palmeiras.

E é o seguinte: ou sai Felipão ou sai todo o elenco de vagabundos. Eu fico com a segunda opção. Que sejam todos mandados para o inferno e que deixem a nossa vida seguir em frente. Não que vá resolver alguma coisa, porque o problema é institucional, mas este bando de vagabundos não pode "vencer".

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O Figueirense voltou este ano à Série A, e então o Palmeiras voltou a se deparar com um adversário que tem sido bastante indigesto nos jogos em casa:

24.07.2004 Palmeiras 0-0 Figueirense/SC - 10.631
26.10.2005 Palmeiras 2-2 Figueirense/SC - 4.658
30.08.2006 Palmeiras 1-1 Figueirense/SC - 11.319
20.05.2007 Palmeiras 2-1 Figueirense/SC - 19.047
10.07.2008 Palmeiras 1-1 Figueirense/SC - 19.012
22.10.2011 Palmeiras 1-2 Figueirense/SC - 3.897

Exceção feita a este último, todos os jogos aconteceram no Palestra.

22 outubro 2011

Atestado de óbito



O futebol brasileiro agoniza. Este blog já adverte desde 2007 que a morte definitiva virá em 2014, quando toda a pilantragem conduzida durante sete anos por vagabundos como Ricardo Teixeira terá um desfecho à altura. Não me refiro só aos desvios de dinheiro público, aos clubes que venderam sua alma em troca de isenções fiscais, à politicagem barata que move decisões que deveriam ser importantes; eu faço referência também à invasão do Padrão Fifa em todas as esferas, ao epílogo do processo de elitização em curso e também ao assassinato com requintes de crueldade de alguns dos maiores templos do nosso futebol.

O Maracanã, por exemplo. Já disse inúmeras vezes que os responsáveis pelo que acontece com o estádio Mário Filho são assassinos. São criminosos da pior espécie, pois atentam contra a alma e da história de um esporte que se fez como manifestação popular. As imagens de divulgação do que fizeram com o Maracanã atingem em cheio a alma de quem vive o futebol.

Mal consegui acompanhar as notícias da quinta-feira última. Tentei ler os jornais do dia seguinte e fui tomado por um ódio e por uma revolta sem precedentes; difícil controlar. Estão acabando com o futebol brasileiro, e o povo deste país, por alienação, deslumbramento ou coisa pior, é cúmplice.

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A foto aí de cima foi retirada de um post do Verdazzo. E é bastante pertinente para ilustrar a sujeira toda e em especial a trajetória degradante de um cidadão que pisou no nome da própria família e que já foi tantas vezes lembrado por este blog como inimigo do torcedor de futebol (qualquer que seja ele). Marco Polo Del Nero é, aproveitando uma frase secundária de uma famosa trilogia do cinema, um "homem que pegou a própria vida e jogou na latrina". Pobre de seu pai!

19 outubro 2011

Tributo a Eurico Miranda



Não estranhem o título ou a foto que a abre o post, mas acontece que, traído pela minha memória, pensei que Eurico Miranda havia morrido há uns dois anos. Confundi com o Caixa d’Água, vejam que injustiça. E então, ao constatar o meu erro na viagem para Santos (há 10 dias), me dei conta de como Eurico Miranda faz por merecer um texto que reconheça alguns de seus méritos e que sirva para ao menos relativizar a péssima imagem a ele atribuída. Eis que Felipe Giocondo, um dos amigos que testemunharam o meu ato falho, fez uma solicitação que eu me sinto obrigado a cumprir agora: “Humilhe-se publicamente”. Pois bem, meu caro, reconheço a falha imperdoável e me humilho publicamente: eu “matei” Eurico Miranda.

