28 novembro 2008

Questão de justiça

A bem da verdade:

1. A FSP de hoje, sexta, traz reportagem que mostra porque o SPFW chega agora ao seu terceiro título consecutivo no Brasileiro por pontos corridos. Planejamento adequado ao (infeliz) sistema de disputa, manutenção de comissão técnica permanente, time que sobrou fisicamente no segundo turno. E eu acrescentaria aí o fato de os dirigentes leonores estarem preocupados em fazer o possível, o impossível, o indecente e o imoral
para levar o time às conquistas. Bem ao contrário da nossa diretoria de bananas, que parece enxergar apenas votos, tentativas de golpe e vaidades cretinas.

2. Novas imagens mostram que não houve pênalti para o Flamengo no Mineirão. O árbitro acertou. E mesmo que tivesse errado, é injustificável o tamanho do protesto feito pelo Flamengo, que, vejam vocês, mandou dossiê para a FIFA! Tantos erros piores – normalmente a favor do clube carioca – já foram registrados e a coisa nunca atingiu tal nível. É fora de propósito que isso aconteça logo em um lance duvidoso. E é ainda mais absurdo que a CBF aceite tal pressão.

3. Parece incoerente que o Palmeiras tenha tanta gente indicada para o prêmio dos melhores do Brasileirão. Mas é também sintomático do seguinte: com o que tinha em mãos, o Madureira tinha a obrigação de ter chegado ao título. Como não chegou lá, não poderia jamais figurar entre os três melhores técnicos do campeonato.

4. Malditos sejam os pontos corridos! (E o desabafo não tem relação direta com a afirmação número 1, mas com o fato de eu ser contrário a esse sistema de disputa desde o blog antigo, ainda em 2003.)

26 novembro 2008

O colunista e os blogueiros do mal

JK e sua rede de blogueiros do mal já não se importam em perder o pouco que tinham de vergonha na cara. Enquanto o Cruz de Savóia mostra como eles todos escrevem em um único tom, sem medo da exposição ao ridículo, o Opinião Verde e o OV fazem boas análises das incoerências presentes no discurso ético-moralista do Juquinha.

Mas a imprensa nem sempre faz esse jogo de maneira tão acintosa. Os ataques são normalmente mais discretos, mas igualmente mal intencionados e provavelmente mais destrutivos. Vejamos o caso da Folha de S.Paulo da última segunda-feira.

Título da reportagem de capa do caderno de Esportes:




Ok, sem problemas. E o texto não compromete.

Vejamos a assinatura:



É isso: o titular do Painel Leonor – com suas notinhas sempre maliciosas – foi cobrir a vitória dos bambis em São Januário. Não que eu tenha algo contra, pois o cara não deixou de ser repórter e nada impede que seja escalado para essa ou qualquer outra cobertura, mas é também bastante sintomático que isso tenha acontecido só agora.

Pensando bem, talvez tenha sido melhor assim, porque os leitores fomos poupados daquele outro, o tal das poesias na hora errada.

Mas aí, virando a página, temos o infalível Painel Leonor, assinado pelo colunista/repórter de sempre e desta vez com um arsenal de notinhas bambis. Destaque para esta aqui:




Vejam que o cara sabe o que faz, pois consegue provocar três times (e estádios) em uma única nota. Do nada e sem qualquer explicação lógica, ressuscita a questão do gás em momento nada adequado, faz ironia com algo sério e mostra toda a arrogância da escória.

E eu consigo até imaginar o nosso amigo colunista sentado à mesa com JJ Scotch Whiskey e demais cardeais leonores, todos ansiosos para ver mais uma de suas notinhas safadas ganhar as páginas do jornal mais lido do país.

25 novembro 2008

Sobre oportunismo barato

“Eu vou no jogo domingo!”

A criatura diz isso com um misto de deslumbramento, surpresa e orgulho, como se este último fosse possível a quem nunca antes abriu a boca para falar de futebol.

Notei que ela esperava algum comentário, resposta ou reação, qualquer que fosse, positiva ou negativa. Que nada. Naquele momento, eu bem gostaria de contemplar a minha expressão de desprezo, que é tudo o que posso dedicar a tal criatura.

Acontece que este ser não pertence apenas ao meu círculo de convivência. E não é um caso único, infelizmente, o que leva qualquer um de vocês a também correr o risco de ficar diante de tal situação. É mais do que provável que isso já tenha acontecido nos últimos dias.

E pode não ser algo na linha "vou ao jogo", mas um nick no MSN, um comentário infeliz, uma foto no orkut, uma piada deslocada, uma tentativa de puxar conversa. Qualquer que seja o caso, é nítido que a criatura fala de algo que não entende. Pior: fala de algo que não conhece. E o faz apenas porque carrega um pouco dessa genética do oportunismo barato que é tão peculiar a certas pessoas.

Assim, de uma hora para a outra e por uma causa bem pontual, quem jamais se manifestara sobre o assunto resolve pagar de torcedor por um dia, por uma semana, o que seja.

“Torcedor”? Não, não, a palavra correta é “platéia”, pois é tudo o que a criatura pretende ser, à medida que vai ao estádio não para torcer (ela nem saberia como fazer isso...), mas para assistir a algo que, em sua mente alienada, já tem o resultado definido.

