31 outubro 2006

Seja bem-vindo, Paulistão!

Comparado à Libertadores ou mesmo ao Brasileiro, o Paulistão vale muito pouco hoje em dia. Tem a seu favor o peso de um século de história, das rivalidades regionais e das viagens ao interior. E a edição de 2007 vem, após dois anos de marasmo, com um bônus: mata-mata após os 19 jogos da fase de classificação.

É um verdadeiro alívio para quem tem sofrido com a praga dos pontos corridos. Seja bem-vindo, Paulistão/2007.

A tabela do Palmeiras, divulgada ontem pela FPF, é esta:

Campeonato Paulista/2007

18/01 qui. 20h30 Palmeiras x Paulista – Palestra
21/01 dom. 18h10 Rio Branco x Palmeiras – Décio Vitta
25/01 qui. 17h Palmeiras x Santo André – Palestra
28/01 dom. 16h Palmeiras x Grêmio Barueri – Palestra
31/01 qua. 21h45 Ponte Preta x Palmeiras – Moisés Lucarelli
04/02 dom. 18h10 Palmeiras x Santos – Palestra
07/02 qua. 21h45 Ituano x Palmeiras – Novelli Júnior
10/02 sáb. 18h10 Palmeiras x Bragantino – Palestra
17/02 sáb. 16h Palmeiras x Rio Claro – Palestra
25/02 dom. 16h São Caetano x Palmeiras - Anacleto
03/03 ou 04/03 sáb./dom.* SCCP x Palmeiras – Jd. Leonor
07/03 ou 08/03 qua./qui.* Palmeiras x Noroeste - Palestra
10/03 ou 11/03 sáb./dom.* Palmeiras x Juventus – Palestra
17/03 ou 18/03 sáb./dom.* Sertãozinho x Palmeiras – F. Dalmazo
24/03 ou 25/03 sáb./dom.* Palmeiras x Marília – Palestra
28/03 ou 29/03 qua./qui.* América x Palmeiras - Teixeirão
31/03 ou 01/04 sáb./dom.* Bambis x Palmeiras – Jd. Leonor
07/04 ou 08/04 sáb./dom.* Palmeiras x Guaratinguetá – Palestra
11/04 qua.* São Bento x Palmeiras – Humberto Reale

15/04 dom. Semifinal, jogo 1
22/04 dom. Semifinal, jogo 2
29/04 dom. Final, jogo 1
06/05 dom. Final, jogo 2


*A FPF não definiu ainda dias e horários dos jogos entre a 11ª e a 19ª rodadas. Isso deve ocorrer em tempo hábil, de acordo com os sempre maléficos interesses das emissoras de TV.

***

Vale conferir o texto do nosso amigo Maurício Rito.

30 outubro 2006

Os palmeirenses de verdade

"Agora, contra o Goiás, eu quero ver quem são os verdadeiros palmeirenses", vomitou o velhote esclerosado, logo após a derrota da última semana, na madrugada de quarta para quinta.

Bravata escrota e sem sentido, no pior momento possível.

Afinal, quem seriam os verdadeiros palmeirenses?


Seriam aqueles que apequenaram o grande Palestra?
Ou os que o fazemos grande mesmo agora?


Seriam aqueles que nos desafiam e depois fogem?
Ou os que não fugimos à luta?

Seriam aqueles que querem nos manter longe?
Ou os que pagamos R$ 20 por um time que não vale R$ 5?

Seriam aqueles que permitem um Palmeiras x SCCP na madruga?

Ou os que superamos isso - e muito mais - para acompanhá-lo?

Se me mantive quieto até agora, foi por ingenuidade. Pois acreditei que haveria um pouco de bom senso depois da bravata daquele pobre diabo que não aprendeu a respeitar seus cabelos brancos.

Sim, fui ingênuo.

Esperei por bom senso, ao menos uma vez.

Que nada!

Os ingressos estão à venda. A R$ 20/ R$ 10.

A comparação é inevitável: os bichas, campeões prolongados desta merda, podem ir ao estádio por R$ 10/ R$ 5. Mesmo na iminência do título, paga-se metade. Não cabe discutir a falta de alma daquela gente, mas sim a capacidade da diretoria deles quando se trata de promover a ida do público aos estádios.

Não à toa, ficamos para trás.

Assim será enquanto houver gente como o velhote esclerosado.

26 outubro 2006

...

Desde o momento em que descemos a rampa do Jd. Leonor, já na madrugada, muitas coisas passaram pela minha cabeça. Nenhuma delas terá este blog como destino.

Talvez porque eu tenha cometido uma matança de neurônios ao assistir, no canal 38, a quase 80 minutos da tortura a que fôramos submetidos ao vivo horas antes. Talvez por falta de forças, sei lá.

O fato é: vocês vão ter que me desculpar, mas pouco tenho a acrescentar. Minha revolta é a mesma de vocês e já pudemos compartilhar todas as lamentações na saída daquele maldito campo de batalhas. Não há mais o que escrever.

Só sei que é foda chegar em casa e ligar o computador só para saber quais são os próximos jogos da Ponte Preta...