Feito isso, partimos ao processo inverso:

Eurico Miranda faz falta. E hoje, alguns anos depois da confirmação do atestado de óbito do futebol brasileiro (leia-se Copa/2014) e de toda essa proliferação de canalhas se aproveitando do esporte da maneira mais predatória possível, alguns méritos de Eurico Miranda se tornam um pouco mais evidentes. É sobre eles que pretendo me debruçar, deixando de lado todos aqueles aspectos depreciativos que foram tão bem explorados pela nossa diligente imprensa esportiva (e hoje fica mais fácil entender os porquês):

#Eurico x Rede Globo

Sabemos todas as pessoas de bem que a Rede Globo é o câncer do futebol brasileiro. Sabemos das seguidas manipulações, da cumplicidade criminosa com a CBF, das mudanças de data e horário que só prejudicam o torcedor, dos jogos às 21h50 da madrugada, da politicagem toda para preservar interesses escusos. Eurico também sabia. E longe de compactuar com a sujeira da emissora carioca, enfrentou os crápulas de frente. Fez isso com todos os meios que lhe eram permitidos: nos bastidores, nas negociações entre clubes e TVs e até mesmo em “praça pública”, em um episódio que ficou eternizado com a logomarca do SBT na camisa do Vasco em uma final de Campeonato Brasileiro:


Dirão alguns que ele fez isso em virtude de interesses pessoais e por vingança contra denúncias feitas pela Rede Globo contra ele. Acontece que não é bem essa a ordem dos fatores. E ainda que fosse, não haveria problema. Eurico também se posicionava contra a intromissão dos interesses da TV no calendário. Numa era em que a porra da rede de TV é cúmplice da podridão que impera na CBF, é justo reconhecer quem bateu de frente com ela. Eurico fez isso e obrigou os pulhas da Globo a mostrarem a marca do então principal concorrente para todo o país. Aliás, foi exatamente por declarar guerra à emissora carioca que ele foi atacado de maneira tão contundente nos anos seguintes.

Deixarei para o amigo e vascaíno João Medeiros, que me ajudou bastante na elaboração desse post, a incumbência de publicar aqui alguns detalhes mais sórdidos da briga entre Eurico e a Globo.


#Eurico x futebol moderno
Eurico era contra os pontos corridos. E era contra a invasão das empresas no futebol. Aliás, era contra o futebol-empresa logo em um momento em que babacas como Juca Kfouri vomitavam isso na mídia esportiva dia sim, dia não. Eurico era a favor dos estaduais e contra qualquer pensamento de adaptação do calendário brasileiro ao europeu. Eurico era contra os empresários inescrupulosos e condenava o futebol como "bizines". Eurico era a favor das rivalidades (e as alimentava de maneira tão natural quanto raivosa, sem a cafajestice orquestrada de certos dirigentes de hoje). Eurico era defensor das tradições mais importantes do futebol: a arquibancada para o povo, o jogo às 16h de domingo (ou, no caso do Rio, 17h), talvez até os dois pontos por vitória. Em resumo: Eurico era, mesmo sem saber, contra o "futebol moderno".




#Eurico x imprensa

O ex-presidente do Vasco odiava a imprensa esportiva. Brigava com tudo quanto é jornalista e não aceitava matérias tendenciosas contra o seu clube. Era intransigente até e não foram poucas as vezes em que simplesmente proibiu a entrada de jornalistas do Lance!, de O Globo, de rádios diversas e de outros veículos. Sim, dirão alguns que ele fazia isso com quem publicasse denúncias contra ele, mas, em se considerando o nível da nossa crônica esportiva, o conflito viria a calhar nos dias atuais.

Pego emprestadas aqui algumas palavras do João Medeiros: "Ele sempre percebeu o quão elitista é o futebol do Rio, dominado pela imprensa mulamba, pela influência dos riquinhos das Laranjeiras e pela influência "intelectual" do Botafogo... os três da zona sul contra os portugueses da zona norte". Notem aí o cenário parecido com o do futebol paulista, onde temos o populismo de fachada dos gambás, a vanguarda diferenciada do Jd. Leonor e o Santos.



#Eurico x arbitragem
São Januário tem a fama de ser o estádio onde pênaltis suspeitos são assinalados com convicção para o time da casa aos 45 do segundo tempo. Dá para contar nos dedos as vezes em que o Vasco foi prejudicado dentro de casa. E é assim que deveria ser com qualquer time grande. É para a maioria; não é para o Palmeiras, por exemplo. Se a coisa funciona desse jeito em São Januário, é porque Eurico Miranda se encarregou de impor respeito quando se trata de arbitragem.

