25 abril 2007

Noites felipônicas


Entre 1997 e 2000, os palmeirenses vivemos grandes momentos. Vitórias, muitas, e derrotas, algumas, sempre com emoção. Eram tempos de Felipão, o homem que nos ensinou a torcer. Sob seu comando, o Palmeiras pode até não ter vencido tudo o que deveria, mas nunca deixou de lutar até o fim.

Do Brasileiro de 97, o primeiro campeonato, à Libertadores de 2000, o último, foram nove finais, quatro títulos, outras tantas semifinais e um número ainda maior de quartas e oitavas.

Felipão tinha (e tem) o mérito de transformar em decisão mesmo aquelas partidas rotineiras, de fase classificatória. Bastava uma palavra de ordem e o clima de guerra estava armado. Mais do que torcer, Felipão
nos ensinou a guerrear. Nem poderia ser diferente: foram 65 jogos por competições sul-americanas, um recorde difícil de ser batido.

Felipão mudou a maneira de o palmeirense ver o futebol.

Cada jogo era uma batalha.

Se houvesse uma classificação em disputa, aí tudo ficava mais intenso. Um clima todo especial cercava as decisões.

Filas intermináveis para comprar os ingressos - quem é que nunca dormiu nas calçadas da Turiassu ou mesmo na Papa Gennovese? -, tensão, expectativa, casa cheia, foguetório, pressão, clima de guerra, medo, emoção... tudo em doses intensas.

Quase sempre à noite. Quartas e quintas em especial (mas também segundas, terças e sextas). Noites mágicas.

Tomo a liberdade de denominá-las noites felipônicas. Luiz Felipe Scolari parecia (e parece) talhado para estes jogos noturnos, como se até os holofotes quisessem presenciar aquelas poucas horas de uma guerra que é também espetáculo.

Sua influência foi tão grande sobre a torcida (e sobre o clube, então com um câncer em evolução) que as noites felipônicas foram além de seu tempo. Marco Aurélio (2000-2001) e Celso Roth (2001) tiveram lá suas noites felipônicas - sem a mesma sorte. Se o primeiro foi vítima de absurdos da Copa Mercosul (outra final, sabe-se lá como) e da João Havelange, o segundo esbarrou em pilantras de preto lá (Buenos Aires) e cá (Palestra). Noites felipônicas, sem dúvida.

Depois, tivemos um ou outro momento, mas nenhum efetivamente digno de receber tal designação
. Os jogos decisivos da Série B, os clássicos da Libertadores, algumas Copas do Brasil... nada que possa ser comparado ao que vivemos entre 1997 e, vá lá, 2001.

Pensei nisso tudo ao entrar no Palestra antes do fatídico jogo contra o Ipatinga. Enquanto andava pelo clube, em direção à arquibancada já quase lotada, olhei para o céu e comentei com o Luigi: "Cara, isso tá com uma cara de noite de Felipão..."

Quase foi. Faltou algo.

Ou sobrou, no caso o pilantra de preto...

Não há de ser nada.


Elas voltarão!

***

PESQUISA


Tive o privilégio de acompanhar todas as noites felipônicas. Scolari era tão predestinado que sempre conseguia decidir em casa (ou por perto). E eu pude presenciar mesmo as mais distantes, no Rio e em BH.

O que faço agora é apresentar aquelas que foram as 12 maiores noites felipônicas (na minha opinião e valendo até o final de 2001). Por que 12? Sei lá, porque não consigo parar na décima. Mas gostaria de saber quais são as 10 maiores noites felipônicas para cada um de vocês. E aí?


12. Palmeiras 3 x 0 San Lorenzo/ARG.
07.12.1999 - Copa Mercosul/1999, semifinal
Palestra Itália - 26.197

11. Palmeiras 1 x 0 Cruzeiro/MG
29.12.1998 - Copa Mercosul/1998, final
Palestra Itália - 29.540

10. Bambis/SP 1 x 2 Palmeiras
30.11.2000 - Campeonato Brasileiro/2000, oitavas-de-final
Jd. Leonor - 32.009

9. SCCP 2 (2) x 0 (4) Palmeiras
12.05.1999 - Copa Libertadores/1999, quartas-de-final
Jd. Leonor - 42.360

8. Palmeiras 3 (3) x 1 (2) Peñarol/URU.
11.05.2000 - Copa Libertadores/2000, oitavas-de-final
Palestra Itália - 30.857

7. Palmeiras 7 x 3 Cruzeiro/MG
22.10.1999 - Copa Mercosul/1999, quartas-de-final

Palestra Itália - 8.293

6. Palmeiras 3 x 0 River Plate/ARG.
26.05.1999 - Copa Libertadores/1999, semifinal
Palestra Itália - 32.000

5. Cruzeiro/MG 2 (3) x 2 (4) Palmeiras

30.05.2001 - Copa Libertadores/2001, quartas-de-final
Mineirão, Belo Horizonte/MG - 71.409

