29 janeiro 2010

10 anos depois

10 anos depois, o Clássico volta para casa neste domingo. Será assim durante todo o ano de 2010 e, espera-se, durante os próximos também. O último SCCP x Palmeiras no Pacaembu aconteceu em 27 de janeiro de 2000, o que justifica a releitura deste post aqui, forjado às custas da decepção do final do último ano. É, no entanto, um texto que pode inspirar boas esperanças para este 2010 que começa sob um descrédito que muito se assemelha àquele de 2000.

Domingo é dia de duelarmos com o nosso maior rival. Até lá, silêncio.

É GUERRA!

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Em boa hora, um dos trechos mais inspirados de “Febre de bola”.
Página 45:

"Um dos gols do West Brom foi marcado - por consenso - em clamoroso impedimento, instigando a torcida a invadir o campo, coisa que por sua vez fez com que o estádio do Leeds fosse interditado pelos primeiros jogos da temporada seguinte. "A torcida se rebelou e tem todo o direito de fazer isso", foi a memorável declaração de Barry Davies no programa Partida do Dia naquela noite; bons tempos aqueles em que os comentaristas de tevê encorajavam energicamente os tumultos, em vez de vir com argumentos pomposos em prol da volta do serviço militar obrigatório."

27 janeiro 2010

O Clássico da Cidade

Passamos, sabe-se lá como, pelo frágil Monte Azul, em jogo que serviu apenas para evidenciar as tantas deficiências de um time que clama por reforços de peso. Mas o que importa de imediato, sejamos claros, é o grande jogo do próximo domingo. O Clássico da Cidade está de volta à cidade e, o melhor, ao estádio da cidade, local de onde nunca deveria ter saído.

Registre-se aqui o alívio porque não teremos desta vez de pegar 1.200 km de estrada para ir daqui até o Mato Grosso do Sul. Belluzzo e Sanchez, embora eternamente responsáveis por manterem o dérbi longe da capital por quase dois anos, finalmente tiveram bom senso.

Dois reconhecimentos se fazem necessários:

1. Ao senhor presidente do SCCP, Andres Sanchez, que, respeitoso para com a história do clássico Palmeiras x Corinthians, destinou à torcida visitante a carga de ingressos que era esperada, ou seja, o tobogã. Sempre foi assim e não havia motivos para mudar agora. Que seja assim nos próximos clássicos, com a devida inversão quando o mando for nosso. Simples e sem pilantragens.

2. Aos comandantes do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Afinal, seguidamente detonados aqui, desta vez os nossos amigos coxinhas não inventaram história e aceitaram a divisão dos ingressos tal como estabelecido pelos clubes. Eu já tinha um post pronto na cabeça para atacá-los caso acontecesse algo diferente. Prevaleceu o bom senso, e fica aqui o elogio.

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Os nossos ingressos estão à venda a partir desta quinta-feira no Palestra (naquele horário de vagabundo, é óbvio). Tobogã a R$ 30. São cerca de sete mil bilhetes.

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Segue abaixo uma compilação de textos para nunca mais esqueceremos dos crimes cometidos no ano passado contra a história do Clássico da Cidade:

03.11.2009: É Pacaembu!
02.11.2009: PRUDENTE/MS NUNCA MAIS!
20.10.2009: Pacaembu, por que não?
22.09.2009: Prudente/MS, maldita seja!
02.09.2010: Pelo dérbi no Maraca
01.09.2009: Pelo dérbi na capital
06.03.2009: Palmeiras x Corinthians
05.02.2009: Del Nero, o filho da puta!

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“Febre de bola”, página 34:

“Nem o casamento é tão rígido: ninguém flagra um torcedor do Arsenal indo escondido a Tottenham para uma farra extraconjugal, e embora o divórcio seja uma possibilidade (você pode simplesmente parar de torcer se a coisa ficar ruim demais), arranjar um novo caso é algo fora de cogitação. Durante os últimos 23 anos, muitas vezes vi-me esquadrinhando as letrinhas miúdas do meu contrato procurando uma saída, mas não há. Cada derrota humilhante (Swindon, Tranmere, York, Walsall, Rotherham, Wrexham) tem de ser tolerada com paciência, coragem e indulgência; simplesmente não há nada que possa ser feito, e a consciência disso pode deixar você louco de frustração.”

Futebol é guerra!

Eu bem queria ficar quieto hoje, mas aí a coluna de Tostão, o mais chato dos colunistas dos grandes jornais, me levou a escrever este breve post, que poderia ser na verdade apenas o título e nada mais. É que eu nunca leio o que escreve Tostão. Por pura preguiça e também para evitar cair no sono no meio do dia. Não à toa, ele é o maior ídolo do Cruzeiro, o mais desprezível dos clubes brasileiros.

Lendo a Folha hoje cedo, estava passando batido pela coluna de Tostão quando me deparei com o título acintoso: “Futebol não é guerra”. É o oposto do que defende este blog e aí eu fui obrigado a ler a pataquada toda. Depois de quase dormir algumas vezes, cheguei ao final. Para evitar a sonolência coletiva, reproduzo aqui apenas os dois últimos parágrafos:

“Devem ser os mesmos que não gostam de futebol. Gostam somente de luta, de torcedores e de jogadores guerreiros. O lance mais aplaudido de Roberto Carlos, pela torcida do Corinthians, foi o carrinho, na lateral do campo, contra o Bragantino, atropelando tudo o que estava em sua frente.

Futebol não é guerra. É um espetáculo bonito, lúdico e prazeroso, que tem, obviamente, de ser jogado com garra.”

Esqueçam o Tostão jogador. Pensem no Tostão comentarista. Ele é como 90% dos jornalistas/comentaristas/colunistas que temos por aí: nunca pisou numa arquibancada. Entende de qualquer coisa, menos de futebol, e aí comete um texto absurdo como este.

Futebol é guerra!

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Para seguir no espírito, mais um pouco de Nick Hornby:

“Febre de bola”, página 131:

“Mas não foi o futebol que fascinou Jonathan. Foi a violência. Por toda a nossa volta havia gente brigando – no Lado Norte, na Ponta do Relógio, na Arquibancada Inferior Leste, na Superior Oeste. A cada poucos minutos um enorme clarão se abria em algum ponto na intrincada tessitura de cabeças sobre as arquibancadas, enquanto a polícia separava facções em guerra, e meu irmãozinho ficava fora de si de empolgação; virava-se a toda hora para olhar para mim, com o rosto brilhando de alegria incrédula. “Isso é incrível”, dizia sem parar.”

