30 maio 2008

30 de maio

O 30 de maio me é especial por dois motivos, ambos relacionados a vitórias contra os bambis mineiros, a quem podemos bater dentro de duas semanas para talvez chegarmos à liderança do Brasileiro. E os exemplos de 30 de maio, de 1998 e 2001, podem servir de inspiração para uma vitória neste 12 de junho que está por vir, o primeiro Dia dos Namorados que o palmeirense terá no estádio desde aquele, inesquecível, de 1993.

Bom, já estou misturando assuntos demais. Lembro apenas que batemos as marias por 2 a 0 em um sábado chuvoso de 1998, 30 de maio, no Jd. Leonor. Gols de Paulo Nunes, aos 12', e Oséas, aos 89'.

Gol mágico aquele de Oséas, para me fazer cair de joelhos na molhada arquibancada vermelha - a única que tinha ainda um trecho sem os malditos encostos. Gol espírita, quase fora do tempo, quando as cobranças de pênalti já pareciam inevitáveis. Doce vingança pelo que nos fora tirado dois anos antes.

Três anos depois, quarta-feira, Mineirão, BH. Quartas-de-final de Libertadores. Jogo de volta após empate em três gols aqui. Fomos em uma caravana de 18 ônibus, mais de 10 horas de estrada - e outras tantas na volta. Enfrentamos os marias de igual para igual, ainda que fôssemos quatro mil, espremidos na geral, contra quase 70 mil de azul. E a vitória veio nos pênaltis, após empate sofrido em 2 a 2.

Das muitas imagens que eu guardo daquela noite histórica longe de casa, fico com aquela da nossa saída do Mineirão, quase uma hora depois do jogo. Os bambis locais nos esperavam, dispostos a brigar. Mas éramos tantos, e estávamos tão embriagados pelo doce sabor da vitória, que eles apenas ficaram olhando, à espreita, enquanto a multidão verde caminhava em direção aos ônibus com bandeiras e instrumentos ao alto. Lá se vão sete anos...


***

Sobre a política interna do Palmeiras, vale ler o apelo do Parmerista!. Coisa de quem está lá dentro, mais bem informado sobre o que se passa nas alamedas do Palestra Itália.

28 maio 2008

Ingressos mais baratos?

Estão abertas as bilheterias para Palmeiras x Brisa/PR, domingo, 18h10, no Palestra. Na internet, a divulgação segue um padrão incômodo: "Ingressos mais baratos..."

Pois é, ingressos mais baratos.

Tanto fez a nossa diretoria que conseguiu transformar a arquibancada a R$ 30 em "ingressos mais baratos". E é logo o preço mais elevado na comparação com os outros times da capital e com a imensa maioria dos 20 clubes que disputam o Brasileiro.

Aí, para quem vê de fora, fica a imagem de que a diretoria alviverde está sendo caridosa e resolveu fazer promoção.

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Eu quero deixar de ser chato. Mas tá difícil...

27 maio 2008

O ingênuo e o piadista

A matéria é da Folha Online.

Savério Orlandi, diretor de futebol do Palmeiras, banca o ingênuo: "O Palmeiras não acredita em uma atitude dolosa do São Paulo".

Alto lá! Como assim?

É preciso aqui contar de novo toda a história de desavenças com esta corja? É preciso lembrar que eles tentaram roubar a nossa casa? Ou que efetivamente tomaram a da Portuguesa? Ou que ergueram um estádio em terreno público e com dinheiro dos nossos pais e avós? Ou que não se cansam de sempre arrumar subterfúgios para desmerecer as conquistas alheias e relativizar os próprios fracassos?

É preciso ir tão longe, Savério? Ou podemos nos contentar com fatos recentes? Você, que faz parte desta diretoria, deve se lembrar bem de toda a pressão que eles fizeram para impedir que jogássemos no Palestra, não? Isso está bem claro na memória de todos nós, não está?

Torno a lembrar - e serei chato enquanto for necessário - que esses caras depredaram o próprio patrimônio para impedir uma comemoração nossa. Se fizeram isso na casa deles, o que não fariam na nossa, símbolo histórico do ódio que nos opõe?

O que mais precisa ser dito para acabar com as sucessivas demonstrações de ingenuidade? Qual é o problema, Savério?

Como podemos isentar os culpados por isso tudo se eles não poupam esforços para inventar uma responsabilidade que não nos pertence?


É certo eles virem à nossa casa, plantarem uma bomba e depois a punição ainda cair sobre as nossas costas? E fica tudo por isso mesmo?

O que está acontecendo, porra???

Por sinal, a mesma reportagem traz declarações de um tal Roberto Armelin, advogado do SPFW. Em linhas gerais, o que ele faz é repetir o mesmo inconformismo patético de toda a diretoria suja do Jd. Leonor. E finaliza tudo com a seguinte frase, digna de um contador de piadas:

"Temos mais de 70 anos de tradição, idoneidade, serenidade e moral. Isto esteve lá e não saiu do São Paulo".

Tradição? Idoneidade? Moral?

Só pode estar querendo fazer graça...


Entenda, caro Savério: a genética bambi é suja. É uma sub-raça de oportunistas. É uma gente sórdida, sem alma e sem caráter. São nossos inimigos. E devem ser tratados assim para todo o sempre.

É como eu sempre digo: o Palmeiras cresce a cada vez que se opõe a esta sub-raça. Mas é também verdade que fica menor a cada vez que se deixa abater sem lutar.

26 maio 2008

O gás bambi

É estranho, para dizer o mínimo, que o Palmeiras tenha sido punido mesmo diante das evidências que apontam para a implicação bambi no caso. Mas é certo também que a punição ficou pequena diante do que tinham em mente os leonores. De toda forma, é injusta – e precisa ser contestada até a última instância.

Todos aqui são testemunhas de que eu defendo, desde o início, a tese de que o gás misterioso partiu de alguma personalidade bambi. O tal laudo (ou relatório preliminar ou seja lá o que for) da Polícia Civil só vem comprovar toda a minha conjectura.


Insisto que houve ali premeditação. Não me venham falar em acidente, pois isso soaria como insulto.

Seja um mero capanga ou um ilustre cardeal leonor, houve má-fé. Em lugares sérios, teríamos algo passível de punição. Não sou advogado nem nada, mas parece-me que se aplicaria a tal litigância de má-fé.

A história é repleta de fatos que atestam a possibilidade de armação bambi e eu faço questão de rememorar aqui um episódio não tão distante, de 1994.


