29 setembro 2010

2 a 0! E foi pouco...


Uma análise superficial daria conta do seguinte: dois gols de falta (do mesmo jogador e um em cada tempo) deram ao Palmeiras a vitória de 2 a 0 sobre o Internacional. Não diz muito - aliás, não diz nada - sobre o que foi o jogo disputado nesta noite na aprazível Barueri (notem a ironia, por favor). A verdade é que engolimos o Inter, algo difícil de acontecer na história do confronto entre os dois clubes. Os dois gols foram muito pouco diante de tudo o que o time produziu, e Valdivia e Kléber bem mereciam deixar a Arena Barueri com gols, de tanto que lutaram - o camisa 10 em especial.

É aquilo que eu disse depois da vitória no Rio: se estivéssemos disputando um campeonato honesto, com mata-mata para definir o campeão, brigaríamos por esse título na hora certa. Esse time vai acontecer, e é de se lamentar apenas que os pontos corridos não permitam o embate entre os melhores na fase final (se quiserem, esse blog tem outros posts mais consistentes sobre o assunto).

De todo modo, há pelo menos três outros comentários necessários sobre o jogo desta noite:

1. Por favor, não me venham falar em "maldição do Pacaembu". Não caiam na balela da imprensa, que adora criar mitos contra o Palmeiras, tampouco se deixem impressionar pelo contraste entre a vitória de hoje e os maus resultados dos últimos jogos na cancha municipal. Não é por aí. O que acontece é que o time não estava encaixando boas atuações, e isso independe do estádio. Não sejam injustos; o Pacaembu nada tem a ver com os desacertos do time.

2. Barueri, 19h30 de uma quarta-feira? Quando enfrento situações assim, direciono meu ódio para as figuras que, em última instância, respondem por tal aberração. No caso específico, refiro-me ao crápula Ricardo Teixeira, este vagabundo filho da puta que sequer deve saber onde fica Barueri. Quase uma hora para chegar à marginal, Castello congestionada, pedágio obrigatório, combustível para os mais de 30km daqui até lá, trânsito na única via de acesso ao estádio, o carro que precisa ficar no meio da favela etc. Nada parece ajudar. Só mesmo o Brasil para dificultar tanto a vida do torcedor de futebol.

3. Para grande parte da torcida, é impossível chegar a Barueri às 19h30. Impossível. Se o sujeito não consegue sair mais cedo do trabalho e se não tem carro, simplesmente não chega. É impossível! Ainda assim, mais de 12 mil palestrinos foram até lá. 12 mil! É disparado o nosso maior público na Arena Barueri em sete jogos.

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Atualização importante: consegui entrar na Arena Barueri com o jogo já em andamento, lá pelos 8 ou 10 minutos. O trânsito de São Paulo, da Marginal e depois da Castello contribuíram bastante para isso, é verdade, mas o mais irritante foi o estrangulamento do fluxo na única via de acesso para quem vem a partir da Castello - como já relatado em comentários deste post, as pessoas ficaram paradas por alguns bons minutos na descida da rodovia para a cancha. Parte disso se deve ao fato de 90% dos motoristas optarem pelo primeiro acesso entre os galpões industriais, enquanto a melhor alternativa é, na verdade, o segundo.

Fica aqui a dica: ao sair da Castello, você pega a avenida Gupe, por entre os galpões industriais. O primeiro acesso para a avenida da Arena (Prefeito João Villalobo Quero) fica a cerca de 700 ou 800 metros, e todos os carros resolvem descer por ali, caindo inevitavelmente no tráfego parado até o estacionamento da Arena. O segredo é continuar por essa avenida até o fim; ela vai seguir por um trecho quase deserto e logo vira uma descida, chamada de rua da Bica, que vai descer até a praça em frente ao estádio. Uma vez lá, o jeito é largar o carro no meio das ladeiras e ruas apertadas da vizinhança - é bem mais seguro do que parece, embora seja quase inevitável ter de deixar algum trocado com a molecada que mora ali.

O mapa abaixo ilustra isso tudo:

26 setembro 2010

On the road (agora no Rio)


Depois do 3 a 1 sobre o Flamengo no Engenhão, caberia repetir agora o mesmo post de 10 dias atrás, quando fui a Porto Alegre buscar a vitória sobre o Grêmio. O sentimento é o mesmo, e é sempre bom vencer outro grande fora de casa, mais ainda quando existe uma rivalidade tão grande. Em sendo assim, o post On the road resume a sensação de deixar o Engenhão com a vitória pela primeira vez (mais ainda se considerarmos que, da última vez que lá estive, foi para ver o ato final de uma derrocada sem precedentes).

Em complemento a isso tudo, é preciso destacar que a dupla Fla-Flu vai penar muito sem o Maracanã (talvez tanto quanto o Palmeiras sem o Palestra). Porque o Engenhão tem um problema ainda maior do que parecer um feito de plástico: é um estádio sem alma.

Quanto ao Palmeiras, a vitória de ontem, grandiosa pela maneira como foi obtida e também pelas atuações destacadas de Kléber e Valdivia, reforça a minha certeza: este time vai acontecer em 2011. Em que pesem a inconstância e a vexatória campanha como mandante, temos agora o Palmeiras na oitava colocação. Sabem o que isso significa? Simples: quer dizer que se o Campeonato Brasileiro tivesse ainda um formato de disputa decente (com mata-mata no lugar dos malditos pontos corridos), estaríamos na zona de classificação para a fase final. Vejam só:

Fluminense x Palmeiras
SCCP x Brisa/PR
Bambis/MG x Santos
Internacional x Botafogo

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O Botafogo, pobre coitado, é um ex-time grande cujo único título importante foi conquistado de maneira fraudulenta, com uma das arbitragens mais incorretas de toda a história, em 1995 no Pacaembu. Não contente em ter a sua glória solitária advinda de um roubo, o ex-time grande foi lá e conseguiu um estádio do poder público. "Tem coisas que só acontecem com o Botafogo", não é o que dizem? Pois então, isso é só um folclore babaca para travestir situações como essas duas acima.

Mas aí, por menor que seja o clube carioca, é inacreditável que uma entidade chegue ao ponto de apresentar uma denúncia assim contra uma delegação adversário. É cretino, é bizarro, é inconcebível. O que fez o Botafogo ultrapassa qualquer limite do bom senso e apenas reforça o quanto eles se perderam na história. Imaginar que alguém possa acreditar na situação proposta pelos imbecis beira a insanidade. Chamar a imprensa para fazer as fotos de uma fraude é ainda mais desprezível.

Eu não vou entrar nos detalhes porque o Conrado já fez isso com mais propriedade lá no Verdazzo. Vou me limitar a dizer que o Botafogo, um ex-time grande, se expôs ao ridículo como nunca antes. Ouso dizer que nem os bichas do Jd. Leonor seriam capazes de algo semelhante.

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Pior que a estapafúrdia denúncia é o tratamento concedido por certos veículos da nossa mídia esportiva. Vejamos como o Lance!, aquele jornaleco esportivo sujo, noticiou o assunto, com direito a galeria de fotos: "Palmeiras suja o vestiário do Engenhão". Sim, o tom é acusatório mesmo, sem qualquer preocupação jornalística. É o Lance!, só podia ser. Porrada neles!