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Atualização:
Por indicação do próprio autor, eis aqui a contriuição de André Falavigna para que as pessoas entendam um pouco melhor o que está sendo dito sobre Tostão.

26 janeiro 2010

Febre de bola

Um exercício voluntário de auto-avaliação me fez perceber que este blog está por demais carrancudo, ranzinza até, talvez um pouco no espírito que se espera de quem gosta de futebol de verdade nesses tempos tão, como vamos dizer?, modernos. E isso, admito, passou a me incomodar, conforme relatado em posts anteriores.

Tendo em vista a insatisfação, fez-se necessário tomar alguma providência, por menor que fosse. Mas podem ficar tranquilos aqueles todos que apreciam o estilo radical e extremista deste blog: ele vai continuar assim, porque é uma questão de essência (mais minha do que dele). O caso é que os próximos posts virão acrescidos todos de um pequeno momento literário.

Não serão momentos fortuitos, mas sim bem escolhidos, todos eles extraídos de um mesmo livro, aquele que é fonte de inspiração para esta página e para o meu futuro livro, um projeto que continua a depender de um tempo a cada dia mais escasso (em parte devido a este blog e às demandas todas que decorrem dele).

Estou falando, é claro, de "Febre de bola" ("Fever Pitch"), obra-prima do inglês Nick Hornby. É o livro que mais consegue traduzir a alma do torcedor de futebol, seja ele brasileiro, italiano, argentino, inglês ou africano. Pouco importa; torcedor é torcedor em qualquer parte do mundo, e as palavras de Hornby, um escritor que sabe captar como poucos a alma do ser humano, fazem sentido para qualquer um que tenha o estádio como seu habitat natural.

Foi por essa insatisfação com o blog que resolvi ler a obra de Nick Hornby mais uma vez (perdi a conta de quantas foram). É necessário, até para reativar o espírito do futebol de verdade, bem longe dessa modernidade cretina que tentam nos empurrar agora.

"Febre de bola" é um livro obrigatório, mas que infelizmente está em falta nas livrarias (mas vale procurar em sebos ou na internet). Eu seria incapaz de discorrer sobre as tantas qualidades do autor e da obra, de tal modo que deixo a tarefa com o próprio Hornby: "Este livro é para torcedores como nós, e para quem tiver curiosidade de saber como é a nossa vida. Embora os detalhes aqui pertençam unicamente a mim, espero que eles ressoem dentro de todos os que já se tenham surpreendido devaneando - no meio de um dia de trabalho, um filme ou uma conversa - sobre um voleio de canhota no canto superior direito ocorrido dez, quinze ou vinte anos antes".

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Com vocês, o primeiro dos trechos que passam a acompanhar cada um dos próximos posts do blog:

"Febre de bola", página 135:

"Vou ao futebol por um monte de razões, mas não para me divertir, e quando olho em torno num sábado e vejo aqueles rostos tristes e apavorados, vejo que outros sentem a mesma coisa. Para o torcedor apaixonado, o futebol-espetáculo existe da mesma forma que aquelas árvores que tombam no meio da selva: você presume que é algo que acontece, mas não tem como apreciar a coisa"

25 janeiro 2010

Em defesa do Paulistão

O Barueri de Presidente Prudente (???) joga lá mesmo, no MS.
O Monte Azul de Monte Azul jogou em Ribeirão Preto.
O Oeste de Itápolis jogou em Araraquara.
O Rio Branco de Americana jogou no Pacaembu.
Portuguesa e Bragantino, não por decisão própria, já tiveram de mandar jogos em Barueri, cidade com estádio moderno e que tomou um pé na bunda do time que leva o seu nome.

Isso tudo e estamos apenas e tão somente na terceira rodada, com míseros 30 jogos disputados. Temos ainda, olhando com cuidado para a tabela do Paulistão, coisas inexpressivas como Sertãozinho, Rio Claro e Mirassol, times que não deveriam disputar nem mesmo a terceira divisão. Em contrapartida, agremiações tradicionais como Guarani, São Bento, Ferroviária, Juventus e XV de Piracicaba, para ficar em alguns exemplos, estão fora da Série A.

É este o inflado Paulistão de Marco Polo Del Nero: um campeonato que perdeu a identidade e que se vendeu para empresários, políticos populistas e toda sorte de picaretas. Do jeito que está, com esse monte de times de aluguel, com tanta interferência externa e com as seguidas mudanças de sede, o campeonato tende a se arrastar até a 19ª rodada, com públicos inexpressivos e sem empolgar ninguém, dos grandes aos pequenos.

Este blog, ao contrário de idiotas da modernidade (leia-se Juca Kfouri) defende o Campeonato Paulista até o fim. Mas parece evidente que o Paulistão só faz sentido com 12 clubes, sendo eles os cinco grandes, um do ABC, o Juventus, os dois de Campinas e mais quatro do interior, selecionados ano após ano. O resto é gordura.

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NARCISO, HERÓI DA RESISTÊNCIA

Este blog nunca deixará de enaltecer os personagens que defendem o futebol contra os idiotas da modernidade. Chega de puritanismo, chega do politicamente correto, chega de viadagem. Narciso encarou o juiz, o quarto árbitro e mais o sujeito que veste a farda do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar. Fica aqui o registro de parabéns e de obrigado!

Quanto à postura do coxinha, fica aqui uma breve reflexão: se ele fez isso dentro de campo, diante das câmeras e contra o técnico de um dos times, imagine só o que é capaz de fazer contra um torcedor lá do lado de fora? Pensem nisso...

24 janeiro 2010

O palhaço e o anencéfalo

O palhaço que aparece no título do post bem poderia ser o árbitro do jogo, que nos deixou com um homem a menos desde o início da etapa final. Poderia, mas não é o caso. Embora seja mais um que deveria apanhar simplesmente por exercer essa atividade maldita, o pobre coitado que apitou hoje é apenas vítima do tal futebol moderno, em que qualquer falta de jogo é passível de punição com cartão vermelho.