Na mesma linha, o Raphael, do Cruz de Savóia, vai a fundo na genética podre das madames.


Um outro Falavigna, o André, discute um pouco do que já foi dito aqui e ali e também as implicações do caso.

É o que faz também o Observatório Verde.

Longe de mim querer ensinar um catedrático como o Belluzzo, mas será que ele está precisando de todo este arsenal para colocar em prática o Remember 1942 que ele mesmo decretou?

Trégua com essa escória?

Jamais!

É GUERRA!

***

Confrontado ontem com o tal relatório da Polícia Civil, o anão-de-jardim dos caras (que pretende agora ser vereador, vocês viram?) subiu nas tamancas. Em entrevista à rádio Bandeirantes, foi irônico, arrogante e tudo mais o que se espera dessa gente sem alma.

Recomendo o
áudio da entrevista, pois ele dá conta de evidenciar tudo o que eu defendo nos últimos posts.


O lenhador de bonsai saiu-se com frases do tipo "Eu não estava lá, felizmente, por já prever situações desse tipo" e "O SPFW é como o Milan, como o Chelsea...".

Chelsea?

Ok. Os dois clubes se merecem.

25 maio 2008

Dois pontos no lixo


Desde quando a Portuguesa tem torcida para entrar pelo portão principal?

Breves notas sobre Portuguesa 1 x 1 Palmeiras:

1. Por puro preciosismo do ataque, dois pontos foram jogados no lixo. O time ainda não entendeu - e cabe a Luxemburgo explicar - que não dá para vacilar com essa palhaçada de pontos corridos
. Não há uma fase final como no Paulista, e o Cruzeiro, por exemplo, já colocou cinco pontos na nossa frente. É muito cedo, claro, mas é exatamente este o maior problema: era a chance de disparar.

2. 6.428 pagantes? Porra, esses caras só podem estar de brincadeira. Ou umas 4 mil pessoas entraram sem pagar ou eles decidiram institucionalizar a evasão de renda no Pacaembu. Fato é que havia no mínimo 10 mil pessoas, com tobogã quase cheio (de 80% a 85% do total) e cadeiras laranjas com 60% da capacidade. Falar em 6 mil pagantes é querer fazer o torcedor de palhaço - mais uma vez!

3. Ainda sobre o pequeno público: as diretorias de Palmeiras e Portuguesa foram burras ao extremo. A começar pelo preço (R$ 30, R$ 40 e R$ 50). Depois, pela divisão das torcidas. A foto acima, diga-se,
dá a noção exata de como é inaceitável permitir a entrada da torcida lusa pelo portão principal do Pacaembu. Por fim, é cretinice não vender ingressos na hora do jogo. Muita gente ficou sem entrar por não ter como comprar ingresso. E ainda querem elitizar o futebol...

22 maio 2008

Se enxerga, Lusa!

O Parmerista! tem lá o seu argumento válido para refutar o acordo feito por Palmeiras e Portuguesa, em que abrimos mão do nosso mando no Palestra para jogar duas vezes no Pacaembu. A princípio, eu não tinha visto muito problema, talvez por gostar de ir ao estádio municipal - e o Palmeiras tem feito isso muito pouco.

Mas eis que os ingressos estão agora à venda e aí nos deparamos com as seguintes situações:

1. A Portuguesa cobrou R$ 20 para a sua estréia em casa, contra o Figueirense/SC. 2,5 mil pessoas foram ao Canindé, público até acima da média deles. Agora, contra o Palmeiras, os dirigentes lusos viram uma boa oportunidade de lucrar com a nossa paixão: ingressos de arquibancada a R$ 30. Virou mania, né?

2. Não contentes, os caras têm a ousadia de liberar para os palmeirenses apenas a venda de bilhetes do tobogã e do setor lilás - e, claro, das numeradas e da cadeira laranja. As arquibancadas verde e amarela, com acesso pelo portão principal, devem ficar para a 'numerosa' torcida da Portuguesa. Porra, eles acham mesmo que têm condições de dominar a praça Charles Miller?

21 maio 2008

Mais uma do jornaleco

Manchester United e Chelsea fizeram hoje a final mais desprezível de toda a história da Uefa Champions League. Ok, isso é opinião minha. Fato é que o Palmeiras nada tem a ver com o jogo de Moscou, certo? Não é assim que pensa o tal jornaleco esportivo. Vejam a manchete da página do Palmeiras no começo da tarde de hoje:


Aí eu pergunto: o que justifica uma pauta como essa?

E, pior, as "diferenças está no banco"? É assim mesmo?

Tabela dirigida

O que vem a seguir não deve ser interpretado como crítica, reclamação ou coisa que o valha. É apenas e tão somente informação seguida de constatação. São estes os jogos do Palmeiras entre a 9ª a 19ª rodadas do 1º turno do BR-2008:

06.07 dom. 16h Atlético/MG x Palmeiras – Mineirão
10.07 5ª f. 20h30 Palmeiras x Figueirense/SC – Palestra
13.07 dom. 16h Bambis/SP x Palmeiras – Jd. Leonor
16.07 4ª f. 21h45 Palmeiras x Fluminense/RJ – Palestra
20.07 dom. 16h Goiás/GO x Palmeiras – Serra Dourada
24.07 5ª f. 20h30 Palmeiras x Santos/SP - Palestra
27.07 dom. 16h Grêmio/RS x Palmeiras – Olímpico
30.07 4ª f. 21h45 Palmeiras x Flamengo/RJ – Palestra
03.08 dom. 16h Ipatinga/MG x Palmeiras – Ipatingão
07.08 5ª f. 20h30 Palmeiras x Vitória/BA – Palestra
10.08 dom. 16h Botafogo/RJ x Palmeiras – Engenhão

Temos 11 jogos, cinco em casa e seis fora.

Os cinco no Palestra acontecem no meio da semana à noite: dois na madrugada de quarta para quinta (21h45, com TV aberta para o Rio) e os outros três às 20h30 de quintas-feiras.

Aos finais de semana, o Palmeiras vai atuar apenas como visitante, sempre aos domingos às 16h, com TV aberta para SP.

Assim, o palestrino vai passar todo o primeiro turno sem poder ver seu time jogar em casa nos horários tradicionais do futebol: quarta às 20h30 e domingo às 16h.

Belo trabalho do senhor Virgílio Elísio, aquele que acusa torcedores beberrões de afastarem do estádio famílias inocentes.

