29 novembro 2006

Férias

Ao tradicional alívio após 12 meses (15 para mim) de trabalho (sempre) estafante, é necessário acrescentar outro ainda maior, o de termos escapado de uma tragédia que se anunciou aos poucos neste ano maldito (mais um!).

Quando marquei a data da viagem, meses atrás, imaginava que meu único prejuízo seria não poder ir ao Rio para ver o último jogo da temporada. Nada assustador, considerando-se que, a meu ver, o duelo diante do Fluminense nada valeria.

De fato, não vale porra nenhuma. Mas poderia valer. Muito!

E aí não conseguiria viajar em paz. Não só pela perspectiva iminente de uma nova catástrofe, mas essencialmente por não poder estar ao lado do Palmeiras, no Maracanã, em um momento tão decisivo.

Escapamos. E eu viajo em paz.

O blog também entra em férias.

Até o dia 20!

28 novembro 2006

O rato, o velho e as pedras

1. A situação é tão trágica que até um rato invasor vira notícia. E gera observações excelentes, como a de um amigo do Fernando Cesarotti. É dele a frase "Dá a 9 pro rato". A bem da verdade, poderia ser a 9, a 6 ou a 3, sem qualquer prejuízo.

2. Nossa pressão parece ter surtido efeito: Palaia caiu. Com meses de atraso, é verdade, mas caiu. Faltam pelo menos mais 300.

3. Alguém entre os invasores da numerada viu as pedras supostamente atiradas no campo? Porque eu estava lá na hora da revolta e não vi nada disso - e de onde teriam vindo as pedras? Fato é que algum promotor fez a denúncia ao STJD, que ameaça nos punir com a perda de até 10 mandos de campo! 10? Pois eu digo uma coisa: se o Grêmio levou três jogos por tudo aquilo que fizeram seus torcedores no Beira-Rio, temos aí um limite para futuras punições.

27 novembro 2006

...

Há muito a ser dito, mas pouco a acrescentar. E a inspiração não veio; nem virá. Talvez porque esses filhos da puta (jogadores, técnico e dirigentes, estes mais do que aqueles) tenham chegado ao cúmulo de me deixarem com vontade de abandonar o estádio com apenas quatro minutos de jogo.

E não foi aquela sensação de querer sair para não ver (mais) um vexame, mas sim a inesperada vontade de estar bem longe dali, em outro estádio. Em quatro minutos, veio o ímpeto de sair do meu lugar e seguir para qualquer outro que tivesse ligação direta com Goiânia.

O Inter fez o que quis, mas eu não vi porra nenhuma. Se alguns viram um tal de Pato (meu único comentário a respeito foi: "Olha o nome do filho da puta que fez o gol na gente..."), eu só vi a história desmoronar diante dos meus olhos.

A desonrar nossa camisa, um bando sem alma.


Coube aos teimosos torcedores - que fomos ao estádio mesmo contra a vontade da diretoria -, tomar uma atitude.

Ouso dizer que o Inter se comoveu com o clima de guerra e com a tensão que tomou conta da arquibancada. Não só do setor popular, mas também da numerada, invadida que foi por nós.

Lamento que não tenha acontecido algo mais grave.

Todos os limites já foram superados.

Alguém precisa pagar pelo sofrimento de 15 milhões.

24 novembro 2006

À vitória, Palmeiras!

Mesmo com a diretoria jogando contra, vamos fazer a nossa parte. Não sei em que número - a julgar pelos intocáveis R$ 20, não querem que a torcida compareça -, mas lá estaremos. Domingo é dia de colocar um ponto final neste ano maldito. É dia de exterminar esta mínima possibilidade de catástrofe, sepultando mais uma temporada de decepções. E é dia de encerrar o ano com um pouco de dignidade. Mais do que isso, com um pouco de paz.

Lutar! Vencer ou morrer!

Causa ou conseqüência?

Comentarista esportivo ruim é o que mais tem por aí. Na falta de algo melhor para dizer, a maioria apela para discursos vazios ou clichês estúpidos. É o que temos, por exemplo, no uso já abusivo do adjetivo "Lamentável...", assim mesmo, com reticências, sempre que aparecem imagens de brigas de jogadores ou torcedores ou qualquer outro tipo de confusão nos estádios de futebol. Ninguém se preocupa em entender o que aconteceu; é mais fácil lançar mão deste recurso babaca.