O palhaço deste domingo não é tanto o juiz, que somente aproveitou sua chance de aparecer. O palhaço deste domingo é o torcedor palmeirense, que já parece por demais acostumado aos sucessivos erros de arbitragem na sua casa e às falhas grosseiras de certos jogadores, situação que evidencia a incompetência de nossos dirigentes.

O torcedor palmeirense, sejamos claros, já não aguenta mais tanta incompetência, tanta passividade, tanta notícia ruim. E já não suporta mais saber que um desconhecido qualquer, caso do pobre coitado deste domingo, pode vir à sua casa, expulsar um jogador seu contra um pequeno time de merda do interior e sair impunemente, como se nada tivesse acontecido.

O torcedor palmeirense está cansado já há muito tempo, de tal modo que um tropeço como este já é suficiente para desperar a ira represada, levando ao protesto que acompanhamos ao final da partida. Não tinha como ser diferente, porque nem a grande atuação de Diego Souza pôde apagar erros individuais gravíssimos.

E é então que chegamos ao senhor lateral-esquerdo Pablo Armero, que já vem comprometendo há tempos sem que nada seja dito a respeito (a não ser por quem vai aos jogos e acompanha tudo de perto, o que não inclui a imprensa dita especializada). Serei breve:

Pablo Armero segue à risca o exemplo de outros dois alas que passaram recentemente pelo Palmeiras. Assim como Lúcio, o vagabundo, e Valmir (lembram?), Pablo Armero não tem cerébro.

Menos dois pontos. E quem paga a conta pela falta de cérebro de Armero é o torcedor palmeirense.

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*Tirando as muitas besteiras da defesa, que deu três gols para os caipiras, o time foi bem. Mas só mesmo o Palmeiras conseguiria sofrer em um único jogo os três gols que tomou hoje.

*É necessário o registro: a molecada do time júnior cumpriu o seu papel com muita dignidade. Estão todos de parabéns!

*A imagem do Setor Visa vazio (em contraste com a boa ocupação da arquibancada) é o retrato do que estão fazendo com o Palmeiras.

22 janeiro 2010

O especialista



Paulo César de Oliveira. Este é o nome do maldito. A ele se podem atribuir ainda adjetivos mil, alguns dos quais me levariam a uma esfera um tanto quanto arriscada. A minha ira é a mesma de cada um de vocês, porque a palhaçada começou cedo demais em 2010. Em sendo assim, vou evitar as adjetivações merecidas por este que é um das figuras mais desprezíveis da arbitragem brasileira. Em vez disso, uma busca superficial pela memória há de revelar alguns dos erros bastante contundentes já praticados por este senhor contra o Palmeiras.

Eu começaria por um que bastaria por si só, o da sua aparição (a palavra é bem adequada) para o futebol, em 1997. Jogo pequeno, despretensioso, esquecível mesmo. O relato está todo aqui e é bem revelador do que viria nos anos seguintes.

Tivemos depois o Torneio Rio-SP de 1998. Como bem lembrado ontem pelo Téo, ele não apenas expulsou Zinho e eliminou o Palmeiras do Rio-SP (contra o SPFW, vejam vocês) como também fez isso depois de tê-lo ofendido. Pior: assumiu a ofensa ao nosso jogador no tribunal e ficou tudo por isso mesmo.

Há muitos “erros” crassos ao longo de 10 anos, e eu perderia um tempo precioso indo atrás de cada um deles (bem que alguns dos nossos amigos desocupados – Vitor? Luigi? – poderia ajudar nessa tarefa). Mas eu posso retomar, por exemplo, o absurdo consumado em 2008, em Bragança Paulista, com a expulsão criminosa de Marcos, ou mesmo o gol de mão da Imperatriz Leonor na semifinal do Paulistão de 2008 (de novo o SPFW? Curioso, não?).

Paulo César de Oliveira é, como se vê, um especialista em nos prejudicar. E o faz de maneira descarada já há longos anos, de tal forma que uma providência já deveria ter sido tomada muito antes. O que consola dessa vez é que o nosso amigo Coronel Marinho queimou cartucho cedo demais em 2010. Vai ser difícil voltar a aprontar contra a gente. Mas aí, cabe lembrar, o irmão de PC Oliveira está à solta.



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O Barueri é uma aberração. Presidente Prudente é uma aberração. Todo o cenário do jogo de ontem representa um atentado, mais um, contra o futebol brasileiro. É de se esperar pelo bem do futebol que esta praga maldita despenque para as divisões inferiores de tudo o que disputar. É uma obrigação de todos os demais clubes. Para limpar o futebol de toda essa corja.

21 janeiro 2010

Atentado cultural

É possível definir a palavra cultura como sendo um conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos e costumes que distringuem um grupo social. É possível também aplicar a ela o significado de complexo de atividades, instituições e padrões sociais ligados à criação e difusão de, digamos, uma atividade esportiva. A junção de tantos sentidos permite afirmar que o futebol tem a sua cultura e, mais que isso, que o torcedor de futebol tem a sua cultura.

Reside aí o grande problema do futebol brasileiro desses nossos dias tão restritivos: uma meia dúzia de cidadãos decidiu se apoderar da cultura do futebol, imaginando que ela poderia ser moldada aos seus interesses financeiros.

Mas, afinal, quem são eles?

Ah, eles são muitos. Dirigentes de clube, presidentes de federação, políticos, empresários, agentes de jogadores, jornalistas, procuradores, promotores, juristas, advogados em geral, comandantes do policiamento, apresentadores de TV, comentaristas, proprietários de veículos de comunicação, donos de empresa, marqueteiros idiotas, burocratas os mais diversos etc..

Eu bem iniciei o ano tentando maneirar no tom crítico deste blog, de modo a torná-lo menos ácido, mas os inimigos do futebol têm se esforçado (ainda que por interesses escusos) bem mais do que eu. Logo, não dá pra deixar de ser ranzinza.

Chegamos então, depois de tanta tergiversação, ao motivo deste post: os seguidos ataques contra a cultura do futebol. Que fique claro que eles são muitos e a cada dia mais duros, mas uns incomodam mais do que outros, e despertam em qualquer torcedor de futebol (excluo aqui os simpatizantes) uma ira que beira o incontrolável.