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*Todos chamam de Engenhão, mas o nome oficial é Estádio Olímpico João Havelange. E descobri agora, no fim de semana, que ele tem ainda uma terceira opção de nome: Rio Stadium (tá no ingresso e no site da famigerada BWA). Pode isso?

*Pra que serve a porra do Santos FC? Por que o time médio da Baixada sempre dá um jeito de complicar os campeonatos? Vejam que agora, em questão de três dias, perderam em casa para os gambás e foram ganhar dos bambis mineiros. Se fosse o contrário, a classificação do campeonato seria exatemente oposta à atual. Pra que serve o Santos FC?

22 setembro 2010

Devolvam o nosso estádio!

Painel FC, Folha de S.Paulo, quarta, 15.09.2010:

Cerco
A Associação Amigos da Pompeia encaminhou ao Ministério Público uma representação contra as obras da Arena Palestra. O dossiê contém fotos que, segundo os autores, mostram que a região não comporta um estádio para 45 mil espectadores, como consta do projeto palmeirense. A Promotoria anexou o material ao inquérito em andamento que nasceu de denúncia do Conselho de Segurança de Perdizes.

Ilhados. Um dos principais argumentos da associação é que, com o grande influxo de torcedores, em dia de jogo os moradores irão ficar sem acesso para Lapa, marginal Tietê e Centro.

A pé. Os moradores dizem que não são apenas os carros que prejudicam, mas a algazarra dos torcedores, que ocupam as ruas e atrapalham o trânsito de veículos.

Exemplo. Por fim, liderança da associação pergunta por que o Palmeiras não ergue sua arena em um local distante, como é o caso do Corinthians. Dizem que, se fizer isso, não prejudicará o trânsito de área já saturada.


Painel FC, Folha de S.Paulo, quinta, 16.09.2010:

Dividida
"Não é possível que os dirigentes tenham uma cabeça tão pequena que não vejam isso"
MARIA ANTONIETA DE LIMA E SILVA da Associação de Moradores da Pompeia, sobre a Arena Palestra e o caos no trânsito



Senhores,

O estádio Palestra Italia existe há mais de 70 anos, ocupando sempre o mesmo terreno, outrora em uma região pujante por suas indústrias e hoje em uma zona eminentemente comercial, epicentro dos bairros da zona oeste de São Paulo. O que cresceu em torno do Palestra foram a região, suas grandes avenidas e os bairros vizinhos, e não o contrário. Os moradores da Pompéia e de Perdizes, prósperos e honestos trabalhadores, convivem pacificamente com o clube durante todas essas décadas. Entre essas pessoas de bem, muitas das quais alguns amigos meus, há também gente de uma estirpe assim não tão digna. É o caso dos pulhas que compõem as duas organizações às quais deu voz o Painel FC, um tanto esquecido por aqui.

São elas a Associação Amigos da Pompéia e Associação de Moradores da Pompéia. Os dois grupelhos parecem ser a mesma merda – pela semelhança dos nomes e pelo posicionamento. Entre seus integrantes, há pessoas como a senhora madame Maria Antonieta de Lima e Silva, esta que tem o seu brado de indignação a estampar uma coluna supostamente nobre da Folha de S.Paulo.

Aproveito o ensejo para dizer que dissidências oportunistas costumam se valer de momentos de grande repercussão na mídia para aparecer e criar conflitos. São os casos tanto da madame Antonieta quanto das outras duas associações, uma das quais ela integra.

Fato é que os reclamantes vagabundos convivem com o Palestra e com a numerosa torcida palmeirense ao longo das últimas sete décadas. Resolveram protestar agora, dado que o momento é propício para oportunistas. E, claro, para fazer valer seus pretensos direitos, foram atrás do Ministério Público, este poder constituído que, longe de se preocupar com os interesses populares, faz mais questão de promover os nomes de seus valorosos promotores, alguns dos quais prováveis futuros candidatos a cargos eletivos.

Aí chegamos ao impasse atual: o Palmeiras não pode jogar no seu estádio porque ele deveria estar em obras, e elas não podem começar enquanto não forem vencidas as barreiras impostas pelos burocratas e oportunistas de plantão. Aliás, quanto a essas pendências, coube a um repórter da finada Rádio Jovem Pan a tarefa de escrever um texto bem fundamentado sobre a balbúrdia envolvendo laudos, perícias e demais pendências de ordem burocrática.

Nas notas pinçadas do Painel FC, vemos que os líderes do bairro sugerem ao Palmeiras que construa seu estádio em um local distante como, vejamos, Itaquera. Ora, ora, vejam vocês. Ignoram os canalhas que o estádio Palestra Italia está ali, erguido no mesmo local nobre, há sete décadas? Ignoram que aquela cancha já recebeu alguns milhares de jogos? Ignoram que o estádio viu crescer ao seu redor todos os pontos que atravancam o trânsito da região? Ignoram que a coletividade palestrina já frequenta a região antes mesmo que os consumidores de qualquer dos shoppings centers das redondezas? Ignoram que foram todos morar ali já sabendo da existência do estádio e das suas possíveis implicações?

Sim, ignoram isso tudo. E vêm com um discurso oportunista, em que falam inclusive sobre a “algazarra” dos torcedores, como se alguma possível insatisfação não existisse antes. O meu ponto é: se vão ficar reclamando os vagabundos moradores da Pompéia e se os burocratas do poder público vão apresentar empecilhos até que seja inviável a construção da Arena, é melhor então nos devolverem o estádio do jeito que ele sempre foi.

Porque aí, de volta à nossa casa, vamos poder mostrar efetivamente aos pulhas que dirigem essas associações e também à madame Maria Antonieta de Lima e Silva o que é uma verdadeira algazarra. Sim, a vida dessa gente pode se transformar em um inferno, e aí eles terão motivo para reclamar. Nem precisaremos de muito esforço.

É o caso de adotar isso até como estratégia para conseguir avançar com os laudos e essas coisas todas: devolvam o nosso estádio! A Pompéia não é assim tão grande e certamente não deve ser difícil descobrir onde se escondem esses pulhas das tais associações. Não deve haver mais de uma madame com o mesmo nome. Tampouco os dois grupelhos a quem a Folha deu abrigo devem ter assim tantos integrantes assim. Repito: não é assim tão difícil encontrar essa gente. E eles estão entrando numa guerra contra as pessoas erradas.

***

Dados relevantes:

O Bourbon Shopping, inaugurado em 2008 mesmo sem o Habite-se e sem os devidos laudos de impacto urbanístico, tem 210 lojas, 10 salas de cinema, teatro para 1.500 pessoas, restaurantes, praça de alimentação, centro de compras e 3.000 vagas de estacionamento. Recebe todos os dias, de segunda a segunda, sem exceção, até 60 mil pessoas e um número de carros que supera os três milhares, levando transtorno às ruas da região, das grandes avenidas Matarazzo e Pompéia até as vias menores. Aos finais de semana, invariavelmente, o trânsito da rua Turiassu fica congestionado por conta do movimento de entrada do shopping.

São números oficiais e constatações de quem frequenta a região. Só.

