27 fevereiro 2009

Futebol não é família!

Dia de clássico estadual. Existe um clichê irresistível para as emissoras de TV: vai lá a porra do repórter e encontra, na numerada, um casal em que o homem torce para um time e a mulher, para outro. É possível até que os dois estejam vestindo as respectivas camisas e aí o visual fica até melhor para o repórter fazer graça e mandar um discurso babaca e ingênuo, na galvanesca* linha do “Futebol é família”.

Corta para o estúdio: está aberto o espaço para as babaquices dos apresentadores, comentaristas e eventuais convidados. Como dito aqui, é gente que não vai aos estádios. Teremos então algum imbecil a dizer que “é uma pena que os torcedores não possam assistir ao jogo lado a lado”. Outro, mais velho, dirá que viveu uma época em que podia ir ao estádio e tirar sarro do amigo que torcia pelo rival.

Coisa bonita, não? Acontece que futebol não é nada disso. Felizmente. Futebol não é espaço para brincadeiras ou para fazer graça. Futebol é coisa séria. É guerra.

Você pode ter um melhor amigo que torce pelo time rival, mas ele não deve ir ao estádio com você quando chegar o clássico. Não deve. Pelo menos naquele dia, por aquelas poucas horas, ele não será seu amigo; ele será seu rival ou até inimigo.


Não que você deva pensar – ou sentir – isso, mas o certo mesmo é que vocês não estarão juntos enquanto seus times estiverem se enfrentando. E o mesmo vale para a sua mulher, para o seu pai, para o seu irmão. Não importa; se o seu time vai a campo, todo o resto deixa de fazer sentido.

Futebol, ao contrário do que tenta dizer a FPF, não é família. Futebol, ao contrário do que dizem os babacas comentaristas de TV, não é lugar para se confraternizar com o rival.

Ao menos por aquelas duas horas de clássico, o seu melhor amigo (ou sua mulher, pai ou quem quer que seja) deve ficar do outro lado, pois cada um defende o seu. Vocês não deixarão de gostar um do outro, mas o seu time merece que você mantenha distância do rival.

Não se deixe levar pelo que dizem os idiotas que não vão a estádios. A cena de dois torcedores rivais juntos em um clássico é desprezível.

Vale mais a sábia declaração do nosso amigo Luigi:
“Lugar de família é em churrascos”

***

*Relativo a Galvão Bueno. Vale conferir aqui e aqui.


***

Como nós somos torcedores de arquibancada (e não consumidores oportunistas que pregam a elitização do futebol), nos vemos amanhã à tarde no Palestra. E também na terça. E no domingo em Prudente. E na outra quarta, em Itu. E depois mais duas vezes no Palestra. E então em Guaratinguetá, no Palestra e no Jd. Leonor... e assim por diante. Porque aqui é Palestra!

26 fevereiro 2009

Novos tempos no ABC


Conforto é o caralho! Eu quero mais é ver o jogo em pé e por entre as frestas do alambrado do Anacleto...

Acompanhar o Palmeiras no Anacleto Campanella já foi motivo de muita preocupação. Era um tempo em que só perdíamos no ABC, normalmente sem fazer gols. Vivíamos de um triunfo solitário, em 2003, um jogo decisivo pelo Paulistão, com dois gols de Thiago Gentil.

Eis que chegou o dia 25 de fevereiro de 2007 e o Palmeiras arrancou um 2 a 1 de virada, sob uma tempestade infindável. Parecia ali que tínhamos enfim superado a maldição do Anacleto. A certeza ficou mais evidente ontem, exatos dois anos depois, em especial porque caiu outro tabu: o ABC presenciou uma situação inédita, um jogo de bom nível e com muitos gols entre São Caetano e Palmeiras.

Acreditem: trata-se de uma raridade. Jogos no Anacleto sempre foram marcados por partidas arrastadas e modorrentas, na base do 1 a 0 para o Azulinho, e pelo tempo nublado ou chuvoso. E ontem, vejam só, ameaçou chover, mas fomos poupados. Afinal, já bastavam o obsceno horário das 21h50 e a arquibancada a extorsivos R$ 40.

É DIA 8!

***

ELES VIRAM O JOGO?

Da Folha de hoje, sobre o empate do Grêmio no Olímpico:

"
Em Porto Alegre, a estreia do Grêmio no Grupo 7 teve poucos lances emocionantes e o placar final, 0 a 0 com a Universidad de Chile, acabou sendo justo.”

“Poucos lances emocionantes”? Resultado justo?

Meus caros, vejam aqui os melhores lances do jogo:



É brincadeira, né?

24 fevereiro 2009

Vá ao estádio!


Flavio Prado já foi um cronista esportivo de respeito. Corriam os anos 90, tempos gloriosos da Jovem Pan AM, e a ele faziam companhia o imortal José Silvério e um Milton Neves que era então apenas um radialista em rápida – e merecida – ascensão. O tempo passou, Silvério e Neves foram para a Bandeirantes, e Prado estacionou.

Pior: caducou. A ponto de se tornar hoje um panfletário que não se cansa de repetir o mesmo bordão: “Não vá ao estádio”. Prado, que não vai aos campos já há anos, põe a culpa na violência e fica comentando jogos às quartas e domingos não com a visão que se tem a partir da cabine de transmissão, mas com base na imagem pasteurizada da TV em algum estúdio com ar-condicionado.

Trocou o estádio pelo estúdio, e a coisa vem se agravando dia após dia. De uns tempos para cá, Prado deixou de apenas culpar os “vândalos” e “bandidos” das torcidas organizadas. Agora ele ataca qualquer um que compareça a um estádio de futebol, mesmo o dito "torcedor comum". São rotineiras frases como “O cara que vai ao estádio na quarta-feira às 22h é bandido, vagabundo ou idiota”.

Sim, Prado diz isso no ar, seja na Jovem Pan, seja na TV Gazeta. E o faz naquele tom raivoso que caracteriza seu comportamento recente. É um jornalismo panfletário, coisa da pior qualidade.

Acontece que o fato de fazer tudo do estúdio já há longos anos torna o comentarista da Jovem Pan inapto para fazer qualquer recomendação, em especial porque ele já não sabe mais – se é que soube algum dia – como são as coisas nas imediações de uma praça esportiva.

Prado sofre de um problema inerente a grande parte dos principais formadores de opinião na nossa imprensa esportiva: ele comenta futebol sem ir a estádios.

É assim com alguns de seus companheiros de bancada. É assim com Juca Kfouri (que prefere ficar com a bunda no sofá vendo cinco jogos ao mesmo tempo sem perceber que não consegue assistir a nenhum por completo). É assim com Milton Neves, hoje mais um animador de auditório que jornalista.

É assim com qualquer desses apresentadores de telejornais e programas esportivos ou de variedades. É assim com grande parte dos editores de jornais impressos, revistas e portais de internet, logo aqueles a quem compete impor uma linha editorial para seus veículos. É assim, em suma, com os que têm poder de formar a opinião pública.

Eles todos não vão a estádios. Não conhecem as dificuldades para se comprar um ingresso, não entendem as dificuldades de acesso, não sofrem com os horários inadequados, tampouco com o horário vagabundo para venda dos ingressos. E nunca devem ter visto uma briga ao vivo. Falam, portanto, sobre algo que desconhecem.

E eis então que a Folha de S.Paulo do último domingo, 22 de fevereiro, trouxe um artigo de Paulo Vinicius Coelho sobre o assunto. Está aqui, com o título “Os bandidos estão vencendo”.