Começo pelo mais detestável de todos os atentados praticados contra a cultura do futebol: a sua equivalência a práticas de entretenimento. É aquele papo furado segundo o qual “futebol é espetáculo”. Há muitas maneiras de dizer isso, todas elas tentando equiparar o esporte a uma peça de teatro ou a qualquer tipo de evento sócio-cultural. Desistam: o torcedor (aquele que vai ao estádio) nunca vai encarar o futebol como espetáculo ou como entretenimento. O futebol é qualquer coisa, menos isso.

Os que tentam fazer essa comparação são logo aqueles que buscam conferir ao torcedor a condição de consumidor. São aqueles que tentam fazer crer que “futebol é business” (o que interessa é o dinheiro). Estão cometendo um atentado dos mais graves contra a cultura do esporte e do torcedor. São assassinos do futebol.

Da ação direta desses sujeitos decorre uma série de variantes malignas, como o aumento no preço dos ingressos, as tentativas de elitização, a proliferação do pay-per-view, a ostentação do conceito de torcedor-de-sofá, os horários esdrúxulos, a entrada avassaladora de certas empresas predatórias no futebol, a campanha de demonização das torcidas organizadas e, a pior parte, a repressão desmedida nos estádios de futebol, com ápice em São Paulo, onde hoje se proíbe de tudo, de bandeiras a pedaços de papel.

Dia após dia, o torcedor neste país é obrigado a conviver com notícias que atentam contra a cultura do futebol. O mundo está mesmo virando um lugar chato, com patrulha por todos os cantos, mas isso é um pouco mais forte no mundo do futebol, que parece reunir toda sorte de crápulas filhos da puta interessados em lucrar com os seguidos atentados culturais.

Vejamos, por exemplo, o que aconteceu agora no Rio de Janeiro, com a proibição da venda de ingressos em dias de jogos.

É um completo absurdo, que acaba por passar despercebido por certos meios de comunicação exatamente porque a preocupação destes não é com o sujeito que vai ao estádio, mas sim com o camarada que fica com a bunda no sofá de casa.

Pois bem, o que aconteceu no Rio explica-se assim:

Alguém decidiu um dia que a venda de ingressos em dias de jogo podia causar brigas. Não há qualquer comprovação empírica de tal fato, mas resolveram (lembro que a tese foi muito defendida por Wanderley Nogueira, da hoje nociva Rádio Jovem Pan) levar essa ideia adiante e ela ganhou a simpatia de crápulas como, sei lá, o nosso amigo Marco Polo Del Nero.

Daí que os ingressos deixaram de ser vendidos em SP antes dos clássicos, em um claro prejuízo contra o torcedor. Pior: em claro desacordo com a cultura do futebol e do torcedor brasileiro, acostumado que está a comprar os ingressos no dia do jogo, horas antes. Não se muda uma cultura do dia para a noite, mas isso não foi levado em conta por alguns de nossos dirigentes.

Aconteceu isso no Rio: deixaram de vender ingressos nas horas anteriores a um jogo concorrido do Flamengo, a torcida se aglomerou, a BWA (olha ela aí!) resolveu reabrir as bilheterias e aí tivemos confusões na porta do Maracanã.

Vejam, pois: a confusão não se deu por culpa dos torcedores (e nem da BWA, ressalte-se), mas sim porque dirigentes cretinos decidiram fechar as bilheterias logo no momento de maior afluxo de público. Deu no que deu, e agora fica fácil culpar a torcida. Em tempos de restrição absoluta, apela-se para a medida mais radical: proibição da venda em dias de jogos.

É um atentado criminoso contra a cultura do futebol, mais ainda se considerarmos os inúmeros problemas para aquisição dos bilhetes com antecedência. E fica por isso mesmo. Eles fazem a besteira, o pior acontece e aí a punição é aplicada logo ao torcedor, já tão cansado de ser a vítima nesse processo todo.

Agora, depois de reler tudo o que escrevi, percebo que posso ter sido prolixo ou até chato no raciocínio todo. Mas lê quem quer, se identifica quem é torcedor de verdade e eu devo ter razão em tudo isso quando me lembro que logo mais à noite o Palmeiras encara o Grêmio Barueri de Presidente Prudente lá nos malditos confins do Mato Grosso do Sul.

18 janeiro 2010

Nosso amigo, o promotor

"Match Day/ Programa Oficial": é este o nome da revista que foi distribuída no Setor Visa e nos camarotes do Palestra Itália no último sábado para apresentar a nossa estreia no Paulistão. É uma espécie de guia pré-jogo, algo comum em qualquer país da Europa e nos EUA e que agora chega aos estádios dos quatro grandes paulistas (como parte das ações do G4). Acontece que, como dito antes, a tal revista foi distribuída apenas no Setor Visa e nos camarotes. A tiragem, dizem, é de seis mil exemplares, mas, a julgar pela ocupação do Visa, não mais do que mil devem ter chegado ao público.

Fica então a pergunta: por que a distribuição tão limitada? Ou melhor: por que a arquibancada foi excluída?

Eu não tenho uma resposta definitiva, mas a versão que mais ouvi pelas alamedas do Palestra dá conta de que foi uma determinação da Polícia Militar. É provável que seja isso mesmo, visto que o incompetente 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar sabe apenas criar proibições e restrições idiotas, entre as quais a de não permitir que o torcedor entre no estádio com jornais, revistas ou livros.

É tamanha a inaptidão dos nossos coxinhas (sugiro a comparação com o que acontece nos estádios cariocas) que tudo o que eles sabem fazer é proibir – e os estádios ficam tal como estão. Pior ainda é o preconceito que fica nas entrelinhas: "Quem vai de camarote ou de Visa é civilizado e pode receber a revista. Quem vai de arquibancada é bandido e pode usar o papel para provocar um incêndio". É isso, me desculpem.

Poupá-los-ei de comentários jornalísticos e de críticas ao conteúdo, aos textos ou à diagramação do tal "Match Day". Não é o caso. O que eu destaco é o artigo escrito (?) pelo senhor Paulo Castilho, o nosso amigo promotor público. Pois é, a tal revistinha não chega ao torcedor de arquibancada, mas vem com um recado para nós, direto do sujeito que tem se colocado como maior inimigo da coletividade palestrina desde 2006.

Vamos ao texto na íntegra e depois aos comentários:

CHEGA DE VIOLÊNCIA
*Paulo Castilho


Há quatro anos acompanho o futebol de perto, por conta de minhas atribuições como promotor público. Tenho apreço pela torcida palmeirense, que costuma fazer do evento esportivo uma festa inigualável no Palestra Itália.