20 setembro 2010

Da história à realidade


Foto de Gabriel Uchida, do Fototorcida

O Palmeiras começou a perder o clássico de domingo ainda na quarta, no estádio Olímpico Monumental, quando Kléber, de maneira injustificada e inaceitável, foi reclamar com o juiz em virtude de um lance menor, quase insignificante. Cartão amarelo, o terceiro, e o Palmeiras ficou ali sem o sopro de sanidade em um ataque acéfalo. Tivemos de encarar o inimigo com um time descoordenado e sem qualquer sinal de inspiração, quase que sem atributos do meio para a frente, em que pese a atuação esforçada (e isolada) de Valdívia.

O que se viu no clássico do Pacaembu, com o grande Palmeiras incapaz de criar algo que fosse minimamente aproveitável no ataque, evidencia que não havia muito para onde avançar e que um gol do adversário, em uma jogada fortuita, haveria mesmo de destroçar o nosso time. O ponto é: se a ausência de um único jogador é suficiente para acabar com uma equipe, é sinal de que tem algo muito errado nessa história toda.

Quanto aos nossos dirigentes, chega a ser vergonhoso que um personagem como Gilberto Cipullo venha aos microfones de emissoras de rádio questionar a arbitragem. Porque, longe de esconder as deficiências do time e desviar o foco dos reais problemas, a postura do dirigente soa um tanto desesperada e retira um pouco do peso dos tantos e tantos roubos de que fomos vítimas contra essa corja maldita: o gol de mão da Imperatriz, o gol anulado de Max, a expulsão de Diego Souza no BR-2008, o pênalti inventado depois do passe do juiz na Libertadores-2006 etc. Isso tudo aconteceu, e deve ser lembrado sempre.

Ontem, no entanto, o máximo que se poderia dizer é que a arbitragem foi ruim e que a expulsão de Felipão é questionável – só! Sim, é verdade que todo juiz, por definição, deveria apanhar antes, durante e depois de qualquer jogo de futebol. É evidente. Mas não houve nada na atuação do trio que pudesse justificar a derrota sofrida ontem. O Palmeiras perdeu porque foi incompetente e inapto do meio para a frente. E o SPFW, com um mínimo de talento, chegou à vitória de maneira incontestável.

À torcida, resta a triste sina de fazer festas memoráveis e exaltar a própria história para então ver o time protagonizar vexames na sequência, que nos conduzem à atual campanha 4-4-4 em casa. Uma lástima. Enquanto isso, do outro lado, uma corja de oportunistas sem alma comemora vitória sem fazer nada por ela.

O time do Palmeiras, a cada dia mais, não merece a torcida que tem. E a festa que fizemos ontem, com faixa da Arrancada Heróica, mosaico representando as bandeiras da Itália e do Brasil e uma torcida que incentivou do início ao fim, merecia outro desfecho. Já há tempos, o Palmeiras dentro de campo não honra o time da Arrancada Heróica. E a torcida, de festa em festa e de frustração em frustração, vai se cansando de apenas reverenciar a própria história. É preciso pensar no que vamos deixar de história para nossos filhos e netos.

***

Parabéns à torcida. Foi uma festa à altura.
Parabéns, Palmeiras. Viva a Arrancada Heróica.

17 setembro 2010

Rastros de ódio

Os leitores deste blog devem ter notado que, nos últimos tempos, despencou o número de posts contra o time do Jd. Leonor. Em parte porque, um tanto marginalizados, eles reduziram os ataques oportunistas, mas especialmente porque surgiram outros – e mais maléficos – inimigos, no caso esses tantos canalhas sujos que têm despontado em virtude da maldita Copa de 2014. Acontece que é chegada a semana do Clássico do Ódio e, como se não fosse bastante, a gente diferenciada, visionária e arrojada do Jd. Leonor resolveu lançar mais um ataque ao futebol com alma.

Refiro-me ao tal filme sobre os títulos nacionais da escória leonor. Não, não vou abordar aqui os tantos roubos que permitiram algumas dessas conquistas. Não é o caso. O post diz respeito à mais recente tentativa de manipulação orquestrada por essa gente.

Qualquer clube, por escroto e desprezível que seja, tem direito de lançar seus próprios materiais de divulgação ou mesmo um filme para exaltar o que quer que seja. Vale até para o SPFW e aí a obra, é evidente, só poderia mesmo assumir caráter de ostentação, pois é só isso que sabe fazer a sub-raça alienada.

O problema todo, para além da ostentação, reside no uso que será feito desse material. Temos já um exemplo claro: a entrevista concedida pelo diretor do filme, um certo Carlos Nader, ao UOL. O texto ocupou posição de destaque na capa do portal durante a última segunda-feira. Sugiro aos senhores que tomem cuidado ao ler a matéria. Haverá momentos de ódio incontido, e eu, sem ironia, até agradeço ao tal cineasta bambi por reacender dentro de mim o sentimento que andava meio adormecido. Vamos aos pontos principais do texto:

1. “O amor pelo São Paulo é um elo, algo que passa de pai para filho.”

2. “É incrível a estrutura e organização que o time tem. A gente percebe que é real tudo aquilo de que sempre ouvimos falar.”3. “O São Paulo tem a cidade que lhe empresta o nome, é muito ético, trabalhador, esforçado.”

4. “Os títulos nunca vieram de forma fácil. Sempre foi necessário muita garra e trabalho, esforço coletivo.”

Sim, vocês leram isso. Os canalhas estão tentando reescrever a história, criando uma identidade que não existe e que contradiz tudo aquilo pelo qual são conhecidos. Pior: vão contra toda a propaganda que sempre fizeram, em uma tentativa grotesca de reconstruir a própria identidade, como se isso pudesse ser feito por imposição.

O SPFW, tido e havido como um clube arrogante, avesso aos sofrimentos e sempre disposto a mamar nas tetas do poder público, vem agora posar de entidade sofredora, tradicional e esforçada? Logo o SPFW, que ganhou terreno e estádio do poder público? Logo o SPFW, que nunca conquistou um título no último minuto, que nunca precisou da sua torcida para nada, que sempre desdenhou do sofrimento alheio? Logo o SPFW, que sempre fez o marketing das vitórias fáceis?

Logo a sub-raça alienada que tentou roubar a nossa casa? Logo a escória que foi expulsa pelos italianinhos? Logo a sub-raça alienada que fugiu de campo em 20 de setembro de 1942? Logo a sub-raça que roubou a casa do Germânia? Logo o clube de laços fraternos com o poder público? É isso mesmo?

“Ético, trabalhador e esforçado”? “Os títulos nunca vieram de forma fácil”? “Garra? Trabalho? Esforço coletivo?” Como um único cretino pode dizer tanta besteira em uma só entrevista? Como pode querer reconstruir uma identidade que é o oposto disso tudo?

Se a segunda frase que eu destaquei lá no alto (sobre organização e o caralho) procura apenas referendar os dirigentes leonores como uma gente visionária, pioneira e diferenciada, a primeira é de uma canalhice sem tamanho. Vejamos, uma vez mais: “O amor pelo São Paulo é um elo, algo que passa de pai para filho.”

