31 julho 2006

Um novo Palmeiras

Lançamento forte, bola perdida. Não para Edmundo, que corre e se atira para evitar a linha de fundo. De carrinho, deixa com Francis a missão de arrumar o escanteio. O gol vem no lance seguinte.

O novo alviverde imponente encontra tradução no malabarismo de Edmundo. Também na vibração de um Paulo Baier que se empolga com cada desarme. E em um Marcinho que faz valer o codinome Guerreiro a cada bola dividida.

Um Palestra de garra e de união. De uma molecada promissora, que só precisava ser lançada no momento adequado. Talvez agora.

O grupo mostrou força mais uma vez.

Uma noite especial.

Vitória incontestável, maiúscula.

Contra um adversário bem armado e perigoso.

Um Palmeiras que soube impor seu ritmo para abrir 2 a 0. E que reagiu ao roubo do pilantra disfarçado de juiz de futebol. Foi às redes mais duas vezes para garantir; mostrou quem era o grande em campo.

Nove pontos nos separam agora da Libertadores-2007.

Dá para sonhar.

Mas é válido, se o sonho não virar realidade até dezembro, o registro de cada bom momento do nosso ressurgimento.

O gol do Alceu, por exemplo.

Eis aí um daqueles lances para se orgulhar de ser torcedor de estádio; só quem está lá tem a dimensão do que significa acompanhar a viagem da bola do pé do jogador à rede. Uma sensação única. Indescritível.

Para mim, no entanto, mais bonito foi o segundo gol.

De gênio.

De um ídolo palestrino.

Que encerrará em casa uma carreira gloriosa.

A bola, que parte da linha de fundo, o procura.

Em progresssão, ele quase recua um passo. Arremate certeiro.

Nesse meio tempo, Edmundo, genial que é, descobre frações de segundo para dirigir o olhar em direção à arquibancada. É o bastante para mandar um “Chupa Luigi” antes de desferir o chute.

Golaço!

É um novo Palmeiras!

***

As malditas bolachas

Vale ainda tudo o que eu havia dito no ano passado: a promoção da Nestlé só é boa para os cambistas, que lucram até 500% na venda de cada ingresso. De resto, é ruim para os torcedores, para os clubes e para a própria multinacional suíça.

Já foram dois, mas ainda teremos mais três jogos com a presença dos malditos torcedores Nescau. São estes:

10/09: Palmeiras x Azulinho/SP
15/10: Palmeiras x Brisa/PR
12/11: Palmeiras x Bostafogo/RJ

E mais: o Bostafogo/RJ x Palmeiras do próximo dia 13 também é jogo Nescau. Espero que alguém reserve os nossos ingressos na bilheteria.

Haja saco para agüentar a baianada!

21 julho 2006

Pesos e medidas

O Santos já perdeu a conta de quantas punições sofreu devido à indisciplina de seus torcedores. Virou mania, de dois anos para cá, obrigar o time da Vila a disputar seus jogos com portões fechados.

O mesmo aconteceu com o SCCP, três vezes se não me engano. E com outros grandes clubes. O Palmeiras, inclusive. No Brasileirão-2005, jogamos contra a Brisa do Paraná diante de um Pacaembu vazio.

Por que fomos punidos?

Simples. Porque dois energúmenos resolveram invadir o campo - só para aparecer - durante um clássico contra a gambazada.

Dois, e não dezenas.

Dois que nada fizeram.

E fomos punidos.

Mas punição é algo que nem se cogita para invasões em massa.

Nem em Mogi, quando um bando de bichas frenéticas invade o campo para arrancar a cueca de marmanjos.

Menos ainda quando o templo da podridão e da sujeira é invadido pela horda acéfala e alienada.

A escória faz o que quer e fica por isso mesmo...

Ah, se fosse o Santos...

Seriam 18 jogos com portões fechados.

Não em São Caetano ou Santo André....

... mas em Macapá, provavelmente.

16 julho 2006

Pra lavar a alma

1 a 0!

Não existe placar mais bonito no futebol.

Foi assim que lavamos a alma contra a gambazada.

Deu gosto, hoje como quarta, ver o Palmeiras jogar.

Obrigado, Copa do Mundo.

Temos agora um time guerreiro.

Que luta. E que vibra.


Falta brilhantismo, mas sobra raça.

Mais transpiração que inspiração.

É o que importa.

É só o que queremos.

É assim que gostamos de torcer!

VAMOS PALMEIRAS!

115

***

Maioria. De novo!