E tem mesmo, o que evidencia o oportunismo.

É também emblemático que o ingresso tenha chegado à criatura sem qualquer esforço, por obra de outros, como se tudo fosse fácil.

Mas eis então que a criatura, pobre dela, sente-se no direito de comemorar algo que faz questão de desconhecer durante todo o ano.

O desprezo é a única reação cabível, pois o deslumbramento não resistirá ao tempo, e ela terá se esquecido de tudo aquilo em questão de dias. É assim, na base do desapego à memória e do oportunismo barato, que se multiplica o gene da alienação.

Vejam, caros aficionados, a situação que enfrentamos: dentro de pouco tempo, estaremos indo ao estádio para ver um desimportante Palmeiras x Mogi Mirim numa quarta-feira à noite chuvosa e encontraremos, antes ou no caminho, esta mesma criatura. Ela dirá, com ar de desdém: “Você é louco de ir nesse jogo...”


E você, como eu, novamente não precisará dizer nada. Um olhar, com misto de desprezo, orgulho e superioridade, será o bastante. É tudo que ela merece.

***

Essa pessoa, entendam, é fictícia, mas inspirada em muita gente que convive ao meu (e ao seu) redor. Por isso, usei o termo “criatura”, que serve aos dois gêneros. Nada tenho contra tal pessoa, que pode até ser boa gente. E bem poderia ser minha amiga, sem problemas. O que acontece é que ela não tem a menor condição de dirigir a palavra a mim (ou a você) quando o assunto é futebol. E não tem direito algum de se proclamar vitoriosa.

Ainda em 2006, publiquei um post aqui debatendo essa história toda. Falava sobre o direito que alguém tem de se dizer campeão. Dois anos depois, o texto continua a fazer sentido. O link está aqui.

Em tempo: para não generalizar, este hipotético Palmeiras x Mogi Mirim numa quarta à noite chuvosa bem poderia ser um SCCP x XV de Piracicaba ou até um SPFW x Portuguesa Santista, pois mesmo neste último caso há gente que não se guia pelo oportunismo barato.

24 novembro 2008

Sobre derrotados e vencedores

Como em todo o restante do material que os senhores podem encontrar neste blog, falo por mim – e só por mim –, mas essencialmente sem o oportunismo barato que caracteriza aqueles que só sabem aparecer na hora de comemorar. Eis o que temos:

Mais do que tudo, preocupa entrar no Palestra já com o peso da derrota sob as costas – e eu deixei para subir a escada apenas ao término do Hino Nacional, pois queria sentir isso o menos possível.

Foi então que olhei para aquele grupo de jogadores com o desprezo que se dedica aos derrotados, pois é isso que eles são, a começar pelo treinador e feitas as três exceções de praxe, logo os dois que foram às redes e o santo que deixou um zero no placar.

É natural pensar assim, pois eles conseguiram sair dos sete pontos de vantagem após a heróica vitória no Mineirão para a atual desvantagem de sete pontos. Inacreditável? Bom, ficou mais fácil de entender ao assistir, ainda na minha casa, à vitória leonor em São Januário. Já fora assim no Canindé, in loco, duas semanas atrás, quando, a bem da verdade, senti a derrota, mais até do que no Palestra, no Maracanã ou na minha casa.

E o resultado de ontem foi claramente mais dramático, pois levou também ao rebaixamento do Vasco. Triste que tenha sido assim, mas parecia mesmo inevitável. E por mais que seja possível, é pouco inteligente argumentar contra algo chamado competência.

A competência, no entanto, ocorre dentro de campo - e não nas arquibancadas leonores - e tem como complementos toda a já conhecida sujeira dos dirigentes, o apito bambi, o apoio midiático e tudo aquilo que é dito neste e em outros blogs.

Se a competência não pode ser contestada, é necessário reforçar que a genética oportunista desta gentalha desponta mais uma vez. Vejam vocês que as meninas ficaram caladas o campeonato inteiro, em silêncio e sem dar muita importância para nada, para então aparecerem no final, enchendo a boca para festejar algo que não fizeram por merecer. Bastante típico.

É a geração vitrine. Gente baixa, sem escrúpulos, sem dignidade. Gente forjada em tempos perdidos, de valores morais deturpados e em que o caráter de uma pessoa conta pouco. Gente que desconhece a própria história e vive do esforço alheio, pois só o que se valoriza é a conquista a todo custo. Gente sem alma. Sub-raça mesmo.

Ontem, no Palestra Itália, havia um grupo de derrotados dentro de campo, mais alguns à beira dele e outros tantos nos camarotes. Mas havia também vencedores, poucos no gramado e milhares do lado de fora, na arquibancada, no Visa, nas numeradas. E mesmo quem não pôde ir, mas fez parte da campanha, acreditando desde o início, mesmo contra o boicote interno.

Acredite, palestrino: eu, você e todos os que fomos ontem ao Palestra somos muito mais vencedores do que 80% dos oportunistas que devem ir ao estádio do Jd. Leonor no próximo domingo - e mais do que esse imbecil que trabalha com você e resolve agora falar besteira depois de passar o campeonato todo ausente.