Porra, tudo o que não se pode dizer da torcida do SPFC é que exista uma herança familiar. É notório que as gerações de 1992-1994 e 2005-2008 são compostas por moleques que desvirtuaram do caminho imaginado pelos pais. São moleques, muitos sem caráter, que não torcem pelo mesmo time dos pais. É uma massa gordurosa e amorfa, que só pensa no oportunismo de poder ostentar o que desconhece e que veste a camisa não de um clube de futebol, mas de uma porra de uma grife idealizada por mentes sujas.

Esqueçam, leonores. Identidade não se constrói de uma hora para a outra. E alma não se compra. Vocês são a escória do futebol, e isso não muda assim tão facilmente.

Pacaembu, 20 de setembro de 1942.
Pacaembu, 19 de setembro de 2010.

É domingo! Voltaremos ao palco da fuga do nosso inimigo e da Arrancada Heróica. É guerra! É ódio! É pela honra! E aqui é Palestra!



Silêncio até domingo. É guerra! É pra chegar bem cedo ao Pacaembu.

***

"Rastros de ódio”, o título deste post, é a tradução brasileira para o clássico “The searchers” (1956), uma obra-prima de John Ford. Sempre quis escrever algum texto que pudesse ter esse título, até porque sempre admirei a escolha do Seo Cruz pelo título “Meu ódio será tua herança” em um post particularmente inspirado contra a sub-raça alienada.

16 setembro 2010

On the road


Muita gente me pergunta por que eu dedico tanto tempo, dinheiro e esforço para ver o Palmeiras jogar fora de casa, mesmo nos maus momentos. O questionamento vem quase sempre envolto em um inconformismo indissolúvel e às vezes acompanhado de um tom de repreensão prévia, como se fosse impossível explicar racionalmente tal empreitada. Talvez não seja mesmo; como tudo que fazemos pelo Palmeiras, essa dedicação pertence ao terreno da emoção pura. No entanto, se preciso fosse, eu diria que uma noite como esta que eu vivi no Olímpico encerra qualquer debate.

Poucos sentimentos na vida são tão bons quanto participar ativamente de uma vitória fora de casa. Só entende isso quem já foi visitante contra um estádio lotado, quem já encarou uma multidão na base do grito e do amor pelo clube. Só entende quem deixou a sua cidade e seguiu até a cancha do adversário para arrancar a vitória e trazer três pontos para casa.

Ser visitante é dos maiores prazeres que eu tenho como torcedor. É se reconhecer como minoria e ter de cantar por todos os que não podem estar junto. É ser a voz de milhões de torcedores em um pedaço de cimento isolado por grades e cercado por inimigos. É estar ao lado do time não porque você acredita na vitória, mas porque sabe que precisa estar ao lado dele quando a derrota parece ser o mais provável. É representar uma nação, é ser a massa em tão poucos, é empurrar o time contra tudo e contra todos. É sofrer com a polícia de outro estado, com o cenário adverso, com as pressões e agressões que vêm de todos os lados.

É, em minoria absoluta, calar todo um estádio. Poucas coisas na vida podem ser tão boas quanto silenciar a maioria adversária.

A vitória, quando vem, toma uma proporção enorme, capaz de curar as mágoas de partidas anteriores e de criar ilusões que, por mais que possam cair no jogo seguinte, se sustentam ao menos até a próxima rodada. A volta para casa é repleta de satisfação. É o sentimento de um guerreiro que vai para uma batalha distante e retorna para casa com o inimigo a seus pés. Ninguém pode tirar isso do coração. É ir, vencer, representar todos os amigos e os guerreiros de arquibancada e voltar sabendo que será recebido como um vencedor.

Quando comecei o dia de hoje, bem cedo, tinha o privilégio de ter buscado a vitória muitas e muitas vezes em inúmeros campos do interior paulista, no Paraná, no Maracanã, no Mineirão, na Vila, em Recife, em tantas outras canchas do Brasil. Faltava o Olimpico. Não falta mais.

***

Não vi nada - só ouvi no rádio, enquanto voltava do aeroporto -, mas preciso fazer três comentários sobre a rodada:

1. O Fluminense é desprezível;

2. Moleque vagabundo precisa tomar tapa na cara faz tempo. Fizeram o que fizeram, defenderam o indenfensável e aí criaram um monstro. Eu estava para escrever sobre a choradeira desta semana, colocando o tal moleque vagabundo como uma pobre vítima dos maldosos adversários. O moleque mimado acreditou na historinha que inventaram. Deu no que deu. Tapa na cara: só isso resolve.

3. Quer dizer que o Santos FC levou ontem 3 mil pagantes à Vila?

***

Mais observações relevantes, mas então sobre o jogo:

1. Não tenho em mãos esse tipo de estatística para comprovar a afirmação, mas me atrevo a dizer que o Palmeiras é o time grande que mais sofre o “gol de honra” nos minutos finais depois de segurar o 2 a 0 no placar.

2. A torcida do Grêmio é realmente notável. Foram quase 40 mil no Olímpico (com ingresso a R$ 40), festa pelo aniversário do clube, homenagens a Felipão, incentivo durante todo o jogo. E o entorno do estádio Olímpico é dos mais agradáveis para uma torcida se concentrar.

3. Grêmio e Inter, com histórias bem menos grandiosas, fazem em seus museus e memoriais o que o Palmeiras deveria fazer já há tempos. É inacreditável a inaptidão da diretoria palmeirense no sentido de preservar e divulgar a sua história. Ontem, antes do jogo, visitei o Beira-Rio (tour pelo estádio e museu) e o memorial do Grêmio. Os dois clubes estão muito à frente do que podemos imaginar, e os projetos de sócio-torcedor fazem o Avanti nos deixar com ainda mais vergonha.

4. Algo me diz que o Inter vai saber aproveitar essa tal adequação da Copa com certa dignidade, sem destruir o seu estádio e sem perder a sua alma. A conferir.

13 setembro 2010

Buenos Aires, onde vive o futebol


Muitos foram os amigos, conhecidos e também desconhecidos que manifestaram algum tipo de interesse pela minha maratona de futebol em Buenos Aires. Alguns enviaram perguntas e não é de todo desprezível o número de leitores que desejam fazer algo parecido. Para esse público - e considerando que os guias tradicionais se limitam a informações meramente turísticas e restritas ao centro da capital argentina -, decidi escrever um post que traz as coordenadas mais relevantes para qualquer tipo de excursão às canchas portenhas. Pode ser útil, ainda que, entre as tantas atrações de Buenos Aires, você queira ver apenas um jogo por lá.


-A tabela e a escolha dos jogos

São dois campeonatos por temporada: o Torneo Apertura (de agosto a dezembro) e o Clausura (de fevereiro a junho). Os dois vencedores são considerados campeões do ano. A AFA, a CBF de lá, costuma divulgar as tabelas cerca de um mês antes do início da competição. Fica difícil, portanto, fazer programações muito antecipadas para as primeiras rodadas - nesses casos, convém checar o calendário para evitar as datas FIFA, quando os clubes não jogam. A tabela divulgada pela AFA traz os jogos divididos por rodadas, mas sem os dias e horários. A definição acontece uma semana antes, de acordo com os interesses da emissora de TV estatal, e a divulgação é feita no site da entidade.