Para explicar isso, recorro a um único episódio:

Em 1999, um imbecil tentou contrariar a lógica de que o Vasco não pode ser prejudicado em casa: dois anos depois de expulsar três jogadores do Palmeiras no Palestra contra o Rio Branco e no mesmo ano em que, também no Palestra, marcou três pênaltis para a Portuguesa, o bandido do apito foi a São Januário e, em uma partida contra o Paraná Clube, inventou de expulsar três jogadores do Vasco. Eurico não permitiu que aquela palhaçada prosseguisse. Invadiu o gramado e deu a partida por encerrada aos 41 minutos da etapa final. Eurico pôs o canalha no lugar e restabeleceu a moral e os bons costumes dentro da sua casa: "Assim, eu não tenho como conter esta pessoas revoltadas com a sua atuação. Vai ser difícil garantir a sua integridade depois dessa. Você me expulsou três jogadores", teria dito, segundo esta versão.

O placar apontava 1 a 1. E assim ficou para todo o sempre.

O que fez Eurico? Simples: impôs respeito. Fez algo que, ao longo de décadas, nossos dirigentes, fracos e omissos, jamais conseguiram fazer. Mostrou a um imbecil de preto (na época de Eurico, os juízes vestiam preto) que não se rouba time grande dentro de casa. Fez valer o peso da camisa. E o Vasco se beneficia disso até hoje.

O Palmeiras? Bom, o Palmeiras é o time mais roubado dentro de sua própria casa (e fora também). Sem medo não há respeito. Se Eurico fez o que fez contra o maldito Paulo César de Oliveira, os dirigentes do Palmeiras se calam, aceitam que ele volte a nos roubar ano após ano e, o cúmulo do absurdo, chegam a elogiá-lo.

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A verdade, senhores, é que o futebol brasileiro chegou a um nível tão baixo que Eurico Miranda seria o menor dos males. E sim, deve ter seus méritos reconhecidos e apresentados, em contraponto ao ataque por vezes gratuito de setores reacionários da nossa mídia esportiva (e não só). Vale o reconhecimento deste blog e de quem mais concordar com o raciocínio que sustenta esse humilde "tributo".

Eurico teve a sua imagem deturpada (em boa parte com razão) pela imprensa esportiva. Teve seus erros expostos em praça pública, e alguns deles efetivamente são passíveis de condenação sumária. Eurico nunca foi uma figura das mais honestas. Manipulou eleições do Vasco, construiu sua gestão com o suporte de um autoritarismo incabível, esmagou adversários políticos, condenou ao ostracismo figuras importantes da história do clube. Errou a ponto de prejudicar o próprio Vasco. Foi um dos culpados pelo descenso do clube carioca, afastou patrocinadores, perdeu dinheiro até não poder mais e, a exemplo de outros, tentou se eternizar no poder. É, no mínimo, um personagem a ser estudado.

Eurico virou o símbolo de um tempo que já não existe mais. Tornou-se uma figura retrógrada por conta disso, mas ao menos defendia o futebol em que ele acreditava. Era Vasco contra tudo e contra todos - até contra o próprio Vasco. E, a plenos pulmões, insistia em dizer: "eu sou Vasco". Eurico era raiz. Para o bem e para o mal. Mas era raiz.

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Deixo aqui, a título de complemento, um importante texto do jornalista Eliakim Araújo sobre o "Linchamento do Vasco". Leiam. E fiquem com mais uma frase do João Medeiros: "Fato é que ninguém pode contestar o fato de que esse cara é vascaíno até o último suspiro de vida"

17 outubro 2011

Não ao futebol moderno!


A torcida do Hajduk Split (Croácia) protesta em massa contra o futebol moderno. Para além das pequenas faixas "Against modern football", temos essa maior e mais vibrante: "We will not lose this war"! Infelizmente falta essa consciência de classe às torcidas dos grandes clubes brasileiros...