Mais vale defender um ideal e manter a dignidade na derrota do que fazer número em uma massa alienada, que comemora algo sem lutar.

21 novembro 2008

Filhinho de papai

À exceção dos outros três cariocas, todos os participantes do Campeonato Brasileiro vão a São Januário enfrentar o Vasco. Todos. Mas só um reclama. E o faz não por enfrentar qualquer tipo de problema real, mas porque gosta mesmo é de fazer um jogo de cena típico de tantos e tantos meninos mimados que se espalham por aí nesses tempos deformados.

O chororô com jeito de protesto não acontece depois do jogo, por um incidente qualquer, mas antes, de modo a já criar um clima desfavorável ao dono da casa. Seria apenas uma jogada de bastidores, mas a coisa adquire outra dimensão graças ao apoio midiático, a cada dia mais descarado.

Sim, pois a imprensa, tal qual um pai preocupado com o filho que vai brincar na casa do vizinho, logo se põe a levantar as mazelas de outros campos. Pouco importa se não houver problema, pois ainda tem jornalista muito criativo pelas redações paulistanas. Para ficarmos em um único exemplo: lembram disto aqui?

Pois bem, fosse apenas agora e tudo pareceria aceitável, dado o caráter decisivo da partida a ser disputada no próximo domingo. Mas não é. Apenas neste 2008 que ainda não chegou ao fim, vocês já acompanharam críticas (prévias) aos estádios de Palmeiras, Santos, Portuguesa, Grêmio, Brisa do Paraná, Náutico, Ixpót e Nacional do Uruguai, isso só para ficar nos exemplos mais contundentes.

E aí chegamos ao Goiás, que perdeu o mando de campo e não poderá receber as meninas no Serra Dourada. O duelo provavelmente seguirá para Itumbiara, mas os bambis, segundo a Folha, “torcem o nariz” para essa escolha. Aí aparecem os nomes de Uberlândia e Brasília, sendo que este é o palco preferido dos bambis. Alto lá! Como assim “preferido”? Que direito eles têm de preferir este ou aquele local para o mando de campo de um adversário?

Eu vejo apenas um direito: o do filhinho de papai que não pode ser nunca contrariado, simplesmente porque foi acostumado assim. Tal qual um menino mimado, o SPFW quer sempre que seus interesses prevaleçam sobre os demais.

Para isso, nada melhor que contar com uma figura paterna que tenha força. E esta, no caso, é a imprensa esportiva, que trata o SPFW com toda a benevolência possível. Assim, é natural que jornais, sites e emissoras de TV vejam (ou criem) ameaças externas em qualquer lugar que não seja o Jd. Leonor.

É um tal de reportagem investigativa pra cá, denúncia pra lá e o zé-povinho logo passa a acreditar no que é dito. Vejam vocês, meus caros, que até o Globo Esporte, programa de telejornalismo da emissora câncer, trouxe ontem uma reportagem sobre os “perigos de S. Januário”, com direito a infográfico, imagens aéreas e o escambau.

Parece aquele pai super-protetor querendo defender o filhinho dos perigos mundanos. E como todos os vizinhos são suspeitos, melhor disparar o alerta antes. Já que não pode fazer como tantos pais idiotas, que prendem o filho no condomínio fechado para que ele não se misture com as outras crianças da rua, o que a imprensa tenta fazer é blindar as mocinhas leonores de toda e qualquer "maldade".

Isso já encheu o saco! Bem que a CBF podia mudar o regulamento do BR-2009, marcando todos os 38 jogos dos bambis para o Jd. Leonor. Em nome do espetáculo, a imprensa apoiaria. E o filhinho de papai bambi ficaria todo feliz por receber os “amigos” todos na sua casa sem sujar a roupinha nova...

***

Domingo, para cumprir tabela e por dever de ofício, nos vemos no Palestra uma vez mais. E bem cedo, pois temos uma boa preliminar.

18 novembro 2008

O poder da manipulação

Diz o Meio&Mensagem que o SPFW deve inaugurar em 2009 um Setor Visa no estádio do Jd. Leonor. Ok, tudo certo. Eis o que temos: os pioneiros, modernos e arrojados dirigentes bambis seguem o exemplo do Palmeiras – e do Figueirense, do Botafogo e do Santos – e resolvem facilitar a vida do seu torcedor. Ou elitizar o esporte, como queiram. Não que eu veja grande vantagem no fato de a nossa diretoria ter saído na frente, mas é sempre bom, por precisão jornalística, informar as coisas como elas são.

A matéria, com cara de release institucional, está aqui. Apresenta tudo o que já se conhece há mais de ano no Palestra Itália e, claro, vem repleta das habituais baboseiras bambis. Seleciono aqui três trechos do release, ops, matéria:


1.
“Os 20 mil lugares estarão distribuídos entre o andar térreo do estádio (Morumbi Concept Hall), Morumbi Premium e na arquibancada superior vermelha.”

Passa batido para os jornalistas, mas não para o torcedor. Eis aqui o ponto intrigante: sabendo que a arquibancada vermelha é destinada, em clássicos, à torcida visitante, como ficará a divisão do público nos próximos jogos do SPFW contra Palmeiras, SCCP e Santos?