Informo que tenho lá minhas divergências com PVC. Mas o respeito, e isso nada tem a ver com seu time de coração, mas com o fato de ele freqüentar estádios de futebol mesmo com as tantas atividades que acumula. Discordo também de alguns pontos da coluna em questão, mas aceito as opiniões do jornalista e me sinto à vontade para destacar três pontos:


1. PVC diz que muita gente abandona os estádios, menos nós, os torcedores organizados. É verdade; já estive em jogos com 1.200 pagantes, e a grande maioria era da Mancha. O mesmo vale para um Palmeiras x SPFW no Jd. Leonor com 1.300 torcedores: eram duas aglomerações bem definidas, uma de cada lado - e só.
2. Ele ressalta que não é possível eliminar a violência sem entender do assunto. E é, vejam só, exatamente o que acontece agora, pois colocaram na história um promotor, o tal Hossepian, que assume não ir a estádios. Bizarro.
3. Por fim, o colunista apresenta um belo argumento para relativizar a violência que alguns imaginam existir em um estádio de futebol. E é com ele que eu fecho o post:
“Não, não vou dizer para você ir ou levar seu filho ao estádio. Digo apenas que eu vou.
Num sábado de sol, há um ano e meio, meu filho de sete anos e eu fomos a uma festa de aniversário. Ao descer do carro e colocar meu filho no ombro, senti um revólver na barriga e um homem estranho me segurando pelas costas.
Era um assalto em plena luz do dia.
Continuo pagando impostos e cobrando segurança. Nunca vou deixar de ir a festas de aniversário.”
***

E é também por isso que nos vemos amanhã à noite lá no ABC.


20h30 ali nas imediações do Anacleto...

22 fevereiro 2009

Bateu o desespero

O Cruz de Savóia fez uma analogia semelhante a esta: o SPFW está parecendo aquele menino mimado que, depois de criar muito caso, resolve se desculpar com os outros moleques da ruá só porque bateu o medo de não ter mais com quem brincar no fim de semana. Acontece que, como todo filhinho de papai, falta humildade ao menino mimado e a falta de caráter fica evidente.

É aí que surgem absurdos como a ridícula idéia de intercâmbio entre Marcos e o Proposta do Arsenal ou o atrasado pedido de desculpas do Bosco Pilha - este é um capanga que faz tudo o que mandam seus chefes. Fico sem saber qual situação é mais bizarra, mas eu não deixo nunca de lembrar quem é essa escória.

Você, quando criança, deve ter conhecido também um desses moleques mimados que pensavam ser o dono da rua. E ele devia fazer graça até tomar umas porradas e voltar pra casa. Coisa de moleque de rua, espécie em extinção nos nossos dias alienados.


O importante agora, palestrinos, é não nos esquecermos com quem estamos lidando. Bateu o desespero no nosso inimigo. Mas não pode haver trégua com o menino mimado...

***
MUITA CALMA...
Sim, poderíamos ter obtido mais uma vitória ontem, mas o papo dos 100% já estava chegando ao ponto de prejudicar o time. Não foi nenhuma tragédia, em especial porque jogamos porque temos ainda um jogo a menos que todos os principais adversários. Considerando que a Portuguesa tem um time bem arrumado, o empate até que ficou de bom tamanho, mas é certo também que o Madureira precisa consertar a defesa o quanto antes.


Fazia já três anos que o Palmeiras não jogava no Canindé, o que me leva a três comentários finais:

1. É sempre bom ver jogos no estádio da Portuguesa, e isso me faz sempre a torcer pela permanência da Lusa na elite. Pena que não deu no Brasileiro;


2. Em que pese a situação de abandono que dizem prevalecer na sede social, o estádio até que está em condições melhores do que em nossas visitas anteriores.

3. Como fala a locutora do estádio...


***

É Carnaval! E como fizemos um grande desfile na última sexta-feira, nada mais justo que deixar aqui (inclusive em homenagem ao amigo Anderson, lá de Recife) a letra do samba da Mancha Verde:

PERNAMBUCO, UMA NAÇÃO CULTURAL
A coragem raiou no horizonte
Vem de lá na embarcação
O mar se arrebenta "em seu nome"
Batizando a sua "formação"
O cultivo desperta a cobiça
Entre Holanda e Portugal
Mauricio de Nassau, moderna capital
A história se transforma em pintura
Miscigenações, manifestações
Do folclore, da fé e da cultura

Tem frevo de bamba, no samba
Vem amor "forrozear"
Sou Pernambuco,
Em festa de São João
Eu sou a arte
E vou tocar seu coração

Hoje eu vou pintar e vou bordar minha raiz
Erudito, popular,
Sou poeta arretado
Nesse meu país
Artistas de consagração
Pessoas de grande expressão
Assim meu povo se destacou

Meu verde e branco a brilhar
Antes da quarta-feira eu vou festejar
Com devoção, meu pavilhão em primeiro lugar
É garra, é amor, respeito
É força, é vida, é emoção
Com muito orgulho que sou
E levo por onde for
A Mancha Verde no meu coração.

20 fevereiro 2009

Dos oportunistas aos incoerentes

O que não falta é gente entrando para a categoria dos oportunistas. Da Folha de S.Paulo de ontem:

“No momento atual, talvez a melhor solução seja, em clássicos na capital, só o mandante ocupar as arquibancadas”.

É o que pensa Orlando Silva Jr., ministro do Esporte. Claro, o figura diz besteira atrás de besteira e, a seu modo, toca dois projetos malfadados, o da Copa-2014 e o dos Jogos Olímpicos-2016, mas bem poderia ter se calado desta vez.

Pois eu duvido que Orlando Silva Jr. tenha o costume de freqüentar estádios de futebol como nós fazemos. Ele pode até ir a um ou outro jogo, mas o faz por obrigação protocolar e certamente não passa pela catraca como nós fazemos. E aí se põe a dizer bobagens, tanto quanto o bando de idiotas que não pisa na arquibancada, mas acha que pode palpitar sobre o assunto.

O bando de idiotas, registre-se, é bem eclético. Inclui desde aquele otário que trabalha com você e resolve abrir a boca para falar do que não entende até 90% da classe dos jornalistas esportivos, uma categoria que deveria, mas não conhece o que se passa no cimento da arquibancada. E aí só sai merda, uma atrás da outra.

O caso é que isso normalmente ocorre por ignorância. Mas há também aqueles que agem com má intenção, e aí a história é mais séria.

Lembram-se do post de ontem? Então, eu procurei mostrar como se deu a ascensão do tal Paulo Castilho. Destaquei o fato de ele ser simpatizante do clube do Jd. Leonor e de aparecer sempre e exclusivamente para atacar a nossa casa. Bom, vejam o que diz o sujeito na mesma matéria linkada acima:


“Lembre-se de que um dos piores confrontos entre torcedores na história recente em São Paulo foi entre Mancha Verde e TUP. E as duas torcidas são organizadas são da mesma equipe, o Palmeiras”.

É contra essa gente desse tipo que estamos em guerra...

***

O texto abaixo – sem qualquer edição – foi publicado pelo Mario nos comentários do post anterior. É a mesma análise feita por este blog. E é também uma questão que ainda não foi respondida por qualquer dos contundentes e incoerentes cronistas esportivos que culpam o Palmeiras e absolvem o SPFW.

Veja esse trecho de um post do digno, ético e culto Alberto Helena:

"21/04/2008 - 16:31
INTERDIÇÃO INEVITÁVEL

Não resta a menor sombra de dúvida de que o Palestra Itália deva ser interditado pelo tribunal. O episódio do gás espargido no vestiário do São Paulo é inaceitável e condenável sob qualquer aspecto.

Cabe, é verdade, à polícia investigar o caso e caçar o(s) culpado(s) pela ação. Mas, qualquer que seja o desfecho dessas investigações, uma coisa é certa: a segurança, dentro do estádio, é de responsabilidade do Palmeiras. Ponto.

Até mesmo se comprovada a mirabolante hipótese aventada por Luxemburgo de que poderia ser alguém do próprio São Paulo o autor do ato imbecil, ainda assim a responsabilidade pela vigilância interna é do Palmeiras. Nesse caso, prende-se o tricolor insano e se interdita o estádio do mesmo jeito...."

