26 junho 2006

Scolari, o libertador da Europa

Luiz Felipe Scolari, Felipão para nós, ganhou o mundo. Bem ao seu estilo. Pouco importa se parar diante da Inglaterra. Pois o grande mérito de Big Phill não será levar Portugal às quartas, à semi ou mesmo à final da Copa. Isso é detalhe; o que conta é ser Felipão.

É comemorar cada gol como se fosse um título.

Catimbar, jogar a bola no campo, dar sumiço nos gândulas.


Invadir o campo, xingar, esbravejar, blasfemar.

Agir como torcedor. Profissional, é verdade, mas torcedor.

Ser latino e brasileiro.

Deixar o sangue ferver.


Felipão, ao contrário de outros tantos, não toma para si ares europeizados. Tampouco adota a fleuma típica de certos treinadores.

Em Nurenberg ou no interior paulista, ele é Felipão.

O mesmo que nos trouxe uma Libertadores.

E que levou a Libertadores à Europa.

Mais até, à Copa do Mundo.


Valeu!

***

*Até aqui, tudo bem nas oitavas. Passaram os grandes. Só faltam o Brasil e a Espanha (pelo bem do futebol, a França tem de ficar fora).

FORZA AZZURRA!

14 junho 2006

O lado ruim da Copa

Pessoas me encontram e querem saber o que eu achei da vitória do Brasil, qual é a minha opinião sobre os jogos da Copa, quem são os favoritos ao título. Fazem isso como se eu estivesse agora em êxtase, empolgado com o torneio que é sem dúvida o que existe de mais importante no mundo dos esportes.

Até estou. Mas não consigo colocar isso para fora. E a culpa é dos oportunistas de plantão, daqueles que “só gostam de futebol durante a Copa”. Gente assim impede que eu consiga manifestar todo o meu apreço por cada um dos 64 jogos (sim, até Arábia Saudita x Tunísia) do Mundial. E aí eu acabo represando o que sinto.

Faço essa introdução em respeito àqueles que ficaram assustados quando respondi onde iria ver a estréia da seleção brasileira: “No meu quarto”, disse. Ao que ouvi: “Mas sozinho?”. “Sim, sozinho”, encerrei.

Pois bem, é fato que eu não estou acostumado a torcer pela televisão. Meu lugar é no estádio, na arquibancada. Sou um torcedor na acepção do termo e não apenas um espectador. Não me sinto à vontade, portanto, para torcer à distância. Logo, não torço.

Se não torço, assisto ao jogo. Admiro, avalio, estudo. E tais ações são inconcebíveis ao lado de certas pessoas. Por quê?

Porque pessoas falam. E falam muito. Merda sobre merda. Palpites estúpidos, comentários inoportunos, análises idiotas.

Sou incapaz de manter a calma quando o futebol é vítima de quem não o compreende. De quem, sem saber porra nenhuma, julga ter direito a emitir opiniões. Pior: de quem não o quer bem, mas abre exceção durante um mês. É impossível a convivência entre estes seres e eu.

E é aí que chegamos ao meu quarto. Ele tem muitas qualidades. Tantas que eu seria incapaz de enumerá-las aqui. Mas uma se sobressai: ele me permite ficar distante das besteiras que são ditas contra o futebol.

***

O mundo não está perdido

Não estou só. Aliás, não estamos, pois sei que muitos leitores deste blog compartilham desta minha linha de pensamento. Deixo-os, por fim, com dois textos que complementam tudo o que escrevi acima.

1. Folha de S. Paulo (08/06/2006)
Coluna de José Geraldo Couto


Abaixo os ETs
Aproveitadores de plantão e torcida de última hora irritam amantes do futebol

O poeta e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, católico e comunista, escreveu certa vez que na época do Natal desejava fugir da Itália e ir a um país não-cristão, para escapar do massacre da propaganda e do "espírito natalino" que, segundo ele, pervertiam o sentido religioso da data.