2. “O presidente do São Paulo Futebol Clube, Juvenal Juvêncio, destaca que o Setor Visa é o primeiro passo para o respeito à nação do futebol e a cultura de massa brasileira. "Esta é a carta de alforria. É o novo momento do futebol que respeitará o grande público. O significado desta parceria serve para mudar o momento que vivemos em torno dos ingressos, com filas, cambistas e malandragens. Somos definidores de uma nova fase que pregará o respeito ao cidadão", decreta Juvêncio.”

Notem que JJ Scotch Whiskey, em mais um surto psicótico e alcoólico, impõe a sua opinião como algo incontestável. “Decreta Juvêncio”, diz o texto. E todo o parágrafo, provavelmente vindo da assessoria de imprensa leonor, é por demais fantasioso. Vejamos: “... é o primeiro passo para o respeito à nação do futebol e a cultura de massa brasileira”. Faltou uma crase aí, mas o problema maior é o tom faraônico de tudo isso, como se fosse a primeira iniciativa concreta e não apenas uma cópia do que foi implantado pelo Palmeiras há, repito, um ano. A aspa de JJ é emblemática: “Somos definidores de uma nova fase que pregará o respeito ao cidadão”. Sim, é isso que vocês leram. E é isso que a mídia compra sem pestanejar.


3. Por fim, destaque para alguns dos presentes à “solenidade de lançamento do acordo”: Rui Ohtake, o arquiteto falastrão; Júlio Casares, o marqueteiro do mal; e, claro, Ademar de Barros, presidente do Conselho Deliberativo do SPFW. E ficamos por aqui.


Pra finalizar: se você é leitor habitual deste blog, deve saber que eu sou contra o Setor Visa. Não se trata, pois, de me orgulhar da iniciativa pioneira do Palmeiras. A questão que proponho aqui é a exposição do poder da manipulação bambi, quase uma síndrome da corja oportunista. Notem que eles conseguem aparecer como arrojados, visionários e pioneiros mesmo quando apenas copiam o que já foi implantado por um clube inimigo e da mesma cidade. “Somos definidores de uma nova fase". E a imprensa compra a história.

17 novembro 2008

Fim da linha

É bastante estranho, mas não consegui sentir ontem nada parecido com raiva, tristeza ou frustração. Nada disso. Enquanto caminhava do Maracanã ao Shopping Tijuca e depois, na longa viagem para São Paulo, só consegui sentir alívio. Sim, alívio. Tanto é assim que deixamos o campo ainda restando 15 minutos para o final, pois já não fazia sentido ficar ali para ouvir a festa rubro-negra e provar de uma humilhação que poderia ser ainda maior do que foi.

O alívio que senti é provavelmente o resultado de todo o cansaço (físico e mental) por esta longa temporada, de um começo sem casa, muitas viagens e de um sonho que chega ao fim de maneira ao mesmo tempo abrupta e ensaiada. Deve ser o conformismo de poder jogar a toalha e não ter mais nada a fazer para evitar o pior. Alívio de não ter mais que lutar, pois tudo já foi destruído por dirigentes, técnico e jogadores. E também pela torcida, pois inoportuna e descabida foi a ação da última sexta-feira.

Este blog, vocês sabem, não se presta a análises convencionais. Sei dizer que o Conrado mandou bem em suas avaliações no Parmerista! e eu não teria muito mais a acrescentar agora. Talvez até escreva nos próximos dias, com alguma análise das muitas que fiz antes, durante e depois da derrota no Rio, mas não sei se é o caso. Só o que resta, e apenas pela obrigação que eu me imponho, é ir aos dois últimos – e melancólicos – jogos em casa.

Por enquanto, prefiro agora encarar o alívio e pensar em outras coisas. 2009 virá e, com ele, novas esperanças. Espero que não consigam destruir isso tudo de novo.

14 novembro 2008

Bonde Boulevard

Não estranhem o título, por favor. Fato é que houve, no início da década, uma faixa nossa com essa inscrição. Fazia referência ao Boulevard, uma casa de esfihas que teve a sorte (ou azar) de se localizar em frente ao nosso ponto de ônibus, no Metrô Ana Rosa. Era dali, onde hoje existe uma agência do Itaú, que saíamos os manchas da Zona Sul (ou Centro-Sul, como queiram) em direção ao Palestra.

É impossível explicar em um post aquilo que vai render bons capítulos do meu livro sobre memórias de estádio. Não tenho essa pretensão agora. Digo apenas que começamos em poucos para chegarmos a muitas dezenas. Lapa H, Lapa T, Vila Madalena, Pompéia, Perdizes; e Vila Mariana, Ipiranga, Vila Monumento, Sacomã, Aeroporto. 875H, 874T, 407M, 478P, 875A. Bons tempos...

Os ônibus partiam lotados em direção à Zona Oeste. E voltavam ainda mais cheios, em noites que invariavelmente terminavam na delegacia ou em uma batida policial. Não necessariamente por algum ato de vandalismo, mas simplesmente porque 70 ou 80 torcedores uniformizados em um ônibus na Paulista não deveriam representar um cenário dos mais agradáveis para as “pessoas de bem”.

