30 janeiro 2009

Noite de Libertadores

Esta semana fez o palestrino relembrar um período glorioso para todos nós, aquele entre o final do século passado e o início deste, quando Felipão criou uma identidade única entre clube, torcida e jogadores. Fazia tempo, provavelmente desde 2000, que não jogávamos na terça e na quinta de uma mesma semana (ou quarta e sexta, como era mais habitual). Por mais que seja cansativo, a maratona faz bem à alma do torcedor, em especial quando o time, antes desacreditado, mostra todo esse potencial de 12 gols em 4 jogos.

O melhor de tudo é viver novamente o clima dessas noites de Libertadores, como resume bem o
blog do Júnior. Claro que o rival de ontem, quase amador, não está à altura (não confundir com altitude) da competição, mas o entrosamento entre time e torcida foi bem aquele que se espera de uma Libertadores. Casa cheia, clima de decisão, festa e guerra ao mesmo tempo, tensão, incentivo incondicional, pressão no adversário.

Na base da velocidade, vieram os cinco gols e uma vitória que poderia ser ainda maior e mais contundente, em especial porque os bolivianos não poderiam ter encontrado o maldito gol de fora. No fim das contas, as coisas ficaram de bom tamanho. Porque aqueles indígenas só devem conseguir jogar futebol mesmo em ambientes sem oxigênio...

***

1. Ao lado dos bambis, o Palmeiras é o clube brasileiro que mais vezes disputou a Copa Libertadores da América. É um feito considerável, e a ele podemos acrescentar também a nada agradável marca de torcermos pelo time mais roubado em sua própria casa em jogos do interclubes continental. Não cabe agora elencar todos os erros que impediram trajetórias ainda mais gloriosas no passado, mas eu digo apenas que ontem, diante do amador Potosí, tivemos um pênalti não assinalado e um gol anulado após impedimento inexistente. Dois erros graves. Provavelmente não terão peso algum ao final da disputa, mas são bastante emblemáticos.

2. Domingo tem mais, lá no campo daquele clube dos 109 anos sem título. Vai o time reserva e tal, mas nós temos de fazer a nossa parte na arquibancada. Saída de SP para Campinas ainda pela manhã.


3. Peço desculpas pelo post sucinto. A idéia era escrever algo maior e tal, mas não vai dar tempo agora.

29 janeiro 2009

“Minha alma canta...”


Não que essas eleições e pesquisas promovidas por instituições internacionais tenham alguma credibilidade e/ou validade, mas a notícia que os senhores encontram aqui enfatiza um pouco mais o nível de imbecilidade atingido por figuras como a do presidente da CBF, que foi capaz de sugerir a implosão do Maracanã.

Maldita seja a Copa-2014!

28 janeiro 2009

FORA BWA!

Legal: Belluzzo é o novo presidente, o ar ficou mais respirável e coisa e tal, mas a BWA ainda não foi devidamente expurgada da vida do palmeirense. Mais do que um compromisso firmado com uma das alas políticas do clube, isso é questão de honra. O torcedor merece respeito, que inexiste enquanto esta empresa incompetente e desonesta continuar atrapalhado a nossa vida.

Mal começou a temporada e os problemas já se acumulam. Filas se formaram, torcedores perderam horas para comprar ingressos e o descaso foi o mesmo de sempre. O cenário é exatamente o mesmo dos últimos anos, de modo que é necessário registrar mais uma vez
AQUI o clipping interno que retrata a inaptidão dos irmãos Balsimelli.

A caneta está na mão do Belluzzo.

FORA BWA!

Deixa chover...

Há tipos e tipos de chuva, e eu enfrentei de tudo um pouco em quase duas décadas de estádio. Mas sinceramente não me lembro de uma chuva como a de ontem, que nem foi assim tão intensa, mas que insistiu em perdurar pelas duas horas de jogo (incluindo o intervalo). Por sinal, foi uma tempestade bem planejada, iniciando-se pouco antes do apito inicial para ter fim só quando deixávamos o estádio.

Foi chuva para lavar a alma do torcedor, ainda que não tão forte quanto a de pelo menos três jogos que são emblemáticos na minha memória de estádio (Palmeiras x SCCP de 1998, Palmeiras x Fluminense de 1999 e Azulinho x Palmeiras de 2007). Por mais persistente que tenha sido, não foi suficiente para atrapalhar o desempenho do time e a boa estréia caseira.

