31 maio 2007

Jogos perdidos

Domingo tem jogo. Aqui. Mas o fim de semana se aproxima sem aquela expectativa que antecede cada ida ao estádio. Estranho pensar que eu não estarei no Parque com o Palmeiras em campo. Isso aconteceu uma única vez nos seis anos e meio entre março de 1999 e outubro de 2005.

Vai acontecer agora de novo. Não uma, mas duas vezes. Nos 13 dias em que estarei fora do país, o estrago vai ser maior do que o observado ao longo de oito anos. Dói só de pensar.

Poderia (deveria?) culpar o sr. Virgílio Elisio e os demais responsáveis pela tabela do Brasileirão deste ano. Dois (ótimos) jogos seguidos em casa? Justamente durante a minha viagem? Não poderia ser o contrário, os dois fora? Ou só um em casa? Como podem ter feito isso?

O fato é que fizeram. Contra Cruzeiro e Botafogo, não estarei lá. A sensação é por demais estranha. Se antes eu havia perdido um único jogo em 243, chegarei agora às três ausências em um total de 245. De 0.41% para 1.22%.


Deixarei de ver um Palmeiras x Botafogo no estádio pela primeira vez desde 1998 e um Palmeiras x Cruzeiro pela primeira vez desde 1994. Mas não tinha jeito de ser diferente. Difícil vai ser acompanhar à distância. Acompanhar não; imaginar. É o que farei. Não consigo me ver longe do Parque enquanto o Palmeiras joga. Serão quatro horas de sofrimento à distância. Em oito anos, a segunda vez. E a terceira.

Volto logo depois para mais alguns anos de invencibilidade.

Aos que ficam, boa sorte. Conquistem os seis pontos por mim.

28 maio 2007

Melhor esquecer

De notável no clássico de ontem, apenas a maioria verde e o despreparo da PM na praça. Tem nego que deve estar treinando arremesso à distância com as bombas de pimenta. E é só; o jogo não merece mais do que isso. Melhor esquecer.

25 maio 2007

Avisos rápidos

1. Domingo, 14h, na praça.

2. Não haverá venda de ingressos na hora. Comprem antes.

3. 5 de agosto, Fluminense x Palmeiras no Maraca. Vamos na sexta-feira, no mesmo esquema do último. O que importa: já estamos fechando isso; tem de ser com antecedência. Alguém mais tá a fim?

24 maio 2007

A resposta do ombudsman

Teria sido melhor não receber nada. Ei-la, oito dias depois:

Caro Rodrigo,

Agradeço sua manifestação. Pedi avaliação ao editor do caderno, que enviou as seguintes considerações:

"A reportagem se baseou em informações fornecidas oficialmente pela Polícia Rodoviária Federal e delegacia da região. Nenhum torcedor do Palmeiras havia dado depoimento oficial contestando a versão. Já um militar do Exército havia dado queixa na delegacia contra os torcedores.

As mesmas informações fornecidas pela PRF e Polícia Civil serviram de base para matérias semelhantes publicadas em outros veículos."

Atenciosamente,
Mário Magalhães
Ombudsman - Folha de S.Paulo



Não é por nada, mas a mensagem que eu enviei (aqui), merecia uma resposta um pouco melhor.

"Nenhum torcedor havia dado depoimento oficial contestando a versão"?

Que versão? Não sabíamos de nada até aquele momento. Estávamos sob a vigilância da PRF, à beira da estrada, sem nada poder fazer.

Quer dizer que, para o editor de esportes da FSP, deveríamos dar um depoimento oficial logo após termos sido metralhados?

Onde?

Teve coletiva de imprensa?

Aliás, não é o papel de um jornalista ouvir os dois lados?

Não foi o que fizeram os de Diário de S. Paulo, JT e Agora?


Quanta hipocrisia!

Afinal, pra que serve o ombudsman?

Obra pública

Painel FC de hoje. Nota principal.

Obra pública
No projeto do Morumbi para a Copa de 2014, que o São Paulo leva hoje a José Serra, as obras mais caras correm por conta da prefeitura e do governo estadual. São um estacionamento, com parte das vagas subterrânea, uma praça sobre a garagem, em terreno do município, e um trem para ligar essa área ao estádio, por uma ponte. O clube não fez orçamento, mas sugere uma parceria público-privada para desonerar os cofres públicos. Os são-paulinos se eximem de investir porque o estacionamento servirá ao metrô.

É...

