30 maio 2011

O país do futebol? (18)

O capítulo 18 será todo dedicado a hinos. De países, de times, até de outras épocas. É um jeito bem fácil de humilhar os pobres coitados que dizem ser o Brasil o país do futebol. Nem é preciso ir até lugares como Chipre, Guatemala ou Finlândia. Basta mostrar países em que existe compromisso cívico, identidade nacional e respeito às tradições. E, para isso, vamos de Italia, Inglaterra e Escócia. Vai ser um capítulo diferente de todos os demais, e eu ouso dizer que é o melhor entre todos os já publicados por aqui.

Vídeo 1: Sem entrar em discussões mais profundas, peço aos senhores apenas que puxem pela memória a visão de jogadores brasileiros perfilados antes de um jogo de Copa do Mundo. Começa o hino nacional (um belo hino, diga-se!) e... E nada; vagabundo não sabe a letra. Quando sabe, canta de maneira displicente. O mesmo se aplica ao "torcedor". Em contrapartida, vamos à pátria-mãe, a Italia. Semifinal da Copa de 2006, Italia x Alemanha, na Alemanha. Eis aqui:


Vídeo 2: Estes mesmos jogadores voltaram para casa com a taça e foram comemorar no Circo Massimo, em Roma. Aí deu nisto:


Vídeo 3: Eurocopa/2008. O Inno di Mameli cantado pela torcida.


Vídeo 4: "You´ll never walk alone". Não é uma simples música de torcida; é um hino. A bem da verdade, vale conferir o verbete da Wikipedia para entender toda a história. Muitas são as torcidas que entoam esta música para receber seus times, mas nenhuma tem tanta propriedade para isso como a do Liverpool FC. E, vá lá, a do Celtic. Daí que os dois times se enfrentaram em 2003 e protagonizaram este momento:


Vídeo 5: Um solo do Liverpool, contra o Arsenal:


Vídeo 6: Um solo do Celtic, na guerra contra o Rangers:

Imaginem a sensação de um jogador que, ao entrar em campo, escuta isso de um estádio tomado. Mais ainda se for em uma guerra como é o clássico escocês entre Celtic e Glasgow - e então digo aos senhores que, na hora certa, vou dedicar um capítulo só a isso.

"You'll never walk alone", a letra:

"When you walk through a storm
Hold your head up high
And don't be afraid of the dark
At the end of the storm
There's a golden star (sky)
And the sweet silver song of a lark

Walk on...
Through the rain...
Walk on...
Through the rain
Walk through the wind
And your dreams be tossed and blown...

Walk on... (walk on)
Walk on... (walk on)
With hope (with hope)
In your heart...
And you'll never walk alone
You'll never walk alone
Alone..."

Vídeo 7: Voltamos a Liverpool. Porque temos uma outra música de lá que merece espaço. Não chega a ser um hino, mas é algo tão forte que merece ser tratado como tal. As imagens abaixo têm um vigor indescritível, e retratam uma época mágica para a cidade de Liverpool e para todo o mundo. O futebol inglês pulsava como nunca, décadas antes de o domesticarem como um exemplo para o mundo.

O balanço da torcida atrás do repórter parece uma dança, mas não é. É apenas e tão somente o movimento de uma multidão que não cabia ali, muito antes de o futebol inglês vender sua alma. Malditas cadeiras numeradas, maldita Fifa, maldito futebol moderno!

Vídeo 8: 1970, Liverpool, Anfield Road. Mais um pouco de "You´ll never walk alone". Clássico entre Liverpool e Everton. Mais do que o hino, o que impressiona é a multidão comemorando gol sem ter espaço para tanto. Isso é futebol!


Vídeo 9: Começamos pela Italia e vamos terminar por lá. Vídeo da torcida da Roma cantando o hino do time no Stadio Olimpico.


Vídeo 10: De Roma, descemos um pouco em direção ao sul e paramos em Napoli, a capital do sul da Italia. Mais um belo hino, desta vez entoado pelos napolitanos em um San Paolo repleto. Com os senhores, a canção napolitana "'O Surdato 'Nnammurato".

***

Agradecimentos da semana: Felipe Giocondo, Gabriel Manetta, Luigi Pacifico, Rafael Pereira e Roberto Bovino. Obrigado!

29 maio 2011

Só nós somos Palestra

A Folha de S.Paulo publicou neste domingo uma detestável e absurda matéria com o título "Duelo de ex-Palestras lembra crise de identidade histórica". Além de não fazer qualquer sentido neste momento, é preciso deixar claro que nunca existiu entre os nossos qualquer "crise de identidade histórica". Nunca. Porque sempre fomos Palestra, porque lutamos pela nossa casa e pela nossa tradição e porque a Arrancada Heróica é um episódio que nenhum outro clube será capaz de viver.

Para além da colocação histórica, não aceito essa pauta "duelo de Palestras" quando enfrentamos o desprezível time azul de Minas Gerais. Porque não há nada que nos coloque no mesmo patamar baixo dos marias, porque eles essa gentalha alienada e sem alma de BH se perdeu na história e tomou um caminho contrário ao nosso, porque eles são tão sub-raça quanto os bichas daqui. E porque eles não têm nada de Palestra. Só nós somos Palestra!

***

_Bom empate em Minas. E finalmente, após duas rodadas de um exílio necessário, voltaremos ao estádio em SP, no próximo sábado.

_Espero que a partida deste domingo tenha sido a nossa última com esta maldita camisa amarela.

27 maio 2011

Marketing às avessas

Se dependesse de mim, o futebol seria imune ao marketing. Mas não é assim, e os marqueteiros têm destruído o futebol dia após dia. De qualquer forma, se todos os grandes clubes fazem uso do marketing (alguns de maneira predatória), é de se esperar que o Palmeiras faça o mesmo, desde que sem desrespeito à sua tradição.