O gol de Lenny só poderia mesmo ter saído em uma noite assim, com gramado molhado. Posso até me arrepender de tal afirmação daqui a pouco tempo, mas a dedicação e mesmo a qualidade técnica desses três primeiros jogos fazem de Lenny uma boa opção para o nosso ataque em 2009. E ele bem merecia um gol daqueles. Se não foi de carrinho, com lama para todos os lados, teve certa dramaticidade, com chute cruzado e rasteiro, goleiro fazendo defesa parcial e bola espirrando a água que se acumulava na rede. Muito justo.

Quanto à estréia de Keirrison no Palestra, mais do que o pênalti perdido, impressiona o fato de ele ter cavado a expulsão de um adversário sem sequer tocar na bola. Bastou um giro de corpo para o Marília ficar com um homem a menos. Tivemos ainda as estréias de Edmilson, seguro na zaga e responsável por impressionantes lançamentos para a esquerda, e de Armero, impecável ao receber essas invertidas, matar a bola e sair jogando.

No fim das contas, o saldo foi bem positivo. Alguns titulares foram poupados e veio uma nova vitória, que pode servir para compensar uma provável derrota dos reservas lá no estádio do time dos 109 anos sem título. Antes de domingo e de mais uma viagem pelo interior, no entanto, temos amanhã os bolivianos que moram no céu. O jeito é enfiar uma sacolada nesses malditos. E que a chuva passe bem longe do Palestra, por favor.

27 janeiro 2009

É BELLUZZO!



É BELLUZZO!

E só isso basta. É dignificante ter alguém como Belluzzo à frente do nosso Palestra. E eu nem tenho muito a acrescentar. Apenas indico as coberturas do Cruz de Savóia e do Parmerista!, que sintetizam o sentimento de vitória de toda a nação palestrina.

***

*Ebem Gualtieri ficou de fora – foi o único entre os candidatos a vice da situação. É a evolução da espécie, mas felizmente no sentido oposto ao desejado por este cidadão.

*Eu bem gostaria de ver a cara do inominável ontem. Deveria ser bem diferente daquele semblante que transparecia arrogância um dia antes, na lanchonete do clube.

*Por sinal, é justo elogiar: ingressos a R$ 20. Deveria continuar assim.

*19h20 hoje. Caraíbas x Turiassu!

26 janeiro 2009

Que cidade é essa? (2)

O atentado cometido pela revista Veja SP (no post abaixo) é uma ofensa não ao palmeirense ou ao corintiano, mas ao paulistano.

A São Paulo real não é esta da madame que anda de Cherokee e "gasta como se não houvesse amanhã", mas sim a do sujeito que levanta às seis da manhã lá nos confins da zona leste e pega ônibus e Metrô para buscar o sustento da família no centro da cidade. Pouco importa se ele é palmeirense, corintiano, são-paulino, santista, luso, juventino ou o que quer que seja. Pouco importa! Ele, acima de tudo, é um cidadão paulistano.

A São Paulo real está aqui:

Começou um novo dia, já volta quem ia
O tempo é de chegar
De metrô chego primeiro
Se tempo é dinheiro, melhor vou faturar
Sempre ligeiro na rua, como quem sabe o que quer

Vai o paulista na sua, para o que der e vier

A cidade não desperta, apenas acerta a sua posição

Porque tudo se repete, são sete
E às sete, explode em multidão.
Portas de aço levantam
Todos parecem correr

Não correm de, correm para
Para São Paulo crescer
Vambora, vambora, olha a hora
Vambora, vambora, vambora, vambora
Olha a hora, vambora, vambora, vambora

25 janeiro 2009

Que cidade é essa?

Eu deveria usar este espaço para escrever sobre a viagem para Ribeirão Preto, o início de mais uma temporada, a vitória alviverde e a bela estréia de Keirrison, que fez dois gols e mandou a bola na trave duas vezes. Deveria. Mas a imprensa não deixa, e desta vez a coisa vai além dos cronistas esportivos.

Mas começa por eles, claro, pois o jornaleco esportivo não consegue disfarçar as tentativas de manipulação. Vejamos aqui:

“Keirrison marcou na estreia pelo Palmeiras, mas Washington foi melhor e deixou o seu na primeira vez que tocou na bola com a camisa do São Paulo. Logo aos dois minutos, o atacante subiu mais alto que a zaga e tocou para a rede, após cobrança de escanteio.”

