30 maio 2010

Terra de ninguém

A Arena Barueri é um estádio bonitinho e todo metido a moderno no meio do nada. Disso já sabemos há mais de dois anos, mas a coisa toda passa a incomodar mais um pouco a partir do momento em que se obriga o torcedor palmeirense a deixar a sua cidade e pegar a estrada para ver um dos tantos jogos desimportantes neste maldito campeonato de pontos corridos.

Barueri é quase uma terra de ninguém, ao menos na região onde fica o estádio, cercada por favelas e grandes galpões industriais e sem qualquer estrutura adequada à capacidade de público. Barueri é tão terra de ninguém que mesmo o ex-time da cidade, o antigo Grêmio Barueri, meteu-lhe um pé na bunda e preferiu seguir para aquela maldita cidade de Mato Grosso do Sul.

Eis então que o Palmeiras voltou a jogar ontem nesta terra de ninguém. Foi até lá, vejam só que irônico!, para enfrentar o Prudente/MS, esta aberração que nos lembra dia após dia de como agem os canalhas oportunistas que tentam destruir o futebol. Pior: foi uma escolha de nossos dirigentes, que fizeram o alviverde jogar para míseros 4.016 torcedores (a renda não chegou a R$ 80 mil).

Eu gostaria que nossos dirigentes respondessem o seguinte: o que justifica fazer o palmeirense pegar a estrada, pagar pedágio, perder tempo e ainda correr o risco de ficar sem o seu carro, estacionado em meio a uma vizinhança não muito convidativa? Será que existe alguma resposta decente? Ou será que eles estão pouco se importando com o torcedor? (esta última pergunta é retórica pura)

No caso de "onde parar o carro", é bem possível que alguém venha dizer que a Arena Barueri é um dos poucos estádios com estacionamento bem ao lado (e também abaixo). Certo? Sim, é até verdade. Mas aí é preciso destacar o seguinte: no ano passado, o valor cobrado para deixar o carro em segurança era R$ 10. Ontem, os administradores da Arena Barueri vieram com um novo preço: R$ 30 (o triplo do que eu paguei pelo meu ingresso). 200% de aumento? Carro na rua, é evidente.

Por que isso, porra? Estão satisfeitos com o público de 4.016 pagantes? Ou com o estacionamento a R$ 30? Ou com a cobrança de pedágio na ida e na volta?

É PACAEMBU, PORRA!

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O título "Terra de ninguém" refere-se à tal Arena Barueri, pelos motivos expostos acima, mas poderia se aplicar também à S.E. Palmeiras, avacalhada a cada dia por dirigentes incompetentes, inaptos e desavergonhados. O episódio Candinho é sintomático:

1. O simples fato de pensar na contratação dele já seria um erro enorme (como puderam ressuscitar o cara?);
2. O anúncio da contratação foi o erro consumado;
3. Voltar atrás e dizer que clube e profissional não chegaram a um acordo financeiro demonstra todo o amadorismo (no mau sentido do termo) do senhor Cipullo e dos imbecis que o cercam;
4. A vergonha fica para todos nós.

Ontem, voltando da Arena Barueri, ouvi a entrevista do Candinho na Eldorado/ESPN. O cara falou um monte de besteira, mas, a julgar pelo tom, já estava com tudo assinado. Aí vem hoje a nota oficial da assessoria de imprensa para desmentir o acordo. Inacreditável!

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Sobre o empate com a aberração do MS: dentro do esperado, uma vez mais. Enquanto não tivermos ataque, vai ser isso aí...

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Como os senhores devem ter percebido, acabaram os trechos selecionados do livro "Febre de bola". Foram 70 posts (e 70 trechos diferentes) desde o original, em janeiro, e eles contribuíram para tirar um pouco do espírito amargo que vem tomando conta deste blog. A bem da verdade, falta ainda um trecho, mas ele será utilizado no momento apropriado.

28 maio 2010

A geração vitrine

Republique-se:

A geração vitrine (20.01.2009)



Sim, o título é repetido e o conceito de “geração vitrine” já foi desenvolvido em outros posts ao longo dos sete anos de blog. Acontece que hoje é um bom dia para retomar o tema.

Tivemos lá atrás a geração composta por moleques alienados que “mudaram de time” após as conquistas do SPFW do início da década passada. Coloco entre aspas mesmo, pois “mudar de time” é algo incompatível com o que se entende por “torcedor”. Talvez seja possível para simpatizantes e oportunistas, mas não para torcedores.

Se estes pobres coitados “mudaram de time”, foi só porque preferiram tomar o caminho que parecia mais fácil, em uma evidente demonstração de oportunismo.

Já dizia Milton Neves que “Torcer para o SPFW é uma grande moleza”, certo? Foi nessa direção que seguiram os alienados sem alma. Como se o ato de “torcer” tivesse algo a ver com “moleza”... E lá se foram muitos moleques da minha geração (eu tinha de 10 para 11 anos quando o SPFW pensou ter deixado de ser a nulidade que sempre foi).

Vieram anos de seca até que a sorte voltou a sorrir para a gentalha do Jd. Leonor. O ano é 2005, e temos então o início da geração vitrine.

Faço agora o aparte necessário para um pequeno ato de poluição visual. Esta é a notícia:



Conseguiram chegar até o final?

Pois bem, o conceito de “geração vitrine” está aí. Ele já foi bastante debatido neste blog, mas a audiência é rotativa, a alienação é crescente e a notícia acima pede uma seção Remember.

Creio que não seja necessário fazer comentários mais aprofundados sobre a tal loja de grife, pois ela é auto-explicativa. Há referências à Oscar Freire (o que já depõe contra) e à tal “grife do clube”, nas palavras do próprio marqueteiro do mal. Tudo isso no intervalo entre os eventos de moda do Rio e de São Paulo. A corja leonor já poupou parte do meu trabalho com essa piada pronta.

Fato é que “grife”, “marca” e “Oscar Freire” remetem a “moda”. Que remete a “SPFW”, a sigla que usamos para designar essa instituição abjeta. Fica explícito, portanto, o porquê de nos referirmos à gentalha leonor como “torcida de modinha”.

Trata-se, meus caros, de uma geração que se guia não pelo amor a um clube, mas pelo apego interesseiro a uma grife que se diz vencedora. São pessoas que agem pelo instinto único do oportunismo barato, de estar ao lado de quem está por cima.

É este mesmo o objetivo daquela diretoria de velhos farsantes, que não têm vergonha de propor o que eu chamo de estelionato bambi, ao prometer a ilusão do futebol como um produto, capaz de oferecer conquistas sem esforço.

“Libertadores, eu nunca vou te abandonar”? Notaram o pseudo-orgulho babaca, a tentativa de provocar um rival direto e a promessa de algo que não pode ser cumprido?

É assim, e sempre com o apoio midiático, que os dirigentes bambis armam estratégias de cooptação entre os mais jovens, pois o que importa não é o “torcedor”, mas sim o “consumidor”. Notem que o discurso marqueteiro nunca fala em “amor”, mas em “grife”.

Para essa categoria de consumidores, o que importa é vencer a qualquer custo para então disparar um discurso prepotente, de quem nada fez, mas pensa poder se sentir vencedor.

Os torcedores do SPFW não vão ao estádio para empurrar o time à vitória; vão para assistir e depois se proclamarem campeões. É por isso que somem durante as temporadas regulares para surgirem nas fases agudas, quando se aproxima a decisão. Não querem saber de esforço, sofrimento ou entrega, e isso explica a apatia da massa alienada.

O que temos é uma relação de consumo, a mesma que é proposta pelo marqueteiro do mal e por alguns vendedores da agenda pública leonor. Se o produto é bom, os consumidores compram; se não é, vão ao cinema, ao teatro ou ao circo.

Torcer pressupõe sofrer, à medida que pede dedicação incondicional. Quem torce por um clube não está preocupado com relações de consumo. O torcedor veste a camisa do time não por um interesse momentâneo, mas por identificação com tudo o que ela representa.

Observem que “camisa” não deve ser vista aqui como um simples uniforme ou peça de vestuário, do tipo que se compra em qualquer loja de esportes. O que está em jogo é o manto sagrado, a “segunda pele”. É tudo uma questão de amor.

Vestir a camisa não deve ser interpretado sob o ponto de vista literal, mas sim como simbologia. Trata-se de apoiar o time em todos os momentos, conhecer a história, defender o seu amor. É assim que as coisas acontecem sob a ótica do torcedor.

Há, no entanto, os que não se prendem a um símbolo, preferindo o conceito de “grife”. Atuam como consumidores e vêem o futebol como um produto que deve trazer satisfação garantida.

Não à toa, os 'torcedores' da geração vitrine fazem pouco da exaltação à história. Desconhecem o hino do clube, a data de fundação, as origens, os primeiros ídolos (?). E, claro, não se importam com a maneira como se ergueu aquele lugar que chamam de estádio. Pelo contrário: dizem ter orgulho do antro em que se depositou o dinheiro do povo.

Deve ser o mesmo orgulho idiota da madame que faz compras na Oscar Freire ou almoça nos restaurantes da rua Amauri sem se dar conta que a zona leste está mais perto do que a Champs-Élysées.

Temos assim a constituição de uma geração vitrine, que usa a camisa do time não como símbolo, mas como “grife”. Não há simbologia alguma, a não ser a frivolidade dos leonores.

A camisa do SPFW é como um tênis adidas, um agasalho Puma ou um boné Nike. Serve como adorno, como mero instrumento de ostentação, desses tantos que encontramos nas vitrines de um shopping center qualquer. Ou, vá lá, da Oscar Freire.

O que importa não é se identificar com a história do clube, mas sim se associar a uma marca vencedora, que garanta status. Na mentalidade doentia destes fracos, alienados e acéfalos, vale o que está na moda.