***

E mais:

*Botafogo e SCCP não sabem ainda quando acontece o jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil. Tudo porque a emissora câncer aguarda o resultado de Fluminense x SPFW, hoje à noite, para definir o que é mais interessante para a sua grade de programação.

*Por sinal, alguém aí acredita na (falta de) camisa do Fluminense?

20 maio 2008

Repeteco

Elitização no futebol. Eis aí um assunto não vai cair no esquecimento, ao menos no que depender deste blog. Como eu já escrevi demais sobre o assunto e considerando que a audiência é rotativa, deixo aqui links para posts anteriores. A idéia é fazer um compêndio de tudo o que este blog já apresentou sobre as crescentes tentativas de elitização no esporte do povo.

Os palmeirenses de verdade
(30/10/2006)
Palaia, o mesmo que se passa agora por justiceiro, dava mostras aqui de toda a má vontade para com o palmeirense.

Vale o quanto pesa? (06/11/2006)
Já em 2006, a diretoria demonstrava descompasso com o seu torcedor.

R$ 30!? (02/10/2007)

Sob o disfarce de trapalhada, um ensaio para os R$ 30 de agora.

Presente para a torcida (07/11/2007)
Parte do que eu penso(ava) sobre o Setor Visa.

Traição consumada (20/02/2008)
A institucionalização dos R$ 30.

O Palestra só para as elites (22/02/2008)
Cronologia do aumento de ingressos e argumentos contrários às besteiras que são proferidas por nossos dirigentes. E já foram tantos os canalhas: Palaia, Busico, Gualtieri. Um pior que o outro...

Por que tanta ganância? (06/03/2008)
Podemos resumir assim:
Arquibancada do Palestra em 1994: R$ 6.
Inflação acumulada (IPCA) de 1994 a 2008: 220%.
Preço corrigido para a arquibancada em 2008: R$ 19,20.
Valor pretendido pela nossa diretoria: R$ 40.
R$ 30 já está bem acima. O que dizer de R$ 40!?


Del Nero e o futebol sem alma (24/03/2008)
O fator Del Nero.

A identidade com a massa (05/04/2008)
O que foge à compreensão dos alienados.

Ganância sem limites (13/05/2008)
A polêmica da última semana.

VERGONHA! (14/05/2008)
O nazista Ebem Gualtieri destila seu preconceito.

E aí, Della Monica? (19/05/2008)
O silêncio da diretoria.


Depois de reler parte de minha opiniões anteriores, percebo que tenho novos pensamentos a acrescentar ao debate. Por ora, deixo apenas os links. E depois retomo o assunto.

***


O post de hoje do Cruz de Savóia é leitura obrigatória.

19 maio 2008

E aí, Della Monica?

Quis a diretoria alviverde que apenas 10.081 pagantes assistíssemos à vitória sobre o sempre difícil Internacional/RS. Em meio a uma série de acusações e informações desencontradas, o que mais preocupa é a falta de pulso do senhor Affonso Della Monica Netto, um banana que até agora não se posicionou sobre a polêmica dos ingressos a R$ 40.

Dirão alguns que 10 mil pagantes (com renda de R$ 377 mil) não é assim um público tão reduzido para uma segunda rodada. Pois eu digo que é, especialmente se tomarmos por base a média deste ano na nossa casa, superior a 21 mil, a empolgação da torcida e também o fato de ser o time gaúcho um dos nossos concorrentes na disputa do título brasileiro deste ano.

É pouco diante do que o jogo (de alto nível) merecia. Mas é muito diante do preço extorsivo imposto pela mente doentia do senhor Ebem Gualtieri, um dos quatro vice-presidentes do clube.

O apático Della Monica nada disse até agora. Deveria, e é o que se espera de um mandatário, condenar o aumento súbito, refutar as declarações elitistas de seu vice e tranqüilizar a torcida em relação ao valor que será cobrado já a partir do próximo jogo em casa, na quarta rodada, contra a Brisa/PR.

Tanto tempo depois, nada foi dito. E o torcedor, como ontem, fica sem saber o que fazer ou pensar.

Enquanto a Mancha protestava do lado de fora, as outras torcidas entraram, mas em número menor do que o habitual. Com todo o respeito, não resolve. A TUP parecia deslocada em seu canto, ontem vazio. A Savóia, sem peso, até poderia ajudar, mas falta ainda a compreensão de que a bateria não está ali para fazer as vezes de Olodum, tampouco se presta a rituais de dança de chuva.

Sem uma coordenação decente, a noite de domingo ficou marcada por uma arquibancada fria, quase como se fosse um Setor Visa. Não poucas vezes, os jogadores se viravam para o torcedor e pediam o apoio da galera. Vinha aquele oba-oba inicial e nada mais.

Nem parecia um duelo decisivo.

Tudo leva a crer que é este o cenário desejado pelos cretinos que defendem a elitização no futebol, muitos dos quais têm suas opiniões 
aqui destacadas.

No estádio, houve também quem se prestasse a isso. Na Jovem Pan - peço desculpas, mas o sinal do rádio do meu celular não oferecia muitas opções -, algum imbecil mandou algo nesse teor: "R$ 40 é um preço justo", disse, quando questionado a respeito do protesto da Mancha e dos vazios na arquibancada.

Até procurei o Freddy Jr. - sim, ele voltou ao Palestra
- para saber quem era o infeliz na arquibancada. Não encontrei.

Se encontrasse, iria até ele para entender o que se passa na mente destes sujeitos que têm vomitado na internet seus desejos de elitização e higienização social. A depender da postura do idiota, mandaria o seguinte:

"Ah, você também não gosta da Mancha, certo? Então pega o seu surdo, as suas faixas, a sua bandeira e passa o jogo inteiro cantando e incentivando o time. Depois disso você tem condições de criticar o 'bando de marginais da periferia'".

Felizmente, o time venceu.

Perderam a torcida e o próprio clube, como explicado
aqui.

Continuamos no aguardo de uma manifestação do presidente banana.

***

Durante mais esta semana sem jogo, volto a escrever sobre o tema. É chato e repetitivo, eu sei, mas o que não podemos é calar.

16 maio 2008

Lá é como cá?

Houve sinalizadores, muitos deles, nas arquibancadas leonores no jogo em que os bambis de SP bateram os bambis do RJ.

Até prova em contrário, nenhum grupo de afoitos policiais militares subiu por entre a multidão distribuindo borrachadas em quem estivesse pela frente.

Tudo transcorreu em relativo clima de paz, ainda que no meio dos alienados que fazem arrastão na própria massa acéfala.

