30 abril 2009

AVANTI, PALESTRA!


Deste blog, dias antes da batalha da Ilha do Retiro, a primeira de muitas decisões: "Chegou a hora de o Palmeiras ser Palmeiras". Vivemos desde então jornadas heróicas, equiparáveis a algumas das noites felipônicas que nos ensinaram a torcer. Quando chegou a hora, o Palmeiras foi Palmeiras. Foi grande bem longe de casa e em territórios hostis, primeiro em Recife e por último em Santiago. Venceu sem sofrer gols. Venceu e comoveu.

Venceu como um time de homens - e assim teria sido mesmo sem o gol de Cleiton Xavier. Venceu com impacto e com o sofrimento que é desmerecido por alguns pobres coitados, logo aqueles que nunca saberão o que significa alcançar uma classificação como essa. Deixe estar; essa gente não entende o que é ser Palmeiras.

Ouvi o jogo pelo rádio. Foi assim que aprendi a viver o futebol, ainda muito moleque. E foi também uma maneira de prestar meu reconhecimento à Rádio Bandeirantes, que foi digna e priorizou a transmissão do nosso jogo. Guiado pela voz do monstruoso José Silvério, pude comemorar o gol alguns segundos antes.

Foi angustiante não estar em Santiago. Eu estou tão acostumado a participar de todas as batalhas no estádio que já não sei mais me comportar fora do campo. E compensei a angústia lembrando de cada minuto da nossa vitória em Recife. Foi ali, quando o Palmeiras se impôs e mostrou que existem os grandes e os pequenos, que nasceu a classificação que festejamos agora.

Se aquela foi a minha grande contribuição, faço questão agora de homenagear cada um dos guerreiros que tão bem nos representaram em Santiago. Foram muitos, mais que o esperado, e alguns deixaram esta capital paulista no fim de semana anterior para, de ônibus, chegarem a Santiago apenas ontem. Outros sacrificaram o trabalho, gastaram mais uma pequena fortuna e fizeram o possível e o impossível por amor ao Palmeiras.

Agradeço e presto aqui minha homenagem a cada um dos guerreiros palestrinos. Eles foram a nossa voz em Santiago. Passamos, porra! E agora, com os guerreiros de volta, estaremos todos juntos para lotar o Palestra e empurrar o Palmeiras contra quem vier. Nós chegamos!

***

COM A ALMA E O CORAÇÃO
Brilhante, para dizer o mínimo, o post de hoje do Seo Cruz.

A PRÓXIMA BATALHA...
... será fora de campo, no maldito tribunal, diante dos canalhas higienistas e contra todo o lobby dos hipócritas de plantão. Diego Souza vai a julgamento. E não tenham dúvida de que farão tudo o que for possível para afastá-lo das próximas batalhas pela Libertadores.

NO PALESTRA, CONTRA QUEM VIER
Deve ser o Ixpót. Prefiro mesmo que seja assim. É hora de arrancar a cabeça de vez.

UM GRANDE ADVERSÁRIO
É uma pena ver o Colo-Colo fora da próxima fase.

OLÊ, OLÊ, OLÊ, KLÉBER, KLÉBER!
O Gladiador vibrou como cada um de nós. Lá de BH, em exílio forçado, comemorou o gol de Cleiton Xavier como um verdadeiro torcedor de arquibancada. Não se conteve, e ligou para um dos dirigentes da Mancha Verde, em SP, para vibrar com a vitória. Que falta ele faz...

29 abril 2009

A batalha de Santiago

Tudo o que poderia ser dito já foi dito. É hora agora de passar força para os poucos guerreiros nossos que estarão nos representando na arquibancada do David Arellano, em Santiago. Bom seria se estivéssemos todos lá, em número maior, como na batalha anterior, na Ilha do Retiro, em Recife. Como não será possível, o jeito é torcer daqui e esperar que os guerreiros voltem com a classificação.

Para nós todos, que por aqui ficamos, resta lamentar a opção da emissora câncer e de sua concorrente, que deixarão de transmitir a decisão de uma vaga na próxima fase da Copa Libertadores para passar um jogo de menor importância, ainda de uma fase inicial da Copa do Brasil. Não que vá fazer alguma diferença para mim, mas é necessário lembrar com quem estamos lidando.

E é justo ressaltar que decisões como essa justificam todo e qualquer destempero da nossa parte. Estamos certos quando expulsamos um repórter deles da nossa casa, quando destruímos aquela TV de papelão que eles inventaram de levar para os estádios anos atrás ou quando destinamos a essa corja o tratamento que eles merecem. Porque inimigos devem ser tratados como inimigos.

Aqui é Palestra e o respeito vem por bem ou por mal!

***

Notinha sob encomenda, vinda do Painel Leonor de hoje:

De olho. No Palmeiras, a escalação do árbitro paraguaio Carlos Torres, o mesmo que trabalhou na vitória do time contra o Sport, para o jogo contra o Colo Colo foi comemorada ontem. Conselheiros disseram que gente da Traffic andou conversando com gente da Conmebol.

É de se estranhar uma informação assim tão torta, e que se sustenta na base do "Conselheiros disseram que...". Cheira mal, ainda mais no dia de um duelo tão importante. E é revoltante porque apresenta suspeitas logo contra o Palmeiras, o time historicamente mais assaltado da história de todas as competições sul-americanas.

28 abril 2009

Questão de caráter

A revista Placar deste mês traz uma pergunta sem resposta. Está na página 22, seção Aquecimento/ Personagem do mês. Título: “O anticristo”. Pergunta sem resposta: “Por que Rogério Ceni é tão admirado no meio do futebol e tão odiado pelos torcedores rivais?”

Já dizia o grande
Falavigna, irmão do Seo Cruz: “perguntas, mesmo quando retóricas, ensejam respostas”. Mas eis que Sergio Xavier Filho, diretor de redação de Placar, escreve toda a sua coluna em tom de indisfarçada exaltação ao goleiro de hóquei, logo no momento em que o mau-caráter foi para o estaleiro.

A pergunta fica sem resposta. No lugar dela, temos conclusões como “Rogério não venceu pela bênção do talento, mas pelo trabalho”. Sim, o colunista tenta nos fazer acreditar que estamos diante de um genuíno self-made-man. Pior: a foto escolhida traz o narigudo ao lado do seu oposto, o grande São Marcos.

Ok, é uma coluna opinativa, eu não discuto os méritos do nosso inimigo e Sergio Xavier Filho exerce o sagrado direito de emitir seus próprios conceitos. Mas ele fez uma pergunta e é justo que ela seja respondida. Portanto, abro espaço para os torcedores rivais: afinal, por
que vocês odeiam tanto o goleiro de hóquei?

Gladiador: "Eu amo o Palmeiras"


Em meio a esses tempos higienistas e hipócritas, é sempre bom lembrar o que é futebol. O resto fica com o Seo Cruz e o link para a entrevista de Kléber, o Gladiador.

26 abril 2009

O que faz um ídolo

Gols não fazem um ídolo. Pelo menos não no Palmeiras e se forem apenas gols, sem a entrega que se espera dos que vestem a camisa alviverde. Gols, só eles, fazem no máximo artilheiros, e até um Alex Mineiro ou um Vágner Love já chegaram lá.

No Palmeiras, ídolos são aqueles que honram a camisa e agem dentro de campo com a mesma vontade que nos leva a empurrar o time durante os 90 minutos, ainda que tudo pareça perdido. Ídolos são aqueles que se deixam levar pelo calor da partida, que se inflamam com a massa e que, se preciso for, saem na porrada com o adversário.

Se Edmundo é ídolo eterno, não é somente por seus 99 gols e 200 e tantos jogos. Edmundo é idolatrado por isso também, mas por muito mais: pelo comprometimento, pela ligação com a torcida e por aquele pouco mais que faz dele o Animal.

Como ele, o gladiador Kléber é ídolo, e precisou de pouco menos de um ano para ser amado pela massa alviverde. Diego Souza, o monstro, segue pelo mesmo caminho; não à toa, tem sido perseguido pelo tribunal higienista e pela mídia hipócrita.

No Palmeiras, ídolos se consagram não tanto por gols ou jogadas de efeito, mas por uma questão de
comprometimento, de entrega, de raça, de amor à camisa. E é só isso o que se pede, por exemplo, ao nosso camisa 9 ou a qualquer outro, por pior ou melhor que seja.

Se cada um dos 14 jogadores que entrar em campo com a nossa camisa na próxima quarta-feira lá em Santiago tiverem essa consciência, poderemos voltar com a vitória - e a classificação. Que eles saibam: é um jogo sob medida para consagrar ídolos.

***

Do Painel FC de hoje, ainda sobre a esmola midiática:

DIVIDIDA
"Eles têm é que fazer a conta de quanto vão perder. Vai ser muito mais, inclusive a FPF"
Do superintendente de futebol do São Paulo, MARCO AURÉLIO CUNHA , sobre Corinthians e Santos dizerem que farão contas de quanto o Morumbi vai deixar de arrecadar por não receber as finais do Paulista

24 abril 2009

Pra que time elas torciam?