Fico profundamente decepcionado com a postura da torcida organizada. Muitos de seus integrantes são pessoas do bem, querem fazer as coisas certas e defendem a paz. Entretanto, uma minoria vem causando problemas.

Infelizmente, todos os atos de violência e vandalismo em 2009 tiveram as participações de membros de organizadas em geral. Tenho tentado numa política pública/privada orientá-los e, com isso, diminuir a violência.

Alerto que o cerco em torno das organizadas está se fechando, e que o verdadeiro malandro hoje é aquele que faz tudo certo. Não adianta se fazer de vítima, o mundo do futebol está atento contra os que prejudicam o espetáculo.

Se você pertence a Mancha ou a TUP, trate de se acertar. Se é torcedor comum, faça a sua parte, tenha um comportamento dentro da desportividade. Seja educado e denuncie quem promove a desordem ou coloca a sua vida e a do clube em risco.

Os torcedores não devem interferir na administração do clube, que por sua vez não deve ter relação promíscua com a torcida. Isso dificulta o trabalho de pacificação no futebol.

Dirigentes e jogadores, sejam profissionais, não incitem a violência por meio de gestos ou declarações polêmicas. Para fazer de um jogo um entretenimento de fato, no qual a paixão é declarada sem desrespeito ao direito dos outros, todos precisam colaborar.

Chegaram ao final? Vamos lá então:

"Tenho apreço pela torcida palmeirense..."
Tem certeza, Castilho? Que tal confrontar o seu proclamado apreço a algumas de suas atitudes contra o Palmeiras, contra o seu estádio e contra o seu torcedor? Aqui vai uma pequena amostra:
06.02.2007: Brigas, mentiras e consequências
15.04.2008: Da primeira à última
22.04.2008: Fábrica de factóides
05.05.2008: Os verdadeiros bandidos
02.07.2008: A Mancha, o Hamas e o promotor
19.02.2009: Blindagem garantida
02.03.2009: Quem é mais sujo?
17.04.2009: Ronaldo, a Brahma e os recalcados
25.05.2009: Os verdadeiros bandidos (2)
17.07.2009: Sobre guerreiros e micareteiros
31.08.2009: Um clássico e nada mais
28.11.2009: Belluzzo, o futebol e os recalcados
10.12.2009: Sobre cerveja e futebol

"... que costuma fazer do evento esportivo uma festa inigualável no Palestra Itália."
Ah é? Mas por que é que você decidiu reprimir a nossa festa na final do Paulista/2008? Por que mandou os policiais subirem na arquibancada e descerem a porrada logo no momento em que a torcida fazia a festa por um título que não vinha há muito tempo? Por que, Castilho? Teria isso algo a ver com a sua, digamos, predileção por aquele clube da zona sul que é logo o nosso inimigo histórico? Teria algo a ver com o fato de você já ter sido visto deixando o estádio do Jd. Leonor em companhia de torcedores/consumidores do SPFW? Ou é tudo coincidência?

"Fico profundamente decepcionado com a postura da torcida organizada."
Fiquei até com pena depois do desabafo acima...

"... o verdadeiro malandro hoje é aquele que faz tudo certo."
E isso quer dizer o que exatamente?

"Se você pertence a Mancha ou a TUP, trate de se acertar."
É pra levar a sério essa frase/ameaça?

"Se é torcedor comum..."
Tomando por base o erro conceitual no início da frase, nem é preciso seguir adiante na análise.

"Seja educado e denuncie quem promove a desordem ou coloca a sua vida e a do clube em risco."
Castilho, vejam os senhores, incentiva a denúncia de torcedores contra torcedores. Coisa bonita, não? Mas pior que isso é o final da frase: existe alguém que pode colocar em risco a vida de um clube? Tipo "o clube tal foi assassinado"? Como seria isso, Castilho?

"Os torcedores não devem interferir na administração do clube..."
Para começar: quem é o promotor para definir o que os torcedores devem ou não fazer na relação com seus clubes? E, neste caso específico, é evidente que os torcedores devem interferir na administração do clube. O clube, afinal, só existe por causa dos torcedores.

"Isso dificulta o trabalho de pacificação no futebol."
Pacificação? Tá se achando o herói, né?

"Para fazer de um jogo um entretenimento de fato..."
Errado! Futebol não é entretenimento!

Como os senhores devem ter notado, deixei de usar neste post o adjetivo normalmente atribuído ao nosso amigo promotor. É que isso fica tão claro que eu nem preciso ficar lembrando quem é quem. Apenas ressalto que teremos eleições em 2012.

***

Grande análise do Seo Cruz sobre o bizarro e odioso caso Barueri de Presidente Prudente/MS.

17 janeiro 2010

Um belo (re)começo



Este blog (o autor dele, na verdade) nunca deixou de acreditar em Diego Souza. Não me refiro apenas aos momentos derradeiros de 2009, mas também ao incentivo que foi dado ao camisa 7 ainda em 2008, quando de seu início um tanto irregular. Não à toa, em abril último, ao protagonizar um ato de resistência à hipocrisia no futebol, Diego entrou para a categoria dos ídolos (e cada um escolhe os seus).

É bem verdade que Diego sucumbiu com o time no final da última temporada e que não jogou nada depois de sua maldita passagem pela seleção brasileira. É verdade, mas eu prefiro ficar com tudo o que ele já tinha feito até então, tendo como ápice a monstruosa atuação contra o Ixpót lá na Ilha dos Retirantes (foi ali que começamos a matar a gentalha).

Isso tudo para enaltecer a atuação do camisa 7 ontem, na abertura da temporada. Dois gols, um pênalti sofrido, algumas boas jogadas aqui e ali e, o principal, a personalidade para superar a desconfiança de grande parte da torcida e a, digamos, ameaça vinda da Mancha (e eu, que faço parte da organizada há quase 15 anos, fico bem à vontade para discordar da postura).

Quanto ao jogo, fragilidades do adversário à parte, começamos muito bem. Voltar ao Palestra para cada início de temporada acaba sempre trazendo novas ilusões, inevitáveis para quem escolheu essa vida de torcedor. Que a imagem lá do alto, portanto, sirva de inspiração para que as ilusões deste ano tenham um destino diferente quando chegarmos ao final deste ano.