Como é preciso fechar a viagem com mais antecedência, somente será possível saber quais os jogos da data escolhida; dias e horários serão conhecidos quase na véspera. A julgar pelo número de jogos e pela concentração de equipes na região metropolitana, é quase certo que você conseguirá montar um bom roteiro.

Em geral, costuma ser essa a divisão das rodadas: 2 jogos às sextas (19h e 21h10), 4 jogos aos sábados (14h, 16h10, 18h15 e 20h20) e 4 aos domingos (14h, 16h10, 18h15 e 20h20). Eventualmente, a AFA transfere uma das partidas de sexta para domingo às 11h ou mesmo para a noite de segunda-feira. De toda forma, os duelos são realizados sempre em horários diferentes, todos com transmissão pela TV. Em geral, entre sete e oito acontecem em Buenos Aires e nas cidades vizinhas.


-Os clubes
Dos 20 clubes que disputam hoje a primeira divisão do futebol argentino, 14 têm sede em Buenos Aires ou nas cidades vizinhas, todas elas servidas por transporte público a partir da Capital Federal. São eles Boca, River, San Lorenzo, Racing, Independiente, Vélez Sarsfield, Argentinos Juniors, Huracán, Arsenal, Quilmes, Banfield, All Boys, Lanús e Tigre. Os outros estão assim divididos: Estudiantes e Gimnasia são de La Plata (merece um comentário a parte, logo adiante); o Newell's é de Rosario; o Olimpo, de Baia Blanca; o Colón, de Santa Fe; e o Godoy Cruz é de Mendoza. Com exceção de La Plata, todas as outras cidades ficam a distâncias consideráveis da capital e pediriam uma viagem à parte. La Plata, por sua vez, fica a cerca de uma hora do centro de Buenos Aires e é possível chegar até lá usando o trem, o mesmo que leva às cidades e aos clube do sul. No entanto, para encaixar Estudiantes ou Gimnasia na maratona é preciso estudar bem a tabela e os horários. Considerando sete horas entre ida, volta e o jogo em si, convém pegar um jogo lá às 14h para depois encarar o seguinte às 20h20 na Capital Federal.

É importante notar que há mais em Buenos Aires do que os 14 times da elite. As divisões inferiores ampliam as opções, e algumas canchas menores são bastante interessantes - não pelos jogos em si, mas pelas torcidas. As tabelas podem ser encontradas nos sites da AFA ou do jornal Olé. Sugestão: tente encaixar jogos 'menores' na sua viagem, preferencialmente do Nueva Chicago, do Ferro Carril Oeste ou do Chacarita. Atlanta, Dock Sud, Almirante Brown, Defensores de Belgrano (não confundir com o Belgrano de Córdoba) e Barracas Central representam opções ainda mais alternativas, mas aí o perigo é maior, em especial para estrangeiros, já que as canchas ficam em zonas por demais afastadas.


-Os ingressos
Reside aqui o maior problema.

Eu comprei todos antes do jogo, nas bilheterias mesmo. Custam de ARS 35 nos jogos de divisões inferiores a ARS 50 nos setores populares dos times grandes. Os barra bravas normalmente ficam no setor popular ou na generale (não precisa traduzir, né?). É bem complicado conseguir ingressos para esses setores nos grandes estádios, e mais fácil nos pequenos. De toda forma, chegando antes a Buenos Aires, é interessante correr atrás dos ingressos (os sites dos clubes informam os locais de venda). Como eu fui na primeira rodada, consegui comprar sempre pouco antes dos jogos, mas é pouco provável que isso aconteça em partidas mais decisivas e especialmente nos clássicos.

Os clubes pequenos ainda vendem ingressos em papel mesmo, e eles são rasgados pelo bilheteiro na entrada. Os grandes têm cartões magnéticos. Até onde eu sei, não há qualquer tipo de sistema eletrônico ou de venda com cartão de crédito, como acontece por aqui. No entanto, clubes como Racing, River e Boca têm grande parte das entradas já comprometidas: elas são dos sócios do clube.


-A parte aérea
Cerca de 30 voos diários ligam São Paulo e Buenos Aires. É possível também seguir para lá a partir de outras capitais brasileiras (com voos diretos): Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis - das outras capitais, é possível comprar as passagens com escala, normalmente em GRU (Guarulhos/SP) ou GIG (Galeão/Rio). Para conferir os preços e horários, basta ir direto aos sites das companhias aéreas que fazem a rota: TAM, Gol, Aerolineas Argentinas, LAN, British Airways, Lufthansa e Qatar. Se você preferir, pode também utilizar suas milhas nos programas de fidelidade - foi o que eu fiz. Tanto no Multiplus Fidelidade, da TAM, como no Smiles, da Gol, é possível resgatar cada um dos trechos por 10 mil pontos (20 mil ao todo). Durante a baixa temporada, pode haver promoções com cada trecho valendo 6 mil pontos.


-De EZE para o centro de Buenos Aires
O aeroporto Ministro Pistarini (Ezeiza) fica a 22km do centro de Buenos Aires. Por mais que o táxi seja barato, a melhor opção de chegar à Capital Federal é utilizando os serviços da Manuel Tienda Leon, que tem linhas de ônibus executivos para o Terminal Madero (perto da estação Retiro, a mais importante do sistema férreo), para o Aeroparque (o outro aeroporto, central, mas apenas com voos regionais) e para os hotéis do centro. São ônibus executivos, ao custo de 45 pesos (ida) e 85 pesos (ida e volta). Você vai localizar o guichê da Manuel Tienda assim que desembarcar, do seu lado esquerdo, junto às companhias de táxi. Para chegar ao ônibus, é só seguir sempre à esquerda na saída do terminal.

Uma dica: quando o ônibus estiver ainda na estrada, 4km ou 5km depois de deixar o aeroporto, você vai enxergar do lado esquerdo de quem segue para Buenos Aires (e do lado direito na volta) o CT da seleção argentina, com vários campos de treinamento. As primeiras mensagens de apoio à seleção (em especial de patrocinadores como Quilmes e Claro) já vão aparecer ali.

Os ônibus param no Terminal Madero, em uma das entradas para Porto Madero. É uma região central e portuária, mas não turística - os hotéis ficam longe dali. Por uma taxa extra, uma van te deixa no seu hotel (ou hostel). Se preferir, dá para caminhar uns 500 metros e, na estação Retiro, pegar o Metrô.

Vi na internet que existiria uma linha de ônibus ligando Ezeira a La Boca por módicos ARS 2. Não sei se procede, mas, ao que parece, seria uma viagem com mais de duas horas de duração, três vezes o tempo que se gasta nos ônibus da Manuel Tienda.


-Onde ficar
Os guias de viagem vão indicar hotéis caros, mas esta é uma viagem para se fazer no esquema low budget (e provavelmente sozinho ou acompanhado de algum amigo igualmente louco). Em sendo assim, um hostel é a melhor opção (você pode procurar no Hostel World). Eu recomendo o Suites Obelisco, na Corrientes, a 150 metros da 9 de Julio e do Obelisco. É a melhor localização possível: além de todos os pontos turísticos nas proximidades, você está perto de quatro estações de metrô, de duas linhas diferentes. O fato de haver muitos grandes teatros no mesmo quarteirão (dizem que é a Broadway portenha) é irrelevante, a não ser por deixar a região movimentada mesmo durante a madrugada e pelos muitos bares e restaurantes vizinhos. É garantia de ter onde comer (e beber) a qualquer hora. Além de muitas pizzarias e parrillas, você tem a poucos metros dali um McDonald's e um Burger King - ambos funcionam 24 horas por dia, o que resolve qualquer problema quando você voltar tarde dos jogos.