As copas

Libertadores
Apesar da campanha 10-2-0, o Santos não me convence. Nem o time, nem a torcida, que às vezes é mais passiva do que a do SPFC. O Grêmio, aos trancos e barrancos, chega mais forte, sempre copeiro, com cara de campeão. Além das voltas de Lucas e Diego Souza, tem o Olimpico e a torcida. E decide fora, o que é vantagem neste sistema que privilegia os gols fora de casa. Se o Boca não passar hoje, o campeão sai deste confronto brasileiro.

Copa do Brasil
Há coisas que só acontecem ao pobre Botafogo. Como o gol que deu ao Figueirense uma vaga na final da Copa do Brasil. Injusto pelo que fez o time carioca em 90 minutos. Injusto pela dramaticidade. Teoricamente injusto pelos erros da bandeirinha (de novo ela?). Mas justo para compensar o roubo de que foi vítima o Galo mineiro na fase anterior. E mais ainda por todas as vezes em que o Botafogo ganhou roubado. Resta o Fluminense, o menor entre os 12 grandes.

Champions League
Com 12 títulos europeus em campo, qualquer resultado seria justo. Melhor para o time que tem hoje o melhor do mundo.

23 maio 2007

Tempo perdido

Brevíssimo desabafo: chega a ser desrespeitoso obrigar as pessoas a trabalharem entre 15h45 e 17h45 de hoje, enquanto Milan e Liverpool fazem simplesmente o jogo mais importante do ano. Algo precisa ser revisto neste mundo corporativo.

21 maio 2007

Romário, 1.000



Meus filhos muito provavelmente ficarão cansados de ouvir o pai repetir esta mesma e orgulhosa frase: "Eu vi Romário jogar". Ficarão livres, no entanto, de ouvir "Eu vi o gol mil do Romário". Sorte deles, azar meu.

Se não pude acompanhar este momento histórico lá em São Januário, resta-me o privilégio de ter presenciado, segundo minhas contas, 39 gols do Baixinho em estádios de futebol. Não é pouco, ainda mais se considerarmos que ele nunca jogou aqui em SP.

Destes 39, não pude comemorar a maioria.

Romário sempre adorou balançar as redes contra o Palmeiras - foram 22 vezes, um recorde entre os times de fora do Rio.

Não constitui demérito algum; pelo contrário.

Romário é simplesmente o maior atacante que o mundo viu entre as décadas de 90 e 00.

O Baixinho é gênio, um deus para os que o têm como ídolo.

Não poucas vezes, simplesmente deixei de assistir ao jogo para ver a movimentação dele em campo. Só outros dois jogadores me fizeram agir dessa forma: Edmundo, o 7, e Evair, o 9.

Acontece que o Baixinho conseguiu isso tudo sem nunca ter vestido a camisa do clube que eu amo.

Tudo o que for dito aqui significa muito pouco diante do que ele representa para o futebol.

Mais fácil agradecer.

Por cada um dos 1.000 gols.

Mesmo aqueles que eu nunca pude comemorar.

Obrigado, Romário!

Pra cima!

Quase 20 mil acompanharam a jornada titubeante do Palmeiras na tarde de ontem. Nos primorosos 45 minutos iniciais, saíram dois gols e outros tantos se perderam. Valdivia, que parece ter aprendido a fazer gols, e Michael foram as melhores figuras em campo. A etapa final, no entanto, merece ser esquecida. Ou lembrada, para não mais se repetir. O Verdão parou de jogar. Pra complicar, bandeirinha e juiz resolveram fazer lambança. E a gente quase se complica de novo.

Em outros tempos, ouso dizer que viria o empate do adversário. Uma bola espirrada na área, um gol aos 43' do segundo tempo, dois pontos no lixo. E estaríamos agora lamentando a oportunidade perdida. Não foi assim. Seguimos na ponta. Vamos pra cima!

"Domingo, vai ter um joguinho aí, ô, ô, ô..."

18 maio 2007

Pra fechar!

A foto abaixo, com o devido crédito, encerra toda e qualquer discussão sobre o que aconteceu no domingo:

Ainda o Maraca

Aos poucos, é possível deixar de lado os momentos de pânico da noite do último domingo para abordar assuntos, digamos, mais sossegados.

Quero, ainda, escrever sobre o Maracanã.

Se o último post foi dedicado às cadeiras azuis que mataram a geral, este trata de todas as demais, verdes, amarelas e brancas. E mais.

