10 dezembro 2008

FÉRIAS

Caros palestrinos (e não só),

Devo confessar o meu alívio. A temporada foi cansativa como nenhuma outra, e eu me permito agora tirar 40 dias de férias deste blog. Pretendo retomar tudo apenas na abertura do Paulistão. Vejam que faz sentido, uma vez que esta página tem a arquibancada como inspiração e linha editorial; sem ela, não há muito o que escrever.

É importante ressaltar que a decisão já estava tomada há tempos, e eu até demorei alguns dias para efetivamente fazer o anúncio.

Admito que não será fácil ficar distante (eu já fracassei em tentativas anteriores), mas o descanso é realmente necessário. Não se trata de sucumbir ao desânimo (que é enorme) ou de desistir da luta, mas sim de uma pausa que se faz necessária para voltar com força em 2009.

Não que eu deva me justificar, mas o que se segue cumpre o papel de retrospectiva e também de auto-reconhecimento – que é, afinal, a única remuneração possível com este blog. Se jogadores, comissão técnica e diretores têm direito a férias, eu tenho até mais do que eles, pois a minha dedicação é incondicional, doentia e não-remunerada.

De início, digo que foram 50 jogos no estádio neste extenuante 2008. O número é inferior apenas ao registrado em 1999 e 2000, sendo que este último ficou marcado pela disputa de sete competições oficiais, tendo o Palmeiras alcançado quatro finais e duas fases decisivas. Tanto um quanto o outro não servem de parâmetro.

Os 50 jogos da temporada foram todos os 33 disputados na capital paulista (outro ano com 100% de aproveitamento em casa) e mais 17 fora daqui (Rio de Janeiro 3 vezes, Barueri 3 vezes, Santos 2 vezes, Ribeirão Preto 2 vezes, Belo Horizonte, Curitiba, Campinas, São José do Rio Preto, Piracicaba, Bragança Paulista e Jundiaí).

Por puro sadismo, houve ainda os cinco jogos extras, todos indiretamente ligados ao Palmeiras. Ao todo, somados estes e aqueles, fui a 17 estádios diferentes, mais do que em qualquer outro ano.

Mas isso não serve para compreender tudo. Basta dizer que um jogo não se resume às duas horas dedicadas pelos que ficam em casa, vendo tudo pela TV. Ir ao estádio representa o investimento de muitas e muitas horas, pelo menos cinco nos duelos no Palestra e um dia inteiro nas extenuantes caravanas para outros Estados.

E há ainda o tempo gasto pensando nos textos e na atualização deste blog, na resposta aos comentários e na leitura de outros blogs, jornais, sites, revistas etc. E mesmo no simples ato de refletir sobre o que fazem o Palmeiras e os seus rivais e inimigos. Minha cabeça já não dá conta de tudo e eu realmente preciso dessa parada estratégica, até para começar o próximo ano com um pouco de paz e disposição e com espaço para as novas ilusões que virão.

Sei que Juquinha, a rede de blogueiros do mal, o escriba do Painel Leonor e o jornaleco esportivo continuarão a aprontar das suas. Mas eles são pagos para isso, e eu realmente estou extenuado depois de tanta luta. O consolo é que há gente de bem – e com disposição de sobra – na Mídia Palestrina para prosseguir na batalha.

Volto, se nada der errado, na abertura do Paulistão.

Agradeço a todos pela audiência (que tem batido recordes nos dois últimos meses), pelos comentários todos e pela paciência de agüentarem tudo o que eu escrevo por aqui.

Até o Paulistão e boas festas a todos!

09 dezembro 2008

Madonnão-2008: para fechar

A rede de blogueiros do mal, liderada pelo arauto da moral e dos bons costumes, exerceu o seu papel midiático. E os leonores, sempre oportunistas, conseguiram transformar uma situação que poderia ser amplamente desfavorável – se investigada com seriedade – em acusação contra um clube que nada tinha a ver com a história, logo o nosso Palestra, inimigo histórico desta escória.

Não que eu confie em Del Nero ou em qualquer um dos sujeitos que estão por aí, mas o fato é que já passou da hora de a nossa diretoria partir para a guerra, a mesma que eu sempre evoco por aqui. GUERRA, sem meias palavras, pois é tudo o que essa gente merece!

É como eu sempre digo: não devemos nos esquecer nunca de quem é esta gentalha alienada e oportunista, tampouco de tudo o que eles já fizeram. O Palmeiras cresce ao se opor a esta sub-raça sem alma.

***

*Vi o termo Madonnão-2008 no Observatório Verde. Não sei se surgiu por lá mesmo, mas este é o jeito que eu encontrei para lamentar o fim de uma das páginas mais resistentes e conscientes desta Mídia Palestrina. Obrigado e boa sorte ao Rafael e ao Tiago!

***

*Do anão-de-jardim à FSP de hoje:

"Nossa torcida não costuma ir em peso no Paulista. Em vez de 5.000 torcedores, teremos 3.000 nos jogos".


É o que eu digo: a geração vitrine não gosta do clube, mas sim de conquistas fáceis para pura ostentação.

08 dezembro 2008

A justiça dos pontos corridos

Nunca se falou tanto em "mala branca" como nas últimas semanas. Encheu o saco, para ser bem claro. Duas análises são possíveis:

1. A imprensa esportiva mostrou pouca disposição para pensar em novas pautas e contentou-se em escrever sobre o nada;

2. Temos aí mais uma conseqüência nefasta dos pontos corridos.

Vou me ater ao segundo ponto. Vejam vocês que essa palhaçada toda não aconteceria em um campeonato disputado no sistema de mata-mata, pois todas as classificações se resolvem na base do confronto direto. Assim sendo, não há clubes mais ou menos interessados em determinadas partidas e fica difícil fazer certas manobras.

E aí não há espaço para mala branca, mala preta, tentativa de suborno ao juiz, ingresso para o show da Madonna ou o que for. Porque a disputa se dá efetivamente por quem busca o título e não por quem está na competição apenas para cumprir tabela.

Aí virão os defensores dos pontos corridos e mandarão o argumento solitário: “Os pontos corridos premiam a regularidade e fazem justiça com o time que enfrentou todos os outros em casa e fora”.

É o único argumento. E eu rebato mais uma vez:

Que tipo de justiça é essa que permite tantas malas brancas para um lado e para o outro? Que tipo de justiça é essa que permite a alguns enfrentar o Inter titular enquanto outros pegam o reserva? Que tipo de justiça é essa que permite a um time decidir o campeonato como se fosse mandante mesmo na condição de visitante? Que tipo de justiça é essa que faz todos os concorrentes ao título jogarem em Goiânia e um só em campo “neutro”? Que tipo de justiça é essa que permite que a final do campeonato tenha o local decidido não por critérios técnicos, mas por motivações políticas?

Pro inferno com os pontos corridos!

Ainda bem que acabou...

Em suas três passagens anteriores pelo Palmeiras, o Madureira precisou disputar 95 jogos no Palestra Itália para perder quatro vezes. Em 2008, bastaram 28 partidas para alcançar o mesmo número. Não à toa, todos os resultados negativos se deram sem que o time marcasse um gol sequer, em jogos em que a reação pareceu sempre distante.

Foi assim ontem mais uma vez e o Palmeiras conseguiu encerrar uma temporada decepcionante com nova derrota para os sem-salário do Botafogo. E só não foi um fracasso retumbante – mais um! - porque Caio Júnior, o bom moço, pagou ontem a dívida contraída um ano atrás no mesmo Palestra Itália.

Incomoda saber que dependemos de outros para alcançar um objetivo que parecia tão certo. E existe ainda a desolação por sabermos desde agora que a caminhada na Libertadores/2009 será um pouco mais complicada simplesmente porque Madureira, comissão técnica, elenco e dirigentes resolveram perder o foco na hora da decisão.

E isso não se aplica apenas ao ocorrido ontem, mas a toda a fase decisiva, pois o Madureira conseguiu, depois de abrir sete pontos de vantagem, deixar o Palmeiras a 10 pontos do título.

Não sei para vocês, mas o que fica de 2008 para mim é uma enorme decepção, a mesma que eu relatei após a derrota para o Flamengo. E eu não consigo enxergar nada que seja muito animador para a próxima temporada.

Nunca foi tão necessário entrar em férias...

***

ERROS, FALCATRUAS E FALTA DE LIMITES

Quanto ao restante, tentarei ser breve, pois eu sinceramente não agüento mais tanta sujeira. Vamos lá:

O SPFW é uma entidade abjeta por definição. A história está aqui, bem documentada, e basta ter um pouco de decência e discernimento para não tomar o rumo errado. Há, no entanto, quem prefira seguir o caminho mais fácil – e mais sujo –, pois parece bem cômodo cantar vitória sem fazer esforço.

Feita a introdução necessária, prefiro não emitir opinião ainda sobre o caso do suposto suborno. E faço isso porque as informações ainda são desencontradas e também porque não confio em nenhuma das figuras aí envolvidas (Del Nero, Teixeira e dirigentes bambis são todos da mesma estirpe).

O que pode ser dito é que os bambis bateram ontem o recorde estabelecido em 2007: depois dos 12 pontos dados de presente pela arbitragem no ano anterior, os leonores chegaram aos 14 pontos nesta temporada. E é sintomático que tenham conquistado a última vitória na competição logo com um gol impedido.

Como sintomático também é que tenham demonstrado novamente total falta de limites em tudo o que fazem. Só isso dá conta de explicar como um clube pode, depois de tudo, chegar ao estádio em que deveria ser visitante e tentar tomar à força o vestiário e o banco de reservas destinados à equipe mandante. Diga-se de passagem, a perda de limites é uma atitude típica de crianças mimadas que não aprenderam regras básicas de convívio social.

Quanto às criaturas que pensam agora ter direito a festejar algo que desconhecem, deixo aqui o link para o post que expressa o meu desprezo por essa escória.

Para finalizar, a frase de um dirigente leonor é representativa de tudo o que é dito por aqui. Do Painel Leonor de ontem:

"Se o São Paulo for campeão, nós não vamos fazer DVD da "Batalha do Bezerrão""
De JOÃO PAULO DE JESUS LOPES , dirigente do São Paulo, ironizando a "Batalha dos Aflitos", que levou o Grêmio de volta à Série A


Perceberam o despeito, a empáfia e a arrogância? É justamente o desdém para com uma vitória épica que caracteriza esta gente mimada. Deve ser a reação de quem sabe que pode contar com o apito amigo sempre que necessário. O que eles não percebem é que podem ganhar o que for, mas nunca deixarão de ser um clube abjeto.

***

Sobre o Vasco (e Edmundo), tento escrever depois. Mas estou tentando fingir que nada aconteceu em São Januário, pois é tragédia demais para uma tarde só...

04 dezembro 2008

A despedida


Crédito da imagem: Palestrinos

Temos um encontro marcado neste domingo, como acontece quase que semanalmente há mais de década. Será mais um entre os quase 400 que já tivemos. E não deveria ser tão importante, admito, a não ser pelo fato de que pode ser o último. Não o último de todos, o que soa alarmista, mas o encontro que pode encerrar uma era.

Por mais que o futuro próximo não esteja assim tão nítido, sabemos, você e eu, que as tais mudanças estruturais devem mesmo começar muito em breve, de tal modo que o encontro de domingo é provavelmente o último com cara de decisão. É isso que enseja o clima de despedida que transmito agora. Não gostaria que fosse assim, mas é inevitável, como muita coisa na vida.