Não preciso grifar os trechos e substituí-los pelo que aconteceu no privadão. Eles estão ali muito claros, como está bem clara e escancarada a posição do homem que tem um livro contanto a história do nosso time: "... a segurança, dentro do estádio, é de responsabilidade do mandante. Ponto."

"Interdição!", bradou a voz da ética, junto com todos superamigos na sala da justiça.

Incomodado com a contradição, deixei um comentário, bastante educado aliás, pedindo que ele se posicionasse a esse respeito.

E o que fez o digníssimo jornalista? Silêncio.

Nem uma palavra a respeito. Nada contra, tivesse ele silenciado também no caso do gás.

Não se trata de dizer que o Palmeiras é inocente naquele caso, podemos até debater o assunto, mas o ponto é como a imprensa toda (Helena é o exemplo mais drástico, por sua alta credibilidade) rasgou o que escreveu à época sem a menor cerimônia.


***

Perguntas sem resposta

1. Por que o Palmeiras tem de garantir a segurança dos clubes que visitam o Palestra Itália e o SPFW não precisa fazer o mesmo com os torcedores que pisam no Jd. Leonor?

2. Por que Del Nero joga para o interior todos os clássicos com mando do Palmeiras, mas nem cogita mexer no mando dos bichas?

3. Quem foi o arquiteto que projetou o indecente muro do setor vermelho do estádio do Jd. Leonor? Foi o mesmo engraçadinho que recentemente fez as vezes de porta-voz da alienação bambi lá no Painel Leonor?

4. O trouxa Juquinha ainda não conseguiu mamar no bezerrão?


19 fevereiro 2009

Porque futebol é guerra


A imagem é simbólica e retorna agora porque Kléber estreou hoje com a camisa dos marias. É de se lamentar, porque o Gladiador não combina em nada com este clube abjeto das Minas Gerais. Nada, nada, nada. Mas é sabido que ele já entrou em conflito com a torcidinha de merda dos caras e que se portou como um verdadeiro mancha quando desafiado pelos bambis mineiros. Merece o registro. E, antes que digam qualquer coisa, eu destaco que o caso de Kléber é diferente de tantos outros, pois ele efetivamente queria continuar no Palestra e teve de seguir o rumo de BH contra a vontade. Não há de ser nada; ele logo volta a defender o nosso Verdão...

Blindagem garantida

A julgar pela blindagem orquestrada pela imprensa esportiva, o SPFW nem precisaria de assessoria de imprensa para evitar desgastes à sua imagem depois da confusão do último domingo. Há exceções pontuais e até surpreendentes (a FSP chegou a usar a expressão "Barril de Pólvora"), mas os esforços buscam quase sempre "tirar da reta" o antro que os bichas sonham ver como sede da agourenta Copa-2014. No entanto, infelizmente não é só isso que está em jogo.

Eu ouvi e li tanta besteira nos últimos dias que nem saberia como ordenar as idéias todas e montar um texto decente com início, meio e fim. Assim sendo, vou jogando as coisas sem ordenamento lógico, pois o tempo é curto e os oportunistas não têm limites.

Comecemos pelo inimigo que está em evidência:

Paulo Castilho, o promotor, teve o que queria. Deu até coletiva, e tudo o que soube fazer foi disparar impropérios contra o torcedor de futebol (e não apenas o organizado). Por sinal, é curioso notar como se deu a ascensão de Castilho, o aprendiz de Capez. O cara surgiu faz três ou quatro anos, se tanto. Despontou após um Palmeiras x Santos no Palestra Itália e veio com uma pauta bem definida: atacar o nosso estádio. Castilho tem o mérito de ser coerente, pois manteve a ofensiva contra a nossa casa antes da semifinal de 2008 contra o SPFW, dias depois de deixar o estádio do Jd. Leonor carregando uma sacola com produtos adquiridos na loja oficial do mandante. Depois fez o que fez na final do ano passado. Voltou no final do de 2008 pedindo a extinção da Mancha Verde. Na seqüência, obrigou a torcida em questão a deixar sua sede na rua Turiassu. E agora é o artífice de um ataque frontal não contra a Mancha ou qualquer torcida organizada, mas contra o torcedor de futebol neste país.

O promotor, vejam os senhores, está propondo a redução da carga de ingressos para torcidas visitantes dos atuais 10% para 5%. E ele faz isso valendo-se de uma confusão ocasionada pelos próprios bambis, e logo na semana seguinte à desastrada tentativa de cercear a presença de torcedores do rival em um clássico que sempre foi marcado pela divisão igualitária de ingressos. A quem pode interessar tal medida?


Fato é que tudo é muito bem orquestrado, e este blog voltará ao tema "torcida única" nos próximos dias.

Quando se fala em Paulo Castilho, é inevitável chegar à corja de dirigentes bambis. Aos nomes: Juvenal Juvêncio, Júlio Casares, Marco Aurélio Cunha, João Paulo de Jesus Lopes e Carlos Augusto de Barros Silva, o Leco. Todos carregam a genética de Laudo Natel, Adhemar de Barros e que tais. Não há novidades, portanto, no modus operandi dessa gente. O que impressiona é a falta de limites e, claro, o apoio midiático a cada dia mais descarado.

Vejam como eles derrapam na própria incoerência:

Abril de 2008. Palmeiras x SPFW no Palestra. Inconformados por terem de visitar a nossa casa, os leonores armam a farsa do gás no nosso vestiário e jogam a culpa no Palmeiras. Alegação: “Cabe ao mandante garantir a segurança e prevenir distúrbios em sua praça esportiva”. Ou algo nessa linha.

Fevereiro de 2009. SPFW x SCCP no Jd. Leonor. Os fatos estão aí: muro improvisado, bomba atirada do estacionamento bambi, torcedores esmagados, polícia despreparada. Tudo depois de um cenário de caos criado pela própria direção bambi. Mas aí não “cabe garantir a segurança e prevenir distúrbios em sua praça esportiva”?

Não, aí não vale.

E o problema não é tanto a incoerência bambi, mas sim o fato de a imprensa amplificar o discurso oportunista. É assim que agem os veículos de comunicação, logo eles que deveriam fiscalizar e investigar um fato tão grave como o deste final de semana. Não, não se trata de preguiça. É má intenção mesmo.

Notem que o Palmeiras foi condenado antes de qualquer coisa, permanecendo assim mesmo diante de laudos técnicos e das seguidas evidências de que o gás teria partido de dentro do próprio vestiário leonor. A condenação, que nos levou inclusive à perda de um mando de campo, foi quase unânime, sendo que o trouxa que gosta de mamar no bezerrão insiste até agora com o assunto.

E são logo esses sujeitos os que se prontificam a absolver o SPFW em situação bastante mais grave. Sim, é sempre mais fácil colocar a culpa nos "bandidos" das torcidas organizadas.

Mas é bom ficarmos atentos, pois há outros tantos inimigos. Há, por exemplo, um velho conhecido nosso, o senhor Marco Polo Del Nero. Vejam que agora, depois de levar Palmeiras x SCCP para Prudente de maneira arbitrária e de não contestar o mando leonor, ele vem agora com o papinho furado de que vai conversar com os clubes para decidir onde será o clássico do dia 29/03. Quero só ver...

Encerro aqui, pois as idéias se misturam demais. O jeito é tratar de cada coisa a seu tempo, e é assim que as coisas caminham.

Por enquanto, deixo abaixo alguns links bastante relevantes do guerrilheiro Cruz de Savóia:


A imprensa esportiva de SP: o verdadeiro barril de pólvora
Juvenal Juvêncio: um barril de pólvora

SPFC: o barril de pólvora

Dia 29/03 chega logo mais, e será a nossa vez de visitar o antro dos leonores. E eu faço questão apenas de ser tratado como o inimigo! Aqui é Palestra!