O post anterior traz uma série de argumentos que bambi nenhum consegue rebater – e eles têm aparecido aos montes nos últimos dias. Vale conferir o debate para que cada um tire suas próprias conclusões. Acontece que um dos bambis se superou hoje, e a frase dele merece ganhar maior visibilidade, pois é bem sintomática do grau de alienação desta gente.

Fato é que eu sempre questiono aqui o fato de não encontrar sequer um bambi capaz de cantar o hino do time até o final. É o que se vê na arquibancada: os moleques inconseqüentes começam a cantar o hino e param na segunda estrofe. A maioria desconhece o fato de haver toda uma continuação, que é logo a que procura remeter às origens leonores. Outros até sabem que existe um algo mais, mas não se preocupam em saber do que se trata.

Aí um bambi mandou hoje a seguinte resposta:

“Cantar o hino? muito fraquinho esse argumento. Manda um melhorzinho.”
Não vou emitir opinião. Abro espaço para consulta pública:

Que tipo de torcedor não sabe cantar o hino do próprio clube? Pior ainda: que tipo de torcedor desdenha do hino do próprio clube?

E mais: pra que time eles torciam até 1992?

22 abril 2009

Esmola midiática

1938. O SPFW, clube da elite quatrocentona e resultado de uniões espúrias na primeira metade do século passado, vai à falência já em seu terceiro ano de vida. Como os tempos eram outros, os rivais Palmeiras e SCCP cometem um erro histórico irreparável: organizam um jogo para arrecadar fundos que pudessem manter em atividade o ‘co-irmão’ falido.

Foi o Jogo das Barricas, assim denominado porque os presentes ao tenebroso espetáculo deixavam sua contribuição em barricas instaladas na entrada do estádio. Porfírio da Paz, torcedor-símbolo, autor do hino oficial que ninguém sabe cantar e ocupante de tantos cargos públicos nas décadas de 40 e 50, não se conteve: com uma bandeira estendida, caminhou por entre as torcidas para pedir esmola.

Quatro anos depois, esta mesma gente oportunista tentaria roubar a nossa casa e efetivamente tomaria o campo do então Germânia, obrigado que foi a virar Pinheiros. Depois vieram a venda fraudulenta para a Portuguesa, a doação de um terreno público no Jd. Leonor, os anos de Adhemar de Barros e Laudo Natel, o dinheiro do povo indo para uma obra privada e tudo mais que os senhores conhecem.

Corta para 2009. Como não se muda a genética oportunista, os leonores de agora são os descendentes diretos daqueles de décadas passadas. O que muda é a situação. O SPFW tanto fez que conseguiu perder o seu principal inquilino, o SCCP, que antes tinha o costume de alugar aquele antro maldito e deixar alguns trocados nos cofres leonores. Foi assim por muitos anos, até que ninguém mais conseguisse conviver com a empáfia, a desfaçatez e a alienação da escória bambi.

O ponto de ruptura se deu quando os bambis resolveram descumprir um acordo de cavalheiros, que previa todos os clássicos contra o SCCP na casa delas (vejam só!) com ingressos divididos pela metade e renda idem. As conseqüências já se desenham no horizonte, e não demorou para os leonores perceberem que o prejuízo pode ser enorme, em especial porque eles se dedicam agora a transformar em centro consumista o que já foi um estádio de futebol.

Para sustentar uma estrutura assim, exige-se consumidores, quaisquer que sejam eles – o bolso não distingue alma ou cor de camisa. Com o boicote de SCCP e Palmeiras (que já não manda jogos ‘normais’ por lá desde 2000), a estratégia ficou comprometida, de tal forma que é preciso novamente cooptar recursos financeiros de terceiros para manter um elefante branco que vive às moscas.

Mas ninguém mais precisa se prestar ao papel de um Porfírio da Paz e sair mendigando uns trocados por entre a multidão. Há táticas mais discretas – e eficientes: a esmola agora é midiática, à base de manipulação da opinião pública. Se antes tinham o Estado como aliado, agora os bambis desfrutam do amparo de uma crônica esportiva pervertida, perdida em sua falta de princípios e entregue a uma sórdida agenda de destruição.

É então que os senhores todos convivem diariamente com discursos vazios, produzidos não com alguma base empírica ou cognitiva, mas com o simples propósito de inventar uma realidade paralela, que é logo aquela que interessa aos cofres leonores. Funciona assim: “O Morumbi (sic) é o único estádio que presta e todos os demais devem ser implodidos”. Direto e reto, sem que se faça necessária qualquer argumentação - e a imprensa deixa passar.
Não à toa, portanto, uma figura da estirpe de JJ Scotch Whisky é capaz de sugerir a implosão do histórico Pacaembu, o mais belo e aconchegante estádio desta metrópole. E faz isso não por ter ingerido algumas doses a mais em uma noite solitária, mas simplesmente por carregar a genética dos oportunistas.

Há os que produzem esse discurso: são os pervertidos da mídia esportiva.
E há os que, por má intenção, desinformação ou pura ingenuidade, compram e passam adiante a falácia: pronto, manipulou-se a opinião pública. (Por sinal, cabe observar que muitos dos nossos maiores veículos de comunicação mantêm relações não muito claras com o clube do Jd. Leonor, o que inclui publicidade institucional em pontos diversos do estádio.)

O discurso vazio dos leonores tem lá as suas variantes, que proliferam em épocas como esta, de grandes jogos e decisões entre clubes populares. Alguns exemplos:

“É preciso pensar na segurança do torcedor e levar todos os clássicos para o estádio mais seguro”.

“É hora de os clubes ganharem dinheiro, e o jogo precisa acontecer no maior palco, com mais renda”.
“Temos que pensar no conforto do torcedor comum”.

"O Morumbi
(sic) é um campo neutro".
Estes acima são os argumentos genéricos, mas é sempre bom lembrar que estamos lidando com mentes tão criativas quanto malignas, e elas são moldadas por Casares, o maqueteiro do mal. É então que surgem as muitas tentativas de manipulação: a farsa do gás, a simulação de Bosco Pilha, o caso do Barril de Pólvora e os tantos protestos infundados. E dá-lhe discurso adaptado:

“O Parque Antarctica (note que eles nunca falam em Palestra Itália, talvez por vergonha do passado sujo) não oferece segurança para receber um clássico”.

"O Pacaembu é um estádio antigo e precisa ser implodido".

"A Vila Belmiro é muito acanhada para jogos importantes".


A verdade, meus caros amigos, é que as bichas entraram em desespero e resolveram pedir esmola. A imprensa já está fazendo a sua parte e começou bem cedo. Começo por sugerir a matéria publicada na FSP de 08/04/2009, sob o título "Clubes ignoram o caixa por palcos das semifinais".

A reportagem, em tom crítico, questionava Palmeiras, Santos FC e SCCP, que resolveram mandar os clássicos em suas respectivas casas. Alguns trechos relevantes:

"Recusado por rivais do São Paulo, Morumbi é o campo mais rentável do Paulista."

"O estádio são-paulino, classificado pelos rivais como não sendo um campo neutro, é mais rentável do que as arenas onde Corinthians, Palmeiras e Santos vão exercer seus mandos.
"

Para afirmar isso, os repórteres simplesmente desprezam o fato de os clubes todos terem de pagar aluguel para o SPFW se decidirem mandar os jogos por lá - não por acaso, pois o objetivo é exatamente permitir que isso continue acontecendo.

Aí é um tal de número pra lá, estatística pra lá, percentuais sendo enfiados pela goela do leitor mais desavisado. Até que o tal Jesus Lopes faz o papel que já foi de Porfírio da Paz e resolve lamentar a fuga dos inquilinos: "Já que o futebol é um esporte profissional, o objetivo é ter arrecadação compensadora para subsidiar os custos do time. Um momento como este, uma fase decisiva, com os clubes com maior capacidade de arrecadação, e eles abrem mão disso"

Notaram o desespero? E o tom de matéria paga?

Nos dias seguintes, a Folha (e outros menos cotados) deram suas estocadas aqui e ali, com críticas severas aos clubes que, vejam o absurdo!, resolveram exercer seus mandos de campo nas respectivas arenas. Da edição de ontem, 21/04/2009:

Título: "Desavenças apequenam decisão do Paulista-2009"
Linha fina: "Conflitos entre dirigentes tiram Morumbi da disputa por título, que será na Vila Belmiro e no Pacaembu com preços majorados por clubes"

Última frase: "Não é o que mostra levantamento da Folha, que apontou o estádio são-paulino como mais vantajoso financeiramente."

E assim vai seguir o desespero dos leonores. É de se esperar que, 71 anos depois, ninguém mais cometa o mesmo erro.

O futebol vive


Desde o retorno de Edmundo, naqueles primeiros meses de 2006, não se ouvia tantos aplausos para um único jogador no Palestra Itália. A reverência partiu de todos os setores do estádio, da massa inflamada que encheu a arquibancada aos plácidos freqüentadores do Setor Visa, passando ainda pelas numeradas.