Dizem por aí que é para o seu bem, e que não se pode contrariar os ares europeus de modernidade que sopram também pelos nossos lados. Dizem. Eu não sei. Só sei que gosto de você assim, do jeito que te conheci. Foi assim que aprendi a te amar.

Gosto de você assim pela tradição, pela beleza arquitetônica, pelos detalhes que remontam ao século passado. Porque suas alamedas exalam história e porque só você consegue ser grandioso e acolhedor ao mesmo tempo. Porque só no Jardim Suspenso, com a vista que você oferece sem fazer cerimônia, respira-se o ar vitorioso de tantas conquistas. E porque só aí, entre a vegetação de um lado e os arranha-céus do outro, é possível se sentir em vários lugares ao mesmo tempo.

Foi assim, com suas arquibancadas apinhadas de gente, que vivi alguns dos momentos mais felizes da minha vida. Debaixo de sol ou chuva e sob frio ou calor. E não é fácil deixar isso tudo para trás.

Não é fácil saber que logo não poderei ter a visão das velhas chaminés ao fundo, lá na Matarazzo, em contraste com as modernas torres comerciais que surgiram depois. É bem difícil, tanto quanto será não mais poder me sentar lá atrás do gol e observar o que se passa nos caminhos que levam ao centro da metrópole, com seus edifícios que se sobrepõem uns aos outros e as luzes de carros e faróis a ocupar as largas avenidas que te circundam.

Tampouco será fácil perder o direito aos dias de folga na piscina do clube, olhando para suas arquibancadas vazias, como que em repouso, à espera do próximo encontro com a massa que te completa.

É tanto mais difícil porque, você sabe, eu tenho um pé no passado. É um defeito, eu bem sei, mas não consigo me livrar deste saudosismo enorme e do romantismo que me levam a te escrever agora.

E, confesso, não consigo entender porque as pessoas gostam tanto dessa tal modernidade. Eu aprendi a te amar quando você ainda tinha iluminação de boate, com estrutura precária e sem as reformas mais recentes, que te modificaram timidamente perto do que está por vir.

Aprendi a te amar ainda sem grades ou separações físicas na arquibancada e sem o setor elitista, o que me permitia migrar de um lado para o outro sem restrições, ainda que com o intuito pouco nobre de maldizer rivais ou inimigos que tantas vezes já vieram te visitar. Acima de tudo, o bom era exercer o saudável hábito de andar de um lado para o outro para encontrar os amigos.

É, tem isso ainda, os amigos. Tantos deles eu conheci por sua causa, e sei que estes serão, como você, parte da minha vida para sempre.

Difícil saber o que vai restar de você depois de tudo o que vemos nesses projetos tidos e havidos como inovadores e pioneiros.

Não sei mais se poderei passar pelo mesmo portão ou subir para a arquibancada pela mesma escada que uso hoje. Não sei se meu(s) lugar(es) continuará(ão) lá, tampouco se a visão do campo será igual à de agora. E as pessoas, mesmo essas, poderão ser outras, porque há um preço a se pagar por essa tal modernidade.

Certo é que nada mais será como antes.

Por isso, ao menos neste domingo, vou fazer tudo do mesmo jeito, como um ritual que exerço já sem a devida consciência. Entrarei pelo mesmo portão, passarei pela mesma catraca, usarei o mesmo banheiro, subirei pela mesma escada, encontrarei os amigos de sempre e ficarei no mesmo lugar (dentro do que hoje me é permitido).

E prometo olhar com um pouco mais de atenção e carinho para cada detalhe seu, pois quero guardar bem na minha mente a imagem de um Palestra Itália que meus filhos infelizmente não poderão conhecer.


Crédito da imagem: Palestrinos

Biografia de madame

Biografia de madame, do Cruz de Savóia.

Qualquer introdução é dispensável. Leiam, por favor. Só isso.

02 dezembro 2008

De absurdo em absurdo

O Goiás resolveu cobrar R$ 400 por um ingresso para o jogo do próximo domingo contra os leonores. É absurdo, e isso não se discute. Como absurdo também é que a partida decisiva do BR-08 seja disputada não por SPFW e Grêmio, os dois melhores times do campeonato, mas por um terceiro clube, sem pretensões e que, ainda por cima, foi punido com a perda do seu mando de campo.

STJD à parte, a decisão em campo neutro é uma dessas aberrações possíveis nos tais pontos corridos, sistema tão defendido pelos que pregam a justiça no futebol. Mas que justiça existe, pergunto eu, se o SPFW poderá fazer a decisão em campo neutro e, provavelmente, com mais torcida que o suposto mandante? Onde foi parar a isonomia?

Vejamos: todos os times enfrentaram o Goiás no Serra Dourada, exceção feita aos sem-salário do Botafogo e ao SPFW. Palmeiras (2 x 3), Flamengo (1 x 2) e Cruzeiro (0 x 3) foram derrotados em Goiânia; só o Grêmio (3 x 0) foi buscar os três pontos. Mas todos eles foram até a casa do Goiás, porque é assim que deve acontecer. Menos, vejam só, o clube do Jd. Leonor e logo na última rodada.

Entendam, pois, que eu estaria fazendo tal observação mesmo se fosse o Palmeiras a ser supostamente beneficiado com o duelo em campo neutro. Não se trata de advogar em causa própria, sugerir uma eventual tentativa de favorecimento (que eu não descarto) ou desmerecer o título do SPFW - que poderia acontecer mesmo em Goiânia -, mas sim de desmistificar um pouco o argumento único de quem defende a suposta justiça dos pontos corridos.

O sistema de pontos corridos representa, na minha modesta opinião e sem meias palavras, uma excrescência. A meu ver, a decisão de um título deveria efetivamente acontecer olho no olho, entre os melhores times, um jogo aqui e outro lá, como sempre foi. E como é a tradição do futebol brasileiro desde sempre.

Por que cazzo, pergunto novamente, deve o Goiás arcar com a responsabilidade de decidir o campeão? O que ele tem a ver com isso? E por que a decisão deve acontecer não no Olímpico ou no Jd. Leonor, mas no Bezerrão? Por que o STJD pode ter tanta influência? Não seria mais digno SPFW e Grêmio se enfrentarem em dois jogos?

Reitero que defendo isso tudo desde 2003, ano da primeira disputa nesses moldes e da qual o Palmeiras sequer participou
. Desde 2003, quando ainda jogava minhas idéias no blog antigo. Posso depois procurar links mais antigos com outros argumentos, mas, de imediato, deixo este aqui, bem recente.

Para finalizar e concretizar a idéia lá do início e o título do post: sim, é absurdo que o Goiás cobre R$ 400 por um ingresso. Mas passa a fazer sentido a partir do momento em que o clube se vê proibido de jogar na sua casa e tem de ser coadjuvante de uma festa com a qual não tem nada a ver.
Absurdo por absurdo, este levado a cabo pela diretoria do Goiás é coisa pequena diante de todo o resto.

De absurdo em absurdo, vamos de pontos corridos mesmo...

***

Isto aqui é genial. Merece o link de atualização.

01 dezembro 2008

Boas e más intenções

Salvador, ontem à tarde: houve um pênalti para o Palmeiras e outro para os baianos. Bozzano, o filho, não marcou nenhum dos dois porque é ruim mesmo. É este também o problema de seus dois assistentes, que viram impedimentos inexistentes de Kléber, no primeiro tempo, e Alex Mineiro, no segundo, sendo que este último lance resultaria na expulsão do goleiro adversário, que já era o reserva. Não é o caso de se falar em má intenção, pois houve também o lance do Marcos, mas o essencial é que Bozzano é um daqueles árbitros ruins por definição, da safra dos bananas, tal qual o pai.

Acontece que os pobres de espírito têm sempre a (má) intenção de criar teorias conspiratórias e mostrar que o mundo se divide entre mocinhos e bandidos, de acordo com a conveniência. É este o papel de JK e sua rede de blogueiros do mal. A coluna do Juquinha na Folha de hoje traz essa pérola: “Sorte do Palmeiras, que por pouco não ganhou e não perdeu do Vitória, em tarde fraca e confusa de Marquinhos, que o defenderá no ano que vem, contratado pela Traffic que, a exemplo do Grupo Sonda, vive óbvios conflitos de interesse, principalmente em relação ao que deva ser o espírito esportivo e a mulher de César, aquela que não basta ser honesta, precisa parecer.”

Eu vi um pouco de tudo no bom duelo de Salvador, mas não notei qualquer confusão na presença de Marquinhos, que armou o time, cruzou, chutou a gol e ficou em campo do início ao fim. Mas Juquinha, o leviano, tem aquele dom extra-sensorial de acompanhar todos os jogos da rodada de uma só vez, o que permite que, com a bunda bem instalada em frente à sua TV de última geração, veja aquilo que ninguém mais consegue ver.

De resto, e é isso que importa, valemo-nos dos tropeços de nossos rivais diretos para que a vaga na Libertadores ficasse em nossas mãos, em condições favoráveis ao extremo. E é claro que devemos estar vacinados depois de tantos e tantos tropeços inacreditáveis na nossa casa, mas este Botafogo não pode ser a versão 2008 do que foi o Galo em 2007. Até porque, é sempre bom registrar, Caio Júnior, o bom moço, aprontou das suas ontem no Maracanã.

***

Teve jogo aqui em SP ontem, é isso? Ok, deste assunto tratarei nos próximos dias, com a devida atenção e de maneira analítica, que é só o que se pode fazer agora. Por enquanto, deixo aqui uma singela notinha do Painel FC de hoje. Coisa fina, de elite mesmo. Vejam, pois, que é este o homem que alguns de vocês ajudaram a eleger:

Pegadinha. Instalado na tribuna da presidência do São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab divertia-se no começo do jogo passando trote pelo celular em Valter Feldman, seu secretário de Esporte.

Não venham dizer que eu não avisei lá atrás...

28 novembro 2008

Questão de justiça

A bem da verdade:

1. A FSP de hoje, sexta, traz reportagem que mostra porque o SPFW chega agora ao seu terceiro título consecutivo no Brasileiro por pontos corridos. Planejamento adequado ao (infeliz) sistema de disputa, manutenção de comissão técnica permanente, time que sobrou fisicamente no segundo turno. E eu acrescentaria aí o fato de os dirigentes leonores estarem preocupados em fazer o possível, o impossível, o indecente e o imoral
para levar o time às conquistas. Bem ao contrário da nossa diretoria de bananas, que parece enxergar apenas votos, tentativas de golpe e vaidades cretinas.

2. Novas imagens mostram que não houve pênalti para o Flamengo no Mineirão. O árbitro acertou. E mesmo que tivesse errado, é injustificável o tamanho do protesto feito pelo Flamengo, que, vejam vocês, mandou dossiê para a FIFA! Tantos erros piores – normalmente a favor do clube carioca – já foram registrados e a coisa nunca atingiu tal nível. É fora de propósito que isso aconteça logo em um lance duvidoso. E é ainda mais absurdo que a CBF aceite tal pressão.