Eis aí a geração vitrine, uma corja sem alma que representa à altura os nossos inimigos desde 1942. Eu faço questão de estar do lado oposto, pois o futebol é tudo, menos isso que eles apregoam.

É como eu costumo dizer: “O Palmeiras cresce a cada vez que declara guerra a esta sub-raça alienada”.

EU SOU PALESTRA!

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Mais alguns links relevantes sobre a escória leonor:

Amor de vitrine (05/10/2006)

Aliciamento de menores (08/11/2007)

Jorge, Gennaro e o menino sem alma (17/11/2007)

O marketing purpurina (10/12/2007)

História? Pra quê? (17/12/2007)

Sobre oportunismo barato (25/11/2008)

27 maio 2010

Dentro do esperado

A vitória de sábado foi um oásis (de gols e de bom futebol) em meio ao deserto que é o Palmeiras hoje. E veio em boa hora, na despedida da nossa casa. Portanto, o resultado que (não) alcançamos na noite desta quarta-feira no Jd. Leonor já era esperado. Aqui entre nós: com o time que temos hoje, já dava para considerar uma derrota no planejamento de início de temporada.

Mais até do que ver mais um pênalti perdido por nossos jogadores, o que perturba é a constatação de que só poderíamos chegar ao empate em um lance fortuito, de preferência em um pênalti encontrado ao acaso. O time do Palmeiras é infértil do meio para a frente; a esperança é a zaga. Mas aí, quando um zagueiro falha grotescamente como neste clássico, acontece o pior.

O lado bom: vem aí a Copa do Mundo, um descanso que chega em boa hora. Melhor que isso? Ah, faltam SÓ 34 rodadas para chegar ao fim o maldito campeonato de pontos corridos.

***

*Seria Cleiton Xavier o novo Pedrinho? Na boa: jogador nenhum tem direito de se machucar tanto assim.

*Por que chove em todos os nossos jogos?

*Dá pra levar a sério um time que constrói um buffet infantil e uma academia no lugar antes ocupado pela geral?

*Em que dia foi fundando o SPFW? Ah, vocês não sabem, né? E isso não é importante? Ah tá...

*O processo de aliciamento de menores continua firme e forte pelos lados do Jd. Leonor.

*Os bravos, valorosos e destemidos homens do 2º BP Choque continuam não sabendo como lidar com multidões (ou nem tanto, caso deste clássico). Voltaram a aprontar.

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"Febre de bola", páginas 183 e 184:

"Ao final do jogo os torcedores visitantes até conseguiram manifestar gratidão discreta e respeitosa para com o time, um reconhecimento de suas conquistas recentes; mas fora uma tarde melancólica, uma espécie de tributo devido, de trabalhos forçados, absolutamente nada além disso. No entanto, enquanto esperávamos a hora de sair (outra coisa a respeito do Chelsea: você fica retido por uma boa meia hora enquanto as ameaças são varridas das ruas lá fora), o horror daquilo tudo se aprofundou e a experiência adquiriu uma espécie de glória perversa, fazendo com que nós que estávamos ali ganhássemos o direito de nos conceder uma medalha de campanha."

26 maio 2010

Esclarecimento

Foi divulgado em alguns blogs e sites um certo manifesto popular pela Arena Palestra Itália. Consta um tal Forza Palestra como signatário do movimento. Esclareço não se tratar do meu blog. Isso não se deve tanto à minha discordância em relação ao que é proposto, mas sim à necessidade de deixar as coisas claras. Este blog já está no ar há quatro anos com o nome de Forza Palestra, nenhum interesse financeiro, uma linha editorial definida por um ideal que não se presta a concessões e, em respeito aos seus leitores, é preciso fazer o esclarecimento. Confesso que às vezes me sinto bem disposto a entrar em certos atritos, mas prefiro sinceramente concentrar meus esforços em outras guerras, como esta que iremos disputar hoje à noite na casa do nosso maior inimigo. À batalha, portanto!

23 maio 2010

Imortalidade


O olhar que percorria cada canto da arquibancada por vezes parecia se perder, absorto, sem saber para onde ir ou quando voltar. Parecia. Se era mesmo assim, certo é que não estava preso a lugar algum, mas sim a um dia outro que não o que vivemos ontem. O que se percebia no semblante dos palestrinos que cruzamos os portões do Palestra Itália neste sábado, 22 de maio de 2010, era a resignação de quem não pode fazer nada mais, a não ser dizer adeus.

Em meio a abraços apertados, olhos cheios de lágrimas e palavras um tanto desoladas e apocalípticas, tudo era saudosismo. Como se precisássemos nos apegar ao que construímos juntos para não sucumbir antes da hora. Como se tentássemos adiar o adeus, por vezes esperando mesmo que não fosse a última vez.

Tantas são as lembranças e os significados que a nossa reação não poderia mesmo ser outra. Porque, cada um do seu jeito, todos pensávamos no que seria perdido ao apagar dos refletores: a ansiedade dos dias, das horas e dos minutos que nos separavam de cada jogo, a caminhada até o Palestra, o encontro com os amigos, a concentração lá fora, as Brahmas sendo derrubadas, os sanduíches de pernil, as conversas, a expectativa crescendo, a rua que se enche aos poucos, a multidão que se forma, a fila na bilheteria, a hora que se aproxima, os cumprimentos de boa sorte antes de seguir para o estádio, mais fila, a euforia, a passagem pela catraca, a entrada triunfal, a caminhada que nos permitia vislumbrar o Jardim Suspenso pouco acima, os banheiros alagados, o barulho, a cantoria, o acesso escolhido para subir os dois lances de escada e logo ganhar o cimento da arquibancada, o olhar que se perdia no encontro com a massa, com o campo de jogo, com a nossa história se materializando.

Isso tudo, é inevitável, há de se perder. Seja lá o que vier das mentes doentias e deslumbradas de nossos dirigentes e parceiros (?), muito de nossa história ficará para trás. Virá um outro Palestra Itália, mais moderno, mais europeu, mais limpo, mas também sem a alma do estádio que aprendemos a amar.

O que esperar desses novos dias? Entre os muitos cenários, o que mais perturbava era a certeza de que farão o possível para deixar de fora da reabertura mais da metade do público presente à despedida. Em uma palavra: elitização.

Mas foi então, em meio a tantos desencontros recentes, que o futebol resolveu nos presentear com uma despedida à altura. Pelo sim, pelo não, a chuva apareceu; afinal, ela passou as últimas décadas tendo uma predileção especial por lavar a alma de todos nós em jogos no Palestra. Dessa vez, no entanto, ela não veio só: vieram também os gols e, com eles, uma vitória convincente, porque foi a isso que nos acostumamos ao longo da história. Ao menos por uma noite, a da despedida, o palmeirense teve motivos para vibrar.

Foi bem aí, no êxtase após o terceiro gol, ao percorrer com o olhar toda a multidão que tomava a arquibancada do imortal Palestra Itália, que eu percebi que não existe nenhum planejamento elitista que possa retirar do nosso estádio o verdadeiro torcedor palmeirense. Porque a alma palestrina há de ser mais forte e porque a resistência está no nosso sangue.

Podem até fabricar cadeirinhas numeradas e impor um padrão de conforto que se preze a pensamentos elitistas, mas jamais serão capazes de criar um novo público para o futebol. Porque o futebol não é de nenhum imbecil disposto a pagar R$ 300 por um lugar confortável, mas sim do torcedor que vibrou ontem com a improvável vitória de um time que não merecia tanta gente no estádio. O futebol é do povo, e sempre será.

Por mais que queiram encher o nosso espaço com o plástico das cadeirinhas numeradas, o cimento da arquibancada haverá de prevalecer. O Palestra Itália é imortal.

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Entre árvores e chaminés

A espetacular imagem que abre este post é um presente do Cleber Cilli, leitor deste blog. Não tenho o prazer de conhecê-lo, mas tive a honra de receber a foto no final da semana passada, por email. Veio em boa hora. A foto, conta o Cleber, é da final do Campeonato Paulista de 2008, a última grande festa que tivemos na nossa casa. Fica aí para a posteridade.

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*O Palmeiras nunca foi tão mal dirigido. Porque os dirigentes que aí estão fizeram tanta besteira que conseguiram transformar a despedida do imortal Palestra Itália em um enorme ponto de interrogação. "Será o último jogo?" E aí o que deveria ser encarado como a notícia do mês virou nada mais do que suposição. O adeus à nossa casa virou quase nota de rodapé nos jornais. A história foi desrespeitada como nunca antes.

*Não resisto a um comentário menor: nos últimos oito jogos no Palestra sob o comando do treinador anterior, comemoramos míseros sete gols. Ontem, em um único jogo e com menos opções no elenco, foram quatro.

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"Febre de bola", páginas 181 e 182:

"Fico constrangido ao confessar que um baixo-astral com uma década de duração se desfez porque o Arsenal ganhou do Tottenham na taça Littlewoods (ficaria um pouco menos constrangido se fosse uma vitória na taça da Liga, mas a Littlewoods!), e já tentei diversas vezes descobrir por que as coisas aconteceram assim. A vitória significava muito para todos os torcedores do Arsenal, é claro: nosso time não chegava perto de ganhar nem uma semifinal havia sete anos, e nossa decadência já começara a parecer terminal. E talvez houvesse até uma explicação médica. Pode ser que a monstruosa injeção de adrenalna liberada por uma vitória no último minuto em Tottenham, numa semifinal que você estava perdendo por um gol faltando sete minutos, com todas as esperanças perdidas... talvez essa injeção corrija algum tipo de desequilíbrio químico no cérebro, alguma coisa assim."