Não houve quem não aplaudisse Diego Souza. Não houve quem não reconhecesse o simbolismo da rasteira que ele aplicou no último sábado. Não houve quem não fosse grato por ter alguém como ele a honrar a camisa alviverde. E houve até quem quisesse destinar a ele o tratamento que já foi de Edmundo, ídolo eterno que também vestiu a 7.

É simbólico observar a gratidão da massa que transformou o Palestra novamente em um inferno para o adversário. O reconhecimento partiu não dos imbecis que se dizem jornalistas e comentaristas sem pisar em um estádio de futebol, mas do torcedor.

Se recebeu críticas e questionamentos de babacas que só entendem o futebol a partir d
a imagem pasteurizada da TV, Diego ganhou tratamento de ídolo daqueles que efetivamente vivemos o futebol. É o suficiente para absolvê-lo de todo e qualquer comentário hipócrita e mesmo de qualquer punição que venha a ser aplicada.

É provável que nem o próprio Diego Souza tenha idéia do quão importante foi a sua atitude. Talvez tenha compreendido apenas hoje, ao entrar em campo, o significado da sua rasteira para aquelas milhares de pessoas que vivemos e amamos o futebol como ele é.

Contra a LDU, Diego se matou em campo novamente. Não só lutou e brigou, como ainda jogou futebol. Após o gol, um petardo a quase 40 metros de distância, correu, ensandecido, para um mais do que necessário encontro com a multidão.
Tirou a camisa e vibrou com a massa, pouco se importando com o cartão que viria.

Como este amarelo de hoje, não terá importância a punição
pela rasteira no jagunço do Santos. Se ela é mesmo inevitável nestes tempos higiênicos, em que tentam fazer do futebol quase um esporte para maricas, que assim seja. Mas o gesto de Diego Souza fica para sempre, como um
recado a todos os que querem destruir o futebol.

Enquanto houver um Diego Souza a resistir, o futebol não terá perdido a batalha para os que tentam transformá-lo em uma atividade para consumo fútil. Enquanto houver um Diego Souza a honrar a camisa e jogar com o coração, a nossa luta passa a fazer ainda mais sentido.

Obrigado, Diego.
O futebol vive.

***

Estamos vivos e a decisão virá em Santiago. Até lá, me abstenho de falar sobre o time, sobre este ou aquele jogador, sobre o técnico, sobre os dirigentes ou o que quer que seja. Apenas registro o parabéns para todos os que empurramos o time nesta semana de três jogos decisivos. A nossa torcida, mesmo à distância, será essencial para buscarmos mais uma vitória heróica longe de casa.

*Texto ainda sem revisão.

20 abril 2009

Mais uma dos coxinhas

Eles, que têm uma predileção especial por clássicos entre Palmeiras e Santos no Palestra, voltaram a aprontar no último sábado. Ao relato:

Turiassu x Caraíbas, sábado, 17h20. Movimento intenso, bares cheios, trânsito interrompido, clima festivo no cruzamento que dá para o portão principal do estádio. Pela terceira ou quarta vez naquela tarde, os homens da Guarda Civil Municipal resolvem que é chegado o momento de uma nova blitz contra os vendedores ambulantes. Sabe como é, titio Kassab, aquele que está sempre com JJ Scotch Whisky, não gosta de ver as pessoas se divertindo. É então que um grupo de cinco ou seis GCMs, uma mulher entre eles, vem da parte baixa da Turiassu em direção ao cruzamento. Uma emboscada.

Com a chegada abrupta dos GCMs, os ambulantes são obrigados a fugir uma vez mais, com seus carrinhos de mão, isopores carregados e churrasqueiras improvisadas. Não é assim tão fácil escapar, pois a rua está cheia, as pessoas estão amontoadas e os vendedores são muitos. Aí acontecem atropelos, esbarrões e tudo o mais que se pode imaginar quando um bando se põe a correr no meio da multidão. Pronto: terminou a paz que reinava ali desde sempre.

Alguns torcedores, revoltados, passam a protestar contra os poucos GCMs. Foi um tal de copo d’água pra lá e latinha pra cá, tudo com o intuito de conter o rapa dos capangas do Kassab. Sem saída, eles recuam para o ponto de origem, ali na Turiassu mesmo.

Ao notar a movimentação inesperada, um grupo de policiais que estava postado em frente ao portão principal do Palestra, não perde a chance de aprontar. Em posição de confronto, como é habitual aos homens do 2º BPChoque, um deles toma a iniciativa e lança uma bomba de efeito moral bem no meio do cruzamento. Para dispersar a multidão, que, diga-se, estava em paz.

A correria foi inevitável, pois o público ali não era sequer de torcedores organizadas, mas daquele dito “torcedor comum”. Famílias, grupos de amigos, crianças, idosos, um pouco de tudo. Menos torcedores organizados, que estavam na sede da torcida, lá na rua de cima, ou já dentro do estádio. Pouco importa para os valorosos e prestativos homens do Choque. Eles querem confronto.

Não contentes com a bomba de efeito moral, passam a atirar contra a multidão. Alguns tiros de borracha foram disparados na direção dos “torcedores comuns” (para usar a enigmática expressão que os jornalistas adoram). Não sei dizer se alguém foi “baleado”. Só deu para ver pessoas correndo, bares subindo as portas, famílias em desespero, jornalistas-abutres desesperados para fazer a melhor imagem, aquele clima bélico que tantas vezes já presenciamos.

A troco de nada.

Aqui, uma imagem dos valorosos e prestativos homens do estimado 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo:



Até quando eles vão freqüentar estádios de futebol?

19 abril 2009

A resistência



O árbitro de ontem, de tantos desserviços prestados ao Palmeiras, veio à nossa casa como se fosse um qualquer. Como se não nos tivesse eliminado de uma Libertadores quatro anos atrás e como se não tivesse, em detalhes como a absurda expulsão de Diego Souza contra os bambis no BR-08, definido mais uma competição contra nós.

Ele veio à nossa casa e agiu a caráter. Ao contrário de um, digamos, Marcio Rezende de Freitas, Sálvio não é espalhafatoso. Não atua necessariamente com pênaltis inventados, gols anulados ou impedimentos questionáveis. É mais discreto, mais cirúrgico, mas não menos nocivo. Faltas invertidas aqui e ali, predisposição maior contra este ou aquele atleta, jogo mais ou menos truncado de acordo com a encomenda.

O alerta fora dado na semana passada por alguns blogueiros da Mídia Palestrina. Acontece que nossa diretoria, entre a inércia e a ingenuidade pueril, continua se sentindo no direito de não atuar nos bastidores.

Nada foi dito, não fizeram pressão e tudo aconteceu conforme o script. O jogo correu no ritmo ditado pelo árbitro, que entrou predisposto contra o nosso camisa 7. Do início ao fim, culminando com a expulsão, Sálvio fez de tudo um pouco para minar o sopro de resistência em um time apático.

Mancini não perdeu a oportunidade: meteu um jagunço em campo, que foi logo para cima do nosso camisa 7. E aí, sem maiores motivos, como no clássico contra os leonores do BR-08, veio a expulsão de Diego Souza, por obra do mesmo árbitro.

Depois disso, somente não aprovam a reação do nosso meia os que se acostumaram a ver tudo não no estádio, como um verdadeiro torcedor, mas com a visão pasteurizada do PPV. E são logo os que compram a análise hipócrita desses tantos comentaristas e pseudo-jornalistas que não pisam em uma arquibancada há anos.

Dentro de campo, Diego Souza pôde fazer o que gostaríamos de fazer cada um dos torcedores que proporcionamos um espetáculo belíssimo no Palestra Itália, com festa do primeiro ao último minuto, mesmo quando a derrota já era inevitável.

O camisa 7, como dito no rápido post anterior, foi um dos nossos. Ao bater no jagunço travestido de zagueiro, atingiu muito mais gente: tribunais, hipócritas da imprensa esportiva, dirigentes, investidores, empresários e toda esta corja canalha que tem feito o possível e o impossível para transformar o futebol em uma atividade mercantilista.

Diego Souza foi o foco de resistência. Agiu não com a frieza e o profissionalismo que pedem os idealistas do futebol moderno, mas como um torcedor de arquibancada, que é o que realmente importa. Com raça, com sangue quente, com dignidade. E respeitou nossa camisa, nossa tradição e, acima de tudo, a nossa torcida.

Razão é o caralho! Aqui é Palestra!

***

Deixo aqui o link para o grande texto do Flavio Mendes, publicado lá no Aqui é Palestra, do Júnior. Está bem de acordo com o que eu penso e com o que este blog defende.
***

NOTAS BREVES

FORA MADUREIRA!Não dá mais! Nego que ganha R$ 500 mil por mês tem que fazer mais do que apenas repetir as mesmas desculpas ao final de cada fracasso. A falta de padrão tático e a maneira como o time se portou nos dois jogos desta semana em casa são fatores que deixam a situação insustentável.

O FINALISTAO Santos, vale registrar, alcançou uma vitória notável e justíssima. Foi bem na Vila e passeou ontem, com um ataque rápido e envolvente. Nada a contestar, inclusive porque me parece não ter havido qualquer irregularidade nos lances capitais.