A questão é que o Palmeiras perdeu anos e mais anos nas mãos do inapto (e talvez desonesto) Rogério Dezembro. E agora, quando havia uma oportunidade evidente de reestruturar a área e colocar lá dentro alguém que efetivamente entende do negócio, vem o anúncio dos nomes de Bruno Frizzo e Marco Polo Del Nero Filho para a área.

Atenção para os sobrenomes.

Pode ser que eles mostrem ser muito bons para a função, mas eu não acredito nisso. E entendo que os sobrenomes já depõem contra, uma vez que explicitam relações de parentesco com um membro do alto escalão da diretoria e com o crápula presidente da FPF, aquele que desonra o nome da família Del Nero.

O marketing do Palmeiras deveria promover a imagem do clube, mas faz exatamente o contrário. Para além do evidente nepotismo, a escolha dos novos nomes para o departamento aponta para a alocação dos profissionais errados em funções a cada dia mais importantes. A decisão reforça imagens estereotipadas do Palmeiras e o que se desenha logo à frente é mais um período de atraso do clube em relação a seus inimigos.

Tenho vergonha dessa gente! Tirone vagabundo!

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Vejo agora que pensam em ressuscitar o Avanti, o pior programa de relacionamento entre um clube e o seu torcedor, obra máxima da desastrosa gestão de Rogério Dezembro. É evidente que o Palmeiras precisa ter um programa bem formatado, e ainda mais claro é que o torcedor precisa ser consultado – algo que não aconteceu até hoje. Considerando os nomes e algumas declarações aqui e ali, dá para esperar pelo pior.

Repito o que já disse várias vezes: CARNÊ DE INGRESSOS!

É só isso o que queremos: INGRESSOS!

Os programas do SCCP, do Inter e do Grêmio são exemplos que devem ser observados. E aqui bem perto, dentro da nossa torcida mesmo, já houve a apresentação de um modelo que funciona bem para o clube e para o torcedor. Mas não quiseram nos ouvir e deu nisso...

26 maio 2011

O Palestra nos cinemas

O Palestra vai ao cinema, e o lance aqui não tem a ver com ostentação de títulos ou com filmes que não passam de peças de propaganda criadas para vomitar uma pretensão sem propósito. Porque aqui é Palmeiras, e porque defendemos a nossa história contra gente que desconhece a própria história.



Belo cartaz este acima, não? Tanto quanto o título escolhido para o filme do cineasta palestrino Rogério Zagallo, uma produção da Oka Comunicações. Boa também é a sacada extraída do material de divulgação: ""Primeiro Tempo" é um documentário de 45 minutos mais 2 de acréscimo". Trata-se do primeiro filme oficial licenciado pelo Palmeiras; deve ser lançado nos cinemas, em DVD e também na TV. É uma despedida do inesquecível e saudoso estádio Palestra Italia: torcedores, jogadores, ex-atletas, funcionários e moradores da região, todos estão presentes na produção.

Para quem quiser conferir o quanto antes, fica a dica: "Primeiro Tempo" vai abrir a edição paulista do CINEFOOT, no dia 2 de junho, quinta-feira da próxima semana, a partir das 19h30, no Museu do Futebol (Pacaembu). A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados meia hora antes na bilheteria do museu.

Mais informações no site Palestra Itália doc.

O trailer está aqui:




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Um detalhe importante: Rogério Zagallo é também o diretor do documentário "Juventus - Rumo a Tóquio", uma obra que traz em seu cartaz a frase "Ódio eterno ao futebol moderno". Não preciso dizer mais nada...

25 maio 2011

Geração Winning Eleven (4)

A sugestão partiu do leitor Paulo Fontes, via Twitter, e me pareceu válida para dar sequência a esta não tão profícua série. Confiram na imagem abaixo a classificação final da temporada 2010/2011 do Campeonato Espanhol:



O que temos em jogo lá na Espanha, entre Barcelona e Real Madrid, pode ser muita coisa, mas não é futebol. Porque não dá para levar a sério uma disputa que, apesar de oficialmente contar com 20 times, está ao alcance dos mesmos dois clubes a cada ano. Se fosse uma vez ou outra, seria aceitável. Mas não é o caso.

Não dá para aceitar uma competição em que o líder enfia 25 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado e exatos 38 sobre o quinto colocado, o primeiro fora da zona da Champions League. Vejam, senhores: foram 38 pontos a mais depois de 38 rodadas. Significa que o campeão fez, em média, um ponto a mais por rodada que o quinto classificado. Para efeito de comparação, a diferença aqui no Brasil fica entre quatro e seis pontos. Uma aberração!

Aberração também é o saldo de gols dos dois primeiros (o Barcelona tem quase 2 gols de saldo por partida!) e também o fato de apenas sete clubes finalizarem a temporada com saldo positivo (ficou tudo concentrado com Real e Barcelona, sendo que este último supera com sobras a soma de todos os times entre o 3º e o 7º lugar).

Conseguiram acabar até com a rivalidade histórica entre Real Madrid e Atletico de Madrid. Lá se vão 12 anos desde a última vitória do Atletico sobre o Real. Deixou de ser clássico.

É tudo, menos futebol. Ponto para a Geração Winning Eleven.

23 maio 2011

O país do futebol? (17)

Não me canso de enaltecer o povo do Uruguay. Primeiro campeão do mundo, é um país que precisa de menos de 4 milhões de habitantes para humilhar o Brasil em amor pelo futebol! O capítulo 17 da série "O país do futebol?" volta a Montevideo (que já apareceu aqui nas edições 5 e 7) para mostrar a hinchada do grande Peñarol. De resto, uma edição toda dedicada à América Latina. Além do Uruguay, vamos de Chile, Equador, Guatemala e Honduras.

Vídeo 1: A hinchada do Peñarol exibe, em duelo histórico contra o argentino Independiente, a maior bandeira do mundo. Um espetáculo:


Vídeo 2: Quem diria que um dia teríamos por aqui um material produzido pela maldita Rede Globo? Acontece que foi uma bela matéria do Sportv, com texto do grande Eduardo Galeano, sobre a hinchada carbonera. Nenhum outro time merece tanto ficar com o título da Libertadores deste ano. Aguante Peñarol!