Também não se fez ouvir a voz do promotor público Paulo Castilho, que talvez tenha
assistido ao jogo não de dentro do campo, mas de algum ponto da numerada, como condiz a um torcedor.

Houve ainda o tal laser verde.

Sim, verde!

Depois da fumaça rosa, laser verde...

Já imaginaram se fosse no Palestra Itália?

***

TELEFONE SEM FIO

Lembro que houve protestos da torcida no Brasileiro do ano passado, quando, por um único jogo (Palmeiras 2 x 1 Náutico), o ingresso de arquibancada pulou de R$ 20 para R$ 30. Era uma partida decisiva, e algum diretor do baixo clero resolveu aumentar o preço sem consultar o alto escalão, que retornava de Natal/RN para SP. E assim, por uma rodada, sob protestos, pagamos R$ 30 pela arquibancada.

Vejam agora as notas do Painel FC de hoje:

Recuo.
Pessoas ligadas ao presidente Affonso della Monica dizem que será reduzido o preço do ingresso dos jogos do Palmeiras após o duelo contra o Inter. Nessa partida, custará R$ 40. Depois, deve cair para R$ 30. A diretoria financeira afirma que não foi informada sobre redução.

Interpretação. Segundo seus aliados próximos, Della Monica tinha mandado que o ingresso do Brasileiro custasse o mesmo preço do cobrado no Paulista. E a diretoria financeira entendeu que era para aplicar a tarifa da final: R$ 40. Mas o dirigente se referia ao restante do Estadual.


Fica difícil assim. Não dá para aceitar tamanha falta de sintonia. Menos ainda que uma decisão tão importante seja tomada de supetão e por mentes doentias como a do senhor Ebem Gualtieri. Por mais que voltemos aos ainda abusivos R$ 30, o estrago já foi feito. É preciso acabar de uma vez por todas com os feudos internos.

Vaza, Gualtieri pilantra!

***

*Finalmente temos uma notícia boa vinda do STJD, que acabou com a excrescência dos jogos com portões fechados. O segundo passo é pôr fim ao rigor excessivo, que permite punições por copos d'água e chinelos atirados no gramado. Chega de viadagem!

14 maio 2008

VERGONHA!

Tomo a liberdade de repetir o mesmo título do Observatório Verde. Pois agora, além da revolta e do inconformismo latentes, o que existe é um enorme sentimento de vergonha por termos entre nossos representantes uma figura tão baixa quanto este tal Ebem Gualtieri.

Como dignidade é algo que sempre houve no Palestra Itália, não se poderia esperar agora outra reação de toda a coletividade palestrina que não esta, de total oposição à elevação do preço dos ingressos. Mais do que o peso no bolso, o sentimento agora é de repulsa.

Entre os blogs e sites da mídia palestrina, a reprovação é geral. Todos entendem que a majoração dos ingressos é um equívoco sem precedentes. Se R$ 30 já era um valor abusivo, como justificar a cobrança de R$ 40? Não, não dá.

Tudo fica ainda mais patético com as declarações do senhor Ebem Gualtieri, vice-presidente do Palmeiras, ligado ao diretor financeiro Salvador Hugo Palaia, de lembranças nada agradáveis.

Gualtieri, responsável principal pela caótica venda de ingressos para a final contra a Ponte, chega ao cúmulo de usar aqueles incidentes todos como justificativa para este novo aumento:

"Será um teste. O time foi campeão, e a procura por ingressos será grande. É uma forma de selecionar o público. Mas não seremos irredutíveis. Se houver protestos, a gente volta ao valor que era antes".

Sim, meus caros, somos cobaias de uma experiência doentia.


O cara vai além. Alega, sem muito sentido, que liberou a entrada de 80 policiais e familiares no jogo contra a Ponte - e por que diabos fez isso? -, mas apareceram 200. E aí, enquanto a torcida apanhava dos valorosos homens da PM, ele liberou essa gente toda.


Incompetência dele, claro, como bem descrito no TVV. No entanto, em vez de assumir a culpa, ele ainda faz o pobre torcedor pagar a conta. "Agora temos jogos mais espaçados, o time acabou de ser campeão e não houve reclamação nas finais do Paulista".

Ah, não houve reclamações? Mas por que haveria se estávamos em uma final,
com oferta ínfima diante da procura? Por que haveria se o preço foi sabidamente imposto pela FPF?

E
nfim, sinto que a minha indignação já está prevalecendo. É melhor abrir espaço para outras vozes da mídia palestrina:


Vicente Criscio, do TVV, aborda a questão sob o ponto de vista da gestão, em uma análise estritamente mercantil, a única coisa que esta gente enxerga. Ainda assim, mostra o Vicente, não faz sentido:


Há duas condições em que se aceitam aumentos dos ingressos: 1. procura desequilibrada com a oferta; 2.aumento da oferta de serviços.

Não parece ser esse o caso. Então chego à conclusão que o senhor Ebem teve [mais uma] descarga cerebral e o torcedor paga o pato.


O Conrado, do
Parmerista!, fala em descalabro:


O blog apoiaria um aumento do valor dos ingressos, desde que a contrapartida fosse justa e que os valores estivessem minimamente inseridos no contexto social do país. Os setores azul, amarelo e vermelho que compõem a ferradura, o setor mais popular, não oferecem condições para cobrar esse preço. Senta-se no cimento, sem encosto, os banheiros são absolutamente humildes, os serviços oferecidos são deficientes e a visão do campo, se não é ruim, também não é maravilhosa. E de qualquer maneira, com conforto ou não, quarenta reais no setor popular é um descalabro. Uma ofensa à torcida palmeirense. Jogo de turno, início de campeonato, vindo de derrota, não lota nem a pau.


E aponta falhas no discurso do vice-presidente, a maior delas, a meu ver, na tentativa de selecionar o torcedor pelo bolso:

Elitista, disse que tambem intenta trazer um "público diferente" ao estádio. Só faltou dar desconto pra quem estiver com a camisa do São Paulo.

Sr. Ebem, se o senhor quer acabar com os abusos na meia entrada, então cumpra o seu dever. Apure como centenas de lotes de meia-entrada vão parar nas mãos dos cambistas, que revendem a valor de inteira. Promova uma fiscalização eficiente nas catracas de meia-entrada. Os estudantes e aposentados têm direito de pagar preços compatíveis com suas rendas. E isso passa longe de R$20,00.