3. Parece incoerente que o Palmeiras tenha tanta gente indicada para o prêmio dos melhores do Brasileirão. Mas é também sintomático do seguinte: com o que tinha em mãos, o Madureira tinha a obrigação de ter chegado ao título. Como não chegou lá, não poderia jamais figurar entre os três melhores técnicos do campeonato.

4. Malditos sejam os pontos corridos! (E o desabafo não tem relação direta com a afirmação número 1, mas com o fato de eu ser contrário a esse sistema de disputa desde o blog antigo, ainda em 2003.)

26 novembro 2008

O colunista e os blogueiros do mal

JK e sua rede de blogueiros do mal já não se importam em perder o pouco que tinham de vergonha na cara. Enquanto o Cruz de Savóia mostra como eles todos escrevem em um único tom, sem medo da exposição ao ridículo, o Opinião Verde e o OV fazem boas análises das incoerências presentes no discurso ético-moralista do Juquinha.

Mas a imprensa nem sempre faz esse jogo de maneira tão acintosa. Os ataques são normalmente mais discretos, mas igualmente mal intencionados e provavelmente mais destrutivos. Vejamos o caso da Folha de S.Paulo da última segunda-feira.

Título da reportagem de capa do caderno de Esportes:




Ok, sem problemas. E o texto não compromete.

Vejamos a assinatura:



É isso: o titular do Painel Leonor – com suas notinhas sempre maliciosas – foi cobrir a vitória dos bambis em São Januário. Não que eu tenha algo contra, pois o cara não deixou de ser repórter e nada impede que seja escalado para essa ou qualquer outra cobertura, mas é também bastante sintomático que isso tenha acontecido só agora.

Pensando bem, talvez tenha sido melhor assim, porque os leitores fomos poupados daquele outro, o tal das poesias na hora errada.

Mas aí, virando a página, temos o infalível Painel Leonor, assinado pelo colunista/repórter de sempre e desta vez com um arsenal de notinhas bambis. Destaque para esta aqui:




Vejam que o cara sabe o que faz, pois consegue provocar três times (e estádios) em uma única nota. Do nada e sem qualquer explicação lógica, ressuscita a questão do gás em momento nada adequado, faz ironia com algo sério e mostra toda a arrogância da escória.

E eu consigo até imaginar o nosso amigo colunista sentado à mesa com JJ Scotch Whiskey e demais cardeais leonores, todos ansiosos para ver mais uma de suas notinhas safadas ganhar as páginas do jornal mais lido do país.

25 novembro 2008

Sobre oportunismo barato

“Eu vou no jogo domingo!”

A criatura diz isso com um misto de deslumbramento, surpresa e orgulho, como se este último fosse possível a quem nunca antes abriu a boca para falar de futebol.

Notei que ela esperava algum comentário, resposta ou reação, qualquer que fosse, positiva ou negativa. Que nada. Naquele momento, eu bem gostaria de contemplar a minha expressão de desprezo, que é tudo o que posso dedicar a tal criatura.

Acontece que este ser não pertence apenas ao meu círculo de convivência. E não é um caso único, infelizmente, o que leva qualquer um de vocês a também correr o risco de ficar diante de tal situação. É mais do que provável que isso já tenha acontecido nos últimos dias.

E pode não ser algo na linha "vou ao jogo", mas um nick no MSN, um comentário infeliz, uma foto no orkut, uma piada deslocada, uma tentativa de puxar conversa. Qualquer que seja o caso, é nítido que a criatura fala de algo que não entende. Pior: fala de algo que não conhece. E o faz apenas porque carrega um pouco dessa genética do oportunismo barato que é tão peculiar a certas pessoas.

Assim, de uma hora para a outra e por uma causa bem pontual, quem jamais se manifestara sobre o assunto resolve pagar de torcedor por um dia, por uma semana, o que seja.

“Torcedor”? Não, não, a palavra correta é “platéia”, pois é tudo o que a criatura pretende ser, à medida que vai ao estádio não para torcer (ela nem saberia como fazer isso...), mas para assistir a algo que, em sua mente alienada, já tem o resultado definido.

E tem mesmo, o que evidencia o oportunismo.

É também emblemático que o ingresso tenha chegado à criatura sem qualquer esforço, por obra de outros, como se tudo fosse fácil.

Mas eis então que a criatura, pobre dela, sente-se no direito de comemorar algo que faz questão de desconhecer durante todo o ano.

O desprezo é a única reação cabível, pois o deslumbramento não resistirá ao tempo, e ela terá se esquecido de tudo aquilo em questão de dias. É assim, na base do desapego à memória e do oportunismo barato, que se multiplica o gene da alienação.

Vejam, caros aficionados, a situação que enfrentamos: dentro de pouco tempo, estaremos indo ao estádio para ver um desimportante Palmeiras x Mogi Mirim numa quarta-feira à noite chuvosa e encontraremos, antes ou no caminho, esta mesma criatura. Ela dirá, com ar de desdém: “Você é louco de ir nesse jogo...”


E você, como eu, novamente não precisará dizer nada. Um olhar, com misto de desprezo, orgulho e superioridade, será o bastante. É tudo que ela merece.

***

Essa pessoa, entendam, é fictícia, mas inspirada em muita gente que convive ao meu (e ao seu) redor. Por isso, usei o termo “criatura”, que serve aos dois gêneros. Nada tenho contra tal pessoa, que pode até ser boa gente. E bem poderia ser minha amiga, sem problemas. O que acontece é que ela não tem a menor condição de dirigir a palavra a mim (ou a você) quando o assunto é futebol. E não tem direito algum de se proclamar vitoriosa.

Ainda em 2006, publiquei um post aqui debatendo essa história toda. Falava sobre o direito que alguém tem de se dizer campeão. Dois anos depois, o texto continua a fazer sentido. O link está aqui.

Em tempo: para não generalizar, este hipotético Palmeiras x Mogi Mirim numa quarta à noite chuvosa bem poderia ser um SCCP x XV de Piracicaba ou até um SPFW x Portuguesa Santista, pois mesmo neste último caso há gente que não se guia pelo oportunismo barato.

24 novembro 2008

Sobre derrotados e vencedores

Como em todo o restante do material que os senhores podem encontrar neste blog, falo por mim – e só por mim –, mas essencialmente sem o oportunismo barato que caracteriza aqueles que só sabem aparecer na hora de comemorar. Eis o que temos:

Mais do que tudo, preocupa entrar no Palestra já com o peso da derrota sob as costas – e eu deixei para subir a escada apenas ao término do Hino Nacional, pois queria sentir isso o menos possível.

Foi então que olhei para aquele grupo de jogadores com o desprezo que se dedica aos derrotados, pois é isso que eles são, a começar pelo treinador e feitas as três exceções de praxe, logo os dois que foram às redes e o santo que deixou um zero no placar.

É natural pensar assim, pois eles conseguiram sair dos sete pontos de vantagem após a heróica vitória no Mineirão para a atual desvantagem de sete pontos. Inacreditável? Bom, ficou mais fácil de entender ao assistir, ainda na minha casa, à vitória leonor em São Januário. Já fora assim no Canindé, in loco, duas semanas atrás, quando, a bem da verdade, senti a derrota, mais até do que no Palestra, no Maracanã ou na minha casa.

E o resultado de ontem foi claramente mais dramático, pois levou também ao rebaixamento do Vasco. Triste que tenha sido assim, mas parecia mesmo inevitável. E por mais que seja possível, é pouco inteligente argumentar contra algo chamado competência.

A competência, no entanto, ocorre dentro de campo - e não nas arquibancadas leonores - e tem como complementos toda a já conhecida sujeira dos dirigentes, o apito bambi, o apoio midiático e tudo aquilo que é dito neste e em outros blogs.

Se a competência não pode ser contestada, é necessário reforçar que a genética oportunista desta gentalha desponta mais uma vez. Vejam vocês que as meninas ficaram caladas o campeonato inteiro, em silêncio e sem dar muita importância para nada, para então aparecerem no final, enchendo a boca para festejar algo que não fizeram por merecer. Bastante típico.

É a geração vitrine. Gente baixa, sem escrúpulos, sem dignidade. Gente forjada em tempos perdidos, de valores morais deturpados e em que o caráter de uma pessoa conta pouco. Gente que desconhece a própria história e vive do esforço alheio, pois só o que se valoriza é a conquista a todo custo. Gente sem alma. Sub-raça mesmo.

Ontem, no Palestra Itália, havia um grupo de derrotados dentro de campo, mais alguns à beira dele e outros tantos nos camarotes. Mas havia também vencedores, poucos no gramado e milhares do lado de fora, na arquibancada, no Visa, nas numeradas. E mesmo quem não pôde ir, mas fez parte da campanha, acreditando desde o início, mesmo contra o boicote interno.

Acredite, palestrino: eu, você e todos os que fomos ontem ao Palestra somos muito mais vencedores do que 80% dos oportunistas que devem ir ao estádio do Jd. Leonor no próximo domingo - e mais do que esse imbecil que trabalha com você e resolve agora falar besteira depois de passar o campeonato todo ausente.

Mais vale defender um ideal e manter a dignidade na derrota do que fazer número em uma massa alienada, que comemora algo sem lutar.

21 novembro 2008

Filhinho de papai

À exceção dos outros três cariocas, todos os participantes do Campeonato Brasileiro vão a São Januário enfrentar o Vasco. Todos. Mas só um reclama. E o faz não por enfrentar qualquer tipo de problema real, mas porque gosta mesmo é de fazer um jogo de cena típico de tantos e tantos meninos mimados que se espalham por aí nesses tempos deformados.

O chororô com jeito de protesto não acontece depois do jogo, por um incidente qualquer, mas antes, de modo a já criar um clima desfavorável ao dono da casa. Seria apenas uma jogada de bastidores, mas a coisa adquire outra dimensão graças ao apoio midiático, a cada dia mais descarado.

Sim, pois a imprensa, tal qual um pai preocupado com o filho que vai brincar na casa do vizinho, logo se põe a levantar as mazelas de outros campos. Pouco importa se não houver problema, pois ainda tem jornalista muito criativo pelas redações paulistanas. Para ficarmos em um único exemplo: lembram disto aqui?

Pois bem, fosse apenas agora e tudo pareceria aceitável, dado o caráter decisivo da partida a ser disputada no próximo domingo. Mas não é. Apenas neste 2008 que ainda não chegou ao fim, vocês já acompanharam críticas (prévias) aos estádios de Palmeiras, Santos, Portuguesa, Grêmio, Brisa do Paraná, Náutico, Ixpót e Nacional do Uruguai, isso só para ficar nos exemplos mais contundentes.

E aí chegamos ao Goiás, que perdeu o mando de campo e não poderá receber as meninas no Serra Dourada. O duelo provavelmente seguirá para Itumbiara, mas os bambis, segundo a Folha, “torcem o nariz” para essa escolha. Aí aparecem os nomes de Uberlândia e Brasília, sendo que este é o palco preferido dos bambis. Alto lá! Como assim “preferido”? Que direito eles têm de preferir este ou aquele local para o mando de campo de um adversário?

Eu vejo apenas um direito: o do filhinho de papai que não pode ser nunca contrariado, simplesmente porque foi acostumado assim. Tal qual um menino mimado, o SPFW quer sempre que seus interesses prevaleçam sobre os demais.