O capítulo 34 da série "O país do futebol?" fica para a próxima semana. Desta feita, o que teremos é um post mais curto para que não se perca no tempo a menção que eu já deveria ter feito sobre Juventus 1-1 Red Bull, jogo da Copa Paulista a que assisti há dois finais de semana na rua Javari.

Começo indicando um post de 2009 sobre a cancha que resume a alma da Mooca. Continua valendo hoje tudo o que eu escrevi lá atrás. A ideia era escrever agora um novo post sobre este encontro entre o tradicional Juventus e o "moderno" Red Bull, mas aí o amigo Gabriel Uchida já fez melhor lá no Foto Torcida, porque, além do bom texto, apresenta ainda fotos espetaculares.

Confiram também o post do blog Juventus Travesso, com um bom relato do que foi este encontro entre o "futebol com alma" e o "futebol moderno". O vídeo abaixo é um bom resumo do que se passou naquela tarde de resistência:



Algumas fotos:



É preciso dizer ainda, senhores, que os torcedores do Juventus tiveram seus instrumentos de percussão recolhidos pelos nobres, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque apenas porque resolveram atirar as bobinas de papel no campo. Enquanto eram conduzidos para a sala dos coxinhas, tiveram de ouvir o seguinte: "Aqui a gente não pede; a gente manda!". Vejam só:



E pensar que as grandes incorporadoras estão na ofensiva para comprar o terreno onde fica a rua Javari e erguer enormes conjuntos residenciais...



É isso, senhores! O futebol resiste na rua Javari! Não há outro lugar neste país onde você pode cantar no estádio uma música simples e contundente: "ÓDIO ETERNO/ AO FUTEBOL MODERNO!"

"Leave the gun. Take the cannoli!"

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A excelente foto que abre o post foi indicada pelo Gabriel Uchida. E não é demais sugerir aos senhores que confiram todas as fotos que ele fez deste jogo na Javari.

16 outubro 2011

Uma torcida sem futuro

Vejamos as coisas pelo lado positivo: agora ninguém virá a público para proclamar o bom desempenho do Palmeiras no Canindé. Veio a primeira derrota do ano - depois de alguns empates absurdos e injustificáveis - e toda aquela série invicta e com muitas vitórias mostrou ser a farsa que era, pois construída às custas de triunfos sobre times pequenos. Bastaram alguns jogos complicados e o time fracassou de forma retumbante.

Time? Chamar isso aí de time é um pouco demais. Porque o Palmeiras já deve ter tido equipes menos qualificadas do que a atual, mas é pouco provável que tenha ido a campo com um bando tão desorganizado e sem comprometimento como este do segundo turno. Chegamos ao fundo do poço, mas o nosso poço parece não ter fundo.

O que se viu hoje à tarde no vazio Canindé (foi o nosso menor público no estádio da Lusa ao menos nos últimos 20 anos - e pode ser também o menor da história) é sintomático da situação de abandono em que se encontra a Sociedade Esportiva Palmeiras - e até a ausência de Felipão no banco contribuiu para isso.

Perdemos para o Fluminense em casa, meus amigos, e o fato de isso parecer natural é o que mais incomoda. Porque o Fluminense, é sempre bom lembrar, é o menor entre os grandes. O Fluminense é um clube de merda e tem uma torcida de merda, mas esta torcida de merda ao menos tem um time.

Temos ainda quase dois meses e oito rodadas pela frente. E faltam mais alguns pontos, três ou quatro, para afastarmos definitivamente qualquer chance de rebaixamento. É de se esperar que eles sejam conquistados nos jogos contra Figueirense/SC e Coritiba/PR. E é só isso; caminhamos para mais uma modorrenta reta final do Campeonato Brasileiro de pontos corridos - malditos sejam eles!

Querem saber o que é pior? Desta vez nem poderemos nos entregar à melancolia das últimas rodadas. Porque desta vez os imbecis que dirigem o futebol nacional resolveram piorar ainda mais a nossa vida e enfiaram confrontos contra os nossos inimigos mortais lá nas últimas rodadas.

O Palmeiras é uma torcida sem time. E sem clube. E sem estádio. E, a julgar pela apatia, pela covardia e pela ausência dos senhores Tirone e Frizzo, sem futuro também.