Há, no entanto, uma outra babaquice que tem me irritado. Li em alguns lugares coisas parecidas com isto aqui: "Os seis líderes do Campeonato Brasileiro não trocaram o treinador. Em compensação, os quatro últimos trocaram de técnico pelo menos três vezes. Logo, o segredo do sucesso está na manutenção dos profissionais etc. e tal".

Pois bem, não contesto a necessidade de planejamento e de manutenção do grupo de trabalho. Mas este argumento repetido à exaustão pela nossa imprensa está errado desde o princípio, pois credita como conseqüência o que é na verdade a causa.

Afinal, os times que estão na rabeira tiveram mais treinadores exatamente porque estão mal das pernas - e não o contrário. Em contrapartida, os que estão lá no alto não precisaram trocar ninguém.

Não faz mais sentido assim?

23 novembro 2006

A imortal camisa 12


O glorioso Clube Atlético Mineiro, que retorna em grande estilo ao lugar de onde nunca deveria ter saído, vai aposentar e imortalizar a camisa 12 em homenagem à torcida, que o acompanha desde 1908.

O Galo rende assim uma bem-vinda homenagem ao principal jogador de sua história: o torcedor.

Porque os jogadores, por mais craques que sejam, estão sempre de passagem. Podem eventualmente chegar à condição de ídolo e até virar símbolo de uma era, mas estarão sempre de passagem. O torcedor fica. Ninguém merece tanto ter a camisa imortalizada.

Fica o exemplo.

22 novembro 2006

O direito de ser campeão

Somente um desequilibrado mental reúne condições de contestar os méritos de um campeão que atinge impressionantes 21-11-4/64x32. Sem Zveiter, Rezende e esquemas sujos, sobrou neste ano a justiça que faltou em 2005. Não tenho, portanto, qualquer pretensão estúpida de fazer objeções à conquista dos bambis.

A pergunta que coloco aqui é: quem pode se declarar campeão?

Muita gente. Os jogadores. O técnico. A competente diretoria bambi - ainda mais se contrastada às demais. E... parte da torcida.

Qual parte?

Refiro-me àqueles que são torcedores sempre, do início ao fim, nas vitórias e nas derrotas. Especialmente nas derrotas.

Àqueles que acompanham a trajetória desde o início.

Vejam que não falei em torcedores de estádio, embora, por motivos óbvios, os tenha na mais alta consideração. Há, por 'n' motivos, aqueles que não podem ir (ou simplesmente não vão) aos estádios. Se isso os diminui? Não, desde que, à distância e à maneira de cada um, eles se comportem como nós, torcedores de estádio.

Tudo isso para dizer que este texto não serve ao propósito de abordar assuntos como média de público, fidelidade, comportamento na arquibancada ou ingressos a preços promocionais em plena fase decisiva. Isso já foi debatido anterior e exaustivamente.

Pergunto, pois:

Por que diabos um sujeito que nunca se interessou por futebol vem agora se dizer campeão? Que direito tem de se declarar tetra alguma coisa se ele não faz idéia de quais foram as outras conquistas? Que direito tem de se sentir vencedor se não participou de porra nenhuma? Se sequer se interessou pelos jogos anteriores? Se desconhece o fato de o futebol existir antes do fatídico 1992?

Porque é fácil chegar na reta final (que durou alguns desagradáveis meses, diga-se de passagem), pagar R$ 10 (ou nem isso) e se gabar do que quer que seja.


E há aqueles que nem aí se empolgaram. Que sequer assistiram à partida decisiva. Ainda assim, na maior cara de pau, sentem-se no direito de comemorar!

Você, amigo, certamente conhece algum(a) (a) aproveitador(a) que passa o ano sem saber o que é futebol e que surge agora, das profundezas do esgoto social, com a cara de pau dos que se sentem vitoriosos por nada
. Pois faça uma simples pergunta a esse(a) babaca:

Quais foram os anos dos outros três títulos?

Ele(a) ficará sem resposta.


Na verdade, este(a) indigente do futebol é o(a) mesmo(a) que adora desmerecer a sua, a minha, a nossa paixão pelo esporte. É o(a) mesmo(a) que diz não entender como podemos fazer tudo o que fazemos pelo nosso clube.

O que comemora então?

Campeão?

Campeão na arte de ser oportunista, só se for!

21 novembro 2006

Faltam cinco!

Abaixo, os nove títulos nacionais da Sociedade Esportiva Palmeiras:

Taça Brasil: 1960
Taça Brasil: 1967
Torneio Roberto Gomes Pedrosa: 1967
Torneio Roberto Gomes Pedrosa: 1969
Campeonato Brasileiro: 1972
Campeonato Brasileiro: 1973
Campeonato Brasileiro: 1993
Campeonato Brasileiro: 1994

Copa do Brasil: 1998

Agora faltam cinco, sub-raça alienada!