Maioria verde no clássico do Paulistão (18.989). E também no clássico do Brasileiro (15.048). Já são dois jogos seguidos. Ah, os gambás estavam mal lá e cá? E nós não? Afinal, quem estava em pior situação antes do 1 a 0 desta tarde?


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A culpa era do Palio?

Não sou um cara supersticioso. Mas acabei me deixando convencer pela teoria do Luiz, que exigiu que fôssemos ao Jd. Leonor com o carro dele, e não com o meu. Alegação: se o Uno (2000-2003) foi o veículo de muitas alegrias nas idas e vindas daquele estádio maldito, o Palio (2003-?) só trouxe decepções.

Pois bem, o 1 a 0 de hoje à tarde seria suficiente para comprovar a teoria. Mas os números são ainda mais fortes. Entre 2003 e agora, o Palmeiras jogou 16 vezes no Jd. Leonor – contra gambás, bichas ou Santos. Foram 10 derrotas, cinco empates e apenas uma vitória (4 a 0 no SCCP em 2004).

Muitas lamentações. O retorno para casa foi quase sempre uma tortura. E bastou o Palio ficar longe para as coisas mudarem. Enfim, eu me rendo. Vamos sempre com o carro do Luiz. E eu nem me importo se tiver de agüentar as barbeiragens do nosso amigo ou os discursos do Maníaco. Tudo pelo Palmeiras!

12 julho 2006

A boa e velha rotina

As coisas começam a voltar ao normal. O futebol deixa de ser desrespeitado por bárbaros aproveitadores e retorna integralmente àqueles que o amam (e o entendem). Os babacas não deixam de existir, é claro, mas têm agora menos força do que no insuportável mês da Copa. Aí dá pra mandar tomar no cu e seguir em frente.

O futebol é só nosso.
Até 2010, quando reaparecerão os mesmos oportunistas de sempre.

Vamos ao que interessa: o Campeonato Brasileiro.

40 e poucos dias de saudade. Voltamos a campo amanhã à noite. Sem contratações de peso, mas com esperanças renovadas. Primeiro porque não é possível piorar. Mas especialmente porque sobrou tempo para treinar (e entrar em forma). E porque temos agora Marcos, Nen, Juninho e Marcinho. Além dos tímidos reforços para compor o elenco.

Dá para acreditar em uma trajetória menos acidentada.

VAMOS PALMEIRAS!

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Amanhã, 19h30, no lugar de sempre.

Domingo, 14h30, no Jd. Leonor.

09 julho 2006

CAMPIONI DEL MONDO!


Falou mais alto o sangue italiano.

Sangue quente.

De 23 jogadores que atuam em casa.

Que cantam o hino.

E que honram a camisa.

Falou mais alto o sangue dos italianos.

Não só dos jogadores, mas do povo, único que é.

A Copa do Mundo é de quem a merece.

24 anos depois.

Uma bela decisão de Copa.

Pois final não combina com jogo bonito.

É mais vontade do que técnica.

Mais transpiração do que inspiração.

Mais raça do que habilidade.

E assim veio o tetra.

Sem estrelas.

Mas com alma.

Com garra.

Com sangue.

Com paixão.

Com amor à camisa!

Isso é futebol!

AZZURRA!
1934 – 1938 – 1982 – 2006

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AVANTI PALESTRA!


Que o tetra em gramados alemães sirva de exemplo para que o nosso amado Palestra consiga renascer agora, quando tudo volta ao normal. Pois Itália é sinônimo de Palmeiras. Impossível dissociar uma coisa da outra. E o Palmeiras volta à rotina um pouco mais campeão.

***

10

Zinedine Zidane.

Eis aí um cara que faz da bola o que bem entende.

E faz bem ao futebol.

Merecia, por tudo, deixar o grandioso Estádio Olímpico de Berlim ao som de aplausos. Reverentes e agradecidos.

Aplausos sem camisa.

Quis o destino que fosse o oposto. Sob vaias.

O que ele ouviu de Materazzi?

Provavelmente nunca saberemos.

Que fique entre os dois, portanto.

E que sejam reservadas aos admiradores deste esporte todas as belas imagens produzidas por este gênio da bola. Um autêntico 10.

Que esta de hoje, a de um gênio que desce de costas enquanto lhe vira a cara a taça mais cobiçada do planeta, seja apagada.

Pois Zizou não merecia se despedir assim.

Ou melhor, não tinha esse direito.

Zidane, justo ele, cometeu um atentado.