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_Não tenho informações sobre a briga que aconteceu antes do jogo ali perto da churrascaria. Estava na Azurita, entrei por ali quase na hora do jogo e ouvi algumas versões aqui e ali. Mas uma coisa é certa: a versão de jornalista que não sabe escrever não deve ser levada a sério. Ainda mais se este jornalista que não sabe escrever estava em Guadalajara e não no Canindé.

15 outubro 2011

E os "Princípios Editoriais"?



A Rede Globo, todos os senhores já devem saber, é a parte mais visível de uma organização nefasta. É um antro de pulhas, de canalhas e de inimigos do futebol. E se tornou também, em tempos mais recentes, um abrigo para os imbecis que se pensam jornalistas esportivos só porque seguem o exemplo do palhaço que apresenta o programa da hora do almoço.

Vou poupá-los agora de todo aquele discurso sobre a manipulação desses malditos para abordar um tema mais específico.

Acontece que um dos filhotes de Tiago Leifert resolveu fazer uma matéria um tanto quanto descalibrada para mostrar o camisa 16 como vítima em uma história que já sabemos ser bem diferente da versão inicial. Vejam:


Pois agora confiram esta foto.

Aí eu aproveito a aparição dos sorridentes sujeitos para apresentar aos senhores uma piada: os "Princípios Editoriais das Organizações Globo". Sim, os caras tiveram a cara-de-pau de lançar isso com pompa, circunstância e espaço de destaque no site.

Em meio a toda a palhaçada que compõe esse texto abjeto, vou destacar o artigo 1a da seção II:



E então, Rede Globo de merda, que fim levou a seção II dos "Princípios Editoriais..."?

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_"Princípios Editoriais das Organizações Globo"? É tipo o código de ética dos assassinos, né?

_Não se preocupem: se tirarem o link do ar, basta me avisar e aí eu serei obrigado a publicar a imagem aqui mesmo. Não gostaria, mas...

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Ao Canindé no domingo!

13 outubro 2011

Terra arrasada



Fico mais desolado a cada vez que passo pela Turiassu. É inevitável parar e deixar o olhar se perder por entre os portões. Aquela era a nossa casa, e ela nos foi tomada. Não sei quanto a vocês, mas o que me deixa mais atordoado é observar toda a curva ainda de pé, quase intacta. Porque ao mesmo tempo que ela nos traz a lembrança do lugar em que mais amamos no mundo, ela evidencia o fato de que, mais de um ano desde o último jogo por lá, nada ainda foi construído. Nada. A imagem é de terra arrasada, e a obra, para quem tem pressa de voltar para casa, parece não avançar.

Mas a coisa pode piorar.

Sei que os leitores deste blog provavelmente não têm o hábito de ler determinadas colunas sociais, mas eu devo fazer isso por dever de ofício, e então me deparo por vezes com coisas abjetas. Tipo o que saiu na coluna da Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo) da última sexta-feira, 07.10. Eis aqui:

"COMES E BEBES
A nova Arena Palestra Itália, estádio do Palmeiras, terá um restaurante de alto padrão e um clube de baladas com capacidade para cerca de 3.000 pessoas. A WTorre quer vender os direitos de exploração do nome do lounge por até R$ 2 milhões ao ano. DIA E

NOITE
O complexo da arena poderá abrigar até 192 eventos por ano -60 no anfiteatro, 12 no estádio e 120 no centro de convenções."

É humilhação demais para a SE Palmeiras...

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Alguém aí pode ter pensado: porra, a casa está caindo para o nosso lado, há um clima de desordem institucional, a balbúrdia assumiu proporções poucas vezes vista em um clube de futebol, e o sujeito escreve um post deslocado como este?

Pois então digo aos senhores que, a começar pelo título, este post tem muito a ver com o momento pelo qual passamos. Porque, a rigor, é tudo uma questão de perda de comando a partir das esferas mais elevadas (leia-se Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo).