Para isso, nada melhor que contar com uma figura paterna que tenha força. E esta, no caso, é a imprensa esportiva, que trata o SPFW com toda a benevolência possível. Assim, é natural que jornais, sites e emissoras de TV vejam (ou criem) ameaças externas em qualquer lugar que não seja o Jd. Leonor.

É um tal de reportagem investigativa pra cá, denúncia pra lá e o zé-povinho logo passa a acreditar no que é dito. Vejam vocês, meus caros, que até o Globo Esporte, programa de telejornalismo da emissora câncer, trouxe ontem uma reportagem sobre os “perigos de S. Januário”, com direito a infográfico, imagens aéreas e o escambau.

Parece aquele pai super-protetor querendo defender o filhinho dos perigos mundanos. E como todos os vizinhos são suspeitos, melhor disparar o alerta antes. Já que não pode fazer como tantos pais idiotas, que prendem o filho no condomínio fechado para que ele não se misture com as outras crianças da rua, o que a imprensa tenta fazer é blindar as mocinhas leonores de toda e qualquer "maldade".

Isso já encheu o saco! Bem que a CBF podia mudar o regulamento do BR-2009, marcando todos os 38 jogos dos bambis para o Jd. Leonor. Em nome do espetáculo, a imprensa apoiaria. E o filhinho de papai bambi ficaria todo feliz por receber os “amigos” todos na sua casa sem sujar a roupinha nova...

***

Domingo, para cumprir tabela e por dever de ofício, nos vemos no Palestra uma vez mais. E bem cedo, pois temos uma boa preliminar.

18 novembro 2008

O poder da manipulação

Diz o Meio&Mensagem que o SPFW deve inaugurar em 2009 um Setor Visa no estádio do Jd. Leonor. Ok, tudo certo. Eis o que temos: os pioneiros, modernos e arrojados dirigentes bambis seguem o exemplo do Palmeiras – e do Figueirense, do Botafogo e do Santos – e resolvem facilitar a vida do seu torcedor. Ou elitizar o esporte, como queiram. Não que eu veja grande vantagem no fato de a nossa diretoria ter saído na frente, mas é sempre bom, por precisão jornalística, informar as coisas como elas são.

A matéria, com cara de release institucional, está aqui. Apresenta tudo o que já se conhece há mais de ano no Palestra Itália e, claro, vem repleta das habituais baboseiras bambis. Seleciono aqui três trechos do release, ops, matéria:


1.
“Os 20 mil lugares estarão distribuídos entre o andar térreo do estádio (Morumbi Concept Hall), Morumbi Premium e na arquibancada superior vermelha.”

Passa batido para os jornalistas, mas não para o torcedor. Eis aqui o ponto intrigante: sabendo que a arquibancada vermelha é destinada, em clássicos, à torcida visitante, como ficará a divisão do público nos próximos jogos do SPFW contra Palmeiras, SCCP e Santos?


2. “O presidente do São Paulo Futebol Clube, Juvenal Juvêncio, destaca que o Setor Visa é o primeiro passo para o respeito à nação do futebol e a cultura de massa brasileira. "Esta é a carta de alforria. É o novo momento do futebol que respeitará o grande público. O significado desta parceria serve para mudar o momento que vivemos em torno dos ingressos, com filas, cambistas e malandragens. Somos definidores de uma nova fase que pregará o respeito ao cidadão", decreta Juvêncio.”

Notem que JJ Scotch Whiskey, em mais um surto psicótico e alcoólico, impõe a sua opinião como algo incontestável. “Decreta Juvêncio”, diz o texto. E todo o parágrafo, provavelmente vindo da assessoria de imprensa leonor, é por demais fantasioso. Vejamos: “... é o primeiro passo para o respeito à nação do futebol e a cultura de massa brasileira”. Faltou uma crase aí, mas o problema maior é o tom faraônico de tudo isso, como se fosse a primeira iniciativa concreta e não apenas uma cópia do que foi implantado pelo Palmeiras há, repito, um ano. A aspa de JJ é emblemática: “Somos definidores de uma nova fase que pregará o respeito ao cidadão”. Sim, é isso que vocês leram. E é isso que a mídia compra sem pestanejar.


3. Por fim, destaque para alguns dos presentes à “solenidade de lançamento do acordo”: Rui Ohtake, o arquiteto falastrão; Júlio Casares, o marqueteiro do mal; e, claro, Ademar de Barros, presidente do Conselho Deliberativo do SPFW. E ficamos por aqui.


Pra finalizar: se você é leitor habitual deste blog, deve saber que eu sou contra o Setor Visa. Não se trata, pois, de me orgulhar da iniciativa pioneira do Palmeiras. A questão que proponho aqui é a exposição do poder da manipulação bambi, quase uma síndrome da corja oportunista. Notem que eles conseguem aparecer como arrojados, visionários e pioneiros mesmo quando apenas copiam o que já foi implantado por um clube inimigo e da mesma cidade. “Somos definidores de uma nova fase". E a imprensa compra a história.

17 novembro 2008

Fim da linha

É bastante estranho, mas não consegui sentir ontem nada parecido com raiva, tristeza ou frustração. Nada disso. Enquanto caminhava do Maracanã ao Shopping Tijuca e depois, na longa viagem para São Paulo, só consegui sentir alívio. Sim, alívio. Tanto é assim que deixamos o campo ainda restando 15 minutos para o final, pois já não fazia sentido ficar ali para ouvir a festa rubro-negra e provar de uma humilhação que poderia ser ainda maior do que foi.

O alívio que senti é provavelmente o resultado de todo o cansaço (físico e mental) por esta longa temporada, de um começo sem casa, muitas viagens e de um sonho que chega ao fim de maneira ao mesmo tempo abrupta e ensaiada. Deve ser o conformismo de poder jogar a toalha e não ter mais nada a fazer para evitar o pior. Alívio de não ter mais que lutar, pois tudo já foi destruído por dirigentes, técnico e jogadores. E também pela torcida, pois inoportuna e descabida foi a ação da última sexta-feira.

Este blog, vocês sabem, não se presta a análises convencionais. Sei dizer que o Conrado mandou bem em suas avaliações no Parmerista! e eu não teria muito mais a acrescentar agora. Talvez até escreva nos próximos dias, com alguma análise das muitas que fiz antes, durante e depois da derrota no Rio, mas não sei se é o caso. Só o que resta, e apenas pela obrigação que eu me imponho, é ir aos dois últimos – e melancólicos – jogos em casa.

Por enquanto, prefiro agora encarar o alívio e pensar em outras coisas. 2009 virá e, com ele, novas esperanças. Espero que não consigam destruir isso tudo de novo.

14 novembro 2008

Bonde Boulevard

Não estranhem o título, por favor. Fato é que houve, no início da década, uma faixa nossa com essa inscrição. Fazia referência ao Boulevard, uma casa de esfihas que teve a sorte (ou azar) de se localizar em frente ao nosso ponto de ônibus, no Metrô Ana Rosa. Era dali, onde hoje existe uma agência do Itaú, que saíamos os manchas da Zona Sul (ou Centro-Sul, como queiram) em direção ao Palestra.

É impossível explicar em um post aquilo que vai render bons capítulos do meu livro sobre memórias de estádio. Não tenho essa pretensão agora. Digo apenas que começamos em poucos para chegarmos a muitas dezenas. Lapa H, Lapa T, Vila Madalena, Pompéia, Perdizes; e Vila Mariana, Ipiranga, Vila Monumento, Sacomã, Aeroporto. 875H, 874T, 407M, 478P, 875A. Bons tempos...

Os ônibus partiam lotados em direção à Zona Oeste. E voltavam ainda mais cheios, em noites que invariavelmente terminavam na delegacia ou em uma batida policial. Não necessariamente por algum ato de vandalismo, mas simplesmente porque 70 ou 80 torcedores uniformizados em um ônibus na Paulista não deveriam representar um cenário dos mais agradáveis para as “pessoas de bem”.

Há histórias fantásticas daquele período (1998-2003). Anos de grandes batalhas (no campo e fora dele), de sacrifício, de madrugadas na rua, de longas caminhadas. Mas especialmente de muitos amigos, alguns dos quais permanecem com a mesma pegada até hoje, mais de década depois de tudo ter começado.

Prometo que vai sair o tal livro. As histórias – e os amigos – merecem.

Pena que não tivemos uma história como esta:

Torcedores seqüestram ônibus para ir a jogo

Pouco mais de 70 torcedores do Chacarita Juniors seqüestraram dois ônibus urbanos em Buenos Aires para acompanhar a partida contra o Talleres, na noite de quinta-feira, no estádio do Ferrocarril Oeste. Entre os vândalos, estavam três menores de idade.

Além de aproveitarem a "carona", os 74 torcedores ainda assaltaram os passageiros que estavam nos ônibus. Os veículos foram interceptados na chegada ao estádio e todos os vândalos foram detidos pela polícia local sob a acusação de privação ilegítima de liberdade, tentativa de roubo e interrupção do transporte público.

No entanto, segundo o jornal argentino "Clarín", a passagem dos torcedores pela delegacia foi rápida: 72 deles já estão em liberdade.


Atentem para o tratamento destinado aos torcedores: “Entre os vândalos...”. Digo a vocês que um dos grandes livros já escritos sobre torcidas organizadas leva esse nome: “Entre os vândalos – A multidão e a sedução da violência”. É obra de Bill Bufford, um jornalista que foi atrás de reportagens sobre violência entre os hooligans e se deixou seduzir por isso tudo. Não que seja um exemplo a ser seguido, mas a simples leitura já faria bem a muitos jornalistas esportivos.

Faltou falar sobre a tal faixa do Bonde Boulevard, né? Pois bem, ela foi pintada na raça pelo grande Galuppo, o nosso speaker. Freqüentou as arquibancadas do Palestra por um bom tempo até ser roubada. Não por outros torcedores, mas pela polícia. É, pela polícia.

Isso tudo parece meio anacrônico, mas é que bateu o saudosismo e eu precisava deixar tudo por aqui. Que sirva de inspiração para voltarmos com a vitória do Maracanã.

13 novembro 2008

Libertadores em jogo

Não que milagres aconteçam a toda hora ou que a derrota do último domingo possa ser esquecida, mas um outro duelo decisivo é o que poderia existir de melhor no momento atual: Maracanã, Rio de Janeiro, jogo contra o Flamengo. É até bom que tenhamos 50 mil (ou mais) contra nós, porque crescemos nas adversidades. A vaga da Libertadores está em disputa, e lá vamos nós ficar ao lado do Palmeiras e fazer a parte que nos cabe neste final de temporada.

A boa notícia é que o comando do policiamento carioca solicitou que a torcida alviverde ficasse não nas cadeiras azuis, como virou rotina de um ano para cá, mas sim na arquibancada verde, ao lado das cadeiras especiais, de onde nunca deveríamos ter saído. Ainda bem que foi assim, e pelo menos a definição veio antes do jogo. Em se tratando de jogo contra o Flamengo, só muda o acesso. Dá pra ir pelo Bellini, claro, mas subir pela rampa da UERJ é bastante mais recomendável.

11 novembro 2008

Schmittão 2008

Fatos, apenas fatos:

O Palmeiras viu seus jogadores irem ao tribunal do senhor Paulo Schmitt 19 vezes nesta edição do Brasileiro. 19 vezes, incluindo recursos da procuradoria para Diego Souza e Kléber, dois de nossos atletas mais importantes. Cada um deles, diga-se, foi cinco vezes a julgamento, a maioria nos últimos dois meses.

