28 dezembro 2006

Um clássico na Europa

Roma-Lazio está longe de ser um Palmeiras-SCCP, seja lá qual for o critério de comparação. Mas o dérbi da Cidade Eterna leva vantagem hoje diante do maior clássico brasileiro. Afinal, aquele clássico – e todos os demais europeus – não foi ainda vítima da banalização imposta por dirigentes ou do desrespeito descarado e ditatorial de certa emissora de TV. São dois jogos por temporada, sempre em dias e horários adequadas à cultura italiana.

É por isso que se pode estar indo de Napoli para Roma, de trem, poucas horas antes, e ouvir duas mulheres – que de torcedoras nada tinham – debatendo a importância do jogo e, acima de tudo, os reflexos disso na cidade. Pode-se dizer que Roma parou para ver uma partida de futebol, que gerou expectativa por toda a semana, chegando a merecer cadernos especiais em todos os jornais da capital. Isso já é coisa do passado por aqui.

Chega de digressões. Vamos ao que interessa:

Do Roma Termini – estação central do Metrô e principal ramal para as linhas de trem que servem todo o país – ao Stadio Olimpico, na região noroeste da cidade, gasta-se 30 ou 40 minutos, de metrô e ônibus, em dias de jogo. Neste percurso, o que mais se vê são policiais. Quase dois mil, diziam os jornais.

Senti um certo exagero nisso tudo, visto que torcedores rivais são capazes de dividir o mesmo ônibus sem violência. No meu, por exemplo, havia cerca de 15 da Roma e no máximo 10 da Lazio, incluindo algumas mulheres. Ok, não chega a ser um clima cordial – os olhares enviesados deixam transparecer o ódio –, mas eles se suportam.

Já nas imediações do estádio, nota-se uma certa divisão, natural se considerarmos que as entradas – Nord e Sud – são opostas, com as tribunas – divididas – no meio. Não há grandes bolsões de estacionamento; as pessoas param na rua mesmo, mas isso é tarefa bem mais fácil do que aquela enfrentada por aqui. Não há flanelinhas vagabundos. O trânsito, por sua vez, segue com relativa tranqüilidade. O problema, inevitável, é o pós-jogo.

Desci do ônibus já em frente ao Largo de Bosis, local em que deveria retirar o ingresso comprado pela internet. Tudo muito fácil. Bastou apresentar passaporte e comprovante de compra para sair com o bilhete: Curva Nord, Setor 48G, fila 63, cadeira 19. Tudo nominal.

O que comer? De um lado, há o rio Tevere, com as margens ocupadas por bares e restaurantes. De outro, trailers enormes a fazer as vezes das nossas barraquinhas de pernil e calabresa. As opções variam desde os tradicionais paninis até sanduíches com pão ciabatta, antepastos e carne de porco assada na hora. Nada mal este último.

De bebidas, um pouco de tudo, vinho e cerveja, em especial.

O ambiente que cerca o estádio – e aquele jogo em particular – é grandioso. Cheguei cedo, 1h20 antes, mas o movimento já era intenso, barulhento, tomado pela ansiedade que cerca qualquer grande jogo.

Atravessei a Viale del Foro Italico, passando por todo o complexo que circunda o estádio propriamente dito. Diante da imponente Tribuna Tevere, há um sem número de esculturas, como que a deixar bem claro que se está em Roma. Do lado externo, policiais aos montes inibiam qualquer perspectiva de confronto. E o vermelho era aos poucos substituído pelo azul da maioria – naquela noite pelo menos. Lá dentro, barulho, cantoria, prenúncio de festa.

Logo adiante, a Curva Nord.

Para liberar a catraca, basta inserir o ingresso no leitor magnético de modo que seja possível a leitura do código de barras. O canhoto é destacado mais à frente.

Por último, a revista policial, com detector de metais. A grande diferença é que o policial lança um “Buona Sera” antes e depois. A educação, para quem vem do Brasil, surpreende.

Uma rápida visita ao banheiro evidencia que as coisas não são tão diferentes por lá. A sujeira e o mau cheiro chegam a ser até piores do que em muitos dos nossos estádios.