Por fim, chegamos ao blog-irmão, do
Ademir, com uma série de links que remontam aos erros na venda de ingressos para a semifinal. E eis que ele já parecia antecipar o absurdo de agora ao fazer cobranças
à diretoria, que preferiu adotar um imperdoável silêncio mesmo diante de toda a sucessão de atrocidades:

Eis o nome que deve ser, no mínimo, cobrado pelo ocorrido: Sr. Ebem Gualtieri – Vice-Presidente, aquele que controla os ingressos no Palmeiras. E todos os seus asseclas. Demissão de Vice-Presidente é – estatutariamente – impossível, pois a pessoa foi eleita, mas esvaziar-lhe as funções é uma medida cabível e recomendável.


Pois é, Ademir, nada foi feito. E aí chegamos à presente situação, em que o Palmeiras deixará de contar com o apoio maciço de sua torcida justamente contra o Internacional/RS, rival tradicional, historicamente difícil de ser batido e nosso provável maior concorrente ao título brasileiro deste ano.

Portanto, mesmo se o aumento for revogado depois dessa partida, o estrago já está feito. E reside especialmente na credibilidade que muitos de nós enxergamos na atual administração. A falta de respeito para com o torcedor palmeirense é imperdoável.

13 maio 2008

Ganância sem limites

Não faz muito tempo e eu protestava aqui contra a majoração dos ingressos de arquibancada no estádio Palestra Itália, de R$ 20 para R$ 30. Foi no início do Paulistão, época em que o senhor Francisco Campizzi Busico, diretor-tesoureiro do Palmeiras, foi devidamente esculhambado neste espaço.

O palmeirense gastou como nunca para ver seu time campeão pela primeira vez em 8 anos. Valeu a pena, claro, mas eu insisto: a diretoria alviverde não foi leal com seu torcedor, que tanto apoiou o clube - e mesmo esta diretoria - nos anos de penúria.

R$ 30 por uma arquibancada?

É um valor absurdo, que não se sustenta diante de uma breve comparação com o que é cobrado pelos outros dois clubes grandes desta cidade, SCCP e SPFW.

Não contente, Del Nero, o inimigo número um do torcedor paulista, jogou para R$ 40 o preço mínimo a ser cobrado na fase final. Era, admito, até aceitável em se tratando dos dois jogos finais, com procura infinitamente superior à oferta.

Passada a final, voltaria tudo ao normal, certo?

Eis então que chega a notícia de que os ingressos para Palmeiras x Internacional, domingo agora, 18h10, no Palestra, começam a ser vendidos na próxima quinta-feira.

Preços:
Arquibancada: R$ 40!!!
Setor Visa: R$ 80!
Numerada descoberta: R$ 80!
Numerada coberta: R$ 100!!!

Sim, arquibancada a R$ 40!

Qual é o limite de tanta ganância?

A que ponto chegamos?

Quem eles querem que vá ao estádio?

Será que só eu fico indignado com isso?

***

Por enquanto, meu estômago impede comentários elaborados. Mas é pouco provável também que minhas análises, protestos e opiniões sejam muito diferentes de tudo o que já foi defendido por este blog. Assim sendo, vou deixar três links que me parecem relevantes - e que encaminham para outros, sempre com o mesmo foco.

1. O Palestra só para as elites
Mal poderia imaginar que a revolta pelos R$ 30 ficaria pequena diante dos R$ 40 de agora. Mas tudo que está aí continua válido, necessário e mais atual do que nunca.

2. Del Nero e o futebol sem alma
Mais um pouco sobre elitização e higienização social.

3. Identidade com a massa
Para quem ainda não entendeu (ou não quer entender) qual é o problema de se afastar o povo de um esporte popular.

12 maio 2008

Sem trégua

Remember 1942, Belluzzo.

Nos círculos palestrinos, não há voz dissonante: somos todos contrários a este almoço de conciliação entre o nosso diretor de planejamento e o tal Jesus Lopes, um dos três dirigentes leonores a participar da farsa do gás no vestiário do Palestra.

Fato é que o inquérito não deixa de correr e traz evidências de que o gás misterioso pode ter partido dos próprios bambis. É a hipótese que eu defendo desde o início, diga-se.

Não à toa, caberia aos bambis tentar agora uma aproximação, a título de cessar o clima hostil entre as duas diretorias.

Impossível! Enquanto houver JJs, Lecos, JLs e Casares do lado de lá, não há conversa que resolva uma animosidade que, instituída ainda nos anos 40, há de perdurar por todo o sempre.

De minha parte - e sei que os palestrinos honrados têm o mesmo pensamento -, não há acordo com essa gente. Não há diálogo, não há convivência pacífica, não há trégua.

Há guerra e apenas isso.

Como eu sempre digo: o Palmeiras cresce e se fortalece
a cada dia que se mantém em oposição a essa gente.

Remember 1942, Belluzzo.

***

Notas do Painel FC de hoje:

Guerra e paz
Enquanto cartolas dos dois clubes marcaram reuniões para selar a paz, nesta semana, há dirigentes de Palmeiras e São Paulo que remam contra a reconciliação. Entre os são-paulinos, o discurso é que o presidente Juvenal Juvêncio não deu aval para a reaproximação e que os adversários ainda têm muito a explicar no episódio do gás no vestiário. Os palmeirenses alegam que a maior parte dos conselheiros e da torcida não quer retomar o diálogo. Para eles, o mandatário Affonso della Monica não deu aval para conversas.

Cadê o mordomo?

Palmeirenses e são-paulinos concordam que dificilmente o inquérito sobre o gás no vestiário do Parque Antarctica apontará um culpado. E vêem poucas chances de a Justiça Desportiva, em julgamento hoje, punir alguém.

Versões.

No inquérito, policiais têm informação de que seguranças são-paulinos usavam gás, que poderia ter escapado. Mas não tem dados que os culpe. O São Paulo nega com veemência o uso de gás.

***

Quanto à estréia em Curitiba, o jeito é parabenizar o time da casa, que se impôs, jogou melhor e ganhou com sobras. Nada que traga alterações no meu prognóstico para as 37 rodadas restantes. Uma vitória diante do sempre complicado Internacional/RS, domingo próximo, em casa, pode ser um bom começo.

10 maio 2008

O boletim da madame

Faço questão de deixar um link aqui para o blog Cruz de Savóia, que mostra hoje a que ponto chega o jornalismo panfletário do jornaleco esportivo. É caso de polícia. Tomo ainda a liberdade de emprestar o termo "madame", tão bem utilizado por lá, e recomendo também um post anterior, pós-vitória contra a sub-raça, que traduz bem o sentimento de muitos de nós.