E O DOENTE MENTAL?Fabio Costa passou o segundo tempo inteiro a provocar a nossa torcida. Não foi dessa vez - ficou no quase -, mas ele ainda vai ter o dele.

A TORCIDAA exemplo do que aconteceu na quarta, foi novamente exemplar o comportamento do público no Palestra. De toda a torcida, diga-se, pois mesmo o povo do Visa e das numeradas acreditou no time mesmo quando não havia mais motivos para tanto.

***

AS 'OTORIDADES'

Do Painel FC de hoje:

Outra vez. A pedido do Ministério Público, a polícia abriu inquérito, no 23º DP, contra a Mancha Alviverde. O motivo: a emboscada feita pelos palmeirenses a um ônibus com torcedores do Sport após o jogo da última quinta-feira.

Barrada. A partir de hoje, será proibida a entrada da Mancha nos estádios. Nenhum membro da organizada poderá ir aos jogos com camisas, faixas ou bandeiras da torcida. A Promotoria da Justiça e Cidadania também deve pedir a extinção da torcida.


Sim, a pedido do MP. Sempre contra a gente. Por sinal, tenho umas imagens bem interessantes dos coxinhas que ontem criaram um tumulto desnecessário na Turiassu. Em breve.

Diego Souza, um dos nossos


Por enquanto, ainda com a cabeça quente, fico apenas com a foto acima, descaradamente copiada lá do Cruz. Porque Diego Souza é um dos nossos. Torcedor como a gente, talvez seja um dos poucos a reconhecer e valorizar o nosso apoio incondicional. Assim, fez apenas o que compete a um homem de verdade, por mais que mentes vendidas e doentias tentem dizer o contrário.

Todo o resto - e há muito por ser dito - fica para depois. Por ora, registro apenas meu agradecimento a Diego Souza, que honra a camisa 7 que já foi de outro grande ídolo nosso, logo o seu antecessor.

Obrigado, Diego. Você é um dos nossos!

17 abril 2009

Ronaldo, a Brahma e os recalcados

Não pretendo entrar no mérito da propaganda da Brahma – se foi boa ou ruim, adequada ou não. Pouco importa. O que interessa para este blog é discutir mais uma vez o papel desempenhado por certos setores da nossa imprensa. Refiro-me a uma parcela considerável da mídia esportiva, com muita gente recalcada e que abusa de um moralismo hipócrita, conforme observado anteriormente pelo grande Seo Cruz.

Deixo-os, para reflexão, com a análise de Regis Bonvicino, no iG.

Poderia acrescentar mais algumas impressões minhas sobre o tema, mas não é o caso. E é então que mudo de assunto, mas ainda com o mesmo alvo: o que se faz necessário é questionar o grau de afetação atingido por nossos jornalistas esportivos e por imbecis como o tal promotor desocupado, que só faz o que faz por conta de todo esse suporte midiático.

Portanto, se o gesto de Cristian pode gerar um processo criminal porque uns e outros se ofenderam, é justo que as comemorações de gols que tiverem jogadores fazendo o gesto habitual da TTI e demais torcidas aliadas sejam tratadas com o mesmo rigor. Porque aí será a minha vez (e a de tantos de outros) de me sentir ofendido.

Aos recalcados:



***

Sobre o estimado e prestativo 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar, deixo aqui mais um
link para apreciação desses tantos imbecis que adoram jogar a culpa nas nossas costas.

16 abril 2009

Tem mais pela frente

O gol saiu antes do esperado, a torcida se comportou de maneira exemplar (mesmo os imbecis de boné branco do Visa) e até o juiz teve lá o seu papel. Chances foram criadas, chegamos a jogar com sete homens de frente no segundo tempo e o pequeno time de Recife nada exigiu do nosso goleiro. Mas a sorte continua bem distante da zona oeste, o Ixpót achou um gol tão maldito quanto ele próprio e tropeçamos de novo na nossa casa.

Se demorei tanto a escrever, é porque o empate em casa doeu mais que muitas outras derrotas, muito porque o êxtase da brilhante vitória no Nordeste se apagou um pouco.

Então eu me dei conta de que não adianta ficar falando aqui dos problemas, das deficiências e das sucessivas falhas de uns e outros. Ou adianta, mas eu sinceramente não tenho cabeça para isso - e deixo isso com gente mais capacitada. Prefiro me concentrar na decisão contra o Santos e depois no LDU. Sem fazer contas e ainda com o mesmo espírito que eu pedi à torcida no post anterior.

Peço desculpas pela criatividade zero, mas a decepção não me permite pensar em nada melhor. Até sábado e terça!

***

22.372?
Eu não costumo reclamar de sonegação de público, pois já entendi que a capacidade do Palestra (e de todos os demais estádios) foi bastante reduzida de uns tempos para cá. Mas dizer que tínhamos ontem apenas 22.372 pagantes é uma ofensa a quem conhece aquelas arquibancadas melhor até que a própria casa. Tem coisa errada aí...

E O INGRESSO?
Bonito, todo estiloso e coisa e tal. Mas aí 90% dele fica na catraca e o torcedor tem de se contentar com uma rebarba que sequer traz o nome do jogo. Dá pra fazer diferente, não dá?

OS PDVs
Perto do que tínhamos com a BWA, já é um avanço considerável. Mas é preciso aprimorar muita coisa e pensar seriamente em um horário, ao menos para vendas no Palestra, que não seja este atual, feita sob medida para vagabundos ou para os loucos que fazemos questão de ir a todos os jogos qualquer que seja o sacrifício.

PISO NOVO
Não sei se mais alguém notou, mas asfaltaram todas as alamedas que dão acesso às arquibancadas do Palestra. Não há mais aquelas tradicionais lajotas hexagonais (ou coisa que o valha); foi tudo asfaltado.
É bobagem, reconheço, mas merece o registro.

15 abril 2009

Mais uma batalha

Vencemos heroicamente em Recife, mas hoje é dia de nova batalha, tão importante e dura quanto a da semana passada. É o caso de jogar com a alma e o coração, como sempre, mas também com a inteligência que se pede em decisões como essa. Sem pressa, sem afobação, com calma. Porque o gol vai sair, cedo ou tarde. Nesta guerra de nervos, cabe à torcida um papel fundamental. Portanto, se você pretende ir ao estádio pra encher o saco, para pressionar o time ou para cobrar o que quer que seja, não vá, por favor. Se você quiser exigir direitos de consumidor, se não estiver comprometido com o perfil guerreiro da nossa torcida e se não acreditava na vitória que fomos buscar lá no Nordeste, continue com a sua bunda no sofá. Não atrapalhe. Porque esta é daquelas noites em que o Palmeiras precisa muito do seu torcedor. Do torcedor, e não dos oportunistas, contra os quais toda e qualquer ação se justifica.

***

Mas o grande objetivo deste post é não deixar que nenhum palestrino deixe de ler a brilhante análise feita
aqui pelo ‘Seo Cruz’. Sim, a imprensa esportiva se tornou essa velha chata que o nosso diplomata tão bem explica neste texto, mais um, inspirado. Há exceções aqui e ali, é evidente, mas a grande maioria dos jornalistas esportivos enquadra-se hoje neste perfil. O discurso (mal) feito impera. Se antes eu me irritava ao ouvir certas bobagens ditas por comentaristas e babacas que se pretendem jornalistas, passei a dar risada nas últimas semanas. Dia após dia, são sempre os mesmos argumentos precários, o mesmo discurso hipócrita e um falso moralismo que me envergonha. Não é à toa: quanto menos o sujeito vai a estádio, mais merda ele fala. E aí, com o barco à deriva, ratos como o promotor público se sentem mais em casa. Enfim, com vocês, ‘Seo Cruz’.

13 abril 2009

Porque aqui é Palestra!


“Você é louco...”

Esta é a reação mais comum quando as pessoas ficam sabendo que, por exemplo, eu viajo de São Paulo a Recife “apenas” para ver um jogo de futebol. O “apenas” fica entre aspas para reforçar a inaplicabilidade do advérbio: se o Palmeiras vai a campo, o que temos é muito mais do que “só” um jogo.

Eu não espero que as pessoas encarem o futebol do meu jeito. Não espero que pensem como eu penso e, para ser sincero, não quero isso. Também não faço questão que entendam a minha dedicação – muito porque admito o tanto de doença que existe por trás deste meu esforço incondicional. Mas, acima de tudo, espero que os normais (ou ‘não-loucos’, como queiram) não se aventurem a falar de futebol em condições de igualdade comigo.

Parece pedante, eu sei, mas é assim que as coisas são.

Bem que eu gostaria de desenvolver este raciocínio, mas aí estaria antecipando muitas das idéias que devem entrar no meu livro. Parênteses: tenho percebido que escrever no blog dia após dia já há longos seis anos acaba por inviabilizar o tempo disponível para me dedicar a isso e atira na correria cotidiana todos os princípios que deveriam estar presentes neste livro que não consegue ir para o papel.