Vídeo 3: Chile! Grande recebimento da hinchada do Colo-Colo, a Garra Blanca, para seu time. O cenário fica ainda melhor neste fantástico estádio Nacional de Santiago.


Vídeo 4: Universidad de Chile. Um "mosaico de sinalizadores":


Vídeo 5: Mais um de La U:


Vídeo 6: Guayaquil não é a capital do Equador, mas é a cidade mais populosa e mais importante em termos econômicos. Há dois grandes clubes por lá, o Emelec e o Barcelona. Vamos começar pelo Emelec. Abaixo, imagens da festa da torcida azul em uma partida contra a LDU de Quito.


Vídeo 7: Antes mesmo de a LDU aparecer com força no cenário sul-americano, o Equador já teve um time perto de conquistar a Libertadores. O Barcelona de Guayaquil chegou às decisões de 1990 e 1998 (e perdeu, respectivamente, para Olimpia e Vasco). Espaço para o time que tem a maior hinchada do Equador, capaz de festas como esta abaixo, no belíssimo estádio Monumental de Guayaquil.


Vídeo 8: Do Equador para a Guatemala. Vamos de Xelajú, clube da cidade de nome quase impronunciável: Quetzaltenango. Por tudo o que eu pesquisei, é a melhor hinchada do país, bem acima das torcidas de Comunicaciones e Municipal, os dois clubes da capital. Tá aqui o recebimento dos caras para o time:


Vídeo 9: Honduras, senhores. Vamos começar não pela capital, mas sim por uma cidade menor, San Pedro de Sula. É lá que fica o Real España. Foi difícil encontrar um vídeo com boa resolução, mas este abaixo mostra a inspiração dos barra bravas mesmo lá nas torcidas da América Central:


Vídeo 10: Abaixo, a caminhada dos barra bravas do Olimpia, um dos grandes da capital hondurenha, Tegucigalpa.


Vídeo 11: Este último serve para mostrar que o despreparo dos coxinhas não é exclusividade nossa. A situação pode ser até pior em um país como Honduras. Confiram:


***

_Créditos para o Rafael Pereira, que enviou os vídeos do Chile, e para o Luiz Romani, que enviou as contribuições do Equador.

_Não é demais dizer que é possível conferir todos os 16 capítulos anteriores da série "O país do futebol?" aí na barra do lado direito. Tá tudo organizado.

21 maio 2011

Faltam 38 rodadas...

... para o fim do modorrento Campeonato Brasileiro de pontos corridos. Parabéns a todos os que são responsáveis ou defendem esta fórmula de disputa abjeta. Parabéns pelos clássicos nas últimas rodadas, pela ausência de finais, pela falta da emoção, pelo fim dos heróis e vilões, pela completa falência moral do futebol brasileiro.

19 maio 2011

De novo o aprendiz de Capez

O promotor Paulo Castilho ataca novamente. Como descrito no post "O promotor e a coluna social", de novembro/2010, o sujeito resolveu agora ampliar o alcance de suas propostas acintosas e migrou do caderno de esportes para as colunas sociais. Aconteceu já algumas vezes, e hoje novamente. O espaço é o mesmo: Mônica Bergamo, FSP. Vejamos a última:

BRIGA DE TORCIDA
O promotor Paulo Castilho, do Juizado Especial Criminal, enfrenta resistência no próprio Ministério Público na determinação de permitir que apenas uma torcida possa assistir aos jogos entre os grandes clubes nos estádios, para coibir a violência. Hoje a torcida visitante tem cota de 5% dos ingressos para ver as partidas. Na proposta de Castilho, só os fãs do alvinegro poderiam ver, por exemplo, um Corinthians x Palmeiras quando o Timão for mandante. Os promotores de defesa do consumidor discordam. A federação paulista também é contra a torcida única.

RECEITA MINEIRA
Castilho acredita que as finais do Campeonato Mineiro, que tiveram torcida única, possam criar um precedente para o Brasileirão. Se a medida for adotada, por exemplo, quando Cruzeiro e Atlético enfrentarem as equipes paulistas em Minas, a reciprocidade seria aplicada quando os dois clubes jogarem em São Paulo.

Ou seja: não contente em defender aqui em SP esta aberração que já acontece em MG, o sujeito quer ampliar o seu "poder" para outro estado - e quer impedir nossas caravanas para BH, seja contra um inimigo como o Cruzeiro ou contra um aliado como o Atlético/MG.

O cerco está se fechando. Precisamos resistir contra os crápulas que querem destruir o futebol.

***

Um breve dossiê do "aprendiz de Capez":

07.04.2011: O fim dos clássicos

07.02.2011: A violência contra o torcedor

30.01.2011: Um domingo perigoso

04.11.2010: O promotor e a coluna social

03.06.2009: De volta ao ataque

25.05.2009: Os verdadeiros bandidos (2)

02.03.2009: Quem é mais sujo?

01.10.2008: Nosso amigo, o promotor

02.07.2008: A Mancha, o Hamas e o promotor

05.05.2008: Os verdadeiros bandidos

18 maio 2011

20 anos de um clássico

Houve um campeão estadual no último domingo em clássico com torcida única. Por aqui, os clássicos de SP já perderam a identidade faz tempo, e eu ouso dizer que seremos derrotados na batalha contra os promotores desocupados, os canalhas da imprensa e os dirigentes vagabundos: logo haverá também por aqui um clássico com torcida única. É questão de tempo.

Este blog volta 20 anos no tempo para trazer imagens de um certo clássico válido pelo Campeonato Paulista de 1991. Em campo, Palmeiras e SPFW, este último ainda desprovido da massa alienada que viria com as gerações aborto (1992/1993) e vitrine (2005/2006), mas igualmente sem alma, tal como agora e como sempre.

O dia é 1º de dezembro de 1991. Domingo, 16h. 110.915 pagantes. Repetindo: cento e dez mil, novecentos e quinze pagantes!