4. Vasco/RJ 2 x 4 Palmeiras
21.04.1999 - Copa Libertadores/1999, oitavas-de-final
São Januário, Rio de Janeiro/RJ

3. Palmeiras 2 (4) x 1 (3) Deportivo Cali/COL.
16.06.1999 - Copa Libertadores/1999, final
Palestra Itália - 32.000

2. Palmeiras 4 x 2 Flamengo/RJ
21.05.1999 - Copa do Brasil/1999, quartas-de-final
Palestra Itália - 30.000


1. Palmeiras 3 (5) x 2 (4) SCCP/SP
06.06.2000 - Copa Libertadores/2000, semifinal
Jd. Leonor - 62.837

24 abril 2007

Pacaembu, 31 mil?

Tá no Painel FC de hoje:

Lipo. A Secretaria Municipal de Esporte concluiu o projeto para remodelar o Pacaembu. A capacidade cairia de 37 mil pessoas para 31 mil.

Posso até ser pouco exigente, mas acredito que o Pacaembu, a mais bonita e acolhedora praça esportiva desta capital, vai bem, obrigado. Não vejo, portanto, motivos para mudar o que quer que seja. E aí fico intrigado com esta pataquada da SEME. Mais dinheiro no lixo e menos espaço para o torcedor. O encolhimento do Paulo Machado de Carvalho chega a irritar.

Vejamos:

Nas décadas de 50 e 60, o Pacaembu, sem tobogã, chegou a receber 70 mil torcedores. Sim, 70 mil sem tobogã! O tempo passou e veio o tobogã, mas a capacidade, nos anos 80, batia na casa dos 55 mil.

Vieram as primeiras adequações e o número despencou para os 45 mil na década de 90. Minha melhor lembrança é a de um Palmeiras 3 x 1 Guarani, pela semifinal do Brasileiro-1994. 44.957 pagantes.

45 mil? Esta marca ficou inatingível no final dos 90. Vieram as cadeiras centrais, os assentos amarelos e a Prefeitura passou a trabalhar com o número de 37.391. É o que persiste até hoje, ainda que a carga máxima de ingressos insista em não ultrapassar os 34 mil.

E os burocratas de plantão vêm agora e resolvem mudar mais alguma coisa no estádio municipal?

31 mil torcedores?

A troco de quê?

23 abril 2007

Será coincidência?

1994. 12 de maio.
O Palmeiras bate o Santo André, no ABC, por 1 a 0, gol de Evair, e fatura o Campeonato Paulista daquele ano com uma rodada de antecedência, a 29ª. Noite de quinta-feira. Ao mesmo tempo, o SPFC era eliminado com um empate em quatro gols contra o Novorizontino, em casa. Tudo resolvido, mas a rodada de domingo, a 30ª, apontava um Palmeiras x SCCP, o grande clássico da cidade, no Jd. Leonor. Àquela altura, serviria apenas para cumprir tabela e para a festa palestrina. Eis que no dia seguinte, sexta-feira 13, o gramado do estádio amanhece destruído a golpes de picareta. Na calada da noite, cidadãos até hoje não-identificados invadiram o gramado e o destruíram por inteiro. Ninguém soube explicar, os diretores leonores nada disseram e o jogo foi para o Pacaembu. Palmeiras 2 x 1 SCCP, coroando uma campanha 30-20-7-3.

2007. 22 de abril.
Em meio à polêmica armada pelas inversões de mando da FPF, o Santos é obrigado a jogar no estádio do Jd. Leonor. Além de cobrar os 15% de aluguel e de armar as palhaçadas usuais, a diretoria do SPFC não cumpre o prometido e chega a causar tumulto com o presidente do time da Baixada. Mas não parou por aí. Começa o jogo, sob chuva, e o sistema de drenagem do Jd. Leonor simplesmente não funciona, prejudicando o espetáculo. Ah, se a chuva não tivesse parado...

17 abril 2007

Os dois pênaltis

Difícil esquecer os dois lances capitais que nos levaram às férias forçadas no meio da temporada. Dois pênaltis. Dois pobres diabos. E nós pagamos pelo mau-caratismo de um (aquele que não marcou a penalidade máxima contra o Bragantino aos 42 da etapa final) e pela desonestidade de outro (o que mandou voltar a cobrança defendida pelo Diego). Até quando seremos roubados assim?