A GUERRA CONTINUA!

18 fevereiro 2009

Estatuto para o verdadeiro torcedor

Quase duas décadas de estádio me permitiram fazer grandes amigos de arquibancada. Há tipos e mais tipos, e eles todos serão detalhados no meu livro (sim, vai sair!), mas existe uma exigência solitária para que sejam considerados ‘amigos’: é preciso enxergar o futebol como uma guerra e nunca como esporte, atividade recreativa ou, pior, espetáculo.

Entre os muitos amigos de estádio, destaco hoje o grande palestrino Teo. Ontem, após a derrota do Palmeiras, ele se pôs a escrever um desabafo. Não contra o time ou pela derrota em si, mas pela postura de uns e outros que se dizem torcedores. E o que começou como compilação de pensamentos e divagações de um torcedor de arquibancada virou uma espécie de “Estatuto para o verdadeiro torcedor”.

Tomo a liberdade de batizar assim as idéias do Teo por dois motivos: porque elas traduzem um pouco do meu idealismo sobre o futebol e porque é uma contraposição necessária ao dito “Estatuto do Torcedor”, que já foi tão destroçado por aqui. Se os vagabundos que escrevem as leis neste país se preocupassem em ouvir os reais beneficiados pela legislação (no caso, os torcedores de arquibancada), teríamos algo bem parecido com isso aqui:


Conclusões, recomendações, devaneios e mantras de um torcedor de arquibancada
1. Futebol não é festa.
2. Futebol não é divertimento.
3. Futebol não é um bom lugar para passeio.
4. Futebol não é um ambiente saudável, ao contrário, é doentio.
5. Evite levar criança ao estádio, a menos que esta seja mais madura que você (no meu caso não é difícil).
6. Evite levar mulher ao estádio, a menos que ela seja mais homem que você.
7. Evite levar qualquer pessoa ao estádio que não esteja focada na vitória do seu time.
8. Não use uma partida de futebol para
networking profissional e/ou social. O ideal é que, ao te verem no estádio, todos se envergonhem de você.
9. Acredite em você, nas suas impressões e opiniões sobre seu time.
10. Despreze completamente a opinião da imprensa esportiva.
11. Se você acha que seu time vai ganhar, talvez ele ganhe.
12. Se você acha que seu time vai perder, ele vai perder. Vá ao jogo assim mesmo.
13. Não deixe que o trabalho atrapalhe o futebol.
14. Não deixe que nenhum programa ou compromisso atrapalhe o futebol.
15. Não deixe que um romance atrapalhe o futebol.
16. Não deixe que nada atrapalhe o futebol.
17. Acima do futebol, só a saúde. Ela que te permite viver para o futebol.
18. Seu melhor amigo é o seu time.
19. Despreze quem não gosta de futebol.
20. Ignore quem não gosta de você pelo fato de você gostar de futebol.
21. Fique onde você quiser no estádio, ignore os lugares numerados.
22. Nunca assista ao jogo ao lado de um torcedor adversário.
23. Odeie seu adversário no dia do jogo.
24. Identifique seu inimigo e odeie-o todos os dias da sua vida.
25. Debata com torcedores adversários verdadeiros, menospreze os farsantes.
26. Se um dia você for a um estádio sem alambrado, fosso ou qualquer divisão para o campo, sinta vergonha. O Brasil não é a Inglaterra.
27. Não relaxe durante o jogo.
28. Evite sorrir durante o jogo.
29. Não xingue os jogadores do seu time durante o jogo. Alguns merecem, mas não vai adiantar.
30. Xingue a arbitragem em todos os jogos, isso te fará bem.
31. Não se esforce por ingressos para torcedores ocasionais e oportunistas. Cuide do seu e dos legítimos habitantes daquele espaço sagrado.
32. Refute ser tratado como consumidor, você é apenas torcedor. Por sinal, você é muito mais que consumidor.
33. Cuide da sua própria segurança, nunca espere nada da PM.
34. Proteja-se da PM.
35. Volte do estádio sempre com a sensação do dever cumprido.

Teo (Marco Bressan)

17 fevereiro 2009

O vacilo que custa caro

Boca Juniors/ARG. Grupo 2. Adversários: Deportivo Táchira/VEN, Deportivo Cuenca/EQU e Guaraní/PAR.

Grêmio/BRA. Grupo 7. Adversários: Boyacá Chicó/COL, Universidad de Chile/CHI e Aurora/BOL.

San Lorenzo/ARG. Grupo 8. Adversários: Libertad/PAR, Universitário/PER e San Luis/MEX.

Grupo 6. Chivas/MEX, Lanús/ARG, Caracas/VEN e Everton/CHI.

Palmeiras. Grupo 1. Adversários: LDU/EQU, Colo Colo/CHI e Ixpót/BRA.

Como se vê, as disparidades são enormes na formação das chaves da Libertadores. Trata-se de uma constatação, tanto quando a de que o nosso grupo é o mais complicado de todos.


Perder no Equador para a LDU não chega a ser uma catástrofe, até porque eu visualizo a nossa classificação com 10 pontos, devidos a três vitórias em casa e um empate fora. A questão é: temos que arrancar mais um ponto na Ilha do Retiro ou em Santiago.

Sim, é claro que até nove pontos podem ser suficientes, mas aí precisamos abrir uma larga vantagem no saldo de gols.

O que se conclui disso tudo é que o problema não é perder para a LDU na estréia. O problema - e aqui chegamos ao terreno do inaceitável - foi a tenebrosa derrota sofrida para os sem-salário do Botafogo, no encerramento da temporada passada.

Enquanto o maldito Cruzeiro deve passear pelo tranqüilo grupo 5, nós começamos agora a pagar o preço pelo vacilo
imperdoável do Madureira e de seus comandados.

***

É bom ver jogos de Libertadores com o espírito do torneio continental. Porrada pra todo lado, entradas criminosas, cotoveladas, o escambau. E segue o jogo...

15 fevereiro 2009

O Barril de Pólvora

Não faz um ano que o Boletim de Madame levou às bancas uma reportagem de capa criminosa, que criava factóides e transformava virtudes em problemas para tentar denegrir a nossa casa. A matéria, que bem poderia ser assinada por Casares, JJ Scotch Whisky e corja limitada, era de uma precariedade enorme, e foi rebatida aqui.

Eis então que aconteceu toda a polêmica desta semana e, muito em conseqüência, a confusão pós-jogo. Eu não estava lá, evidente, e não posso acrescentar grande coisa, a não ser as colocações a seguir, baseadas em duas décadas de estádio, quase 600 jogos e bem mais de 100 clássicos na arquibancada:


1. Não se confia na PM. Eu já vi essa gente fazer absurdos sem tamanho, de tal modo que acredito mais na versão dos torcedores organizados – e faria isso mesmo se a envolvida fosse, digamos, a TTI. A questão toda é que a PM é despreparada (ou, por vezes, mal intencionada) para lidar com o público do futebol.

2. E não é que o anão de jardim correu ao setor dos visitantes depois da confusão? Quase foi agredido, é evidente. Não é por nada, mas, como ainda não tomou a devida porrada, o sujeito agora resolveu se sentir super
-herói por qualquer coisa. Os leonores perderam a noção da realidade.

3. Sugiro aos editores do jornaleco esportivo e às emissoras de TV que vasculhem seus arquivos atrás de reportagens ou imagens de brigas e confusões dentro ou nas imediações do estádio Palestra Itália. Faço isso porque sei que não existem ocorrências desse tipo na nossa casa. E é então que eu pergunto: que estádio desta capital merece com mais propriedade o título de Barril de Pólvora?

4. Por sinal, depois de tamanha polêmica ao longo desta semana, por que diabos o jornaleco esportivo não publicou nenhuma reportagem na linha “O Barril de Pólvora”? Eis aqui um bom começo.