25 outubro 2006

Ingenuidade e oportunismo

Pipocam por aí notícias de que as torcidas de Palmeiras e SCCP teriam marcado brigas pela internet em virtude do clássico de hoje. O papo furado vem desde o começo do mês, quando um inescrupuloso aprendiz de Capez resolveu levar ao conhecimento da emissora que é o câncer do futebol brasileiro o fruto de horas e mais horas perdidas na rede de computadores.

Oportunista, o promotor ganhou o seu espaço. E que espaço!


Aproveitou a ingenuidade de algum jornalista idiota para propagar a notícia de que Mancha e Gaviões teriam agendado "violentos confrontos" para a tarde do dia 28 (agora noite do dia 25).

E não parou neste único inocente jornalista global.

A notícia se espalhou de tal forma que até a PM entrou na onda. Veio primeiro com a expectativa insana de 50 mil pessoas no Jd. Leonor. E depois com um esquema de final para evitar confusões pela cidade.

Se teremos brigas por aí?

Sim, é inevitável. Mas nada previamente agendado.

Babacas de internet não vão ao estádio, nem saem na porrada.

Até quando vão acreditar nessa balela de orkut?

24 outubro 2006

Depredação de patrimônio público

Palmeiras e SCCP fazem o principal clássico deste país, seja lá qual for o parâmetro utilizado para comparação.

Rivalidade, história (e histórias), grandes jogos e decisões, torcidas, representatividade, estatísticas... clássico maior não há.


Boca-River, Barça-Real, Milan-Inter.

Cada país tem o seu grande duelo.

O Brasil tem Palmeiras-SCCP.


O dérbi é um patrimônio nacional.

Como um monumento a ser preservado sempre em uma tarde de domingo, 16h, com casa cheia.

Não merece a depredação de que é vítima quando resolvem atirá-lo para a madrugada de uma quarta-feira.

Não merece ser visto por testemunhas.

O torcedor, pobre torcedor, chora aos seus pés.


E os vândalos se divertem...

***

De uma só tacada, vejam vocês, foram desrespeitados os dois maiores clássicosdo país. Enquanto Palmeiras e SCCP se vêem obrigados a lutar na madrugada de uma quarta-feira, destino pouco menos desfavorável é outorgado ao Vasco-Flamengo da mesma rodada, desalojado que foi do sábado à tarde para uma infeliz quinta-feira, 20h30. E o pior: sem qualquer motivo aparente. Só pode ser má vontade...

***

Devo chegar ao Jd. Leonor lá pelas 20h.

20 outubro 2006

Às trincheiras!

Temos uma guerra, irmãos!

E a única opção é vencer!

Como nos foi confiscado o sagrado futebol do fim de semana, resta-nos entrar em concentração mais cedo para a batalha de quarta-feira, 22h da madrugada, no fétido Jd. Leonor.

Os ingressos, é bom que todos saibam, já estão à venda.

Valem os postos da Ingresso Fácil (fácil? pra quem?), no vagabundo horário das 11h às 17h.

O mando é dos caras.

Vamos de amarela e vermelha, a razoavelmente honestos R$ 15.


Olê, dá-lhe, dá-lhe, olê!
Olê, dá-lhe, dá-lhe, olê!
Olê, dá-lhe, dá-lhe, Palmeiras!
LUTAR, VENCER OU MORRER!

19 outubro 2006

Olho gordo

Deu no Painel FC de hoje:

Lazer. O São Paulo diz que um terreno da prefeitura é o ideal para construir estacionamento para o Morumbi. Mas teme atrito com moradores. Há duas praças na área.

A nota é auto-explicativa, pelo menos para aqueles que sabem como foi erguido aquele antro de podridão na zona sul. 50 anos depois, a mesma patifaria. O povo vai pagar a conta de novo?

Edmundo, o pênalti e o Vasco

Edmundo é vascaíno. E palmeirense. Disse o Animal em sua reestréia com a camisa verde, em janeiro, contra o São Bento, Palestra cheio por causa dele: "Pelo Vasco, eu sinto um amor de mãe, porque fui criado lá. Mas aqui no Palmeiras é amor de mulher, pois é o clube que eu conheci quando adulto".

Depois da Copa, de novo no Palestra. Palmeiras 4 x 2 Vasco. Dois gols dele, que compara o amor que sente pelos dois clubes: "Aqui dentro do Palmeiras, nunca me decepcionei, e apesar de ter aprendido a gostar deste clube depois, acho que hoje gosto mais".

É possível amar dois times?

Sim, é. De maneiras diferentes.

Vejamos o caso do nosso rebelde amigo Luigi, que ama o Palmeiras e o Napoli sabe-se lá em quais proporções.

Luigi tem todo o direito de idolatrar duas camisas, não é?

Por que diabos Edmundo não poderia amar Palmeiras e Vasco? Uma combinação, aliás, que em nada ofende determinada parcela da nossa torcida - da qual eu faço parte.

E eu também tenho esse direito, certo?

Vejam que não sou apenas partidário da união Mancha Verde/ Força Jovem/ Galoucura. Mais do que isso, sou vascaíno no Rio.