A lista completa está aqui.

20 novembro 2006

Parado no tempo

1994. Dezembro, 18. Pacaembu.

Edmundo avança pela direita, invade a área e cruza para o meio. Rivaldo chega livre e, com uma sutil paradinha, desvia a bola para marcar, contra o SCCP, o gol que levou o Palmeiras a conquistar o Campeonato Brasileiro pela quarta vez. Àquela altura, tínhamos quatro títulos, o mesmo número obtido pela soma dos nossos três rivais estaduais (três do time do Jd. Leonor e outro dos gambás).

12 anos depois.

O Palmeiras, que luta para não ser novamente rebaixado à Série B, ostenta os mesmos quatro títulos de 1994. Parou no tempo. Bem ao contrário de seus rivais, que, juntos, somam 10 conquistas (4 + 4 + 2).

Qual é o próximo passo?

¡Sin hinchas no se juega!

Autoconvocados, socios e hinchas de Racing y San Lorenzo fueron a las concentraciones de ambos equipos —los de Racing en el hotel Panamericano y los de San Lorenzo en el Nuevo Gasómetro— para hacer un piquete al grito de ¡Sin hinchas no se juega!. Así, lograron que los micros que llevarían a los jugadores hasta La Plata no salieran.

Do Clarín.com
A matéria completa está aqui.

14 novembro 2006

Pela volta do mata-mata!

Dizem os defensores dos pontos corridos que não existe sistema de disputa mais justo. Que o campeão é aquele que soma mais pontos após enfrentar todos os outros times dentro e fora de casa, que o melhor sempre vence, que o mais regular é premiado etc.

Pois eu pergunto: você, amigo, acha mesmo que essa tal justiça é assim tão importante no futebol? Ou prefere a boa e velha emoção de vencer o maior rival na soma de dois jogos decisivos? Aliás, cabe discutir esse tal conceito de justiça.

O que vem a seguir são os argumentos de quem abomina a atual fórmula de disputa do Campeonato Brasileiro. Que humildemente prega o retorno do mata-mata, seja pela emoção que tanto faz falta ou pelo respeito à tradição quebrada após 30 anos de finais.

Pois bem, o principal campeonato de futebol deste país encaminha-se, pelo quarto ano seguido, para um desfecho sonolento e melancólico. Mais uma vez tolhido do sagrado direito a uma final, o torcedor tem muito a lamentar.

Com toda a propriedade, Xico Sá já abordou o tema em muitas de suas últimas colunas. Mas eu faço questão de expor uma vez mais todo o meu descontentamento com esta praga que infesta o esporte brasileiro (lembro que existe apenas um esporte; o resto é brincadeira).

Eis que o certame em questão perdeu a graça há dois, talvez três meses. Não há mais o que fazer. Sem confronto direto, sem olho no olho, o campeão sairá de uma partida qualquer, que vale apenas e tão somente para ele. Ao outro, pouco importa o resultado. Temos então um coadjuvante no que deveria supostamente ser uma final.


Pior: o campeão sequer terá o outrora inalienável direito de levantar a taça e dar a volta olímpica!

"Ah, mas o time tal somou mais pontos, foi mais regular, nada mais justo que seja o campeão", dirão os defensores dos pontos corridos, o chato Juca Kfouri à frente.

Que mané justiça? De que vale isso?

Por que diabos o futebol teria de ser justo?

Por que transformá-lo nessa matemática estúpida de "vence aquele que acumular mais pontos ao final de dois turnos"?

O futebol não existe para ser justo ou injusto. Tampouco exato e calculista. Ele só é o que é porque permite situações inesperadas. Porque permite grandes viradas. Porque o campeão nem sempre é o melhor; pode ser o mais guerreiro, por exemplo. Ou aquele que vive uma tarde/noite espetacular. Pode ser aquele que descobre um gol espírita quando menos se espera.


Eis aí um jogo que consagra nomes com a mesma facilidade que os atira na vala comum.

Finais serão lembradas por toda a eternidade.

O gol de pênalti de Evair em 93, o de Basílio em 77, o de Careca em 86, o de Chulapa em 84. Sorato em 89, Petkovic em 2001, Renato Gaúcho em 95, Maurício em 89.