5. "Aqui, tudo funciona. E bem"? Ah, então tá...

***

*Destaco o relato do Craudio, testemunha da bandalheira criada pelos PMs. Não era preciso estar lá para saber o que aconteceu...
*É sempre bom voltar ao Pacaembu, como ontem. Só o que incomoda é a chuva que insiste em cair em todos os nossos jogos. Por sinal, a pedido da Portuguesa, o clássico de sábado deve ser transferido do Canindé para o Pacaembu. A confirmação deve sair amanhã.

13 fevereiro 2009

Por que disfarçar?

O que os senhores vêem abaixo, caros leitores, parece ser a capa da revista oficial do SPFW. Mas só parece. Na verdade, esta é a capa da edição 4 da revista FUT!, que é, vejam só, uma publicação do grupo Lance!, o popular Boletim de Madame:


Vejam. Leiam. Contemplem. Prestem atenção à frase que resume tudo o que eles tentam transmitir dia após dia: “Aqui, tudo funciona. E bem”. Notem que não há qualquer preocupação em disfarçar nada. Tanto não há que eles utilizam sem medo o advérbio “aqui”. Não é “lá”. É “aqui”. Parece que eles perderam a vergonha na cara.

É qualquer coisa, menos jornalismo. É manipulação barata, a mesma que esse blog denuncia com tanta veemência. E por menos jornalismo que seja, é curioso que tal aberração tenha chegado ao meu conhecimento por meio do Jornalistas&Cia., um boletim semanal enviado para assessorias de imprensa, agências de comunicação e que tais. E o texto que apresenta a revista é um primor:

A revista Fut (Grupo Lance) de março chegará às bancas nesta 5ª.feira (12/2) com uma grande reportagem de capa sobre o São Paulo FC. Até aí, nenhuma novidade. Mas, segundo o editor-chefe Klester Cavalcanti, o diferencial dessa matéria é que ela não tem foco no futebol como esporte: “É uma reportagem que poderia estar na capa de uma revista semanal como Veja ou Época ou de uma revista de economia e negócios como Exame. Ela mostra, em 12 páginas, tudo o que faz do São Paulo o clube mais vitorioso e mais bem estruturado do Brasil”. Klester diz que a matéria faz um Raio X detalhado de todos os pontos altos do clube: comissão técnica, modelo de gestão, marketing, estrutura, negócios e, claro, o talento dos jogadores, com números, gráficos, tabelas e entrevistas. “A capa mostra os três pilares do sucesso do São Paulo: jogadores (representados pelo Rogério Ceni), comissão técnica (liderada pelo Muricy Ramalho) e administração (comandada pelo Juvenal Juvêncio)”, arremata Klester.

Sim, foi isso que vocês leram: a matéria "não tem foco no futebol como esporte". E o resto fala por si só, com a ressalva de que eles se esqueceram de dizer que o jornaleco esportivo é um dos principais anunciantes do clube do Jd. Leonor - ou seria o contrário?

Eu encerro por aqui. Como eu gosto de "futebol como esporte", fico de encontrar os senhores amanhã, primeiro no clube e depois no Pacaembu, o estádio que é a cara desta metrópole.

12 fevereiro 2009

Tiro no pé

Como se sabe, o escriba do Painel Leonor tem relações bem particulares com certas alas da 'torcida' bambi. É natural, portanto, que sua coluna diária traga notas como esta aqui:

Perigo. Há pelo menos 15 dias integrantes de torcidas organizadas do São Paulo já sabiam que o clube só destinaria 10% dos ingressos para o Corinthians no domingo. Planejam emboscadas.
Não há novidade, pois a turba de moleques inconseqüentes se notabilizou por esse tipo de conduta. Não apenas nas proximidades do estádio, mas também em pontos afastados.

Lembro, por exemplo, que eram comuns entre o final da década de 90 e a primeira metade dos anos 2000 as emboscadas feitas contra o nosso bonde na Vila Mariana ou na Ana Rosa. As moças até levaram vantagem na primeira vez, pois fomos pegos de surpresa, mas depois tomaram o contra-ataque. E aí elas nunca seguram.


Enfim, o texto que vem abaixo não deve ser interpretado como apoio formal aos rivais da zona leste, embora eu saiba que é assim que pode parecer. O fato é que toda essa polêmica sobre o clássico do próximo domingo trouxe à tona algumas lembranças de estádio, das melhores que tenho. Como este blog trata de arquibancada, é justo dividir certas impressões com vocês.

Acontece, e é isso que os bambis não percebem, que a decisão de destinar apenas 10% dos ingressos para a torcida do SCCP é um tiro no pé. Claro que a medida faz sentido contra Palmeiras ou Santos, pois estes dois têm seus estádios e destinam apenas 10% da carga para os bambis, mas não é isso o que registra o histórico de SPFW x SCCP, um clássico que, comumente disputado no estádio delas, sempre teve metade dos ingressos para cada torcida.

JJ Scotch Whisky só se dará conta do equívoco quando seu time tiver de enfrentar o rival no Pacaembu, com as meninas espremidas no setor lilás. Por enquanto, ele pensa estar em vantagem, apoiado que é pela farsa, mais uma, da suposta briga com a FPF. Mas nem agora a vantagem se fará notar, e é então que chego a um depoimento bem particular, mas necessário diante das circunstâncias:

Desde 2005, não temos mais divisão igualitária de ingressos em clássicos contra os leonores. Jogamos uma na nossa casa e outra naquele antro, sempre com a proporção de 90% para 10%, a mesma imposta agora para a torcida do SCCP.

Saibam, rivais da zona leste, que ser minoria contra a sub-raça pode ser bastante favorável. A começar pelo fato de nunca se concretizar a proporção de 90% a 10%. Porque elas não são capazes de encher o estádio por conta própria, de tal modo que não será possível se aproximarem dos desejados 50 e poucos mil torcedores (?) a favor.


Os bambis serão maioria, é evidente, mas será uma maioria que não se faz notar, pois toda ela é gordurosa. Trata-se de uma massa acéfala, que tanto conhecemos por sua inoperância e falta de alma. E serão facilmente calados, como foram sempre que estivemos no Jd. Leonor em minoria absoluta. Foi assim em 2005 e 2006, nos jogos decisivos da Libertadores, e em 2008, na semifinal do Paulista.

Os dois primeiros, com a nossa torcida dividida (mas não desmobilizada, como pretendiam os leonores) nos dois setores inferiores do amarelo, são especialmente marcantes, porque nunca fomos tão Palestra como naquela situação. Nunca valeu tanto a pena ir para a guerra contra essa gente.

O que não enxergam os dirigentes leonores é que a supremacia na arquibancada é enganosa, pois a massa gordurosa está lá apenas para fazer volume: a maior parte do público não canta, não apóia, não se faz presente. Não são torcedores, mas consumidores, bem a caráter.

A torcida adversária, pelo contrário, será composta apenas por guerreiros, que vão a campo com o espírito armado e com a disposição redobrada, pelo significado do clássico e pela adversidade momentânea. Em outras palavras: vão os torcedores organizados e aqueles que têm o mesmo instinto guerreiro.

Foi com essa pegada que chegamos ao Jd. Leonor naquelas noites frias de 2005 e 2006. Em comboio de dezenas de ônibus, contra a horda de alienados e em território hostil. Mas fomos para a guerra!

Havia, sem exagero, pelo menos 100 torcedores em cada ônibus, uma lotação poucas vezes vista. E me lembro com nitidez do momento em que descemos dos veículos para a praça, desafiando até os policiais que tentavam evitar o conflito iminente. Um deles lançou: “Porra, vocês estão em minoria aqui e ainda querem enfrentar essa multidão que está por todos os lados?”