É mais ou menos isso o que sente o amante do futebol em tempo de Copa do Mundo. A overdose de imagens dos craques, a proliferação de bandeiras, a insistência monotemática da mídia e da publicidade, o patriotismo compulsório - tudo isso, que irrita quem não gosta de futebol, incomoda também quem gosta muito.

Nada desagrada mais ao torcedor aficionado do que ouvir de alguém a frase: "Eu não ligo para futebol, exceto na época da Copa". Invasores. Alienígenas. Gente que não conhece nem as cores dos principais times do país.

Em tempo de Copa do Mundo, o verdadeiro amante do futebol se sente acuado por uma massa de ruidosos diletantes, de amadores ineptos que caem de pára-quedas à beira das quatro linhas.

Quando o torneio finalmente começa, depois de semanas de oba-oba da mídia, temos pelo menos o consolo dos jogos propriamente ditos. Alguns são muito bons, outros são emocionantes e há até os divertidos, sobretudo na primeira fase, com tanto time ruim.

Mas o verde-amarelismo onipresente, a estridência dos locutores, a idiotice dos comerciais, o oportunismo dos políticos - tudo isso só consegue revoltar e causar engulhos em quem realmente aprecia essa arte performática.

Que não me entendam mal. Presenciar uma Copa do Mundo é uma experiência incomparável. Não estou, daqui do meu canto, dizendo que essas uvas estão verdes.

O problema é ver o futebol ser conspurcado, manipulado, inflado e saturado no chamado país do futebol. A bem da verdade, pouco me importa se o Brasil será campeão ou cairá fora na primeira fase. Só quero ver, se possível, no meio de tanto marketing e tanta politicagem, um pouco de bom futebol


2. Placar (Junho/2006)
O homem mais irado da cidade,
por José Enrique Aznar


A Copa é a maior invenção da humanidade. Sem ela, a vida não faz sentido. Até quem odeia futebol, em tempo de Copa, se envolve com o assunto. E é isso que me irrita. É um monte de Zé Mané palpitando, achando que entende alguma coisa...

Outro dia fui ao banco e uma senhora roliça pegou uma tabelinha que a mulher do caixa ofereceu:
-Ai, que dia o Brasil joga?
-Dia 13 estréia.
-Ai, é terça, que chato... E o outro?
-Não sei, tá aí na tabela.
-Ai, é dia 18. É domingo, dá pra fazer um churrascão... Porque com esse time é claro que vai ganhar, né? Ronaldo, o Kaká tão lindinho...
-Eu gosto do Raí. Ele vai?

Tive vontade de vomitar. Paguei a conta e fui pra casa. No caminho, vi um monte de gente com camiseta verde-amarela. Aposto que ficam dando palpite nos esquemas, mas a maioria não sabe do que tá falando. Nessa Copa vou me trancafiar e ver todos os jogos e mesas-redondas sozinho. E não vou botar o nariz na rua, porque meu ouvido não é penico, caçarola!

12 junho 2006

12/06/1993: o amor é verde!

Certas datas não podem passar em branco. É o caso do 12 de junho, inesquecível para a nação palestrina. Demorei a escrever porque estava sem boas idéias. E, como não queria reciclar textos antigos, terceirizo a função, que fica a cargo do nosso amigo corneteiro Luigi Pacifico, o primeiro a protestar contra o suposto atraso deste blog. É dele o texto abaixo.



Treze anos se passaram. Mas, se um título sempre é inesquecível, o que dizer do primeiro para muitos torcedores? Torcedores que, como eu, passaram a infância e a adolescência sofrendo, sendo humilhados pelos adversários, mas que ao contrário de muitos outros, que acharam mais fácil mudar de time e torcer por um clube sem alma, sem passado somente por aquele era o time da moda, sabiam que o momento ia chegar, que o amor por um clube não é baseado em títulos, mas sim na sua história, na sua dignidade, na sua honra.

E o dia chegou...
12 de junho, dia dos namorados.

