28 dezembro 2006

Um clássico na Europa

Roma-Lazio está longe de ser um Palmeiras-SCCP, seja lá qual for o critério de comparação. Mas o dérbi da Cidade Eterna leva vantagem hoje diante do maior clássico brasileiro. Afinal, aquele clássico – e todos os demais europeus – não foi ainda vítima da banalização imposta por dirigentes ou do desrespeito descarado e ditatorial de certa emissora de TV. São dois jogos por temporada, sempre em dias e horários adequadas à cultura italiana.

É por isso que se pode estar indo de Napoli para Roma, de trem, poucas horas antes, e ouvir duas mulheres – que de torcedoras nada tinham – debatendo a importância do jogo e, acima de tudo, os reflexos disso na cidade. Pode-se dizer que Roma parou para ver uma partida de futebol, que gerou expectativa por toda a semana, chegando a merecer cadernos especiais em todos os jornais da capital. Isso já é coisa do passado por aqui.

Chega de digressões. Vamos ao que interessa:

Do Roma Termini – estação central do Metrô e principal ramal para as linhas de trem que servem todo o país – ao Stadio Olimpico, na região noroeste da cidade, gasta-se 30 ou 40 minutos, de metrô e ônibus, em dias de jogo. Neste percurso, o que mais se vê são policiais. Quase dois mil, diziam os jornais.

Senti um certo exagero nisso tudo, visto que torcedores rivais são capazes de dividir o mesmo ônibus sem violência. No meu, por exemplo, havia cerca de 15 da Roma e no máximo 10 da Lazio, incluindo algumas mulheres. Ok, não chega a ser um clima cordial – os olhares enviesados deixam transparecer o ódio –, mas eles se suportam.

Já nas imediações do estádio, nota-se uma certa divisão, natural se considerarmos que as entradas – Nord e Sud – são opostas, com as tribunas – divididas – no meio. Não há grandes bolsões de estacionamento; as pessoas param na rua mesmo, mas isso é tarefa bem mais fácil do que aquela enfrentada por aqui. Não há flanelinhas vagabundos. O trânsito, por sua vez, segue com relativa tranqüilidade. O problema, inevitável, é o pós-jogo.

Desci do ônibus já em frente ao Largo de Bosis, local em que deveria retirar o ingresso comprado pela internet. Tudo muito fácil. Bastou apresentar passaporte e comprovante de compra para sair com o bilhete: Curva Nord, Setor 48G, fila 63, cadeira 19. Tudo nominal.

O que comer? De um lado, há o rio Tevere, com as margens ocupadas por bares e restaurantes. De outro, trailers enormes a fazer as vezes das nossas barraquinhas de pernil e calabresa. As opções variam desde os tradicionais paninis até sanduíches com pão ciabatta, antepastos e carne de porco assada na hora. Nada mal este último.

De bebidas, um pouco de tudo, vinho e cerveja, em especial.

O ambiente que cerca o estádio – e aquele jogo em particular – é grandioso. Cheguei cedo, 1h20 antes, mas o movimento já era intenso, barulhento, tomado pela ansiedade que cerca qualquer grande jogo.

Atravessei a Viale del Foro Italico, passando por todo o complexo que circunda o estádio propriamente dito. Diante da imponente Tribuna Tevere, há um sem número de esculturas, como que a deixar bem claro que se está em Roma. Do lado externo, policiais aos montes inibiam qualquer perspectiva de confronto. E o vermelho era aos poucos substituído pelo azul da maioria – naquela noite pelo menos. Lá dentro, barulho, cantoria, prenúncio de festa.

Logo adiante, a Curva Nord.

Para liberar a catraca, basta inserir o ingresso no leitor magnético de modo que seja possível a leitura do código de barras. O canhoto é destacado mais à frente.

Por último, a revista policial, com detector de metais. A grande diferença é que o policial lança um “Buona Sera” antes e depois. A educação, para quem vem do Brasil, surpreende.

Uma rápida visita ao banheiro evidencia que as coisas não são tão diferentes por lá. A sujeira e o mau cheiro chegam a ser até piores do que em muitos dos nossos estádios.

Depois, é só seguir para o meu lugar na arquibancada. Mas qual lugar? Tomei o cuidado de me dirigir ao tal setor G, mas sequer pude chegar à minha cadeira. Não que eu quisesse, claro, mas pensei que lá houvesse respeito aos tais lugares numerados. Bem-vindo ao setor dos ultras.

Uma hora antes, estádio lotado. De um lado, cerca de 18 mil da Lazio; de outro, número parecido da Roma. Nas duas tribunas centrais, platéia dividida, com leve predominância da mandante Lazio. Prato cheio para as confusões.

E que confusões! Houve, para se ter uma idéia, guerra de sinalizadores na tribuna e nas arquibancadas. Com meia dúzia de policiais a separar as duas torcidas, o que mais se via eram os foguetes voando de um lado para o outro. E a pontaria foi exemplar: pelo menos 10 torcedores foram atingidos em cheio pelos sinalizadores.

Nas curvas, local em que ficam os ultras, a reação imediata foi lançar os sinalizadores para o gramado, em direção aos jornalistas que ficam atrás das placas de publicidade. E dá-lhe jornalista correndo...

Se fosse por aqui, os dois times seriam punidos com a perda de 80 mandos de campo. Quer dizer, não os bambis, mas todos os demais. Isso prova que precisamos acabar com essa putaria de proibir o sagrado arremesso de chinelo ou de copos d’água no gramado. É um direito do torcedor.

Voltemos a Roma.

A festa que antecedeu o apito inicial foi belíssima. A começar pelas vaias e aplausos no aquecimento dos times, passando ainda pelos cânticos de ofensa de parte a parte e culminando com o espetáculo protagonizado – especialmente pelos torcedores da Roma – na entrada das equipes.

Contribui para isso o fato de os líderes dos ultras terem os seus gritos amplificados pelo sistema de alto-falantes daquele setor específico. Lá de baixo, bem perto dos vidros que os separam do campo, há oito ou 10 deles. Os caras passam o tempo todo de costas para o que acontece no gramado, preocupados apenas em puxar os gritos que ecoam por toda a curva.

De onde eu estava, mais para cima do que para baixo, o som é perfeitamente audível. A reação da massa é quase sempre imediata.

Muitos me perguntaram se há mesmo fascistas na torcida da Lazio? Pois eu respondo: sim, e não são poucos. Durante a execução do hino da Itália, já no final do segundo tempo, pelo menos metade do público da Curva Nord fez aquele sinal característico que eu não ouso descrever aqui.

Tirando isso – e as manifestações racistas contra qualquer atleta que não fosse totalmente branco –, as coisas transcorrem numa boa. Há, é claro, os mais exaltados, e estes se destacam por nunca deixar de lembrar o nome de Paolo Di Canio, ídolo maior do nosso amigo Luigi.

Luigi, que, por sinal, ficaria bastante irritado com a insistência dos laziale em lembrar a todo o estádio que ali não havia napolitanos. E esta é apenas uma das muitas implicâncias regionais de um e de outro lado.

De resto, devo dizer que torci pela Lazio. Não por ter qualquer simpatia por este clube, mas o fato é que estava ali para aproveitar um espetáculo único. Nada melhor, portanto, do que comemorar os três gols, cantar, pular e cair pela arquibancada no meio de toda essa festa.

Ah, o gol do Ledesma, por sinal, foi qualquer coisa de espetacular. 0 a 0, 44 minutos da etapa inicial. Bola na direita do ataque. Ele avança livre e bate pelo alto, no ângulo direito de Doni. A Curva Nord vem abaixo. Eu, por exemplo, fui parar três degraus para baixo. Nada diferente do que acontece por aqui, é claro. Mas é empolgante. Impossível ficar indiferente.

O segundo tempo foi conseqüência do primeiro. Com Totti apagado, a Roma não conseguiu ameaçar a meta da Lazio, que venceu por 3 a 0.

Depois do jogo, o tumulto natural quando se tem 70 mil pessoas deixando o estádio ao mesmo tempo. E o clima é, por incrível que pareça, amistoso. Torcedores rivais se encontram sem qualquer problema e alguns - certamente amigos - até se cumprimentam. O clima de guerra aparece apenas quando algum babaca da Lazio passa de carro e provoca um grupo dos adversários.

Com tanta gente por ali, o trânsito é caótico. Demorei quase uma hora para pegar o primeiro ônibus, rumo ao centro. Depois, mais alguns minutos para o segundo. Cheguei tarde da noite no hotel, mas ainda a tempo de acompanhar o debate esportivo da Rai.

Minha cabeça, no entanto, já estava no meu próximo clássico na Europa. Se tudo der certo, já nas férias de 2007...

22 dezembro 2006

Del Nero, fantoche do mal

Del Nero é um nome eternizado na história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Descendente de italianos, este meia-esquerda defendeu o clube por quase 10 anos. Foram 244 jogos, o bastante para conquistar cinco títulos paulistas, incluindo aquele, de 1942, contra a sub-raça.

Del Nero, que descansa em paz, não merece o filho que tem.

Del Nero, o pai, não merece ver Marco Polo sujar o seu nome.

Del Nero, o filho, é um dos maiores vilões que o futebol já teve.

E é certamente o grande inimigo do torcedor na atualidade.

Ao agir como fantoche da emissora-câncer-do-futebol, Del Nero apenas ratifica o que já sabia desde o fatídico dia em que assumiu a presidência da FPF e elevou, de maneira ditatorial, de R$ 10 para R$ 20 o preço da arquibancada: ele é contra o torcedor de futebol neste país.

Del Nero não leva em conta o interesse dos que sustentam o futebol. Age de acordo com interesses espúrios - como já fizera no episódio da venda dos direitos de transmissão das próximas edições do Paulista. "Se passar, vamos jogar fora de São Paulo", disse, em resposta à lei, aprovada na Câmara Municipal, que proíbe que jogos de futebol tenham início após as 21h nesta capital.

Fantoche do mal, Del Nero encampa o discurso de toda aquela gentalha maldita: "Quem tem dificuldade nesse horário fica em casa", vociferou, na maior cara de pau.

E mais: "Se ouvissem a maioria, não tomariam essa decisão".

Ah é? Pois eu pergunto: seria uma minoria a ter dificuldades para voltar para casa após jogos que se encerram quase no dia seguinte? Seria uma minoria a reclamar das tantas arbitrariedades já cometidas pela emissora-câncer-do-futebol? Seria uma minoria a ficar em casa porque os jogos acontecem em horários estúpidos?

Vai prevalecer um único interesse.

E não é o do torcedor...

21 dezembro 2006

Vitória (parcial) do povo

Tá no blog do Juca Kfouri:

Bomba natalina!

A Câmara dos Vereadores de São Paulo aprovou em segunda votação, definitiva, portanto, na noite de ontem, uma lei proposta pelo vereador Tião Farias (PSDB) que proibe a realização de jogos de futebol que comecem após as 21 horas na capital paulista.

O texto, agora, irá para aprovação do prefeito Gilberto Kassab.

Certamente a TV Globo tentará impedir que o alcaide sancione a lei.

A íntegra está aqui.

A vitória é apenas parcial. A suja emissora carioca vai tentar derrubar a lei. O povo torce. Deixo o "Chupa, Globo" para a eventualidade de conseguirmos a vitória definitiva.

Como construir um estádio

O nome do cidadão é Júlio Casares, e ele ocupa o cargo de diretor de marketing do clube do Jd. Leonor.

A frase dele, no Painel FC/ FSP da última terça, é esta:

"Muitos corintianos compraram a grama do estádio e plantaram para ver se nasce um Morumbi"

Perguntas:
1. Com todo o know-how adquirido pelo clube do Jd. Leonor na arte de construir um estádio com o dinheiro do povo, não seria mais fácil propor aos corintianos que tivessem como próximo presidente um cara que acumulasse também o cargo de governador do Estado?