Sou contra as cadeiras, todas elas.

Se as do Maracanã cumprem bem o papel de dar uma aparência uniforme ao Maior do Mundo, há a contrapartida: nada é mais bonito do que a uniformidade cinza-cimento das tradicionais arquibancadas.

Mais bonito, mais barato e, acima de tudo, mais confortável.

Aliás, é fácil notar porque a capacidade despencou: há um espaço de uns 12cm entre uma cadeirinha e outra. 12 cm! Entre cada cadeira! São milhares de pessoas impossibilitadas de entrar no Maior do Mundo.

Pra piorar, as cadeiras do Maracanã têm uma capacidade impar de acumular sujeira.

De longe não se pode notar. Mas, de perto, é aquela aparência melada, suja, nojenta...

Até entendo que aquele jogo de domingo era o quarto nos últimos cinco dias e tal, mas era uma sujeira já impregnada.

Querem mesmo receber uma Copa do Mundo por aqui?

Então precisam limpar aquilo.

E também o lado externo do Mário Filho, completamente abandonado.

Fiquei bastante mal impressionado com o estado de conservação da rampa da Uerj e das imediações da estação de Metrô que dá acesso ao estádio. Lixo acumulado, cheiro de urina, a marquise com a pintura descascada. Um desleixo total. Não deve ser muito diferente do que acontece do lado do Bellini.

Um pouco de limpeza não faria mal...

16 maio 2007

Liberdade zero

As cadeiras azuis do Maracanã dão ao estádio um ar mais moderno, europeu até. A visão que se tem de dentro do campo, por exemplo, não deve ser muito diferente daquela que se tem a partir do gramado de um Estádio Olimpico de Munique, por exemplo. Admito: existe uma certa beleza naquela uniformidade de assentos coloridos.

Mas, ao mesmo tempo em que trazem esta nova referência visual, as cadeiras azuis do Mário Filho evidenciam a morte da geral e, o pior, de tudo o que ela representa.

Domingo conheci os tais assentos da platéia inferior (platéia?).

São até simpáticas.

Por alguns bons momentos, admiti a presença delas.

O placar eletrônico do Maracanã se encarregou de desfazer a impressão inicial. Sem meias palavras:

Suderj informa
Torcedor das cadeiras
azuis, platéia inferior:
Por favor, para sua
segurança e conforto,

assista ao jogo sentado.

Então eu percebi que os policiais não só permaneciam à frente das cadeiras, como agiam com firmeza a cada vez que um rebelde torcedor ousava tirar a bunda da cadeira.

Sim, amigos, é proibido ver o jogo de pé.

Como se não bastasse terem revogado o sagrado direito de arremessar chinelos e copos d'água no gramado, agora proibem o órfão geraldino de ficar em pé?

Não demora muito e logo aquelas placas comuns em jogos de tênis serão colocadas à beira do gramado: "O futebol exige silêncio".

Gritar "Gol!"?

Será proibido.

Para nosso conforto e segurança.

15 maio 2007

Carta ao ombudsman

Prezado Mário Magalhães,

De antemão, desculpo-me por eventuais palavras que se façam mais fortes do que o recomendado para o espaço. No entanto, não posso calar diante da enorme repulsa causada por uma reportagem publicada na página C5 da FSP de 15/05/2007 sob o nada imparcial título “2 são baleados em arrastão de torcedores”.

Vejamos:

Fui uma das vítimas de tudo o que aconteceu na noite de 13 de maio, domingo, na volta deste grupo de torcedores palmeirenses do Rio para São Paulo.

Voltei do jogo no Maracanã em um dos ônibus do comboio que foi atacado na Baixada Fluminense por elementos que supostamente seriam torcedores do Flamengo, rival do Palmeiras na ocasião.

Atacados sim, versão que foi noticiada em jornais como o Diário de S. Paulo e o Agora, do mesmo grupo que esta Folha, entre outros veículos de comunicação.

Fato é que o jornal, em um preocupante exercício de imprecisão, parcialidade e inadequação aos princípios básicos do jornalismo, toma por conseqüência o que é causa.

A reportagem afirma, textualmente, que os tiros que feriram um torcedor e o motorista de um dos ônibus ocorreram durante o alegado arrastão. “Na confusão, duas pessoas, que estavam dentro de um dos ônibus, foram feridas, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal”.

Confusão? Bela palavra para quem não sabe o que escrever.