Para nós, nada é maior do que o nosso amor pelo PALMEIRAS. E nesse dia estávamos ali, comemorando mais um ano de amor pelo nosso clube. Amor que por 17 anos de sofrimento carregou dentro do peito um coração destroçado pela dor, mas sempre apaixonado, cada vez mais...

E qual dia seria melhor para que o nosso coração PALMEIRENSE expulsasse aquela dor do peito? Dia dos Namorados.

Depois de uma semana cheia de provocações... (é o que melhor eles sabem fazer... falar antes...), veio o grande dia...

Morumbi lotado, 104.401 torcedores.

E eles tinham vencido o primeiro jogo da final com um gol de Viola, que comemorou imitando um porco. Pagaria um preço muito caro pelo gesto...

Falar do jogo é a coisa mais fácil. Nunca houve tamanha pressão de um time sobre o outro numa final, foi do começo ao fim, poderíamos ter feito um gol com apenas um minuto de jogo, mas aí seria muita humilhação...

Zinho, Evair, Edílson... 3x0 no tempo normal, mas não era suficiente.

Faltava a prorrogação. Nos 30 minutos finais, segundo o regulamento, a vantagem do empate era nossa. Isso é coisa de time pequeno...

Depois de 17 anos, o empat
e na prorrogação era pouco, muito pouco...

9 minutos: Edmundo é derrubado na área... Pênalti!

Milhões de corações num pé direito...
Pé direito que nunca nos decepcionou, nem dessa vez...

“Gol, gol, gol...
gol do Evair!
PALMEIRAS campeão,
Vai cair o morumbi...”

Milhares de pessoas desconhecidas se abraçando como se fossem irmãos, pais e filhos chorando por poder comemorar um título juntos, jogadores que incorporaram o espírito palestrino...

Foi lindo, especial, como nenhum outro clube consegue ser...

Naquele 12 de junho de 1993, o Morumbi viveu a sua maior noite de amor entre um time e a sua torcida. Passaram-se 13 anos daquele inesquecível título, e ainda continuamos do mesmo jeito, apaixonados.

E hoje, 12 de junho de 2006, Dia dos Namorados, temos somente uma coisa a dizer, uma coisa que sai da alma, do fundo do nosso coração:

PALMEIRAS, eu te amo!!!


***

Ressalto, por fim, que Luigi gostaria de registrar agradecimentos especiais àqueles que considera os dois principais responsáveis por essa conquista: W(V)anderley(i) Luxemburgo e Edílson. Particularmente, eu prefiro Edmundo e Evair.

06 junho 2006

06/06/06: o 6° aniversário














A última grande alegria dos palmeirenses veio em um 6 de junho.
Seis anos atrás. Como hoje, era terça-feira.

Mal sabíamos o que viria depois.

Estaríamos pagando desde então o preço daquela vitória?

Se sim, vale a pena.

Não é justo, mas vale a pena.

Pois a alegria que senti ao ver o chute de Marcelinho parar nas mãos de Marcos vale por anos de sofrimento. Talvez por todos os últimos cinco. Eventualmente pelos próximos.

Esta, a defesa de São Marcos, foi a derradeira.

Mas não a única felicidade daquela noite.

Houve o gol de Euller.

Esquisito, com chute para o chão.

Bola desce, bola sobe. É gol!

Também a força que tiramos sabe-se lá de onde para empurrar um time que, inferior e perdendo por 2 a 1, precisava de dois gols para levar a decisão para os pênaltis.

Das gargantas de uma minoria saiu o grito que empurrou à vitória 15 guerreiros verdes. Poucos acreditavam. Só nós.

Houve Alex, preciso e magistral.

E Galeano. Um gol impossível.

Se sobrevivi à tamanha tensão nas arquibancadas nada acolhedoras do Jd. Leonor, não morro mais deste mal.

Pois os minutos que separaram o apito final de Edílson Pereira de Carvalho (sim, ele comandou os dois jogos) e a cobrança de Marcelo Ramos, a primeira, foram criminosos.