21 maio 2010

Fim da linha


Fim da linha é isso tudo que está acontecendo com o Palmeiras. Os mandos e desmandos dos inaptos e incompetentes que dirigem nosso clube, as especulações furadas, a profusão de canalhas que só sabem apequenar o gigante Palmeiras, os pobres diabos que só fazem encher as páginas de jornais de tudo, menos de notícias. Tanto que eu não tenho a menor vontade de ler o noticiário sobre o meu clube; melhor preservar a minha sanidade. É o fim da linha da decência.

É tão fim da linha que chegamos à véspera deste Palmeiras x Grêmio do dia 22 de maio sem ter direito a uma informação essencial: afinal, será este o último do estádio Palestra Itália? Será a despedida? Será o momento de dizer adeus? O que foi dito por essa corja lá atrás continua valendo hoje? Dá pra acreditar em algo que é dito por eles? Vejam o absurdo: até o direito a esta informação nos foi sonegado. Não sabemos nada de nada, e esta gente que se apossou do nosso clube poderá muito bem nos privar da nossa casa sem aviso prévio.

Vamos ao Palestra amanhã sem saber se efetivamente será a última vez. Pelo sim, pelo não, eu vou encarar como se fosse. Eu tinha na cabeça todo um texto preparado para a despedida; tantas ideias, um saudosismo sem fim e homenagens que deveriam ter partido da direção do clube. A omissão de nossos dirigentes é tão grande e tão estupidamente cretina que me impediu de colocar em prática tudo o que eu havia pensado. É um desrespeito sem tamanho: contra a torcida, contra o Palmeiras, contra a nossa casa.

É o fim da linha. Em todos os sentidos. Queria poder sair do Palestra amanhã e dizer “até logo”. Pelo visto, é melhor dizer “adeus” mesmo. Não quero correr o risco de saber mais tarde que o jogo de amanhã foi o último. Farei a despedida do meu jeito. Ao lado dos amigos que o Palestra me permitiu fazer. Aquilo tudo só existe por nossa causa – e a despeito desses crápulas. Aguardo os amigos lá em casa. É com a gente, como sempre foi.

A arquibancada do Palestra é imortal!

***

Eu às vezes me questiono sobre a validade de tudo isso que eu faço pelo Palmeiras. Mas aí chegam os emails, comentários, recados no Twitter e mensagens de apoio por conta dos últimos textos publicados no blog e eu percebo que vale a pena. Obrigado a todos.

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“Febre de bola”, página 164:

"... e do meu ponto de vista aquela manifestação foi estranhamente reconfortante, pois a garota que tivera de aturar o meu ressentimento pôde ver que eu não era o único; havia toda uma comunidade que ligava mais para o que acontecia com o Arsenal do que para qualquer outra coisa. As coisas que com frequência tento explicar às pessoas sobre o futebol - que não se trata de escapismo, nem de uma forma de espetáculo, e sim de uma versão diferente do mundo - ficaram claras para ela ali; e de certa forma, me senti quase vingado."

19 maio 2010

O Palestra em 20 jogos

Sob o efeito da saudade que nos irá corroer a partir da noite do próximo sábado, este blog persiste na série de homenagens ao imortal estádio Palestra Italia. Desta feita, resolvi eleger os 20 jogos mais memoráveis dos quais eu participei no Jardim Suspenso. "Por que 20?", alguém haverá de perguntar. Sei que o usual seriam 10, número mais compatível com esse tipo de ranking, mas eu comecei a compilar os duelos inesquecíveis e percebi ser incapaz de fechar uma relação tão pequena. Foi aí que tomei a liberdade de ampliar para 20 jogos, o que me daria mais liberdade.

A lista contempla apenas jogos dos quais eu participei, como não poderia deixar de ser em se tratando deste blog. Mas, visto que não estive presente em apenas quatro jogos do Palmeiras em seu estádio nos últimos 10 anos (nenhum deles relevante), não há prejuízo. Sei também que vou me arrepender de algumas escolhas assim que publicar a lista e que vou lembrar depois de jogos que não poderiam ficar de fora, mas aí não tem volta.

E pra você, quais são os 20 jogos da história do imortal estádio Palestra Itália? Ou 10? Ou cinco? Aí vai os meus:

20. Palmeiras 1 x 0 Internacional/RS
Campeonato Brasileiro/1994 (11.09.1994) – 22.340
Da série "motivos pessoais para guardar um jogo na memória". Domingo, 16h, casa cheia. Jogo tenso, duro, como são todos contra o Inter/RS. O placar teima em não sair do zero. Flávio Conceição recebe a bola no meio e avança com ela. O petardo vem de longe, lá pro gol da piscina. No ângulo direito. A rede era aquela mais 'quadrada', sem curvas. A bola bate no ferro do fundo e morre lá dentro. A escalação: Velloso, Claudio, Antônio Carlos (Tonhão), Cléber e Wagner (Alex Alves); Flávio Conceição, Amaral, Paulo Isidoro e Rivaldo; Edmundo e Evair.

19. Palmeiras 1 x 0 Paraná/PR
Campeonato Brasileiro/1994 (08.10.1994) – 19.362
É mais pela coincidência: no sábado anterior, o Ixpót segurou um empate sem gols com o Palmeiras até os 44 minutos do segundo tempo. Aí a bola foi erguida para a área e, no meio de um bate-rebate, três zagueiros do Ixpót mandam a bola pra dentro. Uma semana depois, também um sábado, o Paraná segurava o 0 a 0 até os 44 minutos do segundo tempo. A bola chega para Antônio Carlos na intermediária. Ele recolhe, avança um pouco e dispara o chute de longe. Gol. De novo pro lado do placar. De novo no último minuto. As duas vitórias foram essenciais para a classificação alviverde. O time seria campeão poucos meses depois com uma campanha brilhante (31-20-6-5). Aqueles dois gols fizeram toda a diferença.

18. Palmeiras 6 x 2 Fluminense/RJ
Torneio Rio-São Paulo/2001 (30.01.2000) – 9.320
Tarde épica, bem ao estilo Felipão: do 0 a 2 no intervalo, com o previsível protesto da torcida, para o 6 a 2 no final. E aquele time, desacreditado no início do ano, arrancava para um título arrasador no Rio-SP.

17. Palmeiras 2 x 0 Guarani/SP
Campeonato Brasileiro/2000 (19.11.2000) – 22.221
Era um time desacreditado. Começou muito mal a tal Copa João Havelange, chegou a ocupar as últimas posições, só foi reagir nas rodadas finais. A arrancada foi coroada com esta vitória sobre o Guarani, um domingo à tarde com clima de redenção. Gols de Magrão e Tuta. Para mim, as melhores lembranças são anteriores ao jogo, com o Lapa H mais lotado do que nunca, e gente pendurada nas portas e nas janelas por toda a avenida Paulista e de lá até o estádio. O time daquela tarde: Sérgio, Arce, Paulo Turra, Galeano e Tiago Silva; Magrão, Fernando, Taddei e Flávio; Basílio (Juliano) e Tuta. Dá pra acreditar que o Marco Aurélio levou esta tranqueirada de quatro volantes e nenhum meia, à final da Mercosul e a uma classificação heróica diante dos bichas (1 a 1 no Pacaembu e 2 a 1 no Jd. Leonor)? Pois foi assim que aconteceu.

16. Palmeiras 1 x 1 Santos/SP
Campeonato Brasileiro/1992 (06.04.1992) – 18.170
Só porque foi o primeiro entre mais de 400. Segunda à noite, Evair afastado pelo Nelsinho, gol de Alexandre Rosa. Um começo bem emblemático.

15. Palmeiras 1 x 0 Fluminense/RJ
Campeonato Brasileiro/2007 (14.11.2007) - 24.693
Não valeu de nada, mas foi provavelmente a última grande partida da carreira de Edmundo. Quarta à noite, tempestade em São Paulo, clima de decisão, quase de Libertadores. Vitória suada, gol de Rodrigão (!), torcida pronta para a guerra, juiz nos roubando em casa, o goleiro dos caras pegando tudo, enfim, o cenário ao qual nos acostumamos.

14. Palmeiras 3 x 0 San Lorenzo/ARG
Copa Mercosul/1999 (07.12.1999) – 26.197
Uma semana antes, a derrota em Tóquio. O time voltou ao Brasil para o segundo jogo da semifinal da Copa Mercosul - depois de derrota por 0 a 1 em Buenos Aires na ida. Em SP, casa cheia, apoio incondicional e uma vitória contundente: dois gols de Arce e um de Júnior Baiano. Estávamos em mais uma final.

13. Palmeiras 3 x 2 Fluminense/RJ
Campeonato Brasileiro/2005 (04.12.2005) – 26.996
Uma das poucas vezes na década em que o Palmeiras conseguiu se impor em uma decisão na sua casa. Em disputa, uma vaga na Copa Libertadores do ano seguinte. Jogo tenso, repleto de reviravoltas, que terminou com a bola de Correa cruzando toda a área para morrer no fundo do gol adversário. A vaga era nossa.

12. Palmeiras 1 x 1 SPFW/SP
Copa Libertadores/2006 (26.04.2006) – 18.621
Um empate com os bichas pode entrar nessa lista? Sim, pode. Pois chegamos a este jogo com um time destroçado e sem técnico e todos davam como certa uma vitória delas. Houve até, do lado de lá, quem falasse que as moças iriam invadir o nosso setor do estádio, tamanha era a confiança. Mostramos, no entanto, que alma não se compra. Encurralamos os bichas, cantamos o jogo todo e, mesmo com o empate em casa, deixamos o estádio fazendo festa. "A casa é nossa, filhos da puta, e vocês sempre serão expulsos daqui na base da porrada". Deste duelo, o que fica é a lembrança da nossa torcida cantando lá do outro lado, já com as luzes apagadas, e os bichas calados lá do outro lado. Na volta, se não fosse a influência do pobre diabo que inventou um pênalti descarado nos minutos finais, a vaga teria sido nossa.