Vamos às imagens daquela tarde, todas enviadas pelo palestrino Renan Barbosa, autor do blog Um Palmeirense:







Peço que notem a torcida do SPFC espremida na própria casa.

Eram outros tempos. E o Palmeiras, então há 15 anos na fila, colocava os leonores no devido lugar depois da guerra pelos gomos (bons tempos, bons tempos...).

Este jogo deve estar guardado na memória de todos os palmeirenses com pelo menos 28 anos. Não foi um jogo qualquer. Valia vaga na final do Paulistão daquele ano. Valia o fim do tabu. Valia a confirmação de que o gigante estava de volta ao seu lugar.

Eis então que coube ao Palmeiras enfrentar o seu grande inimigo, o time do Jd. Leonor. Os dois integravam o grupo 2 do quadrangular final (o SCCP venceu o outro). Além dos dois inimigos, a chave trazia ainda o Guarani de Campinas e o Botafogo de Ribeirão Preto.

Palmeiras e SPFW haviam disputado até ali cinco jogos cada um. O Palmeiras tinha quatro vitórias e uma derrota; as bichas, três vitórias e dois empates. Como o regulamento de então previa apenas dois pontos por triunfo, os dois somaram os mesmos oito pontos ao final da quinta rodada.

A vantagem do empate, no entanto, pertencia ao SPFW. Por quê? Ah, porque os leonores tinham feito melhor campanha na fase classificatória. Vejamos:

Os adversários do alviverde na fase classificatória (grupo verde): América, Botafogo, Bragantino, SCCP, Ferroviária, Guarani, Ituano, Mogi Mirim, Novorizontino, Portuguesa, Santos, XV de Piracicaba e XV de Jaú.

Os adversários do SPFC na fase classificatória (grupo amarelo): Catanduvense, Inter de Limeira, Juventus, Marília, Noroeste, Olimpia, Ponte Preta, Rio Branco, Santo André, São Bento, São José, Sãocarlense e União São João.

Vejam os senhores que o Palmeiras disputou a primeira divisão e o SPFC, a segunda - ou seja, foi rebaixado em 1990! No entanto, o regulamento da nossa estimada FPF julgou que a campanha leonor era superior - e, portanto, merecedora da vantagem na fase final. Coisas do nosso futebol...

O que se viu em campo foi um massacre alviverde. Tentamos por todos os lados, pressionamos, fizemos por merecer a vitória. Mas Zetti, até pouco antes do nosso lado, pegou absolutamente tudo. Tudo. Ainda criança, foi a primeira vez que me lembro de ter odiado um jogador adversário. O auge, já nos minutos finais, foi uma cabeçada perfeita de Evair, no ângulo. Zetti pegou. E eu, ainda sem poder ir aos estádios em jogos como aquele, tenho o lance eternizado na voz de José Silvério.

0 a 0. O inimigo seguiu em frente graças à "melhor campanha" na 2ª divisão. Mas as imagens aí de cima valem mais do que isso. E, na boa, eu troco um eventual título naquele ano pelo 12 de junho de 1993... E não troco a nossa alma por nada.

Só é uma pena que as imagens acima, de um clássico com 110.915 pagantes, pertencem a um passado que não volta mais. Conseguiram acabar com o futebol de verdade.

16 maio 2011

O país do futebol? (16)

Por mais que a maldita Fifa tente domesticar os torcedores por onde passa, resiste a alma dos ultras (ou das organizadas ou dos barra bravas, de acordo com o lugar). Isso vale mesmo para os países que já receberam a Copa do Mundo. A Alemanha, por exemplo. Este capítulo da série "O país do futebol?" traz um bom exemplo de lá. Para completar, Hungria (estava demorando!), e Finlândia (!).

Vídeo 1: Alemanha, Stuttgart. Os ultras locais estão todos DE PÉ em um estádio que foi também todo modificado para a Copa/2006. Os destaques do vídeo abaixo: o barulho dos torcedores pulando nas cadeirinhas de dona Fifa, a participação dos líderes ali embaixo e os movimentos sincronizados (isso sim é organização).


Vídeo 2: Viram a festa aí do alto? Então acompanhem o bonde dos caras no caminho para o estádio:


Vídeo 3: Estava demorando para esta série viajar até a Hungria. Vamos começar com o clássico de Budapeste, Újpest-Ferencváros, que tem um largo histórico de rivalidade. Temos aqui a chegada dos torcedores das duas equipes e o duelo dentro do estádio.


Vídeo 4: A torcida do Ferencváros em ação. As imagens não são lá tão boas, mas o clipe vale para mostrar o fanatismo dos caras.


Vídeo 5: E aí os caras do Úpjest foram a Bucareste, na Romênia, para enfrentar o Steaua Bucuresti (Bucareste para nós), e arrumaram uma grande briga fora de casa. É o que eu sempre digo: uma torcida tem de ser muito foda para partir pra porrada em outro país.


Vídeo 6: O vídeo abaixo mostra a chegada dos ultras do Úpjest a Bucareste (a distância entre as capitais da Hungria e da Romênia é de 830km). Eles foram de trem. Pelo clima na plataforma, assim que chegaram ao destino, já dava para imaginar o que viria.


Vídeo 7: Do sul para o norte. Que tal uma viagem até Helsinque, a capital da Finlândia? Sim, Finlândia. Um lugar gelado em todos os sentidos, e que, ainda assim, humilha a "torcida" da seleção brasileira (é piada!). Vejam abaixo a torcida da seleção local em um jogo contra a Alemanha pelas eliminatórias da Copa de 201o. Detalhe: o futebol está longe de ser o esporte mais popular do país. Eles preferem o beisebol e até mesmo a F-1 (tem um monte de campeão mundial que veio lá do frio).

E logo virá algum brasileirinho idiota a cantar "Eeeu... sou brasileiro/ com muito orgulho/ com muito amor". Que patético!