Mais do que os do título de um ano antes.

Mais do que os da final que se seguiu após o 6 de junho.

Mais do que qualquer outro.

E os pênaltis...

Nove. Cobranças e gols. 5 x 4.

O que veio depois é história.

É orgulho. Para contar aos filhos, netos e bisnetos.

Para encher o peito e proclamar: “Eu estava lá. Eu vi. Eu venci!”

Um momento único.

Seis anos...

***

A maior vitória

Não foi o 12/06/1993.
Tampouco o 12/05/1999.
Nem o 22/12/1974.

Nossa maior vitória sobre eles foi esta de 2000.
Não pelo que significou em termos práticos.
Nem pela nossa alegria.
Mas pela dor que eles sentem até hoje.

***

Dá pra acreditar?

Marcos;
Rogério, Argel, Roque Júnior e Júnior;
Sampaio (Tiago Silva), Galeano, Alex e Pena (Luís Cláudio);
Euller (Asprilla) e Marcelo Ramos.
Luiz Felipe Scolari.

E nós ainda achávamos que esse time era fraco...

***

Constatação pessoal

A foto que estampa este blog (e o anterior também) é de 29 de maio de 2000, dia em que eu comprei o meu ingresso para SCCP 4 x 3 Palmeiras, o primeiro duelo desta semifinal de Libertadores – já contei a história outras vezes. Chama a atenção o fato de eu ter mudado muito pouco de lá para cá. Quer dizer: não mudei absolutamente nada. Seis anos...

04 junho 2006

Bendita Copa do Mundo

Sérgio;
Amaral, Daniel, Thiago Gomes e Márcio Careca;
Alceu, Roger Bernardo (Reinaldo), Wendel e Michael (Roger);
Alex Afonso e Enílton (William).

Eis o provável pior conjunto de jogadores entre todos os que já defenderam o Palmeiras em um jogo oficial.

Mesmo com tanta ruindade, o catadão aí de cima não merecia perder. Pois pressionou a Brisa do Paraná. Fez por merecer não apenas um, mas talvez dois gols. Teve contra si um goleiro em tarde inspirada, que pegou tanto as boas quanto as (muitas) más finalizações.

Mas teve, acima de tudo, azar.

Virou rotina, é fato. Mas não a ponto de levarmos um gol de queixo. Menos ainda em decorrência de uma falta que não existiu.

Tudo conspira contra.

Se tivessem estes cidadãos a oportunidade de envergar a gloriosa camisa verde por um dia inteiro na Arena, certamente voltariam para São Paulo sem terem levado a bola à rede. Teriam sido desperdiçadas as 237 situações de gol possivelmente criadas. Do outro lado, Sérgio teria oferecido pelo menos 40 rebotes para o meio da área.

A Copa do Mundo vem em boa hora.

Pois não é possível piorar.

Resta saber se haverá competência para melhorar.

***

O coveiro Tite

O treinador 1-0-4 enterrou o time novamente. Com o mesmo erro. Se o de quarta foi substituir Edmundo, o de agora foi afastar aquele que é um oásis de lucidez em uma equipe acéfala.

Um atentado ao futebol.

A se confirmarem boatos descabidos, cabeças haverão de rolar.

***

Perguntas sem resposta

*Por que Washington é afastado por deficiência técnica e Enílton não?

*Por que ressuscitar Alex Afonso?

*Será que o Ricardinho é assim tão ruim nos treinamentos?

***

Utilidade pública

Informo aos torcedores da Brisa do Paraná que faltam agora 11 vitórias para que o segundo maior time de Curitiba iguale o Palmeiras no confronto direto. Números atualizados:

28 jogos
15 vitórias do Palmeiras
9 empates
4 vitórias da Brisa do PR
44 gols do Palmeiras
29 gols da Brisa do PR

Cumpre esclarecer ainda que o alviverde jamais foi derrotado em casa.

***

Por fim, fica a recomendação para que todos conheçam a nova sede da Mancha, inaugurada ontem.