Sim, queremos! Porque nós somos Palestra. Porque nós temos sangue. Porque nós temos alma. Porque nós temos história. E, a bem da verdade, porque não havia ali muita opção.


Havia inimigos por todos os lados, pelo alto, por baixo, pelos lados, na praça, onde quer que fosse. Parecia claro que os despreparados PMs não seriam capazes de segurar a massa dos caras e coube a nós fazer aquilo que se espera numa situação dessas: atacar primeiro.

E assim foi. Do lado de fora e do lado de dentro. Éramos seis mil contra 50 e tantos mil. Mas lutamos do início ao fim. Cantamos sem parar e, em muitos momentos, a nossa voz era mais ouvida do que a de toda aquela multidão acéfala.

Foram duas noites, a de 2006 um pouco mais, em que a alma palestrina prevaleceu como nunca. Perdemos dentro de campo, é verdade, sendo uma delas em um roubo grotesco, mas batalhamos como nunca – e esta é a honra que um bambi não pode ter.

A massa alienada só se fez notar após os gols e já com o jogo definido. Mas não era a manifestação típica de quem vai ao estádio para empurrar seu time à vitória. Isso é pra quem tem alma. O grito que saía das gargantas leonores não era aquele que vem do fundo do coração, carregado de amor pelo seu clube e de ódio pelo inimigo. Era um grito afetado, transparecendo a arrogância e o pretenso orgulho que caracterizam a geração vitrine.

Foi ali que eu percebi que não há nada melhor do que fazer a guerra contra os leonores com um jogo em casa e outro fora. Porque nós conseguimos nos impor no Palestra e porque a massa alienada só sabe fazer número mesmo em situação favorável.

Portanto, rivais da zona leste, é compreensível a indignação de vocês e a declaração de guerra contra o clube do Jd. Leonor deve ser levada a sério. Não demora muito, e vocês logo perceberão que toda a polêmica orquestrada pelos dirigentes bambis vai se voltar contra eles. Ao final, o que importa é que temos agora a chance de reparar um erro histórico.

Por enquanto, vale para vocês o que vale para a gente: 6 mil guerreiros têm mais poder que todo um estádio lotado de alienados. O que está em jogo é a alma, e isso a sub-raça nem sabe o que é.

JJ Scotch Whisky está dando um belo de um tiro no pé.


***

Ainda sobre o mesmo assunto, recomendo a leitura de mais um belo post do Cruz de Savóia.

11 fevereiro 2009

O clássico em Prudente: outra visão

Em nome da pluralidade de opiniões e de modo a expressar minha concordância com os argumentos do Raphaello, deixo aqui o link para o post “Alma não se compra”, que analisa sob outro ponto de vista a transferência de Palmeiras x SCCP para Presidente Prudente. Não significa um recuo na minha revolta da última semana, e eu faço questão de reiterar todas as ofensas dirigidas ao senhor Marco Polo Del Nero, pois a decisão dele é inaceitável. Mas é inegável que procedem os argumentos apresentados pelo editor do Cruz de Savóia, o que me leva a endossar a sua conclusão: chegou a hora de reparar o erro histórico cometido em 1938.

10 fevereiro 2009

Sobre elitização e cultura

Torero floreia aqui menos que o habitual e peca por uma abordagem superficial e um tanto equivocada do que deveria ser o ponto central da sua crônica de hoje. Ainda assim, a temática justifica a leitura.

***

Porra, começa agora no Sportv a transmissão, live from Cochabamba, de Aurora/BOL x Boyacá Chicó/COL. Sim, brasileiro gosta demais de futebol, mas isso já um pouco demais...

09 fevereiro 2009

FPF x SPFW?

FPF e o clube do Jd. Leonor estão em guerra declarada. É o que dizem. Eu não acredito e isso não necessariamente tem a ver com o fato de serem ambos, Marco Polo Del Nero e a turma de JJ Scotch Whiskey, nossos inimigos. A questão pede que sejam avaliados os fatos.

E o fato primordial é que o mandatário da FPF age supostamente às claras contra os leonores, mas parece tudo jogo de cena, muito porque os prejuízos não se concretizam. Quando se trata de agir contra os outros clubes, no entanto, tudo acontece nos bastidores, sem muito alarde, mas aí sim com prejuízo claro.

Vejamos:

Diz o estapafúrdio regulamento do Campeonato Paulista (já há algumas temporadas) que “pertencem” à FPF os mandos de campo dos três grandes clubes da capital. É errado por definição, mas os clubes todos assinaram, em uma estranha submissão. E é imperativo que repensem tal medida, Palmeiras e SCCP em especial.

Eis então que a federação do Del Nero sente-se no direito de determinar onde acontecerão os clássicos da cidade. Foi assim com o Palmeiras x SPFW do ano passado, em Ribeirão Preto. E a situação se repete agora com o Palmeiras x SCCP deste ano, mas então em local ainda pior, fora até do nosso estado.

Foram dois mandos nossos que se perderam, a exemplo do que aconteceu também com o confronto diante dos bichas em 2005, transferido para, vejam só, o estádio do Jd. Leonor. Ok. É a tal hipótese bambi, lembram-se dela?

O curioso disso tudo é que a FPF se mete a “designar” os locais dos clássicos apenas quando se trata do nosso mando; a medida não se aplica aos duelos em que o SPFW está à frente na tabela.

Observem que as bichas disputam todos os clássicos com suposto mando em sua casa, sem que a FPF exerça o seu pretenso direito, definido por regulamento. É assim agora, em 2009, quando Palmeiras e SCCP terão de enfrentar as moças na casa delas.

Não é coincidência.

Como não é coincidência que JJ Scotch Whiskey, o falastrão, tenha dado as caras na Folha de S.Paulo da última sexta. A página D1, dedicada ao SCCP, trouxe uma pequena retranca com título “Jogo com Palmeiras será em Prudente”. Mas o que importa mesmo é a coluna da direita: “Clube terá em clássico 10% do Morumbi”. A nota é assinada, vejam só, por Eduardo Arruda, o interino, e Ricardo Perrone.

O que temos é simples: o SPFW resolveu acabar com a divisão igualitária dos ingresos em clássicos. Isso já acontece com o Palmeiras desde 2005, e, diga-se, tem de ser assim mesmo, porque a guerra contra os bichas nós fazemos com um jogo lá e outro cá.

Mas não é isso o que acontece entre SCCP x SPFW, pois os clássicos são comumente disputados no Jd. Leonor, com 50% da carga para cada torcida. Eis então que, de uma hora para a outra e sem maiores explicações, o SPFW mudou as regras.

Diz JJ a seus mensageiros da FSP: “Quando jogamos no Parque Antarctica, quantos ingressos nos dão? Dez por cento. Agora aqui vai ser assim também”.

Como dito acima, são coisas diferentes.

Ainda JJ: “Cumprimos a lei. Antes, dividíamos o estádio porque não existia estatuto do torcedor. Continuou assim, agora haverá um progresso”.

Sim, lembrem-se que estamos lidando com aquela gente progressista, visionária e pioneira do Jd. Leonor. E as moças podem tudo, inclusive exercer o direito de mando sem restrição, às margens do regulamento feito sob caráter para as manipulações de Marco Polo Del Nero.

Afinal, eu pergunto: segundo o regulamento, o mando não é da FPF? E ela não determina que o Palmeiras jogue em Ribeirão ou em Prudente, mas apenas com 50% da carga? Por que então os leonores podem jogar na sua casa, sem qualquer contestação, e ainda ficam com 90% dos ingressos?

Repito: os mandos bambis nunca foram contestados e/ou alterados pela FPF. Nunca! A imprensa se cala, é evidente, pois os colegas jornalistas seguem a cartilha de Casares, o marqueteiro do mal. E comportam-se feito mulher de malandro: apanham do Muricy e correm no dia seguinte para limpar a imagem do técnico leonor.