11. Palmeiras 5 x 0 Ponte Preta/SP
Campeonato Paulista/2008 (04.05.2008) – 27.927
O último título conquistado em casa. Pena que os 'cabeças-de-pinico' do 2º BP Choque, a pedido do promotor desocupado, estragaram a festa na arquibancada.

10. Palmeiras 6 x 1 Boca Juniors/ARG
Copa Libertadores/1994 (09.03.1994) – 18.875
Dizem alguns que pagamos até hoje pela vitória sobre os gambás na semifinal da Libertadores/2000. Se é o preço a se pagar, até considero justo (ainda e apesar de tudo). Mas o que não é justo é se tivemos de pagar por esse 6 a 1 de 1994 com as duas eliminações seguidas para o Boca (2000 e 2001, com quatro empates). Por maior que tenha sido a goleada de 1994, não vale o preço exigido.

9. Palmeiras 3 (3) x 1 (2) Peñarol/URU
Copa Libertadores/2000 (11.05.2000) – 30.857
Das tantas noites felipônicas, uma que não é tão lembrada. Mas deveria. Jogo das oitavas, derrota em Montevideo por 0 a 2. Viemos decidir a vaga em casa. Abrimos 3 a 0 (dois de Marcelo Ramos e um de Nenem) e tomamos um gol. Aí Euller perdeu um pênalti - e outro nas cobranças decisivas. Marcos pegou dois e garantiu a vaga.

8. Palmeiras 2 x 0 Marília/SP
Campeonato Brasileiro Série B/2003 (15.11.2003) – 28.436
Sábado à noite, casa cheia, festa sem igual, torcida em perfeita sintonia com o time. Resultado: até Lúcio vagabundo, um incapacitado, mandou uma pancada lá da lateral que foi parar no ângulo do goleiro adversário. O gigante estava de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

7. Palmeiras 1 (5) x 0 (3) São Caetano/SP
Copa Libertadores/2001 (16.05.2001) – 29.284
Eliminado pelo Azulinho no Brasileiro/2000, o Palmeiras encarava novamente o time do ABC, desta vez na Libertadores do ano seguinte. Depois da derrota no Anacleto (0 a 1), o gol da vitória no Palestra parecia que não sairia nunca. Aí entrou Muñoz. Aos 37 minutos da etapa final, entra pelo meio da zaga, numa jogada improvável, e bate cruzado para levar a decisão para os pênaltis. Avançamos de novo.

6. Palmeiras 7 x 3 Cruzeiro/MG
Copa Mercosul/1999 (22.10.1999) – 8.293
Sexta à noite. Era o Cruzeiro, o maldito Cruzeiro, do outro lado. Evair, El Matador, teve uma de suas grandes atuações com a camisa alviverde: os três gols foram até pouco. Fomos terminar a noite na delegacia, depois de muita comemoração no ônibus que, abarrotado, nos conduzia pela avenida Paulista. Bons tempos aqueles...

5. Palmeiras 3 x 0 River Plate/ARG
Copa Libertadores/1999 (26.05.1999) – 32.000
Este bem poderia ficar como o jogo do título. Derrota em Buenos Aires na ida, tensão na volta, um grande adversário. Alex teve uma atuação magistral. Fez dois golaços, Roque Jr. fez mais um, o Palmeiras alcançou uma vitória maiúscula. Estávamos na final.

4. Palmeiras 1 x 0 Cruzeiro/MG
Copa Mercosul/1998 (30.12.1998) – 29.540
Era o Cruzeiro, o maldito Cruzeiro, do outro lado. Conquistamos contra eles a Copa do Brasil daquele ano, em maio, mas fomos eliminados por eles do Brasileirão, pouco mais de um mês antes deste jogo. Final da Mercosul: 1 a 2 em BH e 3 a 1 aqui para o Palmeiras. No desempate, numa terça-feira à noite, quase na virada do ano, Júnior Baiano dispara o chute de longe, o goleiro espalma e Arce, bem colocado, bota pra dentro. Campeão! Era o prenúncio do que viria em 99.

3. Palmeiras 2 x 0 SPFW/SP
Campeonato Paulista/2008 (20.04.2008) – 27.680
Dirão os canalhas da imprensa esportiva que este foi o "Jogo do gás". Diremos nós que foi o "Jogo da farsa leonor", quando mais do que nunca se fez presente o mau-caráter da escória alienada. Tensão, clima de guerra, ódio. Vencemos. Vencemos na bola, na torcida, na alma. Mais do que passar à final do Paulista, enfiamos no cu da imprensa toda a pressão feita na véspera contra o nosso estádio. Foi, mais do que nunca, uma vitória pelo Palestra.

2. Palmeiras 4 x 2 Flamengo/RJ
Copa do Brasil/1999 (21.04.1999) – 30.000
Os dois gols de Euller nos minutos finais bastam para explicar a inclusão deste jogo. Foi aqui que arrancamos para o título da Libertadores.

1. Palmeiras 2 (4) x 1 (3) Deportivo Cali/COL
Copa Libertadores/1999 (16.06.1999) – 32.000
O título da Libertadores; isso já bastaria. As lembranças desta noite fria não são tão claras, porque eu parecia entorpecido pelo significado daquela decisão. Lembro mais de abraçar meu irmão na hora dos pênaltis, com os joelhos postados no cimento da arquibancada, depois de todo o sufoco dos 90 minutos. E lembro muito, com precisão cinematográfica, de tudo o que sofri para conseguir os ingressos: a noite sem dormir, a invasão da Papa Genovese na madrugada, a manhã que chegava com a expectativa pelos ingressos, o empurra-empurra, a confusão que fechou o Turiassu na hora do almoço, o alívio com os ingressos na mão.

***

Esta deveria ser uma semana dedicada ao último jogo do histórico imortal Palestra Itália. Homenagens, comemorações bem pensadas, matérias em jornais, a história sendo revista e eternizada para as próximas gerações, coisas assim. Deveria. Mas o nosso Palmeiras está tomado por almas pequenas, por pobres coitados, por uma infinidade de criaturas desprezíveis. Foi assim que conseguiram tirar o foco do que era a notícia mais importante dos últimos meses. Eles conseguiram. Não sei como, mas conseguiram.

A minha parte está sendo feita aqui. É pouco, eu sei, mas é o que está ao meu alcance. Obrigado a todos os palestrinos de verdade.

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“Febre de bola”, página 117:

“Esta litania terrível me fez perceber como a nossa vida é pavorosa durante nove meses, e que quando tudo termina tenho vontade de viver cada dia das curtas 12 semanas que sobram como se fosse um ser humano."

18 maio 2010

Que se vayan todos


Que fiquem de fora os jogadores pilantras, o técnico que não é técnico, os dirigentes que nos levaram até este cenário em que tudo é má notícia, os oportunistas que infestam o clube, os calhordas de ocasião, os crápulas que atacam por todos os lados. Que fiquem todos bem longe do lugar que não merecem frequentar. Que nos deixem em paz, nem que seja só por um jogo. Que nos permitam, ao menos por esta fatídica noite de sábado, aproveitar os momentos que nos restam da nossa casa. Que nos concedam o direito de uma despedida. Que sumam para todo o sempre, que desapareçam da nossa vida, que deixem o Palmeiras se reerguer pela própria grandeza. Que nos respeitem, que respeitem a nossa história, que tenham um mínimo de dignidade. Que nos deixem ter um pouco de paz e serenidade, ao menos por esta noite de despedida.

Porque sábado, quando o alviverde imponente surgir no gramado da sua casa pela última vez, para a luta derradeira, só um homem deveria vir a campo, representando o que restou da nossa dignidade e do nosso amor próprio. Só Marcos, o último guerreiro, a envergar a camisa verde, por solitária que fosse. Só Marcos. E o manto sagrado. Porque, entregue ao seu povo, a partir das gloriosas e imortais arquibancadas do estádio Palestra Itália, o Palmeiras poderia começar a renascer a partir do que nós hoje temos como um ponto final. Que se vayan todos...

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Peço desculpas aos (poucos, mas bons) leitores do blog. Esta semana não será nada fácil. Enquanto nos atacam seguidamente, de dentro e de fora, por todos os lados e sem trégua, aproxima-se o dia de dizer adeus à nossa causa. O saudosismo vai imperar cada vez mais. Sei lá o que vai restar da nossa alma...

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"Febre de bola", página 153:

"Desde que conheci Pete em 1984, perdi menos de meia dúzia de jogos do Arsenal em sete anos (quatro naquele primeiro ano, todos ligados ao caos contínuo da minha vida pessoal, e nenhum em quatro temporadas), e compareci a mais jogos fora do que jamais fizera antes. E embora existam torcedores que não perdem um só jogo há décadas, seja em casa ou fora, eu teria ficado atônito com a minha atual ficha de comparecimento se tivesse tomado conhecimento dela em, digamos, 1975, quando fiquei adulto por alguns meses e parei de ir, ou até em 1983, quando meu relacionamento com o clube era polido e cordial, mas distante. Pete me empurrou da borda do abismo, e às vezes não sei se devo agradecer-lhe por isso ou não."

17 maio 2010

O futebol é do povo

“A turma que vai à geral ficará assistindo só na tevê. É gente que não consome nada, depreda e mata no metrô. Não interessa mais ao futebol. Dá orgulho ver o público pagar R$ 300 pelo ingresso. Não defendo a elitização. Mas o futebol precisa de dinheiro.”