Há histórias fantásticas daquele período (1998-2003). Anos de grandes batalhas (no campo e fora dele), de sacrifício, de madrugadas na rua, de longas caminhadas. Mas especialmente de muitos amigos, alguns dos quais permanecem com a mesma pegada até hoje, mais de década depois de tudo ter começado.

Prometo que vai sair o tal livro. As histórias – e os amigos – merecem.

Pena que não tivemos uma história como esta:

Torcedores seqüestram ônibus para ir a jogo

Pouco mais de 70 torcedores do Chacarita Juniors seqüestraram dois ônibus urbanos em Buenos Aires para acompanhar a partida contra o Talleres, na noite de quinta-feira, no estádio do Ferrocarril Oeste. Entre os vândalos, estavam três menores de idade.

Além de aproveitarem a "carona", os 74 torcedores ainda assaltaram os passageiros que estavam nos ônibus. Os veículos foram interceptados na chegada ao estádio e todos os vândalos foram detidos pela polícia local sob a acusação de privação ilegítima de liberdade, tentativa de roubo e interrupção do transporte público.

No entanto, segundo o jornal argentino "Clarín", a passagem dos torcedores pela delegacia foi rápida: 72 deles já estão em liberdade.


Atentem para o tratamento destinado aos torcedores: “Entre os vândalos...”. Digo a vocês que um dos grandes livros já escritos sobre torcidas organizadas leva esse nome: “Entre os vândalos – A multidão e a sedução da violência”. É obra de Bill Bufford, um jornalista que foi atrás de reportagens sobre violência entre os hooligans e se deixou seduzir por isso tudo. Não que seja um exemplo a ser seguido, mas a simples leitura já faria bem a muitos jornalistas esportivos.

Faltou falar sobre a tal faixa do Bonde Boulevard, né? Pois bem, ela foi pintada na raça pelo grande Galuppo, o nosso speaker. Freqüentou as arquibancadas do Palestra por um bom tempo até ser roubada. Não por outros torcedores, mas pela polícia. É, pela polícia.

Isso tudo parece meio anacrônico, mas é que bateu o saudosismo e eu precisava deixar tudo por aqui. Que sirva de inspiração para voltarmos com a vitória do Maracanã.

13 novembro 2008

Libertadores em jogo

Não que milagres aconteçam a toda hora ou que a derrota do último domingo possa ser esquecida, mas um outro duelo decisivo é o que poderia existir de melhor no momento atual: Maracanã, Rio de Janeiro, jogo contra o Flamengo. É até bom que tenhamos 50 mil (ou mais) contra nós, porque crescemos nas adversidades. A vaga da Libertadores está em disputa, e lá vamos nós ficar ao lado do Palmeiras e fazer a parte que nos cabe neste final de temporada.

A boa notícia é que o comando do policiamento carioca solicitou que a torcida alviverde ficasse não nas cadeiras azuis, como virou rotina de um ano para cá, mas sim na arquibancada verde, ao lado das cadeiras especiais, de onde nunca deveríamos ter saído. Ainda bem que foi assim, e pelo menos a definição veio antes do jogo. Em se tratando de jogo contra o Flamengo, só muda o acesso. Dá pra ir pelo Bellini, claro, mas subir pela rampa da UERJ é bastante mais recomendável.

11 novembro 2008

Schmittão 2008

Fatos, apenas fatos:

O Palmeiras viu seus jogadores irem ao tribunal do senhor Paulo Schmitt 19 vezes nesta edição do Brasileiro. 19 vezes, incluindo recursos da procuradoria para Diego Souza e Kléber, dois de nossos atletas mais importantes. Cada um deles, diga-se, foi cinco vezes a julgamento, a maioria nos últimos dois meses.

Se 2007 ficou marcado pela suspensão de cinco jogos imposta a Valdívia na reta final, tivemos em 2008 o nosso poderio ofensivo novamente destroçado pelos magistrados do STJD, desta vez com a punição oportuna e oportunista ao nosso único meia armador.

Diego Souza, é bom dizer, nada fez para ir a julgamento nem uma, tampouco duas vezes. Logo ele, vejam só, que já fora excluído da decisão anterior, contra as moças do Jd. Leonor. E Kléber, o outro perseguido, não pôde jogar domingo agora apenas e tão somente porque o tal Seneme resolveu fazer graça na rodada anterior.

São fatos, e outros tantos poderiam ser citados por aqui, inclusive as desavergonhadas punições a atletas do Grêmio, posteriormente revertidas pelo efeito suspensivo. Acontece, no entanto, que está por vir um novo julgamento para esse povo todo e o momento pode ser bastante propício, não acham?

Só não será mais propício que esta decisão mais recente – e apressada –, que tira do Goiás logo três mandos de campo. Serão três jogos longe de Goiânia. A essa altura do campeonato, imagino que vocês todos já saibam quem é que deveria visitar o
Serra Dourada na última rodada, não?

Longe de mim creditar o resultado do campeonato apenas ao STJD ou mesmo aos tantos e tantos erros de arbitragem para o mesmo lado. Longe de mim, pois as nossas falhas foram enormes - volto ao assunto em breve -, mas os fatos estão todos aí.