***

O estoque de vídeos está chegando ao fim. Minha ideia é levar esta série pelo menos até a edição 25. Conto com a colaboração dos leitores para isso.

14 maio 2011

A morte de um clássico

Faz pouco mais de um mês que eu publiquei neste blog o post "O fim dos clássicos". O objetivo era mostrar que dirigentes inescrupulosos, jornalistas vagabundos, promotores desocupados e oportunistas diversos conseguiram destruir a identidade dos clássicos brasileiros (de SP em especial). Pois vejam os senhores que vão a campo no próximo domingo, para decidir o Campeonato Mineiro, Cruzeiro e Atlético/MG. Nada fora do comum. No entanto, os velhotes carcomidos da Fifa impedem a realização deste duelo no bom e velho Mineirão (e sim, os filhos da puta vão acabar com o tropeiro de lá). Aí o jogo segue para Sete Lagoas e com torcida única. Torcida única! Ou seja: o Galo pode ser campeão sem um único torcedor seu na arquibancada. E os marias podem levar o título sem poder encarar de frente os rivais. Uma aberração. Um crime. Um atentado. Uma violência contra o futebol. Que paguem por isso os (ir)responsáveis.

***

Peço desculpas a todos os leitores que publicaram comentários no post sobre Palmeiras 2-0 Coritiba/PR. O Blogger teve sérios problemas nas últimas horas e conseguiu perder todas as mais de 40 mensagens que tinham sido publicadas desde quinta. E parece que isso não volta mais!

13 maio 2011

Só sobrou o Vasco

A queda do SPFC na Copa do Brasil foi ainda mais vergonhosa que a do Palmeiras. Porque a nossa foi fruto de um acidente inexplicável, daqueles que ocorrem vez por outra na trajetória de qualquer grande clube. Uma noite pavorosa, deu tudo errado, e fomos eliminados em apenas um jogo. Com os leonores foi diferente; os caras conseguiram perder em dois jogos, com um 1 a 3 de virada na volta, de maneira incontestável. O Avaí provou ter sido melhor que os alienados do Jd. Leonor muito mais do que o Coritiba provou qualquer coisa contra o Palmeiras. Não foi por acidente.

E agora só sobrou o Vasco na disputa. Todos os outros três são pequenos. Que a Cruz de Malta prevaleça nessa disputa e que o título fique em São Januário!

***

_Parabéns a Marco Polo Del Nero e a todos os responsáveis pelo surgimento do Grêmio Itinerante Barueri de Prudente de Barueri. É uma aberração ainda maior do que a que foi consumada no ano passado.

_E que a cidade de Presidente Prudente/MS seja apagada do mapa para todo o sempre. Espero nunca mais ser obrigado a voltar àquele fim de mundo.

12 maio 2011

"Pra ver meu time não precisa de motivo"

Todos os 5.000 e poucos palmeirenses que fomos ao Pacaembu na madrugada de quarta para quinta-feira devemos ter enfrentado durante a semana perguntas como "O que você vai fazer lá?", "Você acredita em milagres?" ou "Que motivação você tem para ir ao Pacaembu?".

Responderia a tudo isso dizendo que não acredito em milagres desse porte, mas que não preciso de motivos para ir ao estádio. Basta que a camisa verde vá a campo, e eu vou junto.

Conheço, pessoalmente ou de vista, a maior parte dos palestrinos que estivemos no estádio municipal. Algumas centenas de jogos depois, é quase impossível não reconhecer cada rosto familiar, de gente que vai atrás do Palmeiras pelo simples ato de ir atrás dele, como se fosse uma obrigação autoimposta.

Tivemos no Pacaembu um público seleto. Um público que vai a todos os jogos, que viaja pelo clube, que não mede esforços para empurrar o Palmeiras. Pessoas que, parafraseando um conhecido personagem histórico, não querem saber o que o Palmeiras faz por nós, mas o que nós fazemos pelo Palmeiras. Pessoas que não vivemos do clube, mas pelo clube.

A obrigação de ir a um jogo como este era maior até que a de ir a uma final ou a qualquer outro jogo. O Palmeiras precisava disso. Quando falo em Palmeiras, não me refiro a alguns vagabundos que estavam no campo, mas da entidade Palmeiras, sempre maior que tudo e que todos.

Fizemos a nossa parte.

Aí, senhores, digo que vai passar o tempo e logo estaremos em uma decisão de campeonato novamente. Vai ser bem aí que surgirão milhares de "torcedores" desesperados atrás de ingresso, querendo ir ao jogo a qualquer custo. E serão logo estes que virão dizer que não existem "mais" ou "menos" palmeirenses.

Escrevi há pouco um post intitulado "Ruptura". Ele se aplica bem ao momento. Torcedor é aquele que vai ao estádio. Torcedor é aquele que está ao lado do time quando ele mais precisa. Torcedor é aquele que não vai para ver o time vencer, mas para levá-lo à vitória. Torcedor é aquele que não precisa de motivos para ver o time jogar. Torcedor é aquele que vai a campo mesmo quando tudo parece jogar contra.

E sim, existem "mais" e "menos" torcedores!

Obrigado a todos os que dividiram comigo a arquibancada do Pacaembu. Tenho orgulho de todos vocês!

Quanto aos jogadores, não passam de vagabundos!

***

A música que aparece lá no título do post:

"Pra ver meu time não precisa de motivo
Quando ele joga sempre vou pra incentivar
Oh, meu Palmeiras, você pode contar comigo
A Mancha sempre está contigo
E nunca para de cantar
E dá-lhe Porco, e dá-lhe, dá-lhe Porco"

10 maio 2011

O Palmeiras acima de tudo!