Poucas vezes uma criatura conseguiu aglutinar tanto preconceito, elitismo e menosprezo de classe em tão poucas palavras. A declaração que os senhores podem ler acima, um verdadeiro atentado contra o futebol, seu torcedor e sua cultura, poderia ter saído da boca fétida de qualquer desses sujeitos de terno e gravata que buscam dia após dia destruir o já combalido esporte do povo. Não só poderia, como vem. Não de um qualquer, mas logo de um elitista que se coloca como parceiro da Sociedade Esportiva Palmeiras. A frase vem logo do crápula para o qual o Palmeiras cedeu os direitos de comercialização de tudo o que diz respeito à tal arena que vai colocar abaixo o estádio que foi construído e defendido nas trincheiras da Turiassu por nossos antepassados.

Sob o pomposo título “J. Hawilla prevê um novo perfil dos torcedores nos estádios nos próximos anos”, a declaração foi veiculada pela agência Lancepress, do jornaleco esportivo. Atingiu em cheio a alma palestrina, não deixando dúvidas sobre os interesses do sujeitinho. No entanto, mesmo conhecendo o histórico do pulha em questão, é difícil ainda acreditar que ele pôde proferir uma declaração assim tão devastadora.

O pronunciamento de Hawilla é auto-explicativo. Acredito ser desnecessário abordar cada ponto ou cada uma das palavras que explicitam o racismo, o ódio sectário, o preconceito extremado, o elitismo abjeto, a apropriação indevida de algo que pertence ao povo. Desnecessário. A declaração não dá margem a dúvidas: Hawilla foi direto ao ponto. Pegou pesado, acertou em cheio, fez estrago. Sim, estou acusando o golpe.

Cinco dias, palestrinos de alma. Eis o que nos resta. O estádio que foi erguido com o suor de nossos antepassados e que foi defendido com o sangue que corre em nossas veias está para ser entregue a um filho da puta desprezível que prega o elitismo e que nos vê como bandidos indesejáveis, como párias de uma sociedade que não se encaixa na sua visão de mundo.

Só peço a cada um de vocês que se lembrem disso: a resistência está no nosso sangue. E o futebol é do povo, e sempre será.

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A frase do título, eu sei, não diz muita coisa. Mas é que o golpe foi tão forte que não consigo pensar em nada à altura. Melhor então manter vivo o espírito de resistência.

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Ah, sobre o jogo de ontem?

O que eu penso é que as histórias de Palmeiras, de Vasco e do clássico Palmeiras x Vasco não mereciam um jogo deplorável como o que foi disputado em São Januário. Foi um 0 a 0 à altura do momento vivido pelos dois times. É de se lamentar que Palmeiras e Vasco sejam clubes irmãos até nessa hora. E a preocupação que já tínhamos tende a se acentuar.

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“Febre de bola”, página 198:

"Foi extraordinário sentir que eu tivera um papel a desempenhar naquilo tudo, que a noite não teria sido a mesma sem mim e milhares de outros como eu. O absurdo é eu ainda não ter conseguido dizer aqui que o futebol é um esporte maravilhoso, mas é claro que é. Por serem raros, os gols têm um valor maior que os pontos, as corridas e sets não têm, de modo que sempre existirá essa emoção, a emoção de se ver alguém fazer uma coisa que só poderá ser feita três ou quatro vezes num jogo inteiro se você tiver sorte, e nenhuma vez se não tiver."

14 maio 2010

O Vasco, São Januário e o Palestra

Domingo, Rio de Janeiro, retorno caseiro do Vasco à Série A. Nada melhor que um jogo entre irmãos; nada melhor que a nossa visita ao lugar onde nos sentimos em casa fora de casa. Vamos ao Rio para iniciar mais uma temporada de viagens neste já interminável Campeonato Brasileiro. A visita a São Januário, estádio tradicional e que preserva muitas de suas características originais, vai inevitavelmente despertar a sensação de perda pelo fim iminente da nossa casa. Será a última vez que voltaremos de uma viagem pelo Palmeiras com o nosso estádio ainda de pé. Será a última vez que voltaremos para casa, tendo verdadeiramente uma casa a nos esperar. Da próxima vez que voltarmos de São Januário, já não teremos mais estádio.

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*Como é bom poder olhar pra tabela e encontrar o Vasco e não mais algumas tranqueiras que abandonaram a Série A no ano passado.

*Só o que não ajuda é o horário: 18h30 no domingo é pra acabar com a vontade de qualquer um.

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"Febre de bola", página 112:

"Em maio de 1989, exatamente uma década depois da final da taça contra o Manchester United, eu estava esperando notícias a respeito de um roteiro que eu escrevera, e na mesma época a melhor chance que o Arsenal já tivera de ganhar o campeonato em 18 anos parecia estar rapidamente se desmanchando. O roteiro, um piloto para um seriado em gestação, progredira mais do que o normal; houvera umas reuniões entusiasmadas com o pessoal do Channel 4 e as coisas pareciam estar indo bem. No entanto, desesperado após um resultado ruim - uma derrota em casa para o Derby no último sábado da temporada - ofertei meu trabalho (cuja aceitação teria salvo uma carreira e uma auto-estima que estavam em pleno ocaso) numa espécie de altar de sacrifício pessoal: se ganhássemos a Liga, não me importaria com o bilhete de rejeição. O bilhete de rejeição veio no devido prazo, e doeu para cacete durante meses; mas o campeonato também veio, e hoje, dois anos depois, quando a decepção já se desfez mas a emoção do gol de Michael Thomas ainda me deixa arrepiado quando o recordo, sei que fiz um bom negócio."

13 maio 2010

A despedida (agora sim)

O dia 22 de maio de 2010 se aproxima. Ao que tudo indica, dessa vez não tem volta. Vão mesmo nos tomar aquilo que sobrou de tempos gloriosos: a última fortaleza, o refúgio sagrado, o estádio que ajudamos a construir. Vão nos tirar isso tudo e mais um pouco. É inevitável ceder diante do que está por vir, e já não adianta tentar não pensar em todas as ameaças de um futuro higienista, excludente e europeizado. Vai cair a nossa casa. Vai ficar a saudade.

Republique-se:

A DESPEDIDA


Crédito da imagem: Palestrinos
Temos um encontro marcado neste domingo, como acontece quase que semanalmente há mais de década. Será mais um entre os quase 400 que já tivemos. E não deveria ser tão importante, admito, a não ser pelo fato de que pode ser o último. Não o último de todos, o que soa alarmista, mas o encontro que pode encerrar uma era.

Por mais que o futuro próximo não esteja assim tão nítido, sabemos, você e eu, que as tais mudanças estruturais devem mesmo começar muito em breve, de tal modo que o encontro de domingo é provavelmente o último com cara de decisão. É isso que enseja o clima de despedida que transmito agora. Não gostaria que fosse assim, mas é inevitável, como muita coisa na vida.

Dizem por aí que é para o seu bem, e que não se pode contrariar os ares europeus de modernidade que sopram também pelos nossos lados. Dizem. Eu não sei. Só sei que gosto de você assim, do jeito que te conheci. Foi assim que aprendi a te amar.

Gosto de você assim pela tradição, pela beleza arquitetônica, pelos detalhes que remontam ao século passado. Porque suas alamedas exalam história e porque só você consegue ser grandioso e acolhedor ao mesmo tempo. Porque só no Jardim Suspenso, com a vista que você oferece sem fazer cerimônia, respira-se o ar vitorioso de tantas conquistas. E porque só aí, entre a vegetação de um lado e os arranha-céus do outro, é possível se sentir em vários lugares ao mesmo tempo.

Foi assim, com suas arquibancadas apinhadas de gente, que vivi alguns dos momentos mais felizes da minha vida. Debaixo de sol ou chuva e sob frio ou calor. E não é fácil deixar isso tudo para trás.

Não é fácil saber que logo não poderei ter a visão das velhas chaminés ao fundo, lá na Matarazzo, em contraste com as modernas torres comerciais que surgiram depois. É bem difícil, tanto quanto será não mais poder me sentar lá atrás do gol e observar o que se passa nos caminhos que levam ao centro da metrópole, com seus edifícios que se sobrepõem uns aos outros e as luzes de carros e faróis a ocupar as largas avenidas que te circundam.

Tampouco será fácil perder o direito aos dias de folga na piscina do clube, olhando para suas arquibancadas vazias, como que em repouso, à espera do próximo encontro com a massa que te completa.

É tanto mais difícil porque, você sabe, eu tenho um pé no passado. É um defeito, eu bem sei, mas não consigo me livrar deste saudosismo enorme e do romantismo que me levam a te escrever agora.

E, confesso, não consigo entender porque as pessoas gostam tanto dessa tal modernidade. Eu aprendi a te amar quando você ainda tinha iluminação de boate, com estrutura precária e sem as reformas mais recentes, que te modificaram timidamente perto do que está por vir.

Aprendi a te amar ainda sem grades ou separações físicas na arquibancada e sem o setor elitista, o que me permitia migrar de um lado para o outro sem restrições, ainda que com o intuito pouco nobre de maldizer rivais ou inimigos que tantas vezes já vieram te visitar. Acima de tudo, o bom era exercer o saudável hábito de andar de um lado para o outro para encontrar os amigos.

É, tem isso ainda, os amigos. Tantos deles eu conheci por sua causa, e sei que estes serão, como você, parte da minha vida para sempre.

Difícil saber o que vai restar de você depois de tudo o que vemos nesses projetos tidos e havidos como inovadores e pioneiros.

Não sei mais se poderei passar pelo mesmo portão ou subir para a arquibancada pela mesma escada que uso hoje. Não sei se meu(s) lugar(es) continuará(ão) lá, tampouco se a visão do campo será igual à de agora. E as pessoas, mesmo essas, poderão ser outras, porque há um preço a se pagar por essa tal modernidade.

Certo é que nada mais será como antes.