E há quem diga que temos mania de perseguição...

09 novembro 2008

O crime compensa

Uma derrota como a de hoje deixa a certeza de que não há mais com o que sonhar, e não é só pelo que apontam os números, os resultados e os próximos confrontos. É uma derrota que dói fundo na alma, pois faz algo pior do que aquelas que eliminam de uma vez: deixa o prenúncio de que teremos de participar de algo tão ruim quanto a própria eliminação. E é uma derrota, ao menos no meu caso, que joga por terra todo o esforço deste ano interminável.

Muito pode ser dito – dissecar o cadáver agora é tarefa fácil –, mas nada resolve. Apontar os muitos culpados internos e externos não ameniza o sofrimento. Seria fácil vir aqui e culpar a dobradinha Seneme/Schmitt, que destroçou o nosso time, mas isso comprova que os erros são estruturais, à medida que a ausência de dois jogadores é capaz de minar por completo o nosso poderio ofensivo.

Seria fácil também vir aqui e jogar a responsabilidade no Madureira, no seu surto global e nas escolhas bastante questionáveis, na falha e no conseqüente destempero do nosso maior ídolo ou na completa inaptidão de uns e outros que vestem a nossa camisa. De nada adiantaria, como inútil seria blasfemar contra a maldita escolha da camisa amarela para uma decisão na nossa casa.

Porque, ao final, são detalhes.

Detalhes que não resistem a uma análise mais ampla e com viés histórico, que deve ser feita o quanto antes e sob a luz dos acontecimentos todos.

Ficou difícil entender?

Pois eu digo que fui ontem ao Canindé, em companhia do nosso speaker, figura das mais sábias de que se tem notícia. E senti a derrota já campo da Portuguesa, pois o que acompanhamos por lá ilustra bem essa análise tão necessária. Tudo dá certo para a sub-raça, meus caros. Tudo, tudo, tudo. Se há três falhas defensivas, estejam certos de que elas acontecerão para o mesmo lado. E não será o lado do bem.

Não comentei com o Galuppo enquanto deixávamos o Canindé, mas eu senti o baque ontem mesmo. Mais ainda porque enquanto sofríamos e torcíamos, tal qual dois italianos, por um time que nem era o nosso, a vitória, com uma naturalidade que incomoda e impressiona, foi cair do céu logo para quem não estava nem aí para a coisa toda.

Fácil, fácil. Como se fosse inevitável.

E é muito por isso que deixei o Palestra hoje com a certeza de que é preciso repensar certas coisas. Não sei se vocês esperavam algo diferente deste blog, mas eu realmente estou cansado e sem forças para transmitir qualquer coisa que não a desolação de momento e a convicção de que algo precisa mudar. A começar por mim.

07 novembro 2008

Chegou a hora!

Às vésperas da aguardada decisão contra o Grêmio, Paulo Schmitt, o procurador, resolve tirar da batalha um dos nossos guerreiros. Na seqüência, o desqualificado André Krieger, vice de futebol do Grêmio, dispara a seguinte frase: “Este resultado representa a seriedade do tribunal. Foi restabelecida a situação de igualdade entre os competidores. Diego é um bom jogador e o Palmeiras perderá tecnicamente com isso”.

Não sei o que é pior. Sei apenas que adquire ainda mais relevância a Carta aos chorões, publicada neste blog no último dia 22 de setembro. Vale acessar o link para conferir o que foi dito lá atrás. Na seqüência, aproveito para novamente propor aos chorões do Sul uma saudável reflexão, além de deixar a mensagem final antes da batalha do próximo domingo:


Gremistas, teóricos defensores do futebol-força,

Um campeonato vale mais que a honra de vocês? Uma única vitória justifica jogar no lixo tudo o que vocês sempre defenderam? Não é pensar pequeno? De León não merecia mais respeito? E Dinho? E Sandro Goiano? Vocês já pensaram que podem estar jogando no lixo um ideal guerreiro por muito pouco?

De toda forma, por mais que criaturas como este Schmitt tenham direito a essa interferência externa, a batalha ainda se ganha dentro de campo. Sinto muito se vocês se esqueceram disso, mas nós vamos nos encontrar no domingo. Teremos dois guerreiros impedidos de jogar por influências nefastas, é bem verdade, mas ainda haverá 11 homens a defender as nossas cores dentro de campo e mais 25 mil a apoiar um ideal. Até domingo!

Sejam bem-vindos ao nosso campo de batalha!

***


Em tempo: vou ao Canindé amanhã. Se alguém tiver interesse e precisar de informações, basta me procurar.

06 novembro 2008

A obsessão do STJD

Mineirão, 14 de setembro de 2008. Em um lance casual, Diego Souza disputa a bola com o adversário e sai jogando. O juiz manda seguir o jogo, como tinha de ser e também porque o futebol ainda é um esporte de contato. No entanto, o procurador Paulo Schmitt resolve denunciar o nosso camisa 7, muito por influência de um ex-jornalista que adora aparecer. O julgamento ocorreu e veio a absolvição, também como tinha de ser. Paulo Schmitt, no entanto, não aceitou e recorreu da decisão. Na overdose de julgamentos, o mais recente aconteceu hoje. Depois de muito jogo de cena - e quase dois meses transcorridos -, Diego Souza foi punido com um jogo. É o suficiente para afastá-lo do duelo contra o Grêmio, logo aquele em que não teremos o Gladiador Kléber por obra e arte de uma criatura chamado Seneme.