Não esperem deste blog qualquer tipo de informação privilegiada. Em primeiro lugar porque não é o foco desta página, mas essencialmente porque procuro dedicar aos jogadores de futebol o tratamento que a eles devem ser dispensado: o de vagabundos profissionais.

Se quiserem informações sobre o caso, sugiro a cobertura do Conrado lá no Verdazzo. Por aqui, breves comentários:

_O camisa 30 é um pobre coitado influenciado por um imbecil que se diz empresário. Os dois terão o fim que merecem.

_A dedicação mostrada pelo time ontem foi acima de qualquer expectativa. Há de ser sinal de alguma coisa.

_Toda essa crise começou por causa do Flamengo lá no turno. Bem que poderia terminar agora, novamente contra esse time maldito.

_Terror. Às vezes é só isso que resolve.

_A imprensa esportiva é nojenta.

_A maldita emissora que manda e desmanda no futebol brasileiro passou dos limites ontem – mais uma vez. Porque o jogo entre Flamengo e Palmeiras aconteceu às 21h50 apenas e tão somente por interesse dela própria, impedindo que gente como eu, por exemplo, pudesse ir ao Rio de Janeiro. E aí, no dia do jogo, os engravatados filhos da puta simplesmente resolvem mudar o jogo a ser transmitido para SP, em um claro sinal de desrespeito contra o palmeirense. Vejam a incoerência: o palmeirense de SP não pôde ver um Flamengo x Palmeiras que estava programado nem na TV aberta nem na TV a cabo; mas poderia ver um Independiente-LDU no mesmo horário.

_O Palmeiras foi roubado no Rio, confere? E aí, qual é a novidade? Frizzo: você vai elogiar o juiz de novo?

10 outubro 2011

O país do futebol? (33)

Deixando de lado reflexões como aquela da semana passada, temos aqui um capítulo puramente escapista, sem mensagem específica. É a essência da série "O país do futebol?": bons exemplos de países onde o futebol ainda resiste.

Vídeo 1: Poucos países têm torcidas tão devotadas quanto as da Grécia. O Aris FC, de Tessalônica, já apareceu com enorme destaque no capítulo 19 e merece agora outra aparição. Recebimento e festa durante um amistoso contra o grande Peñarol:


Vídeo 2:Agora é a vez dos ultras do Olympiacos, que viajam de Atenas a Londres para acompanhar o time em duelo contra o Arsenal pela Champions League. Só se escuta os gregos - que perderam por 2 a 0 - no Emirates.


Vídeo 3:A torcida do Olympiacos recebe o time para o clássico de Atenas contra o grande rival, o Panathinaikos:


Vídeo 4:
Os ultras do russo CSKA viajam mais de 3 mil km para empurrar o time contra a Roma, no Stadio Olimpico:


Vídeo 5:Imagens grandiosas de outro grande da capital russa, o Spartak Moscow:


Vídeo 6:
Sei bem que os caras do Rapid Wien já apareceram aqui no capítulo anterior (e também no 19), mas eles merecem ainda mais espaço. Agora eles viajam até Glasgow para confronto contra o Celtic. Em grande número, e fazem um barulho que as torcidas brasileiras não conseguem fazer nem na sua própria cidade:


Vídeo 7: Bilbao é a capital do País Basco, província autônoma da Espanha conhecida pelos ideais separatistas. O time de lá, o Athletic Bilbao, é um símbolo da identidade basca: não aceita jogadores que não sejam nascidos ou criados lá. Eis que o belga Anderlecht foi visitar o Athletico Bilbao no estádio San Mamés e seus torcedores resolveram se manifestar com bandeiras da Espanha e outras alegorias menos inocentes. A coisa não poderia terminar bem:


Vídeo 8: A torcida do Basel (Suíça) toma a praça principal da cidade para comemorar o título do clube:


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_Colaborações de Gabriel Manetta, Gabriel Uchida (Foto Torcida) e Ivan Bianchin.

09 outubro 2011

Usem o arquivo de novo...

O Palmeiras foi ao amontoado de laje da Baixada Santista sem time. Sim, porque eu me recuso a chamar aquilo que foi a campo de "time". Quando muito, era um catadão irreconhecível, em mais uma tarde para desmerecer a nossa história. Não se poderia esperar nada além do que vimos. E eu sinceramente me sinto incapaz de escrever qualquer coisa decente sobre esta tarde esquecível.