Se 2007 ficou marcado pela suspensão de cinco jogos imposta a Valdívia na reta final, tivemos em 2008 o nosso poderio ofensivo novamente destroçado pelos magistrados do STJD, desta vez com a punição oportuna e oportunista ao nosso único meia armador.

Diego Souza, é bom dizer, nada fez para ir a julgamento nem uma, tampouco duas vezes. Logo ele, vejam só, que já fora excluído da decisão anterior, contra as moças do Jd. Leonor. E Kléber, o outro perseguido, não pôde jogar domingo agora apenas e tão somente porque o tal Seneme resolveu fazer graça na rodada anterior.

São fatos, e outros tantos poderiam ser citados por aqui, inclusive as desavergonhadas punições a atletas do Grêmio, posteriormente revertidas pelo efeito suspensivo. Acontece, no entanto, que está por vir um novo julgamento para esse povo todo e o momento pode ser bastante propício, não acham?

Só não será mais propício que esta decisão mais recente – e apressada –, que tira do Goiás logo três mandos de campo. Serão três jogos longe de Goiânia. A essa altura do campeonato, imagino que vocês todos já saibam quem é que deveria visitar o
Serra Dourada na última rodada, não?

Longe de mim creditar o resultado do campeonato apenas ao STJD ou mesmo aos tantos e tantos erros de arbitragem para o mesmo lado. Longe de mim, pois as nossas falhas foram enormes - volto ao assunto em breve -, mas os fatos estão todos aí.

E há quem diga que temos mania de perseguição...

09 novembro 2008

O crime compensa

Uma derrota como a de hoje deixa a certeza de que não há mais com o que sonhar, e não é só pelo que apontam os números, os resultados e os próximos confrontos. É uma derrota que dói fundo na alma, pois faz algo pior do que aquelas que eliminam de uma vez: deixa o prenúncio de que teremos de participar de algo tão ruim quanto a própria eliminação. E é uma derrota, ao menos no meu caso, que joga por terra todo o esforço deste ano interminável.

Muito pode ser dito – dissecar o cadáver agora é tarefa fácil –, mas nada resolve. Apontar os muitos culpados internos e externos não ameniza o sofrimento. Seria fácil vir aqui e culpar a dobradinha Seneme/Schmitt, que destroçou o nosso time, mas isso comprova que os erros são estruturais, à medida que a ausência de dois jogadores é capaz de minar por completo o nosso poderio ofensivo.

Seria fácil também vir aqui e jogar a responsabilidade no Madureira, no seu surto global e nas escolhas bastante questionáveis, na falha e no conseqüente destempero do nosso maior ídolo ou na completa inaptidão de uns e outros que vestem a nossa camisa. De nada adiantaria, como inútil seria blasfemar contra a maldita escolha da camisa amarela para uma decisão na nossa casa.

Porque, ao final, são detalhes.

Detalhes que não resistem a uma análise mais ampla e com viés histórico, que deve ser feita o quanto antes e sob a luz dos acontecimentos todos.

Ficou difícil entender?

Pois eu digo que fui ontem ao Canindé, em companhia do nosso speaker, figura das mais sábias de que se tem notícia. E senti a derrota já campo da Portuguesa, pois o que acompanhamos por lá ilustra bem essa análise tão necessária. Tudo dá certo para a sub-raça, meus caros. Tudo, tudo, tudo. Se há três falhas defensivas, estejam certos de que elas acontecerão para o mesmo lado. E não será o lado do bem.

Não comentei com o Galuppo enquanto deixávamos o Canindé, mas eu senti o baque ontem mesmo. Mais ainda porque enquanto sofríamos e torcíamos, tal qual dois italianos, por um time que nem era o nosso, a vitória, com uma naturalidade que incomoda e impressiona, foi cair do céu logo para quem não estava nem aí para a coisa toda.

Fácil, fácil. Como se fosse inevitável.

E é muito por isso que deixei o Palestra hoje com a certeza de que é preciso repensar certas coisas. Não sei se vocês esperavam algo diferente deste blog, mas eu realmente estou cansado e sem forças para transmitir qualquer coisa que não a desolação de momento e a convicção de que algo precisa mudar. A começar por mim.

07 novembro 2008

Chegou a hora!

Às vésperas da aguardada decisão contra o Grêmio, Paulo Schmitt, o procurador, resolve tirar da batalha um dos nossos guerreiros. Na seqüência, o desqualificado André Krieger, vice de futebol do Grêmio, dispara a seguinte frase: “Este resultado representa a seriedade do tribunal. Foi restabelecida a situação de igualdade entre os competidores. Diego é um bom jogador e o Palmeiras perderá tecnicamente com isso”.

Não sei o que é pior. Sei apenas que adquire ainda mais relevância a Carta aos chorões, publicada neste blog no último dia 22 de setembro. Vale acessar o link para conferir o que foi dito lá atrás. Na seqüência, aproveito para novamente propor aos chorões do Sul uma saudável reflexão, além de deixar a mensagem final antes da batalha do próximo domingo:


Gremistas, teóricos defensores do futebol-força,

Um campeonato vale mais que a honra de vocês? Uma única vitória justifica jogar no lixo tudo o que vocês sempre defenderam? Não é pensar pequeno? De León não merecia mais respeito? E Dinho? E Sandro Goiano? Vocês já pensaram que podem estar jogando no lixo um ideal guerreiro por muito pouco?

De toda forma, por mais que criaturas como este Schmitt tenham direito a essa interferência externa, a batalha ainda se ganha dentro de campo. Sinto muito se vocês se esqueceram disso, mas nós vamos nos encontrar no domingo. Teremos dois guerreiros impedidos de jogar por influências nefastas, é bem verdade, mas ainda haverá 11 homens a defender as nossas cores dentro de campo e mais 25 mil a apoiar um ideal. Até domingo!

Sejam bem-vindos ao nosso campo de batalha!

***


Em tempo: vou ao Canindé amanhã. Se alguém tiver interesse e precisar de informações, basta me procurar.

06 novembro 2008

A obsessão do STJD

Mineirão, 14 de setembro de 2008. Em um lance casual, Diego Souza disputa a bola com o adversário e sai jogando. O juiz manda seguir o jogo, como tinha de ser e também porque o futebol ainda é um esporte de contato. No entanto, o procurador Paulo Schmitt resolve denunciar o nosso camisa 7, muito por influência de um ex-jornalista que adora aparecer. O julgamento ocorreu e veio a absolvição, também como tinha de ser. Paulo Schmitt, no entanto, não aceitou e recorreu da decisão. Na overdose de julgamentos, o mais recente aconteceu hoje. Depois de muito jogo de cena - e quase dois meses transcorridos -, Diego Souza foi punido com um jogo. É o suficiente para afastá-lo do duelo contra o Grêmio, logo aquele em que não teremos o Gladiador Kléber por obra e arte de uma criatura chamado Seneme.

Em linhas gerais, é este o resumo do que aconteceu hoje. E não há muito mais a acrescentar, a não ser reiterar, com ainda mais indignação, o que foi já dito por aqui anteriormente.

05 novembro 2008

Falência moral

Mais de 50 mil foram ao Jd. Leonor no último domingo. As manchetes dos tablóides, jornalecos e boletins informais falam em “recorde de público”, como se existisse mérito no fato de uma massa de alienados passar o ano com a bunda atolada no sofá para então dar as caras quando o time, catapultado pelo apito rosa, desponta com condições de chegar ao título.

Não se fala em oportunismo barato, que é exatamente o que move a sub-raça alienada. Pior: há quem se esforce para transformar deficiência em virtude. “A torcida não estava aparecendo porque o time não jogava bem, mas agora deve voltar”, avalia o técnico rabugento, com a maior naturalidade e sempre com um pouco do seu marketing às avessas. “Ele é autêntico”, dizem os jornalistas, comumente destratados nas entrevistas coletivas.

Eis o fato inconteste: em oposição ao sumiço de todo o campeonato e à apatia rotineira, a presença de mais de 50 mil alienados no antro leonor reforça tudo o que é dito por este blog. E eu não acredito que possa agora escrever algo mais contundente do que o texto que desenvolve o conceito de geração vitrine e que encaminha para outros links também relevantes.

Mas o título lá do alto menciona uma certa falência moral, e ela não necessariamente se relaciona com o exposto acima. Sei que posso ter perdido o timing e que o assunto já foi muitíssimo bem destrinchado pelo Raphaello, mas a entrevista concedida por JJ Scotch Whiskey ao senhor Juca Kfouri não pode passar em branco.

Se você ainda não teve o desprazer, aqui está o vídeo:



Impressiona, logo de início e mesmo para os que o conhecem há tempos, o estado de completa embriaguez do sujeito.

Recomendo que leiam primeiro o que é dito pelo Raphaello, que antecipa muito do que eu teria a dizer. O ponto central é este aqui: “Ali está tudo que construiu o pensamento eugênico de seus “torcedores” de hoje”. É fato: as asneiras proferidas por JJ não dão conta do todo, mas trazem a gênese do oportunismo leonor.

Duas frases são emblemáticas:

“Aquela era uma obra fantástica do poder público...”
(JJ Scotch Whiskey)


Sim, temos dignidade e vergonha na cara e sabemos disso.

“Quando você ouve Juvenal Juvêncio, você entende o São Paulo Futebol Clube”.
(Juca Kfouri)


Sim, JK, nós entendemos.

E percebemos a falência moral do futebol quando um jornalista que se enxerga paladino da ética tenta elevar a exemplo de conduta tudo aquilo que existe de mais sujo no esporte.

04 novembro 2008

Sobre pontos corridos e distorções

Coube a um esfacelado e desinteressado (ou interessado, depende do ponto de vista) Internacional/RS a tarefa de enfrentar o time do Jd. Leonor. Os outros clubes todos que disputam o título tiveram de receber um Inter diferente, sempre perigoso e com a formação titular. Aos leonores, caberá também enfrentar uma tabela bastante amigável se comparada à dos demais postulantes ao título.

Não se trata de sugerir teorias conspiratórias, mas sim de reconhecer uma evidência: os pontos corridos permitem que o destino de um campeonato seja definido não pelos concorrentes diretos ao título, mas logo por um ‘laranja’, um time que não está nem aí para a disputa, caso deste Internacional das últimas rodadas. Pior: longe de qualquer desinteresse, o clube gaúcho poderia ter logo o propósito de prejudicar o seu maior rival, também na briga pelo título.

Vejam: não quero aqui fazer qualquer acusação, mas é irrefutável a constatação de que o sistema de pontos corridos permite uma série de distorções, a começar pelo fato de que o título nem sempre se resolve em uma disputa direta entre os clubes que lutam por ele. E assim, um descompromissado Internacional/RS – ou qualquer outro – pode dar novos rumos à competição.

E não é só isso, já que um grave erro (?) de arbitragem, como aquele da última quarta-feira, pode não representar grande prejuízo para o Botafogo/RJ, adversário dos bambis na ocasião, mas sim para todos os quatro clubes que estão na briga. Para deixar mais claro: de uma só vez, o bandeirinha e o juiz do Engenhão conseguiram ‘roubar’ Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro e Flamengo.