É isso: Keirrison fez dois gols e parou duas vezes na trave, “mas Washington foi melhor”. E foi assim ainda que este primeiro gol tenha sido do zagueiro adversário e não dele próprio. Mas a mídia não perde a chance de criar um mundo cor-de-rosa lá pelos lados do Jd. Leonor.

Por sinal, o trouxa Juquinha voltou de férias, mas parece não ter mamado o suficiente no seu bezerrão. Daí que sua coluna de hoje na FSP traz isso aqui:

'Se o TCU emudece sobre as contas do Pan, a polícia paulista espera que todos se esqueçam do episódio do gás no Palestra Itália e da confusão no aeroporto de Congonhas. Há, porém, quem não esquecerá..."

Mas isso tudo foi coisa pouca, meus caros. Porque a manipulação mais contundente não vem de um jornalzinho qualquer, mas logo daquela revista abjeta da Editora Abril, que infelizmente tem ainda seus seguidores, a maior parte por pura alienação.

A ocasião é o aniversário desta metrópole que tanto amamos. A revista se põe a eleger as pessoas e lugares que são a "cara de São Paulo". Eu bem sei que a Vejinha enxerga esta metrópole não como a cidade grandiosa e multicultural que ela é, mas como um reduzido círculo imaginário com marco central no Itaim Bibi. Eu sei disso, mas daí a cometer um atentado como este logo no aniversário da cidade, vai uma longa distância.

À introdução:

"Já em 2008...
...a capital ganhou nome e jeito de mulher, que se chama Maria Vitória. Bem-sucedida em seu emprego no mercado financeiro, tem marido e filhos, torce para o São Paulo e é bem-humorada. Seu salário é daqueles de fazer inveja às amigas, mas ela gasta como se não houvesse amanhã. Enfrenta o trânsito numa Cherokee. Voltou a estudar e, agora, faz psicologia."


MEU DEUS!!! Em que mundo vivem os redatores deste lixo? E mais: que porra de cidade é esta? Alguém aí, entre os leitores deste blog e habitantes desta metrópole, conhece este lugar?

Pois é, meus caros, a revista resolve personificar uma cidade tão heterogênea como esta em que vivemos e dá até nome para a criatura. E aí dá um jeito de enfiar futilidades mil, incluindo, claro, o fato de ela pertencer à geração vitrine. Faltou só dizer que a tal madame almoça nos restaurantes da rua Amauri e "gasta como se não houvesse amanhã" nas lojas de grife da Oscar Freire.

Seguimos adiante, pois a coisa piora. Vejam vocês, caros amigos, que o estádio que tem a "cara de São Paulo" não é o municipal Pacaembu, tradicional, aconchegante e central. Não, não é. É este aqui:

"A casa do São Paulo Futebol Clube é a parte mais visível do império tricolor, que faturou cerca de 180 milhões de reais em 2008. Projetado pelo arquiteto João Batista Vilanova Artigas, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo começou a ser construído em 1953, foi inaugurado em 1960 e ficou totalmente pronto em 1970. Maior arena de futebol particular do mundo, conta com 528 funcionários. Desde 2006, passa por reformas para se tornar um grande centro de entretenimento. Atualmente, além de um clube poliesportivo com 25 000 sócios, abriga um museu, um bar-restaurante e uma megaloja de suvenires. Neste ano, deve ganhar uma livraria, um espaço para eventos e uma escola de inglês. Em 2010, serão inauguradas salas de cinema e uma grande academia de ginástica."

O texto beira a irresponsabilidade. Nem um release da assessoria de imprensa bambi faria coisa melhor. Temos aqui coisas como "império tricolor", faturamento bruto (ah, virou empresa agora?) e "centro de entretenimento". Só se esqueceram de falar em como é que construíram aquele antro. Para completar, os redatores deste lixo usam um argumento já defasado há pelo menos 15 anos: "maior arena de futebol particular do mundo". Dá pra acreditar nisso?

A manipulação não pára por aí. Pois logo vamos descobrir que o esportista-símbolo da nossa cidade é logo o mau-caráter goleiro dos bambis, o tal Proposta do Arsenal, aquele que se ajoelha na frente dos adversários e só toma gol quando "o atacante chuta errado". Comentários adicionais são desnecessários.