2. Não seria mais fácil, com base no histórico leonor de levar (ou tentar levar) na mão grande o patrimônio alheio, sugerir que o SCCP tomasse o Canindé da pobre Portuguesa?

3. Ou o terreno do Nacional, para construir, com a colaboração do Estado, um estádio maior?

4. Que tal este sujeito, em vez de vomitar esse tipo de coisa, revirar a história suja do clube dele para saber como foi construído o estádio de que ele tanto se orgulha?

É sujeira demais pra um clube só...

29 novembro 2006

Férias

Ao tradicional alívio após 12 meses (15 para mim) de trabalho (sempre) estafante, é necessário acrescentar outro ainda maior, o de termos escapado de uma tragédia que se anunciou aos poucos neste ano maldito (mais um!).

Quando marquei a data da viagem, meses atrás, imaginava que meu único prejuízo seria não poder ir ao Rio para ver o último jogo da temporada. Nada assustador, considerando-se que, a meu ver, o duelo diante do Fluminense nada valeria.

De fato, não vale porra nenhuma. Mas poderia valer. Muito!

E aí não conseguiria viajar em paz. Não só pela perspectiva iminente de uma nova catástrofe, mas essencialmente por não poder estar ao lado do Palmeiras, no Maracanã, em um momento tão decisivo.

Escapamos. E eu viajo em paz.

O blog também entra em férias.

Até o dia 20!

28 novembro 2006

O rato, o velho e as pedras

1. A situação é tão trágica que até um rato invasor vira notícia. E gera observações excelentes, como a de um amigo do Fernando Cesarotti. É dele a frase "Dá a 9 pro rato". A bem da verdade, poderia ser a 9, a 6 ou a 3, sem qualquer prejuízo.

2. Nossa pressão parece ter surtido efeito: Palaia caiu. Com meses de atraso, é verdade, mas caiu. Faltam pelo menos mais 300.

3. Alguém entre os invasores da numerada viu as pedras supostamente atiradas no campo? Porque eu estava lá na hora da revolta e não vi nada disso - e de onde teriam vindo as pedras? Fato é que algum promotor fez a denúncia ao STJD, que ameaça nos punir com a perda de até 10 mandos de campo! 10? Pois eu digo uma coisa: se o Grêmio levou três jogos por tudo aquilo que fizeram seus torcedores no Beira-Rio, temos aí um limite para futuras punições.

27 novembro 2006

...

Há muito a ser dito, mas pouco a acrescentar. E a inspiração não veio; nem virá. Talvez porque esses filhos da puta (jogadores, técnico e dirigentes, estes mais do que aqueles) tenham chegado ao cúmulo de me deixarem com vontade de abandonar o estádio com apenas quatro minutos de jogo.

E não foi aquela sensação de querer sair para não ver (mais) um vexame, mas sim a inesperada vontade de estar bem longe dali, em outro estádio. Em quatro minutos, veio o ímpeto de sair do meu lugar e seguir para qualquer outro que tivesse ligação direta com Goiânia.

O Inter fez o que quis, mas eu não vi porra nenhuma. Se alguns viram um tal de Pato (meu único comentário a respeito foi: "Olha o nome do filho da puta que fez o gol na gente..."), eu só vi a história desmoronar diante dos meus olhos.

A desonrar nossa camisa, um bando sem alma.


Coube aos teimosos torcedores - que fomos ao estádio mesmo contra a vontade da diretoria -, tomar uma atitude.

Ouso dizer que o Inter se comoveu com o clima de guerra e com a tensão que tomou conta da arquibancada. Não só do setor popular, mas também da numerada, invadida que foi por nós.

Lamento que não tenha acontecido algo mais grave.

Todos os limites já foram superados.

Alguém precisa pagar pelo sofrimento de 15 milhões.

24 novembro 2006

À vitória, Palmeiras!

Mesmo com a diretoria jogando contra, vamos fazer a nossa parte. Não sei em que número - a julgar pelos intocáveis R$ 20, não querem que a torcida compareça -, mas lá estaremos. Domingo é dia de colocar um ponto final neste ano maldito. É dia de exterminar esta mínima possibilidade de catástrofe, sepultando mais uma temporada de decepções. E é dia de encerrar o ano com um pouco de dignidade. Mais do que isso, com um pouco de paz.

Lutar! Vencer ou morrer!

Causa ou conseqüência?

Comentarista esportivo ruim é o que mais tem por aí. Na falta de algo melhor para dizer, a maioria apela para discursos vazios ou clichês estúpidos. É o que temos, por exemplo, no uso já abusivo do adjetivo "Lamentável...", assim mesmo, com reticências, sempre que aparecem imagens de brigas de jogadores ou torcedores ou qualquer outro tipo de confusão nos estádios de futebol. Ninguém se preocupa em entender o que aconteceu; é mais fácil lançar mão deste recurso babaca.

Há, no entanto, uma outra babaquice que tem me irritado. Li em alguns lugares coisas parecidas com isto aqui: "Os seis líderes do Campeonato Brasileiro não trocaram o treinador. Em compensação, os quatro últimos trocaram de técnico pelo menos três vezes. Logo, o segredo do sucesso está na manutenção dos profissionais etc. e tal".

Pois bem, não contesto a necessidade de planejamento e de manutenção do grupo de trabalho. Mas este argumento repetido à exaustão pela nossa imprensa está errado desde o princípio, pois credita como conseqüência o que é na verdade a causa.

Afinal, os times que estão na rabeira tiveram mais treinadores exatamente porque estão mal das pernas - e não o contrário. Em contrapartida, os que estão lá no alto não precisaram trocar ninguém.

Não faz mais sentido assim?

23 novembro 2006

A imortal camisa 12


O glorioso Clube Atlético Mineiro, que retorna em grande estilo ao lugar de onde nunca deveria ter saído, vai aposentar e imortalizar a camisa 12 em homenagem à torcida, que o acompanha desde 1908.

O Galo rende assim uma bem-vinda homenagem ao principal jogador de sua história: o torcedor.

Porque os jogadores, por mais craques que sejam, estão sempre de passagem. Podem eventualmente chegar à condição de ídolo e até virar símbolo de uma era, mas estarão sempre de passagem. O torcedor fica. Ninguém merece tanto ter a camisa imortalizada.

Fica o exemplo.

22 novembro 2006

O direito de ser campeão

Somente um desequilibrado mental reúne condições de contestar os méritos de um campeão que atinge impressionantes 21-11-4/64x32. Sem Zveiter, Rezende e esquemas sujos, sobrou neste ano a justiça que faltou em 2005. Não tenho, portanto, qualquer pretensão estúpida de fazer objeções à conquista dos bambis.

A pergunta que coloco aqui é: quem pode se declarar campeão?

Muita gente. Os jogadores. O técnico. A competente diretoria bambi - ainda mais se contrastada às demais. E... parte da torcida.

Qual parte?

Refiro-me àqueles que são torcedores sempre, do início ao fim, nas vitórias e nas derrotas. Especialmente nas derrotas.

Àqueles que acompanham a trajetória desde o início.

Vejam que não falei em torcedores de estádio, embora, por motivos óbvios, os tenha na mais alta consideração. Há, por 'n' motivos, aqueles que não podem ir (ou simplesmente não vão) aos estádios. Se isso os diminui? Não, desde que, à distância e à maneira de cada um, eles se comportem como nós, torcedores de estádio.

Tudo isso para dizer que este texto não serve ao propósito de abordar assuntos como média de público, fidelidade, comportamento na arquibancada ou ingressos a preços promocionais em plena fase decisiva. Isso já foi debatido anterior e exaustivamente.

Pergunto, pois:

Por que diabos um sujeito que nunca se interessou por futebol vem agora se dizer campeão? Que direito tem de se declarar tetra alguma coisa se ele não faz idéia de quais foram as outras conquistas? Que direito tem de se sentir vencedor se não participou de porra nenhuma? Se sequer se interessou pelos jogos anteriores? Se desconhece o fato de o futebol existir antes do fatídico 1992?

Porque é fácil chegar na reta final (que durou alguns desagradáveis meses, diga-se de passagem), pagar R$ 10 (ou nem isso) e se gabar do que quer que seja.


E há aqueles que nem aí se empolgaram. Que sequer assistiram à partida decisiva. Ainda assim, na maior cara de pau, sentem-se no direito de comemorar!

Você, amigo, certamente conhece algum(a) (a) aproveitador(a) que passa o ano sem saber o que é futebol e que surge agora, das profundezas do esgoto social, com a cara de pau dos que se sentem vitoriosos por nada
. Pois faça uma simples pergunta a esse(a) babaca:

Quais foram os anos dos outros três títulos?

Ele(a) ficará sem resposta.


Na verdade, este(a) indigente do futebol é o(a) mesmo(a) que adora desmerecer a sua, a minha, a nossa paixão pelo esporte. É o(a) mesmo(a) que diz não entender como podemos fazer tudo o que fazemos pelo nosso clube.

O que comemora então?

Campeão?

Campeão na arte de ser oportunista, só se for!

21 novembro 2006

Faltam cinco!

Abaixo, os nove títulos nacionais da Sociedade Esportiva Palmeiras:

Taça Brasil: 1960
Taça Brasil: 1967
Torneio Roberto Gomes Pedrosa: 1967
Torneio Roberto Gomes Pedrosa: 1969
Campeonato Brasileiro: 1972
Campeonato Brasileiro: 1973
Campeonato Brasileiro: 1993
Campeonato Brasileiro: 1994

Copa do Brasil: 1998

Agora faltam cinco, sub-raça alienada!

A lista completa está aqui.

20 novembro 2006

Parado no tempo

1994. Dezembro, 18. Pacaembu.

Edmundo avança pela direita, invade a área e cruza para o meio. Rivaldo chega livre e, com uma sutil paradinha, desvia a bola para marcar, contra o SCCP, o gol que levou o Palmeiras a conquistar o Campeonato Brasileiro pela quarta vez. Àquela altura, tínhamos quatro títulos, o mesmo número obtido pela soma dos nossos três rivais estaduais (três do time do Jd. Leonor e outro dos gambás).

12 anos depois.

O Palmeiras, que luta para não ser novamente rebaixado à Série B, ostenta os mesmos quatro títulos de 1994. Parou no tempo. Bem ao contrário de seus rivais, que, juntos, somam 10 conquistas (4 + 4 + 2).

Qual é o próximo passo?

¡Sin hinchas no se juega!

Autoconvocados, socios e hinchas de Racing y San Lorenzo fueron a las concentraciones de ambos equipos —los de Racing en el hotel Panamericano y los de San Lorenzo en el Nuevo Gasómetro— para hacer un piquete al grito de ¡Sin hinchas no se juega!. Así, lograron que los micros que llevarían a los jugadores hasta La Plata no salieran.

Do Clarín.com
A matéria completa está aqui.

14 novembro 2006

Pela volta do mata-mata!

Dizem os defensores dos pontos corridos que não existe sistema de disputa mais justo. Que o campeão é aquele que soma mais pontos após enfrentar todos os outros times dentro e fora de casa, que o melhor sempre vence, que o mais regular é premiado etc.

Pois eu pergunto: você, amigo, acha mesmo que essa tal justiça é assim tão importante no futebol? Ou prefere a boa e velha emoção de vencer o maior rival na soma de dois jogos decisivos? Aliás, cabe discutir esse tal conceito de justiça.