Acontece que preciso deixar aqui algumas das observações feitas por ocasião do Ixpót 0 x 2 Palmeiras lá na Ilha do Retiro, estádio que, admito, me surpreendeu pela beleza, por uma certa organização e pela acústica privilegiada, entre outros fatores. Para poupar tempo e evitar digressões, vamos às observações todas em formato de notas:

É DIA 15!
Escrevi anteriormente que deveríamos retribuir aos nobres visitantes da próxima quarta-feira o mesmo tratamento que nos foi destinado lá em Recife. Sendo assim, é justo dificultar a aquisição de ingressos e nada mais; porque, de resto, a PM local trabalhou bem e as ameaças ficaram pelo caminho.

PARAÍBA?
Mal botei os pés na arquibancada e um imbecil lá do outro lado gritou: “Paraíba!”. É, o cara me chamou de ‘paraíba’, designação pela qual os cariocas se referem aos nordestinos (o equivalente ao nosso ‘baiano’). Não acredito que o sujeito tenha me confundido com algum morador da simpática João Pessoa; é que ele não tinha mesmo mais nada para gritar, de tal forma que resolveu expor o seu ódio contra os vizinhos mais ao norte.

PARAÍBA? (2)
Foi então que entendi a origem da implicância: alegam os pernambucanos que os paraibanos não têm time para torcer e aí escolhem os clubes aqui de SP ou do Rio. O problema é que os pernambucanos deixam transparecer um preconceito que muito se assemelha àquele do qual se dizem vítimas. Ao esculacharem o estado fronteiriço, com indisfarçável sentimento de superioridade, os pernambucanos legitimam todo e qualquer impropério que venha a ser dito contra eles por, digamos, um paulista como eu ou você.

FREGUÊS?
E o jogo transcorreu assim, com gritos de “Paraíba” sendo disparados a todo momento. Um imbecil em particular, logo este que protagonizou comigo uma bela briga na divisa entre as duas torcidas, resolveu então mudar a ‘ofensa’. Mandou um “Freguês!”. Sim, meus caros, a mentalidade do sujeito é afetada como a de um bambi, e ele perde até a noção de que, mesmo jogando em Recife, o Palmeiras leva larga vantagem contra o Ixpót. Mesmo na casa dos caras, vejam só...

BARRAS EM RECIFE?
Bem ao nosso lado, quase na divisa entre as torcidas, uma meia dúzia esticou uns trapos na grade e se pôs a (tentar) cantar como uma torcida portenha. Com todo o respeito, mas aí já é demais...

O PIOR DJ DO MUNDO
A trilha sonora da Ilha do Retiro merece um estudo de caso. Começa com um surpreendente U2 e descamba para coisas absolutamente incompreensíveis. Lá pelas tantas, uma poesia começa a ser declamada. Poesia? Não, mais parecia um feitiço interminável, que se precipitou em mais uma dose de forró.

É PIQUE?
Como se não bastasse o DJ, temos o tal locutor da Rádio Ilha, que se põe a dizer besteiras pelo alto-falante para inflamar o público presente. É bem verdade que eu poderia usar o termo ‘torcida’, mas esta parece que não pôde ir em peso devido ao preço extorsivo dos ingressos (R$ 100). Parte dos presentes mais pareciam uma turma de estudantes ou de convidados para uma festa de aniversário. E aí só sabiam repetir as bobagens ditas pelo locutor. Faz barulho? Faz, é verdade – a acústica ajuda. Mas eu bem gostaria de saber porque os caras não cantaram durante o jogo, quando o time efetivamente precisava de apoio.

O CAMISA 24
Lá pelas tantas, o locutor tenta disfarçar a escalação do camisa 24: “E agora, o camisa twenty-four...”. Muito inteligente, não? Mas legal mesmo foi o apelido que eles inventaram para o tal Ciro: “O Exterminador do Futuro”. Haja paciência...

O GARDENAL
Guilherme Beltrão, aquele que deixou de tomar o seu gardenal diário faz tempo, não se cansa de passar vergonha. Arrumou até um jeito de criticar o nosso presidente, que tentou apaziguar um pouco o clima de guerra criado pelo próprio Beltrão. Disse o imbecil dirigente pernambucano que Belluzzo tentou transformar Recife em uma Faixa de Gaza – ou coisa do tipo. Bom, sugiro ao desequilibrado que vá conversar com os tipos que levaram faixas para o estádio na linha “Bem-vindos a Hellcife”.

O GARDENAL (2)
Tem mais guerra na quarta, e a resposta final fica para depois disso. Futebol é coisa séria!


Creio que era isso o que precisava ser dito. Para finalizar com certa coerência, retomo o raciocínio do início do post. Dizia eu que costumam me chamar de louco porque eu sigo o Palmeiras em qualquer outro lugar e qualquer que seja a circunstância. Sim, eu devo ser louco, ao menos se considerarmos o que prega o senso comum.

Mas os que se deixam levar pelo senso comum jamais viverão uma noite como a de quarta-feira. Nunca saberão o que significa viajar para tão longe e voltar pra casa com uma vitória épica. Não terão a mais vaga idéia do que representa ir ao Rio, a Belo Horizonte ou a Recife e, em condições adversas, empurrar o seu time a uma conquista que parecia improvável.

Permitam-me tal pretensão, a de um guerreiro que vai para uma batalha distante e retorna para a sua terra com a cabeça do inimigo em uma bandeja. “Fomos até lá e trouxemos a vitória. Agora vamos em frente, porque tem mais guerra e precisamos de todos juntos”. Sim, parece épico demais, mas é assim o futebol para quem o leva a sério: é mais do que uma questão de vida ou morte.

É provável que este blog seja lido não só pelos que pensam como eu, mas por um ou outro leitor de bom senso. Se eles de fato existirem, é o caso agora de me julgarem um pouco mais louco do que antes. Talvez estejam certos.

Eles não se dariam ao trabalho de viajar para tão longe sob o risco de voltarem com uma derrota - ou coisa pior. Mal sabem que perderam a chance de, em minoria absoluta, calar um estádio lotado e proclamar o amor pelo seu time no campo de batalha. Ou, mais do que isso, a chance de comemorar como se fosse um gol cada carrinho, cada chute para a lateral, cada desarme, cada gota de suor que fica no gramado...

Nunca viverão segundos que mais parecem horas, tal foi a demora entre a bola deixar os pés de Diego Souza, beijar a trave e depois, cair, caprichosa, já dentro do gol.
Não saberão, portanto, o que é o êxtase de subir no alambrado e comemorar não um simples gol, mas a certeza de que tudo aquilo vale a pena. Nunca saberão qual é a sensação de representar tantos e tantos amigos que, se pudessem, estariam lá, como bons guerreiros que são.

É, eu devo ser louco mesmo...
Mas essa vitória ninguém tira de mim.



Troféu de guerra


É BWA e custou meros R$ 100. O povo lá perdeu a noção...

Sobre gestos e idiotas

Juquinha quis aparecer.

E deu uma de Paulo, o pequeno.

Um e outro não vão a estádios.

Mas escrevem merda sobre futebol.

E assim, depois de quatro linhas rabiscadas no estilo mamãe-não-sei-escrever, sinto-me obrigado a republicar um post do ano passado:

***

NÃO PRECISA MAIS PROCURAR (de 24/06/2008)



Paulo Schmitt, procurador-geral do STJD, é um dos responsáveis por transformar o futebol brasileiro na palhaçada que aí está. Conivente com a síndrome leonor, de denunciar tudo e todos, Schmitt ataca mais uma vez, como aponta o Painel FC de hoje:
Voyeur. Paulo Schmitt, do STJD, procura imagens do gremista Roger comemorando gol com gestos obscenos para decidir se o denuncia.
Não precisa mais procurar. A imagem é esta que se vê aí no alto.

O que o doutor procurador-geral deveria fazer é entender que não se trata de um gesto obsceno, mas de um sinal de identificação com a torcida do Grêmio, o time que Roger defende no momento.

Antes de falar besteira e de procurar o que não existe, o doutor procurador-geral poderia se informar sobre a origem deste sinal, feito por torcidas de, entre outros, Palmeiras, Vasco, Atlético-MG e Grêmio. É uma oposição clara ao gesto de torcidas inimigas, casos de SPFW, Flamengo, Cruzeiro, Inter e outros menos cotados.

Não há obscenidade alguma, portanto. Há, isso sim, identificação (ou tentativa de) com a sua torcida. Se o jogador do Grêmio for a julgamento, o mesmo deve ocorrer com todos os imbecis que comemoram seus gols com o sinal oposto a este.

12 abril 2009

Até a volta

Não há motivo para pessimismo ou mesmo para buscar culpados, por mais que eles tenham existido na derrota de ontem para o Santos. Acontece que perder na Vila é um resultado bastante provável e aceitável e ele se deu na medida mínima, um 1 a 2 que é perfeitamente reversível no jogo de volta, na nossa casa.