Prometo que estamos chegando ao fim. E ele vem com mais uma tentativa de manipulação, desta vez bem sutil. Vejam vocês que o jornalista de TV que é a "cara de SP" é William Bonner, apresentador do Jornal Nacional. Ok, não vejo problemas. Mas o texto dá um jeitinho de ampliar o fes
tival cor-de-rosa para seus assinantes:

"
Na última visita, no ano passado, levou os filhos trigêmeos (Laura, Beatriz e Vinícius) para conhecer o centro de treinamento do São Paulo, seu time do coração."

Eu não sei onde vivem os idealizados e os redatores desta merda de reportagem. Certo mesmo é que eles não vivem na mesma que cidade que eu. A minha São Paulo não tem uma cara, mas várias. É errado sugerir qualquer cara a esta cidade, pois é provável que nenhum outro lugar do mundo seja marcado por uma diversidade tão grande como a que encontramos por aqui. Mesmo em se tratando deste povo deslumbrado da Vejinha, é chocante que tenham conseguido desrespeitar São Paulo a ponto de lançar mão dessa tentativa grotesca de imputar à capital paulista uma faceta oportunista, suja e fútil. A cidade que eles desejam felizmente não existe.

19 janeiro 2009

A matinê do Del Nero

Entende-se, pois é uma questão mercadológica, a realização de jogos de futebol no Brasil às 22h de quartas-feiras. Entender não significa aceitar, mas admitir que a coisa faz sentido, à medida que atende aos interesses maléficos de certa entidade privada. O que fica difícil compreender é a realização de uma partida profissional às 16h30 de uma quarta-feira útil, como este Santo André x Palmeiras que abre o Paulistão. Sim, sei que a TV vai passar tudo ao vivo, mas a pergunta é: por que não no maldito horário das 22h?

Felizmente, parece se tratar de um caso isolado, mas não no ABC e sim na distante Ribeirão Preto, o que impede o palmeirense da capital de ver a estréia do seu time no estadual. É o tipo de coisa que só poderia acontecer na gestão Del Nero, o inimigo número do torcedor de futebol neste país.

Será a segunda vez na década que eu sou impedido de ver a abertura da temporada no estádio. A outra foi em 2005, quando nosso time entrou em campo às 16h de uma quarta-feira, em Limeira. Passaram-se quatro anos, mas Del Nero não compreendeu ainda que as pessoas trabalham durante a semana. Pode não ser o caso dele, mas gente de bem deve obedecer a certos rituais corporativos.

Não vale muita coisa, mas eu registro aqui o meu protesto. E aproveito para republicar uma seleção de textos anteriores, que tratam de alguns dos absurdos a que somos submetidos os torcedores no dito “país do futebol”:

A maldição das 18h10 (07/09/2008)

Menos 10 minutos (30/06/2008)

Tabela dirigida (21/05/2008)

E o torcedor, como fica? (02/02/2008)

Depredação de patrimônio público (24/10/2006)

Recomendo este em especial:

As invencionices do Sr. Del Nero (20/12/2007)

Cabe a pergunta: pra que serve o tal Estatuto do Torcedor?

***

Feito o protesto, a volta aos estádios acontece mesmo no próximo sábado, novamente em Ribeirão Preto, mas então por conta da farsa bambi e da omissão de certos dirigentes alviverdes. E é assim, pagando o preço pela armação do nosso inimigo, que damos início a mais uma temporada desta guerra que não tem fim...

16 janeiro 2009

Ainda o tal Estatuto

O ponto central de toda a discussão sobre o Estatuto do Torcedor é este levantado pelo japonês e já abordado neste blog em outras oportunidades: políticos se propõem a fazer algo por alguém, mas não se preocupam em consultar este alguém. É basicamente o que aconteceu na gestação dessa Coisa, que é como o Estatuto passa a ser carinhosamente chamado por aqui.

O texto integral da Coisa está disponível na internet. Tomei a iniciativa de passar o olho por algumas tantas páginas e o que temos é baboseira atrás de baboseira. Com direito a inúmeros vetos, pedidos de inclusão e pareceres de órgãos como Ministério da Justiça, Advocacia-Geral da União e Ministério da Fazenda. Sim, da Fazenda!