Ir ao estádio tem sido um fardo muito pesado para carregar. Mas foi uma escolha para toda a vida, e eu sigo cumprindo o que entendo ser a minha obrigação. Quanto a este blog, falta cada vez mais motivação para escrever sobre algo que parece a cada dia mais difícil de mudar. E, sinceramente, acredito que nem vocês, poucos e bons leitores, teriam disposição para ler o que quer que seja.

Se houver alguém aí disposto a ler algo sobre Palmeiras, sugiro novamente que confira o arquivo aí do lado direito: ele traz pelo menos cinco anos de sucessivos vexames.

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_O amontoado de laje consegue ficar pior a cada jogo.

_O post sobre Juventus 1-1 Red Bull fica para os próximos dias.

07 outubro 2011

À Javari, pelo futebol



Como bem lembrado pelo Gabriel "Foto Torcida" Uchida, acontece neste próximo sábado um jogo emblemático aqui em São Paulo para todos aqueles que lutam contra o maldito futebol moderno: na histórica e tradicional Rua Javari, na Mooca, o bom e velho Juventus recebe, pela segunda fase da Copa Paulista, o Red Bull, um clube que resume em seu próprio nome toda a sua gênese contaminada.

Sábado, 08/10, 15h, na rua Javari: Juventus x Red Bull.

É a tradição contra o futebol moderno.

À Javari, senhores.

Ódio ao futebol moderno!

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_E domingo é a vez de seguir em direção ao amontoado de laje da Baixada. Ingresso já garantido.

05 outubro 2011

O troco

Nobres senhores Arnaldo Tirone, Roberto Frizzo e Sergio do Prado,

A foto abaixo diz alguma coisa para vocês?



E esta outra?



Pois bem, se as fotos não resolveram, deixo-os com dois posts que eu escrevi em julho deste ano (Respeito zero e AFRONTA), ambos relacionados à decisão tomada pelos senhores de gentilmente oferecer à torcida do Santos FC o tobogã do Pacaembu no último clássico contra o time da Baixada.

Três meses se passaram, teremos agora o jogo do returno no amontoado de laje que eles chamam de estádio e, como previsto, nós, palmeirenses de arquibancada, teremos de nos matar para que apenas e tão somente 700 consigam ter acesso ao bizarro setor visitante.

700! Menos de 5% do total de ingressos daquela pocilga! E vocês, filhos da puta que não estão nem aí para o torcedor palmeirense, nos desrespeitaram no turno ao deixar todo o tobogã (e 12 mil ingressos) para a torcida do clube que mais dificulta a nossa vida.

É por esse tipo de coisa que o Palmeiras está onde está.

Fica aqui o agradecimento.

03 outubro 2011

O país do futebol? (32)


A foto acima é de uma rua de Napoli (bem perto da Catedral de San Gennaro), mas é possível encontrar este tipo de referência em qualquer grande cidade europeia

A série voltou e temos, contando com este, mais nove capítulos até o 40º, o último. É necessário começar com a indicação de um post do blog do Mauro Cezar Pereira sobre o despreparo da PM paranaense em partida recente da Brisa/PR. O que temos aí é um bom retrato do que acontece em todos os estádios brasileiros, inclusive aqui em SP, terra dos bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque. As armas apontadas para a multidão e a expressão de ódio daqueles dois últimos coxinhas são bem reveladoras da guerra desigual que existe entre torcedores (não só os organizados) e policiais.

Dado o devido destaque para o post acima, retomo um episódio do último dia 28 de agosto, quando homens fardados dispararam contra um grupo de torcedores palmeirenses em Presidente Prudente/MS. O caso já foi debatido à exaustão, qualquer pessoa que frequenta estádios sabe o que efetivamente aconteceu, mas eu quero me debruçar sobre as consequências: aos diligentes homens da lei, a impunidade; à organizada que teve dois de seus integrantes baleados, o afastamento dos estádios paulistas.