Posso ser acusado de muitas coisas, menos de não emitir e defender as minhas opiniões. Este blog é radical o tanto quanto é possível ser, e continuará assim. Agradeço a cada um de vocês, leitores tão devotados e participativos, pela audiência qualificada de sempre e pela paciência de alguns momentos. Preciso agora fazer algumas ponderações, considerando um pouco do que eu já iria escrever naturalmente e outro tanto de questões que foram colocadas no post anterior. Vamos lá:

Eu sou Mancha. Não é de agora. Sou sócio desde moleque, entendo que a Mancha (e todas as outras organizadas) são essenciais para o futebol resistir e vou defender a entidade até onde for possível. Contra tudo e contra todos. Menos contra o Palmeiras. Porque o Palmeiras está acima de tudo!

Já foram muitos os manifestos publicados pela MV e mesmo os protestos (violentos ou não) com os quais eu não concordei de uma forma ou de outra. Há pensamentos divergentes, mas o respeito sempre prevaleceu. E, de certo modo, posso afirmar que me senti representado em quase todas as situações, do enterro simbólico da diretoria em 2001 até a agressão contra o Madureira, para ficarmos em alguns exemplos.

Não é o caso agora.

Eu me permito simplesmente ignorar a primeira carta publicada no site oficial, uma vez que ela foi escrita em primeira pessoa e, portanto, não pode ser compreendida como o posicionamento oficial de uma entidade que representa tanta gente. Simplesmente não pode, e eu não vou entrar no mérito de tudo o que foi escrito ali; é a posição de alguém que divide comigo a mesma arquibancada e com quem já devo ter conversado algumas vezes, e vale tanto quanto a minha. Discordo veementemente de quase tudo o que está ali, respeito o direito à opinião alheia, mas não reconheço aquela como sendo a palavra oficial da entidade Mancha Verde.

Chegamos então à campanha "Público Zero". Eu não aceito isso! Lugar de torcedor é na arquibancada e é para lá que eu vou. Respeito o direito de quem não vai, mas eu farei a minha parte na arquibancada (já foi assim no Couto Pereira, e será assim também no Pacaembu). Não me importa o fato de o time já estar eliminado. Não me importa o horário absurdo, o frio, até a chuva que pode cair. Não importa. A camisa do Palmeiras vai a campo, e eu vou junto.

À cancha municipal!

08 maio 2011

O país do futebol? (15)

Esta série, os senhores devem lembrar, já visitou países como Japão, Costa Rica e Chipre, sendo este último uma ilhota habitada por 800 mil almas. Para os que chegam a este blog apenas agora, devo dizer que o objetivo deste e dos 14 capítulos anteriores (todos listados aí na lateral) é mostrar que o Brasil pode ser o país de muitas coisas, mas o futebol certamente não está entre elas. Em sendo assim, se já passamos pelo Chipre, é a vez agora de Malta, um arquipélago com 400 e poucos mil habitantes. Antes disso, no entanto, teremos Polônia, Sérvia, Eslovênia e mais um pouco de Argentina.

Vídeo 1: Vamos começar pela Polônia, que já apareceu aqui nas edições 1 (Lech Poznań) e 6 (Widzew). Eis que agora teremos mais uma participação dos ultras do Poznań, mas de maneira secundária. O foco do vídeo abaixo está na torcida do Legia Warszawa (ou Legia Varsóvia). É da final mais recente entre os dois, na Copa da Polônia deste ano. Empate em 1 a 1 e vitória do time da casa, o Legia, nos pênaltis. Tem de tudo aí: invasão da torcida local (uma cena espetacular), batalha campal contra a polícia e depois o revide, um tanto tardio, dos ultras do Poznań.


Vídeo 2:
Mais Polônia. É a vez do dérbi de Varsóvia, disputado por Legia Warszawa e Polonia Warszawa. Um belo mosaico da torcida da casa, no último duelo entre os dois:


Vídeo 3:
O outro lado do mesmo clássico: a torcida do Polonia Warszawa, confinada no setor de visitantes. Começando pela concentração pré-jogo, com direito a chuva de granizo na capital polonesa.


Vídeo 4:
Vamos à Sérvia, que já apareceu por aqui no capítulo 4. Devo dizer que o clássico de Belgrado (Red Star-Partizan Belgrado) terá destaque especial no blog (preciso reler um livro antes para trazer a história para cá), mas já deixo, como aperitivo, um grande duelo entre as duas torcidas:


Vídeo 5:
Maribor, a segunda maior cidade da Eslovênia. Abaixo, os ultras do Maribor em mais uma grande invasão de campo:


Vídeo 6:
Ah, a Argentina... Voltamos ao país onde vive o futebol. Nem precisamos recorrer ao Racing, ao River ou ao San Lorenzo; nem mesmo aos menores Chacarita, All Boys ou Nueva Chicago. Vamos para a Primera D, espécie de quinta divisão local. San Martin Burzaco e Claypole jogam em Burzaco, pequena cidade da província de Buenos Aires (é algo como Itapecirica da Serra ou Embu, por exemplo, mas com população bem menor). E aí temos isso aqui:


Vídeo 7:
Malta é o saco de pancadas da Europa. Não tenho aqui o histórico da seleção local, mas duvido que tenha conseguido alguma vitória contra outros países do continente em todas as disputas de eliminatórias. A capital do país, Valletta, tem pouco mais de 6 mil habitantes. E o que temos abaixo é a torcida do time local, o Valletta, durante o clássico disputado contra o Floriana, da cidade homônima, com seus 2 mil e tantos habitantes. Sei que não é nada impressionante perto do que já vimos aqui nesta série, mas peço que levem em conta de novo a população da cidade (6 mil pessoas!) e o fato de o país ser uma completa nulidade em futebol.


Vídeo 8: Agora, o outro lado. A torcida do Floriana. A cidade tem 2 mil habitantes, o mesmo tanto de gente que vive em qualquer rua de poucos quarteirões de São Paulo.


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Agradecimentos: Gabriel Uchida (Foto Torcida) e Vitor Birer.