15 abril 2007

Pobre Paulistão

Palmeiras e SCCP, os dois maiores clubes do estado, foram alijados da semifinal do Paulistão-2007. No lugar deles, estão dois clubes-mentira, um dos anos 90 e outro de agora, dos anos 2000. Deixando de lado as causas e possíveis explicações, atenho-me às conseqüências.

É fato que a atual (e nefasta) administração da FPF faz por merecer o ocorrido nas últimas quatro temporadas. Por coincidência ou como reflexo direto de seus mandos e desmandos, eis o que tivemos:

2004: Paulista x Azulinho em uma final descaracterizada, com menos de 10 mil pagantes no Pacaembu;

2005 e 2006: pontos corridos em turno único;

2007:
Del Nero, sua corja e os bambis aproveitadores armaram todo o circo para que este final de semana tivesse dois jogos semifinais com inversão de mando. Assim foi. Um absurdo sem tamanho, mas que apenas ratifica o mar de lama em que mergulhou o futebol de SP.

Minha saúde mental pede que eu não fique aqui rememorando todas as declarações da semana, escrotas por natureza, de Del Nero ao anão-de-jardim, passando pelo técnico dos caras e por jogadores que mal sabem organizar uma frase e acham que podem sair por aí emitindo opiniões. Prefiro me ater ao que houve de concreto:

Sábado: vaias para um time que ostenta uma campanha 24-3-1;


Domingo: 15 mil pagantes? Isso é público de semifinal?

Pobre Paulistão...

12 abril 2007

Há esperança

A classificação não veio – e nem poderia. Mas houve mais esperança do que o previsto. Por longos 70 minutos, ao final dos quais a expectativa deu lugar à resignação.

Afinal, a eliminação não veio ontem, mas no domingo.

Antes até, nos muitos empates em casa – até quando?

E naquele fatídico roubo contra o mesmo Bragantino.

Ao final, aplausos.

De novo.

Virou rotina aplaudir o time pela dedicação, pelo empenho, pela garra. Pelo (bom) trabalho, como gosta nosso amigo comunista do Jaçanã.

Mas eu insisto na tese: andaram inventando uns gols para o Bragantino nesse meio de campeonato. Porra, de onde é que surgiu esse saldo de 18 gols? Por acaso teve alguma regra de gols fora de casa? Só assim para explicar...


Não me surpreenderia se descobrisse que a FPF inventou gols lá na tabela de classificação. Não só gols, como pontos também.

Vejamos: 10-5-4, com 14 gols de saldo? Não é uma má campanha. Ainda mais se considerarmos que a sorte não esteve ao lado de um time que mostrou um bom desempenho em pelo menos 16 dos 19 jogos que disputou.

Quem mais perde é o Paulistão.

Um mês de férias pela frente?

Não vai ser fácil.

Mas o clima de ontem, do time e da torcida – que lotou o Walter Ribeiro –, dá a todos nós o direito de sonhar.

Há esperança.

O caminho é este!

Resta esperar por um novo ciclo.

As coisas vão mudar...

***

SP-SOROCABA-SP

É uma pena que o São Bento tenha caído. Além de ser um clube tradicional, manda seus jogos em um estádio que fica bem acima da média do que encontramos pelo interior afora.

Boa localização, acesso ainda melhor, razoável conforto na arquibancada - a visão deve ser bem melhor lá no setor superior, mas ok - e uma seleta presença feminina - teve nego aí que se apaixonou cinco vezes só ontem.

Para melhorar, conseguimos reunir em um único carro um comunista, um fascista e um anarquista. Grandes figuras, que já compensam a viagem só pelas besteiras que são ditas.
***

Além de São Bento, Rio Branco e Santo André, caiu ontem uma das trolhas que estavam na Série A1. É torcer agora para que os quadrangulares da Série A2 se encarreguem de trazer para cima outras boas opções de caravana para 2008.

10 abril 2007

O que se passa com Edmundo?

Com 35 anos – até o dia 1º, portanto –, o nosso camisa 7 não hesitava em dizer que vivia agora, no Palmeiras, o melhor momento de sua carreira. Que não era tão feliz há tempos, e que tinha tranqüilidade para trabalhar e o amor de toda uma torcida. Bastava isso para encerrar a carreira no clube que ama.

No dia 2, Edmundo chegou aos 36 anos.

Vieram, então, em uma única semana, a tal proposta dos EUA, a eliminação da Copa do Brasil (parte da culpa é dele, é bom que se diga) e a virtual desclassificação do Campeonato Paulista.

Tudo mudou.

Edmundo chorou, disse que não se sente mais querido e cogita abandonar a carreira. Assim, de uma só vez.

O que se passa?

Edmundo, me parece, entrou em um momento psicológico delicado. A saudade do filho, a pouca disposição para enfrentar a rotina de jogos e concentrações, a constante pressão de jogar em um time grande.

Tudo muito compreensível.