Depois, é só seguir para o meu lugar na arquibancada. Mas qual lugar? Tomei o cuidado de me dirigir ao tal setor G, mas sequer pude chegar à minha cadeira. Não que eu quisesse, claro, mas pensei que lá houvesse respeito aos tais lugares numerados. Bem-vindo ao setor dos ultras.

Uma hora antes, estádio lotado. De um lado, cerca de 18 mil da Lazio; de outro, número parecido da Roma. Nas duas tribunas centrais, platéia dividida, com leve predominância da mandante Lazio. Prato cheio para as confusões.

E que confusões! Houve, para se ter uma idéia, guerra de sinalizadores na tribuna e nas arquibancadas. Com meia dúzia de policiais a separar as duas torcidas, o que mais se via eram os foguetes voando de um lado para o outro. E a pontaria foi exemplar: pelo menos 10 torcedores foram atingidos em cheio pelos sinalizadores.

Nas curvas, local em que ficam os ultras, a reação imediata foi lançar os sinalizadores para o gramado, em direção aos jornalistas que ficam atrás das placas de publicidade. E dá-lhe jornalista correndo...

Se fosse por aqui, os dois times seriam punidos com a perda de 80 mandos de campo. Quer dizer, não os bambis, mas todos os demais. Isso prova que precisamos acabar com essa putaria de proibir o sagrado arremesso de chinelo ou de copos d’água no gramado. É um direito do torcedor.

Voltemos a Roma.

A festa que antecedeu o apito inicial foi belíssima. A começar pelas vaias e aplausos no aquecimento dos times, passando ainda pelos cânticos de ofensa de parte a parte e culminando com o espetáculo protagonizado – especialmente pelos torcedores da Roma – na entrada das equipes.

Contribui para isso o fato de os líderes dos ultras terem os seus gritos amplificados pelo sistema de alto-falantes daquele setor específico. Lá de baixo, bem perto dos vidros que os separam do campo, há oito ou 10 deles. Os caras passam o tempo todo de costas para o que acontece no gramado, preocupados apenas em puxar os gritos que ecoam por toda a curva.

De onde eu estava, mais para cima do que para baixo, o som é perfeitamente audível. A reação da massa é quase sempre imediata.

Muitos me perguntaram se há mesmo fascistas na torcida da Lazio? Pois eu respondo: sim, e não são poucos. Durante a execução do hino da Itália, já no final do segundo tempo, pelo menos metade do público da Curva Nord fez aquele sinal característico que eu não ouso descrever aqui.

Tirando isso – e as manifestações racistas contra qualquer atleta que não fosse totalmente branco –, as coisas transcorrem numa boa. Há, é claro, os mais exaltados, e estes se destacam por nunca deixar de lembrar o nome de Paolo Di Canio, ídolo maior do nosso amigo Luigi.

Luigi, que, por sinal, ficaria bastante irritado com a insistência dos laziale em lembrar a todo o estádio que ali não havia napolitanos. E esta é apenas uma das muitas implicâncias regionais de um e de outro lado.

De resto, devo dizer que torci pela Lazio. Não por ter qualquer simpatia por este clube, mas o fato é que estava ali para aproveitar um espetáculo único. Nada melhor, portanto, do que comemorar os três gols, cantar, pular e cair pela arquibancada no meio de toda essa festa.

Ah, o gol do Ledesma, por sinal, foi qualquer coisa de espetacular. 0 a 0, 44 minutos da etapa inicial. Bola na direita do ataque. Ele avança livre e bate pelo alto, no ângulo direito de Doni. A Curva Nord vem abaixo. Eu, por exemplo, fui parar três degraus para baixo. Nada diferente do que acontece por aqui, é claro. Mas é empolgante. Impossível ficar indiferente.

O segundo tempo foi conseqüência do primeiro. Com Totti apagado, a Roma não conseguiu ameaçar a meta da Lazio, que venceu por 3 a 0.

Depois do jogo, o tumulto natural quando se tem 70 mil pessoas deixando o estádio ao mesmo tempo. E o clima é, por incrível que pareça, amistoso. Torcedores rivais se encontram sem qualquer problema e alguns - certamente amigos - até se cumprimentam. O clima de guerra aparece apenas quando algum babaca da Lazio passa de carro e provoca um grupo dos adversários.