Eis aí um bom resumo do que acontece no dito "país do futebol". Com raras exceções (Mauro Cezar Pereira é uma delas), a imprensa "esportiva" endossa a conduta repressora de policiais despreparados e mal intencionados e apela para chavões já há muito desgastados para atacar quem vai a estádios: somos "vagabundos", "marginais" e "delinquentes", não necessariamente nesta ordem.

É neste cenário que um ex-coronel do 2º BP Choque vira chefe dos bandidos do apito. É neste cenário que um promotor oportunista vira deputado. É neste cenário que outros promotores desocupados resolvem seguir o mesmo caminho da política. É neste cenário que canalhas como Marco Polo Del Nero extravasam seu ódio contra o torcedor impondo restrições seguidas de restrições às torcidas organizadas. É neste cenário que jornalistas "esportivos" tratam o torcedor como vagabundo e recomendam que as pessoas não frequentem os estádios de futebol. É neste cenário que oportunistas de todo tipo aparecem às custas do futebol.

E é neste cenário que as torcidas organizadas, todas elas, mostram enorme incapacidade de reagir a esta situação, muito por falta de algo que poderíamos chamar de "consciência de classe". O que eu quero dizer com isso? Bom, aí vale revisitar os capítulos 10 e 28 da série "O país do futebol?". O primeiro, mais que o segundo, ratifica a tese de que a diferença entre as torcidas do Brasil e de fora pode ser resumida em uma única palavra: mentalidade.

Coloquei lá no alto, abrindo o post, a foto de uma rua de Napoli, com o ACAB pichado na parede. É possível encontrar esse tipo de referência em qualquer grande cidade europeia. Na Italia, são muitas as inscrições de protesto contra o "calcio moderno" pelas ruas - isso acontece ainda em cidades como Amsterdam, Paris, Budapeste, Praga e em qualquer lugar que leve o futebol a sério. Aqui no Brasil, no entanto, filho da puta só se preocupa em lançar mão de uma porra de uma frase que já virou um clichê dos idiotas: "É este país que vai sediar a Copa do Mundo?"

Sim, filho da puta. E é assim também por causa da sua mentalidade.

Está dado o recado. O post vale mais pelo texto acima do que pelos vídeos abaixo, tentativas não muito inspiradas de retratar a diferença de mentalidade entre os torcedores de fora e os daqui.


Vídeo 1: Gotemburgo, Suécia. As torcidas de AIK e Djurgårdens IF, rivais da capital, protestam contra o futebol moderno. Cada uma do seu lado, é evidente, mas conscientes de que uma manifestação desse tipo seria mais eficaz se envolvesse todo o estádio. Foram 10 minutos de silêncio seguidos então por um espetáculo de pirotecnia e por um barulho que chegou a paralisar o dérbi local. Ganhou espaço na mídia de todo o mundo e tornou-se mais um bom exemplo de resistência ao futebol moderno.


Vídeo 2: Em Portugal, a torcida do Sporting bota os coxinhas para correr durante o clássico de Lisboa (contra o Benfica). Foi apenas e tão somente uma reação à truculência dos policiais na arquibancada.


Vídeo 3: Suíça. Jogo entre St. Gallen (da cidade homônima) e Grasshopper (de Zurich). Pouco importa o que aconteceu em campo; o que vale é o golpe abaixo:


Vídeo 4: Mais um pouco de ACAB. Edição de imagens feita pelos ultras do austríaco Rapid Wien:


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_Este capítulo teve a colaboração de Ivan Bianchin e Caio Filardi.

02 outubro 2011

Usem o arquivo...

... aí do lado direito se quiserem ler algo sobre o intolerável empate contra o América/MG. Valem todos os textos que se seguiram aos muitos empates ridículos proporcionados pelo Palmeiras em tão pouco tempo. A indignação é a mesma, assim como as causas, as consequências e os culpados por isso tudo que estamos vivendo. Persiste a obrigação de ir ao estádio e estar ao lado da camisa alviverde, e isso já é demais; me recuso a gastar mais do meu tempo para escrever sempre as mesmas coisas.