Tenho lá meus motivos para gostar do clube cruzmaltino.

Se vocês precisam gostar?

Não. Só não me venham com argumentos que façam referência a Eurico Miranda. Ele é muito pequeno - e vai passar. O Vasco, eterno, continuará grande. Se Eurico Miranda é motivo para deixar de gostar do Vasco, Mustafá e Dualib também o são. Logo, Palmeiras e SCCP não mereceriam ser amados por ninguém.

Isso em nada abala o que eu sinto pelo Palestra e eu não preciso aqui demonstrar qual é o tamanho deste amor.

Voltemos à discussão inicial.

Edmundo esteve longe do Palestra por 10 anos. De 1995 a 2005. Quando voltou à nossa casa, foi com outra camisa, a do Figureirense. A torcida, saudosa, o venerou. Gritou seu nome, pediu sua volta. Ele se emocionou, tal qual ontem em São Januário.

Ali ganhou força o retorno ao Palestra. Que se concretizou em um jogo beneficente. O Animal voltou. Quebrou o protocolo ao vestir a camisa antes de ser apresentado. Estava também com saudades.

Pergunto, pois:

Quem não se emocionaria ao voltar ao lugar em que foi criado e ser festejado pelas pessoas que lá ficaram? Não é algo mais ou menos natural? Humano? Digno? Bonito até?

Vocês não se emocionariam?

Não? Então, meus amigos, vocês estão no esporte errado.

O tênis e o golfe estão aí pra isso mesmo...

***

Por fim, cabem algumas considerações:

1. Edmundo é reconhecidamente um mau batedor de pênaltis. Tanto quanto Shaquille O´Neal é ruim nos FTs.

2. Edmundo não é o cobrador oficial do Palmeiras. Este é Paulo Baier. Se o Animal se prontificou a bater, é sinal de que não se importaria em marcar um gol contra o time que o revelou.

3. Quer dizer então que ele errou de propósito? Então isso só comprova o quanto ele é foda. Pois ele teria
mirado e acertado na trave, o que é imensamente mais complicado do que acertar os 17,8 m² gol ou todo o infinito que existe além da baliza.

4. Por que diabos brasileiro adora tanto uma teoria conspiratória?

***

26 de outubro de 2005. Palmeiras 2 x 2 Figueirense/SC.

O post abaixo vem do blog antigo. Faço questão de republicá-lo:

A NOITE DE EDMUNDO
10 anos. Da saída conturbada ao retorno triunfal. Edmundo voltou para casa. Por apenas uma noite, é verdade. Mas voltou. Para um passeio. Edmundo foi o próprio jogo. O melhor em campo. Jogadas magistrais. Dois gols. Pequenos e insignificantes detalhes diante do que realmente fica na memória da nação alviverde.

O reencontro com um ídolo eterno, 10 anos depois. O Animal. Sim, o Edmundo que nos abandonou em 1995. E que viria a cometer a maior de todas as traições no ano seguinte. Mas também o Edmundo que, com a sabedoria que só o tempo pode trazer, reconheceu o grande erro de sua carreira. “Se arrependimento matasse, eu estava morto. Queria nunca ter saído daqui, como fez o Marcos”, disse, emocionado.

O Edmundo de tantos serviços prestados ao Palmeiras. De tantas alegrias para a nação alviverde. De 133 jogos e 65 gols. De cinco títulos. De tardes e noites inesquecíveis. Dos dribles mágicos. Da irreverência. Mas também o Edmundo polêmico. Das provocações. Das brigas, expulsões e confusões. Da relação de amor e ódio com a torcida. O único capaz de rivalizar com o eterno matador Evair.

Foi um breve reencontro. Pena. Ele, Edmundo, quer voltar. Sempre quis. “O amor pelo Palmeiras é como amor de casamento. A gente cresce, vira adulto e ama alguém. Ama porque escolhe”. Mas não o querem de volta. Preferem Gioino. Warley. Washington. Não sabem perdoar. Sofremos os torcedores. Sofre o Palmeiras. Como agora.

Quem nunca na vida foi imaturo, errou e se arrependeu, para então pedir perdão?

Como quem pisa na bola com um grande amor e depois percebe o deslize, Edmundo pediu desculpas. Algumas vezes já. Está perdoado; o torcedor é sábio e o amor é maior que a traição. Era, aos 24 anos, um Edmundo sem a cabeça de hoje. Moleque ainda. Humilde, mas deslumbrado. Foi infeliz. Mas fez por merecer o perdão. Jamais deixamos de vê-lo como ídolo. 10 anos. Tempo demais para quem sente saudades.

O Animal esteve longe por todo esse tempo. Encontramo-nos algumas vezes por aí. Mas nunca na casa em que fomos tão felizes. 10 anos depois, Edmundo voltou ao sagrado Jardim Suspenso. Foi às redes duas vezes. Porque é craque. Profissional, fez sua parte. Com dignidade. Respeitoso, não comemorou. “Não poderia fazer isso. Tenho uma relação muito especial com essa torcida”. Apenas cumprimentou Marcos, a quem admira pela fidelidade.