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Confio em uma boa estréia amanhã. Mas é Dia das Mães e eu já passei o do ano passado longe de casa, no Rio, também na estréia do Brasileiro, contra o Flamengo. Então me dei ao direito de tirar folga nesta rodada e não ir a Curitiba. O Paulistão já foi bem cansativo; melhor ficar por aqui.

08 maio 2008

A máscara que cai

Provavelmente após uma noite de bebedeira, JJ, o presidente leonor, mandou esta frase enigmática para o Painel FC de hoje:

"O Corinthians era a bola da vez e caiu. Agora procuram falhas aqui. Não acharão. Somos mestres mundiais em recuperar atletas".

Sei lá qual era a intenção do velho bêbado, mas noto um certo desespero nas últimas atitudes bambis, ainda repletas da arrogância de um clube sem alma.

Carlos Alberto está aí, agora de volta ao Rio, como contraponto à frase aí de cima. Deixemos de lado.

Mas é justo citar brevemente a história do incentivo financeiro aos atletas do Sportivo Luqueño. Porra, não confiaram no próprio time contra o Atlético Nacional? Tiveram de pagar para um Luqueño derrubar um Audax? E foi aquela merreca toda para um time inteiro dividir? A que ponto chegamos...

E eis que temos, para fechar a conta, a postura dos dirigentes leonores no episódio da festa de encerramento do Campeonato Paulista. Desta vez, vejam vocês, nada foi dito ou feito pelos leonores. E nem poderia, visto que eles resolveram simplesmente não dar as caras.

Não foram em represália ao que chamam de maus tratos da FPF. Pois é, os bambis não se conformam ainda com a "traição" da FPF, que ousou aceitar o mando do Palmeiras no seu campo, o Palestra Itália, e não naquele antro que eles chamam de estádio. Estão magoadas as meninas.

Não fizeram falta, claro, pois esta corja só faz contaminar o ambiente, mas isso tudo apenas demonstra qual é o caráter desta gente. É como já dito aqui: o SPFW será sempre e eternamente o menino mimado, que vai chorar no colo do papai sempre que contrariado.

E a máscara bambi vai caindo...

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Borrachos del Tablón?

São risíveis os argumentos de quem tenta explicar a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros. Vejamos o que nos traz a FSP de hoje, na voz de Virgílio Elísio, o homem que responde pelas tabelas do Brasileirão e da Copa do Brasil e que, em tese, nada tem a ver com o assunto:

Roupa suja. Ao defender a lei seca nos estádios, Virgílio Elísio, diretor técnico da CBF, afirma que algumas famílias deixam de ir aos jogos com medo de serem atingidas por vômitos dos beberrões.

Dito isso, não há mais nada a dizer...

05 maio 2008

Os verdadeiros inimigos

São tantos os nossos inimigos que não temos descanso nem para comemorar um título. Depois do mal explicado episódio do gás no vestiário, enfrentamos agora os incidentes da final. Não há sossego. Não há comemoração em paz.

Desta feita, nos eventos ocorridos durante e depois do jogo final, nossos inimigos são bem conhecidos e declarados. Não há vídeos suspeitos, declarações controversas ou acusações infundadas. Há, isso sim, inimigos bem concretos, de corpo presente e com objetivos bastante explícitos.

Para início de conversa, temos o 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo, órgão responsável pela ‘segurança’ (sim, segurança!) das praças esportivas desta capital.

A PM deve responder diretamente, ao menos na ação desastrada e desastrosa, por tudo o que ocorreu nas arquibancadas do estádio Palestra Itália. Afirmo isso categoricamente, pois presenciei tudo a uma distância não superior a 10 metros. E é este o confronto que determina os acontecimentos externos, pós-jogo.

O que ocorreu tem a PM como parte executora, mas não como principal interessada. Esta posição pode muito bem ser atribuída ao promotor público Paulo Castilho, sucessor à altura do hoje deputado estadual Fernando Capez.

Castilho, como se sabe, fez o possível e o impossível para que o Palmeiras não recebesse o SPFW em sua casa, o estádio Palestra Itália, no segundo jogo da semifinal do Paulista.

Mesmo sem ter nada a ver com a história, o promotor bateu de frente com os laudos da PM e com as posições assumidas pela SEP e, posteriormente, pela FPF. Houve, como um certo jornaleco esportivo, quem desse espaço para o cidadão, que sustentava a tese de que o Palestra não teria condições de receber partidas ditas importantes.

(Triste o país que dá tamanha notoriedade às opiniões compromissadas de quem se esconde atrás do título de doutor.)

Embora desconheça a preferência clubística do referido defensor da lei, torno a lembrar que ele foi visto no saguão do Jd. Leonor, no primeiro jogo da semifinal, acompanhado de amigos que carregavam sacolas de compras com produtos da loja oficial do SPFW. No caso, é a mesma agremiação que tanto esforço emprega contra a nossa casa.

Neste Paulistão-2008, Castilho é figura carimbada à beira do gramado do nosso estádio. Não parece ter muito a fazer, mas fica por lá, entre desocupados e bajuladores. Já foi visto também, ao menos duas vezes, na arquibancada.

Esteve presente, uma vez mais, durante os 90 minutos desta tarde de domingo. Entre um número ainda maior de oportunistas, demonstrava enorme preocupação com o comportamento da torcida. De terno, acompanhado de figuras misteriosas, Castilho não prestava atenção ao jogo, mas parecia muito afeito a dar palpites no trabalho do comando do policiamento, à beira do gramado.

É certo que se sentiu incomodado pela ‘molecagem’ da torcida Mancha Verde, que conseguiu burlar a fiscalização da PM e entrou no estádio com alguns pedaços de faixa para compor, em um painel de torcedores, o seu nome. Bem diante dos olhos do defensor da lei, a organizada mandou o seu recado: “MANCHA VERDE”, com uma letra nas mãos de cada pessoa.

No campo, houve um policial a aplaudir, com ironia. Castilho, ao que parece, reagiu de maneira diversa, não muito cordial.

O que se viu durante grande parte do primeiro tempo foi uma verdadeira caçada, com policiais espancando torcedores por qualquer motivo – ou por nenhum.

“Está com boné da Mancha?”
Então apanha, fica sem o boné e vai preso!

“Camisa da Mancha?”Apanha, sai arrastado e vai pra fora do estádio!

“Era um dos que seguravam o nome da torcida?”
Sai arrastado, humilhado e, no caminho, ainda toma uma cotovelada na cara! Depois da ‘salinha’? Difícil prever.