-Onde comer
O que temos aqui é mais um desabafo que propriamente um tópico com indicações gastronômicas. Em primeiro lugar porque não tenho tal pretensão, mas essencialmente porque a seção “Onde comer” é claramente a parte que eu desprezo nos guias de viagem. Tenho verdadeira obsessão por publicações de turismo, mas o “Onde comer”, na minha concepção, é um equívoco. Sei que vou fugir um pouco do assunto, mas é só aqui que eu posso escrever certas coisas, de tal modo que me permito abrir um parêntese:

Quando o assunto é alimentação, o que os guias trazem é normalmente uma relação de restaurantes estrelados (e caros) ou de estabelecimentos que estão, me perdoem o uso da expressão vulgar, “na moda”. Merecem o meu desprezo, estes e aqueles. “Guia Michelin”? “Chefs premiados”? “Combinações grotescas de comida doce e salgada”? “Ingredientes importados da Noruega”? Isso tudo eu traduzo da seguinte maneira: um cozinheiro babaca inventou um prato com duas ervilhas, três gnocchis e um molho agridoce nojento, cobrou um preço extorsivo e um monte de idiota se dispôs a pagar para comer essa tranqueira e depois se dizer dono de um paladar sofisticado. Notem que qualquer guia de turismo que pretenda apresentar São Paulo para gringos vai priorizar a indicação do D.O.M. ou do Fasano a qualquer dessas tantas cantinas maravilhosas (e honestas) que temos por aqui. Dá pra levar a sério?

Feito o desabafo, tenho a dizer, por fim, que as indicações de restaurantes em qualquer matéria ou guia de turismo tendem para a recomendação pessoal. É fato que o autor vai sempre indicar aqueles restaurantes que ele visitou, de tal modo que seguir as sugestões à risca implica em viver o mesmo roteiro vivido pelo sujeito. Em sendo assim, limito-me a dizer que Buenos Aires tem bons restaurantes a cada esquina (ao menos na área central) e o melhor roteiro gastronômico é aquele que fica no caminho de cada turista. Há boas opções por todos os lados e você sempre vai encontrar um lugar honesto, daqueles que servem refeições tipicamente argentinas (leia-se carne) por ARS 35 ou ARS 40 por pessoa.

Não cabe, portanto, fazer indicações. Você vai encontrar boas opções esteja onde estiver em Buenos Aires. Não se preocupe em conhecer nada do que possam te indicar em termos de alimentação. Certamente não será melhor que as opções que você vai encontrar no seu caminho. Para fechar o assunto, no entanto, permito-me fazer duas indicações:

1. Nos estádios, não deixe de consumir o choripan vendido nas barraquinhas sujas das imediações. São os equivalentes locais dos saudosos sanduíches de pernil e calabresa (aqueles que a bicha do Kassab proibiu) dos nossos estádios;

2. Você terá de obrigatoriamente trazer alfajores para a sua família. Lojas da Havanna existem aos montes, mas elas são encontradas também aqui em São Paulo. Em assim sendo, recomendo a marca Abuela Goye. Além de melhores, não são achados no Brasil. Há duas lojas dessa marca na Florida (uma delas na Galeria Pacifico).


-O câmbio
Um peso argentino (ARS) vale hoje algo como R$ 0,43. Para efeito de conversão imediata, no entanto, sugiro considerar a proporção de 2 pesos para 1 real. Basta dividir o valor das compras por dois e você ainda saberá que está na verdade pagando menos do que isso.


-Transporte público
Além do câmbio favorável ao brasileiro, os preços do transporte público na Argentina são irrisórios. O Metrô custa ARS 1,10 e o ônibus pode custar no máximo ARS 1,20. Ou seja, paga-se cinco vezes menos do que o que estamos acostumados em uma cidade como São Paulo. É importante fazer algumas observações pontuais:

Metrô
São seis linhas principais, uma mais extensa (e movimentada) no sentido norte-sul, quatro no leste-oeste e uma última, menor, também de norte a sul. Este mapa aqui está bem desenhado. O importante a se notar é: a linha C, a mais antiga, segue o traçado da av. 9 de Julio e reúne duas das estações mais importantes (Retiro e Constitución). Estas têm grandes estações de trem suburbanos, servindo as outras cidades da região metropolitana. As linhas leste-oeste seguem o traçado de avenidas como Santa Fe, Cordoba e Rivadavia. Parecem extensas, mas não chegam nem perto das áreas periféricas.
Seja como for, você vai pagar sempre ARS 1,10 no Metrô e pode ficar lá o tempo como quiser, como acontece aqui em SP. A diferença é que os trens são sujos, alguns velhos e barulhentos - e eu estou longe de encarar isso com problema. O Metrô pode até não te deixar na porta das canchas, mas certamente pode cortar caminho e te deixar mais próximo delas.

Ônibus
Não existe tarifa única. Você pode pagar entre ARS 0,75 e ARS 1,25 a depender do trajeto. Ao entrar no ônibus (pela porta da frente), você informa ao cobrador quanto vai pagar; ele digita o valor no painel ao lado e você precisa depositar as moedas em uma caixa coletora logo atrás dele. Sim, você precisa obrigatoriamente ter moedas para pegar um ônibus. Aí vem a outra pergunta: como saber o valor a pagar? Bom, isso depende do trecho percorrido e uma tabela na entrada do ônibus determina isso. Como eu nunca consegui fazer as contas a tempo de comunicar o valor ao motorista, sempre informei a mesma quantia: ARS 1,10. Não desperta suspeita e você fica com a consciência tranquila.
Quanto aos veículos, são velhos e com decoração espalhafatosa por fora, mas bem conservados por dentro. E o sistema funciona bem; mais do que os nomes dos bairros, você deve atentar para os números de cada coletivo.

Trem
As duas grandes estações são Retiro (ao norte) e Constitución (ao sul), quase no Riachuelo. Os trens têm horários mais espaçados que o Metrô, mas as informações são razoavelmente claras e os preços, tão baratos quanto os do Metrô (a partir de ARS 0,70). O pagamento é feito nos mesmos moldes do ônibus: de acordo com o percurso. Para o sul, a partir de Constitución, há quatro linhas diferentes. Entre outros lugares, elas levam a Avellaneda (Racing e Independiente), Sarandí (Arsenal), Lanús (Lanús), Banfield (Banfield) e Quilmes (Quilmes).

Horários
Ônibus: 24 horas por dia (ao menos as linhas principais).
Metrô: cuidado! Ele para de funcionar bem cedo, lá pelas 22h30.
Trens: é bom consultar o horário de parada em cada estação, mas os últimos trens chegam a Buenos Aires por volta de 23h50.