Foi aplaudido antes, durante e depois. Bem depois. Quem esperou teve o privilégio de vê-lo novamente com a nossa camisa. A 7. Um beijo no escudo alviverde. Sincero. Edmundo se emocionou. A torcida também. Amargo regresso. Estávamos juntos, mas sabedores de que seguiremos caminhos distintos. Como duas pessoas que se amam, mas não podem ficar juntas. Pena. Permanece o sentimento. Valeu...

***

Prova de amor ao Palmeiras

Tem muita gente na torcida que não perdoa o Edmundo. Eu até entendo o rancor – mesmo a de um cidadão exaltado, que ficou o tempo todo esbravejando –, mas digo que a torcida do Palmeiras deu um exemplo de amor ao clube quando homenageou Edmundo e Cléber, dois ídolos eternos. Muitos dos que estavam no Palestra sequer viram o Animal defender nossas cores ao vivo, mas sabem de sua importância. Não há idade para o amor, para o reconhecimento e para a gratidão. Ídolo é ídolo. Sempre.

É exatamente a capacidade de reverenciar o passado que nos diferencia da sub-raça. Eles não têm história. Nós temos. E é nosso dever preservar cada momento em um lugar bem especial. Edmundo representa muito. Homenageá-lo, portanto, é cuidar de algumas das páginas mais belas de nossos 91 anos. É homenagear (e amar) a própria Sociedade Esportiva Palmeiras.

Obrigado, Edmundo!

18 outubro 2006

Desabafo necessário

De uma só tacada, a emissora que é o câncer do futebol brasileiro conseguiu cancelar o meu fim de semana no Rio e me impediu de estar presente ao jogo de futebol que, por motivos óbvios, mais me agrada.

16 outubro 2006

Pela raça, até que valeu!

Empate em casa nunca é bom negócio.

Há agravantes e atenuantes no de ontem.

Agravantes:

1. Enfrentamos um time pequeno;

2. Continuamos nesta zona nebulosa que não leva a lugar algum.

Atenuantes:

1. Ok, o time perdeu muitos gols. Bem mais que o aceitável. O lado bom da coisa é: se perdeu tantos gols assim, é sinal de que as oportunidades foram criadas. Faltou um 9. Sobraram azar aos nossos atacantes e competência ao goleiro adversário;

2. Raça não faltou. Se o 0 a 2 sinalizava uma tremenda injustiça no Palestra, o time, empurrado pela torcida, b
uscou a reação. A Brisa, por sua vez, fez o que sabe: foi um time pequeno. Na pressão, vieram os dois gols. Faltou o terceiro. Ah, Edmundo...

No fim das contas, o espírito de luta prevaleceu.

Valeu a pena!

***

Vejam como é a vida:

Marcinho Guerreiro foi, não se acertou e voltou. Deu prejuízo ao Palmeiras. E, pior, voltou mal. Comprometeu. Perdeu todo o crédito que havia ganho com as boas atuações (leia-se raça e espírito de luta) que o 'consagraram' (menos, menos!) em 2005.

Guerreiro, ex-xodó, ficou marginalizado. Era comum ouvir pelas alamedas do Parque Antártica coisas como "Por que esse filho da puta voltou?" ou "Quando a gente achou que tinha se livrado, ele volta...".

E eis que ele vivia ontem mais uma tarde nada brilhante. Enquanto o time perdia gols em profusão, ele apenas assistia lá de trás, quase como terceiro zagueiro. Fez até um bom, mas inútil, desarme no lance do segundo gol da Brisa. Era pouco.

No entanto, bastou o time chegar ao empate para as coisas mudarem.

Vieram então três ou quatro carrinhos com desarmes limpos, na bola e sem falta. Guerreiro saiu jogando. Armou contra-ataques. Evitou a aproximação dos atacantes da Brisa. Dividiu todas. Lutou. Bateu com discrição. Foi um verdadeiro guerreiro.

Surgiram aplausos entusiasmados.

O Palmeiras perdia, mas Marcinho Guerreiro era ovacionado. Daí para gritarem o seu nome bastou mais um desarme preciso.

"Marcinhooo Guerreeeirooooo"

Quem diria...

***

Curtas

*Quando é que vão perceber que esta ridícula camisa cor de nada é sinônimo de azar? Pois só esta maldita criação pode explicar as três bolas na trave e os inúmeros erros de finalização. Isso, é claro, para não falar no gol à la Vampeta que abriu o placar para a Brisa.

*Minuto de silêncio. Menos dois conselheiros - um de cada lado. O ritmo prevalece: menos um a cada jogo. A renovação está a caminho?

*A nova locutora do Palestra pode não ter a melhor voz do mundo, mas pelo menos sabe pronunciar o nome do nosso lateral-esquerdo.

***

VAMU SUBÍ, GALÔÔÔÔÔÔ!

E o Galo, o Atlético grande, segue a passos largos rumo ao seu lugar de direito. Valeu a nossa torcida no sábado lá no ABC.

"Ô, ôôô, ôôô, vampracima deles, Galôôôô!!!"

"União sinistra, que ninguém segura! Mancha Verde e Galoucura!"