Vai ficando tudo por isso mesmo, com mais dois pontos na conta dos leonores. É bom lembrar, meus caros, que este modelo sem fase final favorece sobremaneira a parte suja do planejamento bambi, que pressupõe erros a favor aqui e acolá, às vezes na seqüência, outras com certo espaçamento, mas quase sempre disfarçados em jogos menores, com pouca atenção da mídia e repercussão esvaziada (que tal um SPFW x Vitória numa quinta à noite?). Mas se a coisa apertar como agora, não há de ser nada: o erro pode vir sem pudores, logo em um jogo com TV para todo o país.

Somados todos os erros, os números são bem consistentes. Foram 12 pontos no último ano e outros 12 em 2008. Aos poucos, com a benevolência dos juízes e a complacência da mídia, tudo para não despertar muita suspeita. E assim, todo o nosso esforço e mesmo uma vitória épica como a de domingo podem não servir de nada.

Para que não pareça exagero da minha parte: questionados sobre o suposto favorecimento da arbitragem, os dirigentes bambis e mesmo alguns jornalistas nada desinteressados (em especial a patota do Juquinha) conseguem levantar um único argumento. Sim, trata-se do tal gol do Grêmio, claramente irregular. E pára por aí, em especial porque não seria possível encontrar melhor defesa.

Os lances estão aí. E eu sei que posso me tornar repetitivo, mas prefiro correr esse risco. Só o que não encontrarão por aqui é omissão.

O mal não pode prevalecer de novo!

***

*Canindé, sábado: vamos nos organizar para empurrar a Lusa.

02 novembro 2008

Questão de fé



O que eu disse aqui no início da semana passada foi mais um desabafo que propriamente a certeza de que o título estava perdido. Nunca deixei de acreditar, tampouco de incentivar – e isso, é bom dizer, não acontecerá nem nos piores momentos. O post, portanto, trata da esperança que pode ser renovada com uma vitória como a de ontem. Não se trata de uma fé cega e inabalável, mas sim da convicção moral de que o mal não pode prevalecer mais uma vez.

Hoje, na metade final do segundo tempo, enquanto caía a chuva e o time parecia sem forças para buscar a vitória, fui tomado por um sentimento estranho. Era a hora de deixar de lado o medo de levar o gol a qualquer momento – jogar na Vila sempre provoca esse efeito – e apostar em um gol nosso, salvador, por mais improvável que fosse.

E aí toda a minha superstição nas bolas paradas do adversário cedeu espaço ao incentivo incondicional, quase doentio, como se daquilo dependesse a nossa chance de voltar de Santos com os três pontos. Nada de me benzer e beijar o símbolo na camisa, como se fosse um escudo; era hora de abrir o peito e avançar sem medo.

O grito que saía da garganta era aquele mesmo de grandes decisões, de momentos em que o torcedor precisa empurrar uma equipe já sem forças. E era como se o time, sem comandante à beira do campo, também devesse adotar uma postura suicida, de partir para o tudo ou nada. Tal qual um mantra, era um só o meu pensamento: “O gol vai sair porque o mal não pode prevalecer de novo”.

E assim foi, cantando sem parar, com água caindo do céu, fumaça encobrindo a visão e as faixas de plástico tomando o nosso espaço cada vez mais reduzido na arquibancada da Vila, que vimos um improvável Léo Lima, fora de qualquer posição previsível, esticar o pé, encontrar uma bola perdida e fazer despencar a água acumulada na rede do adversário. De carrinho, no campo molhado, com a chuva caindo e já nos descontos. E eu não pude ver lá do outro lado, mas quero acreditar que voou lama para todos os lados. Pode até não ter sido assim, mas é como eu prefiro guardar na minha memória.

O mal não pode prevalecer!

***

SENEME, NOSSO INIMIGO


Vejamos: Kléber teve um primeiro tempo monstruoso ontem. Não necessariamente pelo gol, mas pelas arrancadas pela ponta, pelos dribles, pelo domínio de bola, pela garra habitual. Fez o que quis pelo lado direito. E apanhou muito. Apanhou, apanhou e apanhou. Como prêmio, teve contra si pelo menos duas faltas marcadas por usar o corpo na dividida e sair com a bola.

Acontece que este Seneme é um daqueles árbitros que não entende o futebol como esporte de contato. Não contente em segurar o ímpeto do nosso camisa 30, meteu-lhe um cartão amarelo e o tirou de um duelo decisivo – e aguerrido – contra o Grêmio. Para complicar, inibiu a sua participação na etapa final. E fica tudo por isso mesmo.

De resto, só um comentário:

Erraram os dois bandeiras, o de quarta no Engenhão e o de ontem. Mas há uma diferença básica entre os dois lances: quando o bandeira não corre para o meio e anula um gol contra o SPFW, o juiz aceita a marcação. São dois pontos a mais na conta dos alienados. Quando, no entanto, o bandeira fica parado e aponta algo que pode nos favorecer, o árbitro não aceita e põe a bola no meio. E depois ainda tem vagabundo oportunista dizendo que não favorecem um lado só...

Aqui tem mais sobre o assunto.

***

O SETOR DOS VISITANTES
Eu continuo sem saber como conseguem enfiar tanta gente em um espaço tão pequeno, metade do que costumava ser. O senhor Marcelo Teixeira está de brincadeira, mas pior que ele é o povo da FPF, que não faz nada para controlar o que acontece na Vila Belmiro. Como não estou com paciência para falar sobre o assunto, deixo aqui um link para o post do ano passado, quando começou toda essa palhaçada.

31 outubro 2008

Dossiê bambi 2008

Temos a edição 2007, iniciativa do Conrado. E agora, graças à inestimável resistência do Raphaello, eis aqui a edição 2008 do dossiê bambi. São dois trabalhos essenciais para documentar aquilo que temos dito por aqui: existe um complô para favorecer o time do Jd. Leonor. Vou evitar falar muito, pois os vídeos do dossiê dizem mais do que tudo. Vê quem quer, protesta quem tem dignidade e faz pouco caso quem não tem alma.
***

Comentário rápido: o Proposta do Arsenal (crédito para o Cesarotti) é o símbolo maior do mau-caratismo impregnado à sub-raça bambi. Tome-se por base o seu desespero para pressionar a arbitragem, a forma como deixou o gramado e a bizarra declaração pós-jogo, evocando uma “vitória de alma e coração” que obviamente não é possível aos que não têm alma.

Eurico, Bebeto e o banana

Pode-se dizer o que for de Eurico Miranda e quase tudo será justo. Que é corrupto, ladrão, mal educado. Que se veste mal, que é truculento, que não tem modos. Até que afundou o glorioso clube da Cruz de Malta. Ok. Justo e verdadeiro. Mas não se pode negar que Eurico ama o Vasco e que demonstrou isso a cada atitude tida como condenável pelos jornalistas de estúdio e redação.

Digam o que disserem, fica para mim a imagem de um Eurico invadindo o gramado de São Januário durante um Vasco 1 x 1 Paraná Clube pelo Brasileirão de 1997. Eurico, é bom que se diga, fez isso “apenas e tão somente” porque o juiz, logo aquele que gosta de aparecer, acabara de expulsar o terceiro jogador do clube carioca no mesmo jogo. Contra um tal Paraná Clube, vejam só. Eurico não permitiu: invadiu o campo e decretou o fim da partida.

Bebeto de Freitas fez anteontem – e não pela primeira vez – algo infinitamente menos contundente, mas bastante simbólico. Ao ver seu clube ser roubado uma vez mais em casa – não que sejam muitas –, o presidente do Botafogo invadiu o campo, indignado. Claro, a imprensa fez o maior escarcéu e fomos todos obrigados a ouvir aquele discurso padronizado dos que nada têm a dizer: “Que absurdo”, “Que lamentável”, “Ele deveria dar o exemplo”. Bullshit!

Bebeto e Eurico fizeram apenas o que se espera de um presidente: defenderam os seus clubes. Pouco importa se serão expostos ao ridículo, se serão achincalhados pela mídia hipócrita e puritana ou mesmo se virá alguma punição futura. Foda-se! Eles fizeram aquilo que o torcedor gostaria de fazer, com a ressalva de que quase todos os árbitros de futebol merecem tomar umas surras de vez em quando.

É uma pena não termos alguém assim em nossas fileiras. Pelo contrário: temos homens preocupados em se perpetuar no poder, cobrar o ingresso mais caro do Brasil e afundar a bunda gorda no melhor lugar do camarote, bem longe do campo.

30 outubro 2008

Parabéns, bambis!

Sábado, 25 de outubro de 2008. Maracanã, Rio de Janeiro. Fluminense/RJ x Palmeiras. Árbitro: Sérgio da Silva Carvalho (DF).

Quarta-feira, 29 de outubro de 2008. Engenhão, Rio de Janeiro. Botafogo/RJ x SPFW. Árbitro: Sérgio da Silva Carvalho (DF).

Sim, é o mesmo.

No sábado, Washington, atacante do Flu, ameaça colocar a mão na bola, muda de idéia e a bola vai parar no gol de Marcos. O juiz confirma o gol. Ok, lance legal. Nada a reclamar, tanto é que este blog não fez qualquer referência à arbitragem.

Quatro dias depois, a bola também vai ao gol, desta vez contra o narigudo mau-caráter. Ao contrário de Washington no final de semana, o atleta do Botafogo procura tirar o pé de bola, de modo a não interferir na jogada. Mas aí é contra o SPFW, e o jogo de bastidores faz a diferença.

Eu tenho me esforçado para minimizar as coisas e acreditar que nada é assim tão premeditado, mas fica difícil depois de mais esse ‘erro’ (?). Pior ainda quando se toma por base a terrível coincidência: porra, o juiz de sábado foi o mesmo de ontem! Parece até proposital.

E assim, também com a ajuda bizarra do goleiro carioca (por que cazzo ninguém dá a bola para os nossos atacantes?), mais dois pontos seguem para a conta dos leonores. Mais dois. A arrancada bambi se constrói assim, na base do apito rosa: foram erros contra Palmeiras, Vitória e Botafogo, tudo na seqüência e logo no momento decisivo. E eu falo apenas dos mais recentes.

Chega! Se alguém vier aqui comentar que os erros acontecem para todos os times, eu vou perder a paciência de vez – se é que ainda tenho alguma. Já cansou; passou de qualquer limite.

Lembro ainda – pois é necessário – que esta corja imunda levou o título do ano passado graças também a 12 pontos gentilmente oferecidos pela arbitragem. 12 pontos! E isso tudo está documentado
AQUI (sim, volto ao essencial levantamento do Conrado).

Foi
assim também, com a providencial ajuda do apito rosa, que nos tiraram de pelo menos uma Libertadores, a de 2006. Foi assim que nos tomaram o Paulistão de 1971. Foi assim que roubaram um empate nosso no ano passado. Foi assim que fizeram um gol com a mão neste ano. E tudo acontece sempre para o mesmo lado.
Portanto, não venham com a porra do argumento de que os erros acontecem para todos os lados. Não é assim que a história registra. Desafio alguém a citar mais do que um erro contra a bicharada neste ano. Porque eu consigo me lembrar de apenas um: aquele contra o Grêmio no Olímpico. E só!

Deve ser preciso muito planejamento – além de muitas horas de conversa sob o frescor do ar condicionado e algumas doses de uísque – para conseguir tantos erros a favor. Muito planejamento.