O tal arrastão foi uma versão levantada de maneira precipitada por alguns órgãos de imprensa à luz dos acontecimentos, ainda no domingo à noite e nas primeiras horas de segunda-feira.

A situação, no entanto, foi devidamente esclarecida na própria segunda e, especialmente, nos jornais impressos de terça (cito ainda Diário de S. Paulo e Agora como exemplos).

Impressiona o fato de a Folha ter apenas reproduzido esta versão quando teve todo um dia (a segunda) para recuperar a história.

Teria sido preguiça?

Não creio.

Aposto mais em má intenção, a mesma que tem levado tantos bons jornalistas a fazer um jornalismo quase panfletário na luta contra as torcidas organizadas.

Mais do que colocar o outro lado da história, levanto alguns questionamentos acerca da matéria em questão:

1. FSP: “Por volta das 21h, um grupo de palmeirenses fechou a rodovia...”
O ocorrido se deu antes mesmo de 20h, por volta de 19h50.

2. FSP: “A ação levou pânico aos motoristas e passageiros que passavam pela via e deu início a um tiroteio”.
Eis aqui o trecho mais preocupante, pois distorce o ocorrido. Fato é que os ônibus foram, segundo reconhece a própria PRF, alvejados antes do pedágio. Depois do alegado arrastão, nada houve. Não se ouviu um único tiro. A própria PRF, por sinal, reconhece não ter encontrado qualquer tipo de armamento em poder dos torcedores palmeirenses. Assim sendo, pergunto: quem participou do tiroteio?

Tal questão é solenemente ignorada pelo texto, que sequer se preocupa em apontar quem foram os responsáveis pelos disparos. Simplesmente cita um tiroteio. Quem atirou? Pouco importa para a Folha.

3. FSP: “Havia integrantes da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras) e da Mancha Verde nos veículos”.
Não só. Havia ainda torcedores da Acadêmicos da Savóia, uma terceira entidade, cujo ônibus foi também alvejado.

4. FSP: “Os policiais foram acionados por um oficial do Exército que passava pela rodovia”.
Um dia depois, a FSP ‘comprou’ a mesma versão estampada por emissoras de TV e sites na manhã de segunda-feira. Teria sido preguiça? Ou má vontade mesmo?

5. FSP: “De acordo com a polícia, cerca de 600 torcedores foram detidos”.
Um único torcedor, com um mandado de prisão por falta de pagamento de pensão judicial, foi preso. Os demais passaram por uma averiguação, à beira da estrada e pouco à frente do pedágio, sendo todos liberados. Não creio que o termo ‘detidos’ seja o mais adequado, portanto.

São apenas alguns pontos que merecem ser questionados. Mas o que mais me impressiona é a total parcialidade da reportagem, que não se preocupou, em momento algum, com o outro lado.

Ouvir o outro lado?

Para quê?

Os protagonistas da história (os supostos responsáveis pelo arrastão) sequer foram ouvidos. Relegou-se a eles um papel secundário, o de marginais que não merecem a palavra. Bastou uma análise preliminar da polícia para fechar a matéria (claro, com uma foto que evidencia quem são os culpados).
“Para que ouvir esses caras da Mancha Verde?” é o que pode ter pensado o jornalista, provavelmente cansado dos tantos incidentes envolvendo esta e outras facções.

Pluralismo da Folha? Ah, que anacrônico...

Já existe a predisposição de não dar voz a estas pessoas. Mais fácil julgá-las e condená-las. Em vez de querer saber o que aconteceu, crava-se que houve um arrastão e ponto final.

Não interessa contar toda a perseguição de que foram vítimas estes torcedores, seja aquela da polícia, no Rio e no Maracanã, seja aquela protagonizada por carros na via Dutra.

Não interessa saber as ameaças feitas pelos próprios policiais cariocas, ainda no Rio.

De que interessa saber se alguém disparou dezenas de tiros do alto de um viaduto?

De que vale noticiar que torcedores viajaram deitados no chão de um ônibus enquanto tiros vinham de carros ao lado?

O que importa se duas pessoas foram baleadas e que uma encontra-se em estado grave?

A pergunta lógica seria: “Quem baleou o torcedor que está no hospital?”

Não para a FSP, que prefere atribuir tudo a um suposto arrastão no pedágio.

Fácil assim.

“Torcida organizada é coisa de bandido”. Eis aí o raciocínio que pauta a conduta de muitos jornalistas.