Edmundo, me parece, não tem mais idade para isso.

Ou pensa não ter.

Talvez seja a hora de curtir a praia, jogar um futevôlei com os amigos e não dever mais satisfação a ninguém. A milhões, no caso.

Talvez seja a hora de dizer adeus.

Se assim for, é o caso de assumir a decisão.

O que não dá é para jogar a responsabilidade na diretoria, na imprensa, na torcida ou em quer que seja.

Ao Animal, cabe refletir.

Ele terá um mês de férias forçadas para isso.

Dá tempo de pesar os prós e os contras, e calcular o impacto de abandonar uma carreira como a dele, tão vitoriosa.

Da nossa parte, ele terá apoio.

Edmundo é craque. Um dos maiores da nossa história.

É ídolo, e isso não muda por nada.

36 anos nas costas, é indispensável ainda.

Mas ele precisa querer.

09 abril 2007

Desabafo sem fim

O feriado nos reservou duas eliminações traumáticas, um inesperado mês de férias, vilões de sobra e mais um pouco de histórias trágicas para nossas já cansadas memórias de estádio.

Há tanto a ser dito – e eu felizmente viajei no período entre os dois jogos – que eu nem sei por onde começar. Até ensaiei alguns desabafos aqui e ali, mas não vale a pena me desgastar tanto. Afinal, tudo já foi discutido à exaustão, na madrugada de sexta e ontem.

Tentarei, pois, ser breve.

Começo por dizer que é utópico sonhar com uma classificação na próxima quarta-feira lá em Sorocaba. Estamos fora.

A eliminação veio hoje. Apenas mais uma na série de decepções que vão deixando uma mácula sobre o Palestra Itália. E esta última veio acompanhada de uma dose de incompetência poucas vezes vista.

Desnecessário relatar aqui os motivos todos. Vimos com preocupante clareza os que sofremos à toa na tarde chuvosa na zona oeste.

Acrescentamos um pouco mais de mágoa àquela que ficou da noite de quinta, roubados que fomos em nossa própria casa.

Fosse apenas desta vez e até que seria aceitável. Mas não foi. Longe disso. De roubo em roubo, crescem o ódio e o inconformismo.

02 abril 2007

A diretoria mandou bem

Em questão de poucos meses, a renovada diretoria do alviverde acertou mais do que a corja anterior em anos e anos de desmando. Vejamos dois dos acertos mais recentes - e com reflexos imediatos:

1. A manutenção dos dois próximos jogos no Palestra
Dois eram os argumentos para transferir as partidas contra Ipatinga e Guaratinguetá do Parque para o Pacaembu:
a) impossibilidade de vender ingressos para a numerada coberta, em reformas;
b) restrição do número de cabines de imprensa e mesmo da visão dos jornalistas que ficam ali no alto.

Se são dois os argumentos, dois também são os contra-argumentos:
a) é fato inconteste que o povo da numerada só serve para encher o saco. Se for para não ajudar o Palmeiras, é melhor ficarem em casa;

b) jornalista esportivo é uma raça filha da puta. Se for para atrapalhar o Palmeiras - e é, ao menos na intenção -, é melhor que não apareçam na nossa casa. Pau no cu da imprensa!


2. A promoção: ingressos de R$ 20 por R$ 10

Peço a alguém que me desminta, mas algo me diz que a última vez que tivemos uma promoção na venda de ingressos foi no longínquo 1999, em um Palmeiras 6 x 0 Botafogo que quase nada valia, ainda pela fase de classificação do Brasileiro daquele ano. Já passou da hora de incentivar a presença do torcedor. Momento melhor não poderia haver.

***

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL?

Deixo-os aqui com três notas extraídas do Painel FC da última sexta:

Horário livre
Fortalecidos pela disputa entre Globo e Record, cartolas do Rio e de São Paulo iniciam um movimento a favor de autonomia dos clubes para definir os horários dos jogos na TV. Apostam que a diferença de proposta das duas emissoras pelo Brasileiro, a partir de 2009, deve ser pequena. Assim, quem for mais maleável em relação ao horário leva vantagem. O Botafogo defende que o Clube dos 13 encomende uma pesquisa para saber quando o torcedor mais jovem prefere ver as partidas. Crê que esse deve ser o público-alvo.

Agora ou nunca
Para o botafoguense Bebeto de Freitas, graças à disputa entre as emissoras, os clubes têm uma oportunidade rara de alavancar a venda de ingressos. Isso com horários mais atraentes.

Até um dia
Fábio Koff, do C13, ligou para Edu Zebini, executivo da Record, e se colocou à disposição para ouvir a proposta da emissora no momento oportuno. Desmentiu que não quisesse recebê-lo. Mas não marcou data.