As interferências no texto da Coisa seguem um padrão: “Ouvida, a Advocacia-Geral da União manifestou-se quanto ao dispositivo a seguir vetado”. É manifestação de um lado e de outro, e todos têm direito a palpitar. Quer dizer, quase todos, porque o torcedor, logo o principal interessado, não foi ouvido em momento algum. Não há nenhuma referência do tipo: “Consultado, o torcedor entende que...”. O texto tampouco procura justificar o porquê da legislação ou qual foi o cenário encontrado para determinar as mudanças.

Fizeram essa Coisa e agora preparam uma reformulação ainda mais restritiva sem se preocupar em consultar o torcedor, que parece ter espaço apenas no nome do tal dispositivo legal.

Entre os tantos relatores e envolvidos com a elaboração da Coisa, eu duvido que tenhamos algum freqüentador de estádio. Duvido que algum deles tenha colocado a bunda gorda no cimento da arquibancada. Duvido que algum deles saiba quais são as dificuldades que enfrentamos para comprar ingresso, chegar às praças esportivas e suportar os horários obscenos impostos pela emissora de TV.

Vê-se então que fizeram barulho enorme por muito pouco. A Coisa completa agora seis anos, e eu me atrevo a dizer que a situação piorou bastante de uns tempos para cá. Vejamos:

1. A repressão aumentou;
2. Os benefícios imaginados não se fizeram notar;
3. Os estádios estão ainda piores;
4. O preço dos ingressos disparou;
5. A informatização atravancou o funcionamento das bilheterias;
6. Os horários ficam mais absurdos a cada ano;
7. O torcedor teve cassados alguns de seus direitos básicos.

Estes são apenas alguns pontos que ilustram o cenário atual, em uma demonstração de que a Coisa que ousam chamar de Estatuto do Torcedor serviu apenas para gastar verba pública e fazer o nome de uns e outros. Notem que a idéia era boa, mas ficou só nisso, pois a concepção foi toda ela prejudicada por uma miopia que persiste ainda agora, quando surge esse papo de reformulação.

Há provavelmente gente bem intencionada por trás de tudo isso. Talvez o próprio presidente Lula, que gosta muito de futebol, mas, observem, não deve repousar sua bunda no cimento arquibancada há décadas. Portanto, as boas intenções se perdem diante da politicagem, do discurso vazio e dos interesses escusos. E a Coisa deixa de fazer sentido a partir do momento em que o torcedor, o principal interessado, é tratado com descaso logo na elaboração da lei.

15 janeiro 2009

Estatuto de qual torcedor?

O blog do Claudio trouxe ontem um texto preciso sobre a mais recente iniciativa bizarra dos homens que comandam o futebol neste país. Eis que teremos agora uma reformulação de algo que nunca foi sequer formulado, o tal Estatuto do Torcedor. Em linhas gerais, minha opinião vai ao encontro da que é exposta no texto abaixo, de tal modo que eu tomo a liberdade de plagiar o título do japonês e deixo para fazer breves comentários ao final.


Estatuto de qual torcedor?

Sancionado em 2003 pelo Governo Federal, o Estatuto do Torcedor foi criado para defender os direitos dos freqüentadores de estádio. Partindo do pressuposto de que o torcedor é um cliente, regras foram estabelecidas e normas foram criadas para, supostamente, dar jurisprudência a uma série de medidas contra clubes e federações, com extensão a seus respectivos dirigentes. Seis anos depois, o troço ganha agora uma
reformulação que pretende ampliar seu viés restritivo. Em nenhum momento, porém, são levadas em conta as necessidades daqueles que não enxergam sua ida ao jogo como um passeio ou um produto, mas sim como uma prazeirosa obrigação moral.

Apesar das regras rígidas na teoria, a prática mostra que federações, clubes e até quem realmente manda no futebol brasileiro - ou seja, a Globo - não cumprem tal estatuto. Quer dizer, não cumprem a sua essência, que é o respeito ao dito "cliente". Horários esdrúxulos, ingressos a preços surreais, manutenção dos esquemas que beneficiam cambistas, entre outros, são práticas ainda muito comuns. Além disso, há o detalhe precioso, para não dizer pernicioso: o documento considera que a violência nos estádios está exclusivamente vinculada às torcidas organizadas.