O que vem a seguir são os argumentos de quem abomina a atual fórmula de disputa do Campeonato Brasileiro. Que humildemente prega o retorno do mata-mata, seja pela emoção que tanto faz falta ou pelo respeito à tradição quebrada após 30 anos de finais.

Pois bem, o principal campeonato de futebol deste país encaminha-se, pelo quarto ano seguido, para um desfecho sonolento e melancólico. Mais uma vez tolhido do sagrado direito a uma final, o torcedor tem muito a lamentar.

Com toda a propriedade, Xico Sá já abordou o tema em muitas de suas últimas colunas. Mas eu faço questão de expor uma vez mais todo o meu descontentamento com esta praga que infesta o esporte brasileiro (lembro que existe apenas um esporte; o resto é brincadeira).

Eis que o certame em questão perdeu a graça há dois, talvez três meses. Não há mais o que fazer. Sem confronto direto, sem olho no olho, o campeão sairá de uma partida qualquer, que vale apenas e tão somente para ele. Ao outro, pouco importa o resultado. Temos então um coadjuvante no que deveria supostamente ser uma final.


Pior: o campeão sequer terá o outrora inalienável direito de levantar a taça e dar a volta olímpica!

"Ah, mas o time tal somou mais pontos, foi mais regular, nada mais justo que seja o campeão", dirão os defensores dos pontos corridos, o chato Juca Kfouri à frente.

Que mané justiça? De que vale isso?

Por que diabos o futebol teria de ser justo?

Por que transformá-lo nessa matemática estúpida de "vence aquele que acumular mais pontos ao final de dois turnos"?

O futebol não existe para ser justo ou injusto. Tampouco exato e calculista. Ele só é o que é porque permite situações inesperadas. Porque permite grandes viradas. Porque o campeão nem sempre é o melhor; pode ser o mais guerreiro, por exemplo. Ou aquele que vive uma tarde/noite espetacular. Pode ser aquele que descobre um gol espírita quando menos se espera.


Eis aí um jogo que consagra nomes com a mesma facilidade que os atira na vala comum.

Finais serão lembradas por toda a eternidade.

O gol de pênalti de Evair em 93, o de Basílio em 77, o de Careca em 86, o de Chulapa em 84. Sorato em 89, Petkovic em 2001, Renato Gaúcho em 95, Maurício em 89.

Cada torcida tem a sua final inesquecível. As maiores alegrias de um torcedor estão aí, em finais, não em jogos isolados e casualmente decisivos por obra mais dos burocratas que fizeram a tabela do que pelo que acontece dentro de campo.

O futebol é o que é porque permite que um capenga oitavo colocado elimine o primeiro fodão em dois jogos lá e cá.

Injusto? Por que seria? Se o primeiro é assim tão fodão deveria ter a competência de eliminar um oitavo colocado, eventualmente com saldo de gols negativo na fase classificatória.

Se não o fez, temos então a justiça do futebol. No mata-mata, deu o oitavo. E é merecido, pois os dois duelaram frente a frente, olho no olho, sem intermediários. Foda-se a matemática.

Quem está preocupado em acumular pontos quando se pode vencer o maior rival com um gol chorado aos 45 minutos do segundo tempo? Ou buscar fora de casa um empate que garante a vaga na etapa final?

Quer coisa melhor que ir ao estádio para ver um jogo decisivo? Sentir a adrenalina do tudo ou nada? Vibrar com uma grande jogada, lamentar um gol perdido, sentir o alívio com uma defesa do seu goleiro? Incentivar, sofrer, comemorar, tudo ao mesmo tempo?

Mas não. Aí estão os pontos corridos a estragar o que o futebol tem de melhor: a emoção.

Pau no cu dos pontos corridos!

Viva o mata-mata!

***

Sonhar não custa nada

Tomo a liberdade de fazer um breve exercício sobre como estaria agora o Campeonato Brasileiro se tivessemos pela frente uma fase final, com mata-mata ou com dois quadrangulares decisivos. Em ambos os casos, seriam os oito tradicionais classificados:

1. Bambis, Internacional, Grêmio e Santos estariam matematicamente garantidos.

2. Vasco, Paraná Clube, Figueirense e Flamerda seriam, hoje, os quatro outros.

3. Cúzeiro, Bostafogo, SCCP, Goiás e Brisa do Paraná estariam na briga pelas últimas vagas.

Mata-mata/ Quartas-de-final
1: Bambis x Flamerda
2: Internacional x Figueirense
3: Grêmio x Paraná Clube
4: Santos x Vasco

Mata-mata/ Semifinal
Vencedor de 1 x Vencedor de 4
Vencedor de 2 x Vencedor de 3

Por grupos
Grupo A: Bambis, Santos, Vasco e Flamerda
Grupo B: Internacional, Grêmio, Paraná Clube e Figueirense

13 novembro 2006

Deixa chover, deixa molhar...

Falta um pouco ainda. Cinco pontos na matemática fria, talvez três na realidade do futebol. Mas a vitória de ontem, sofrida, suada e molhada, trouxe um alívio momentâneo. Se a rodada não ajudou, pelo menos fizemos a lição de casa. Debaixo de chuva, para alegria de uns e sofrimento de outros.

"Deixa chover, deixa molhar...
É no molhado que o Palmeiras vai ganhar!"


***

Edmundo, 136

Parabéns, Animal!

Acima dele, só Dinamite e Romário.

09 novembro 2006

O poder é nosso

Fosse qual fosse o resultado de ontem - ainda bem que vieram os três pontos -, minha opinião não mudaria: foi acertadíssima a atitude da Mancha na terça-feira à tarde. E oportuna, diga-se de passagem.

O Vitor, por exemplo, entende que o momento foi ruim, às vésperas de um jogo decisivo, o que poderia conturbar o ambiente entre os jogadores. Pois eu penso exatamente o contrário. Acredito que precisava acontecer alguma coisa. Não dava mais para viver naquela letargia filha da puta.

Aliás, o jogo não tinha nada de decisivo. Vocês vão me desculpar, mas não podemos dar todo esse crédito ao Fortaleza. Decisiva é a partida do próximo domingo. A vitória de ontem não significa nada a não ser metade de um objetivo; o que realmente importa é fazer os seis pontos em casa. Domingo, portanto, é o que vale.

Não acredito que os 3 a 0 de ontem tenham qualquer relação com a invasão da Mancha, visto que ela teve um único alvo: os incompetentes que estão à frente do Palmeiras e que nos levaram a essa situação.

Era preciso dar um significado mais amplo à indignação que toma conta de todos os palmeirenses. Foi o que aconteceu; eis o mérito da Mancha nessa história toda. Em vez da omissão característica daquelas múmias, um pouco de ação.

Se vai adiantar alguma coisa? Talvez não de imediato. Mas a simples repercussão do fato, o medo explícito de alguns daqueles velhos gagás e as reações já verificadas - para o bem e para o mal - já representam um avanço.

A Mancha fez o seu papel.

Ao contrário do que apregoam certos representantes babacas da nossa imprensa, lugar de torcedor não é só na arquibancada. É essencialmente lá. Mas não só.

Um clube de futebol pertence ao seu torcedor.

Nada mais justo que, ainda que simbolicamente, tomar o poder.

08 novembro 2006

O Galo, de volta ao seu lugar

A matemática, ao menos neste caso, é burra. O Galo já subiu e isso pôde ser comprovado na comovente festa de ontem no Mineirão. Vibram a torcida do grande Clube Atlético Mineiro e o futebol brasileiro, que tem de volta à elite um de seus representantes mais ilustres.

Parabéns, Galo, por voltar ao seu lugar de direito!

***


Sobre Palmeiras: só depois do jogo de hoje.

Devo chegar às 19h40 no Palestra.

06 novembro 2006

Vale o quanto pesa?

Pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, neste meio de semana, são mandantes de seus jogos dois times paulistanos que amam se odiar. A distância que os separa na tabela de classificação é nada mais que reflexo da postura de uma e de outra diretoria.

Um deles já é campeão prolongado há longos, extenuantes e desagradáveis dois meses. Para mais uma provável noite de festa, seus simpatizantes terão de pagar R$ 10 por uma arquibancada.

O outro, motivo de piada, se arrasta desde a primeira rodada e acumula quatro derrotas seguidas. Para outra provável noite de tortura, seus torcedores teremos de pagar R$ 20 por uma arquibancada.

03 novembro 2006

A falta que um Eurico faz

Eurico Miranda, atual presidente do Vasco, é um câncer para o futebol. No entanto, tem lá seus méritos. O principal: ama e defende o seu clube de coração contra tudo e contra todos. Até contra o próprio Vasco. Mas se o faz, é por ação, nunca por omissão.

Não se pode acusá-lo de ser um banana. Bem ao contrário dos homens (?) que comandam o Palmeiras há anos. Omissão tem sido uma regra, quase um pré-requisito, para os que decidem o futuro do Campeão do Século XX. E, convenhamos, isso em nada combina com a nossa origem italiana.

Falta sangue italiano a esta corja.

Um pouco do jeito Eurico Miranda de ser não faria mal, acreditem.

E aqui cabe o aparte que me levou a escrever isso:

O Bostafogo acaba de ser derrotado em casa pelo Internacional. O gol da vitória, vocês poderão ver, saiu em decorrência de um pênalti anotado pelo sr. Wilson de Souza Mendonça aos 45' da etapa final.
O nome lhes é familiar?

Pois bem, antes de tudo, é bom dizer: eu daria pênalti.

Outros viram como eu; os cariocas, não.

Eis então que o Maracanã foi palco de um verdadeiro linchamento moral. O cidadão de amarelo ficou lá no gramado por alguns bons minutos. Cercado pela polícia, quase apanhou de jogadores, dirigentes e aspones alivnegros.

As reclamações foram muito além de protocolares entrevistas.

Carlos Augusto Montenegro, esbaforido e vitimado por uma sudorese aguda, pareceu ter se esquecido que ganhou em 17/12/1995 o direito a 20 anos sem abrir a boca para reclamar das arbitragens. Foi pra cima do juiz, disposto até a sair na porrada. Só conseguiu disparar frases desconexas. Prestes a enfartar, seguiu quase carregado para os vestiários.

Um diretor qualquer invadiu o campo para acusar o árbitro de estar mal intencionado (Contra o Bostafogo? O mundo dá voltas, não?). Ao ser questionado pela imprensa se temia ter seu nome na súmula, saiu-se com esta: “E daí? O problema é se forem punidos o Cuca ou algum jogador. Eu posso ser punido. Não vivo do Botafogo. Estou aqui por amor ao clube”.

Tudo isso em virtude de um lance que, além de gerar dúvidas, significou um mísero ponto perdido para um time que não pode almejar porra nenhuma no atual certame.

A revolta pouco justificada dos que invadiram o gramado pode ser analisada por uma perspectiva positiva: todos estavam ali por amor a um clube, a uma camisa, a uma torcida.

Pergunto, pois: quantas vezes vocês viram algum dirigente supostamente palmeirense invadir o Jardim Suspenso em um dos tantos roubos de que fomos vítimas? Finais de Mercoscul, semifinais de Libertadores, outros tantos jogos importantes...

Resposta: nunca!

Voltemos agora ao sr. Wilson de Souza Mendonça, moralmente linchado no Maracanã por um suposto e pouco grave erro.

É ele também o antagonista do que se segue:
Estádio do Jd. Leonor, 3 de maio último. Palmeiras e SPFC disputam uma vaga nas quartas-de-final da Copa Libertadores da América.

O Palestra, com um time destroçado, sem técnico e em total desvantagem, segura um empate heróico até os 40 minutos do segundo tempo. Com isso, iríamos aos pênaltis.

Eis que o pobre diabo desarma um ataque do Palmeiras. E arma o dos leonores. Bola nos pés do lateral adversário. Que avança após o passe de juiz. Invade a área e tromba com um jogador nosso.