Eu falo sobre o que aconteceu bem diante dos meus olhos. E digo que, sem qualquer critério lógico, os PMs começaram a subir e, feito cães farejadores, procurar suspeitos. Além de espancados, os torcedores ainda eram roubados, como de costume.

“Vagabundo tá com a cara pintada?”
Teje preso, filho da puta!

Um deles saiu arrastado, puxado pela perna, bem à nossa frente. Um, dois, três, quatro policiais a arrastar o cidadão. Tudo o que o cara queria era colocar o tênis e sair de pé. Não deixaram. Quando conseguiu se levantar, veio um dos coxinhas, mais alterado, e meteu-lhe uma cotovelada na cara. Sem dó, com raiva incontida.

Junto com seus colegas, desceu a escadaria sob cuspes e xingamentos. E só fez mostrar a insígnia do Choque no seu uniforme, como que em sinal de intimidação. É pena, mas eu não estava com a máquina em mãos e não pude filmar todo o ocorrido.

Assim transcorreu o primeiro tempo. Muitos presos, alguns expulsos do estádio e agressões a torto e a direito.

Do meu lugar, na grade, é possível observar a porta da ‘salinha’ da PM. E eu garanto que os torcedores já entravam ali tomando porrada, sem que tivessem representado qualquer ameaça ao público.

Veio o intervalo e o clima prosseguiu tenso. Era possível notar a expressão de cada policial ali presente. Não éramos tratados como torcedores, mas como bandidos. Pior ainda, como inimigos. O olhar de cada um deles era inconfundível: transmitia ódio.

Ao que parece, o rancor da PM aumentava na mesma progressão da festa que já tinha início.

Confesso não ter ficado atento às reações do senhor doutor Paulo Castilho, mas ele continuou ali, atrás do gol, próximo à Mancha, a observar tudo o que acontecia na arquibancada.

Eis então que chegamos ao auge da canalhice da Polícia Militar, na metade do segundo tempo.

Já com o título assegurado, apareceram sinalizadores na Mancha, os mesmos do início do jogo. Era o momento de festejar em grande estilo.

Foi a senha para que um grupo de 20 policiais, os mesmos cães farejadores da etapa inicial, subisse em direção à arquibancada. Desta vez, o objetivo era outro. Diante de uma multidão espremida, os coxinhas não tiveram a menor dúvida: começaram a descer porrada em quem estivesse pela frente.

Havia ali a torcida de um só time, composta por elementos organizados, mas não só. Havia famílias, pais, mães, crianças, os ditos “torcedores comuns”. Gente de todo tipo. A PM não fez distinção. O pau comeu. Abriu-se um clarão, pois o povo não está disposto a enfrentar as bestas de farda e seus cassetetes.

Restou a Mancha, o alvo da ação descontrolada. O resto é imagem pasteurizada das emissoras de TV. A PM acabou com a festa. Abriu um buraco na arquibancada. Fez crianças deixarem o estádio chorando. Esmagou gente que nada tinha a ver com aquilo, a não ser o fato de contemplarem aquela festa grandiosa.

Tão intensas foram a correria e a pressão que a massa fez ceder a grade da jaula, 20 metros adiante. Cimento em pedaços, ferro retorcido e o povo em pânico.

Porra, é preciso ser algum doutor honoris causa em segurança pública para saber que não se entra dando porrada no meio de uma multidão?


Na base do confronto, mas especialmente com o bom senso que deveria existir nos órgãos competentes, coube à Mancha colocar um pouco de ordem nos ensandecidos homens do Choque. Acuados, tiveram de pedir seguro às lideranças da organizada. Diante da revolta, era a única maneira de controlar a massa.

O grupo de coxinhas teve de deixar a arquibancada, mas então sob a fúria da multidão: "Ei, polícia, vai tomar no cu!”. Ressalto que o grito partiu não da Mancha, mas do dito “torcedor comum”.

Eles desceram, mas deixaram o recado: “Vai ter volta lá fora”.

E teve, em proporções inimagináveis. Sob o pretexto de conter uma tentativa de invasão pelo portão principal, os homens do Choque transformaram a Turiassu em uma praça de guerra. Sem a cobertura da mídia, que tinha muito mais o que fazer, e sem a torcida organizada, que fazia a festa lá dentro, cumpriram o prometido.

Segundo testemunhas, desceram a porrada em todo tipo de gente. Senhoras de idade, crianças, pais de família, mulheres, idosos. Ninguém ficou ileso. Bateram em quem nada tinha a ver com o ocorrido lá dentro, até porque estávamos ainda todos na arquibancada a comemorar o título.


Lá fora, o Choque armou uma praça de guerra contra torcedores que apenas comemoravam o título, empurrados pelo carro de som da Mancha, em frente à sede da torcida organizada.

Eu não posso descrever a batalha do lado externo, pois só o que ouvi foram as bombas e tiros da PM. Um barulho que conseguia ofuscar toda a festa no gramado, pois alto e ininterrupto.

Quem estava do lado externo garante que a truculência do Choque não teve qualquer explicação razoável, a não ser o claro propósito de, conforme prometido na arquibancada, dar o troco nos torcedores organizados. Acontece que os supostos "marginais" estavam do lado de dentro do estádio e não fora.

Há, no entanto, uma conseqüência bem pontual para
a misteriosa briga do lado externo. Toda a batalha campal (contra quem?) interessa apenas e tão somente para gerar argumentos prontamente explorados pelo promotor público Paulo Castilho, o homem que passou grande parte do segundo tempo recolhendo objetos arremessados contra o gramado pela multidão enfurecida.

E assim Castilho se promoveu uma vez mais. Com apoio de todo o comando do policiamento, em uma situação que deveria, se vivêssemos em um país sério, ser investigada a fundo.

Quase uma hora e meia depois do jogo, tive acesso à rua Turiassu. Cenário de guerra, de batalha campal. Pedras, paus, destruição. Carros quebrados. E tudo fechado. Bares, sede da Mancha, todos os espaços de convivência. Carro de som cercado pelos homens do Choque, assim como a sede da organizada.


Vejam: estava programada uma festa para aquele local.

A PM fez a sua parte: acabou com a comemoração. Dispersou a multidão que queria apenas festejar.

Castilho, o promotor, veio a público dizer que "o Palestra Itália não pode receber jogos importantes". E, claro, declarou que vai lutar pela extinção da torcida Mancha Verde, a mesma que, em tese, fora proibida por ele mesmo de ir ao jogo.