06 maio 2011

Uma noite de Caxias (+ 2 gols)

Enquanto observava os avanços do ataque do pequeno Coritiba em nossa direção no segundo tempo, eu cheguei a pensar: “Estamos vivendo uma noite de Caxias”. Porque o Caxias, ainda menor que o Coritiba, em visita recente ao Couto Pereira, voltara para casa com um 0-4 na bagagem. Foi o placar que prevaleceu por mais tempo ontem, na fria noite de Curitiba. Parecia até definitivo, e seria satisfatório em função de tudo o que não fizemos. Mas então vieram dois dos lances mais grotescos que eu já vi em um estádio de futebol: o quinto e o sexto gol foram absolutamente inacreditáveis. Eu não vi nada depois, mas minha memória de arquibancada guarda as imagens de um zagueiro recuando e abrindo espaço para a finalização do adversário e, na sequência, de um atacante que consegue levar toda a defesa mesmo tropeçando para então finalizar quase deitado. Bizarro. Grotesco. Humilhante.

A torcida do pequeno Coritiba viveu ontem uma noite de time grande. E nós, em bom número no Couto Pereira, tivemos uma noite de time pequeno. Uma noite de Caxias, com direito a mais dois gols inacreditáveis nos minutos finais. Difícil encontrar palavras, e eu sinceramente não tenho forças agora para buscar uma explicação. Também não é esta a minha função. A minha parte eu fiz, indo até Curitiba, e continuarei fazendo, indo ao jogo de volta (apenas e tão somente porque é minha obrigação de torcedor).

Não conhecia sequer um jogador do time do Coritiba. Continuo sem conhecer. Sei apenas que o tempo vai se encarregar de colocar as coisas no devido lugar. Este time aí do Coritiba não será campeão da Copa do Brasil e provavelmente não vai chegar entre os 10 primeiros do próximo Campeonato Brasileiro. É este o tamanho do Coritiba.

Durante e depois do jogo, enquanto olhava para a torcida local, eu só pensava uma coisa: “Daqui a três meses, eles continuarão sendo torcedores de um time de merda, cujo único título relevante foi conquistado com saldo de gols negativos. E nós, hoje humilhados, continuaremos torcedores de um gigante inabalável”.

O Coritiba vai continuar a mesma merda que sempre foi, e o Palmeiras será sempre o Palmeiras, mas a humilhação que sofremos ontem não será esquecida assim tão cedo. Teremos de conviver com ela por muito tempo, e eu agora nem sei quem é o culpado por isso.

Os gritos que vinham do outro lado ficaram sem resposta ontem; não tínhamos o que dizer. O estádio inteiro parecia dirigir olhares lancinantes para os que ali estávamos como visitantes. A alma alviverde foi ferida e continuamos sem ter o que dizer agora. Que os responsáveis se pronunciem.

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-Torcedor é aquele que gira a catraca! O Teo escreveu o seguinte no Twitter: "Eu permito que qualquer idiota fale comigo de futebol. Num dia como hoje, eu apenas exijo nota de corte: 500 jogos no cimento." Eu vou mais além: essa exigência eu faço em qualquer situação. Tem nego babaca por aí (e são logo os que querem fazer comentários imbecis durante ou logo depois do jogo ou então aqueles cretinos que disseminam correntes virtuais e piadinhas por email) que não tem o direito de dirigir a palavra a mim ou a qualquer outro torcedor de estádio.

-Como bem disse o Giocondo lá em Curitiba na noite de ontem ou na manhã de hoje (tudo agora se confunde): “Todo torcedor precisa ter uma dessas no currículo de arquibancada”. O problema é que eu, ele e muitos de nós já temos algumas dezenas. Mas certamente nenhuma assim tão vexatória.

03 maio 2011

O país do futebol? (14)

Retomando a proposta da série "O país do futebol?" depois de uma edição atípica, voltamos à Europa. Teremos desta vez vídeos da Turquia, da Alemanha, da Italia e da Espanha.

Vídeo 1: Turquia de novo. O Fenerbahçe já teve um espaço de destaque no capíulo 3, mas ainda estou na dívida com os clubes de Istambul. Para começar a corrigir isso, vamos de Besiktas 2-1 Liverpool, jogo em que a torcida local teria batido o recorde mundial de barulho em um estádio de futebol: 132 decibéis. Sei lá o que isso significa, mas temos abaixo um cenário realmente impressionante:


Vídeo 2: O mesmo jogo, outro ângulo, imagens impactantes.


Vídeo 3: Besiktas-Galatasaray, uma batalha de sinalizadores.


Vídeo 4: Da Turquia para a Alemanha. Borussia Dortmund-Schalke 04. Grande clássico. O que mais chama atenção no vídeo abaixo é o tamanho da arquibancada dos caras e a quantidade de gente neste espaço (todos de pé!). Detalhe: o estádio de Dortmund foi palco da Copa de 2006. E pensar que os velhos filhos da puta da FIFA exigiram - e conseguiram - destruir o Maracanã.


Vídeo 5: Mais um clássico. Italia, Liguria, Genova. Stadio Luigi Ferraris. Um belo vídeo para mostrar o clima de Genoa-Sampdoria.


Vídeo 6: A série vai a Espanha pela primeira vez. Não é à toa: as torcidas espanholas estão entre as menos vibrantes da Europa. Nem pensem em encontrar por aqui as plateias de Barcelona ou Real Madrid. Vamos com o clássico de Sevilla: Sevilla-Betis.

Remember, gambá sujo!

Um breve "remember" para os sujos sem escrúpulos e de caráter falho. Um lembrete necessário para os canalhas que se dizem sofredores, mas que trocam o mínimo de dignidade e decência por quase nada. Um pouco daquilo tudo que esta gente jamais vai saber o que é: a alma palestrina.

Porque, sem influência externa, bando de sujos, eis o que acontece:

05.05.1999: Palmeiras 2 x 0 SCCP


12.05.1999: SCCP 2 (2) x 0 (4) Palmeiras


06.06.2000: Palmeiras 3 (5) x 2 (4) SCCP


6 de junho de 2000. Não há populismo de fachada que sobreviva a este episódio. Não há. Aqui não tem sofrimento seletivo. Aqui tem superação, tem raça, tem alma. Aqui tem uma torcida que empurra o time à vitória mesmo sob condições adversas. E tem uma vitória improvável que se constrói sem qualquer ajuda externa. Aqui tem história, bando de sujos! Aqui tem vergonha na cara!