Trombada. Jogada normal. E após um passe de juiz.

Mas lá vem o pobre diabo. Para aparecer do jeito que ele gosta, pensa, nada melhor que armar o contra-ataque e inventar o pênalti que vai decidir o classificado nos minutos finais.

É o que ele faz. Muda o resultado do jogo, elimina um time que chegara até onde não se poderia imaginar e faz desmoronar o sonho de milhões em todo o Brasil e dos poucos milhares que nos matamos para estar naquelas malditas cadeiras amarelas, bem atrás do lance capital.

Pergunto de novo: o que aconteceu?

Algum diretor invadiu o campo?

Alguém pressionou o árbitro?

Houve linchamento moral?

Houve sequer alguma reclamação formal?

Entrevistas?
Qualquer coisa, enfim?

Nada, nada, nada!

Omissão total!

A mesma que tem nos vitimado desde que o velhote gagá fez o que fez sem qualquer conseqüência. Temos um presidente bunda-mole e toda uma sorte de gente incompetente e omissa à frente daquele que é o Campeão do Século XX, simplesmente o clube mais vencedor da história do futebol brasileiro.
E aí os fracassos se sucedem.

É fato, amigos: falta-nos um Eurico Miranda!

Alguém que tenha vergonha na cara e que tome a atitude que tomou o presidente vascaíno em um Vasco 1 x 1 Paraná do Brasileirão-1997.

Pode sair impune um árbitro que não marca um pênalti claro e expulsa três jogadores de um grande que joga em casa contra um pequeno?

É
claro que não. O homem em questão é Paulo César ‘Aparecido’ de Oliveira, que já fizera a mesma coisa – e até pior – em um Palmeiras 2 x 1 Rio Branco do mesmo ano.

Ao contrário do jogo no Palestra, o de São Januário não terminou. Porque Eurico não deixou. Barriga à mostra, invadiu o campo e decretou o fim de jogo. “Chega de palhaçada”, decretou. Com toda a razão do mundo.

Falta isso ao Palmeiras de hoje.

Tanto quanto
planejamento, competência, boa vontade, seriedade e decência. E mentes arejadas.

Mas já poderíamos tentar sair do buraco se houvesse um pouco de amor ao Palmeiras e respeito às
suas história e torcida.

***

Picerni é o nome?

Jair Picerni está longe de ser o nome ideal para treinar o Palmeiras. Mas, afinal, quem poderia ser neste momento? E é fato: nada pode ser pior do que a manutenção do pobre Marcelo Vilar no cargo. Ademais, os seus números à frente do Verdão jogam bastante a favor:

82 jogos
45 vitórias
23 empates
14 derrotas
189 gols pró
108 gols contra

Que ele faça o que dele se espera.

A nós, cabe apoiar.


***
E agora?

Além dos 90 minutos de tortura debaixo de chuva, a derrota para o Goiás serviu para nos deixar ainda mais preocupados. E agora vamos a Curitiba buscar um alívio dos mais improváveis.

01 novembro 2006

Pobre Lusa

A Portuguesa, coitada, não tem para onde correr. Deve mesmo cair para a Terceira Divisão, no que pode ser o prenúncio de um futuro ainda mais alarmante.

Fui ao Canindé ontem para uma noite lastimável.

Dentro de campo, era até de se esperar um jogo ruim - e foi de doer.

O problema maior, no entanto, está fora das quatro linhas.

O clube parece ainda mais abandonado do que em anos anteriores.

Até aí, no news.

O grande problema reside na torcida que, se já era pequena, agora sumiu de vez. Basta notar que dos 2.700 torcedores presentes ao Canindé, menos de mil torciam pelo time da casa. Sim, havia duas vezes mais atleticanos. E olha que a Galoucura nem veio.

Pobre Lusa...

31 outubro 2006

Seja bem-vindo, Paulistão!

Comparado à Libertadores ou mesmo ao Brasileiro, o Paulistão vale muito pouco hoje em dia. Tem a seu favor o peso de um século de história, das rivalidades regionais e das viagens ao interior. E a edição de 2007 vem, após dois anos de marasmo, com um bônus: mata-mata após os 19 jogos da fase de classificação.

É um verdadeiro alívio para quem tem sofrido com a praga dos pontos corridos. Seja bem-vindo, Paulistão/2007.

A tabela do Palmeiras, divulgada ontem pela FPF, é esta:

Campeonato Paulista/2007

18/01 qui. 20h30 Palmeiras x Paulista – Palestra
21/01 dom. 18h10 Rio Branco x Palmeiras – Décio Vitta
25/01 qui. 17h Palmeiras x Santo André – Palestra
28/01 dom. 16h Palmeiras x Grêmio Barueri – Palestra
31/01 qua. 21h45 Ponte Preta x Palmeiras – Moisés Lucarelli
04/02 dom. 18h10 Palmeiras x Santos – Palestra
07/02 qua. 21h45 Ituano x Palmeiras – Novelli Júnior
10/02 sáb. 18h10 Palmeiras x Bragantino – Palestra
17/02 sáb. 16h Palmeiras x Rio Claro – Palestra
25/02 dom. 16h São Caetano x Palmeiras - Anacleto
03/03 ou 04/03 sáb./dom.* SCCP x Palmeiras – Jd. Leonor
07/03 ou 08/03 qua./qui.* Palmeiras x Noroeste - Palestra
10/03 ou 11/03 sáb./dom.* Palmeiras x Juventus – Palestra
17/03 ou 18/03 sáb./dom.* Sertãozinho x Palmeiras – F. Dalmazo
24/03 ou 25/03 sáb./dom.* Palmeiras x Marília – Palestra
28/03 ou 29/03 qua./qui.* América x Palmeiras - Teixeirão
31/03 ou 01/04 sáb./dom.* Bambis x Palmeiras – Jd. Leonor
07/04 ou 08/04 sáb./dom.* Palmeiras x Guaratinguetá – Palestra
11/04 qua.* São Bento x Palmeiras – Humberto Reale

15/04 dom. Semifinal, jogo 1
22/04 dom. Semifinal, jogo 2
29/04 dom. Final, jogo 1
06/05 dom. Final, jogo 2


*A FPF não definiu ainda dias e horários dos jogos entre a 11ª e a 19ª rodadas. Isso deve ocorrer em tempo hábil, de acordo com os sempre maléficos interesses das emissoras de TV.

***

Vale conferir o texto do nosso amigo Maurício Rito.

30 outubro 2006

Os palmeirenses de verdade

"Agora, contra o Goiás, eu quero ver quem são os verdadeiros palmeirenses", vomitou o velhote esclerosado, logo após a derrota da última semana, na madrugada de quarta para quinta.

Bravata escrota e sem sentido, no pior momento possível.

Afinal, quem seriam os verdadeiros palmeirenses?


Seriam aqueles que apequenaram o grande Palestra?
Ou os que o fazemos grande mesmo agora?


Seriam aqueles que nos desafiam e depois fogem?
Ou os que não fugimos à luta?

Seriam aqueles que querem nos manter longe?
Ou os que pagamos R$ 20 por um time que não vale R$ 5?

Seriam aqueles que permitem um Palmeiras x SCCP na madruga?

Ou os que superamos isso - e muito mais - para acompanhá-lo?

Se me mantive quieto até agora, foi por ingenuidade. Pois acreditei que haveria um pouco de bom senso depois da bravata daquele pobre diabo que não aprendeu a respeitar seus cabelos brancos.

Sim, fui ingênuo.

Esperei por bom senso, ao menos uma vez.

Que nada!

Os ingressos estão à venda. A R$ 20/ R$ 10.

A comparação é inevitável: os bichas, campeões prolongados desta merda, podem ir ao estádio por R$ 10/ R$ 5. Mesmo na iminência do título, paga-se metade. Não cabe discutir a falta de alma daquela gente, mas sim a capacidade da diretoria deles quando se trata de promover a ida do público aos estádios.

Não à toa, ficamos para trás.

Assim será enquanto houver gente como o velhote esclerosado.

26 outubro 2006

...

Desde o momento em que descemos a rampa do Jd. Leonor, já na madrugada, muitas coisas passaram pela minha cabeça. Nenhuma delas terá este blog como destino.

Talvez porque eu tenha cometido uma matança de neurônios ao assistir, no canal 38, a quase 80 minutos da tortura a que fôramos submetidos ao vivo horas antes. Talvez por falta de forças, sei lá.

O fato é: vocês vão ter que me desculpar, mas pouco tenho a acrescentar. Minha revolta é a mesma de vocês e já pudemos compartilhar todas as lamentações na saída daquele maldito campo de batalhas. Não há mais o que escrever.

Só sei que é foda chegar em casa e ligar o computador só para saber quais são os próximos jogos da Ponte Preta...

25 outubro 2006

Ingenuidade e oportunismo

Pipocam por aí notícias de que as torcidas de Palmeiras e SCCP teriam marcado brigas pela internet em virtude do clássico de hoje. O papo furado vem desde o começo do mês, quando um inescrupuloso aprendiz de Capez resolveu levar ao conhecimento da emissora que é o câncer do futebol brasileiro o fruto de horas e mais horas perdidas na rede de computadores.

Oportunista, o promotor ganhou o seu espaço. E que espaço!


Aproveitou a ingenuidade de algum jornalista idiota para propagar a notícia de que Mancha e Gaviões teriam agendado "violentos confrontos" para a tarde do dia 28 (agora noite do dia 25).

E não parou neste único inocente jornalista global.

A notícia se espalhou de tal forma que até a PM entrou na onda. Veio primeiro com a expectativa insana de 50 mil pessoas no Jd. Leonor. E depois com um esquema de final para evitar confusões pela cidade.

Se teremos brigas por aí?

Sim, é inevitável. Mas nada previamente agendado.

Babacas de internet não vão ao estádio, nem saem na porrada.

Até quando vão acreditar nessa balela de orkut?

24 outubro 2006

Depredação de patrimônio público

Palmeiras e SCCP fazem o principal clássico deste país, seja lá qual for o parâmetro utilizado para comparação.

Rivalidade, história (e histórias), grandes jogos e decisões, torcidas, representatividade, estatísticas... clássico maior não há.


Boca-River, Barça-Real, Milan-Inter.

Cada país tem o seu grande duelo.

O Brasil tem Palmeiras-SCCP.


O dérbi é um patrimônio nacional.

Como um monumento a ser preservado sempre em uma tarde de domingo, 16h, com casa cheia.

Não merece a depredação de que é vítima quando resolvem atirá-lo para a madrugada de uma quarta-feira.

Não merece ser visto por testemunhas.

O torcedor, pobre torcedor, chora aos seus pés.


E os vândalos se divertem...

***

De uma só tacada, vejam vocês, foram desrespeitados os dois maiores clássicosdo país. Enquanto Palmeiras e SCCP se vêem obrigados a lutar na madrugada de uma quarta-feira, destino pouco menos desfavorável é outorgado ao Vasco-Flamengo da mesma rodada, desalojado que foi do sábado à tarde para uma infeliz quinta-feira, 20h30. E o pior: sem qualquer motivo aparente. Só pode ser má vontade...

***

Devo chegar ao Jd. Leonor lá pelas 20h.

20 outubro 2006

Às trincheiras!

Temos uma guerra, irmãos!

E a única opção é vencer!

Como nos foi confiscado o sagrado futebol do fim de semana, resta-nos entrar em concentração mais cedo para a batalha de quarta-feira, 22h da madrugada, no fétido Jd. Leonor.

Os ingressos, é bom que todos saibam, já estão à venda.

Valem os postos da Ingresso Fácil (fácil? pra quem?), no vagabundo horário das 11h às 17h.