Estão de parabéns os visionários, arrojados e modernos dirigentes do Jd. Leonor. O planejamento funcionou mais uma vez.

***

Não esperem de mim algo racional hoje. Por favor, não façam isso, pois eu me sinto agora incapaz de escrever um texto mais elaborado e/ou menos visceral. Talvez amanhã, já com os pensamentos menos perturbados e sem tanto ódio, eu consiga apresentar, de modo mais racional, algumas idéias que estão na cabeça agora.

Por enquanto, devo dizer que às vezes tento imaginar o que passa pela cabeça de um oportunista bambi depois de um roubo como o de ontem. Sei lá, não bate vergonha? Ou constrangimento?

Que nada! Basta caminhar pela rua, entrar na padaria para tomar café da manhã ou ouvir conversas soltas e você logo estará em contato com o frágil discurso das criaturas oportunistas que se travestem de torcedores quando o campeonato se aproxima do final.

Vergonha? Constrangimento?

Porra, mas como poderiam sentir isso se “torcem” (é maneira de falar, ok?) pelo clube do Jd. Leonor? Como poderiam sentir vergonha se fazem parte de uma corja que desconhece a própria história? Como poderiam ter algum constrangimento se não se importam em freqüentar um antro construído com dinheiro do povo?

É bem típico, portanto, que comemorem mais um episódio vergonhoso da história leonor. Episódio que logo ficará esquecido, pois assim interessa à mídia esportiva, aos oportunistas da geração vitrine e aos marqueteiros de plantão.

Situações como essa me levam a uma série de questionamentos, pois eu tenho vergonha na cara e a dignidade que falta a esta gentalha. É por isso que sou Palmeiras.

Mas, afinal, será mesmo que vale a pena todo o meu esforço? Vale a pena gastar uma fortuna, ir a todos os jogos em SP, viajar para o Rio, para Curitiba, para BH, para Salvador, para onde for? Vale a pena botar meu carro na estrada, pegar ônibus, avião, caravana de torcida? Vale a pena gastar tanto do meu tempo e do meu dinheiro? Vale a pena acumular em alguns meses mais jogos no estádio do que esses malditos jamais conseguirão em toda uma vida de oportunismo barato? Vale a pena gastar tanto tempo, dedicação e sentimento para manter este blog já há cinco anos?

Porque, no final, é tudo uma questão de planejamento. Algum sujeito de terno planeja e os que se dizem árbitros transformam todo esse amor e toda essa obstinação doentia
no ódio e na indignação que sinto hoje.

Vale a pena?

***

1 x 0 NO PALESTRA

A nossa vitória de ontem, ofuscada pelo indivíduo que se diz juiz de futebol, veio parar no rodapé. Depois do desabafo acima,
não faz muito sentido relatar o que vimos no Palestra. Em breves palavras:

Vencer por 1 a 0, com gol de pênalti e sem jogar bem era o melhor que poderia ter acontecido. O que importa mesmo é o jogo de domingo na Vila. E precisamos correr atrás dos ingressos, é sempre bom lembrar.
Volto ao assunto depois, pois hoje não sairá coisa boa.

Desabafo

Caros,

Eu quase escrevi ontem à noite, depois de voltar do Palestra e assistir àquilo que vocês devem ter visto. Se assim fizesse, o ódio certamente me consumiria mais do que o limite do suportável.

Não escrevo agora porque preciso de tempo para dar ao assunto a atenção necessária. Mas já deixo aqui o espaço aberto para o desabafo de vocês. O meu fica para mais tarde.

28 outubro 2008

Só pra constar

A título de esclarecimento para alguns e sem entrar em explicações detalhadas, deixo aqui um breve, mas pertinente, resumo do que foi a trajetória alviverde no retorno à Série A, em 2003.

Começo por dizer que subiam apenas dois, e não quatro, clubes naquele ano. E eram 24 participantes, ainda livres da praga dos pontos corridos. Ao acréscimo de emoção, correspondia também um risco muito elevado ao longo das três fases de disputa, mais ainda pela qualidade dos times envolvidos.

O Palmeiras liderou com folga a etapa inicial, em turno único, todos contra todos. Foram 47 pontos em 23 jogos, com 13 vitórias, 8 empates e apenas 2 derrotas; 54 gols a favor e 25 gols contra. Na seqüência, todos classificados para a segunda fase, vieram:
2. Botafogo: 41
3. Remo: 39
4. Sport Recife: 37
4. Brasiliense: 37
6. Marília: 36
7. Náutico: 35
8. Santa Cruz: 35

A seguir, todos os jogos do nosso grupo, o B, pela segunda fase:

Brasiliense 1 x 0 Sport
Santa Cruz 1 x 3 Palmeiras
Sport 3 x 1 Santa Cruz
Palmeiras 3 x 2 Brasiliense
Santa Cruz 3 x 0 Brasiliense
Sport 1 x 2 Palmeiras

Brasiliense 2 x 1 Santa Cruz
Palmeiras 2 x 3 Sport
Santa Cruz 1 x 1 Sport
Brasiliense 1 x 2 Palmeiras
Sport 1 x 1 Brasiliense
Palmeiras 2 x 0 Santa Cruz

1. Palmeiras: 15
2. Sport: 8
3. Brasiliense: 7
4. Santa Cruz: 4

Seguimos adiante com cinco vitórias e uma derrota. O Ixpót foi junto. Do outro lado, vieram Marília (em primeiro, com 11 pontos) e Botafogo (vice, com 10). Grupo único para a fase final e tudo zerado. O Palmeiras, com 62 pontos, tinha 11 a mais que o Botafogo, o segundo melhor
. E tudo isso poderia não significar nada com um simples tropeço. Não que eu reclame disso; são os fatos. Vamos lá:

Fase final

Sport 0 x 0 Marília
Botafogo 1 x 1 Palmeiras
Marília 0 x 0 Botafogo
Palmeiras 1 x 0 Sport
Marília 0 x 2 Palmeiras
Botafogo 3 x 1 Sport

Sport 3 x 1 Botafogo
Palmeiras 2 x 0 Marília
Sport 1 x 2 Palmeiras
Botafogo 3 x 1 Marília
Palmeiras 4 x 1 Botafogo
Marília 1 x 1 Sport

1. Palmeiras: 16
2. Botafogo: 8
3. Sport: 5
4. Marília: 3

Como se vê, empatamos o primeiro jogo no pântano de Caio Martins e ganhamos os outros cinco, incluindo duas vitórias sobre o Ixpót e um 4 a 1 no Botafogo. Subimos com cinco vitórias e um empate na fase final, com 12 gols a favor e três contra.

Eis aqui a campanha geral:

35 jogos
23 vitórias
9 empates
3 derrotas
80 gols pró
36 gols contra

***

Teremos amanhã o último jogo do ano à noite - isso, é claro, se ninguém resolver que é preciso complicar tudo com uma vitória em BsAs. Quarta-feira, 20h30, sem invenções globais. Portanto, nos vemos por volta 19h e pouco no local de sempre.

Golpe frustrado

O presidente-banana não poupou esforços para se perpetuar no poder, mas tomou uma bola nas costas ontem. Problema dele e de seus aliados, e vocês sabem o que penso da diretoria que aí está. O que incomoda, contudo, é o desgaste ocasionado por esse golpe frustrado. Estejam certos de uma coisa: muito do que vimos em campo nesses últimos jogos (em especial os sucessivos erros de arbitragem) tem relação direta com a sede pelo poder do presidente-banana. Nada, em especial a vergonhosa omissão de nossos dirigentes, é coincidência.

Faz sentido, portanto, registrar agora o link para o desabafo do Raphaello, que rendeu enorme polêmica ontem. Não se esqueçam: a cabeça doentia desses homens nos obriga a pagar o ingresso mais caro do Brasil para ver um time que é hoje apenas o quinto colocado.

***

E MAIS ESSA AGORA?

Informa Daniel Castro, em sua coluna na Ilustrada, que a emissora-câncer mudou a sua grade de programação para alavancar a audiência das novelas. Segundo o jornalista, eis os novos horários:

Novela das 6: de 18h05 para 18h20
Novela das 7: 19h30 (sem informação sobre o anterior)
Jornal Nacional: de 20h15 para 20h30
Novela das 8 (?!): de 21h para 21h10

Pois bem, tudo vai sendo jogado para mais tarde. Preciso dizer qual é o efeito disso para as noites de quarta-feira?

26 outubro 2008

Não precisava disso...

Serei breve, pois já esgotei todos os meus desabafos (e já ouvi muitos outros) no Maracanã e na cansativa viagem de volta. Em rápidas palavras: o título já era (a não ser que vocês acreditem que esse time é capaz de ganhar seis dos próximos sete jogos) e eu realmente não acho que era necessário fazer a gente virar motivo de piada para a torcida do Fluminense. Do Fluminense, vejam só...

Até quarta, com vitória no Palestra, e domingo, com derrota na Vila.

***

Que o rival seja bem-vindo de volta!

24 outubro 2008

Para fazer a diferença


A rodada foi péssima, como têm sido todas as últimas. Entramos pressionados no final de semana, de tal forma que será ruim qualquer resultado que não a vitória em solo sagrado. E não se pode ignorar a qualidade do adversário e o seu desespero para fugir do descenso, tampouco a presença de um grande público no Maracanã. Tudo isso é fato, mas devemos também levar em conta que um campeão é construído em desafios desse porte, capazes de eclipsar até mesmo os empates sem gol diante dos pequenos Náutico e Figueirense.

Vencer o Flu no Rio pode fazer toda a diferença, não só pela classificação momentânea, mas também pela análise da tabela de alguns de nossos concorrentes. Time que quer ser campeão tem de buscar vitórias como essa, contra um bom time, fora de casa, diante da torcida adversária e com um peso enorme nas costas. Será tão essencial quanto foi aquela sobre o Cruzeiro, que bem pode servir de inspiração para o duelo de amanhã.

É, temos aí uma série de tabus a nosso favor. Sei que eles não pesam muito nessa hora, mas vou confiar na invencibilidade de alguns dos amigos que ainda não viram o Palestra ser derrotado no Rio. Se tudo der certo, deixaremos o Maracanã com o alívio e a alegria de quem sabe estar um pouco mais próximo do título.

***

*Saída: 6h de amanhã.

*Recomendo a análise feita pelo Ademir Castellari, do blog-xará, sobre elitização no futebol. Malditos sejam os consumidores!

*Que beleza o pênalti que o Heber Roberto Lopes deixou de marcar a favor do Vitória, não? E os filhos da puta não se preocupam nada com a discrição...

*Outros blogs já trataram do assunto, mas é necessário registrar para a posteridade mais um reconhecimento a algo que todos já sabíamos: não há nada como um Palmeiras x SCCP.

23 outubro 2008

O juiz e o procurador

Eu avisei lá atrás que um simples 1 a 0 contra o Vasco bastaria para evitar uma noite pavorosa – e molhada – como aquela do Sport Ancash. Mas não esperava também que pudesse evitar uma situação como a de ontem. Eu avisei, mas o time insistiu em fazer três gols no confronto da primeira fase. Deu no que deu. Tanto que o Madureira, em entrevista coletiva pós-jogo, saiu-se com essa aqui: “Essa competição é legal... Legal pra atrapalhar”.