Por isso, ao menos neste domingo, vou fazer tudo do mesmo jeito, como um ritual que exerço já sem a devida consciência. Entrarei pelo mesmo portão, passarei pela mesma catraca, usarei o mesmo banheiro, subirei pela mesma escada, encontrarei os amigos de sempre e ficarei no mesmo lugar (dentro do que hoje me é permitido).

E prometo olhar com um pouco mais de atenção e carinho para cada detalhe seu, pois quero guardar bem na minha mente a imagem de um Palestra Itália que meus filhos infelizmente não poderão conhecer.


Crédito da imagem: Palestrinos

***

O texto acima foi originalmente publicado na semana anterior ao famigerado Palmeiras 0 x 1 reservas do Botafogo, último jogo do Palmeiras em 2008 e possível despedida do estádio para reformas que não aconteceram em 2009. Mas, dizem, elas vão acontecer agora, e aí o texto faz sentido novamente. Uma pena...

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"Febre de bola", páginas 199 e 200:

"Mas há mais coisas além disso. Durante partidas como a semifinal contra o Everton, embora noites feito essa sejam inevitavelmente raras, há a sensação poderosa de estarmos exatamente no lugar certo, na hora certa; quando estou em Highbury numa noite importante ou, é claro, em Wembley numa tarde ainda mais importante, sinto-me como se estivesse no centro do mundo inteiro. Em que outras ocasiões isso acontece na vida? Talvez quando você tem um ingresso bom para a estreia de um musical de Andrew Lloyd Weber, mas você sabe que o musical vai ficar em cartaz por anos a fio, de modo que mais tarde você teria de dizer às pessoas que o viu antes delas, coisa que é meio sem sentido e em todo caso anula completamente o efeito. Ou então talvez você tenha visto os Stones em Wembley, mas hoje em dia até esse tipo de coisa é repeito noite após noite, e por isso não tem o mesmo impacto de ocasião única que tem uma partida de futebol. Não é notícia como uma semifinal do Arsenal vs. Everton é notícia: quando abrir o jornal no dia seguinte, seja qual for o jornal que você leia, haverá um espaço extenso dedicado à cobertura da sua noite, noite para a qual você contribuiu apenas aparecendo lá e berrando.
Simplesmente não se acha isso fora de um estádio de futebol; e não existe nenhum outro lugar no país inteiro que possa fazer você se sentir como se estivesse no coração das coisas. Porque seja qual for a boate, peça ou filme a que você for, seja qual for o concerto que você ouça ou o restaurante que você coma, a vida está acontecendo em outros lugares na sua ausência, como sempre acontece; mas quando estou em Highbury vendo jogos como esse, sinto que o resto do mundo parou e está reunido do lado de fora dos portões, esperando para ouvir o placar final."

11 maio 2010

Cortando o mal pela raiz

Em meio ao marasmo deste interminável campeonato de pontos corridos, eis que devo apelar aos bravos e valorosos jornalistas esportivos para ter algum assunto aqui no blog. Vejam só o que publicou a revista Placar (edição de maio/2010):


O que eu tenho a dizer:

Não se deve incentivar crianças a seguir tal caminho. O erro é da Federação Mineira e a função dos torcedores (os atleticanos e mesmo os marias) é caprichar nas vaias para essa molecada, antes mesmo de qualquer um deles pensar em virar árbitro. É um favor que as duas torcidas podem prestar a esses pobres moleques.

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"Febre de bola", páginas 63 e 64:

"Meu ingresso para a final da taça viera diretamente do clube, e não através de cambistas ou do meu pai, e eu estava ridiculamente orgulhoso disso. (Ainda mais excêntrica foi a alegria que me deu o bilhete de felicitações que veio junto, o qual guardei por anos a fio.) Os ingressos para a taça eram alocados com base nos cupons numerados que apareciam nas costas dos programas. Se você tivesse todos os programas, como eu tinha, o seu ingresso estava mais ou menos garantido; e assim o objetivo do sistema era compensar os torcedores fiés, emba na realidade recompensasse aqueles com energia suficiente para caçar os programas de que precisavam entre os quiosques especializados em programas ao redor do estádio (um processo laborioso que por si só já constituía um espécie de fidelidade). Eu comparecera à vasta maioria de jogos em casa e a alguns fora de casa; tinha tanto direito quanto qualquer outro - e provavelmente mais do que a maioria - a um lugar nas arquibancadas de Wembley, e por isso meu orgulho se baseava na sensação de posse que me faltara no ano anterior."

09 maio 2010

Vai ser isso aí...

Tomemos por base os últimos oito jogos do Palmeiras no estádio Palestra Itália, de março até agora. Os adversários foram os seguintes: Santo André/SP (1-3), Ponte Preta/SP (0-2), Mirassol/SP (1-1), Paysandu/PA (1-0), Oeste/SP (0-0), Atlético/PR (1-0), Atlético/GO (1-0) e Vitória/BA (1-0). Como se vê, não recebemos NENHUM time grande nesse período. Foram todos pequenos, alguns insignificantes até. Em oito jogos, no entanto, o Palmeiras marcou apenas sete gols - menos de um por partida.

Ok, é bem verdade que não fomos vazados nos último cinco duelos, o que denota certa evolução defensiva, mas o pífio desempenho ofensivo não se pode perdoar em se tratando do nível dos adversários - dá pra aceitar um Palmeiras incapaz de marcar mais de um gol durante oito jogos seguidos na sua casa?

É isso, palestrinos, o que nos espera. A primeira rodada, com o quinto pênalti perdido na sequência, futebol fraco, chuva e pressão da torcida, evidenciou o que devemos esperar das próximas 37 enfadonhas rodadas deste campeonato de pontos corridos. Vai ser isso aí mesmo...

***

Mais triste ainda é a constatação, inevitável a essa altura, de que a verdadeira despedida que tivemos de nossa casa se deu ontem. Sim, porque o jogo do próximo dia 22 virá repleto de ações de marketing e já será anunciado com toda a pompa e circunstância de um adeus, o que diminiu o caráter de proximidade e de familiaridade que temos com a nossa casa. Temos duas semanas ainda e só mais um jogo. Mas a despedida, a chuva nos queria fazer acreditar, se deu ontem mesmo. O dia 22 será apenas a formalização de algo que não deveria acontecer nunca.

***

E NÃO É QUE FUNCIONOU?

É tão característica a incompetência do Palmeiras para vender ingressos e prestar um atendimento correto ao torcedor que ontem, ao entrar no jogo pelo acesso exclusivos para sócios e com o cartão pré-pago, todos nos surpreendemos com o fato de ter dado certo. Era inevitável então que, ao passar pela catraca e entrar no estádio, cada um de nós soltasse a mesma frase: "E não é que funcionou?".

***

"Febre de bola", página 214:

"O que imagino que aconteceria comigo se eu não fosse a Higubury certa noite e perdesse um jogo que talvez fosse crucial no resultado final da disputa do campeonato, mas que dificilmente prometeria um espetáculo imperdível? A resposta, acho eu, é esta: tenho medo de no jogo seguinte, o que vier depois do que eu perder, não conseguir entender alguma coisa que esteja acontecendo, como um refrão qualquer ou a antipatia do público para com um dos jogadores; pois assim o lugar que eu mais conheço no mundo, o único local fora da minha própria casa onde sinto que me encaixo absoluta e inquestionavelmente, terá se tornado alienígena para mim. Perdi o jogo contra o Coventry em 1989, mas estava no exterior na época. E embora a primeira dessas ausências tenha parecido estranha, o fato de estar a várias centenas de quilômetros do estádio aliviou o pânico e tornou-o tolerável; a única vez que já estivera em outro bairro de Londres enquanto o Arsenal jogava em casa (eu estava na fila dos ingressos para o Skytrain de Freddie Laker em Victoria quando derrotamos o QPR por 5 a 1 em setembro de 1978, e minha lembrança tanto do placar quanto do adversário é bastante significativa), senti um nervosismo desconfortável."

07 maio 2010

O campeonato do marasmo

Marasmo. Esta é a sensação que se tem com o início, amanhã, do Campeonato Brasileiro de pontos corridos. Sobre esta excrescência que temos de aguentar desde 2003, temos aqui um texto definitivo do jornalista Flavio Gomes e outros deste blog, aqui, aqui e mais aqui. Não é tanto o que importa no momento, porque o objetivo agora é descrever a sensação do palmeirense às portas de mais uma competição que nos recebe com indisfarçável desdém, como se fosse o Palmeiras apenas mais um entre os seus tantos competidores insignificantes. Não deixa de ser o caso.

Aí, quando eu encaro a tabela abaixo com os 38 jogos que nos aguardam de amanhã até a primeira semana de dezembro, não é o outro o sentimento a não ser o de desânimo. Se em outros anos, a tabela era minuciosamente estudada, de modo a buscar a meta de ir a pelo menos 30 dos 38 duelos (todos em casa, mais os clássicos e até uma dezena de jogos fora), desta vez eu apenas desejei pular tudo isso, quase como se fosse necessária uma licença para o clube se reestruturar, expurgar tudo de ruim que por lá existe e então reconquistar a grandeza que se perdeu neste novo século.

Bem que poderíamos pular todas essas 38 enfadonhas rodadas, aproveitando que estaremos já sem a nossa casa, e descansar de tudo isso que hoje nos causa apenas sofrimento e desgosto. Não dá vontade de viajar pra lugar nenhum e mesmo os jogos com nosso mando, como amanhã, são vistos como uma penosa obrigação. Se antes havia excitação ao estudar as datas, avaliar as melhores viagens e o momento certo de comprar passagens e definir os roteiros pelo Brasil, desta vez o que se tem é o peso por uma disputa que já poderia terminar antes mesmo de começar.

Pois é, conseguiram transformar o Palmeiras em um fardo, em um peso que temos de carregar simplesmente porque nosso amor nos impõe tal obrigação. O que era prazer virou motivo de desgosto.