O mando é dos caras.

Vamos de amarela e vermelha, a razoavelmente honestos R$ 15.


Olê, dá-lhe, dá-lhe, olê!
Olê, dá-lhe, dá-lhe, olê!
Olê, dá-lhe, dá-lhe, Palmeiras!
LUTAR, VENCER OU MORRER!

19 outubro 2006

Olho gordo

Deu no Painel FC de hoje:

Lazer. O São Paulo diz que um terreno da prefeitura é o ideal para construir estacionamento para o Morumbi. Mas teme atrito com moradores. Há duas praças na área.

A nota é auto-explicativa, pelo menos para aqueles que sabem como foi erguido aquele antro de podridão na zona sul. 50 anos depois, a mesma patifaria. O povo vai pagar a conta de novo?

Edmundo, o pênalti e o Vasco

Edmundo é vascaíno. E palmeirense. Disse o Animal em sua reestréia com a camisa verde, em janeiro, contra o São Bento, Palestra cheio por causa dele: "Pelo Vasco, eu sinto um amor de mãe, porque fui criado lá. Mas aqui no Palmeiras é amor de mulher, pois é o clube que eu conheci quando adulto".

Depois da Copa, de novo no Palestra. Palmeiras 4 x 2 Vasco. Dois gols dele, que compara o amor que sente pelos dois clubes: "Aqui dentro do Palmeiras, nunca me decepcionei, e apesar de ter aprendido a gostar deste clube depois, acho que hoje gosto mais".

É possível amar dois times?

Sim, é. De maneiras diferentes.

Vejamos o caso do nosso rebelde amigo Luigi, que ama o Palmeiras e o Napoli sabe-se lá em quais proporções.

Luigi tem todo o direito de idolatrar duas camisas, não é?

Por que diabos Edmundo não poderia amar Palmeiras e Vasco? Uma combinação, aliás, que em nada ofende determinada parcela da nossa torcida - da qual eu faço parte.

E eu também tenho esse direito, certo?

Vejam que não sou apenas partidário da união Mancha Verde/ Força Jovem/ Galoucura. Mais do que isso, sou vascaíno no Rio.

Tenho lá meus motivos para gostar do clube cruzmaltino.

Se vocês precisam gostar?

Não. Só não me venham com argumentos que façam referência a Eurico Miranda. Ele é muito pequeno - e vai passar. O Vasco, eterno, continuará grande. Se Eurico Miranda é motivo para deixar de gostar do Vasco, Mustafá e Dualib também o são. Logo, Palmeiras e SCCP não mereceriam ser amados por ninguém.

Isso em nada abala o que eu sinto pelo Palestra e eu não preciso aqui demonstrar qual é o tamanho deste amor.

Voltemos à discussão inicial.

Edmundo esteve longe do Palestra por 10 anos. De 1995 a 2005. Quando voltou à nossa casa, foi com outra camisa, a do Figureirense. A torcida, saudosa, o venerou. Gritou seu nome, pediu sua volta. Ele se emocionou, tal qual ontem em São Januário.

Ali ganhou força o retorno ao Palestra. Que se concretizou em um jogo beneficente. O Animal voltou. Quebrou o protocolo ao vestir a camisa antes de ser apresentado. Estava também com saudades.

Pergunto, pois:

Quem não se emocionaria ao voltar ao lugar em que foi criado e ser festejado pelas pessoas que lá ficaram? Não é algo mais ou menos natural? Humano? Digno? Bonito até?

Vocês não se emocionariam?

Não? Então, meus amigos, vocês estão no esporte errado.

O tênis e o golfe estão aí pra isso mesmo...

***

Por fim, cabem algumas considerações:

1. Edmundo é reconhecidamente um mau batedor de pênaltis. Tanto quanto Shaquille O´Neal é ruim nos FTs.

2. Edmundo não é o cobrador oficial do Palmeiras. Este é Paulo Baier. Se o Animal se prontificou a bater, é sinal de que não se importaria em marcar um gol contra o time que o revelou.

3. Quer dizer então que ele errou de propósito? Então isso só comprova o quanto ele é foda. Pois ele teria
mirado e acertado na trave, o que é imensamente mais complicado do que acertar os 17,8 m² gol ou todo o infinito que existe além da baliza.

4. Por que diabos brasileiro adora tanto uma teoria conspiratória?

***

26 de outubro de 2005. Palmeiras 2 x 2 Figueirense/SC.

O post abaixo vem do blog antigo. Faço questão de republicá-lo:

A NOITE DE EDMUNDO
10 anos. Da saída conturbada ao retorno triunfal. Edmundo voltou para casa. Por apenas uma noite, é verdade. Mas voltou. Para um passeio. Edmundo foi o próprio jogo. O melhor em campo. Jogadas magistrais. Dois gols. Pequenos e insignificantes detalhes diante do que realmente fica na memória da nação alviverde.

O reencontro com um ídolo eterno, 10 anos depois. O Animal. Sim, o Edmundo que nos abandonou em 1995. E que viria a cometer a maior de todas as traições no ano seguinte. Mas também o Edmundo que, com a sabedoria que só o tempo pode trazer, reconheceu o grande erro de sua carreira. “Se arrependimento matasse, eu estava morto. Queria nunca ter saído daqui, como fez o Marcos”, disse, emocionado.

O Edmundo de tantos serviços prestados ao Palmeiras. De tantas alegrias para a nação alviverde. De 133 jogos e 65 gols. De cinco títulos. De tardes e noites inesquecíveis. Dos dribles mágicos. Da irreverência. Mas também o Edmundo polêmico. Das provocações. Das brigas, expulsões e confusões. Da relação de amor e ódio com a torcida. O único capaz de rivalizar com o eterno matador Evair.

Foi um breve reencontro. Pena. Ele, Edmundo, quer voltar. Sempre quis. “O amor pelo Palmeiras é como amor de casamento. A gente cresce, vira adulto e ama alguém. Ama porque escolhe”. Mas não o querem de volta. Preferem Gioino. Warley. Washington. Não sabem perdoar. Sofremos os torcedores. Sofre o Palmeiras. Como agora.

Quem nunca na vida foi imaturo, errou e se arrependeu, para então pedir perdão?

Como quem pisa na bola com um grande amor e depois percebe o deslize, Edmundo pediu desculpas. Algumas vezes já. Está perdoado; o torcedor é sábio e o amor é maior que a traição. Era, aos 24 anos, um Edmundo sem a cabeça de hoje. Moleque ainda. Humilde, mas deslumbrado. Foi infeliz. Mas fez por merecer o perdão. Jamais deixamos de vê-lo como ídolo. 10 anos. Tempo demais para quem sente saudades.

O Animal esteve longe por todo esse tempo. Encontramo-nos algumas vezes por aí. Mas nunca na casa em que fomos tão felizes. 10 anos depois, Edmundo voltou ao sagrado Jardim Suspenso. Foi às redes duas vezes. Porque é craque. Profissional, fez sua parte. Com dignidade. Respeitoso, não comemorou. “Não poderia fazer isso. Tenho uma relação muito especial com essa torcida”. Apenas cumprimentou Marcos, a quem admira pela fidelidade.

Foi aplaudido antes, durante e depois. Bem depois. Quem esperou teve o privilégio de vê-lo novamente com a nossa camisa. A 7. Um beijo no escudo alviverde. Sincero. Edmundo se emocionou. A torcida também. Amargo regresso. Estávamos juntos, mas sabedores de que seguiremos caminhos distintos. Como duas pessoas que se amam, mas não podem ficar juntas. Pena. Permanece o sentimento. Valeu...

***

Prova de amor ao Palmeiras

Tem muita gente na torcida que não perdoa o Edmundo. Eu até entendo o rancor – mesmo a de um cidadão exaltado, que ficou o tempo todo esbravejando –, mas digo que a torcida do Palmeiras deu um exemplo de amor ao clube quando homenageou Edmundo e Cléber, dois ídolos eternos. Muitos dos que estavam no Palestra sequer viram o Animal defender nossas cores ao vivo, mas sabem de sua importância. Não há idade para o amor, para o reconhecimento e para a gratidão. Ídolo é ídolo. Sempre.

É exatamente a capacidade de reverenciar o passado que nos diferencia da sub-raça. Eles não têm história. Nós temos. E é nosso dever preservar cada momento em um lugar bem especial. Edmundo representa muito. Homenageá-lo, portanto, é cuidar de algumas das páginas mais belas de nossos 91 anos. É homenagear (e amar) a própria Sociedade Esportiva Palmeiras.

Obrigado, Edmundo!

18 outubro 2006

Desabafo necessário

De uma só tacada, a emissora que é o câncer do futebol brasileiro conseguiu cancelar o meu fim de semana no Rio e me impediu de estar presente ao jogo de futebol que, por motivos óbvios, mais me agrada.

16 outubro 2006

Pela raça, até que valeu!

Empate em casa nunca é bom negócio.

Há agravantes e atenuantes no de ontem.

Agravantes:

1. Enfrentamos um time pequeno;

2. Continuamos nesta zona nebulosa que não leva a lugar algum.

Atenuantes:

1. Ok, o time perdeu muitos gols. Bem mais que o aceitável. O lado bom da coisa é: se perdeu tantos gols assim, é sinal de que as oportunidades foram criadas. Faltou um 9. Sobraram azar aos nossos atacantes e competência ao goleiro adversário;

2. Raça não faltou. Se o 0 a 2 sinalizava uma tremenda injustiça no Palestra, o time, empurrado pela torcida, b
uscou a reação. A Brisa, por sua vez, fez o que sabe: foi um time pequeno. Na pressão, vieram os dois gols. Faltou o terceiro. Ah, Edmundo...

No fim das contas, o espírito de luta prevaleceu.

Valeu a pena!

***

Vejam como é a vida:

Marcinho Guerreiro foi, não se acertou e voltou. Deu prejuízo ao Palmeiras. E, pior, voltou mal. Comprometeu. Perdeu todo o crédito que havia ganho com as boas atuações (leia-se raça e espírito de luta) que o 'consagraram' (menos, menos!) em 2005.

Guerreiro, ex-xodó, ficou marginalizado. Era comum ouvir pelas alamedas do Parque Antártica coisas como "Por que esse filho da puta voltou?" ou "Quando a gente achou que tinha se livrado, ele volta...".

E eis que ele vivia ontem mais uma tarde nada brilhante. Enquanto o time perdia gols em profusão, ele apenas assistia lá de trás, quase como terceiro zagueiro. Fez até um bom, mas inútil, desarme no lance do segundo gol da Brisa. Era pouco.

No entanto, bastou o time chegar ao empate para as coisas mudarem.

Vieram então três ou quatro carrinhos com desarmes limpos, na bola e sem falta. Guerreiro saiu jogando. Armou contra-ataques. Evitou a aproximação dos atacantes da Brisa. Dividiu todas. Lutou. Bateu com discrição. Foi um verdadeiro guerreiro.

Surgiram aplausos entusiasmados.

O Palmeiras perdia, mas Marcinho Guerreiro era ovacionado. Daí para gritarem o seu nome bastou mais um desarme preciso.

"Marcinhooo Guerreeeirooooo"

Quem diria...

***

Curtas

*Quando é que vão perceber que esta ridícula camisa cor de nada é sinônimo de azar? Pois só esta maldita criação pode explicar as três bolas na trave e os inúmeros erros de finalização. Isso, é claro, para não falar no gol à la Vampeta que abriu o placar para a Brisa.

*Minuto de silêncio. Menos dois conselheiros - um de cada lado. O ritmo prevalece: menos um a cada jogo. A renovação está a caminho?