13 outubro 2006

Câncer incurável

Trancafiados em uma confortável sala cujo ar condicionado os torna imunes ao calor carioca, sujos executivos da emissora que é o câncer do futebol brasileiro vasculham a tabela do Campeonato Brasileiro. O objetivo é claro: foder a vida dos pobres torcedores que, burros, insistem em freqüentar estádios de futebol.

Executivo A: Esses torcedores são muito chatos. Já fizemos de tudo para as pessoas ficarem em casa, mas tem um monte de vagabundo que não desiste de ir aos jogos.

Executivo B: Precisamos dificultar as coisas.

Executivo C: Eu podia jurar que eles desistiriam depois de termos inventado o horário das 22h...

Executivo B: Que nada! A maioria cede fácil, mas tem uns sujeitos capazes de suportar tudo. Lembra quando a gente colocou os jogos às 21h45 de sábado? Ou às 19h de domingo? Mesmo assim, tinha gente que não desistia...

Executivo A: Acho que precisamos começar a irritá-los com transferências repentinas. Porque eles vêem a tabela com jogos às 18h10 de sábado ou domingo e já se preparam muito antes. E se a gente começar a mudar os jogos de uma hora pra outra?

Executivo C: Como?

Executivo A: Que tal pegarmos este Palmeiras x Corinthians, tirarmos do domingo e colocarmos numa quarta-feira à noite?

Executivo B: Gostei.

Executivo A: Melhor ainda. Como o jogo é no Morumbi, nada melhor que colocarmos às 22h. Com TV ao vivo...

Executivo C: Puxa, você é muito filho da puta mesmo. 10 da noite, com TV, no Morumbi... perfeito!

Executivo B: Mas qual vai ser a alegação?

Executivo A: Vamos dizer que é por causa das eleições...

Executivo B: Se fosse só por isso, deveria ser no sábado.

Executivo A: Então a gente esculacha de vez e assume que foi para atender aos interesses da emissora de TV.

Executivo C: É verdade. Eles ficam putos com isso.

Executivo A: Acho que a gente podia atacar uma torcida específica. Se a gente quer afastar os torcedores do estádio, por que não fazer várias mudanças na tabela de um time só? Aí vamos matando aos poucos, torcida por torcida...

Executivo B: Hum, palmeirenses e corintianos estão entre os mais chatos. A gente já tentou de tudo e eles não somem.

Executivo C: Eu tava vendo aqui... Podemos pegar este Vasco x Palmeiras do dia 22, domingo, e jogar para a quarta-feira anterior. Às 22h, pra complicar a vida das duas torcidas.

Executivo B: Bem pensado. Eles se dão bem, mas a maioria dos palmeirenses não poderá viajar para cá para encontrar os vascaínos. Tem muito vagabundo mesmo, mas alguns trabalham...

Executivo C: Isso. Como vai ser em cima da hora, eles vão chiar...

Executivo A: E a gente consegue preencher a nossa grade sem precisar colocar um filme repetido depois da novela.

Executivo B: Mais uma coisinha. O que vocês acham de pegarmos o jogo seguinte do Palmeiras, que é numa quarta à noite, e anteciparmos de 20h30 para 19h30?

Executivo A: Hum, é uma quarta véspera de feriado...

Executivo C:
Belo horário este...


Executivo A: Se eles não desistirem, a gente pega um outro jogo durante a semana e coloca às 11h da manhã pra competir com os desenhos do SBT. Aí eu quero ver se eles vão...


***

E assim, amigos, teremos o seguinte:

30ª rodada
Vasco x Palmeiras, São Januário
Antes: 22/10, domingo, 16h
Depois: 18/10, quarta, 22h

31ª rodada
SCCP x Palmeiras, Jd. Leonor
Antes: 29/10, domingo, 16h
Ok, tem eleição. A lógica seria: 28/10, sábado, 16h
Mas ficou: 25/10, quarta, 22h

32ª rodada
Palmeiras x Goiás, Palestra
Antes: 1º/11, quarta, 20h30
Depois: 1º/11, quarta, 19h30

Tudo o que eu disser além disso é desnecessário. Espero apenas que os responsáveis por isso tudo tenham a morte mais sofrida de todas.

11 outubro 2006

O ocaso de um gênio



Romário de Souza Faria é o maior atacante que este país já viu. É também o maior craque que o mundo reverenciou desde Maradona. Perto dele, Ronaldinho, este de que tanto falam a esmo, é um aprendiz. Ronaldo, por sua vez, seria um bom suplente.

O Baixinho é gênio, mas não só da grande área.

É um gênio da bola.

E também das palavras, autor que foi de algumas das mais folclóricas declarações do nosso futebol.

Sim, Romário é um semideus. Mas isso não dá a ele o direito de se autodepreciar como agora.

Seus fãs merecem respeito. Mais do que nós, ele próprio.

Na busca desvairada pelo milésimo gol, o Baixinho não leva em conta os prejuízos às suas imagem e história.

Cada vez menos afeitas a conhecer o passado, as novas gerações poderão ficar com a imagem nada justa de um Romário que se arrasta em campo. De um ex-jogador em atividade que vai atrás de qualquer milhão de reais para chegar aos tais mil gols.