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Paulo Castilho, o nosso amigo promotor, será lembrado novamente nos próximos dias. Bonito o seu artigo, viu, promotor? Foi seu filho de 10 anos que escreveu?

14 janeiro 2010

O recomeço

Passadas três Copas do Mundo, não há ainda quem consiga explicar o episódio Ronaldo pouco antes da final contra a França, em 1998. É um assunto que entra para a categoria dos mistérios insondáveis, e é bom que seja assim, ainda que sob a sujeição de entrar para a categoria das teorias conspiratórias, que quase sempre descambam para o mais baixo nível do folclore do futebol brasileiro.

Isso tudo porque, a seu modo, a derrocada do Palmeiras na reta final do BR-09 assume este mesmo caráter, o das coisas inexplicáveis. Nunca haverá uma resposta precisa para o que aconteceu entre outrubro e dezembro, e as teses que se criaram (ciúmes de Vágner Love, grupo rachado, jogadores influenciados pelo suposto descontrole do presidente, problemas de salário etc.) se sustentam tanto quanto todo o absurdo festival de teorias conspiratórias que se criou a partir da Copa de 1998.

Sendo assim, não adianta mais remoer o que passou. Aconteceu o pior, sofremos todos, pagamos mesmo sem culpa de nada (além do ingresso mais caro do Brasil), e a vida tem de seguir. Por maior que seja o desânimo (e eu confesso ainda me sentir traído por este grupo que inicia agora a temporada), é chegado o momento de recomeçar o nosso caminho e deixar em 2009 tudo de ruim que nos jogou neste cenário desolador.

O grupo que aí está é bom, muito melhor do que times a que fomos apresentados em temporadas anteriores, e o torcedor tem de acreditar e lutar lado a lado com técnicos e jogadores. A despeito das divergências, desconfianças e incertezas que inevitavelmente se solidificaram, este é o time que temos, é o clube que amamos, é a história pela qual vamos lutar até o fim dos nossos dias. É o Palmeiras em campo.

Temos um Marcos, pelo menos dois bons zagueiros, um Pierre como volante. Temos um Cleiton Xavier (que pode retomar a boa fase), um Diego Souza (que ainda tem muito crédito, ao menos comigo) e um grupo que tem lá suas qualidades. E, vai saber, podemos terminar até com um atacante que, por mau-caráter que seja, sabe jogar futebol e bem pode fazer isso em 2010. E temos Muricy, agora desde o início da temporada, o que talvez faça toda a diferença.

Claro, não temos a vaga na Libertadores, título que deve ficar com um dos nossos inimigos (todos os cinco chegaram lá), e isso tem um peso enorme. Mas, como dito, é hora de deixar 2009 para trás e seguir em frente com o que temos. Sábado começa tudo de novo. Com ingressos a honestos R$ 20. É com a gente de novo!

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Certas coisas acabam se perdendo na atualização do Twitter, mas é mais do que necessário registrar o alívio: SCCP x Palmeiras, em 31 de janeiro próximo, foi confirmado pela diretoria rivale para o Pacaembu. O clássico da cidade volta para o estádio da cidade. Nada mais coerente.

E é de se esperar que Presidente Prudente/MS nunca mais faça parte da história dos dois clubes.

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PAULISTÃO/2010

16.01 sáb. 17h Palmeiras x Mogi Mirim – Palestra
20.01 qui. 21h Barueri x Palmeiras – Prudentão
24.01 dom. 17h Palmeiras x Ituano – Palestra
27.01 qua. 21h50 Monte Azul x Palmeiras – Santa Cruz
31.01 dom. 17h SCCP x Palmeiras – Pacaembu
04.02 qui. 17h Palmeiras x Portuguesa – Palestra
07.02 dom. 17h Bragantino x Palmeiras – Marcelo Stéfani
13.02 sáb. 19h30 Botafogo x Palmeiras – Santa Cruz
17.02 qua. 21h50 Palmeiras x São Caetano – Palestra
21.02 dom. 16h Palmeiras x SPFW – Palestra
28.02 dom. 18h30 Rio Claro x Palmeiras – Rio Claro
03.03 qua. 21h50 Palmeiras x Santo André – Palestra
07.03 dom. 18h30 Palmeiras x Sertãozinho – Palestra
14.03 dom. 16h Santos x Palmeiras – Vila Belmiro
20.03 dom. 16h Palmeiras x Ponte Preta – Palestra
24.03 qua. Rio Branco x Palmeiras – Décio Vitta
28.03 dom. Palmeiras x Mirassol – Palestra
04.04 dom. Palmeiras x Oeste – Palestra
07.04 qua. Paulista x Palmeiras – Jaime Cintra

11 janeiro 2010

Avanti, um erro conceitual

O Avanti, tal como está posto, representa uma imperdoável ofensa contra o torcedor palmeirense. Este blog tem repetido isso desde que foi lançado o programa, dois meses atrás, e tal afirmação vai se tornando irrefutável à medida que associamos a ausência de esclarecimentos por parte de seus idealizadores e a incapacidade de solucionar problemas operacionais os mais banais. As deficiências, cabe dizer, ficam mais latentes neste início da temporada, o que nos conduz inevitavelmente à seguinte pergunta: o que fazer para salvar o Avanti?

Com a palavra, os senhores marqueteiros que conseguiram torrar meio milhão de reais para lançar algo que sintetiza a incompetência quase genética de nossos dirigentes quando se trata de uma das tarefas elementares de um clube de futebol: a venda de ingressos.

Como o torcedor palmeirense provavelmente ficará sem resposta para esta e qualquer outra questão, eu me arrisco a responder a pergunta que eu mesmo fiz. Direto e reto: nada pode salvar o Avanti do fracasso retumbante.

Os motivos estão aqui, aqui e aqui, mas eu me permito resumir isso tudo em uma frase: o Avanti é um erro conceitual. Foi lançado não para torcedores, o seu público supostamente bem definido, mas para consumidores, que é uma categoria bem distinta.

Problemas operacionais como os enfrentados agora seriam até normais no início, e o torcedor iria entender. Mas o que o torcedor não entende, mais até do que a demora para resolver determinadas situações, é porque o Avanti foi lançado sem atender à premissa básica de qualquer programa de fidelidade (ou relacionamento, que seja) entre um clube e sua torcida: torcedor quer ingresso.