*A nova locutora do Palestra pode não ter a melhor voz do mundo, mas pelo menos sabe pronunciar o nome do nosso lateral-esquerdo.

***

VAMU SUBÍ, GALÔÔÔÔÔÔ!

E o Galo, o Atlético grande, segue a passos largos rumo ao seu lugar de direito. Valeu a nossa torcida no sábado lá no ABC.

"Ô, ôôô, ôôô, vampracima deles, Galôôôô!!!"

"União sinistra, que ninguém segura! Mancha Verde e Galoucura!"

13 outubro 2006

Câncer incurável

Trancafiados em uma confortável sala cujo ar condicionado os torna imunes ao calor carioca, sujos executivos da emissora que é o câncer do futebol brasileiro vasculham a tabela do Campeonato Brasileiro. O objetivo é claro: foder a vida dos pobres torcedores que, burros, insistem em freqüentar estádios de futebol.

Executivo A: Esses torcedores são muito chatos. Já fizemos de tudo para as pessoas ficarem em casa, mas tem um monte de vagabundo que não desiste de ir aos jogos.

Executivo B: Precisamos dificultar as coisas.

Executivo C: Eu podia jurar que eles desistiriam depois de termos inventado o horário das 22h...

Executivo B: Que nada! A maioria cede fácil, mas tem uns sujeitos capazes de suportar tudo. Lembra quando a gente colocou os jogos às 21h45 de sábado? Ou às 19h de domingo? Mesmo assim, tinha gente que não desistia...

Executivo A: Acho que precisamos começar a irritá-los com transferências repentinas. Porque eles vêem a tabela com jogos às 18h10 de sábado ou domingo e já se preparam muito antes. E se a gente começar a mudar os jogos de uma hora pra outra?

Executivo C: Como?

Executivo A: Que tal pegarmos este Palmeiras x Corinthians, tirarmos do domingo e colocarmos numa quarta-feira à noite?

Executivo B: Gostei.

Executivo A: Melhor ainda. Como o jogo é no Morumbi, nada melhor que colocarmos às 22h. Com TV ao vivo...

Executivo C: Puxa, você é muito filho da puta mesmo. 10 da noite, com TV, no Morumbi... perfeito!

Executivo B: Mas qual vai ser a alegação?

Executivo A: Vamos dizer que é por causa das eleições...

Executivo B: Se fosse só por isso, deveria ser no sábado.

Executivo A: Então a gente esculacha de vez e assume que foi para atender aos interesses da emissora de TV.

Executivo C: É verdade. Eles ficam putos com isso.

Executivo A: Acho que a gente podia atacar uma torcida específica. Se a gente quer afastar os torcedores do estádio, por que não fazer várias mudanças na tabela de um time só? Aí vamos matando aos poucos, torcida por torcida...

Executivo B: Hum, palmeirenses e corintianos estão entre os mais chatos. A gente já tentou de tudo e eles não somem.

Executivo C: Eu tava vendo aqui... Podemos pegar este Vasco x Palmeiras do dia 22, domingo, e jogar para a quarta-feira anterior. Às 22h, pra complicar a vida das duas torcidas.

Executivo B: Bem pensado. Eles se dão bem, mas a maioria dos palmeirenses não poderá viajar para cá para encontrar os vascaínos. Tem muito vagabundo mesmo, mas alguns trabalham...

Executivo C: Isso. Como vai ser em cima da hora, eles vão chiar...

Executivo A: E a gente consegue preencher a nossa grade sem precisar colocar um filme repetido depois da novela.

Executivo B: Mais uma coisinha. O que vocês acham de pegarmos o jogo seguinte do Palmeiras, que é numa quarta à noite, e anteciparmos de 20h30 para 19h30?

Executivo A: Hum, é uma quarta véspera de feriado...

Executivo C:
Belo horário este...


Executivo A: Se eles não desistirem, a gente pega um outro jogo durante a semana e coloca às 11h da manhã pra competir com os desenhos do SBT. Aí eu quero ver se eles vão...


***

E assim, amigos, teremos o seguinte:

30ª rodada
Vasco x Palmeiras, São Januário
Antes: 22/10, domingo, 16h
Depois: 18/10, quarta, 22h

31ª rodada
SCCP x Palmeiras, Jd. Leonor
Antes: 29/10, domingo, 16h
Ok, tem eleição. A lógica seria: 28/10, sábado, 16h
Mas ficou: 25/10, quarta, 22h

32ª rodada
Palmeiras x Goiás, Palestra
Antes: 1º/11, quarta, 20h30
Depois: 1º/11, quarta, 19h30

Tudo o que eu disser além disso é desnecessário. Espero apenas que os responsáveis por isso tudo tenham a morte mais sofrida de todas.

11 outubro 2006

O ocaso de um gênio



Romário de Souza Faria é o maior atacante que este país já viu. É também o maior craque que o mundo reverenciou desde Maradona. Perto dele, Ronaldinho, este de que tanto falam a esmo, é um aprendiz. Ronaldo, por sua vez, seria um bom suplente.

O Baixinho é gênio, mas não só da grande área.

É um gênio da bola.

E também das palavras, autor que foi de algumas das mais folclóricas declarações do nosso futebol.

Sim, Romário é um semideus. Mas isso não dá a ele o direito de se autodepreciar como agora.

Seus fãs merecem respeito. Mais do que nós, ele próprio.

Na busca desvairada pelo milésimo gol, o Baixinho não leva em conta os prejuízos às suas imagem e história.

Cada vez menos afeitas a conhecer o passado, as novas gerações poderão ficar com a imagem nada justa de um Romário que se arrasta em campo. De um ex-jogador em atividade que vai atrás de qualquer milhão de reais para chegar aos tais mil gols.

Romário é muito mais que isso.

É o homem que sozinho ganhou uma Copa.

O craque de gols mágicos, de dribles curtos e finalizações implacáveis.

É o cara!

Mil gols?

Pra quê?

Duas décadas de genialidade valem muito mais.

Pára, Romário!

***

Romário
Compositores: Teixeira, Marruda e Imperatore

Pega a bola, chuta
Marca em cima, faz um gol
Vai que eu quero ver você fazer
Romário, anjo torto, demônio do futebol

Dribla, seduz, entorta de prazer
Príncipe de Eindhoven, Barcelona
Barreira do Vasco
Romário em campo é um bolaço

Mago das massas, mais querido
Odiado dos zagueiros
Romário é rei, romário é o máximo
Ele é o cão

É gol, e a galera delirava
É gol, esse garoto tá danado
É gol, e a galera delirava
É gol, esse caboclo é o diabo

10 outubro 2006

Até o locutor?

Do Arena FC:

Locutor é demitido após conversa com organizadaPor Fábio Finelli

Locutor do estádio Palestra Itália desde meados de 2004, o radialista Clóvis Sachetti Jr. foi demitido pela diretoria palmeirense por um ato inusitado: estava conversando com integrantes da torcida organizada Acadêmicos da Savóia após a partida contra o São Caetano, realizada dia 9 de setembro, no Parque Antarctica.

"Resolvi comer um lanche fora do estádio logo após o jogo, e na volta, encontrei alguns amigos da Savóia, que na ocasião protestavam contra a diretoria. Cumprimentei alguns deles, pois sou uma pessoa respeitosa e que tenho carinho por todos àqueles que apreciam o meu trabalho. Esse ato foi visto pelo diretor administrativo Roberto Frizzo, que provavelmente não gostou do que viu", explicou Clóvis, que imediatamente foi afastado do cargo.

"Eu fui proibído de entrar nas dependências do estádio e afastado da locução de forma humilhante e sem aviso prévio. Não tiveram a menor consideração por tudo o que eu fiz pelo Palmeiras", esclareceu o locutor, que ainda fez uma revelação. "Nunca ganhei dinheiro de ninguém. Trabalhava de graça por amor ao clube", destacou.

A represália dos dirigentes alviverdes contra Clóvis Sachetti explica-se, já que a torcida Acadêmicos da Savóia vem sendo a única dentre as organizadas a protestar após às partidas contra parte da diretoria de futebol, entre eles, Salvador Hugo Palaia, Ílton José da Costa e Mustafá Contursi.

O ArenaFC entrou em contato na manhã desta terça-feira com o diretor Roberto Frizzo, mas o celular do dirigente encontrava-se na caixa postal.



Pois é, e aí arrumaram no lugar dele um sujeito que, além de não ter voz para a função, não sabe sequer fechar o microfone.

E eu achava que essas atitudes mesquinhas eram exclusividade da turminha do Mustafá...

09 outubro 2006

Edmundo, 81

2006 está longe de ser um grande ano para a torcida palmeirense. Poucos foram os momentos efetivamente bons, mas a maior parte certamente tem a ver com o privilégio de acompanhar mais um ano de Edmundo com a camisa alviverde.

Edmundo é o toque diferenciado em um time que empolga e decepciona com igual intensidade. O Animal de hoje não tem mais aquela capacidade inigualável de garantir as vitórias como há 10, 12 anos... mas, quando o faz, é com classe.

Ontem, por exemplo.

Ele não jogava bem.

Assim foi até 20 e poucos minutos da etapa final.

Da arquibancada, um cidadão sem limites reclamava do técnico: "Por que não tirou o Edmundo? O cara tá machucado, não tá correndo..."

Eis que, de repente, a bola viaja pelo alto após cobrança de escanteio.

Edmundo lembrou-se então do primeiro gol de Romário na Copa de 94.

Como já havia feito anteriormente nesta temporada, o Animal dirige o olhar à grade central da arquibancada. Manda um "Chupa, Luigi" para o cidadão sem limites e estica o pé para balançar as redes pela 81ª vez com o manto sagrado.

Pouco depois, jogada típica do triênio 93/95. E gol!

Ao "Chupa, Luigi" decretado pelo nosso camisa 7, eu acrescento um enorme CHUPA, FLAMERDA!

***

PM, incompetência sem limites

Incompetência 1: Bilheterias da Turiassu fechadas.
O pobre torcedor precisa dar a volta para comprar ingresso do outro lado, na Matarazzo.

Incompetência 2: O portão da Matarazzo, onde ocorre a venda de ingressos, é subitamente fechado. E eis que o torcedor, exausto depois de quase uma hora na fila, precisa dar uma nova volta para entrar no estádio pelo portão principal.

Em todos esses anos de estádio, nunca vi coisa parecida. Não à toa, metade do público só entrou no estádio com o jogo em andamento.

Ao incompetente 2º Batalhão de Choque cabe responder:

1. Por que fechar as bilheterias da Turiassu?

2. Por que fechar o portão da Matarazzo?


3. Por que vocês não vão tomar no cu?

E nós ainda reclamavámos do major Marinho...

***

Amor incondicional

Isso deve ser acrescido ao post da última quinta-feira:

15º, sem grandes aspirações no Brasileiro e sem qualquer tipo de promoção de ingressos, o Palmeiras levou ao estádio mais de 17 mil torcedores ontem à tarde. Outros tantos devem ter desistido de entrar devido ao caos que se formou no lado externo do Palestra Itália.

Fato é que não precisamos de incentivo para ir ao estádio. Nem de motivações. Basta que o Palmeiras jogue. Isso se chama torcer.

06 outubro 2006

Tempo de vencer

Não preciso rememorar 2001, 2002, 2004 ou 2005. O ano agora é 2006. Acabou a palhaçada. Vitória, nada mais do que isso. Vitórias, aliás. Seis nos seis jogos que acontecerão na nossa casa. A saber:

08/10: Flamerda/RJ
15/10: Brisa/PR
01/11: Goiás/GO
08/11: Fortaleza/CE
11/11: Bostafogo/RJ
26/11: Internacional/RS

Seis jogos em casa. Cinco contra times que estão na zona intermediária (ou lá pra baixo). São 15 pontos. Os outros três virão contra o Inter. "Ah, mas é um dos melhores times do Brasil", dirão. Sim, é verdade. Mas já fez o que tinha de fazer e não terá o menor interesse neste jogo, às vésperas do Mundial.