Cada torcida tem a sua final inesquecível. As maiores alegrias de um torcedor estão aí, em finais, não em jogos isolados e casualmente decisivos por obra mais dos burocratas que fizeram a tabela do que pelo que acontece dentro de campo.

O futebol é o que é porque permite que um capenga oitavo colocado elimine o primeiro fodão em dois jogos lá e cá.

Injusto? Por que seria? Se o primeiro é assim tão fodão deveria ter a competência de eliminar um oitavo colocado, eventualmente com saldo de gols negativo na fase classificatória.

Se não o fez, temos então a justiça do futebol. No mata-mata, deu o oitavo. E é merecido, pois os dois duelaram frente a frente, olho no olho, sem intermediários. Foda-se a matemática.

Quem está preocupado em acumular pontos quando se pode vencer o maior rival com um gol chorado aos 45 minutos do segundo tempo? Ou buscar fora de casa um empate que garante a vaga na etapa final?

Quer coisa melhor que ir ao estádio para ver um jogo decisivo? Sentir a adrenalina do tudo ou nada? Vibrar com uma grande jogada, lamentar um gol perdido, sentir o alívio com uma defesa do seu goleiro? Incentivar, sofrer, comemorar, tudo ao mesmo tempo?

Mas não. Aí estão os pontos corridos a estragar o que o futebol tem de melhor: a emoção.

Pau no cu dos pontos corridos!

Viva o mata-mata!

***

Sonhar não custa nada

Tomo a liberdade de fazer um breve exercício sobre como estaria agora o Campeonato Brasileiro se tivessemos pela frente uma fase final, com mata-mata ou com dois quadrangulares decisivos. Em ambos os casos, seriam os oito tradicionais classificados:

1. Bambis, Internacional, Grêmio e Santos estariam matematicamente garantidos.

2. Vasco, Paraná Clube, Figueirense e Flamerda seriam, hoje, os quatro outros.

3. Cúzeiro, Bostafogo, SCCP, Goiás e Brisa do Paraná estariam na briga pelas últimas vagas.

Mata-mata/ Quartas-de-final
1: Bambis x Flamerda
2: Internacional x Figueirense
3: Grêmio x Paraná Clube
4: Santos x Vasco

Mata-mata/ Semifinal
Vencedor de 1 x Vencedor de 4
Vencedor de 2 x Vencedor de 3

Por grupos
Grupo A: Bambis, Santos, Vasco e Flamerda
Grupo B: Internacional, Grêmio, Paraná Clube e Figueirense

13 novembro 2006

Deixa chover, deixa molhar...

Falta um pouco ainda. Cinco pontos na matemática fria, talvez três na realidade do futebol. Mas a vitória de ontem, sofrida, suada e molhada, trouxe um alívio momentâneo. Se a rodada não ajudou, pelo menos fizemos a lição de casa. Debaixo de chuva, para alegria de uns e sofrimento de outros.

"Deixa chover, deixa molhar...
É no molhado que o Palmeiras vai ganhar!"


***

Edmundo, 136

Parabéns, Animal!

Acima dele, só Dinamite e Romário.

09 novembro 2006

O poder é nosso

Fosse qual fosse o resultado de ontem - ainda bem que vieram os três pontos -, minha opinião não mudaria: foi acertadíssima a atitude da Mancha na terça-feira à tarde. E oportuna, diga-se de passagem.

O Vitor, por exemplo, entende que o momento foi ruim, às vésperas de um jogo decisivo, o que poderia conturbar o ambiente entre os jogadores. Pois eu penso exatamente o contrário. Acredito que precisava acontecer alguma coisa. Não dava mais para viver naquela letargia filha da puta.

Aliás, o jogo não tinha nada de decisivo. Vocês vão me desculpar, mas não podemos dar todo esse crédito ao Fortaleza. Decisiva é a partida do próximo domingo. A vitória de ontem não significa nada a não ser metade de um objetivo; o que realmente importa é fazer os seis pontos em casa. Domingo, portanto, é o que vale.

Não acredito que os 3 a 0 de ontem tenham qualquer relação com a invasão da Mancha, visto que ela teve um único alvo: os incompetentes que estão à frente do Palmeiras e que nos levaram a essa situação.

Era preciso dar um significado mais amplo à indignação que toma conta de todos os palmeirenses. Foi o que aconteceu; eis o mérito da Mancha nessa história toda. Em vez da omissão característica daquelas múmias, um pouco de ação.

Se vai adiantar alguma coisa? Talvez não de imediato. Mas a simples repercussão do fato, o medo explícito de alguns daqueles velhos gagás e as reações já verificadas - para o bem e para o mal - já representam um avanço.