Em linhas gerais, é este o resumo do que aconteceu hoje. E não há muito mais a acrescentar, a não ser reiterar, com ainda mais indignação, o que foi já dito por aqui anteriormente.

05 novembro 2008

Falência moral

Mais de 50 mil foram ao Jd. Leonor no último domingo. As manchetes dos tablóides, jornalecos e boletins informais falam em “recorde de público”, como se existisse mérito no fato de uma massa de alienados passar o ano com a bunda atolada no sofá para então dar as caras quando o time, catapultado pelo apito rosa, desponta com condições de chegar ao título.

Não se fala em oportunismo barato, que é exatamente o que move a sub-raça alienada. Pior: há quem se esforce para transformar deficiência em virtude. “A torcida não estava aparecendo porque o time não jogava bem, mas agora deve voltar”, avalia o técnico rabugento, com a maior naturalidade e sempre com um pouco do seu marketing às avessas. “Ele é autêntico”, dizem os jornalistas, comumente destratados nas entrevistas coletivas.

Eis o fato inconteste: em oposição ao sumiço de todo o campeonato e à apatia rotineira, a presença de mais de 50 mil alienados no antro leonor reforça tudo o que é dito por este blog. E eu não acredito que possa agora escrever algo mais contundente do que o texto que desenvolve o conceito de geração vitrine e que encaminha para outros links também relevantes.

Mas o título lá do alto menciona uma certa falência moral, e ela não necessariamente se relaciona com o exposto acima. Sei que posso ter perdido o timing e que o assunto já foi muitíssimo bem destrinchado pelo Raphaello, mas a entrevista concedida por JJ Scotch Whiskey ao senhor Juca Kfouri não pode passar em branco.

Se você ainda não teve o desprazer, aqui está o vídeo:



Impressiona, logo de início e mesmo para os que o conhecem há tempos, o estado de completa embriaguez do sujeito.

Recomendo que leiam primeiro o que é dito pelo Raphaello, que antecipa muito do que eu teria a dizer. O ponto central é este aqui: “Ali está tudo que construiu o pensamento eugênico de seus “torcedores” de hoje”. É fato: as asneiras proferidas por JJ não dão conta do todo, mas trazem a gênese do oportunismo leonor.

Duas frases são emblemáticas:

“Aquela era uma obra fantástica do poder público...”
(JJ Scotch Whiskey)


Sim, temos dignidade e vergonha na cara e sabemos disso.

“Quando você ouve Juvenal Juvêncio, você entende o São Paulo Futebol Clube”.
(Juca Kfouri)


Sim, JK, nós entendemos.

E percebemos a falência moral do futebol quando um jornalista que se enxerga paladino da ética tenta elevar a exemplo de conduta tudo aquilo que existe de mais sujo no esporte.

04 novembro 2008

Sobre pontos corridos e distorções

Coube a um esfacelado e desinteressado (ou interessado, depende do ponto de vista) Internacional/RS a tarefa de enfrentar o time do Jd. Leonor. Os outros clubes todos que disputam o título tiveram de receber um Inter diferente, sempre perigoso e com a formação titular. Aos leonores, caberá também enfrentar uma tabela bastante amigável se comparada à dos demais postulantes ao título.

Não se trata de sugerir teorias conspiratórias, mas sim de reconhecer uma evidência: os pontos corridos permitem que o destino de um campeonato seja definido não pelos concorrentes diretos ao título, mas logo por um ‘laranja’, um time que não está nem aí para a disputa, caso deste Internacional das últimas rodadas. Pior: longe de qualquer desinteresse, o clube gaúcho poderia ter logo o propósito de prejudicar o seu maior rival, também na briga pelo título.

Vejam: não quero aqui fazer qualquer acusação, mas é irrefutável a constatação de que o sistema de pontos corridos permite uma série de distorções, a começar pelo fato de que o título nem sempre se resolve em uma disputa direta entre os clubes que lutam por ele. E assim, um descompromissado Internacional/RS – ou qualquer outro – pode dar novos rumos à competição.

E não é só isso, já que um grave erro (?) de arbitragem, como aquele da última quarta-feira, pode não representar grande prejuízo para o Botafogo/RJ, adversário dos bambis na ocasião, mas sim para todos os quatro clubes que estão na briga. Para deixar mais claro: de uma só vez, o bandeirinha e o juiz do Engenhão conseguiram ‘roubar’ Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro e Flamengo.

Vai ficando tudo por isso mesmo, com mais dois pontos na conta dos leonores. É bom lembrar, meus caros, que este modelo sem fase final favorece sobremaneira a parte suja do planejamento bambi, que pressupõe erros a favor aqui e acolá, às vezes na seqüência, outras com certo espaçamento, mas quase sempre disfarçados em jogos menores, com pouca atenção da mídia e repercussão esvaziada (que tal um SPFW x Vitória numa quinta à noite?). Mas se a coisa apertar como agora, não há de ser nada: o erro pode vir sem pudores, logo em um jogo com TV para todo o país.