Eu tinha avisado. E entendo que se o juiz colombiano faz tanta questão assim de classificar o time argentino, que seja feita a vontade dele. Com gol não confirmado, pênalti que volta, goleiro que pula (!) antes da cobrança, faltas invertidas e tudo mais que tiver direito. E se os portenhos conseguem também ficar tão radiantes depois de uma vitória nessas circunstâncias, que seja consumada a classificação deles. Sem problemas, sem ressentimentos. Que façam bom proveito.

O único problema no momento é a viagem internacional em meio a dois jogos decisivos por aqui. Melhor seria mandar só uma molecada mesmo, pois não é o caso de brigar pela vaga com esse time medíocre. Até porque os argentinos já serviram ao menos para mostrar que os jogos sob a chancela da Conmebol ainda permitem que o futebol seja um esporte digno.

Consegui ver muito pouco lá do placar, mas rolou empurra-empurra, ameaça de pancadaria generalizada, acessos de fúria, uma ou outra porrada, chutes, xingamentos, provocações. E, vejam só, Gladstone conseguiu fazer algo útil com o carrinho no argentino; pena que ficou só nisso, sem maiores conseqüências.

Não se assustem com a frase, por favor. É assim mesmo que eu penso. Estou cansado do tipo de futebol que vem sendo disputado por aqui. Futebol é guerra e pressupõe virilidade. Se necessário for, tem que rolar pancadaria, agressão e tudo mais. Chega de discursos politicamente corretos, de puritanismos babacas e de frases feitas de comentaristas de estúdio.

Imagino que Paulo Schmitt tenha entrado em pânico ontem à noite. Tudo o que ele queria era poder apresentar denúncias contra todos os jogadores em campo. Sorte nossa que o futebol praticado na Libertadores (e na Sul-Americana) seja ainda um esporte para homens, sem punições por qualquer coisa.

Schmitt, no entanto, dentro da sua área de atuação, está desesperado atrás de imagens que possam sustentar uma denúncia contra Alex Mineiro. Sim, pois uma menina leonor se diz agredida. Querem mais? Não contente com a absolvição de Kléber, o procurador recorreu da sentença, exigindo novo julgamento para o nosso Gladiador.
***

ADENDO

Juquinha insiste na sua tese: o título vai para o Jd. Leonor. Nada contra um jornalista emitir seus palpites ou opiniões, mas tudo contra um jornalista empreender esforços desmedidos para mostrar que tem preferência por este ou aquele time. É o caso de JK, que assina hoje, na FSP, uma coluna assim intitulada: “Ei, são-paulino. Acorda!”

Pensei até em publicar a coluna na íntegra aqui, mas seria de muito baixo nível. Como muitos não têm acesso ao conteúdo fechado da FSP, vou colocar o texto nos comentários.

Notem as sucessivas estocadas no Palmeiras (e no Palestra), as frases de efeito, o exercício de fazer projeções que favoreçam o time do Jd. Leonor (coisa de torcedor mesmo), o velho texto no estilo “uma frase por parágrafo” e, mais do que tudo, a enorme campanha para que as meninas tirem as bundas do sofá e tomem o rumo do antro que dizem ser um estádio.

Merece dois comentários:
1. Minha torcida não precisa do apelo de um jornalista (ou de muitos, pois a campanha atinge outros jornais e sites) para ir ao estádio;

2. Com que moral um jornalista de pay-per-view conclama quem quer que seja a ir ao estádio? Com que moral?

21 outubro 2008

1.141?

Manhã de terça-feira, 14 de outubro. 27.640 ingressos são colocados à venda para a partida entre Palmeiras e SPFW. Antes mesmo do final da tarde, vem o anúncio: ingressos esgotados. No entanto, o público divulgado no domingo seguinte não corresponde aos 27.640 bilhetes à venda: o placar aponta 26.676 pagantes. Estranho, muito estranho.

E a coisa fica ainda pior com a divulgação do borderô oficial (logo abaixo, em situação pouco legível), que detalha carga total de 27.817 ingressos, com 1.141 devolvidos.


A pergunta, que deveria ser respondida pelos senhores Busico, Gualtieri ou Palaia, é: como pode existir essa devolução se tanta gente ficou de fora do estádio por não haver mais ingressos?



***

Cena curiosa da vitória da Portuguesa em um Canindé que tinha pelo menos 4,5 mil gremistas entre os 7,3 mil pagantes:

Na divisa entre a numerada e a arquibancada que concentrava a torcida sulista, um gremista, com sangue nos olhos, esperou o apito final para disparar toda sorte de impropérios contra os lusos. Não era o único, mas chamava mais atenção pela agressividade.

Acontece que havia mais do que apenas portugueses por ali. Um grupo de quatro palmeirenses, todos velhos conhecidos da arquibancada do Palestra, estava por ali à paisana e se levantou contra os gremistas para devolver os insultos. Um deles tirou a camisa para mostrar a tatuagem da Mancha nas costas.

Sem perceber, o gremista insistiu: “Vocês nunca ganharam nada! Vocês nunca ganharam nada!”, repetia, aos berros.

Eis então que um outro gremista, menos transtornado e tendo visto a sinalização, virou para o amigo raivoso e disse: “Não, não, esses são palmeirenses”.

E fez-se o silêncio.

20 outubro 2008

Kléber, o Gladiador


O combalido, malfadado e desmoralizado STJD deve impor hoje uma pena exemplar – aos olhos dos chorões sulistas e de alguns jornalistas que querem ser mais do que isso – ao nosso Gladiador. Nesses tempos de jogadores-chinelinos e de falsos bons moços, chega a ser emblemático que um guerreiro seja alijado da fase final do Brasileirão.

Kléber foi ontem o espelho de uma torcida que acreditou até o fim em algo improvável. Como a massa alviverde na arquibancada, Kléber lutou. Fez tudo aquilo que gostaríamos de fazer em campo: driblou, correu, bateu, brigou pela bola, deu porrada, chutou a gol uma, duas, muitas vezes, infernizou a vida dos (ótimos) zagueiros adversários. Poderia até ter desistido depois de tantos quase-gols. Mas insistiu.

Insistiu para aproveitar a jogada mágica de Denílson (obrigado e desculpas, de novo!) e incendiar o Palestra. E é notável que isso tenha acontecido pouco depois de as alienadas carcaças sem alma terem dado início a seus cânticos oportunistas. Kléber, em um carrinho que seria perfeito se viesse acompanhado de muita chuva caindo dos céus, começou a estabelecer um pouco de justiça no marcador.

E ela, a justiça, veio logo depois. É verdade que em um lance fortuito, mas compensador de tudo o que criamos e que parou na trave ou nas mãos e no peito do goleiro das meninas, em uma tarde monstruosa. Observo ainda que ele, inteligente que é, começou a fazer a diferença antes mesmo do apito inicial, quando ganhou o sorteio e inverteu o lado de campo. Não é pouco, nós sabemos. Por sorte, contra tudo o que fez o goleiro adversário, Kléber estava do nosso lado.

Sei que muita coisa pode ser dita do clássico de ontem, mas, no dia em que crápulas assassinos do futebol devem impor uma suspensão criminosa ao nosso Gladiador, é justo abrir o post com este humilde agradecimento. Porque o futebol, por mais que tentem fazer o contrário, ainda é um esporte de homens.

Obrigado, Kléber! Por não desistir, por jogar como guerreiro e por ser o nosso representante dentro de campo.

***
"Eu só quero que venham jogadores
Que honrem a camisa
E lutem sem parar..."

***

O JOGO

Comentávamos, o speaker, Natali e eu, depois da partida, enquanto seguíamos do Palestra para o Canindé: o jogo dos leonores é o mesmo há décadas. Aquela coisa feia e pragmática, na base do “eu fico na minha e não ataco, mas espero você atacar para achar um espaço no contra-ataque”.

E assim encontraram o pênalti, originado, diga-se, de um ataque nosso em que Sandro Silva foi derrubado na entrada da área. Infração clamorosa, bem diante de nossos olhos, na curva da arquibancada. Sálvio, pressionado, mandou seguir. E aí não teve alternativa a não ser apitar o pênalti lá do outro lado.

Não quero aqui colocar qualquer responsabilidade na conta do juiz. Não é o caso. Mas o lance da falta no Sandro Silva está aí, para quem quiser ver. Como está aí também todo o jogo de cena das meninas, que colocaram nas costas de Sálvio uma pressão bastante conveniente. Deu certo, em avaliação que não é minha, mas delas.

Para completar, mais um pouco da série “O futebol está virando um esporte de maricas” e lá se foi o nosso único armador. Cinco minutos bastaram para que fosse construída a vantagem leonor e para que todo nosso esquema tático ficasse comprometido. Luxemburgo fez o que dele se esperava, mas é certo também que cometeu falhas na escalação e nas alterações (por que insistir com o Granja?).

Mesmo sem Diego Souza, tivemos inúmeras chances de marcar. E o goleiro delas, como destacado acima, evitou que chegássemos logo ao empate. Foi desesperador, em especial quando, após bela cabeçada de Alex Mineiro, a bola se chocou contra a trave para então cair caprichosamente sobre a linha. E veio o castigo do minuto final, com nova falha de Léo Lima e a bola entrando de maneira inevitável no canto de Marcos, logo por intermédio de quem foi.

A partir de então, pelo clima que se abateu sobre o time – e também sobre parte da torcida –, a derrota parecia inevitável. E eu admito ter sido tomado por uma série de pensamentos catastróficos, já enxergando a repercussão de tudo aquilo. Agüentei assim, em meio à grande massa, até os 25 minutos da etapa final.

Foi então que segui, talvez motivado apenas por uma visão melhor do nosso ataque, para o anexo da arquibancada à direita da numerada coberta. Acreditem ou não, mas 300 e tantos jogos depois, eu nunca antes havia colocado os pós naquele setor.

Sim, havia os leonores do outro lado. Mas as palmeiras imperiais que ficam na sede social cumprem também a nobre tarefa de encobrir toda a visão daquelas carcaças imundas. Foi assim, isolado e sem os muitos amigos do outro lado, mas concentrado e com visão privilegiada do nosso ataque, que acompanhei os dois gols, o empate e todo o alívio que veio a seguir.

***

NOTAS

*Sim, o dirigente/vereador/palhaço foi ontem à nossa casa, mesmo sem qualquer sinal de refém pelos lados da zona oeste. E até subiu ao gramado, pouco mais de 40 minutos antes do jogo. Surgiu bem à nossa frente, e lá se postou com o sorriso irônico típico dos que não tem argumentos para, por exemplo, se defender do canto improvisado pelo meu irmão e logo seguido pela massa: “Êeee, você matou a refém! Você matou a refém, êeee”. Certo, não foi algo de bom gosto. Mas não creio que deveríamos ter nos calado diante do oportunismo do sujeito, que não parecia muito envergonhado por protagonizar a bizarrice da semana. Não à toa, depois da música – e de ser ofendido por toda a arquibancada –, o anão retornou para o vestiário e não mais voltou.

*A Padre Tomás ficou marcada pela bela recepção aos leonores.

*Chegamos ao Canindé no intervalo do jogo, a tempo de ver apenas o segundo tempo. Tenho uma notinha legal para amanhã, mas digo agora que a Lusa venceu com enorme categoria. No confronto Roth x Estevam, o fator Roth fez toda a diferença.

*Sábado, 6h, saída para o Maracanã.