A Mancha fez o seu papel.

Ao contrário do que apregoam certos representantes babacas da nossa imprensa, lugar de torcedor não é só na arquibancada. É essencialmente lá. Mas não só.

Um clube de futebol pertence ao seu torcedor.

Nada mais justo que, ainda que simbolicamente, tomar o poder.

08 novembro 2006

O Galo, de volta ao seu lugar

A matemática, ao menos neste caso, é burra. O Galo já subiu e isso pôde ser comprovado na comovente festa de ontem no Mineirão. Vibram a torcida do grande Clube Atlético Mineiro e o futebol brasileiro, que tem de volta à elite um de seus representantes mais ilustres.

Parabéns, Galo, por voltar ao seu lugar de direito!

***


Sobre Palmeiras: só depois do jogo de hoje.

Devo chegar às 19h40 no Palestra.

06 novembro 2006

Vale o quanto pesa?

Pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, neste meio de semana, são mandantes de seus jogos dois times paulistanos que amam se odiar. A distância que os separa na tabela de classificação é nada mais que reflexo da postura de uma e de outra diretoria.

Um deles já é campeão prolongado há longos, extenuantes e desagradáveis dois meses. Para mais uma provável noite de festa, seus simpatizantes terão de pagar R$ 10 por uma arquibancada.

O outro, motivo de piada, se arrasta desde a primeira rodada e acumula quatro derrotas seguidas. Para outra provável noite de tortura, seus torcedores teremos de pagar R$ 20 por uma arquibancada.

03 novembro 2006

A falta que um Eurico faz

Eurico Miranda, atual presidente do Vasco, é um câncer para o futebol. No entanto, tem lá seus méritos. O principal: ama e defende o seu clube de coração contra tudo e contra todos. Até contra o próprio Vasco. Mas se o faz, é por ação, nunca por omissão.

Não se pode acusá-lo de ser um banana. Bem ao contrário dos homens (?) que comandam o Palmeiras há anos. Omissão tem sido uma regra, quase um pré-requisito, para os que decidem o futuro do Campeão do Século XX. E, convenhamos, isso em nada combina com a nossa origem italiana.

Falta sangue italiano a esta corja.

Um pouco do jeito Eurico Miranda de ser não faria mal, acreditem.

E aqui cabe o aparte que me levou a escrever isso:

O Bostafogo acaba de ser derrotado em casa pelo Internacional. O gol da vitória, vocês poderão ver, saiu em decorrência de um pênalti anotado pelo sr. Wilson de Souza Mendonça aos 45' da etapa final.
O nome lhes é familiar?

Pois bem, antes de tudo, é bom dizer: eu daria pênalti.

Outros viram como eu; os cariocas, não.

Eis então que o Maracanã foi palco de um verdadeiro linchamento moral. O cidadão de amarelo ficou lá no gramado por alguns bons minutos. Cercado pela polícia, quase apanhou de jogadores, dirigentes e aspones alivnegros.

As reclamações foram muito além de protocolares entrevistas.

Carlos Augusto Montenegro, esbaforido e vitimado por uma sudorese aguda, pareceu ter se esquecido que ganhou em 17/12/1995 o direito a 20 anos sem abrir a boca para reclamar das arbitragens. Foi pra cima do juiz, disposto até a sair na porrada. Só conseguiu disparar frases desconexas. Prestes a enfartar, seguiu quase carregado para os vestiários.

Um diretor qualquer invadiu o campo para acusar o árbitro de estar mal intencionado (Contra o Bostafogo? O mundo dá voltas, não?). Ao ser questionado pela imprensa se temia ter seu nome na súmula, saiu-se com esta: “E daí? O problema é se forem punidos o Cuca ou algum jogador. Eu posso ser punido. Não vivo do Botafogo. Estou aqui por amor ao clube”.

Tudo isso em virtude de um lance que, além de gerar dúvidas, significou um mísero ponto perdido para um time que não pode almejar porra nenhuma no atual certame.

A revolta pouco justificada dos que invadiram o gramado pode ser analisada por uma perspectiva positiva: todos estavam ali por amor a um clube, a uma camisa, a uma torcida.

Pergunto, pois: quantas vezes vocês viram algum dirigente supostamente palmeirense invadir o Jardim Suspenso em um dos tantos roubos de que fomos vítimas? Finais de Mercoscul, semifinais de Libertadores, outros tantos jogos importantes...

Resposta: nunca!