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BRASILEIRO/2010
08.05 sáb. 18h30 Palmeiras x Vitória/BA – Palestra
16.05 dom. 18h30 Vasco/RJ x Palmeiras – São Januário
22.05 sáb. 18h30 Palmeiras x Grêmio/RS – Palestra
26.05 qua. 21h SPFW/SP x Palmeiras – Jd. Leonor
29.05 sáb. 18h30 Palmeiras x Prudente/MS – Arena Barueri
02.06 qua. 21h50 Palmeiras x Flamengo/RJ – Pacaembu
06.06 dom. 18h30 Internacional/RS x Palmeiras – Beira-Rio
15.07 qui. 21h Palmeiras x Santos/SP – vai saber...
18.07 dom. 16h Avaí/SC x Palmeiras – Ressacada
22.07 qui. 21h Palmeiras x Botafogo/RJ – vai saber...
25.07 dom. 18h30 Ceará/CE x Palmeiras – Castelão
01.08 dom. 16h Palmeiras x SCCP/SP – Pacaembu
08.08 dom. 16h Goiás/GO x Palmeiras – Serra Dourada
14.08 sáb. 18h30 Palmeiras x Atlético/PR – vai saber...
22.08 dom. 16h Guarani/SP x Palmeiras – Brinco de Ouro
26.08 qui. 21h Palmeiras x Atlético/GO – vai saber...
29.08 dom. 16h Atlético/MG x Palmeiras – Mineirão
02.09 qui. 21h Fluminense/RJ x Palmeiras – Maracanã
05.09 dom. 16h Palmeiras x Cruzeiro/MG – vai saber...

08.09 qua. Vitória/BA x Palmeiras – Barradão
12.09 dom. Palmeiras x Vasco/RJ – vai saber...
15.09 qua. Grêmio/RS x Palmeiras – Olímpico
19.09 dom. Palmeiras x SPFW/SP – vai saber...
22.09 qua. Prudente/MS x Palmeiras – Prudentão
26.09 dom. Flamengo/RJ x Palmeiras – Maracanã
29.09 qua. Palmeiras x Internacional/RS – vai saber...
03.10 dom. Santos/SP x Palmeiras – Vila Belmiro
06.10 qua. Palmeiras x Avaí/SC – vai saber...
10.10 dom. Botafogo/RJ x Palmeiras – Engenhão
17.10 dom. Palmeiras x Ceará/CE – vai saber...
24.10 dom. SCCP/SP x Palmeiras – Pacaembu
31.10 dom. Palmeiras x Goiás/GO – vai saber...
03.11 qua. Atlético/PR x Palmeiras – Arena da Baixada
07.11 dom. Palmeiras x Guarani/SP – vai saber...
14.11 dom. Atlético/GO x Palmeiras – Serra Dourada
21.11 dom. Palmeiras x Atlético/MG – vai saber...
28.11 dom. Palmeiras x Fluminense/RJ – vai saber...
05.12 dom. Cruzeiro/MG x Palmeiras – Mineirão

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"Febre de bola", página 96:

"Essas frases têm a finalidade de construir uma imagem abrangente do torcedor típico, mas os torcedores típicos sabem que essa imagem está errada. Tenho consciência de que em termos de educação, interesses e profissão, não sou nem um pouco representativo de muitos frequentadores das arquibancadas; mas em termos de amar e conhecer futebol, de disposição para conversar sobre o jogo sempre que a oportunidade se apresenta, e de compromisso com meu time, não sou nada fora do comum."

06 maio 2010

Não vai sobrar nada

Tem coisas, dizem, que só acontecem com o Botafogo. Eu nunca entendi essa frase. Porque, para mim, o Botafogo é aquele time que precisou roubar descaradamente para ganhar o seu único título relevante em mais de século. O que eu sei mesmo, e isso a cada dia mais um pouco, é que tem coisas que só acontecem com o Palmeiras. Quer dizer, tem coisas que só o Palmeiras faz acontecer.

No final do ano passado, ao término do campeonato mais ganho que um time já conseguiu jogar no lixo, eu escrevi isso aqui. Pois uma nova década começou e seguimos com a sina de torcer por um time que virou piada. Sim, meus caros, o Campeão do Século XX é uma verdadeira piada neste novo século, o do futebol moderno.

O problema maior é que o Palmeiras dos últimos 10 anos se notabilizou por destruir os recordes, marcas e tabus que foram construídos ao longo de todo o século anterior. Títulos, retrospectos, campanhas, números, estatísticas, invencibilidades, isso tudo vai caindo ano após ano, fracasso após fracasso, vexame após vexame.

O Palmeiras desta década coleciona derrotas que seriam motivo de vergonha até para um Botafogo ou para um Fluminense. Vai acumulando algozes pequenos, construindo reputações equivocadas, concedendo páginas da história do futebol que antes deveriam ser ocupadas apenas e tão somente por ele e por outros grandes.

O Palmeiras desta década é uma piada. O Palmeiras de hoje consegue façanhas inacreditáveis, destrói o que foi tão duramente alcançado por ídolos do passado, implode muito do nosso orgulho, desafia a nossa capacidade de seguir lutando por ele e contra ele mesmo.

Não colecionamos mais títulos, ídolos e jornadas gloriosas. Colecionamos ASAs, Ipatingas, Santos Andrés, São Caetanos, Paulistas, Atléticos, Vitórias, Ixpóts e coisas do tipo. Junte à lista a incompetência desmedida de nossos dirigentes, a irresponsabilidade criminosa, a omissão, os insultos contra o torcedor, e temos o cenário atual.

Do imponente Palmeiras resta pouco: o amor incondicional da torcida, a história de glórias, a camisa que pode jogar sozinha, o estádio que construímos e do qual nos orgulhamos. Ah, é verdade: este só tem mais duas semanas. Vai cair também. Até isso o Palmeiras atual vai nos tirar. Não vai sobrar nada.

O Palmeiras de hoje não nos permite sorrir. Tem coisas que só ele faz acontecer. O Palmeiras de hoje, vejam só, não nos permite nem mesmo comemorar a derrota do maior rival em paz.

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"Febre de bola", página 178:

"Eis o valor do instinto de rebanho, mais uma vez: fiquei feliz demais ao vivenciar a perda de identidade que as multidões exigem."

05 maio 2010

O Monstro (?) e o Animal

De Edmundo costuma-se dizer que ele poderia ter sido maior do que efetivamente foi. Concordo: Edmundo foi um jogador memorável, mas poderia ter sido um gênio. Poderia ter disputado três Copas do Mundo e marcado época não só para as torcidas de Palmeiras e Vasco, mas para o mundo todo. O Animal não quis assim. Abandonou o Palmeiras por nada, desprezou o amor da torcida, fez besteira atrás de besteira e foi se arrepender amargamente depois de muito bater cabeça. Ainda amado pela massa alviverde, voltou ao clube mais de década depois. Reconquistou a torcida, viveu duas temporadas de reconciliação, mostrou sua genialidade em lances e jogos ocasionais. Foi um pouco Edmundo. E por mais que pudesse ter sido maior do que efetivamente foi, marcou época ao menos para duas das mais apaixonadas torcidas do país. Ficou na história. É ídolo.

Diego Souza não é tão talentoso como Edmundo. Mas, muito acima da média dos nossos tempos, bem poderia ser o que foi Edmundo: um jogador memorável. Acontece que ele não quer. Diego chegou a ser chamado de Monstro no ano passado depois de exterminar o Ixpót/PE no Recife e quase foi alçado à condição de ídolo no Palestra Itália no primeiro semestre de 2009. Mas Diego não quer nada disso. Não quer ser ídolo, não quer consagrar o seu nome na história do Palmeiras (e talvez de nenhum outro clube), não quer o reconhecimento de uma torcida. Depois de duas temporadas e meia de relativo êxito, foge do Palestra pelas portas do fundo, de maneira covarde e sem deixar saudade. Faltou dignidade, faltou postura, faltou caráter. Diego Souza não é Edmundo; não tem o mesmo talento, não tem carisma, não tem a mesma identificação com a torcida. Não vai ter segunda chance. Diego Souza poderia ser um dos grandes da nossa história. Poderia. Vai ficar mesmo como o cara do gol de placa que não valeu porra nenhuma, de uma meia dúzia de grandes atuações e da covardia na hora de (não) dizer adeus. A história não tem lugar para covardes.

Passar bem. A camisa 7 joga sozinha.

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"Febre de bola", página 209:

"Fazia sentido mudar-me para a vizinhança, e também havia outras razões para isso: o seu dinheiro vale mais nas áreas decrépitas da zona norte de Londres do que em Shepherd´s Bush ou Notting Hill, e o transporte público ali é bom (cinco minutos até King´s Cross, duas linhas de metrô, milhões de ônibus). Mas na verdade, morar nas vizinhanças do estádio era a realização de uma deplorável ambição nutrida havia vinte anos, e não adianta tentar disfarçá-la com a lógica."

04 maio 2010

A saudade

Faltam ainda 18 dias e dois ou no máximo três jogos, mas a saudade já se faz presente. Os arautos da modernidade já destilam todas as suas teorias europeias de um futuro civilizado, mas o que fica para mim é a imagem de um futuro selvagem e restritivo, que vem para destroçar o passado que ajudamos a construir. O bom e velho Palestra vai deixar de existir, levando com ele muitas de nossas melhores lembranças. Já agora, com a proximidade do adeus, fica difícil não se deixar dominar pela saudade que certamente vai nos destruir por dentro assim que a noite de sábado, 22 de maio, tomar conta da metrópole. Não vai ser fácil...