Não ao futebol, mas a ele próprio.

E só porque ele é Zidane.

Para mim, ficam as imagens de um gênio.

E o futebol, como o tempo, se encarregará de preservá-las.

10.

07 julho 2006

Mania de conspiração




















Nada escrevi até agora sobre a Squadra Azzurra. Dois foram os motivos: falta de inspiração e respeito ao próximo adversário. Aguardemos, pois, a final de domingo.

Ficam a torcida e a constatação de que, com ou sem título, a vitória sobre a Alemanha é por demais grandiosa. Apoteótica. Daquelas que deveriam merecer uma sala especial em um museu do futebol. E só mesmo ele, o futebol, é capaz de algo tão grande.

A propósito: quem é parasita?

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MANIA DE CONSPIRAÇÃO(É este o texto que dá título ao post. Deveria estar no alto, mas questões operacionais determinam a inversão)


Brasileiro adora uma teoria conspiratória. Tanto quanto não reconhecer as próprias deficiências e os méritos alheios. É aí que surgem absurdos que ferem os tímpanos (ou os olhos) das pessoas de bom senso. De certa forma, a atuação magistral de Zidane no último sábado deveria servir para o povo calar a boca. A França destruiu. Mereceu o resultado com sobras. E ponto.

Longe disso. O povo adora conspirar. E eis que, Zizou à parte, tem gente disposta a ressuscitar a pior de todas as teorias conspiratórias, a da final da Copa de 98. Teriam Zagallo e seus comandados sucumbido ao talento de Zidane? Ou foi tudo uma armação entre Nike, CBF e Fifa, com a conivência de algumas dezenas de pessoas, incluindo o Velho Lobo e alguns atletas honrados?

Só gente muito ignorante para propagar tal absurdo. São as mesmas pessoas que agora, frustradas com a derrota da 'imbatível' seleção de 2006, ousam estabelecer uma ligação entre a derrota no Stade de France e a provável Copa de 2014 no Brasil.

Por favor, não me peçam para reproduzir a história. Ela está rolando por aí, no mar de atrocidades que é a internet. E tem gente burra ao ponto de acreditar e até ampliar tamanha estupidez.

Não seria mais decente reconhecer que Zidane é um gênio?

Que o Brasil pode ser derrotado?

Que o adversário, qualquer que seja, pode ser superior?

Que o futebol, como a vida, é assim, cheio de altos e baixos?

De vitórias e derrotas?

Seria, é fato.
Mas o brasileiro não tem nada de decente.

Pois não merece seus ídolos.

Nem os seus carrascos.

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Em tempo: aposto com quem quiser que a Copa de 2014 não será no Brasil. Vontade política é o que não falta. Da Fifa, da Conmebol, da CBF, até do governo brasileiro. Mas isso não basta. Pois faltam basicamente três coisas: estrutura, competência e decência. E, depois do que vimos nos estádios da Alemanha, é até falta de respeito o Brasil cogitar sediar um Mundial de futebol.

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Chuteiras sem pátria


Na falta de algo melhor, reproduzo aqui a coluna do Arnaldo Jabor - sim, eu gosto dele - em uma dessas edições do Jornal da Globo - sim, eu assisto a um ou outro programa da emissora nefasta:

Derrota heróica

Fiquei com inveja da derrota da Alemanha. Derrota heróica.

Já a nossa derrota, foi parecida com o que acontece dentro do país, onde a esperança virou decepção por promessas não cumpridas.

Esse fracasso foi uma desilusão educativa. Aprendemos que a república não pode viver na mentira e que a Copa não compensa crimes políticos e tragédias sociais.

Parreira disse a frase suicida: "Não estávamos preparados para perder". Como se a seleção fosse um "anúncio" , programado para nos manter num ingênuo otimismo.

Até outro dia, zé manes e celebridades, bóias frias e banqueiros, todos torciam juntos, como se todos fossem iguais. Nunca tivemos uma torcida tão sedenta.

Mas foi diferente de 1950. Lá, sonhávamos com um futuro para o país. Agora, queríamos esquecer o presente dramático. E a realidade voltou.

E vendo o jogo com a França, lembrei-me do Neném Prancha, velho treinador, que dizia aos meninos do Botafogo: "vai na bola como num prato de comida".

Nossos craques jogaram com a displicência de ex-famintos, de milionários soltos na Europa, com louras vertiginosas.

Nossa seleção não foi a pátria de chuteiras, não. Foram apenas chuteiras sem pátria.