Romário é muito mais que isso.

É o homem que sozinho ganhou uma Copa.

O craque de gols mágicos, de dribles curtos e finalizações implacáveis.

É o cara!

Mil gols?

Pra quê?

Duas décadas de genialidade valem muito mais.

Pára, Romário!

***

Romário
Compositores: Teixeira, Marruda e Imperatore

Pega a bola, chuta
Marca em cima, faz um gol
Vai que eu quero ver você fazer
Romário, anjo torto, demônio do futebol

Dribla, seduz, entorta de prazer
Príncipe de Eindhoven, Barcelona
Barreira do Vasco
Romário em campo é um bolaço

Mago das massas, mais querido
Odiado dos zagueiros
Romário é rei, romário é o máximo
Ele é o cão

É gol, e a galera delirava
É gol, esse garoto tá danado
É gol, e a galera delirava
É gol, esse caboclo é o diabo

10 outubro 2006

Até o locutor?

Do Arena FC:

Locutor é demitido após conversa com organizadaPor Fábio Finelli

Locutor do estádio Palestra Itália desde meados de 2004, o radialista Clóvis Sachetti Jr. foi demitido pela diretoria palmeirense por um ato inusitado: estava conversando com integrantes da torcida organizada Acadêmicos da Savóia após a partida contra o São Caetano, realizada dia 9 de setembro, no Parque Antarctica.

"Resolvi comer um lanche fora do estádio logo após o jogo, e na volta, encontrei alguns amigos da Savóia, que na ocasião protestavam contra a diretoria. Cumprimentei alguns deles, pois sou uma pessoa respeitosa e que tenho carinho por todos àqueles que apreciam o meu trabalho. Esse ato foi visto pelo diretor administrativo Roberto Frizzo, que provavelmente não gostou do que viu", explicou Clóvis, que imediatamente foi afastado do cargo.

"Eu fui proibído de entrar nas dependências do estádio e afastado da locução de forma humilhante e sem aviso prévio. Não tiveram a menor consideração por tudo o que eu fiz pelo Palmeiras", esclareceu o locutor, que ainda fez uma revelação. "Nunca ganhei dinheiro de ninguém. Trabalhava de graça por amor ao clube", destacou.

A represália dos dirigentes alviverdes contra Clóvis Sachetti explica-se, já que a torcida Acadêmicos da Savóia vem sendo a única dentre as organizadas a protestar após às partidas contra parte da diretoria de futebol, entre eles, Salvador Hugo Palaia, Ílton José da Costa e Mustafá Contursi.

O ArenaFC entrou em contato na manhã desta terça-feira com o diretor Roberto Frizzo, mas o celular do dirigente encontrava-se na caixa postal.



Pois é, e aí arrumaram no lugar dele um sujeito que, além de não ter voz para a função, não sabe sequer fechar o microfone.

E eu achava que essas atitudes mesquinhas eram exclusividade da turminha do Mustafá...

09 outubro 2006

Edmundo, 81

2006 está longe de ser um grande ano para a torcida palmeirense. Poucos foram os momentos efetivamente bons, mas a maior parte certamente tem a ver com o privilégio de acompanhar mais um ano de Edmundo com a camisa alviverde.

Edmundo é o toque diferenciado em um time que empolga e decepciona com igual intensidade. O Animal de hoje não tem mais aquela capacidade inigualável de garantir as vitórias como há 10, 12 anos... mas, quando o faz, é com classe.

Ontem, por exemplo.

Ele não jogava bem.

Assim foi até 20 e poucos minutos da etapa final.

Da arquibancada, um cidadão sem limites reclamava do técnico: "Por que não tirou o Edmundo? O cara tá machucado, não tá correndo..."

Eis que, de repente, a bola viaja pelo alto após cobrança de escanteio.

Edmundo lembrou-se então do primeiro gol de Romário na Copa de 94.

Como já havia feito anteriormente nesta temporada, o Animal dirige o olhar à grade central da arquibancada. Manda um "Chupa, Luigi" para o cidadão sem limites e estica o pé para balançar as redes pela 81ª vez com o manto sagrado.

Pouco depois, jogada típica do triênio 93/95. E gol!

Ao "Chupa, Luigi" decretado pelo nosso camisa 7, eu acrescento um enorme CHUPA, FLAMERDA!

***

PM, incompetência sem limites

Incompetência 1: Bilheterias da Turiassu fechadas.
O pobre torcedor precisa dar a volta para comprar ingresso do outro lado, na Matarazzo.

Incompetência 2: O portão da Matarazzo, onde ocorre a venda de ingressos, é subitamente fechado. E eis que o torcedor, exausto depois de quase uma hora na fila, precisa dar uma nova volta para entrar no estádio pelo portão principal.

Em todos esses anos de estádio, nunca vi coisa parecida. Não à toa, metade do público só entrou no estádio com o jogo em andamento.

Ao incompetente 2º Batalhão de Choque cabe responder:

1. Por que fechar as bilheterias da Turiassu?

2. Por que fechar o portão da Matarazzo?


3. Por que vocês não vão tomar no cu?

E nós ainda reclamavámos do major Marinho...