-Como se localizar
Celulares com GPS são uma boa opção para se locomover em Buenos Aires (e em qualquer cidade do exterior). Se você não tiver, convém andar sempre com um guia de bolso (recomendo o Top10 Buenos Aires da Publifolha) e com um bom mapa. Mas atenção: não vale qualquer mapa da região central. Em uma viagem como essas, onde a prioridade são os bairros e cidades periféricos, vale mais um mapa que dê um panorama geral da cidade e que apresente os outros distritos. Dica infalível: ao chegar em Buenos Aires, vá a qualquer banca de jornal e peça o Guia T. É um livrinho que traz, além de mapas da cidade, o itinerário de todas as linhas de ônibus. Há duas opções: um de ARS 14 e outro de ARS 25. Compre o de ARS 25 (em espiral), que traz informações de toda a região metropolitana.
Dá para chegar a qualquer cancha usando ônibus, Metrô e trem. Eventualmente você terá de percorrer distâncias consideráveis para chegar a campos mais afastados.

De todo, vale tomar nota de algumas informações:
Buenos Aires, a Capital Federal, é uma Ciudad Autônoma. Mas não é a capital da Província de Buenos Aires, posição ocupada por La Plata. Ao sul, o rio Riachuelo divide BsAs das outras cidades, entre as quais Avellaneda, Quilmes e Lanús. Importante: estas últimas são cidades e não bairros (como alguns costumam apontar). Bairros são Boca, Nuñez, Belgrano, Mataderos, Floresta, Almagro, Recoleta, San Telmo etc. O que está abaixo do Riachuelo e a oeste da avenida General Paz são outras cidades.

-Advertências, dicas e conselhos
-É importante deixar claro que essa viagem não é um turismo convencional. Ao encarar certas canchas - e localidades afastadas -, você está correndo riscos. O problema maior não envolve brigas de torcidas, mas sim eventuais assaltos.

-Por mais experiente que você seja em estádios brasileiros, você é estrangeiro lá. E os hinchas vão perceber isso, em especial nos clubes de bairros, onde todos se conhecem. Nos jogos de River, Boca, Racing e Independiente, fica mais fácil não ser notado. A cancha do Vélez é mais tranquila. No San Lorenzo, outro grande, o que inspira cuidados é a vizinhança: o estádio Nuevo Gasometro é cercado por favelas. Os duelos menores são mais tranquilos se vistos durante o dia; a noite deixa tudo mais complicado.

-Não espere encontrar táxis depois dos jogos. É tarefa das mais complicadas, em especial nas canchas afastadas.

-Procure manter certa distância dos barra bravas. Nunca entre no meio da festa, não ocupe o espaço deles, não queira parecer um nativo. É melhor ficar à distância, observar a maneira como eles se comportam e não correr riscos.

-Discrição. Sempre. Nada de camisas de times, de roupas que possam demonstrar algum vínculo com o Brasil ou qualquer sinal de ostentação.

-Evite levar sua máquina fotográfica. A tentação de ter uma foto em cada estádio é grande, eu entendo, mas o risco não compensa. Evite se denunciar como turista nos estádios. Eu mesmo não levei a minha logo depois de perceber, no jogo do Arsenal de Sarandí, que não eram nada amistosos os olhares de alguns moleques por ali.


Sites úteis
Já indiquei quase todos ao longo do post. Vou utilizar este item para uma recomendação final, bem focada nos loucos que quiserem fazer o mesmo roteiro que eu. A questão é que, além de todas as dicas acima, é preciso conhecer algumas particularidades do futebol portenho. Refiro-me ao histórico de cada torcida e às rivalidades existentes entre elas. O site BarraBravas é o melhor local para isso. Lá, na página de cada clube, você encontrará um breve histórico da torcida, os apelidos, as amizades, as maiores rivalidades, os ônibus que passam perto do estádio, fotos e até mesmo as rádios que transmitem as partidas do clube. E o melhor de tudo: o site lista todas as principais brigas envolvendo as torcidas (onde, contra quem, qual o resultado). Coisa linda.


É isso! Espero ter sido útil para quem quiser fazer a mesma loucura. Se alguém tiver dúvidas específicas sobre algum ponto ou se quiser indicações sobre alguma cancha ou clube ou mesmo sobre como chegar a qualquer lugar por lá, fico à disposição pelos comentários aqui no blog ou pelo email forza.palestra@yahoo.com.br


De novo: a matéria publicada na Placar de setembro.



06.08.2010, sexta, 21h10
Arsenal 1-2 Lanús
El Viaducto, Sarandí



07.08.2010, sábado, 15h30
Nueva Chicago 1-1 Villa San Carlos
Nueva Chicago, Mataderos, Buenos Aires


07.08.2010, sábado, 20h20
Racing 1-0 All Boys
El Cilindro, Avellaneda


08.08.2010, domingo, 14h
River Plate 1-0 Tigre
Monumental de Nuñez, Buenos Aires


08.08.2010, domingo, 18h15
Vélez Sarsfield 1-0 Independiente
Jose Amalfitani, Liniers, Buenos Aires

12 setembro 2010

Um time irritante

Já vimos o Palmeiras em campo com times que nos deixavam envergonhados. Já vimos jogadores descompromissados, sem caráter e sem dignidade. Já vimos times com nível técnico abaixo do aceitável, já passamos por situações vexatórias, já encaramos derrotas que ficaram marcadas por toda a vida. Nada parece suficiente para surpreender o palmeirense, mas este time atual, longe de ser ruim ou incapacitado, está entre os mais irritantes que já tivemos. Não há vergonha, inconformismo ou mesmo revolta que supere a irritação que estes jogadores provocam no torcedor a cada jogada desperdiçada, a cada passe errado, a cada gol perdido.

Este 0-0 contra o Vasco certamente é menos vexatório que a inaceitável derrota sofrida para os marias na semana passada, mas imagino que outros palmeirenses devem ter deixado o Pacaembu tão irritado quanto eu. Porque não dá para entender como tantos lances podem ser desperdiçados de maneira cretina pouco antes de se transformarem em uma oportunidade de gol. É nego que, no último minuto, tropeça na área e desaba antes de a bola chegar, é bola que fica rodando de pé em pé sem que alguém se apresente para a finalização, é drible errado, é lançamento no pé do zagueiro, é o escambau. Tudo parece dar errado e o torcedor só se irrita a cada nova tentativa grotesca.

Veio mais um empate. Mais um fracasso em casa. Mais uma vergonha. O Palmeiras tem 4 vitórias, 4 empates e 3 derrotas nos 11 jogos que fez em casa. 4 vitórias em 11 jogos?! Uma campanha desprezível, inaceitável e incompatível com a nossa história. Isso pesa mais até que as 11 igualdades ao longo do campeonato, já que sete delas vieram na condição de visitante. Os empates e derrotas em casa, cada qual com uma história mais irritante, são o que de pior pode existir neste ano perdido - mais um!

***

1997, Campeonato Brasileiro, Final
Palmeiras 0-0 Vasco. 54.243 pagantes
O time: Velloso; Pimentel, Roque Jr., Cléber e Júnior; Rogério, Marquinhos, Alex (Oséas) e Zinho; Euller (Edmílson) e Viola. DT: Luiz Felipe Scolari.