Com tanta gente por ali, o trânsito é caótico. Demorei quase uma hora para pegar o primeiro ônibus, rumo ao centro. Depois, mais alguns minutos para o segundo. Cheguei tarde da noite no hotel, mas ainda a tempo de acompanhar o debate esportivo da Rai.

Minha cabeça, no entanto, já estava no meu próximo clássico na Europa. Se tudo der certo, já nas férias de 2007...

22 dezembro 2006

Del Nero, fantoche do mal

Del Nero é um nome eternizado na história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Descendente de italianos, este meia-esquerda defendeu o clube por quase 10 anos. Foram 244 jogos, o bastante para conquistar cinco títulos paulistas, incluindo aquele, de 1942, contra a sub-raça.

Del Nero, que descansa em paz, não merece o filho que tem.

Del Nero, o pai, não merece ver Marco Polo sujar o seu nome.

Del Nero, o filho, é um dos maiores vilões que o futebol já teve.

E é certamente o grande inimigo do torcedor na atualidade.

Ao agir como fantoche da emissora-câncer-do-futebol, Del Nero apenas ratifica o que já sabia desde o fatídico dia em que assumiu a presidência da FPF e elevou, de maneira ditatorial, de R$ 10 para R$ 20 o preço da arquibancada: ele é contra o torcedor de futebol neste país.

Del Nero não leva em conta o interesse dos que sustentam o futebol. Age de acordo com interesses espúrios - como já fizera no episódio da venda dos direitos de transmissão das próximas edições do Paulista. "Se passar, vamos jogar fora de São Paulo", disse, em resposta à lei, aprovada na Câmara Municipal, que proíbe que jogos de futebol tenham início após as 21h nesta capital.

Fantoche do mal, Del Nero encampa o discurso de toda aquela gentalha maldita: "Quem tem dificuldade nesse horário fica em casa", vociferou, na maior cara de pau.

E mais: "Se ouvissem a maioria, não tomariam essa decisão".

Ah é? Pois eu pergunto: seria uma minoria a ter dificuldades para voltar para casa após jogos que se encerram quase no dia seguinte? Seria uma minoria a reclamar das tantas arbitrariedades já cometidas pela emissora-câncer-do-futebol? Seria uma minoria a ficar em casa porque os jogos acontecem em horários estúpidos?

Vai prevalecer um único interesse.

E não é o do torcedor...

21 dezembro 2006

Vitória (parcial) do povo

Tá no blog do Juca Kfouri:

Bomba natalina!

A Câmara dos Vereadores de São Paulo aprovou em segunda votação, definitiva, portanto, na noite de ontem, uma lei proposta pelo vereador Tião Farias (PSDB) que proibe a realização de jogos de futebol que comecem após as 21 horas na capital paulista.

O texto, agora, irá para aprovação do prefeito Gilberto Kassab.

Certamente a TV Globo tentará impedir que o alcaide sancione a lei.

A íntegra está aqui.

A vitória é apenas parcial. A suja emissora carioca vai tentar derrubar a lei. O povo torce. Deixo o "Chupa, Globo" para a eventualidade de conseguirmos a vitória definitiva.

Como construir um estádio

O nome do cidadão é Júlio Casares, e ele ocupa o cargo de diretor de marketing do clube do Jd. Leonor.

A frase dele, no Painel FC/ FSP da última terça, é esta:

"Muitos corintianos compraram a grama do estádio e plantaram para ver se nasce um Morumbi"

Perguntas:
1. Com todo o know-how adquirido pelo clube do Jd. Leonor na arte de construir um estádio com o dinheiro do povo, não seria mais fácil propor aos corintianos que tivessem como próximo presidente um cara que acumulasse também o cargo de governador do Estado?

2. Não seria mais fácil, com base no histórico leonor de levar (ou tentar levar) na mão grande o patrimônio alheio, sugerir que o SCCP tomasse o Canindé da pobre Portuguesa?

3. Ou o terreno do Nacional, para construir, com a colaboração do Estado, um estádio maior?

4. Que tal este sujeito, em vez de vomitar esse tipo de coisa, revirar a história suja do clube dele para saber como foi construído o estádio de que ele tanto se orgulha?

É sujeira demais pra um clube só...