Porra, é tão difícil assim?

Torcedor não quer tênis, TV de plasma ou celular de última geração. Torcedor não quer brinde, kit bonitinho ou camisa. Torcedor quer ingresso. Torcedor quer ingresso garantido para toda a temporada (pagando por isso, é evidente). Torcedor quer facilidade na compra. Torcedor que respeito e quer o seu lugar na arquibancada.

NA ARQUIBANCADA, E NÃO NA NUMERADA DESCOBERTA OU NO VISA. NA ARQUIBANCADA!

Sim, é evidente que o torcedor é também um consumidor, mas não do seu clube. Ele vai querer comprar produtos da adidas ou da Samsung, é evidente, mas isso nada tem a ver com o relacionamento com o seu clube. O papel de torcedor independe da sua 'atuação' como consumidor, e o que fez o Palmeiras com o Avanti foi priorizar o consumidor em detrimento do torcedor.

Pior: fez isso em claro sinal de desrespeito ao seu associado e sem apresentar ao consumidor (da adidas e da Samsung) benefícios claros. Exemplos? Bom, a loja virtual ainda não existe, os descontos não são nada claros (e provavelmente serão irrisórios) e os preços que devem ser praticados dificilmente estarão equiparados aos de uma adidas Outlet ou, sei lá, aos das Casas Bahia.

Ou seja: não resolveram o problema do torcedor - e isso fica evidente a partir das contas feitas pelo Junior no post anterior e dos problemas relatados à exaustão pelos poucos que tentaram comprar ingressos para o jogo de sábado - e não apresentaram nenhuma vantagem consistente para o consumidor.

Uma calamidade. E não é preciso ser nenhum especialista em marketing para concluir que está condenada ao fracasso uma ação que nasce a partir de um erro conceitual.

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Pode ser que alguém aí questione o porquê de este blog adotar uma postura assim tão combativa contra o Avanti - questionamentos assim já vieram pelo twitter. E eu então poderia responder de algumas formas, mas o ponto principal é que este espaço é feito por um torcedor de arquibancada para outros torcedores de arquibancada.

É o único compromisso que existe por aqui, e uma ofensa assim tão grande contra o torcedor palmeirense não será encarada com passividade. A porrada veio logo no lançamento e dois meses se passaram, de tal forma que era de se esperar soluções adequadas. Elas não vieram, e o torcedor, que tanto aguardou por uma iniciativa de relacionamento à altura do seu amor e da sua dedicação pelo clube, continua a ser tratado como um idiota.

É triste. Jogaram tempo, dinheiro e paciência no lixo. E o caminho a ser seguido, tão simples, nem precisava de investimento ou de conhecimentos supostamente avançados de marketing. Bastava um carnê de ingressos ou algo do tipo. Sem produtos, sem descontos, sem brindes. Ingresso, lugar na arquibancada e a valorização do nosso sentimento pelo clube. Algo que qualquer torcedor sabe desde o início. Algo que os nossos dirigentes parecem desconhecer.

O Palmeiras e o sócio-consumidor (3)

Tivemos em 2009 este post e depois este outro, ambos dedicados a mostrar o quanto o Avanti Palmeiras, programa criado pelo clube para supostamente se relacionar com seu torcedor, é um completo fracasso já desde o seu desastrado lançamento. Um bom tempo se passou, nada mudou e o Avanti começa 2010 como um fracasso ainda mais retumbante do que já era nos derradeiros dias de 2009. Assim sendo, é de se lamentar - mas faz-se necessário - que este blog dê início ao novo ano com um novo post sobre o assunto. Vamos a ele, em mais uma colaboração muito especial do grande amigo José Luiz Torres Junior, o Junior (ou Cabreirão):

O anti-programa de sócio torcedor II
*Por José Luiz Torres Junior

E o Avanti, dos Srs. Mauro Zucato e Rogério Dezembro, continua sendo o pior programa de sócio torcedor existente dentre os clubes brasileiros, talvez do mundo. Já se passaram 2 meses do lançamento do programa, e outros tantos de sua iniciativa, e problemas básicos seguem atormentando a vida dos poucos que se dispuseram a associar-se a algo que, apesar de colocar-se como meio de relacionamento, nada mais é do que doação unilateral de recursos do torcedor para o Palmeiras e, principalmente, para as empresas envolvidas, supostamente parceiras.

Não bastasse o momento absurdo em que lançaram o programa, claramente às pressas, sem qualquer condição operacional de atender mais do que 10 sócios, já se foram mais de 60 dias e pouco ou nada mudou. Nas comunidades que discutem o projeto com seus associados é comum vermos usuários reclamando de cobranças indevidas em suas faturas de cartões de crédito, levando inclusive a desistências. Por incrível que pareça, por algumas semanas, chegamos a ver oscilações negativas no contador do site do Avanti.

Logo após um texto que publiquei no 3VV contendo minhas impressões sobre o programa, recebi uma rápida resposta e li atentamente uma “auto-entrevista” publicada no site oficial do Palmeiras. Embora não respondesse nenhuma das questões levantadas por mim, os documentos, certamente elaborados por aqueles que desenvolveram e mantêm o projeto, reconheciam erros e prometiam melhoras. Embora solucionados alguns problemas, não todos, especificamente no que diz respeito aos já comentados erros nas parcelas cobradas e a criação da Central de Relacionamentos por telefone, grande parte das questões operacionais básicas seguem no mesmo nível anterior, zero.

Aqui, podemos citar inúmeros pontos, como a ampliação da forma de pagamento, antes prometida para o fim de 2009 e agora sem prazo, a inexistência da loja virtual para aqueles que aderiram ao programa e teriam descontos a serem abatidos de suas anuidades. Esta semana veremos como será a venda de ingressos para o jogo de estreia do Paulistão. O histórico do programa não é nada animador para aqueles que estão contando com tal benefício.

Diante disto, pergunto-me, qual foi a intenção dos idealizadores ao lançarem um programa às pressas como foi feito? A tese de que alguns imprevistos surgiram, embora já estivesse claro, foi-se por água abaixo, dado que um bom tempo se passou e nada mudou. Infelizmente, resta a hipótese de que tentaram extrair, baseado em uma suposta campanha de título, o máximo de dinheiro de alguns Palmeirenses, mesmo que enganando-os descaradamente com benefícios que só apareceriam muito tempo depois, após algumas tantas mensalidades pagas sem qualquer contrapartida ou obrigações contratuais cumpridas por parte do Palmeiras. Ai, talvez o único benefício da vergonha que passamos no último Brasileiro, poucos associaram-se, diminuindo o desgasta na imagem do programa e da instituição.