Não se esqueçam disso: perdemos ontem, mas o duelo continua no nosso estádio. Aí é a nossa vez de fazer a diferença e empurrar o Palmeiras à classificação. Não será fácil, mas temos mais time, mais torcida e o peso do fator campo. Até a volta, portanto.

***


TEIXEIRA, O INIMIGO DA VEZ

Marcelo Teixeira, presidente do Santos FC, tem lá os seus momentos de fanfarronice, mas um episódio específico, aquele do chilique no Pacaembu, revela a sua verdadeira faceta
. Vejam aqui, por favor, o que disse Teixeira na ocasião em que os torcedores do seu time tiveram de ficar em um espaço reduzido do Pacaembu.

Três frases merecem destaque:

“Como presidente, não poderia me omitir diante da humilhação que a torcida do Santos sofreu no jogo.”

“Os dirigentes do Corinthians não quiseram falar, como eu estou falando. Mas deveriam ter pensado primeiramente na segurança e depois na arrecadação.”

“Nos jogos na Vila, a diretoria do Santos e as autoridades da região dão espetáculo de organização. E continuaremos assim, sem nenhum tipo de revanchismo.”
Pois bem, tudo isso saiu da boca de Marcelo Teixeira três semanas atrás. Eu já tinha rebatido cada frase no post linkado aqui, mas sou obrigado agora a retomar o assunto.

Vejam os senhores que Marcelo Teixeira, depois de tamanho chilique, decidiu reduzir, sem aviso prévio, a carga de ingressos para a torcida do Palmeiras no clássico de ontem. Pior: fez isso em desacordo com o que havia sido combinado com os dirigentes de todos os demais clubes em encontro na FPF.

Seriam 2.000 ingressos, mas tivemos, dizem, apenas 1.259. É difícil acreditar se considerarmos as condições em que os bilhetes foram supostamente vendidos e, mais que isso, o espaço que temos hoje na Vila - e que corresponde a menos de metade do que já tivemos.

A área anterior comportava, na base do empurra-empurra, cerca de 2.000 torcedores. A de hoje, com gente na escada, não deve receber mais do que 700 ou 800, que é exatamente o número de ingressos que efetivamente deve ter chegado às nossas mãos (e a R$ 40, sem bilhetes para estudantes).
Vejam a foto abaixo, feita ontem, pouco antes do jogo:

Aos que nunca foram à Vila Belmiro, esclareço que este pequeno espaço à direita é o local destinado às torcidas de Palmeiras, SCCP e SPFW, sem distinção. Não é preciso ter grande noção espacial para calcular o número de pessoas que cabem aí.

N
otem que existe uma grade improvisada lá no meio, coberta por tapumes de construção. Do outro lado, onde hoje fica a Sangue Jovem, ficavam, pelo menos até 2007 (vejam aqui), também os torcedores dos grandes da capital, totalizando 2.000 lugares (ou 10% da capacidade deste amontoado de laje). Não raro, ficávamos também com os dois setores inferiores, reduzindo um pouco o aperto.

Mas Marcelo Teixeira enfiou essa grade no meio, reduziu a 30% o espaço para os visitantes (observem que uma obra-prima da arquitetura moderna permite que o pedaço de arquibancada que nos foi tomado seja mais alto que a parte que restou)
e ficou tudo por isso mesmo.
Nenhum dos grandes aqui de SP reclamou, Teixeira passou a fraudar a venda de ingressos (com a alegação de que eles são vendidos na própria Vila) e as torcidas dos grandes da capital passaram a ser representadas por um público cada vez menor lá na Baixada. E o sujeito ainda se sente no direito de reclamar da maneira como foram tratados os santistas no Pacaembu.

Cumpre dizer que o setor da torcida visitante recebeu ontem uma visita ilustre. Tivemos os palmeirenses a companhia do sempre combativo promotor público que segue os passos daquele primeiro, o que virou deputado. Aí o figura apareceu lá, olhou a situação, conversou com alguém e foi embora. Até o dia em que acontecer uma tragédia naquele amontoado de laje.
A verdade, provada na foto acima e nos fatos da última semana, é que Marcelo Teixeira, se tivesse um mínimo de vergonha na cara, estaria agora constrangido com o chilique que deu 20 dias atrás no Pacaembu.

***

PISANDO NA BOLA

Cerca de 3.000 palmeirenses enfrentaram sufoco para comprar o pacote para os três jogos da primeira fase da Libertadores e terão de pegar fila novamente para trocar os ingressos já adquiridos.

A tumultuada venda dos pacotes foi o último grande ato de incompetência da BWA no Palmeiras, e agora a diretoria do Palmeiras transfere para o seu torcedor a responsabilidade de trocar os bilhetes antigos, da BWA, pelos novos, da Outplan.

Está errado por definição, pois o torcedor já sofreu uma vez e não deve agora passar por apuros novamente, até porque a compra dos bilhetes para os três jogos era uma maneira de evitar filas.

Mas o problema maior é fazer isso apenas às vésperas do jogo contra o Ixpót e, pior, submeter o torcedor aos horários vagabundos que, disse Belluzzo, teriam fim. Vejam os senhores que o sujeito que comprou os ingressos antecipados terá de efetuar a troca dos mesmos apenas no Palestra Itália e no horário vagabundo das 11h às 17h durante a semana. Ou, se preferir, antes do jogo de quarta, mas logo um que tem início no absurdo horário das 19h30.

Vem confusão por aí. E a diretoria pisou feio na bola.

10 abril 2009

Ressaca boa

Aqui, direto da quente e aprazível João Pessoa, confesso ainda não compreender totalmente o tamanho da nossa vitória na quarta. Não pelo adversário que enfrentamos, que é e sempre será um time pequeno, mas pela distância que me separa de São Paulo e que, digamos, limita a busca por informações, não me permitindo saber como as coisas repercutiram por aí.

Entre conexões lentas demais para um vídeo na internet e com as prioridades devidas em uma cidade do Nordeste, não vi ainda os dois gols do Palmeiras, a não ser no estádio. A bem da verdade, prefiro mesmo essa visão, que pode até ser limitada, mas é a que fica para a minha memória de estádio.

O gol de Keirrison (foi ele mesmo?) ainda é pouco claro na minha mente. Lembro-me apenas da bola sendo erguida na área e de um desvio da direita para o meio. Depois, mais nada. Só o que consegui fazer foi olhar para o bandeirinha lá do outro lado. E o gol não teve bola na rede, ao menos não para mim; teve apenas o tal auxiliar correndo na nossa direção.

Já o segundo, do monstro Diego Souza, é bastante mais nítido. Ele avança pela direita do ataque e, de repente, corta para o nosso lado. Passa por entre os zagueiros e adianta um pouco a bola. Aí vem o desvio por sobre o goleiro. Nos poucos segundos (?) entre o toque e o gol, a bola parecia alta demais. Deu até para pensar um "De novo não!", em referência ao lance em que ele driblou até o goleiro e que, inexplicavelmente, não terminou em gol. Como foi isso?


A verdade é que esses lances (e outros mais) não saem da minha cabeça. E às vezes eu me pego vibrando sozinho andando por aí. Foi uma vitória monstruosa. Não pelo adversário, mas pelo tanto que saiu de certas mentes pequenas ao longo de um mês. Passei agora por alguns blogs da Mídia Palestrina e vi que já escreveram com propriedade sobre o assunto.

Até então, tudo que eu tinha eram os jornais de Recife na quinta-feira. E todos, do mais sério ao mais popular, seguiam a mesma linha: "Palmeiras cala a Ilha". Um bom contraponto ao clima de otimismo e às manchetes populistas e ameaçadoras do dia anterior.


As minhas considerações sobre o estádio e a torcida de auditório do Ixpót ficam para depois, por mais que eu perca o timing. Mas é que eu prefiro ainda aproveitar a última noite de folga por aqui e saborear um pouco mais a grande vitória lá na Ilha dos Retirantes.

Até amanhã à tarde na Vila.

09 abril 2009

O gigante Palmeiras

Porque existem os pequenos. E existem os grandes.

Os pequenos tentam se equiparar aos grandes falando antes da hora. Jamais deixarão de ser insignificantes. Quando chega a hora de diferenciar grandes e pequenos, s
empre haverá um gigante como o Palmeiras para colocar tudo no devido lugar.

E isso, depois da batalha heróica na Ilha dos Retiro e já no meio da madrugada aqui em Recife, é tudo o que meu coração me permite escrever. Obrigado, Palmeiras!

07 abril 2009

“Com a alma e o coração”


Libertadores/1999, oitavas-de-final
São Januário, Rio de Janeiro/RJ

Depois de uma campanha irregular na fase de grupos (6-3-1-2), o Palmeiras se classifica em segundo lugar e pega o Vasco, campeão de 1998, logo na abertura do mata-mata. Na ida, noite chuvosa em São Paulo. Carlos Germano faz milagres e segura o empate em 1 a 1, gol de Oséas para o alviverde. O Palestra viaja desacreditado para o Rio de Janeiro, mas conta com o apoio de uma grande torcida, composta por todos aqueles que acreditamos que era possível buscar a vaga fora de casa. Resultado: Vasco 2 x 4 Palmeiras, com grandes atuações de Alex e Arce. Seis jogos depois, viria o título.