Saudosa Maloca
Adoniran Barbosa

Si o senhor não tá lembrado
Dá licença de contá
Que aqui onde agora está
Esse edifício arto
Era uma casa véia
Um palacete assobradado
Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímos nossa maloca
Mais um dia nóis nem pode se alembrá
Veio os home cas ferramenta
O dono mandô derrubá
Peguemos tudo as nossas coisa
E fumos pro meio da rua
Preciá a demolição
Que tristeza que nóis sentia
Cada táuba que caía
Duia no coração
Mato Grosso quis gritá
Mas em cima eu falei:
"Os homi tá cá razão
Nós arranja outro lugá"
Só se conformemos quando o Joca falou:
"Deus dá o frio conforme o cobertô"
E hoje nóis pega a páia nas grama do jardim
E prá esquecê nóis cantemos assim:
Saudosa maloca, maloca querida
Que dim donde nóis passemos dias feliz de nossa vida"



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“Febre de bola”, páginas 73, 74 e 75:

“A posição que eu escolhera – bem no centro, nos degraus do meio – indicava tanto uma certa empolgação (na maioria dos estádios o barulho começa no centro da arquibancada de casa e se irradia para fora; as laterais e as cadeiras só entram no coro nos momentos de grande entusiasmo) quanto um certo grau de cautela (no centro e lá embaixo não era lugar para um estreante temeroso).(...)
O momento em que atravessei a catraca do Lado Norte é o único que recordo de ter conscientemente agarrado um touro pelos chifres. Meu único rito de passagem, portanto, significou ficar em pé num pedaço de concreto, e não em outro; mas o fato de ter me obrigado a fazer algo que eu só queria fazer pela metade, e de tudo dar certo... foi algo importante para mim.
(...)Adorei aquilo lá, é claro. Adorei as diversas categorias de barulho: o barulho ritualístico e formal quando os jogadores entraram em campo (com os nomes dos jogadores entoados um de cada vez, começando pelo favorito, até ele acenar em resposta); o clamor amorfo e espontâneo quando algo empolgante acontecia em campo; o vigor renovado do refrão após um gol ou um período prolongado de ataque. (E até ali, entre homens mais jovens e menos alienados, ouviam-se aqueles resmungos futebolísticos quando as coisas estavam indo mal.) Depois do pânico inicial, comecei a amar aquela movimentação, o jeito com que eu era lançado em direção ao campo e depois sugado para trás novamente. E adorei o anonimato: eu não seria, afinal, denunciado. Passei os 17 anos seguintes lá.”

03 maio 2010

Inacreditável!

Sem entrar em detalhes, este post cumpre o papel de registrar um elogio à diretoria do Palmeiras, que, já a partir da estreia no Brasileiro, passa a disponibilizar para os associados do clube (limitados a 2.500 por jogo) ingressos com 50% de desconto e, o melhor, com preferência de compra (dois dias antes do início da venda nas bilheterias) sempre que o Palmeiras for mandante (no Palestra, no Pacaembu ou em qualquer outro estádio).

Qualquer outra análise fica depois, mas o fato é que eu devo este reconhecimento: até que enfim nossa diretoria pensou efetivamente no torcedor e tomou uma atitude que o beneficiasse. Alguém pode dizer que é para uma parcela pequena, mas ela é representativa do verdadeiro torcedor – sim, eu defendo a categorização – e isso pode representar apenas o passo inicial no reconhecimento que o Avanti não tem salvação.

Aliás, cabe dizer que pelo menos até aqui a coisa funcionou. Fui ao clube e precisei de não mais do que três minutos no setor de cobrança para sair de lá com o meu cartão da Futebolcard (impresso na hora!!!). Dizem – e isso vamos descobrir logo mais – que teremos o desconto, a preferência na compra e que será preciso apenas carregar o cartão pela internet, sem filas e sem complicações. De quebra, teremos ainda uma catraca e um acesso exclusivo ao estádio.

A funcionária do Palmeiras não deve estar entendendo até hoje a reação de quem, como eu, foi até lá fazer o tal cadastro e descobriu, com enorme surpresa, que a coisa realmente funcionava. Em se tratando de Palmeiras, é inacreditável!

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"Febre de bola", página 51:

"... precisávamos ter cadeiras na Arquibancada Superior Oeste (na Arquibancada Oeste porque dali você consegue enxergar o túnel dos jogadores, e portanto saudar a entrada do time em campo antes do resto do estádio), entre a linha intermediária e o Lado Norte."

01 maio 2010

R.I.P. 20h30

20h30: o torcedor consegue sair do trabalho (sim, o torcedor é também um trabalhador honesto, ao contrário de Del Nero, Teixeira, Campos Pinto etc.), chegar ao estádio a tempo de comprar o ingresso e ver o jogo. De quebra, ao sair do campo às 22h30, ainda consegue encarar o transporte público, qualquer que seja, e chegar à sua casa em um horário razoável, a tempo de dormir em paz para acordar no dia seguinte e trabalhar de novo (coisa que nossos dirigentes desconhecem).

21h50: a aberração suprema. Esperar um tempão antes do jogo nem é tanto problema; o que pega é que o sujeito deixa o campo de jogo quase no dia seguinte e, se depender de transporte público, não consegue chegar de volta à sua casa. Mesmo para quem vai de carro, é um transtorno enorme, pois o cara invariavelmente vai chegar em casa depois de 1h da manhã.

19h30: quando nossos dirigentes filhos da puta vão se dar conta de que uma cidade de SP não permite que um jogo de grande porte (como os dois últimos do Palmeiras) seja marcado para tão cedo? Na última quinta, uma vez mais, teve gente entrando lá pelo final do primeiro tempo, uma bagunça só do lado de fora, filas enormes, confusão, o cazzo. É muito cedo, o trânsito é proibitivo, a cidade não anda, a aglomeração nos minutos que antecedem o jogo é terrível, as pessoas se desesperam para entrar quando sabem que o jogo começou e ouvem o barulho que vem lá de dentro. Um dia, anotem aí, ainda teremos uma tragédia com jogos em SP neste horário.

No entanto, com tudo isso exposto, os crápulas da emissora de TV contam com a conivência de nossos covardes dirigentes para impor dois horários para o futebol (19h30 e 21h50). Mataram o horário das 20h30, como se vê também na tabela do próximo Campeonato Brasileiro. E ninguém nos consultou.

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MÁ FÉ

Vejam como os dois maiores jornais de SP cobriram nossa vitória sobre os comedores de calango e entendam porque eu defendo que certos jornalistas esportivos devem ser tratados como inimigos:

Folha de S.Paulo, 30.04.2010:

""Ei, Diego, vai tomar no cu", gritou em uníssono o Parque Antarctica..."

O senhor Renan Cacioli, que assina a matéria, é claramente um mal intencionado! Pois o grito veio somente das cadeiras cobertas, de parte das descobertas e do Visa. Talvez de alguns setores localizados da arquibancada, mas foi algo bem reduzido diante do que ele tenta transmitir. Fica aqui a palavra de outro jornalista que estava no Palestra a trabalho.

"Na comemoração do gol, Cleiton e vários atletas vieram abraçar Diego Souza no banco, o que reacendeu a torcida. "Diego, veado!", cantaram os quase 24 mil pagantes."

Vamos lá: ninguém na arquibancada sequer se preocupou com Diego Souza na hora do gol. Ninguém viu essa porra de grito no final. Se houve, ficou concentrado às cobertas, bem abaixo do espaço da imprensa. Se aconteceu mesmo, devem ter sido pouquíssimos os torcedores que fizeram isso; a imensa maioria nem se lembrava da existência de Diego Souza.

O Estado de S.Paulo, 30.04.2010:

"Juiz ajuda e Palmeiras escapa de fiasco
Equipe é beneficiada por gol mal anulado do Atlético-GO e vence com lance polêmico
O Palmeiras contou com erros da arbitragem para vencer o Atlético-GO na noite de ontem, por 1 a 0, no Palestra Itália. O adversário teve um gol anulado erroneamente e no fim, após fraca atuação, os donos da casa só marcaram gol de pênalti, bastante duvidoso, aos 49 minutos do segundo tempo."


Ao nome de quem escreveu esta bobagem: Daniel Akstein Batista. Eu poderia dizer que ele é cego, que viu outro jogo ou qualquer coisa assim, mas parece mesmo ser caso de má fé, de predisposição contra o Palmeiras. Porque dizer que o nosso pênalti foi duvidoso, falar que o gol dos caras deveria ter sido validado e ignorar os dois pênaltis que não foram marcados para o Palmeiras ainda no primeiro tempo é de uma canalhice sem tamanho.

O tal Akstein, aliás, é figura conhecida. Vejam aqui o que ele já aprontou em 2007 (grande OV!) e 2009 (você tinha razão, Ademir!).

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O PROMOTOR, O PROCURADOR E O DESEMBARGADOR

Com o devido crédito para o amigo Kamarad, que prontamente me mandou a notícia, eis aqui o que escreveu o irmão alvinegro Craudio - valeu por poupar o meu trabalho! - sobre o tal desembargador que resolveu aparecer às custas do futebol. Acontece que outros que se aproveitaram do futebol antes ao menos sabiam como fazer isso. O caso do desembargador é preocupante, pois ele parece viver em um mundo à parte. Uma insanidade só.

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"Febre de bola", página 72:

"Detestamos condescendência (há pessoas que me conhecem apenas como um monomaníaco, e que me perguntam devagar - com paciência e usando palavras simples - pelos resultados do Arsenal antes de se virarem para outra pessoa a fim de conversar sobre a vida: é como se ser torcedor de futebol excluísse a possibilidade de ter uma família, um emprego ou uma opinião sobre a medicina alternativa), mas nossa insanidad torna a condescendência quase inevitável. Sei de tudo isso, e mesmo assim quero pôr no meu filho o fardo de ser batizado como Liam Charles George Michael Thomas. Recebo o que mereço, acho eu."