***

Amor incondicional

Isso deve ser acrescido ao post da última quinta-feira:

15º, sem grandes aspirações no Brasileiro e sem qualquer tipo de promoção de ingressos, o Palmeiras levou ao estádio mais de 17 mil torcedores ontem à tarde. Outros tantos devem ter desistido de entrar devido ao caos que se formou no lado externo do Palestra Itália.

Fato é que não precisamos de incentivo para ir ao estádio. Nem de motivações. Basta que o Palmeiras jogue. Isso se chama torcer.

06 outubro 2006

Tempo de vencer

Não preciso rememorar 2001, 2002, 2004 ou 2005. O ano agora é 2006. Acabou a palhaçada. Vitória, nada mais do que isso. Vitórias, aliás. Seis nos seis jogos que acontecerão na nossa casa. A saber:

08/10: Flamerda/RJ
15/10: Brisa/PR
01/11: Goiás/GO
08/11: Fortaleza/CE
11/11: Bostafogo/RJ
26/11: Internacional/RS

Seis jogos em casa. Cinco contra times que estão na zona intermediária (ou lá pra baixo). São 15 pontos. Os outros três virão contra o Inter. "Ah, mas é um dos melhores times do Brasil", dirão. Sim, é verdade. Mas já fez o que tinha de fazer e não terá o menor interesse neste jogo, às vésperas do Mundial.

Portanto, são 18 pontos.

Temos ainda um jogo em campo neutro (gambás) e quatro fora (Vasco, Paraná, Juventude e Fluzinho). A se manter o péssimo desempenho como visitante, conseguiremos míseros cinco pontos longe do Parque.

Se o Palmeiras não fosse perito em desperdiçar pontos estúpidos na sua própria casa, a matemática apontaria:


18 em casa + 5 fora = 23
33 atuais + 23 que poderiam vir = 56

Daria pra ficar entre os 8 melhores.

Mas, por enquanto, que fique registrado:

ACABOU A PALHAÇADA!

É PRA AFUNDAR O FLAMERDA!

05 outubro 2006

Amor de vitrine

Escreveu Xico Sá, duas semanas atrás, na FSP:
"Pelo que joga, o tricolor merece o título. Só não é meritório nas arquibancadas. A torcida parece desprezar qualquer coisa que não seja Libertadores, viciou-se nisso como uma cocaína ludopédica. Sério. Esquece que a vida não é só Morumbi e Bombonera, a vida é Moça Bonita e rua Javari, quarta de noite, chovendo, chovendo à cântaro, como as chuvas das crônicas das antigas."

Transcrevo o trecho acima apenas para não ser o portador único de tal constatação. Vejam vocês que os bichas, líderes isolados, fodões e com pelo menos uma mão na taça, levaram ontem ao estádio 8 (oito!) mil pagantes para um jogo supostamente decisivo.

Sim, oito mil!

Fosse apenas uma vez e tudo passaria batido.

Mas não é.

Os alienados simplesmente não conseguem vislumbrar a marca dos 10 mil torcedores em casa, barreira que os combalidos, trôpegos e irregulares Palmeiras e SCCP, respectivamente 15º e 16º hoje, ultrapassam com folga em quase todas as rodadas.

Aí o típico torcedor do SPFC ensaia um argumento: "Ah, mas a gente enche o estádio em todos os jogos da Libertadores".

Ok, muito bonito.

Pois eu respondo: qualquer um vai ao estádio em jogos de Libertadores. É file mignon. Aí é fácil.

Difícil, mas necessário, é apoiar o time quando ele precisa.

E se os caras não acompanham nem o time que é o virtual campeão, imaginem o que fariam por uma equipe que eventualmente freqüentasse áreas menos nobres da tabela de classificação...

Não é difícil explicar.

Fernando Galuppo, nosso amigo trabalhador e louco, matou a questão durante uma de nossas tantas conversas. O argumento é todo dele; o que eu faço aqui é um mero desenvolvimento. A ele:

Nós, palestrinos-palmeirenses (e corintianos, sejamos justos), temos história, berço e tradição.

Como tal, vestimos a camisa do time.

Não a camisa em si, este traje que, vendido por aí, pode adornar mesmo o mais insignificante dos hereges, mas o que ela representa.

A história do manto sagrado, sabem?

Pois bem, nós vestimos Palmeiras (e eles, SCCP).

Tá na pele, tal qual uma marca de nascença indissociável.

Os leonores, por sua vez, usam a camisa (somente nas horas boas, que fique claro) não como símbolo, mas como grife.

Tal qual uma marca de roupa, dessas tantas que encontramos nas vitrines de um shopping center qualquer.

Sinal de status, acreditam os alienados.

Usam a camisa sem saber o que ele representa.

Moda. Passageira e fugaz.

Há, portanto, quem ame um clube pela sua história. Pelos títulos que acumula. Mas também pelas derrotas. Pois é nos momentos difíceis que se aprende a amar. E é neles que se ama de verdade.

Há amores e amores.