Libertadores/2000, semifinal
Jd. Leonor, São Paulo/SP
O Palmeiras perde o primeiro duelo para seu arqui-rival: 3 a 4, com direito a gol espírita dos gambás já nos descontos e após termos empatado o jogo após um parcial 1 a 3. Agravantes? O SCCP tinha um time superior e vinha disposto a vingar a eliminação do ano anterior. Atenuantes? Nós ainda tínhamos Felipão e chegamos para a decisão sob o descrédito que tanto faz bem a um time guerreiro como o nosso. Dos 60 mil pagantes, 40 mil eram rivales; 20 mil eram nossos, e assumimos a responsabilidade. O resto é história: fizemos 1 a 0, tomamos o 1 a 2 em poucos minutos e fomos então buscar uma nova virada na base da raça, do apoio da torcida e de um gol improvável de Galeano: 3 a 2. Nos pênaltis, a cena que virou obra de arte, com Marcos defendendo a penalidade de Marcelinho.

Libertadores/2001, quartas-de-final
Mineirão, Belo Horizonte/MG
Sob o comando de Celso Roth, o Palmeiras ficou atrás do marcador três vezes na sua própria casa e foi sempre buscar o empate, três vezes com Lopes, e a última delas já nos descontos. 3 a 3 em casa? Péssimo resultado. Eis então que fomos ao Mineirão novamente em grande número, desta vez com o apoio dos aliados da Galoucura. Os marias fizeram 1 a 0 e fomos buscar o empate. Aí tomamos o 1 a 2, perdemos pênalti e a situação se complicou. Mas, a 5 minutos do fim, a bola é erguida na área e Alexandre, aquele mesmo, sobe por trás da zaga e cabeceia para o gol: é o empate. Nos pênaltis, o Cruzeiro teve três chances de matar a disputa, mas brilhou a estrela de São Marcos. E aí, 14 cobranças depois, arrancamos mais uma classificação heróica. A imagem que não sai da minha cabeça é a nossa saída triunfal do Mineirão, mais de uma hora depois do jogo e com um mar de verde cruzando o corredor feito pelos marias, que tiveram de deixar a emboscada para uma outra oportunidade.

Libertadores/2005, oitavas-de-final
Jd. Leonor, São Paulo/SP
Na ida, 0 a 1 em casa. A classificação, improvável, seria disputada no antro do Jd. Leonor, e com apenas 10% dos ingressos para a gente. Não deu; levamos um 0 a 2 na etapa final, mas o que não sai da memória é a disposição da nossa torcida, que ocupou todo o seu espaço e chegou a cantar mais alto que a massa de alienados do outro lado. Antes e depois, o pau comeu e os guerreiros de verde seguramos aquele bando de moleques inconseqüentes só no braço, como tem de ser. Mas o que importa mesmo é que o sentimento de superioridade pode vir mesmo depois de uma derrota assim, tão doída. É tudo uma questão de alma, exatamente o que sobra para nós e falta para os alienados.

Libertadores/2006, oitavas-de-final
Jd. Leonor, São Paulo/SP
Não dava nem para dizer que tínhamos um time. Era um amontoado de jogadores, sem qualquer organização. Nem técnico tínhamos, já que Leão fora demitido pouco antes, após um vexatório 1 a 6 em Florianópolis. Eis então que chegamos para enfrentar o SPFW, à época atual campeão, em total adversidade. Na ida, no Palestra, empate em 1 a 1, e o mais curioso é que deixamos o estádio cantando, enquanto a meia dúzia de alienados permanecia em um silêncio constrangedor. Na volta, no mesmo esquema do ano anterior, um Palmeiras esfacelado e ainda sem técnico arrancou um empate heróico: 1 a 1. Foi assim até os 40 minutos da etapa final, quando prevaleceu o infalível apito leonor. Com direito a passe do sujeito que se diz juiz: ele desviou a bola no nosso ataque, armou o contra-ataque bambi e foi inventar um pênalti do outro lado. Veio a eliminação, mas caímos de pé e cantando mais na casa do inimigo. Derrota à parte, é daquelas noites inesquecíveis para quem é torcedor de arquibancada.

Libertadores/2009, primeira fase
Ilha do Retiro, Recife/PE
A decisão chegou cedo demais. Depois de duas derrotas, uma delas inesperada, o Palmeiras joga o seu futuro na Libertadores diante do Ixpót lá em Recife. E o nosso espírito para o duelo de amanhã é o mesmo de todas as decisões anteriores.


Alguém pode dizer: “Mas você está misturando exemplos de vitórias e derrotas no mesmo texto, e isso enfraquece a sua argumentação”. Não enfraquece, e é fácil explicar. As batalhas acima não estão aí porque representativas de vitórias ou derrotas, de classificações ou eliminações, mas sim porque traduzem o sentimento do torcedor de arquibancada, aquele que vai ao estádio não para ver o jogo, mas para empurrar o time à mais improvável das conquistas.

A maioria simplesmente desistiria e ficaria em casa. Não é o nosso caso, e nós vamos atrás do time mesmo quando a derrota parece inevitável.
Porque é exatamente nessas horas que prevalece o sentimento de que podemos buscar a classificação qualquer que seja a adversidade. De preferência, na casa do adversário.

Muitos de vocês, como eu, devem ter ido a todos os jogos acima, no Jd. Leonor, no Rio, em BH. E alguns, os que pudermos, vamos também a Recife. É questão de honra, de ir para a guerra mesmo sabendo que o pior pode acontecer. Não importa.
É assim, com esse sentimento à frente, que vamos ao Nordeste para mais uma batalha, para mais uma noite de Libertadoes. O clima, criado por imbecis que não estão acostumados a decisões, é o pior possível. Não há de ser nada. Estamos prontos para tudo o que vier do nosso inimigo. Porque nós somos Palestra!

Só espero que os jogadores entrem em campo com o mesmo espírito. Com sangue nos olhos. Com disposição de rebater tudo o que vem sendo dito por pequenos canalhas. Com vontade de colocar grandes e pequenos em seus devidos lugares. Com a alma e o coração.

Que honrem a nossa história e a nossa tradição.

À batalha!

“A Taça Libertadores é obsessão
Tem que jogar com a alma e o coração”

***

Já adianto: com vitória ou com derrota, ficarei pelo Nordeste depois do jogo. Volto no sábado logo cedo para a primeira semifinal do Paulista, na Vila. Assim sendo, não estranhem se este blog ficar sem atualização por alguns dias. Não posso prometer nada.

06 abril 2009

Um pouco de história

199909.04, sex. - Vitória/BA 2 x 2 Palmeiras - Copa do Brasil11.04, dom. - Palmeiras 2 x 1 Rio Branco/SP - Paulista
14.04, qua. - Palmeiras 1 x 1 Vasco/RJ - Libertadores
18.04, dom. - SPFW/SP 4 x 4 Palmeiras - Paulista
21.04, qua. - Vasco/RJ 2 x 4 Palmeiras - Libertadores
23.04, sex. - Internacional/SP 1 x 1 Palmeiras - Paulista
25.04, dom. - Palmeiras 0 x 0 Matonense/SP - Paulista
28.04, qua. - Palmeiras 3 x 2 Vitória/BA - Copa do Brasil
02.05, dom. - Portuguesa/SP 1 x 0 Palmeiras - Paulista
05.05, qua. - Palmeiras 2 x 0 SCCP/SP - Libertadores
07.05, sex. - Rio Branco/SP 2 x 3 Palmeiras - Paulista
09.05, dom. - Palmeiras 1 x 5 SPFW/SP - Paulista
12.05, qua. - SCCP/SP 2 (2) x 0 (4) Palmeiras - Libertadores
14.05, sex. - Flamengo/RJ 2 x 1 Palmeiras - Copa do Brasil
16.05, dom. - Palmeiras 4 x 1 Internacional/SP - Paulista
19.05, qua. - River Plate/ARG. 1 x 0 Palmeiras - Libertadores
21.05, sex. - Palmeiras 4 x 2 Flamengo/RJ - Copa do Brasil
23.05, dom. - Matonense/SP 0 x 2 Palmeiras - Paulista
26.05, qua. - Palmeiras 3 x 0 River Plate/ARG. - Libertadores
28.05, sex. - Palmeiras 1 x 1 Botafogo/RJ - Copa do Brasil
30.05, dom. - Palmeiras 4 x 3 Portuguesa/SP - Paulista
02.06, qua. - Dep. Cali/COL. 1 x 0 Palmeiras - Libertadores
05.06, sáb. - Santos/SP 2 x 1 Palmeiras - Paulista
08.06, ter. - Palmeiras 2 x 1 Santos/SP - Paulista
11.06, sex. - Botafogo/RJ 1 (4) x 1 (2) Palmeiras - Copa do Brasil
13.06, dom. - SCCP/SP 3 x 0 Palmeiras - Paulista
16.06, qua. - Palmeiras 2 (4) x 1 (3) Dep. Cali/COL. - Libertadores
20.06, dom. - Palmeiras 2 x 2 SCCP/SP - Paulista


Foram 28 jogos em 72 dias, uma média absurda de uma partida a cada 2,5 dias. E o Palmeiras passou por quase todos os obstáculos, invariavelmente com jogos às quartas, sextas e domingos. Entre outros menos cotados, deixamos pelo caminho Vasco/RJ, SCCP/SP, Flamengo/RJ, River Plate/ARG., Deportivo Cali/COL. e o mesmo Santos/SP que se põe à nossa frente em 2009.