(Para ficar bem claro: o antro pertence aos bambis, e eles fazem dele o que bem quiserem. Colocam cadeirinhas numeradas, setores diferenciados, o escambau. Pouco importa. Eu só faço questão, quando vou lá, de uma coisa: quero ser tratado como inimigo!)

E deve ser assim agora também com os torcedores do SCCP. Eu só espero que a diretoria dos caras tenha vergonha na cara, pois o próximo SCCP x SPFW deve acontecer no Pacaembu, e com os bambis espremidos entre a numerada e o tobogã. A conferir.

Por enquanto, meus caros, reflitam sobre todo esse jogo de cena do que supostamente seria uma batalha entre JJ Scotch Whiskey e Marco Polo Del Nero, FPF e SPFW. Façam a reflexão e tentem me responder: quem foram os prejudicados depois da declaração de guerra?

***

A BWA continua a aprontar das suas.

Foram colocados à venda 27.640 ingressos para o clássico de ontem. Todos, segundo os avisos fixados nas bilheterias do Palestra, foram vendidos antecipadamente. Mas aí vem o público oficial: 24.515 pagantes. Afinal, onde foram parar os outros 3.125?

Volta, Felipão!


Felipão,

Eu sei que você não volta, ao menos não agora. Mas hoje é um dia glorioso para a sua carreira, e é justo mostrar o quanto você é idolatrado por aqui.

Parece estranho dizer isso, mas é provável que você agora já tenha se dado conta do erro que cometeu ao ir para o Chelsea. Foi o grande deslize da sua carreira, diga-se, mais até do que quando dirigiu aquele desvirtuado time das Minas Gerais. A essa altura do campeonato, eu imagino, você já deve ter percebido que o time londrino se ressente exatamente de algo que é a sua maior virtude: alma.

Ser demitido do Chelsea é uma honra.

Seja bem-vindo de volta ao futebol!

08 fevereiro 2009

Tá dando gosto...


Alguém aí acha que esta criatura tentou pegar a bola?

Falar do time - e de jogadores - não é muito a praia deste blog, mas hoje não dá para fugir do assunto. Já são sete vitórias em sete jogos, 21 gols a favor e apenas quatro contra, com a liderança do campeonato nas nossas mãos mesmo com um jogo a menos. Com isso tudo, a goleada de hoje ficou até de bom tamanho para o Santos, que não triunfa contra o Palestra já há sete jogos.

E vejam que eu nem gosto muito daquilo que chamam de futebol bonito, mas dá gosto acompanhar esse time rápido e envolvente, especialmente porque a qualidade técnica se presta não a firulas idiotas, mas sim para chegar ao gol o quanto antes.

E tudo fica melhor com um cenário como o de hoje: casa cheia, festa e a chuva que caiu na medida exata. "Deixa chover, deixa molhar..."

***

Ah, os leonores arrancaram uma vitória bem típica lá em Ribeirão: o juiz anula um gol em posição legal do Botafogo/SP e o dos bichas sai na seqüência da jogada. Continua tudo como antes, né?

Podem falar o que for dessa tal briga entre SPFW e FPF, mas eu não levo nada disso a sério. O post sobre isso vem amanhã à noite.

***
*Crédito da foto: Tom Dib, do jornaleco esportivo

07 fevereiro 2009

O BR-09

Saiu a tabela provisória (ainda sem as datas e horários exatos) do Campeonato Brasileiro-2009. Já dá para programar férias, caravanas e viagens pelo Brasil. De modo geral, gostei da nossa tabela, com a ressalva de que Flamengo x Palmeiras caiu em uma quarta-feira à noite. Pena. Seguem os jogos de maio até o final do ano:

10.05 dom. Palmeiras x Coritiba/PR – Palestra
17.05 dom. Internacional/RS x Palmeiras – Beira-Rio
24.05 dom. Palmeiras x SPFW/SP – Palestra
31.05 dom. Barueri/SP x Palmeiras – Arena Barueri
07.06 dom. Palmeiras x Vitória/BA – Palestra
14.06 dom. Palmeiras x Cruzeiro/MG – Palestra
21.06 dom. Brisa/PR x Palmeiras – Arena da Baixada
28.06 dom. Palmeiras x Santos/SP – Palestra
05.07 dom. Avaí/SC x Palmeiras – Ressacada
12.07 dom. Palmeiras x Náutico/PE – Palestra
15.07 qua. Flamengo/RJ x Palmeiras – Maracanã
19.07 dom. Palmeiras x Santo André/SP – Palestra
22.07 qua. Goiás/GO x Palmeiras – Serra Dourada
26.07 dom. SCCP/SP x Palmeiras – Jd. Leonor
29.07 qua. Palmeiras x Fluminense/RJ – Palestra
02.08 dom. Ixpót/PE x Palmeiras – Ilha do Retiro
05.08 qua. Palmeiras x Grêmio/RS – Palestra
09.08 dom. Atlético/MG x Palmeiras – Mineirão
16.08 dom. Palmeiras x Botafogo/RJ - Palestra

19.08 qua. Coritiba/PR x Palmeiras – Couto Pereira
23.08 dom. Palmeiras x Internacional/RS – Palestra
30.08 dom. SPFW/SP x Palmeiras – Jd. Leonor
05.09 sáb. Palmeiras x Barueri/SP – Palestra
13.09 dom. Vitória/BA x Palmeiras - Barradão
20.09 dom. Cruzeiro/MG x Palmeiras – Mineirão
27.09 dom. Palmeiras x Brisa/PR – Palestra
04.10 dom. Santos/SP x Palmeiras – Vila Belmiro
07.10 qua. Palmeiras x Avaí/SC - Palestra
10.10 sáb. Náutico/PE x Palmeiras – Aflitos
18.10 dom. Palmeiras x Flamengo/RJ - Palestra
25.10 dom. Santo André/SP x Palmeiras – Bruno José Daniel
28.10 qua. Palmeiras x Goiás/GO – Palestra
01.11 dom. Palmeiras x SCCP/SP – Palestra
08.11 dom. Fluminense/RJ x Palmeiras – Maracanã
15.11 dom. Palmeiras x Ixpót/PE – Palestra
22.11 dom. Grêmio/RS x Palmeiras – Olímpico
29.11 dom. Palmeiras x Atlético/MG – Palestra
06.12 dom. Botafogo/RJ x Palmeiras - Engenhão

05 fevereiro 2009

Alimentando o monstro

Direto e reto:

Leiam
aqui (ou dois posts abaixo, tanto faz) o que eu escrevi sobre o caso Muricy x imprensa.

E vejam agora o que traz o nosso amigo do
Painel FC:

"Original. A diretoria do São Paulo não vê motivo para a imprensa reclamar de Muricy Ramalho ter sido rude com repórter da ESPN Brasil no domingo. Alega que o técnico sempre foi elogiado por jornalistas pela sua autenticidade."

04 fevereiro 2009

O esporte que vendeu sua alma (2)

Imagino que os leitores deste blog não tenham o costume de ler o caderno Mais, suplemento dominical da FSP que não chega a ser exatamente popular. Mas ele costuma trazer bons ensaios, um dos quais saiu na edição do último domingo. O texto da Folha (aqui, só para assinantes) é uma versão editada do que foi publicado originalmente no London Review of Books (aqui).

Recomendo a leitura dos dois para retomar um pouco a discussão que teve início em pelo menos dois posts do início de 2008 (aqui e aqui). Sem me alongar muito, digo que fica mais fácil entender agora porque é que eu momentaneamente torço contra Felipão em sua empreitada no Reino Unido. Faço isso exatamente porque alguém como ele não pode dirigir um clube desprezível como este Chelsea.

E é por isso tudo também que eu lamento pela pivetada dos nossos dias, que se põe a vestir camisetas de Chelsea, Manchester, Inter, Milan, Barcelona, Real Madrid e outros mais como se vivêssemos não no Brasil, mas na Europa.