A reformulação, ao menos, tem um ponto positivo no que tange aos cambistas. Está prevista a prisão para quem negociar ingressos acima do preço de tabela. Também é possível citar a penalização para manipulação de resultados como ganho a ser comemorado. Agora, vamos aos absurdos.

As organizadas serão responsabilizadas pelos atos criminosos de seus associados, e aí a gente volta para aquele erro de premissa organizadas=violência. Como uma organização social de massa pode ser condenada por um ato ilícito de um de seus membros? Parte-se de uma generalização preconceituosa cujo significado é o mesmo que dizer que o MST só tem vagabundo, comunista come criancinha, preto é tudo ladrão e mulher só serve para cuidar da casa. Que as torcidas respondam por invasões de campo ou brigas nas arquibancadas tudo bem. Porém, não dá para repassar a gerência da segurança pública em dias de jogo para as organizadas. Isso é função da polícia.

O pior, no entanto, vem agora: teremos bafômetros nos portões, e aqueles que tenham ingerido bebidas alcoólicas em excesso poderão ser impedidos de entrar. Qual é o critério? Por que, novamente, se quer
criminalizar a cerveja? Não há provas concretas de uma relação direta entre ficar bêbado e partir para a porrada. E qual seria a constitucionalidade dessa medida?

Ao invés de valorizar essa tendência proibitiva, o governo deveria ir para cima de quem realmente prejudica o futebol. Não permitam que os jogos tenham início depois das 21h. Montem sindicâncias contra esquemas de cambistas, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Criem mecanismos protecionistas para evitar a venda precoce de atletas ao exterior. E, antes de fazerem qualquer estatuto, promovam uma audiência pública a fim de escutar a opinião do verdadeiro torcedor. Aquele que, faça chuva ou faça sol, bate seu cartão e paga caro para ver seu time de coração.


***

Fato é, meu caro amigo, que estamos cada vez mais sozinhos nesta batalha. O quadro geral de alienação, já citado no post anterior, faz com que as pessoas, pobres delas, se deixem levar pelo discurso construído dia após dia por uma mídia esportiva que deixou de lado todo e qualquer sinal de decência.

O levantamento mais recente do Cruz de Savóia é bem emblemático. Claro que trata-se de outro tipo de manipulação, não tão sutil, mas que sabidamente conduz ao desfecho esperado por esta gente. Vejamos aqui, do início ao fim: 1A, 1B,
2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8.

Sigamos em frente, pois focos de resistência são necessários.

No que diz respeito ao tal Estatuto, reforço suas palavras. Não quero ser tratado como cliente, pois eu me dedico ao meu clube por amor e não pelo oportunismo de um bambi alienado. "Torcedor" é aquele que torce, e não aquele que compra. De toda forma, ainda não vi nenhum torcedor ser tratado como cliente, que era a premissa da coisa.

O pior de tudo, vejam só, é que o Palmeiras pode acabar renovando o contrato com a BWA. Com a BWA, acreditem! Tendo em vista isso, deixo aqui mais um link, este compilando uma série de absurdos já cometidos pelos irmãos Balsimelli contra o torcedor de futebol.

Para finalizar: nenhuma lei, por bem intencionada que for - e não é o caso aqui -, terá validade enquanto
uma empresa como a BWA puder fazer seus negócios e enquanto a emissora câncer continuar a empurrar seus horários cretinos para satisfazer a alienação dos que se deixam levar por BBBs da vida...

12 janeiro 2009

Sobre o “Forza Palestra”


As férias aproximam-se do fim, e eu senti a necessidade de publicar aqui um texto que cumprisse o papel de apresentar este blog aos visitantes mais recentes ou àqueles que ainda não tiveram a oportunidade (ou o interesse) de entender o que motiva a existência desta página. Seria uma espécie de “Quem Somos”, algo que inexiste na atual configuração permitida pelo Blogspot.

Começo por dizer – e isso é importante – que este blog é um projeto estritamente pessoal, se é que tal designação se aplica a algo que existe apenas em função de um sentimento.

O “Forza Palestra” existe desde 2003, quando poucos entendiam o que era um blog. Lá se vão seis anos desde o início de tudo, ainda com outro nome e então no BliG. Por motivos pessoais, o conteúdo teve de ser retirado do ar, mas está disponível, em cd, para os que quiserem conhecer o que eu escrevia antes de adotar o atual endereço.