Vasco 0-0 Palmeiras. 89.900 pagantes
O time: Velloso; Pimentel, Roque Jr. Cléber e Júnior; Rogério, Galeano (Marquinhos), Alex (Oséas) e Zinho; Euller e Viola (Cris). DT: Luiz Felipe Scolari.

Tudo bem que Felipão não era o comandante do time no assustador empate de São Januário, no turno, mas não pude deixar de pensar nos dois jogos de 1997 enquanto me irritava a cada erro dos nossos jogadores na tarde de hoje no Pacaembu.

Duas conclusões disso tudo:

1. Evitem comparar os times;

2. Felipão chegou no segundo semestre de 1997. Pegou um time destroçado depois da derrocada no Paulistão daquele ano e foi com ele até a fase final do Brasileiro. Foram 10 vitórias, 10 empates e 5 derrotas, incluindo aí insucessos em casa contra Criciúma (0-1), Bahia (1-1), Portuguesa (0-0) e Goiás (3-3). Acontece que era um campeonato digno, havia uma fase final e o sétimo colocado Palmeiras foi ao quadrangular decisivo para, depois de cinco vitórias e um empate contra Internacional, Atlético/MG e Santos, chegar à referida final.

A questão é: um resquício de otimismo me obriga a considerar a trajetória de 1997 (e os anos seguintes sob o comando de Felipão) como parâmetro. Porque, do contrário, eu poderia lembrar que, em 2002, fomos rebaixados com nove empates em 25 jogos, seis deles em casa. Agora, em 2002, já são 11 em 21.

***

Pra fechar, uma foto em reconhecimento ao palmeirense - não do jogo de hoje, mas do vexame contra o maldito Cruzeiro na semana passada. Depois de 22 mil pagantes diante dos marias, tivemos hoje mais de 15 mil pagantes, uma demonstração de que o palestrino está se esforçando além da conta para acreditar no time.

09 setembro 2010

"Verde que te quero ver"

O desgosto maior não é ver o desarranjo do time em grande parte do jogo contra os comedores de calango, as trapalhadas da defesa ou o sofrimento do isolado Kléber no ataque. Tampouco é saber que empatamos 10 de 20 jogos no campeonato - e só vencemos cinco. O desgosto maior não é essa campanha medíocre ou a classificação atual do campeonato, nem mesmo a vexatória derrota de domingo no Pacaembu - resolvi, depois de voltar da cancha municipal, não escrever sobre isso no blog para evitar problemas. O desgosto maior, ao menos no meu caso, é ver o Palmeiras entrar em campo mais uma vez com essa ridícula e ofensiva camisa amarela. É um crime contra a nossa história. E prometo que faço esse registro pela última vez.

Para recuperar um pouco da nossa dignidade, deixo aqui a indicação de um vídeo muito bem produzido e editado, obra de profissionais que se deram ao trabalho de investigar a alma palestrina. Tive o privilégio de passar algumas breves dicas e, mais que isso, indicar o melhor personagem possível para falar sobre a história e as tradições do nosso Palestra: o grande amigo Fernando Galuppo. Em meio a tanta tranqueira sobre futebol que nego produz por aí, o vídeo produzido para o projeto Brasileirão Petrobras merece enorme destaque. Vai na alma do palestrino. Confiram:



Outra indicação de inestimável valor histórico: Campeoníssimo.

***

*O Palmeiras é o time que menos perdeu fora de casa (duas derrotas em 10 jogos). Eu trocaria o monte de empates fora por uma campanha digna na nossa casa. Só isso.

*O título do post, talvez seja preciso explicar, é assumidamente copiado do título dado ao vídeo que eu indico acima. Verde. É a nossa cor. É a cor da nossa camisa.

03 setembro 2010

Maratona em Buenos Aires

Alguns de vocês devem ter notado que eu ensaiei escrever os posts sobre o meu fim de semana de futebol em Buenos Aires e acabei não fazendo isso. Não foi por desleixo; foi por um motivo bem mais nobre, conforme se pode observar logo abaixo, nas duas páginas escaneadas da edição de setembro da revista Placar, que acaba de chegar às bancas (e aos assinantes, no meu caso):




Sim, é gratificante saber que outras pessoas têm pelo futebol a mesma devoção que eu - e que a 'pauta' recebeu um tratamento tão especial de uma revista como a Placar. E é ainda melhor poder dividir essa minha experiência única com mais gente e em um espaço tão nobre assim. Gostaria de compartilhar com todos vocês, poucos e bons leitores, que aguentam as minhas insanidades por aqui, esta pequena realização, que é até mais pessoal do que profissional. É mais o torcedor que o jornalista.

Obrigado!

02 setembro 2010

O grande contra o pequeno

"Time de guerreiros". Era este o grito entoado pela pequena torcida do temporariamente líder Fluminense nos minutos derradeiros do jogo de ontem, um dos últimos da história do Maracanã. Guerreiro: taí uma palavra que me é especialmente cara, à medida que eu valorizo essa característica em um jogador acima de todas as outras. E não existe nada de guerreiro em um time que acha um gol no primeiro tempo e depois passa o restante do jogo acuado diante da pressão do visitante, à espera do apito final. Eis então que o Palmeiras, longe de ser brilhante, batalhou tanto quanto possível e até o último minuto, para se despedir do Maracanã ao menos com um empate. Mais um nesta campanha repleta deles, é bem verdade, mas uma igualdade bastante mais satisfatória e que deveria valer mais do que um único ponto. Ao pequeno Fluminense, deslumbrado com uma liderança que ele decidiu ostentar nos telões do estádio durante todo o jogo, fica aqui o recado: nós vamos buscar esses 14 pontos que nos separam. Aqui é Palmeiras. É time grande, sabem o que é isso? Anotem aí: 28 de novembro, Pacaembu.

Valeu, Palestra! Pelo espírito de luta e pela entrega, foi uma despedida digna de nossa história no Maior do Mundo.

***

Confesso que não foi possível disfarçar a melancolia quando entrei no Maracanã e vi as cadeiras azuis quase todas retiradas do setor inferior. Não que eu gostasse delas - longe disso -, mas o Maior do Mundo conseguia manter a sua alma ainda mesmo depois da reforma feita para o Pan. Sabe-se lá o que vai acontecer depois da interminável 'adequação' para transformá-lo nisso aqui, mas certo mesmo é que ficaremos alguns bons anos sem poder ir a este templo sagrado do futebol. A troco de nada, mas às custas de muitos milhões dos cofres públicos. Ontem, devo admitir, deixei a câmera digital no bolso mesmo, intacta. Sequer consegui pensar em tirar fotos daquele cenário desolador, como se preferisse apenas aproveitar aqueles últimos momentos no Maraca. Melhor assim.

Depois, com mais calma, pensarei em um texto à altura. Mas já deixo aqui a recomendação para a Memorabilia do Maracanã, iniciada pelo Edu Goldenberg, o incansável, lá no Buteco do Edu. Já emendando uma coisa na outra, aproveito para agradecer a ele pela recepção que me foi concedida ontem na Tijuca. A despedida do Maracanã só foi completa porque precedida de um tour pelos, como ele gosta de dizer, botequins da Tijuca. Perdi a conta de quantos foram, um maais pé-sujo e tradicional que o outro. É lá que o Rio de Janeiro vive.