Portanto, são 18 pontos.

Temos ainda um jogo em campo neutro (gambás) e quatro fora (Vasco, Paraná, Juventude e Fluzinho). A se manter o péssimo desempenho como visitante, conseguiremos míseros cinco pontos longe do Parque.

Se o Palmeiras não fosse perito em desperdiçar pontos estúpidos na sua própria casa, a matemática apontaria:


18 em casa + 5 fora = 23
33 atuais + 23 que poderiam vir = 56

Daria pra ficar entre os 8 melhores.

Mas, por enquanto, que fique registrado:

ACABOU A PALHAÇADA!

É PRA AFUNDAR O FLAMERDA!

05 outubro 2006

Amor de vitrine

Escreveu Xico Sá, duas semanas atrás, na FSP:
"Pelo que joga, o tricolor merece o título. Só não é meritório nas arquibancadas. A torcida parece desprezar qualquer coisa que não seja Libertadores, viciou-se nisso como uma cocaína ludopédica. Sério. Esquece que a vida não é só Morumbi e Bombonera, a vida é Moça Bonita e rua Javari, quarta de noite, chovendo, chovendo à cântaro, como as chuvas das crônicas das antigas."

Transcrevo o trecho acima apenas para não ser o portador único de tal constatação. Vejam vocês que os bichas, líderes isolados, fodões e com pelo menos uma mão na taça, levaram ontem ao estádio 8 (oito!) mil pagantes para um jogo supostamente decisivo.

Sim, oito mil!

Fosse apenas uma vez e tudo passaria batido.

Mas não é.

Os alienados simplesmente não conseguem vislumbrar a marca dos 10 mil torcedores em casa, barreira que os combalidos, trôpegos e irregulares Palmeiras e SCCP, respectivamente 15º e 16º hoje, ultrapassam com folga em quase todas as rodadas.

Aí o típico torcedor do SPFC ensaia um argumento: "Ah, mas a gente enche o estádio em todos os jogos da Libertadores".

Ok, muito bonito.

Pois eu respondo: qualquer um vai ao estádio em jogos de Libertadores. É file mignon. Aí é fácil.

Difícil, mas necessário, é apoiar o time quando ele precisa.

E se os caras não acompanham nem o time que é o virtual campeão, imaginem o que fariam por uma equipe que eventualmente freqüentasse áreas menos nobres da tabela de classificação...

Não é difícil explicar.

Fernando Galuppo, nosso amigo trabalhador e louco, matou a questão durante uma de nossas tantas conversas. O argumento é todo dele; o que eu faço aqui é um mero desenvolvimento. A ele:

Nós, palestrinos-palmeirenses (e corintianos, sejamos justos), temos história, berço e tradição.

Como tal, vestimos a camisa do time.

Não a camisa em si, este traje que, vendido por aí, pode adornar mesmo o mais insignificante dos hereges, mas o que ela representa.

A história do manto sagrado, sabem?

Pois bem, nós vestimos Palmeiras (e eles, SCCP).

Tá na pele, tal qual uma marca de nascença indissociável.

Os leonores, por sua vez, usam a camisa (somente nas horas boas, que fique claro) não como símbolo, mas como grife.

Tal qual uma marca de roupa, dessas tantas que encontramos nas vitrines de um shopping center qualquer.

Sinal de status, acreditam os alienados.

Usam a camisa sem saber o que ele representa.

Moda. Passageira e fugaz.

Há, portanto, quem ame um clube pela sua história. Pelos títulos que acumula. Mas também pelas derrotas. Pois é nos momentos difíceis que se aprende a amar. E é neles que se ama de verdade.

Há amores e amores.

O amor sincero, de berço. Eterno e inabalável.

E o de vitrine...

03 outubro 2006

Futebol ou circo?

Faço questão de não conhecer sequer o nome do prefeito de Presidente Prudente. Mas, após saber que ele pretende 'comprar' o clássico SCCP x Palmeiras do próximo dia 28, coloco aqui uma questão: estaria ele pensando que futebol é circo? Que pode agora levar os grandes clássicos paulistas para o interior como se fossem uma atração turística?

Futebol não é circo!

Se quer divertir a população, que encha a cidade de palhaços ou construa um parque de diversões. Qualquer coisa, enfim. Só não venha encher o nosso saco!

Futebol não é circo; é guerra!

Estamos agora nas mãos de Alberto Dualib.

Apesar de tudo, creio que ele
não irá se vender como fez a nossa diretoria. Acredito, portanto, que não precisaremos gastar mais tempo e dinheiro por causa deste cu do mundo que é Prudente.

Se formos, no entanto, mais e mais inocentes famílias caipiras ficarão assustadas com a fúria dos "selvagens da capital".

É o preço a ser pago por quem confunde futebol e circo...

02 outubro 2006

Libertadores

Nenhuma disputa tem um nome tão bonito: Copa Libertadores da América. E eis que eu transcrevo abaixo, na íntegra e sem qualquer alteração, um belíssimo texto, infelizmente de autor desconhecido, sobre o assunto. Foi extraído do site www.ducker.com.br. Deixo claro que o fato de não concordar com parte dos argumentos em nada diminui a admiração pelo ideal.


LIBERTADORES
(autor desconhecido)


A Libertadores da América foi castrada. Teve sua masculinidade arrancada pelos defensores de “Lei Peles”, pelos “Galvões”, “Falcões”, “Arnaldos” e por aqueles que esperam o fim da novela para ver o futebol. A Libertadores virou um enlatado de fácil digestão pelos estômagos fracos e pelos fãs de “pedaladas” e “amigos da Rede Globo”. De animal feroz, a Libertadores se transformou em um bichinho mimoso e colorido, tão inofensiva quanto “Malhação” ou a “Sessão da Tarde”. Nem o adolescente rebelde Ferris Bueller, o maior astro da “Sessão da Tarde”, foi tão enquadrado.

Que saudade das antigas Libertadores. Quando a Rede Globo ainda não tinha transformado “La Copa” nesse programa de freiras. Que saudade dos estádios argentinos lotados, dos “Calderones del Diablo”, de La Plata e de Avellaneda. Que saudade do Centenário enfumaçado, gelado e enlameado. De Victorino e De Leon, de Morena e Spencer. Qualquer time que hoje tivesse Billardo, Dinho ou Simeone seria preso em campo. Aliás, na Libertadores se chegou ao cúmulo de se prender um jogador em campo, porque ele não foi “politicamente correto”, o tal caso Grafite/Desabato. É tão rídiculo que não é nem engraçado. É triste.

Vivemos numa era de pagodeiros, funkeiros, pseudo-surfistas de correntes de ouro e brincos de diamante que de malandros não tem nada. São um bando de frouxos, de codornas com pernas de cristal, e escravos de empresários vigaristas, desesperados por um contrato na Europa, para depois reclamar do frio, da “violência” européia e voltar correndo para o Brasil, e assim ganharem porcentagens nas duas transações. Comemoram gols beijando a aliança da maria-chuteira que fisgaram eles, e depois dos jogos vão aos melhores prostíbulos da cidade, ou as piores quadras de escola de samba. Ou imitam os gestos ridículos do Ronaldo de Assis Moreira, que nem ele, nem seus colegas sabem o que significa. Atacantes como Burrochaga, Fernando Morena, Victorino, Enzo Francescoli ou Renato Portaluppi, o pai de todos os malandros, que não era bunda-mole nem fugia do pau, hoje estariam relegados em nomes dos “Robinhos”, “Sobinhos” e outros “inhos” de luzes nos cabelos, adorados pelos fãs do “Bem Amigos”.

Saudosos tempos em que a Libertadores era uma guerra. Os platinos consideravam perder para um brasileiro, que para eles não tinha nenhum Libertador da América, nenhum San Martin, nenhum Artigas, uma deLibsonra, una verguenza. Não tinha “jogo”, tinha uma luta campal pela bola. E não precisava muito para os carrinhos, cotoveladas, socos, pedras, pedaços de pau e garrafas começarem a voar. Era preciso ser mais que jogador, era preciso ser homem. A fumaça invadia o campo, o frio gelava até os ossos, os alambrados balançavam, os juízes davam cartão até antes de começar o jogo, e não ganhava o melhor. Ganhava o mais forte.

Hoje, a Libertadores virou um espetáculo midiático, tão insosso quando a novela das 6. Até o Once Caldas e o Inter, ou a Inter, já ganharam o enlatado.
Mas eles nunca terão a glória. A glória de ter travado batalhas em campo, de ter erguido a taça, não com papel laminado voando em volta, mas com sangue escorrendo pela testa. A taça alguns tem, a glória, poucos. Pouquíssimos.

27 setembro 2006

Brincadeira de mau gosto

Ouvi dizer que Palaia e sua turma cogitaram a possibilidade de levar Palmeiras x Flamerda novamente para o maldito povoado de Presidente Prudente. Se isso acontecer - ou se tivermos outro mando vendido -, proponho atentados implacáveis contra o velho gagá e contra o prefeito deste vilarejo. No caso do Palaia, aliás, já estamos atrasados.

26 setembro 2006

Sobrevida ao demônio

Qualquer decisão que não a sumária demissão de Salvador Hugo Palaia constitui uma vergonha inominável para a Sociedade Esportiva Palmeiras. Mais do que isso: prova que a diretoria atual é suja como a anterior, de tão péssimas lembranças.

Com nada resolvido até agora, não duvido que o cidadão continue no cargo, aprontando mais e mais. Afinal, se deu certo uma vez, por que não vendermos o nosso mando de campo novamente? Por que não Campo Grande? Ou alguma cidade qualquer do norte do Paraná?

Nada mais justo que prestigiar os palmeirenses do interior, certo? Mesmo se eles não forem apoiar o time na única chance em anos.

Eis o raciocínio deste diretorzinho de merda. Os palmeirenses de bem, no entanto, sabem que vender o mando de jogo é coisa de times pequenos (Paraná Clube em Maringá, por exemplo) ou cariocas (Brasília, Nordeste, o escambau).

AQUI É PALMEIRAS!

25 setembro 2006

AQUI É PALMEIRAS, PORRA!

Como se não bastassem os inimigos de fora, o Palmeiras coleciona os seus próprios. Um, mais do que todos. Justo aquele que não merecia a brilhante vitória de ontem à tarde. Exatamente aquele que tanto fez contra seu próprio clube. Que levou para longe de nossa casa a batalha contra a escória imunda. E que - de maneira estúpida - nos tirou o comandante na véspera do confronto.

Mas ele é por demais insignificante. Tanto quanto outras figuras desprezíveis que habitam o futebol brasileiro. É pequeno como anões-de-jardim-com-barbicha, narigudos presepeiros, laterais que ou são traidores ou que só sabem abrir a boca para vomitar merda. Pequeno como a sub-raça que sucumbe uma vez mais à camisa alviverde.

Pois só ela para explicar tal vitória.

Contra tudo e contra todos, o Palmeiras é mais forte!

***

Questão de caráter

Não pude comentar no sábado ou ontem, mas o faço agora.

Tite saiu fortalecido de toda essa palhaçada. Nosso ex-treinador mostrou honra e caráter. Fez a única coisa que poder-se-ia esperar de um profissional com vergonha na cara. Saiu de cabeça erguida, pela porta da frente. Enfrentou a multidão. E foi injustamente atacado. Confesso aqui minha discordância em relação a alguns amigos. Os protestos deveriam ser endereçados ao culpado, nunca à vítima.