Saibam, de qualquer forma, que o que existia antes não difere muito do que vocês encontram no blog de agora, que é amador qualquer que seja a análise. É amador na concepção, pois existe em função de uma paixão, e na execução, pois é fruto de raros momentos de folga.

Assim sendo, não é lá grande coisa do ponto de vista estético ou tecnológico, tampouco sob a ótica dos recursos de interatividade. Nos últimos dias, pensei em mudar o visual ou jogar aí uma série desses aplicativos da web 2.0, mas faltam tempo, conhecimento técnico e competência para tanto.

A bem da verdade, não é este o foco, pois o blog não se presta a ser um repositório de conteúdo ou mesmo uma fonte de informação para o palmeirense, à medida que existe gente mais capacitada para cumprir tal função. O que temos aqui é uma página de cunho opinativo, que busca defender certos ideais.

Eu disse ‘ideais’? Bom, há uma definição melhor: ‘princípios’.

Princípio básico: “Torcedor é aquele que vai ao estádio. E vai não para assistir ao jogo, mas para levar seu time à vitória”. Ou: “Torcedor é aquele que freqüenta a arquibancada. O resto é simpatizante”.

É um conceito particular e, como tal, discutível, mas indispensável para entender a mente de quem atualiza este blog. E é radical, admito, mas qualquer texto opinativo sobre uma paixão tende ao extremismo.

Sei que pode soar como ofensa para uns e outros, mas me parece uma afirmação das mais lógicas. Vejamos: que sentido faz alguém se dizer torcedor fanático se não torce efetivamente?

Eu bem poderia perder alguns longos parágrafos discorrendo sobre o assunto, mas a pergunta acima já me parece suficiente para apresentar o princípio básico deste blog. Se não for - ou se alguém tiver argumentos contrários -, prometo que volto ao tema.

Aproveito para dizer que este blog não se preocupa com jogadores (salvo em casos excepcionais), análises táticas ou técnicas. Ídolos têm espaço, claro, mas a maioria dos atletas está no clube apenas de passagem, motivo pelo qual são vistos como a mercadoria que desejam ser.

Mesmo os textos sobre os jogos do Palmeiras não seguem uma lógica linear, pois as partidas são pensadas sob a ótica do torcedor de arquibancada, que nem sempre é a mais adequada.

E a política, agora tão em destaque, tem importância restrita àquilo que afeta mais diretamente o torcedor. Está, portanto, bem longe de ser uma postura apolítica.

Vamos a outro princípio: “Futebol é guerra!”

Sim, guerra.

Não se trata de fazer apologia à violência, mas o futebol é, como definido na arte lá do alto, muito mais do que uma questão de vida ou morte. E os inimigos devem ser tratados como inimigos, pois a história de um clube é algo que deve ser defendido como a própria vida.

Não pretendo contaminar este texto de apresentação com referências explícitas ao nosso inimigo, mas uma leitura superficial desta página é o suficiente para entender o tratamento que é dedicado à escória.

A genética oportunista do inimigo é pauta recorrente por aqui, em uma abordagem semelhante à do irmão Cruz de Savóia, o melhor blog desta Mídia Palestrina. E isso acontece essencialmente porque focos de resistência são necessários diante do quadro geral de alienação.

Na condição de jornalista, dedico grande parte dos meus esforços à tarefa de contestar muitas das canalhices propagadas por esta imprensa esportiva vendida. Volto a recomendar os brilhantes textos do CdS, e procuro fazer a minha parte sempre que possível.

Mas a maior parte dos posts trata da visão do torcedor de estádio. Por razões óbvias, nunca são imediatos. Às vezes, demoram além do recomendável, mas este blog, repito, é amador. E os textos
podem até trazer novas informações, mas elas são essencialmente sobre a arquibancada - ou sobre algo captado a partir dela.

Dirigentes são odiados por aqui, em especial quando tomam atitudes que prejudicam o torcedor.
Por sinal, cabe ressaltar que sou contra a elitização, contra europeizações babacas e contra o tal futebol moderno. Prevalece por aqui o romantismo do futebol com alma.

Por fim, ressalto que este é um blog escrito por um torcedor para outros torcedores (dentro do princípio apresentado lá em cima). Os leitores não necessariamente precisam torcer pelo mesmo time que eu; basta compartilhar os mesmos princípios. É o que acontece com alguns comentaristas habituais desta página, que torcem por rivais, mas têm seus comentários respeitados simplesmente por não faltarem com respeito.