Aqueles que procuraram investigar souberam que não havia nenhuma arma em poder dos palmeirenses e que os passageiros destes 12 ônibus foram vítimas de uma perseguição com tiros durante alguns quilômetros antes da parada no pedágio.

Não à toa, um dos veículos foi alvejado 11 vezes. Não só pelas laterais, mas também pelo alto, o que evidencia os tiros disparados do alto de um viaduto ou passarela.

Houve alguma perícia da Polícia Rodoviária Federal nos ônibus atingidos pelos projéteis?

Não, a Folha não se preocupou em investigar.

Tampouco com o fato de que o suposto arrastão nada mais foi que a tentativa de estes torcedores localizarem o carro em que estavam os elementos responsáveis pelos tiros.

O veículo foi localizado e bateu em retirada, momento em que houve pânico nas imediações do pedágio.

A Folha se preocupou com isso?

Não.

Melhor falar em arrastão.

Admito que ônibus parados e pessoas uniformizadas correndo de um lado para o outro da pista seja um cenário digno de arrastão. Faz sentido, ao menos em um primeiro momento.

Mas a própria Polícia Rodoviária Federal já descartou essa hipótese.

A Folha se preocupou com isso?

Não. Por que faria isso?

É mais fácil tratar esse povo como bandidos.

Belo exemplo de jornalismo.

Como belo país é este.

Um país em que pessoas levam tiros na estrada que liga as duas principais cidades do país e ainda estampam as páginas dos jornais do dia seguinte como se fossem bandidos...

A vida segue.

***


O texto acima foi enviado hoje, por e-mail, ao ombudsman da Folha de S. Paulo. Fico na expectativa de uma resposta decente.

Uma vitória de Palmeiras


O Palmeiras jogou e venceu como o gigante que é.

Vitória maiúscula, digna de nossas tradições.

O palco e o adversário da estréia não poderiam ser mais apropriados.


É de se lamentar, no entanto, que as lembranças pós-jogo sejam agora mais fortes que as do 4 a 2 que nos dão tanta esperança.

Talvez por isso não cabe entrar em detalhes do jogo.

O que importa é estar aqui.

Domingo tem mais, em casa e em paz.

11 maio 2007

O Brasileiro vem aí

Chega ao fim este interminável e insuportável mês de férias.

Estréia em grande estilo, no templo maior do futebol mundial, contra um dos melhores rivais que temos. Jogo sempre de risco, rivalidade e tal. Mas o que interessa é voltar aos campos. E ainda aproveitar o fim de semana em solo sagrado.

Tô na expectativa para o Brasileiro. Mesmo sem um 9, acredito que podemos fazer um papel razoável.

Título?

Aí não. Só se tivessemos um 9.

De resto - e como estamos razoavelmente bem servidos -, dá, com um pouco de sorte e sem os malditos e estúpidos empates em casa, para buscar uma vaga na Libertadores.

Ao final de 38 jogos, meu palpite é:

17 vitórias
11 empates
10 derrotas

Com 62 pontos, dá!

Vamos pro Rio!

Nunca é tarde...

... pra zoar quem merece!



Crédito: www.kibeloco.com.br

07 maio 2007

Que graça tem?

O Man United levou o título inglês da temporada 2006/2007 ontem.

Perguntas e respostas:

1. Qual foi o jogo do título?
Arsenal 1 x 1 Chelsea

2. Quem fez o(s) gol(s)?
Gilberto Silva (Arsenal), de pênalti.

3. Quem foi o herói da conquista?
Lehmann, com uma defesa fantástica já nos descontos.

4. Qual lance ficará marcado na memória dos torcedores?
Considerando que o Manchester nem estava em campo, nenhum.


Ser campeão sem jogar?

Que falta faz uma final...

04 maio 2007

Alma Castelhana



Ouvi, não apenas de um gremista na última quarta, perguntas com este tom: "Mas, cara, o que é essa torcida que não enche o estádio e que não canta em jogo de Libertadores?".

Eram os tipos mais diversos, de gente que veio de Porto Alegre a outros que moram por aqui mesmo. Da SRG, da Jovem, mas, em sua maioria, da Geral do Grêmio, sem identificação por camisa de organizada.

O inconformismo dava o tom.

Para uma torcida guerreira, como a do Grêmio, é inconcebível a postura dos bambis. Tanto quanto é para nós, e nascem daí todos aqueles questionamentos a cada confronto com a bicharada.