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No domingo, como sempre na arquibancada, entre o apito final e o início dos pênaltis, senti novamente aquela sensação única de aguardar uma decisão única contra o maior rival - podendo olhar direto para eles, lá do outro lado. E me lembrei de todas as grandes decisões por pênaltis que já vi em um estádio. E de todas as grandes vitórias que já tivemos, elas todas obtidas dentro de campo, sem ajuda de arbitragem, sem fatores externos, sem sujeira. É a nossa história. É a alma palestrina.

02 maio 2011

Alma palestrina

Diz a imprensa “especializada” que o Palmeiras entrou “pilhado” no clássico de ontem. Sim, claro, porque aqui é Palmeiras, porque aqui temos sangue correndo nas veias e porque o juiz nunca está do nosso lado. E eu prefiro lutar (mesmo perdendo) ao lado de um time que entra “pilhado” e que busca a vitória com um homem a menos a ficar inoperante (mesmo vencendo) ao lado de 11 canalhas que esperam pelo fim do sofrimento seletivo.

E prefiro um técnico que parte pro confronto contra o árbitro e todo o esquema que o sustenta a um babaca que prega o "equilíbrio" e dá parabéns para vagabundo.

Porque aqui é Palmeiras, porque nossa história é assim e porque isso tudo nos precede. Porque aqui não contamos com um populismo de fachada, porque construímos nossa história contra tudo e contra todos e porque não temos títulos sujos em nossa história.

Não temos os juízes como aliados, mas sim como inimigos.

Lutamos. E lutaremos sempre.

Questão de caráter. Questão de alma (palestrina).

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Se houvesse um mínimo de dignidade entre nossos dirigentes, o Palmeiras viria a público hoje para declarar que nosso time não divide o mesmo ambiente que o maldito juiz. Isso já deveria ter acontecido há muito tempo, mas nunca é tarde para fazer a coisa certa.

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Viva o monopólio do sofrimento gambá. Só eles sofrem de maneira seletiva. Quanta dor, quanta superação, quanta luta... é comovente!

01 maio 2011

Questão de vergonha na cara

Todo juiz de futebol é um filho da puta por definição e deveria apanhar antes, durante e depois de cada jogo.

É com enorme pesar que inicio mais um post com esta frase. De certo modo, o texto que os senhores leem agora já estava pronto desde a semana anterior, quando escrevi sobre o "sorteio" do árbitro. A tarde deste domingo foi apenas mais um item da longa ficha corrida deste sujeito contra o Palmeiras.

Foi tudo premeditado - obrigado, Felipão, pela entrevista! Do "sorteio" durante a semana, passando por todas as discussões que ampliaram a tensão do clássico, e culminando com a postura cafajeste durante os 90 minutos.

O cartão amarelo para Kleber, a expulsão de Danilo (e a falta de critério para não colocar o jogador dos caras para fora também), a expulsão de Felipão (e a falta de critério para não fazer o mesmo com o técnico dos caras): o vagabundo do apito fez o jogo sujo do início ao fim. Daria ainda para dizer que o lance que levou à expulsão de Danilo foi antecedido por uma falta não marcada no nosso ataque. Serviço completo.

É o tal sofrimento seletivo dos gambás. Um sofrimento que encara os juízes não como um obstáculo a mais, mas como um aliado nos momentos de maior dificuldade. Não foi à toa o "parabéns" dedicado pelo treinador dos gambás ao trio de arbitragem depois do jogo.

Da arquibancada, resta o orgulho de poder lutar ao lado de 10 gladiadores dentro de campo. Na tarde de hoje, foram todos como Kleber. Até Rivaldo, Marcio Araújo, João Vitor... Lutaram, brigaram, fizeram pouco da inferioridade numérica. O Palmeiras nem parecia ter um a menos: segurou a pressão, foi pra cima, criou mais chances, meteu bola na trave, exigiu grandes defesas do goleiro adversário. Vejam que curioso: mesmo com um a mais, os gambás sequer foram capazes de balançar a rede ou exigir algo de Deola.

Sim, houve ao menos duas falhas graves no gol de empate. Mas eu entendo que nem é o caso de culpar os responsáveis, e o mesmo se aplica a João Vitor. Os aplausos ao final foram o reconhecimento justo a um time injustiçado.

Perdemos lutando. Jogamos melhor com um a menos, enfrentamos o rival e a arbitragem, merecemos deixar o Pacaembu com a classificação. Nenhum título sujo pode ser maior do que a honra de deixar o estádio municipal com a cabeça erguida.

O resto vai da consciência de cada um.

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-Parabéns ao grande Luiz Felipe Scolari. Entrevista clara, direta, sem medo. Disse o que precisava ser dito.

-Por mais que os "erros" de arbitragem venham acompanhados de sentimentos como o de agora, eu prefiro ficar com a decência de torcer para um time que tem os juízes como inimigos e não como aliados.

-Na bola e sem a ajuda da arbitragem, este time de merda do SCCP não seguraria o nosso.

-12.05.1999 e 06.06.2000: vencemos nos pênaltis e na bola, sem ajuda de arbitragem. É só um lembrete.

-Parabéns à nossa diretoria por permitir a arbitragem deste maldito. Isso nunca aconteceria em um clube dirigido por Eurico Miranda.

-A irmandade com o Vasco vale até nesses momentos...

-Torcedor é aquele que vai ao estádio! Os demais devem ficar calados e deixar o futebol em paz! Tem muito imbecil falando merda!

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Chegaram até aqui? Pois então vejam a análise do Verdazzo, que está muito melhor que tudo isso que eu escrevi. Porque, admito, o ódio que sinto agora me impediu de escrever tudo o que eu gostaria.