O espaço está aberto. Só se pede que o futebol seja encarado não com a visão oportunista dos que o vêem como uma grife para ostentação vazia, mas com o sentimento dos que sabem que nenhuma conquista vale mais do que o orgulho de lutar pelo seu clube.

É tudo muito radical, extremista e passional. Mas assim é o futebol. E por aqui ele é levado muito a sério. É tudo uma questão de alma.

FORZA PALESTRA!

06 janeiro 2009

AGORA É BELLUZZO!

Sim, as férias continuam. Mas uma notícia como essa não pode deixar de ser exaltada. É claro que falta ainda ganhar a eleição para afastar o mal que insiste em querer contaminar os ares do nosso Palestra, mas a simples indicação de Luiz Gonzaga Belluzzo já é uma vitória. E eu prometo até esquecer que nomes como Palaia, Gualtieri e o presidente-banana estão por perto. É Belluzzo, porra!

***

Falta agora a notícia mais aguardada desde antes de eu entrar em férias: a permanência de Kléber. Enquanto isso não acontece, deixo-os com a minha habitual tabela de compromissos para este início de temporada. Já dá pra perceber que vai ser ainda pior que o ano passado, sem nenhuma folga durante todo o primeiro semestre. É o que dá perder em casa para um time sem-salário...


PALMEIRAS 2009

21.01 qua. 16h30 Santo André/SP x Palmeiras – Santa Cruz
24.01 sáb. 17h Palmeiras x Mogi Mirim/SP – Santa Cruz
27.01 ter. 20h30 Palmeiras x Marília/SP – Palestra
29.01 qui. 19h30 Palmeiras x Real Potosí/BOL – Palestra
01.02 dom. 17h Ponte Preta/SP x Palmeiras – Moisés Lucarelli
04.02 qua. 22h Real Potosí/BOL x Palmeiras – Potosí, Bolívia
08.02 dom. 17h Palmeiras x Santos/SP – Palestra
11.02 qua. 22h Mirassol/SP x Palmeiras – Mirassol
14.02 sáb. 17h Palmeiras x Paulista/SP – Palestra
17.02 ter. 19h LDU/EQU x Palmeiras – Quito, Equador (1)
21.02 sáb. 17h Portuguesa/SP x Palmeiras – Canindé
25.02 qua. 21h50 São Caetano/SP x Palmeiras – Anacleto Campanella
28.02 sáb. 16h Palmeiras x Guarani/SP – Palestra
03.03 ter. 20h Palmeiras x Colo Colo/CHI – Palestra (2)
08.03 dom. 16h Palmeiras x SCCP/SP – Jd. Leonor
11.03 qua. 21h50 Ituano/SP x Palmeiras – Novelli Jr.
14.03 sáb. 16h Palmeiras x Barueri/SP – Palestra
17.03 ter. 20h30 Palmeiras x Noroeste/SP – Palestra
21.03/22.03 sáb./dom. Guaratinguetá/SP x Palmeiras – Guaratinguetá
25.03/26.03 qua./qui. Palmeiras x Bragantino/SP – Palestra
29.03 dom. 16h SPFW/SP x Palmeiras – Jd. Leonor
31.03/02.04 ter./qui. Oeste/SP x Palmeiras – Itápolis
05.04 dom. Palmeiras x Botafogo/SP – Palestra
08.04 qua. 21h50 Ixpót/PE x Palmeiras – Ilha do Retiro, Recife/PE (3)
12.04 dom. Semifinal 1
15.04 qua. 21h50 Palmeiras x Ixpót/PE – Palestra (4)
19.04 dom. Semifinal 2
21.04 ter. 20h15 Palmeiras x LDU/EQU – Palestra (5)
26.04 dom. Final 1
29.04 qua. 21h50 Colo Colo/CHI x Palmeiras – Santiago, Chile (6)
03.05 dom. Final 2

Libertadores/ datas
Oitavas: 06.05 e 13.05
Quartas: 20.05 e 27.05
Semi: 17.06 e 27.06
Final: 01.06 e 08.06

Brasileiro: começa em 10.05

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Em tempo: não dá para fugir no trabalho, mas aqui sim, de modo que este blog terá a dignidade de não levar a sério nenhuma palhaçada deste tal Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.