Voltemos agora ao sr. Wilson de Souza Mendonça, moralmente linchado no Maracanã por um suposto e pouco grave erro.

É ele também o antagonista do que se segue:
Estádio do Jd. Leonor, 3 de maio último. Palmeiras e SPFC disputam uma vaga nas quartas-de-final da Copa Libertadores da América.

O Palestra, com um time destroçado, sem técnico e em total desvantagem, segura um empate heróico até os 40 minutos do segundo tempo. Com isso, iríamos aos pênaltis.

Eis que o pobre diabo desarma um ataque do Palmeiras. E arma o dos leonores. Bola nos pés do lateral adversário. Que avança após o passe de juiz. Invade a área e tromba com um jogador nosso.

Trombada. Jogada normal. E após um passe de juiz.

Mas lá vem o pobre diabo. Para aparecer do jeito que ele gosta, pensa, nada melhor que armar o contra-ataque e inventar o pênalti que vai decidir o classificado nos minutos finais.

É o que ele faz. Muda o resultado do jogo, elimina um time que chegara até onde não se poderia imaginar e faz desmoronar o sonho de milhões em todo o Brasil e dos poucos milhares que nos matamos para estar naquelas malditas cadeiras amarelas, bem atrás do lance capital.

Pergunto de novo: o que aconteceu?

Algum diretor invadiu o campo?

Alguém pressionou o árbitro?

Houve linchamento moral?

Houve sequer alguma reclamação formal?

Entrevistas?
Qualquer coisa, enfim?

Nada, nada, nada!

Omissão total!

A mesma que tem nos vitimado desde que o velhote gagá fez o que fez sem qualquer conseqüência. Temos um presidente bunda-mole e toda uma sorte de gente incompetente e omissa à frente daquele que é o Campeão do Século XX, simplesmente o clube mais vencedor da história do futebol brasileiro.
E aí os fracassos se sucedem.

É fato, amigos: falta-nos um Eurico Miranda!

Alguém que tenha vergonha na cara e que tome a atitude que tomou o presidente vascaíno em um Vasco 1 x 1 Paraná do Brasileirão-1997.

Pode sair impune um árbitro que não marca um pênalti claro e expulsa três jogadores de um grande que joga em casa contra um pequeno?

É
claro que não. O homem em questão é Paulo César ‘Aparecido’ de Oliveira, que já fizera a mesma coisa – e até pior – em um Palmeiras 2 x 1 Rio Branco do mesmo ano.

Ao contrário do jogo no Palestra, o de São Januário não terminou. Porque Eurico não deixou. Barriga à mostra, invadiu o campo e decretou o fim de jogo. “Chega de palhaçada”, decretou. Com toda a razão do mundo.

Falta isso ao Palmeiras de hoje.

Tanto quanto
planejamento, competência, boa vontade, seriedade e decência. E mentes arejadas.

Mas já poderíamos tentar sair do buraco se houvesse um pouco de amor ao Palmeiras e respeito às
suas história e torcida.

***

Picerni é o nome?

Jair Picerni está longe de ser o nome ideal para treinar o Palmeiras. Mas, afinal, quem poderia ser neste momento? E é fato: nada pode ser pior do que a manutenção do pobre Marcelo Vilar no cargo. Ademais, os seus números à frente do Verdão jogam bastante a favor:

82 jogos
45 vitórias
23 empates
14 derrotas
189 gols pró
108 gols contra

Que ele faça o que dele se espera.

A nós, cabe apoiar.


***
E agora?

Além dos 90 minutos de tortura debaixo de chuva, a derrota para o Goiás serviu para nos deixar ainda mais preocupados. E agora vamos a Curitiba buscar um alívio dos mais improváveis.

01 novembro 2006

Pobre Lusa

A Portuguesa, coitada, não tem para onde correr. Deve mesmo cair para a Terceira Divisão, no que pode ser o prenúncio de um futuro ainda mais alarmante.

Fui ao Canindé ontem para uma noite lastimável.

Dentro de campo, era até de se esperar um jogo ruim - e foi de doer.

O problema maior, no entanto, está fora das quatro linhas.

O clube parece ainda mais abandonado do que em anos anteriores.

Até aí, no news.

O grande problema reside na torcida que, se já era pequena, agora sumiu de vez. Basta notar que dos 2.700 torcedores presentes ao Canindé, menos de mil torciam pelo time da casa. Sim, havia duas vezes mais atleticanos. E olha que a Galoucura nem veio.

Pobre Lusa...