Peço especial atenção aos dois confrontos contra os caiçaras, ambos disputados no Jd. Leonor entre as duas batalhas da final da Libertadores. Com um time inteiramente reserva, tomamos 1 a 2 na ida (Júnior Baiano x Argel e Viola). Na volta, três dias depois, um time quase reserva saiu atrás ainda no primeiro tempo (novamente Viola). No intervalo, Felipão colocou em campo três titulares. A virada, emocionante, veio aos 35 e aos 38 minutos da etapa final, com gols de Oséas e Paulo Nunes.

A maratona acima nem se compara à atual. Lembro ainda que só não ganhamos a Copa do Brasil porque fomos roubados contra o Botafogo/RJ aqui e lá e porque tivemos de enfrentar os gambás na final com um time todo reserva (e ainda seguramos o 0 a 1 até os 45 minutos da etapa final, quando vieram os outros dois gols).

2000 (aqui reduzindo um pouco)
07.05, dom. - SCCP/SP 2 x 2 Palmeiras - Paulista
09.05, ter. - Palmeiras 3 x 1 Ponte Preta/SP - Paulista
11.05, qui. - Palmeiras 3 (3) x 1 (2) Peñarol/URU. - Libertadores
14.05, dom. - Ponte Preta/SP 2 x 3 Palmeiras - Paulista
16.05, ter. - Palmeiras 1 x 1 Rio Branco/SP - Paulista
18.05, qui. - Atlas/MEX. 0 x 2 Palmeiras - Libertadores
21.05, dom. - Palmeiras 2 x 4 SCCP/SP - Paulista
25.05, qui. - Palmeiras 3 x 2 Atlas/MEX. - Libertadores
27.05, sáb. - Palmeiras 0 x 0 Santos/SP - Paulista
30.05, ter. - SCCP/SP 4 x 3 Palmeiras - Libertadores
01.06, qui. - ABC/RN 3 x 3 Palmeiras - Copa do Brasil
04.06, dom. - Santos/SP 3 x 2 Palmeiras- Paulista
06.06, ter. - Palmeiras 3 (5) x 2 (4) SCCP/SP - Libertadores

Tivemos aqui 30 dias e 13 jogos, uma média ainda maior, na casa de um duelo a cada 2,3 dias. A amostra é menor, mas inclui viagens ao México e a Natal, além de mais uma infinidade de clássicos. E o Santos novamente esteve em nosso caminho na semifinal do Paulista. Mais dois jogos com time reserva, um deles na antevéspera do Palmeiras x SCCP decisivo da Libertadores e, acreditem, às 11h da manhã.

A vaga foi nossa até os 45 minutos da etapa final do segundo jogo, quando o cansaço bateu forte. E aí um 2 a 0 virou 2 a 3.



Por que isso tudo?

Simples: porque a verdade é que essa maratona de decisões que temos pela frente não é assim tão cruel quanto foram as de 1999 e 2000. E por mais que o time de agora não seja tão qualificado quanto aqueles dois, basta que o Madureira tenha um pouquinho do espírito de Felipão (só um pouquinho mesmo...) para chegarmos vivos ao final deste abril que parece interminável.
***

INGRESSOS 1
Vila e Palestra. Como tinha de ser. Dizem que o Santos vai destinar 2.800 ingressos para a nossa torcida. Ou 2.000, segundo outra versão. Um e outro, no entanto, são números inviáveis se permanecer fechada aquela grade cretina do senhor Marcelo Teixeira.

INGRESSOS 2A diretoria do SCCP dá exemplo ao cobrar apenas R$ 30 pelo ingresso de arquibancada no jogo semifinal com seu mando.

INGRESSOS 3
Recife. Ingresso (quase) na mão. A extorsivos e doentios R$ 100. De tudo, só o que eu espero é que a nossa diretoria dedique aos simpatizantes do Ixpót um tratamento rigorosamente igual ao que nos está sendo dispensado para o jogo na Ilha do Retiro.

05 abril 2009

A hora de ser Palmeiras


Crédito: Fabio Menotti

Diego Souza, o monstro, fez o segundo o gol hoje, o que garantiu a justa liderança na fase classificatória, e, dizem, dirigiu-se à torcida com a frase: “É quarta-feira!”. Dizem, e eu não posso ter visto, pois ali festejava o alívio de uma vitória que ameaçou não vir por mais uma das tantas bobeadas que têm sido comuns nos últimos jogos.

Se a frase partiu ou não da boca do nosso camisa 7, fica difícil saber. Mas é certo que ele pensa assim. E pensa como poucos, quase como nós, torcedores, alguns dos quais faremos a loucura de seguir até Recife apenas para acompanhar esta guerra.

Muita coisa está em jogo e eu mantenho a concentração que se espera do torcedor de um time grande, acostumado às decisões. As coisas serão resolvidas dentro de campo e também pelas torcidas, mas nunca por obra de falastrões irresponsáveis, que, diga-se, terão de vir à nossa casa uma semana depois.

Esta, por sinal, pode ser outra decisão, como também as duas da difícil semifinal contra o Santos, em um total de oito batalhas decisivas no espaço de 25 dias. Sim, serão oito finais sem folga, incluindo quatro duelos pela Libertadores (dois aqui e dois fora) e quatro jogos do mata-mata do Paulistão. Do jeito que a gente gosta.

A verdade, palestrinos, é que chegou a hora de decidir.

Chegou a hora de o Palmeiras ser Palmeiras.

***

UM LÁ, OUTRO AQUI
Não tem o que discutir: Palmeiras e Santos devem jogar
na Vila Belmiro e no Palestra Itália. E é de se esperar que o conselho arbitral da até hoje omissa FPF não resolva fazer graça logo agora, quando o campeonato chega ao que realmente interessa.

SEM CHANCE
Foi só depois de terminada a rodada que eu me dei conta: como é que a gente podia confiar em uma combinação de resultados que dependia dos esforços da azarada Portuguesa e da Ponte Preta, aquele time dos 109 anos sem título?

CAMISA 30
Kléber fez três lá em Minas - que falta ele faz... Mas Ortigoza, que herdou a sua camisa 30, não fez por menos. De carrinho e com a raça que mais parece a de um uruguaio, marcou um gol tão belo e importante quanto improvável.

INGRESSOS
Conforme observado por alguns amigos durante o jogo desta tarde, a Outplan precisa pensar em alguma solução para evitar o reaproveitamento de seus ingressos, que não ficam marcados depois de passarem pela catraca. É uma falha grave, que também ocorreu lá nos primeiros jogos da incompetente BWA.

02 abril 2009

Só pra não perder o timing

Dias corridos, um desequilibrado passando vergonha e muita coisa acontecendo. Aí os assuntos se acumulam e, antes de perder de vez o timing, é justo agora mandar algumas breves notas:

MAIS UMA DA EMISSORA CÂNCER
É perigoso, para dizer o mínimo, observar que tivemos toda uma rodada dos estaduais no meio da tarde, às 15h45 de uma quinta-feira. Perigoso porque a Globo simplesmente impôs um novo horário, ainda mais obsceno que o das 22h, e ficou por isso mesmo.
Se desta vez foram os bambis e os santistas os prejudicados, logo mais podemos ser nós. E aí eu quero ver como ficam as coisas...

LONDRINA/PR, 25/10
Todos sabem o quanto eu desprezo times pequenos, em especial os que não têm torcida. Pois aí eu pergunto: de que vale um Santo André subir para a Série A se os caras, antes mesmo de começar o Brasileiro, mandam para Londrina/PR os jogos contra os quatro grandes de SP?

PRETENSÃO ZERO
Querem mais? Os caras não apenas vão mandar as partidas contra os grandes paulistas lá para o norte do Paraná como também levarão para a catarinense Chapecó os duelos contra Grêmio e Internacional. Portanto, de 19 mandos a que têm direito, jogaram seis no lixo antes mesmo de o campeonato ter início.
Que os grandes façam o serviço e enviem este time de merda de volta para a segunda divisão.

DE NOVO
Lembro ainda que estreamos nesta temporada contra o mesmo Santo André, com mando deles, e a partida foi disputada lá em RP.

TUDO ERRADO
Aos 49' do 2º tempo, a Lusa manda a bola na trave na Vila. Pouco antes, aos 48' da etapa final, no Jd. Leonor, é a vez de o Guaratinguetá fazer o mesmo contra os bichas. Depois, à noite, a porra do Botafogo/SP leva 1 a 3 da Ponte em casa. E então, Madureira, como ficamos?