Enfim, os textos ficam aí para reflexão.

03 fevereiro 2009

A imprensa e o monstro leonor

Colegas da imprensa,

Vocês criaram o monstro. Agora têm de agüentar.

Vocês criaram o monstro ao contribuir para o estelionato bambi e ao impor uma lógica em que a geração vitrine fica à vontade para propagar sua alienação. Acontece que o monstro só cresce a cada manchete distorcida, a cada tentativa de construir um mundo cor-de-rosa no Jd. Leonor, a cada vez que os veículos de comunicação se submetem ao marqueteiro do mal.

Isso tudo é uma alegoria, claro, mas o monstro tem muitas caras. O monstro está em cada imbecil que faz parte da sub-raça alienada e vomita arrogância sem qualquer esforço. O monstro está nos dirigentes leonores e em suas declarações sem propósito. O monstro está nas seguidas tentativas de tomar o dinheiro público e na falta de limites para apropriar-se do que existe primeiro na casa dos outros. O monstro está na farsa do gás, no caso Madonna e no surto heróico-oportunista do anão de jardim. E também na incapacidade de admitir as derrotas dentro de campo, tal qual um moleque mimado. O monstro não tem limites, pois foi assim que vocês, jornalistas, o criaram.

O comportamento de Muricy Ramalho é reflexo de tudo isso. Talvez nem seja por mal, mas ele, possivelmente um cidadão honesto, se deixou influenciar por esse monstro. Vocês deveriam saber que tem gente que se deixa envolver facilmente pelo ambiente.

Afinal, não foram vocês que passaram os últimos anos dizendo que Muricy era folclórico? Não foram vocês que transformaram má educação em autenticidade? “Luxemburgo é mascarado e Muricy é autêntico”: era assim o discurso, não? Houve até quem transformasse declarações raivosas em divertidas reportagens de TV. E houve quem quisesse transformar em (anti-)marketing pessoal o temperamento irascível do técnico leonor. Vocês até enalteceram o “jeito zangado do Muricy”, como se ele fosse um cachorrinho genioso, de quem se aprecia um latido aqui e outro acolá.

Pois é, Muricy Ramalho acreditou nisso tudo e resolveu atacar. A culpa é toda de vocês, colegas da imprensa vendida. E não adianta reclamar.

02 fevereiro 2009

Direto da fonte

Estádio Moisés Lucarelli, Campinas, domingo agora. É sabido que o campo daquele time dos 109 anos sem título não oferece grandes confortos para o torcedor, mas há (ou deveria haver) um limite para tudo. Vejamos:

Um sol criminoso insistia em castigar o público presente, e a temperatura girava na casa dos 35º C. Estava difícil conseguir água já do lado de fora, pois os imbecis que se pautam pelo “Estatuto do Torcedor” resolveram proibir o comércio de bebidas e alimentos nas imediações do estádio.

Até havia água lá dentro, a extorsivos R$ 2 o copo, mas só no primeiro tempo. Não demorou muito e logo não havia mais água no estádio, a não ser aquele filete que sai das nada confiáveis torneiras do banheiro – todo torcedor deveria conhecer essa parte do Moisés Lucarelli para deixar de reclamar à toa.

Fato é que a água terminou ainda na etapa inicial. Eis então que, lá pela metade do segundo tempo, o tiozinho da água surge lá embaixo, vindo das sociais. Ele se aproxima do nosso setor com o tabuleiro cheio dos tais copos descartáveis. Eu, já com o dinheiro em mãos, faço a pergunta obrigatória:

“Tá gelada?”
E o tiozinho:

“Que nada... mais quente que o sol”.
Ok. Eu já desisti ali. Mas então olhei para os copos e notei que todos tinham a mesma característica: um belo de um furo no rótulo.


Ou seja, percebendo que não havia mais água e que as pessoas tinham sede, o tiozinho deve ter coletado os copos usados pelo chão e, após enchê-los com água da torneira, fez um lacre safado. Aí, imagino eu, abriu um buraco em todos eles, o que ao menos simulava certa padronização e permitia aos incautos torcedores beber água (quente) sem rasgar o lacre improvisado.

É claro que eu não poderia deixar quieto:

“Olha, você vende a água já aberta?”

E o tiozinho, com olhar enviesado, mandou:


“É proibido vender água fechada no estádio...”
Ah sim...

Como diria o Vitotti, "este é o Brazil".

01 fevereiro 2009

Coisas do futebol

Chega a ser impressionante que eu ainda me surpreenda com o futebol, mesmo com tantos e tantos anos de arquibancada nas costas. Mas acontece que um domingo como este que chega ao fim agora é daqueles dias que se mostram capazes de renovar muito do que o futebol representa para mim.

Vejam vocês que tudo conspirava para eu ficar em casa. Sol dos infernos, 35º C à sombra, dia bonito. Melhor seria ficar na piscina do clube, mas mesmo isso seria difícil, pois eu acordei naqueles dias de ressaca sem ter bebido nada na noite anterior. O inteligente então seria ficar em casa, deitado e repousando, e qualquer pessoa com bom senso faria isso. Não é o meu caso, e lá se vão 10 anos desde o último jogo perdido sem uma razão claramente proibitiva.


Qualquer pessoa com bom senso, diga-se, teria desistido de ir a Campinas muito tempo atrás, pois não dava para esperar grande coisa do nosso time reserva. Mas o bom senso que eu tenho para quase tudo na vida não sobrevive quando é contraposto ao Palmeiras. E aí, mesmo cambaleando e com dificuldades para ficar em pé, lá fui eu, acompanhado de outros amigos que têm a mesma doença.

Viajei no banco de trás do carro, deitado e tomando aquele sol horrível na cabeça. Não apenas na ida, mas também na volta, pois ele não deu trégua. Passei grande parte do jogo sentado, pois não tinha forças nem para ficar em pé, como se preza a qualquer torcedor.

As dificuldades são muitas: a distância do carro ao estádio, o calor, o cheiro insuportável deixado pelos cavalos da PM, as acomodações inadequadas lá dentro, a falta de água e alimentação decente. Estar ali na condição em que eu estava não foi nada inteligente e eu confesso que o desconforto me levou a questionar algumas vezes a validade de tamanho esforço.

Mas então acontece aquilo tudo. Três gols de Lenny, um deles nos minutos finais, e a vitória do nosso time reserva no campo de um adversário sempre complicado. É daquelas coisas que só o futebol pode proporcionar. E então até a fraqueza deixa de ser notada, pois é logo substituída por aquele sentimento único de ir ao estádio e participar da vitória do seu time na casa do rival.

Tem gente por aí que passa a vida toda sem vivenciar essa emoção. A maioria não entende o porquê de toda a nossa dedicação e alguns, pobres coitados, ainda fazem pouco disso. Eu já escrevi antes sobre esse tipo de gente, e não cabe voltar ao assunto. O importante mesmo é perceber que um dia como o de hoje permite renovar um pouco mais todo esse amor que eu sinto pelo futebol.

***


Há, em lugar de destaque no lado externo do Moisés Lucarelli, um enorme quadro com o "Estatuto do Torcedor". Tem toda a pompa, por mais que o cenário ali do lado externo do estádio da Ponte seja menos agradável a cada vez que voltamos lá. E é no mínimo curiosa a ostentação do tal estatuto quando se observa a situação à que foi submetido o palmeirense da capital que esperava ir ao interior. Basta dizer, vejam só, que os ingressos foram vendidos apenas até o meio-dia de ontem e somente em Campinas, segundo o anúncio oficial. Das duas, uma: ou o sujeito chegava lá antes desse horário, o que o levaria a perder todo o seu domingo, ou ele financiaria a máfia dos cambistas. Muito inteligente...