Confesso que poderíamos relevar tudo isto se ao menos o conceito do programa fosse minimamente válido para o torcedor, porém cada vez mais está claro que o Avanti não contribui em nada para o relacionamento entre clube e torcida, limitando-se a, como já dito, a uma forma de doação quase que unilateral de recursos, com pouquíssimos benefícios para aqueles que associaram-se. Segundo informações passadas pela central de relacionamento, os descontos na ainda desconhecida loja virtual serão de 20% e 15% para as compras à vista de produtos adidas e Samsung, respectivamente. Aqueles que preferirem a prazo, terão esses descontos reduzidos pela metade.

Agora, sem qualquer auxílio de calculadoras científicas, vamos às contas, considerando apenas compras de produtos adidas, que acarretarão em maior benefício para o associado. Qual será o valor total de compras (à vista e a prazo) para o usuário conseguir realizar o total abatimento de sua anuidade?

Compras à vista
Plano Diamante: (R$ 100 x 12)/(20%) = R$ 6.000
Plano Ouro: (R$ 50 x 12)/(20%) = R$ 3.000
Plano Prata: (R$ 25 x 12)/(20%) = R$ 1.500

Compras a prazo
Plano Diamante: (R$ 100 x 12)/(10%) = R$ 12.000
Plano Ouro: (R$ 50 x 12)/(10%) = R$ 6.000

Plano Prata: ( R$ 25 x 12)/(10%) = R$ 3.000

Ou seja, a não ser que o associado tenha um elevado poder de compra, dificilmente abaterá mais do que 30% do valor de sua anuidade. E fica claro que, caso isto ocorra, as grandes beneficiadas serão as empresas parceiras, mesmo sabendo que o Palmeiras tem premiações pela venda de camisas etc.. Uma lógica para lá de questionável, já que, segundo palavras de seus coordenadores, consideram este como o grande diferencial do programa.

Vale lembrar que estes descontos, ou até maiores, são facilmente encontrados no mercado. Por exemplo, há lojas esportivas que oferecem 15% de desconto no mês de aniversário, com a possibilidade de parcelamento sem juros. Ou seja, mais vantajoso que tal programa.

Sei que os defensores do programa, grande parte de forma ingênua, iriam apelar para a boa vontade de todos os palmeirenses que devem contribuir com o clube sem exigir qualquer benefício. Isto inclusive parece ser o único argumento consistente, embora, repito, ingênuo por parte dos coordenadores em suas respostas.

Fora que não existe o mínimo de senso de realidade quando diz-se em 200 mil associados motivados sob esta base argumentativa (o contador do site fala por si só). A eles levanto as seguintes questões: Se quero contribuir com o clube, não é melhor eu me associar ao social, onde pagarei mensalidade maior e ainda poderei votar e participar da vida política? Por que o Barcelona não consegue chegar em 200 mil associados mesmo tendo o mundialmente reconhecido melhor programa de relacionamento, com muito mais benefícios?

Já que falamos do clube catalão, aqui vai uma rápida comparação, novamente sem a necessidade de calculadora científica:

Palmeiras
Anuidade Sócio Torcedor: R$ 300,00
Anuidade Clube Social (Direito a Voto): R$ 840,00
Ingressos Brasileiro 2009: R$ 40 x 19 x (1-30%) = R$ 532,00
Total: R$ 1.672,00 (€ 672,03)

Barcelona

Anuidade Sócio Torcedor (Com Direito a Voto): € 155,00
Ingressos Espanhol 2009-10 (direto do site do Barcelona): € 589,00
Total: € 744,00 (R$ 1.851,07)

Segundo os dados oficiais dos dois programas, o torcedor do Barcelona que quiser assistir a todos os jogos do Campeonato Espanhol, dentro do programa de sócio torcedor, necessário dada a ausência de locais, com estádio lotado em quase todos os jogos, pagará pouco mais que R$ 180,00 (€ 70,00) além do que o palmeirense que quiser ver todos os jogos do Brasileirão, que tem muito menos demanda que o Espanhol.

Vale mencionar que o programa catalão tem muito mais vantagens como acesso gratuito aos jogos de basquete, verdadeiramente demandados por lá, descontos em viagens com o time, não os tais 15% da Azul que provavelmente ainda não funcionam, dentre outros que podem ser vistos no site do clube.

Lembremos que estamos falando do Barcelona, clube da Espanha (que possui renda per capita aproximadamente 3 vezes acima da brasileira e com muito maior distribuição de renda), também campeão do mundo e tendo um elenco bilionário, com 3 dos 5 melhores jogadores do mundo (já utilizando-me do argumento de alguns que tentavam justificar a vinda do Vagner Love através do programa). Esta rápida comparação que ignora outros inúmeros aspectos a favor do programa catalão já mostra o quão fora da realidade está o Avanti Palmeiras.

Diante disto e do exposto anteriormente, não posso me assustar ao saber que o Internacional tem 70 vezes mais associados que nós. Ou que o Vasco e Grêmio têm 40 vezes mais. Ou que o SPFC e SCCP tem 30 vezes mais. Ou que o Coritiba e Atlético-PR têm 15 vezes mais. Ou que Ponte e Vitória tenham 5 vezes mais. Enfim, melhor parar por aqui. E torcer para que os responsáveis, com o perdão do paradoxo, percebam a irresponsabilidade que estão cometendo.


***

O texto do Junior é brilhante, mais uma vez, e os acréscimos que eu pretendo fazer virão nos próximos dias. Por ora, recomendo apenas a leitura do twitter deste blog, que expôs na última semana alguns questionamentos pertinentes (e nunca respondidos) pela equipe que toca o Avanti Palmeiras.

Por sinal, é justo dizer: o ano passado não me permitiu fazer isso no momento apropriado, mas o despreparo do senhor Mauro Zucato (e de todos os responsáveis pelo Avanti Palmeiras) ficou evidenciado nesta entrevista (?) que não esclarece nada.

Voltamos ao tema em breve.

Um Feliz 2010 para todos nós!