Tentei detalhar o histórico daquela gentalha que insistia em atirar para baixo toda sorte de coisas - e até nisso eles foram incompetentes -, mas não sei se ficou claro. Falei sobre a geração aborto, sobre a horda de moleques inconseqüentes que se diz torcida organizada, sobre o perfil dos bambis tradicionais e do recente zé povinho.

Mas os caras não se conformavam.

Comecei então a conversar sobre a torcida do Grêmio, mais especificamente sobre esta nova fase, assumidamente argentina. Um deles foi direto: “Nós aprendemos, não acha? Cara, o que era a torcida do Grêmio antes? Que respeito a gente tinha? Agora é isso que você vê em todo jogo lá no Olímpico...”

E aí, depois de toda essa embromação, chego ao que interessa:

O que é a torcida do Grêmio hoje se não a mais vibrante do país? Mais do que a nossa, mais do que os gambás, mais que a do Galo...

Aos que discordam, recomendo acompanhar o próximo jogo.

Isso se deve exclusivamente à atitude castelhana, algo que vem desde 2005, o ano do ressurgimento gremista.

A torcida do GFBPA deixou de ser brasileira para se tornar argentina.

Cânticos com palavras em espanhol, letras elaboradas, nada de copiar os adversários. Faixas penduradas em qualquer pedaço de muro ou grade, instrumentos de percussão diferenciados, avalanche. Massa uniforme, mesmo jeito de movimentar os braços, disposição. E o essencial: apoio incondicional.

Na última quarta, foram oito músicas durante os 90 e poucos minutos de jogo; nenhuma foi repetida. Além de sair com a roupa impregnada da urina de ratos bambis, ganhei uma bela dor no joelho direito, sacrificado que foi por pular sozinho enquanto o esquerdo ficava apoiado na parte alta dos bancos da geral.

Isso tudo será amplificado na próxima quarta-feira em Porto Alegre.

Cabe observar e aprender.

Alguns dizem que isso é “pagar pau”.

Pergunto: que mal existe em seguir o exemplo daqueles que são bons no que fazem?

E, quando se trata de torcer, não há povo melhor que nossos vizinhos...


***

VÍDEOS E SITES

Recomendo, só para começar:

Geral do Grêmio

Alma Castelhana





01 maio 2007

1º de maio. 1994

Devo muito do que sou hoje àquela tarde de domingo, 1º de maio de 1994. Não necessariamente pelo que significou a vitória diante da sub-raça, mas pelos reflexos dela para um então adolescente de 13 anos.

Tudo o que eu mais queria era poder estar no Jd. Leonor naquele feriado. Mas não tinha idade – tampouco dinheiro – para confrontar meu pai e dar as caras no estádio assim sem mais nem menos.

Fui então para o interior, meio que obrigado.

De lá acompanhei, pelas ondas da rádio, a virada (3 a 2) que praticamente assegurou ao Verdão o título paulista daquele ano.

Enquanto todos se divertiam na piscina ou no campo do futebol, eu me trancafiei no carro, cujo toca-fitas (sim, estamos falando de 13 anos atrás!) era meu único contato com o clássico decisivo.

Meus olhos eram os de José Silvério e dos demais integrantes da equipe esportiva da saudosa Jovem Pan.

Não poucas vezes, culpei meu pai por estar ali, em um sítio de Indaiatuba, e não no estádio então ocupado por 58.341 torcedores.

Hoje o entendo.

Mas não naquele domingo.

Especialmente antes do jogo, na comoção pela morte de Ayrton Senna, e nos minutos finais do segundo tempo, quando Maurílio e Evair se encarregaram de colocar tudo em ordem.

(Breve interrupção: Maurílio, atacante apenas esforçado para a época, seria hoje um bom titular, não acham?)

Ali, no momento em que a bola cobrada por Evair terminou na rede bambi, nasceu uma certeza: jamais, em hipótese alguma e fosse qual fosse o motivo, eu voltaria a ficar de fora do estádio em uma decisão que envolvesse o Palmeiras.

Ok, isso até aconteceu em uma das finais do Brasileiro de 94, mas eu era ainda um adolescente e pouca coisa havia mudado nos sete meses que se seguiram.

Mas foi só essa vez.

E a promessa de não perder nenhuma decisão ficou até pequena diante dos quase 500 jogos que me trouxeram até a pessoa que eu sou hoje.

Como quase tudo em minha vida, devo agradecer ao meu pai.

Obrigado!