No entanto, por mais condenáveis que sejam todos esses episódios, o hoje técnico do Santos não tem direito algum de usar em vão o nome do Palmeiras ou de seus torcedores. Afinal, que moral tem um sujeito que fez o que fez em 2002?

22 setembro 2006

DE VERDE, PORRA!

Se o Palmeiras enfrentar o seu maior inimigo com este uniforme ridículo, alguém terá de pagar por tal heresia.

Aproveito para fazer uma pesquisa:

Na votação da adidas, havia três modelos, dois que faziam justiça às nossas tradições e um que nada tinha a ver com nossa história. Quem diabos votou na excrescência que aí está? Ou, como já foi comentado nas alamedas do Palestra, não houve votação? Fomos todos enganados?

Algum dos visitantes deste blog votou na versão prateada?

20 setembro 2006

20/09/1942, do Palestra ao Palmeiras



Pode haver algo mais glorioso do que nascer campeão?

Não por acaso, assim nasceu o Campeão do Século XX.

A oficial pode até ser 14 de setembro, mas é inegável que o 20 de setembro de 1942 é a data que representa mais do que nenhuma outra o nascimento da Sociedade Esportiva Palmeiras.

20 de setembro. 1942-2006. 64 anos.

Pacaembu.

O Palestra, perseguido, é mais forte.

E vem a campo, das trincheiras, para ser campeão.

Bandeira do Brasil à frente. Surge o Palmeiras.

Para lutar contra o maior inimigo.

O mais sujo de todos. Aquele que tentou roubar a nossa casa. Que tomou a do Germânia e ainda lucrou ao vender o terreno para a Portuguesa. Que ergueu um tempo de podridão às custas do dinheiro do povo. Que construiu toda a sua ignorada história sobre lama. Que é mais sujo a cada dia, a cada atitude rasteira. Uma entidade sem princípios, de um povinho mau-caráter.

Eis a escória.

O embate que se seguiu foi emblemático.

3 a 1. E pênalti para o alviverde imponente.

Eis então que eles (elas?) fugiram.

FUGIRAM!

Envergonhados, talvez por fracassarem na tentativa vil de acabar com um adversário tradicional e inabalável. Mais ainda: por presenciarem o seu (re)nascimento glorioso no campo de batalha.

Mais forte do que antes.

Para ser o Campeão do Século!

Obrigado, Palestra!

Obrigado, Palmeiras!

19 setembro 2006

Pelo menos uma dentro

Fato que muito me orgulha: eu teria grandes chances de vencer uma hipotética disputa para determinar quem é a pessoa que mais odeia a Rede Globo. Críticas à nefasta emissora do Jardim Botânico são uma constante neste blog. Mas eis que, ao menos uma vez na vida, sou obrigado a falar bem da dita cuja. Mais até: deixo registrado aqui um breve, mas sincero, agradecimento.

Vejam vocês que coube à Globo Esportes, braço esportivo da odiosa rede carioca, o pontapé inicial no processo de moralização do Campeonato Paulista. Refiro-me aqui ao fato de a edição 2007 do Paulistão retomar a tradicional e inestimável fase decisiva, com quatro clubes se classificando para a disputa de semifinais e final.

Serão 23 datas, sendo 19 para a fase de classificação, todos contra todos em turno único, e mais quatro para o que realmente interessa.

O Paulistão está livre dos pontos corridos.

Só falta agora o Brasileiro.

13 setembro 2006

Incompetência, má vontade ou o quê?

"O Palmeiras queria o Palestra, mas houve demora da PM para dar o ofício pedido pela CBF. Não vimos motivos para o jogo ser no Pacaembu e, por isso, resolvemos mandar para Presidente Prudente”.

Ilton José da Costa, sobre a polêmica envolvendo o clássico contra os bichas na maldita Presidente Prudente. Muita coisa a discutir:

1. Demora da PM para dar o ofício? Como isso? A mudança de local aconteceu há mais de um mês. Não haveria tempo hábil para o tal ofício? Por que a pressa em transferir a porra do clássico?

2. Repito o que já disse inúmeras vezes: o Palestra Itália é o estádio mais seguro de São Paulo. Mais que o Pacaembu e muito mais que o Jd. Leonor. Pois é o único que garante à torcida visitante um acesso isolado. Vejamos: Palmeiras e bichas, cujas torcidas adoram se matar, fizeram jogos decisivos da Copa Libertadores no Parque Antártica em 2005 e em 2006. Antes disso, no Brasileiro de 1996 e na Copa do Brasil de 2000. E nunca aconteceu nada! Nada! O mesmo vale para os santistas, figuras mais presentes à nossa casa, e para tantos outros visitantes odiados. Ao contrário de outras praças esportivas, o nosso estádio jamais registrou incidentes graves. Por que a necessidade de ofício? Por que a perseguição da PM?

3. Como podem abrir a boca para falar do Parque Antártica as mesmas pessoas que permitem clássicos na Vila Belmiro?

4. À Polícia Militar do Estado de São Paulo devem ser creditadas as eventuais mortes e/ou incidentes nos 1.130 km do trecho SP-Prudente-SP. Abriram mão de um estádio seguro para largar em campo minado duas torcidas que se odeiam historicamente? Pois que paguem o preço de uma eventual tragédia.

5. "Não vimos motivos para o jogo ser no Pacaembu?" Como não? Fique sabendo que o Palmeiras costuma mandar o clássico contra os leonores pelo Brasileiro no Paulo Machado de Carvalho. Exemplos: 2 a 1 em 2005; 2 a 1 em 2004; 1 a 1 em 2002; 1 a 1 em 2000; 2 a 1 em 1998 etc. Por que agora não interessa?

6. De novo: por que Prudente? Por que no MS? Por que não em cidades menos distantes, como Ribeirão Preto ou mesmo SJRP?


***

Prudente: como chegar lá

Como tenho muita coisa a perder e levando em conta que pretendo realmente assistir ao jogo (sem os contratempos que nos impediram de pegar a estrada em 2001), pergunto:

Conseguimos juntar 15 pessoas para alugar uma van?

Custo: aproximadamente R$ 85 por pessoa.

Busão de linha: aproximadamente R$ 150 (ida e volta).

Os recibos deverão ser encaminhadas aos srs. Afonso Della Monica, Ilton José da Costa, Salvador Hugo Palaia, à Polícia Militar e ao prefeito de Presidente Prudente.

10 setembro 2006

A recaída do Animal

1993. Paulistão. Domingo à tarde, Pacaembu.

Em tarde de gala, Edmundo, Evair, Edílson e Zinho massacram a pobre Portuguesa. 4 a 0, um gol de cada. Festa? Sim, mas não só. Nos vestiários, depois do jogo, Edmundo e Evair se desentendem. Ao quase saírem na porrada, racham o elenco que libertaria a nação alviverde menos de quatro meses depois.

Pulamos para 2006. Campeonato Brasileiro.

“Não fiz o segundo gol porque a inveja não permitiu”.

Assim, com uma frase das mais enigmáticas, Edmundo deixou o gramado após contribuir para o contundente 3 a 1 que o Palmeiras aplicou no Azulinho.

Atitude desnecessária, que não combinou em nada com mais uma bela atuação daquele que está a três gols de se tornar o terceiro maior artilheiro da história dos Campeonatos Brasileiros.

Mais do que isso, de um Edmundo 13 anos mais maduro.

A declaração surpreende.

E não tem lógica.

Pois se foi – e sempre é – claro o descontentamento de Edmundo com alguns erros de seus companheiros, é inconcebível atribuí-los à inveja ou a qualquer outro sentimento negativo.

Chega a ser infantil.

E pode conturbar o ambiente positivo que o próprio Edmundo, em fase zen, ajudou a criar.

Mas, afinal, quem seria o tal ‘invejoso’?

Citaram o Juninho, talvez porque o próprio camisa 10 tenha deixado o campo reclamando sabe-se lá do quê.

Não acredito.

No sábado mesmo, com a privilegiada visão que temos a partir da grade, deu para perceber duas ou três reclamações do Animal após erros de passe do Marcinho.

Já no segundo tempo, vi uma discussão áspera entre eles depois de uma conclusão (mais uma!) equivocada do nosso amigo da chuteira fluorescente.

Considerando que os dois já têm um histórico anterior de desentendimento e que é ótimo o relacionamento entre Edmundo e Juninho, o tal invejoso só pode ser o Marcinho.

Além de incabível, é injusto.

Menos, Edmundo, menos.


Que seja apenas uma recaída.

05 setembro 2006

E essa agora?

Saiu no Painel FC de hoje:

Marcados. Para as torcidas organizadas voltarem a levar faixas aos estádios, seus membros terão de fazer cartões magnéticos, segundo a FPF. Eles só comprarão ingressos e passarão pelas catracas com essa identificação. A proibição do material das uniformizadas foi prorrogada por mais 30 dias para a federação preparar as medidas.

***

PM,

Não vou nem questionar a perseguição contra as torcidas organizadas. É outra a pergunta que tenho: por que não podemos enfrentar o SPFC no Palestra ou no Pacaembu se o Santos pode mandar clássicos na Vila? O que explica isso?

04 setembro 2006

Lance capital

O script do primeiro tempo seguiu aquilo a que já estamos acostumados. O Palmeiras jogou bem, equilibrou o jogo e perdeu boas chances. O Santos, com a sorte quase bambi que o acompanha em clássicos na Vila, encontrou dois gols de zagueiro. 2 a 1.

Aí vem um cara de branco e empurra o Daniel dentro da área. Pênalti. Escandaloso. Acintoso. Grosseiro. O Gaciba viu, estou certo disso. Bem à nossa frente, no gol de fundo e com a visão livre. Braços estendidos e o empurrão ostensivo. O nosso zagueiro foi ao chão. Se nós vimos lá do alto, o que dizer do juiz? Logo ele, que estava tão perto da jogada...

Bom, ele não apitou. E teve a complacência do safado bandeirinha que corria sob a pressão do resto de aborto. O jogo teve sua história modificada naquele lance.

Pois aí bastou um passe errado para tudo desmoronar. 3 a 1 é bem diferente de 3 a 2. O time perdeu o controle. Foi 5 e poderia ter sido mais. Mas o pênalti do primeiro tempo poderia ter produzido outros rumos para a partida. Talvez um 3 a 2. Ou um empate, quem sabe?

O problema não é perder para o Santos na Vila.

Nem mesmo se for para um time feio como este.

O que pesa é a goleada.

E ela só existiu por culpa do árbitro.

***

A Vila, de novo

*Toda vez que vou à Vila, renovo a pergunta: como podem permitir que o Santos mande clássicos estaduais naquele lugar? E como podem abrir a boca para contestar o que quer que seja no Palestra Itália? Na condição de visitante, eu gostaria sempre de aproveitar condições como as que são oferecidas pelo nosso estádio. Acesso exclusivo, facilidade para comprar ingressos, opções para se alimentar, boa visão do campo, segurança reforçada. Um conforto só...

*Marcelo Teixeira é um bom presidente para o Santos. E uma de suas boas idéias é o camarote - que eu vi ontem pela primeira vez - à beira do campo. Mas bem que ele poderia se preocupar com algo mais do que apenas garantir a mordomia de poucos. Que tal proporcionar condições dignas à torcida visitante? Que tal vender ingressos de maneira decente e oferecer um espaço menos pior às torcidas dos outros grandes paulistas? Até quando vamos ser tratados como gado?

*A Vila é provavelmente o único estádio do mundo em que o torcedor que fica atrás do gol de fundo enxerga melhor a meta que está do outro lado do que a que fica logo abaixo de seus olhos. Uma proeza da engenharia...