Somados todos os erros, os números são bem consistentes. Foram 12 pontos no último ano e outros 12 em 2008. Aos poucos, com a benevolência dos juízes e a complacência da mídia, tudo para não despertar muita suspeita. E assim, todo o nosso esforço e mesmo uma vitória épica como a de domingo podem não servir de nada.

Para que não pareça exagero da minha parte: questionados sobre o suposto favorecimento da arbitragem, os dirigentes bambis e mesmo alguns jornalistas nada desinteressados (em especial a patota do Juquinha) conseguem levantar um único argumento. Sim, trata-se do tal gol do Grêmio, claramente irregular. E pára por aí, em especial porque não seria possível encontrar melhor defesa.

Os lances estão aí. E eu sei que posso me tornar repetitivo, mas prefiro correr esse risco. Só o que não encontrarão por aqui é omissão.

O mal não pode prevalecer de novo!

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*Canindé, sábado: vamos nos organizar para empurrar a Lusa.

02 novembro 2008

Questão de fé



O que eu disse aqui no início da semana passada foi mais um desabafo que propriamente a certeza de que o título estava perdido. Nunca deixei de acreditar, tampouco de incentivar – e isso, é bom dizer, não acontecerá nem nos piores momentos. O post, portanto, trata da esperança que pode ser renovada com uma vitória como a de ontem. Não se trata de uma fé cega e inabalável, mas sim da convicção moral de que o mal não pode prevalecer mais uma vez.

Hoje, na metade final do segundo tempo, enquanto caía a chuva e o time parecia sem forças para buscar a vitória, fui tomado por um sentimento estranho. Era a hora de deixar de lado o medo de levar o gol a qualquer momento – jogar na Vila sempre provoca esse efeito – e apostar em um gol nosso, salvador, por mais improvável que fosse.

E aí toda a minha superstição nas bolas paradas do adversário cedeu espaço ao incentivo incondicional, quase doentio, como se daquilo dependesse a nossa chance de voltar de Santos com os três pontos. Nada de me benzer e beijar o símbolo na camisa, como se fosse um escudo; era hora de abrir o peito e avançar sem medo.

O grito que saía da garganta era aquele mesmo de grandes decisões, de momentos em que o torcedor precisa empurrar uma equipe já sem forças. E era como se o time, sem comandante à beira do campo, também devesse adotar uma postura suicida, de partir para o tudo ou nada. Tal qual um mantra, era um só o meu pensamento: “O gol vai sair porque o mal não pode prevalecer de novo”.

E assim foi, cantando sem parar, com água caindo do céu, fumaça encobrindo a visão e as faixas de plástico tomando o nosso espaço cada vez mais reduzido na arquibancada da Vila, que vimos um improvável Léo Lima, fora de qualquer posição previsível, esticar o pé, encontrar uma bola perdida e fazer despencar a água acumulada na rede do adversário. De carrinho, no campo molhado, com a chuva caindo e já nos descontos. E eu não pude ver lá do outro lado, mas quero acreditar que voou lama para todos os lados. Pode até não ter sido assim, mas é como eu prefiro guardar na minha memória.

O mal não pode prevalecer!

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SENEME, NOSSO INIMIGO


Vejamos: Kléber teve um primeiro tempo monstruoso ontem. Não necessariamente pelo gol, mas pelas arrancadas pela ponta, pelos dribles, pelo domínio de bola, pela garra habitual. Fez o que quis pelo lado direito. E apanhou muito. Apanhou, apanhou e apanhou. Como prêmio, teve contra si pelo menos duas faltas marcadas por usar o corpo na dividida e sair com a bola.

Acontece que este Seneme é um daqueles árbitros que não entende o futebol como esporte de contato. Não contente em segurar o ímpeto do nosso camisa 30, meteu-lhe um cartão amarelo e o tirou de um duelo decisivo – e aguerrido – contra o Grêmio. Para complicar, inibiu a sua participação na etapa final. E fica tudo por isso mesmo.

De resto, só um comentário:

Erraram os dois bandeiras, o de quarta no Engenhão e o de ontem. Mas há uma diferença básica entre os dois lances: quando o bandeira não corre para o meio e anula um gol contra o SPFW, o juiz aceita a marcação. São dois pontos a mais na conta dos alienados. Quando, no entanto, o bandeira fica parado e aponta algo que pode nos favorecer, o árbitro não aceita e põe a bola no meio. E depois ainda tem vagabundo oportunista dizendo que não favorecem um lado só...

Aqui tem mais sobre o assunto.

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O SETOR DOS VISITANTES
Eu continuo sem saber como conseguem enfiar tanta gente em um espaço tão pequeno, metade do que costumava ser. O senhor Marcelo Teixeira está de brincadeira, mas pior que ele é o povo da FPF, que não faz nada para controlar o que acontece na Vila Belmiro. Como não estou com paciência para falar sobre o assunto, deixo aqui um link para o post do ano passado, quando começou toda essa palhaçada.