O amor sincero, de berço. Eterno e inabalável.

E o de vitrine...

03 outubro 2006

Futebol ou circo?

Faço questão de não conhecer sequer o nome do prefeito de Presidente Prudente. Mas, após saber que ele pretende 'comprar' o clássico SCCP x Palmeiras do próximo dia 28, coloco aqui uma questão: estaria ele pensando que futebol é circo? Que pode agora levar os grandes clássicos paulistas para o interior como se fossem uma atração turística?

Futebol não é circo!

Se quer divertir a população, que encha a cidade de palhaços ou construa um parque de diversões. Qualquer coisa, enfim. Só não venha encher o nosso saco!

Futebol não é circo; é guerra!

Estamos agora nas mãos de Alberto Dualib.

Apesar de tudo, creio que ele
não irá se vender como fez a nossa diretoria. Acredito, portanto, que não precisaremos gastar mais tempo e dinheiro por causa deste cu do mundo que é Prudente.

Se formos, no entanto, mais e mais inocentes famílias caipiras ficarão assustadas com a fúria dos "selvagens da capital".

É o preço a ser pago por quem confunde futebol e circo...

02 outubro 2006

Libertadores

Nenhuma disputa tem um nome tão bonito: Copa Libertadores da América. E eis que eu transcrevo abaixo, na íntegra e sem qualquer alteração, um belíssimo texto, infelizmente de autor desconhecido, sobre o assunto. Foi extraído do site www.ducker.com.br. Deixo claro que o fato de não concordar com parte dos argumentos em nada diminui a admiração pelo ideal.


LIBERTADORES
(autor desconhecido)


A Libertadores da América foi castrada. Teve sua masculinidade arrancada pelos defensores de “Lei Peles”, pelos “Galvões”, “Falcões”, “Arnaldos” e por aqueles que esperam o fim da novela para ver o futebol. A Libertadores virou um enlatado de fácil digestão pelos estômagos fracos e pelos fãs de “pedaladas” e “amigos da Rede Globo”. De animal feroz, a Libertadores se transformou em um bichinho mimoso e colorido, tão inofensiva quanto “Malhação” ou a “Sessão da Tarde”. Nem o adolescente rebelde Ferris Bueller, o maior astro da “Sessão da Tarde”, foi tão enquadrado.

Que saudade das antigas Libertadores. Quando a Rede Globo ainda não tinha transformado “La Copa” nesse programa de freiras. Que saudade dos estádios argentinos lotados, dos “Calderones del Diablo”, de La Plata e de Avellaneda. Que saudade do Centenário enfumaçado, gelado e enlameado. De Victorino e De Leon, de Morena e Spencer. Qualquer time que hoje tivesse Billardo, Dinho ou Simeone seria preso em campo. Aliás, na Libertadores se chegou ao cúmulo de se prender um jogador em campo, porque ele não foi “politicamente correto”, o tal caso Grafite/Desabato. É tão rídiculo que não é nem engraçado. É triste.

Vivemos numa era de pagodeiros, funkeiros, pseudo-surfistas de correntes de ouro e brincos de diamante que de malandros não tem nada. São um bando de frouxos, de codornas com pernas de cristal, e escravos de empresários vigaristas, desesperados por um contrato na Europa, para depois reclamar do frio, da “violência” européia e voltar correndo para o Brasil, e assim ganharem porcentagens nas duas transações. Comemoram gols beijando a aliança da maria-chuteira que fisgaram eles, e depois dos jogos vão aos melhores prostíbulos da cidade, ou as piores quadras de escola de samba. Ou imitam os gestos ridículos do Ronaldo de Assis Moreira, que nem ele, nem seus colegas sabem o que significa. Atacantes como Burrochaga, Fernando Morena, Victorino, Enzo Francescoli ou Renato Portaluppi, o pai de todos os malandros, que não era bunda-mole nem fugia do pau, hoje estariam relegados em nomes dos “Robinhos”, “Sobinhos” e outros “inhos” de luzes nos cabelos, adorados pelos fãs do “Bem Amigos”.

Saudosos tempos em que a Libertadores era uma guerra. Os platinos consideravam perder para um brasileiro, que para eles não tinha nenhum Libertador da América, nenhum San Martin, nenhum Artigas, uma deLibsonra, una verguenza. Não tinha “jogo”, tinha uma luta campal pela bola. E não precisava muito para os carrinhos, cotoveladas, socos, pedras, pedaços de pau e garrafas começarem a voar. Era preciso ser mais que jogador, era preciso ser homem. A fumaça invadia o campo, o frio gelava até os ossos, os alambrados balançavam, os juízes davam cartão até antes de começar o jogo, e não ganhava o melhor. Ganhava o mais forte.

Hoje, a Libertadores virou um espetáculo midiático, tão insosso quando a novela das 6. Até o Once Caldas e o Inter, ou a Inter, já ganharam o enlatado.
Mas eles nunca terão a glória. A glória de ter travado batalhas em campo, de ter erguido a taça, não com papel laminado voando em volta, mas com sangue escorrendo pela testa. A taça alguns tem, a glória, poucos. Pouquíssimos.