Por preguiça ou má intenção, a imprensa comprou a história oficial. Para a FSP, o "barril de pólvora explodiu". A truculenta ação da PM na arquibancada foi assim retratada: "... uma confusão na arquibancada azul do estádio - onde parte da Mancha estava - precisou ser contida pelos policiais".

Peço que comparem esta versão com a que eu relato acima. E faço uma ressalva: eu sou jornalista também. E, ao contrário destes babacas que hoje compõem a mídia esportiva, acompanhei tudo a 10 metros de distância.


Minutos após o jogo, a voz fascista da rádio Jovem Pan, o senhor Flávio-não-vá-ao-estádio-Prado, exultava o fato de o palmeirense não poder comemorar o título paulista em frente ao seu estádio: "Esse tipo de festa só serve para atrair bandido, marginal e vagabundo".

Enquanto nós - e o Palestra - levamos a culpa, os verdadeiros bandidos parecem estar todos satisfeitos.

E assim segue a vida neste país de merda...

***

*Peço desculpas pelo texto sem capricho algum, mas eu precisava colocar isso tudo para fora. Como parte da minha festa foi estragada pela ação da PM e pelas declarações do promotor, o mínimo que eu posso fazer é compartilhar tudo o que vi e vivi lá dentro. Não é justo que eu deixe de assistir a preciosos minutos de uma final de campeonato por conta da atitude irresponsável de quem deveria exatamente garantir a ordem por lá. Mas foi o que aconteceu. Dessa forma, o texto acima expressa o meu inconformismo e o meu protesto, motivo pelo qual passa longe do nível que eu gostaria.

*Abaixo, um importante relato, de um amigo de arquibancada que tem o enorme defeito de não aceitar injustiças. Com a palavra, Luiz:

Grande Amigo Palestrino,

Conforme falamos ontem, vou relatar uma das coisas mais tristes que já fui vítima em minha vida, deixo aqui meus agradecimentos à preparada Polícia Militar do Estado de São Paulo, mais especificamente ao famoso Batalhão de Choque.

Ontem, era para ser um dia somente de festa, mas infelizmente aquela que menos precisava aparecer, resolveu roubar para si os holofotes que eram do Palmeiras e dos 30 mil Palmeirenses que estavam na região do Palestra Itália.

Já me assustei quando li pela manhã de ontem, o efetivo de 2000 homens (!!) destacado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo para nos dar “segurança”, ora bolas, aonde os senhores responsáveis pelo Batalhão de Choque da PM vislumbraram (penso em premeditação) tamanha guerra? Na minha cabeça era um jogo de festa e de uma torcida só, no qual estariam presentes centenas ou milhares de mulheres, crianças e idosos. Fiquei com essa pulga atrás da orelha, mas não dei muita importância queria ver meu time campeão e fui pro jogo.

Chegando lá, a mesma coisa de sempre, flanelinhas exercendo seu “ofício” com a maior tranqüilidade, pois como todos sabem não há nenhuma irregularidade em um particular tomar para si o espaço público e ainda obter lucro.

Eu chamo isso de negligência da Polícia, enquanto alguns defenderão que isto ocorre em todos os lugares, já virou um costume e não é culpa exclusiva da Polícia. Mas minha tese é confirmada ao entrar no estádio e ser revistado com dois tapinhas na região do tórax, saio da revista com a sensação de que se estivesse armado, eu entraria no estádio da mesma forma. Ora, se eu poderia, quem me prova que ninguém entrou?

Na arquibancada, como sempre fiz, foquei única e exclusivamente o apoio a Sociedade Esportiva Palmeiras, contudo, não consegui me omitir diante do uso extrapolado da força e conseqüentemente, o notório abuso de poder praticado por um “animal” escondido atrás da farda da Polícia Militar do Estado de São Paulo, quando ao prender um cidadão cujo nem o nome sei, arrastou-o pela arquibancada e como se não bastasse, num ato covarde deu uma cotovelada no sujeito que estava imobilizado e não oferecia nenhuma resistência.

Fiquei com aquela imagem na cabeça, e não agüentei, resolvi exercer um direito que é meu, como cidadão de relatar o abuso que presenciei cometido pela autoridade policial. Desci da arquibancada e me dirigi ao local reservado aos policiais, procurei alguém com a patente maior e como não entendo muito disso, acabei falando com aquele que me pareceu superior aos demais.

A partir desse momento, entrei num inferno, fui imobilizado, tomei tapas aos montes, hostilizado como se bandido fosse. Dentro daquele inferno onde estes animais fardados se acomodam, fui humilhado como nunca fui na minha vida. Não sei precisar o tempo que fiquei retido naquele local, mas o que posso dizer, é que teve tempo suficiente para alguns, no melhor retrato ‘Tropa de Elite’, me denominarem como O Testemunha.

Pergunto: O que bandido faz com qualquer testemunha? Sim, é isso mesmo que você pensou que fizeram comigo. Fui ameaçado, humilhado e por fim, perdi aquilo que mais queria quando acordei neste domingo, ver o Palmeiras Campeão, porque me expulsaram do estádio, ou alguém acha que deixariam uma testemunha perto do problema. Senti na pele o que significa corporativismo, que neste caso caberia muito bem a palavra quadrilha.

Infelizmente, o que ocorreu comigo, foi só um dos inúmeros casos de abuso de poder cometido pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, através do seu incompetente Batalhão de Choque, na tarde de ontem no Palestra, exemplo disso, é o campo de batalha que se tornaram as Ruas Turiassu e Caraíbas ao término do jogo, e posso afirmar lá do local de onde estava e do local onde me escondi que quem gerou tudo aquilo, foi mais uma vez a prepotência e a incapacidade (ou capacidade) de gerar (in) segurança do Batalhão de Choque.

Pra terminar, gostaria de dizer o que penso: Acho que enquanto a PM tratar o torcedor como gado, não podemos esperar melhora na atual situação, é aquela famosa história do “se colhe o que planta”. Ou se restringe a atuação da PM dentro dos estádios, ou que ela recicle o seu pessoal, pois as ações praticadas por esta corporação não condizem com as atuais pretensões do futebol nacional, no que tange a modernização e qualificação do público freqüentador do estádio. Quer tratar futebol como negócio, então o faça.

É CAMPEÃO!!!


Não há criatividade que resista depois de tudo o que lutamos. E, a bem da verdade, nada do que eu escrever estará à altura da alegria de cada palestrino. É hora de comemorar e nada mais. Nós merecemos!

É CAMPEÃO!!!